Novas do processo Apito Dourado
Publicado por CAA em 8 Abril, 2008
«Para justificar a decisão do árbitro Pedro Sanhudo - que, por indicação do seu árbitro assistente Ricardo Pinto, assinalou uma grande penalidade que deu a vitória ao Gondomar no jogo com o Pedras Rubras -, Jorge Coroado confessou um “crime” cometido por si num Benfica-FC Porto. Disse Coroado que foi um lance corrido que envolveu o benfiquista Kandourov e Vítor Baía.
“O guarda-redes do FC Porto saiu aos pés do jogador do Benfica e não me pareceu grande penalidade quando este caiu mas o meu árbitro assistente continuou a correr para a bandeirola de fundo e segui a sua indicação”, contou.
A surpresa veio a seguir: “Quando já tinha advertido o Vítor Baía com um cartão amarelo e estava junto da marca de grande penalidade, o meu assistente correu para o centro do terreno e deu-me a indicação de que a falta tinha sido ao contrário, mas já tinha advertido o jogador do FC Porto e já estava na marca do penálti e não voltei atrás“»
Via o insuspeitíssimo Record
8 Abril, 2008 às 7:00 pm
Mas essa estória não vem no livro, pois não?
É no que dá quererem ser escritores à pressa. A memória fica nas brumas.
8 Abril, 2008 às 7:02 pm
Foi durante o período maoista do Coroado
8 Abril, 2008 às 7:06 pm
O que é espantoso é a reiterada falta de memória que os senhores do futebol (sobretudo, os agora “moralistas”) demonstram. Os comentários desse senhor (agora) perito de arbitragem, nos órgãos de comunicação social em que participa, são ivariavelmente merecedores de análise e de surpresa (pela parcialidade)!
E a questão é que (até os Sportinguistas) já se esqueceram das suas habituais (quando apitava) crises de “azia”!
8 Abril, 2008 às 7:08 pm
Lá está.
Problema resolvido; a fruta costa, afinal era fruta vieira (se bem que continuo a preferir o frutas almeida, provoca menos azia, mesmo com Coroado por perto).
8 Abril, 2008 às 7:12 pm
Ó CAA
Substitua o de baixo por este.
http://www.youtube.com/watch?v=v6PUJpLdFrI
8 Abril, 2008 às 7:13 pm
Espantosa é esta passagem, na mesma peça, do mesmo Record:
http://www.record.pt/noticia.asp?id=782337&idCanal=2497
Pensar que um julgamento decorre assim, ao jeito de uma espécie de programa de futebol da SIC-Notícias, á segunda-feira à noite, ou do Trio de Ataque (RTP - N), é espantoso!
Mas afinal estão a julgar o quê? Os sentimentos e as impressões? A qualidade dos comentadores….. digo, dos peritos? É assim, com este tipo de perito que se poderá alguma vez ajudar a produzir a prova seja lá do que for?!
8 Abril, 2008 às 7:30 pm
“O futebol português é uma mentira. Isto (Apito Dourado) é um apêndice. São pormenores. Não querem resolver, querem é empolar o lateral”, vincou, em declarações aos jornalistas à saída do tribunal. O antigo dirigente diz que “o futebol foi sempre assim durante 50 anos”, questionando: “Porque não se fala das décadas de 50, 60 e 70 em que houve inclusivamente um presidente de um clube que entrou de pistola no balneário a pressionar um árbitro?”.
Pimenta Machado, hoje, no Tribunal de Gondomar.
O dirigente de pistola em punho, no balneário do árbitro no intervalo do Atlético-Sporting era Góis Mota, da Mocidade Portuguesa e nunca constou que fosse do clube da Tapadinha… Só gente de bem, cavalheiros mesmo, naqueles tempos.
8 Abril, 2008 às 7:32 pm
Quanto ao Coroado, quem lembrar algumas coisas do seu livro, sabe que quem ameaçou a sua carreira (”Não apitas mais na vida” e “vou destruir-te a carreira”) foi Gaspar Ramos… E confessou Coroado que recebeu várias ameaças de outros dirigentes do Benfica.
