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	<title>Comentários em: Os 150 mil: de promessa por cumprir a fraude política</title>
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	<description>A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade</description>
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		<title>Por: Hoje é dia 1 de Abril! Vamos ao Trabalho! &#171; Aventar</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-212346</link>
		<dc:creator><![CDATA[Hoje é dia 1 de Abril! Vamos ao Trabalho! &#171; Aventar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 04:46:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] Em Setembro de 2009 Vieira da Silva reconhecia que ia ser difícil, o que todos viam há muito tempo. [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Em Setembro de 2009 Vieira da Silva reconhecia que ia ser difícil, o que todos viam há muito tempo. [...]</p>
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	<item>
		<title>Por: Aventar &#187; Hoje é dia 1 de Abril! Vamos ao Trabalho!</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-129999</link>
		<dc:creator><![CDATA[Aventar &#187; Hoje é dia 1 de Abril! Vamos ao Trabalho!]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 10:35:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] Em Setembro de 2009 Vieira da Silva reconhecia que ia ser difícil, o que todos viam há muito tempo. [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Em Setembro de 2009 Vieira da Silva reconhecia que ia ser difícil, o que todos viam há muito tempo. [...]</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: abrasivo</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-7131</link>
		<dc:creator><![CDATA[abrasivo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 22:40:46 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A mentira de tanto ser repetida acaba por ser aceite como verdade. 
O comentário de João Miranda até poderia fazer sentido se Sócrates, pelo menos desta vez, falasse verdade.
Só que o número de 150 000 empregos criados, ou a criar, nada tem a ver com a realidade. É por isso que o desemprego tem aumentado. Porque Sócrates não tem criado os empregos que diz. Só que todos acreditam ver aquilo que nem um cego consegue ver. Sócrates fala, e ninguém questiona a verdade mesmo que aos olhos de todos pareça que é mentira.
Segundo o INE, que Sócrates tanto gosta de citar, os números da população empregada são estes:
2004, 5123 mil 
2005, 5123 mil
2006, 5160 mil
2007, 5170 mil
Esta é arealidade. Não é ficção. É só fazer as contas. O resto, +106 000, 
+150 000 ou +94 000 do que em 2004, ou no princípio de 2005, não passa de um sonho.
Sonhar é fácil!... Basta imaginar.
E claro que, no final de 2007, havia quase meio milhão de desempregados. Mas isso resulta da diferença para a população activa que, no último trimestre até diminuiu. Só por isso, Sócrates pôde orgulhar-se de ter reduzido o desemprego na extraordinária marca de 5000. Mas isso é fácil de conseguir com uma adequada política de Saúde, ou arranjando maneira da malta desatar toda a fugir. Para o estrangeiro. Claro.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A mentira de tanto ser repetida acaba por ser aceite como verdade.<br />
O comentário de João Miranda até poderia fazer sentido se Sócrates, pelo menos desta vez, falasse verdade.<br />
Só que o número de 150 000 empregos criados, ou a criar, nada tem a ver com a realidade. É por isso que o desemprego tem aumentado. Porque Sócrates não tem criado os empregos que diz. Só que todos acreditam ver aquilo que nem um cego consegue ver. Sócrates fala, e ninguém questiona a verdade mesmo que aos olhos de todos pareça que é mentira.<br />
Segundo o INE, que Sócrates tanto gosta de citar, os números da população empregada são estes:<br />
2004, 5123 mil<br />
2005, 5123 mil<br />
2006, 5160 mil<br />
2007, 5170 mil<br />
Esta é arealidade. Não é ficção. É só fazer as contas. O resto, +106 000,<br />
+150 000 ou +94 000 do que em 2004, ou no princípio de 2005, não passa de um sonho.<br />
Sonhar é fácil!&#8230; Basta imaginar.<br />
E claro que, no final de 2007, havia quase meio milhão de desempregados. Mas isso resulta da diferença para a população activa que, no último trimestre até diminuiu. Só por isso, Sócrates pôde orgulhar-se de ter reduzido o desemprego na extraordinária marca de 5000. Mas isso é fácil de conseguir com uma adequada política de Saúde, ou arranjando maneira da malta desatar toda a fugir. Para o estrangeiro. Claro.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: el s</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-7113</link>
		<dc:creator><![CDATA[el s]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 18:43:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[E já agora só para ver como se pode usar a propaganda, a entrada 114 tem um pequeno problema técnico, vejam lá se advinham...
(Coloquei-o na entrada de email que não é vísivel)]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E já agora só para ver como se pode usar a propaganda, a entrada 114 tem um pequeno problema técnico, vejam lá se advinham&#8230;<br />
(Coloquei-o na entrada de email que não é vísivel)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: el s</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-7110</link>
		<dc:creator><![CDATA[el s]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 18:30:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blasfemias.wordpress.com/?p=1159#comment-7110</guid>
		<description><![CDATA[Ao Joaquim Castilho. As suas contas estão certas, contudo em economia o que conta são as taxas e não os números absolutos.
Na sua economia de 100 com 5 desempregados passou para 110 com 7 desempregados.
Se continuar assim, por cada dez que entram cria 8 postos de trabalho quando a sua aldeia tiver mil pessoas, terá:
Empregados: 805
Desempregados: 195
Taxa de desemprego 19,5%