Mas, quando foi lançado o livro, no Record aproveitou-se uma declaração de Coroado a dizer que “Pinto da Costa é intratável”, em título, quando se referia a ser “intratável na defesa do seu clube” e não como, subrepticiamente, ficava implícito de o presidente do FC Porto pressionar os árbitros.
8 Abril, 2008 às 7:34 pm
Com este depoimento,
o Jorge ficou coroado
como um safado.
8 Abril, 2008 às 7:39 pm
Mas devia,se não tinha a certeza! A verdade é que não é preciso marcar penalties para favorecer este ou aquele.Num jogo em Belem, após um jogo fantástico, tu cá tu lá, o FCP marcou um golo.O árbitro de Évora (Dante?)nunca mais deixou o Belem entrar na área do FCP.Mesmo marcando livres a favor do Belem.Bastava cortar as jogadas.
E isto acontecia com os sócios de Belem a dizer que o árbitro até marcava faltas a favor.
Lembram-se quando o árbitro na Amadora fugiu á frente de toda a equipa do FCP?
E nos anos 60 o SLB que beneficiava de penalties e livres para o Eusébio marcar!
O Leão coitado é que me parece fazer o papel de fidalgo falido!
Para não falar no Boavista campeão!Se alguem tivesse dúvidas acerca dos jogos ganhos fora do campo a partir dessa altura…
8 Abril, 2008 às 8:35 pm
É por estas e por outras que o país nunca mais sai da cauda da Europa.
Se a indústria do Futebol está assim, das outras então nem se fala…
Oremos, irmãos!…
8 Abril, 2008 às 8:39 pm
Foi este o mesmo que expulou o “famoso” Caniggia em 1995 com “um segundo amarelo por insultos” como o próprio escreveu no relatório do jogo, quando todas as imagens televisivas provaram que este sujeito mentiu… mesmo assim continuou mais uns anos a falcificar o futebol português e depois de pendurar “as sapatilhas” continuou a ser comentador em 3 ou 4 orgãos de c.c. diferentes apesar de todas as trapalhadas que fêz como arbitro… é realmente um espelho do do futebol português
8 Abril, 2008 às 9:01 pm
Oh, quando
não nos puxem
a nós pra baixo,
até pode ser assim. Chalana
Eu não falei isso,
eu só disse que andam a
viciar, ao contrário, quando
nós ou não ganhamos ou, empatando
o jogo, o devíamos ganhar ganhar, lógico.
LFV
Saio de consciência
tranquila, como quem tem
a que quer, após reunir dossiê
que devia ao meu clube. Na Visão de
um P Mourão, juiz-desembargador, conforme
à imparcialidade de oiro, não clubística, que
em três meses de presidência da CD da Liga provou ter.
8 Abril, 2008 às 9:14 pm
Coroado optou por injustiçar, para não publicar o seu erro. Coisa de traste. Ele há gente assim, com a verticalidade de um “homo disfunção erectus”
8 Abril, 2008 às 9:26 pm
Caro CAA,
Põe as mãos no fogo por algum dos dirigentes? (esqueça as cores clubísticas)
8 Abril, 2008 às 9:35 pm
Per caso, até tá certo, se quis dizer nessa o Coroado que juiz honesto não vai prò campo tremer, mostrar cartão amarelo, trocar as mãos, dar o vermelho, porque afinal se enganou. Não, pois, se foi por lapso, de outra vez terá razão.
E prova o exemplo que até ele, sério, justo, quantas vezes se enganou, e contra o grande, o campeão, de um apito que nem é mais do que outro que lá se calou. Porém, nem parece, à vista da sanha que uns bufões alardeiam, sempre a espumar raiva e muito zangados, todos rabujões.
Pra testemunha, em tribunal, exemplar é tal confissão.
8 Abril, 2008 às 9:59 pm
Ó Carlos, falar de árbitros e de Vitor Baía no mesmo post até pode ser mal interpretado.
8 Abril, 2008 às 10:16 pm
Imaginar as salas de tribunais em que se visionam jogos de futebol, é o cúmulo do ridículo.
A justiça está mesmo de rastos.
8 Abril, 2008 às 10:19 pm
Esta coisa de jogos viciados e num sei que, devia era ser tratado na liga de futebol. A tribunal só devia ir se a liga apresentasse queixa contra um arbitro ou um dirigente, ou coisa assim. É tudo doido. Gastar dinheiro com estas porcarias e ocupar tribunais.
8 Abril, 2008 às 10:24 pm
Então mas não há acontecimentos a sério a ocorrer neste país? A bovinidade está a tomar conta do blasfémias, ai está está…
8 Abril, 2008 às 10:27 pm
Só mespanta, como ainda não chamaram a tribunal o super-especialista Gabriel Alves, para tudo esclarecer.
8 Abril, 2008 às 11:43 pm
A MAFIA
As primeiras reuniões do Sistema realizaram-se ainda nos anos 70 e quando Pinto da Costa era secionista do andebol do Porto, eram na confeitaria “Petulia” no Porto. Aí se começou a “cozinhar” o Sistema.
Reinaldo Teles possui vários bares de alterne(casas de prostituição), onde se encontram com regularidade pessoas ligadas ao futebol, e onde eles enchem os bolsos da seguinte maneira:
o presidente do clube A quer subir de divisão. Paga por exemplo 30 mil contos ao sistema, que por sua vez gasta 10 mil contos em árbitros e guarda 20 mil. Sexo e dinheiro compram tudo e todos, incluindo árbitros, políticos, dirigentes,etc.
Outro truque é levarem os árbitros ás casas de meninas, filmarem tudo e depois chantagearem-nos.
Outro exemplo: o árbitro X tem algumas dificuldades monetárias, por exemplo para pagar uma letra, o Sistema empresta dinheiro. E depois exige-o de volta. Como o árbitro não pode pagar de imediato, torna-se escravo do Sistema. Como resultado as vergonhosas arbitragens a que estamos habituados. Quem não se lembra do famoso caso dos “Quinhentinhos”?
A SUBIDA DE PINTO DA COSTA AO PODER
Por intermédio de Pedroto, os jogadores fizeram greve e se não houvesse eleições não jogariam. Houve eleições. Nas sessões de esclarecimento aos sócios de Américo de Sá(que era o presidente), o nosso “amigo” Reinaldo Teles arranjava uns capangas, para armarem porrada e as sessões nunca chegavam ao fim. Isto e a greve dos jogadores veio dar força a PC que ganhou as eleições. Os jogadores pararam logo a greve e foi assim que o MAFIOSO chegou ao poder(com dinheiro do dono da Petúlia(Ilídio Pinto), que mais tarde se mostrou desgostoso, pois tinham-lhe prometido a vice-presidência e depois nada. Só anos mais tarde chegou a dirigente do clube. Já agora, o Pintinho gosta de pensar em si próprio como o Al Capone português.
O SISTEMA E O CLUBE
O sistema não é o Porto clube. São as pessoas que lá estão. Os sócios do Porto sem se aperceberem estão a alimentar uma máquina de fazer dinheiro. Mas o dinheiro que entra no clube é muito pouco, pois grande parte é para o Sistema.
Também há tráfico de droga. O autocarro do Porto foi revistado na portagem dos Carvalhos há uns anos atrás e passados meses foi preso Mariano(antigo jogador do Porto), que foi bode expiatório a troco de dinheiro.
Com certeza já ouviram falar de Lucianno de Onofrio. Na sua família encontram-se membros da Camorra. Esse empresário trabalha com o Porto e faz parte do Sistema.
Este e outros empresários portugueses e estrangeiros trabalham com o Porto e alguns deles estiveram envolvidos no escândalo de corrupção do clube francês Olympique Marseille.
Eles trabalham assim:
COMO VENDER JOGADORES MISERÁVEIS POR MILHÕES DE CONTOS
Eles compram um jogador médio, barato, ele faz uns jogos pelo Porto e depois é vendido a um clube estrangeiro amigo por uma fortuna. Nesse clube amigo eles têm um treinador(normalmente um ex-treinador do Porto) que trabalha com a MAFIA ou um empresário de jogadores. Eles convencem esse clube a comprar o tal jogador do Porto por milhões de contos e normalmente é assim que o bolo é dividido:
Sistema(MAFIA)-50%
FC Porto-30%
o treinador ou o empresário-20%
Exemplo:
Foram buscar o Jorge Plácido(um jogadorzeco dos anos 80) bem barato, fez meia dúzia de jogos pelo Porto e depois foi vendido por um balúrdio ao Matra Racing de Paris.