A prazo é isso que acontece.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao Joaquim Castilho. As suas contas estão certas, contudo em economia o que conta são as taxas e não os números absolutos.<br />
Na sua economia de 100 com 5 desempregados passou para 110 com 7 desempregados.<br />
Se continuar assim, por cada dez que entram cria 8 postos de trabalho quando a sua aldeia tiver mil pessoas, terá:<br />
Empregados: 805<br />
Desempregados: 195<br />
Taxa de desemprego 19,5%</p>
<p>A prazo é isso que acontece.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: el s</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-7106</link>
		<dc:creator><![CDATA[el s]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 18:19:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blasfemias.wordpress.com/?p=1159#comment-7106</guid>
		<description><![CDATA[Concordo com o mail no seu total, excepto que toca num assunto sério por defeito.
De facto não há só um fenómeno natural de expansão da população activa que cria os seus próprios empregos, como também temos a forma do que é contabilizado.
Em primeiro lugar Sócrates contabiliza apenas os empregos por conta de outrém e não os por conta própria e não há razão para isso, todos são emprego e o desaparecimento dos segundos deve contar na contabilização liquída. Aqui estão os números da variação entre o 2º trimestre de 2005 e o terceiro de 2007:

Trabalhadores total:   +68300 (...)
Trabalhadores por conta de outrém: Crescimento  +108100 (...)
Trabalhadores por conta própria: -39800 (...)

Ou seja há cada vez menos negócios próprios, mostrando que muitas microempresas estão a fechar.
Mas não ficamos por aqui, vejamos os próximos números:



Contratos a prazo: +124100(...)
Contratos sem prazo(fixos): -45800 (...)

Mais precaridade, mas até podia ser bomm se....

Duração semanal do trabalho:

até 10 horas: + 531200
de 11 a 30: -103200
de 31 a 35: -354400
de 36 a 40: +51800
Mais de 41: -80200

A criação liquída deu-se na transferência de pessoas que trabalhavam de 31 a 35 horas para menos de 10 horas. Bem, 35 horas é o horário de um FP e em muitos escritórios, menos de 10 horas é um biscate.
Logo existiu nestes anos uma degradação do tipo de emprego. Se considerarmos o número de horas por semana em que se trabalha em Portugal temos uma redução  abismal de trabalho.

PS: Os números relativamente ao 4T do INE ainda não estão disponíveis com tanto detalhe, mas da previsão rápida o INE disse (para além da descida marginal do desemprego) que houve uma descida no número de pessoas com emprego (-0.3%).]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com o mail no seu total, excepto que toca num assunto sério por defeito.<br />
De facto não há só um fenómeno natural de expansão da população activa que cria os seus próprios empregos, como também temos a forma do que é contabilizado.<br />
Em primeiro lugar Sócrates contabiliza apenas os empregos por conta de outrém e não os por conta própria e não há razão para isso, todos são emprego e o desaparecimento dos segundos deve contar na contabilização liquída. Aqui estão os números da variação entre o 2º trimestre de 2005 e o terceiro de 2007:</p>
<p>Trabalhadores total:   +68300 (&#8230;)<br />
Trabalhadores por conta de outrém: Crescimento  +108100 (&#8230;)<br />
Trabalhadores por conta própria: -39800 (&#8230;)</p>
<p>Ou seja há cada vez menos negócios próprios, mostrando que muitas microempresas estão a fechar.<br />
Mas não ficamos por aqui, vejamos os próximos números:</p>
<p>Contratos a prazo: +124100(&#8230;)<br />
Contratos sem prazo(fixos): -45800 (&#8230;)</p>
<p>Mais precaridade, mas até podia ser bomm se&#8230;.</p>
<p>Duração semanal do trabalho:</p>
<p>até 10 horas: + 531200<br />
de 11 a 30: -103200<br />
de 31 a 35: -354400<br />
de 36 a 40: +51800<br />
Mais de 41: -80200</p>
<p>A criação liquída deu-se na transferência de pessoas que trabalhavam de 31 a 35 horas para menos de 10 horas. Bem, 35 horas é o horário de um FP e em muitos escritórios, menos de 10 horas é um biscate.<br />
Logo existiu nestes anos uma degradação do tipo de emprego. Se considerarmos o número de horas por semana em que se trabalha em Portugal temos uma redução  abismal de trabalho.</p>
<p>PS: Os números relativamente ao 4T do INE ainda não estão disponíveis com tanto detalhe, mas da previsão rápida o INE disse (para além da descida marginal do desemprego) que houve uma descida no número de pessoas com emprego (-0.3%).</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Tribunus</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-7068</link>
		<dc:creator><![CDATA[Tribunus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Feb 2008 16:58:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Se fosse esta a unica fraude deste governo, eramos um país feliz..........................]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Se fosse esta a unica fraude deste governo, eramos um país feliz&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ourição</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-6900</link>
		<dc:creator><![CDATA[ourição]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 23:59:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A democracia é um modelo de organização social em que diversos instrumentos de poder de alguma forma se contrariam limitando reciprocamente interesses ilegítimos, evitando  abusos. 
O instrumento principal com que se deveria contar num estado civilizado é suposto ser o sistema judicial. Tal não acontece, o poder excessivo está a ser usado de forma abusiva na conquista de interesses inconfessáveis. O far west instalou-se e veio para ficar, não pela força dos votos certamente.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A democracia é um modelo de organização social em que diversos instrumentos de poder de alguma forma se contrariam limitando reciprocamente interesses ilegítimos, evitando  abusos.<br />
O instrumento principal com que se deveria contar num estado civilizado é suposto ser o sistema judicial. Tal não acontece, o poder excessivo está a ser usado de forma abusiva na conquista de interesses inconfessáveis. O far west instalou-se e veio para ficar, não pela força dos votos certamente.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: RV</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-6899</link>
		<dc:creator><![CDATA[RV]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 23:49:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blasfemias.wordpress.com/?p=1159#comment-6899</guid>
		<description><![CDATA[Creio que alguém pediu explicações sobre os números, esses tais que dizem que o desemprego diminuiu. As explicações estão no 4R:
http://quartarepublica.blogspot.com/2008/02/os-pontos-nos-iis-sobre-o-emprego.html]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que alguém pediu explicações sobre os números, esses tais que dizem que o desemprego diminuiu. As explicações estão no 4R:<br />
<a href="http://quartarepublica.blogspot.com/2008/02/os-pontos-nos-iis-sobre-o-emprego.html" rel="nofollow">http://quartarepublica.blogspot.com/2008/02/os-pontos-nos-iis-sobre-o-emprego.html</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: André Verneuil</title>
		<link>http://blasfemias.net/2008/02/20/os-150-mil-de-promessa-por-cumprir-a-fraude-politica/#comment-6885</link>
		<dc:creator><![CDATA[André Verneuil]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2008 22:58:29 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://blasfemias.wordpress.com/?p=1159#comment-6885</guid>
		<description><![CDATA[Mais bullying para o Picoiso:

O mercado dos pareceres e dos estudos e a corrupção (Carlos Antunes)

No Orçamento de Estado para 2008, se a regra ao nível da despesa com o pessoal é de alguma contenção, já o montante previsto para a prestação de serviços de consultadoria provenientes do exterior dispara, revelando uma subida surpreendente.