Quem era o treinador do Matra?
O Artur Jorge. O bolo foi dividido assim:
Artur Jorge-20%
Sistema-50%
Porto-30%
E ficaram todos a ganhar e contentes menos o Matra Racing.
E as vendas de vários outros jogadores fizeram-se através de empresário amigos que infeccionaram o valor e o preço dos jogadores do Porto: Emerson(Midlesbrough), Doriva(Sampdória), Domingos(Tenerife), Baía(Barcelona) Fernando Couto(Parma), Rui Barros(Monaco), Folha(Standard Liége), Latapy(Espanha), Mielcarsky(Spain),etc, a lista é interminável.
Lembram-se daquele guarda-redes frangueiro Krajl? O Porto tinha que se despachar dele. Quem foi o pato? O PSV Eindhoven que era treinado pelo Bobby Robson.
Outros nomes que talvez vos digam algo: Tomislav Ivic, Manuel Barbosa, José Veiga(que já se zangou e fez as pazes com o FCP umas 10 vezes, tudo teatro para enganar o Benfica e o Sporting, e os poder minar por dentro).
MARINHO NEVES
Muitos jornalistas tentaram há alguns anos atrás denunciar e expôr a MAFIA do futebol. Mas foram ameaçados e espancados pelos capangas do FCP(cujo nome oficial é Corpo de Segurança Privado).
Marinho Neves foi um corajoso jornalista. Escreveu o livro “Golpe de Estádio” onde de forma romanceada ele conta a história da MAFIA com nomes falsos. Antigo jornalista do Norte Desportivo e Gazeta dos Desportos já o espancaram várias vezes, para ele se calar. Colaborou com a SIC nos Donos da Bola. O livro teve algum sucesso há 3/4 anos, mas agora está esquecido.
Por falar em G. Abel ele está todos os domingos que o Vilanovense(Gaia) joga em casa lá está ele no campo. Talvez ele diga algo, uma vez que foi traído pelos ex-amigos do sistema. Benfiquistas do Norte vejam se lhe conseguem arrancar alguma coisa.
Agradeço a um benfiquista de Gaia pela sua ajuda.
Estas denúncias chegaram-me de um tipo que se diz antigo jornalista do jornal O Jogo.
O Reinaldo Teles passou as casas de prostitutas para nome de um tipo que ainda não sei quem é porque dava muito nas vistas, visto que o Granada, o Calor da Noite, Diamante Negro, entre outros ,que eram os mais frequentados na altura, era onde se faziam algumas transacções de droga.
O próprio Reinaldo Teles foi apanhado em frente á alfândega do Porto num mercedes cheio de droga, mas muita gente “comeu” às custas disso e nunca se soube nada, até um jornalista do “Público” teve uma “prenda” do Reinaldo Teles quando o próprio descobriu a história.
Em relação ao guarda Abel, ele não foi traído, mas sim “aconselhado”, mas ficou bem na vida…
Só que ele é um granda putanheiro que estourou tudo no jogo e nas putas, agora tem umas tipas a render para ele.
Em relação á Olivedesportos, quando o Benfica quebrou o contracto, depois do Vale e Azevedo se tornar presidente, o Guilherme Aguiar, o Pinto da Costa, Manuel Tavares(editor do jornal O Jogo), Ronaldo Oliveira(filho do Oliveira), António Oliveira( o ex-treinador do Porto) e mais uns tipos que não me recordo agora, reuniram-se na sala de reuniões do jornal O Jogo, para tomar medidas no “sistema” para o Benfica sofrer represálias intimidatórias, tanto a nível de imprensa como a nível federativo (Liga incluída). Obviamente que esta reunião foi “off-the-record”. E muitas mais merdas. As mais banais eram as notícias fabricadas ou as inflamadas.