Efectivamente, para o ano de 2008, no subsector Estado e nos serviços e fundos autónomos o governo decidiu reservar 190,3 milhões de euros para a rubrica «estudos, pareceres, projectos e consultadoria» ou «outros trabalhos especializados», valor que representa um acréscimo face ao orçamentado em 2007 de 63,5%, aumento que se eleva para 76,1% se nos ativermos apenas aos serviços sem autonomia financeira.

A este propósito, será conveniente relembrar a recente notícia de que o governo remeteu nada menos do que cinco (!) pareceres subscritos por  professores de Direito Económico/ Fiscal ao Tribunal Constitucional, que tinha sido chamado a pronunciar-se sobre a constitucionalidade da Lei de Finanças Locais, aprovada pelo Parlamento e que o presidente da República; submeteu à apreciação do Tribunal Constitucional antes da sua promulgação, vindo posteriormente a saber-se que cada um desses pareceres custou 30.000,00 euros ao erário público (isto é, aos cidadãos contribuintes), sendo que numa das últimas edições da revista «Visão» esta realçava quão profícua é a actividade dos pareceres jurídicos, cuja remuneração unitária se situa entre 10.000 e os 75.000 euros, ao ponto de um ilustre fiscalista (Saldanha Sanches) ser acusado de que o seu chumbo nas provas para professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa se devia ao interesse de alguns membros do júri de, por essa via, tentarem impedir o seu acesso ao «mercado dos pareceres».

Afinal, o que são e para que servem os pareceres e os estudos?

A localização do novo aeroporto serve de exemplo perfeito para ilustrar a irrelevância dos mesmos – discute-se a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária há mais de 30 anos, mas é nas vésperas da «decisão política» que os estudos de universitários e técnicos, antes calados vá-se lá saber por quê, encontraram novo fôlego e dinheiro para, num par de meses, descobrirem e aparecerem a defender milagrosas soluções que em mais de três décadas nunca ninguém descortinou. O que nos ensinaram estes novos estudos sobre a localização do novo aeroporto? Estamos mais bem informados? Claramente que não. Em vez de darem respostas, enchem-nos de dúvidas, tentando em primeiro lugar destruir os outros estudos, impossibilitando que a decisão final seja tomada de forma minimamente racional e consensual.

A importância de tais estudos e pareceres resulta, assim, apenas de terem conseguido gerar um «mercado original, não de criação de valor, mas de mera troca de dinheiros públicos» que influencia decisivamente as relações entre governantes e dos autores de tais estudos, funcionando num primeiro momento como defesa das tomadas de decisão dos políticos no exercício de funções governamentais e, por outro, na respectiva derresponsabilização quando as opções se revelem erradas.

Ou seja, a decisão governamental que se tem por eminentemente «política» e não é, por isso mesmo, «neutra» (por alguma razão a legitimidade dos governantes assenta no voto em eleições) passa a subordinar-se a meros critérios de pretensas tecnicidade, imparcialidade e independência.

Sabe-se como tudo isto funciona – o governante, porque tem total liberdade de escolha (não é certamente por acaso que o novo bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, veio defender «a realização de concursos públicos para a contratação pelo Estado de serviços de advocacia» como forma de pôr cobro a «situações de promiscuidade entre o poder político e alguns escritórios de advogados» – entrevista ao «Público» de 09.12.07), começa por comprar a imparcialidade, a independência e a tecnicidade de um ou mais «juristas, economistas ou engenheiros ilustres» (sim, tudo isto, tecnicidade, imparcialidade e independência também estão à venda, como se pode comprovar pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa, CIP, sobre a localização do novo aeroporto, que defende que toda a população de Cascais, de Sintra, de Lisboa e da margem direita do Tejo atravesse o rio para chegar ao aeroporto, ter tido como um dos financiadores a empresa que detém o monopólio das pontes sobre esse rio). Esses «juristas, economistas ou engenheiros ilustres», a troco dos elevados montantes auferidos, predispõem-se a receber os recados daqueles e a estudar e a apresentar a solução formatada à decisão já pré-determinada (paradigmático do que acabo de afirmar é o caso do estudo de sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde, SNS, encomendado pelo actual titular da pasta da Saúde que, entre outras medidas, propôs o fim da ADSE, e cujo presidente da comissão de peritos autora do referido estudo, quando questionado sobre o fim da ADSE trazer para o SNS 1,3 milhões de portugueses, o que deixaria debilitado o sector privado dependente de convenções, e sobre se o SNS teria capacidade para dar resposta ao acréscimo destes utentes, teve a suprema lata de responder «nós não estudamos até ao fim todas as consequências das medidas, nomeadamente das implicações financeiras, que sugerimos»).

Por fim, o último elo da cadeia deste mercado funciona quando os governantes deixam o exercício das respectivas funções, ao encontrarem de imediato emprego nas sociedades de advogados, gabinetes de engenharia e empresas a quem anteriormente adjudicaram tais estudos e pareceres.

Os governantes começam por ser eleitos pelo voto dos cidadãos em eleições suportadas financeiramente por estes, posteriormente os mesmos cidadãos enquanto contribuintes pagam os estudos e pareceres que sustentam a decisão política dos ditos governantes, para finalmente estes, através do «abuso de poder», do «compadrio» e do «tráfico de influências» transferirem, por via desse mercado, dinheiros públicos para a órbita dos privados, sem qualquer poder de escrutínio por parte dos cidadãos-contribuintes. Se isto não é «corrupção no sentido de subtracção de dinheiros do Estado em favor de privados», então já não sei o que é corrupção.

A questão é que em Portugal não existe um Estado independente do bloco central da governação (PS e PSD) e muito menos dos negócios que o apoiam e sustentam: da banca, da energia e da construção civil às grandes empresas de consultoria e gestão, de engenharia e projectos, e às sociedades de advogados.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mais bullying para o Picoiso:</p>
<p>O mercado dos pareceres e dos estudos e a corrupção (Carlos Antunes)</p>
<p>No Orçamento de Estado para 2008, se a regra ao nível da despesa com o pessoal é de alguma contenção, já o montante previsto para a prestação de serviços de consultadoria provenientes do exterior dispara, revelando uma subida surpreendente.</p>
<p>Efectivamente, para o ano de 2008, no subsector Estado e nos serviços e fundos autónomos o governo decidiu reservar 190,3 milhões de euros para a rubrica «estudos, pareceres, projectos e consultadoria» ou «outros trabalhos especializados», valor que representa um acréscimo face ao orçamentado em 2007 de 63,5%, aumento que se eleva para 76,1% se nos ativermos apenas aos serviços sem autonomia financeira.</p>
<p>A este propósito, será conveniente relembrar a recente notícia de que o governo remeteu nada menos do que cinco (!) pareceres subscritos por  professores de Direito Económico/ Fiscal ao Tribunal Constitucional, que tinha sido chamado a pronunciar-se sobre a constitucionalidade da Lei de Finanças Locais, aprovada pelo Parlamento e que o presidente da República; submeteu à apreciação do Tribunal Constitucional antes da sua promulgação, vindo posteriormente a saber-se que cada um desses pareceres custou 30.000,00 euros ao erário público (isto é, aos cidadãos contribuintes), sendo que numa das últimas edições da revista «Visão» esta realçava quão profícua é a actividade dos pareceres jurídicos, cuja remuneração unitária se situa entre 10.000 e os 75.000 euros, ao ponto de um ilustre fiscalista (Saldanha Sanches) ser acusado de que o seu chumbo nas provas para professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa se devia ao interesse de alguns membros do júri de, por essa via, tentarem impedir o seu acesso ao «mercado dos pareceres».</p>
<p>Afinal, o que são e para que servem os pareceres e os estudos?</p>
<p>A localização do novo aeroporto serve de exemplo perfeito para ilustrar a irrelevância dos mesmos – discute-se a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária há mais de 30 anos, mas é nas vésperas da «decisão política» que os estudos de universitários e técnicos, antes calados vá-se lá saber por quê, encontraram novo fôlego e dinheiro para, num par de meses, descobrirem e aparecerem a defender milagrosas soluções que em mais de três décadas nunca ninguém descortinou. O que nos ensinaram estes novos estudos sobre a localização do novo aeroporto? Estamos mais bem informados? Claramente que não. Em vez de darem respostas, enchem-nos de dúvidas, tentando em primeiro lugar destruir os outros estudos, impossibilitando que a decisão final seja tomada de forma minimamente racional e consensual.</p>