Porque segundo o Jorge não sei das quantas, o responsável financeiro ou qualquer coisa do género do jornal O Jogo, “o Benfica é que vende”. Mandaram um sócio do Porto pagar a um cunhado para dizer que o jornal o tinha subornado para dizer mal do FCP. Este caso até passou nos 3 canais de TV.
8 Abril, 2008 às 11:48 pm
O CAA falou em Vítor Baía? Olhe do que se foi lembrar. Acho que o CAA já era nascido. Então reveja lá as injustiças que eram cometidas contra o Vítor Baía.
http://www.youtube.com/watch?v=v8NeSPo3Yns
9 Abril, 2008 às 12:15 am
Todas s Cercis necessitam ajuda. Considerem-nas como um jogo de sobrevivência.
9 Abril, 2008 às 12:24 am
Isto do maior clube do mundo, quiçá da Europa, não ganhar népia faz-lhes mal às “almerróidas”.
CAA,
Pode puxar o autoclismo.
9 Abril, 2008 às 12:31 am
Pareceu-lhe que não era penalty
E têm o descaramento de dizer isto e um ilustre como CAA dá-lhe valor.
A mim também me parece que Roubário Benquerença é cego.
9 Abril, 2008 às 12:38 am
Eu cá acho, que o Futebol em Portugal é como a musica pimba! Vira o disco, toca o mesmo, dois ou tres acordes, e sempre os mesmos “artistas”!!
Ai ai ai ai
Abraço
http://www.caravanadosloucos.blogspot.com
9 Abril, 2008 às 12:48 am
02/01/2004
“Pinto da Costa (PC) – Estou.
Pinto de Sousa (PS) – Estou, Zé!
PC – Já rectificaste a nota do homem?
PS – Eh, eh, eh!!!!! É pá, deixa lá o rapazinho em paz, coitadinho!
PC – Ah???
PS – 8… 8,4
PC – É uma boa nota!
PS – É uma boa nota!
PC – Pois foi, mas o observador tem de ser reclassificado!
PS – Olha, estou-te a telefonar pelo seguinte. Estou a pensar nomear o Jacinto Paixão para o Porto-Felgueiras. Não há inconveniente nenhum?
PC – Ah!
PS – Jacinto Paixão… Porto-Felgueiras! Não é nada de especial.
PC – Se entretanto ele não for nomeado para outro jogo [...] nomeado para a casa Pia!
PS – Eh, eh, eh!
PC – Mas não é de muito longe? [...]
PS – Não, coitado, precisa de fazer um joguito e como ainda fez poucos.
PC – Por mim, pode.
Poucas horas depois, Pinto de Sousa volta a telefonar a Pinto da Costa. Afinal, Jacinto Paixão não pode ser nomeado porque vai apitar um jogo do Estoril.
Pinto de Sousa (PS) – Olha, afinal, o Jacinto Paixão vai fazer agora o Estoril, no próximo dia 4 de Janeiro, eu não tinha reparado [...] De maneira que olha, como não é um jogo importante ia o Paulo Pereira, de Viana do Castelo.
Pinto da Costa (PC) – É fraquinho!
PS – É. Mas o jogo também não tem interesse nenhum…
PC – Sim, mas porque é que não pões um gajo do Porto?
PS – Pá, porque o Jorge Sousa vai fazer o Estoril- -Setúbal [...] O Paulo Costa e o Paulo Paraty não os nomeei já porque fizeram um jogo a semana passada. E o Martins dos Santos não se justificava para este jogo [...] e em segundo lugar vai fazer um jogo importante.
PC – Qual é o jogo?
PS – Talvez o Nacional, com o Leiria [...]
PC – Mas o Martins, para lá para baixo é bom. Que assim põe aquilo tudo em sentido.
PS – É, mas esse vai para Leiria.
PC – É, está bem.”
02/02/2004
“Pinto da Costa – Não! Eu disse-te a ti, os dois penáltis, são penáltis, não houve nenhum erro crasso [...] E apitar o Boavista, para um gajo que não esteja ali a pensar que o major é o presidente da Liga, é complicado… porque com aquelas palhaçadas todas, o gajo tem de os pôr na rua.
Pinto de Sousa – Pois é…
[...]
PC – Agora, tudo isto nasce de uma má nomeação do imbecil…
PS – É, sem dúvida!
PC – Olha, não te esqueças mas é de comunicar ao gajo, para ele não queimar nenhum [...] Devias pedir por escrito, para ficar.
PS – É, vou-lhe mandar por escrito. Vou-lhe telefonar e dizer [...] vou-lhe mandar por escrito, os jogos.
PC – Os jogos, esses quatro vão fazer esses jogos! Diz mesmo, esses jogos!
PS – Digo.
PC – É, assim ele já não tem desculpa.”
Outubro/2003
“PC - Estou, sr. Major! Como está?
VL - Então como é que vai o meu amigo? Está na Madeira, cara no bananal!
PC - Então mais uma mais uma vez desautorizados !
VL - Em quê?
PC - No Deco! Baixou de três para dois!
VL - Já se sabia, carago!
PC - Já se sabia? Mas é uma esses gajos não têm vergonha, caralho!, se tivessem vergonha.
VL - Ó Jorge!
PC - Eu vou eu vou sabe o que é que vou dizer?
VL - Ó você vai dizer!
PC - “É é pena que para ser juiz não seja preciso ter vergonha!”
VL - Ó não diga isso.
PC - Eles depois que me processem!
VL - Hum, não diga isso, pá! As várias instâncias podem sempre ( ) os tribunais é a mesma coisa! Você não viu agora o caso do Ritto e da Rita e dessa gente toda.
PC - Ó ó Major, o que é engraçado é que é sempre é sempre do
VL - Enquanto, enquanto lá estiver o Mortágua, é assim, pá!
PC - É e enquanto estiver o Cebola
VL - é a resposta é a resposta que eles podem dar, pá!
PC - É ?
VL - É!
PC - Então que “deiam”! Que “deiam”! ( )
PC - Major, Major!
VL - Diga!
PC - mas você, um dia vamos os três Eu, você e o Mortágua e depois o Mortágua conta-lhe coisas!
VL - Óptimo! Pronto ! Se ele me contar, pá sei lá! Sei lá disso! Mas quê?!, do Gomes da Silva?
PC - O pior de todos é um tal Cebola
VL - O Cebola… mas eu nem sei quem ele é o Cebola eu só conheço este gajo e um rapaz agora novo, que apareceu de Famalicão ou não sei quê!, pá!… substituiu um outro gajo que foi para Timor ou para o caralho, pá! De resto, nem os conheço, pá! Cebola ?!… Cebola, até cheira mal, pá! Cebola
PC - É de Coimbra! É um gajo de Coimbra
VL - Não sei quem é! E e e é quê? do Benfica?
PC - Não sei o que é! Sei que é o mais anti-Porto possível! Isto dito pelo Mortágua!”
Fevereiro/2004
“Pinto da Costa (PC) - Esteve com o homem?
Antero (A) - [...] Ele está um bocado atrofiado… mas ó presidente, ele também é incoerente, percebe? [...] Como é que correu com o Major, presidente?
PC - Ó pá, disse-lhe que havia a bomba de podermos dia 14 …. faltar! Ele entrou em pânico … e eu disse-lhe: “Ó Major, eu sei que não adianta nada, mas pelo menos, olhe, vamos ter a oportunidade de dizer ao mundo do futebol porque é que temos de fazer isto!”
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=238955&idselect=181&idCanal=181&p=0
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=238721
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=238483
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=238602&idCanal=181
9 Abril, 2008 às 12:53 am
vejam só o trabalho
que se dá o Jason Statham
pra nada, sem ganho algum, pobre rapaz
9 Abril, 2008 às 12:55 am
02/01/2004
“Pinto da Costa (PC) – Estou.
Pinto de Sousa (PS) – Estou, Zé!
PC – Já rectificaste a nota do homem?
PS – Eh, eh, eh!!!!! É pá, deixa lá o rapazinho em paz, coitadinho!
PC – Ah???
PS – 8… 8,4
PC – É uma boa nota!
PS – É uma boa nota!
PC – Pois foi, mas o observador tem de ser reclassificado!
PS – Olha, estou-te a telefonar pelo seguinte. Estou a pensar nomear o Jacinto Paixão para o Porto-Felgueiras. Não há inconveniente nenhum?