<p>A importância de tais estudos e pareceres resulta, assim, apenas de terem conseguido gerar um «mercado original, não de criação de valor, mas de mera troca de dinheiros públicos» que influencia decisivamente as relações entre governantes e dos autores de tais estudos, funcionando num primeiro momento como defesa das tomadas de decisão dos políticos no exercício de funções governamentais e, por outro, na respectiva derresponsabilização quando as opções se revelem erradas.</p>
<p>Ou seja, a decisão governamental que se tem por eminentemente «política» e não é, por isso mesmo, «neutra» (por alguma razão a legitimidade dos governantes assenta no voto em eleições) passa a subordinar-se a meros critérios de pretensas tecnicidade, imparcialidade e independência.</p>
<p>Sabe-se como tudo isto funciona – o governante, porque tem total liberdade de escolha (não é certamente por acaso que o novo bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, veio defender «a realização de concursos públicos para a contratação pelo Estado de serviços de advocacia» como forma de pôr cobro a «situações de promiscuidade entre o poder político e alguns escritórios de advogados» – entrevista ao «Público» de 09.12.07), começa por comprar a imparcialidade, a independência e a tecnicidade de um ou mais «juristas, economistas ou engenheiros ilustres» (sim, tudo isto, tecnicidade, imparcialidade e independência também estão à venda, como se pode comprovar pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa, CIP, sobre a localização do novo aeroporto, que defende que toda a população de Cascais, de Sintra, de Lisboa e da margem direita do Tejo atravesse o rio para chegar ao aeroporto, ter tido como um dos financiadores a empresa que detém o monopólio das pontes sobre esse rio). Esses «juristas, economistas ou engenheiros ilustres», a troco dos elevados montantes auferidos, predispõem-se a receber os recados daqueles e a estudar e a apresentar a solução formatada à decisão já pré-determinada (paradigmático do que acabo de afirmar é o caso do estudo de sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde, SNS, encomendado pelo actual titular da pasta da Saúde que, entre outras medidas, propôs o fim da ADSE, e cujo presidente da comissão de peritos autora do referido estudo, quando questionado sobre o fim da ADSE trazer para o SNS 1,3 milhões de portugueses, o que deixaria debilitado o sector privado dependente de convenções, e sobre se o SNS teria capacidade para dar resposta ao acréscimo destes utentes, teve a suprema lata de responder «nós não estudamos até ao fim todas as consequências das medidas, nomeadamente das implicações financeiras, que sugerimos»).</p>
<p>Por fim, o último elo da cadeia deste mercado funciona quando os governantes deixam o exercício das respectivas funções, ao encontrarem de imediato emprego nas sociedades de advogados, gabinetes de engenharia e empresas a quem anteriormente adjudicaram tais estudos e pareceres.</p>
<p>Os governantes começam por ser eleitos pelo voto dos cidadãos em eleições suportadas financeiramente por estes, posteriormente os mesmos cidadãos enquanto contribuintes pagam os estudos e pareceres que sustentam a decisão política dos ditos governantes, para finalmente estes, através do «abuso de poder», do «compadrio» e do «tráfico de influências» transferirem, por via desse mercado, dinheiros públicos para a órbita dos privados, sem qualquer poder de escrutínio por parte dos cidadãos-contribuintes. Se isto não é «corrupção no sentido de subtracção de dinheiros do Estado em favor de privados», então já não sei o que é corrupção.</p>
<p>A questão é que em Portugal não existe um Estado independente do bloco central da governação (PS e PSD) e muito menos dos negócios que o apoiam e sustentam: da banca, da energia e da construção civil às grandes empresas de consultoria e gestão, de engenharia e projectos, e às sociedades de advogados.</p>
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