PC – Ah!
PS – Jacinto Paixão… Porto-Felgueiras! Não é nada de especial.
PC – Se entretanto ele não for nomeado para outro jogo [...] nomeado para a casa Pia!
PS – Eh, eh, eh!
PC – Mas não é de muito longe? [...]
PS – Não, coitado, precisa de fazer um joguito e como ainda fez poucos.
PC – Por mim, pode.
Poucas horas depois, Pinto de Sousa volta a telefonar a Pinto da Costa. Afinal, Jacinto Paixão não pode ser nomeado porque vai apitar um jogo do Estoril.
Pinto de Sousa (PS) – Olha, afinal, o Jacinto Paixão vai fazer agora o Estoril, no próximo dia 4 de Janeiro, eu não tinha reparado [...] De maneira que olha, como não é um jogo importante ia o Paulo Pereira, de Viana do Castelo.
Pinto da Costa (PC) – É fraquinho!
PS – É. Mas o jogo também não tem interesse nenhum…
PC – Sim, mas porque é que não pões um gajo do Porto?
PS – Pá, porque o Jorge Sousa vai fazer o Estoril- -Setúbal [...] O Paulo Costa e o Paulo Paraty não os nomeei já porque fizeram um jogo a semana passada. E o Martins dos Santos não se justificava para este jogo [...] e em segundo lugar vai fazer um jogo importante.
PC – Qual é o jogo?
PS – Talvez o Nacional, com o Leiria [...]
PC – Mas o Martins, para lá para baixo é bom. Que assim põe aquilo tudo em sentido.
PS – É, mas esse vai para Leiria.
PC – É, está bem.”
02/02/2004
“Pinto da Costa – Não! Eu disse-te a ti, os dois penáltis, são penáltis, não houve nenhum erro crasso [...] E apitar o Boavista, para um gajo que não esteja ali a pensar que o major é o presidente da Liga, é complicado… porque com aquelas palhaçadas todas, o gajo tem de os pôr na rua.
Pinto de Sousa – Pois é…
[...]
PC – Agora, tudo isto nasce de uma má nomeação do imbecil…
PS – É, sem dúvida!
PC – Olha, não te esqueças mas é de comunicar ao gajo, para ele não queimar nenhum [...] Devias pedir por escrito, para ficar.
PS – É, vou-lhe mandar por escrito. Vou-lhe telefonar e dizer [...] vou-lhe mandar por escrito, os jogos.
PC – Os jogos, esses quatro vão fazer esses jogos! Diz mesmo, esses jogos!
PS – Digo.
PC – É, assim ele já não tem desculpa.”
Outubro/2003
“PC - Estou, sr. Major! Como está?
VL - Então como é que vai o meu amigo? Está na Madeira, cara no bananal!
PC - Então mais uma mais uma vez desautorizados !
VL - Em quê?
PC - No Deco! Baixou de três para dois!
VL - Já se sabia, carago!
PC - Já se sabia? Mas é uma esses gajos não têm vergonha, caralho!, se tivessem vergonha.
VL - Ó Jorge!
PC - Eu vou eu vou sabe o que é que vou dizer?
VL - Ó você vai dizer!
PC - “É é pena que para ser juiz não seja preciso ter vergonha!”
VL - Ó não diga isso.
PC - Eles depois que me processem!
VL - Hum, não diga isso, pá! As várias instâncias podem sempre ( ) os tribunais é a mesma coisa! Você não viu agora o caso do Ritto e da Rita e dessa gente toda.
PC - Ó ó Major, o que é engraçado é que é sempre é sempre do
VL - Enquanto, enquanto lá estiver o Mortágua, é assim, pá!
PC - É e enquanto estiver o Cebola
VL - é a resposta é a resposta que eles podem dar, pá!
PC - É ?
VL - É!
PC - Então que “deiam”! Que “deiam”! ( )
PC - Major, Major!
VL - Diga!
PC - mas você, um dia vamos os três Eu, você e o Mortágua e depois o Mortágua conta-lhe coisas!
VL - Óptimo! Pronto ! Se ele me contar, pá sei lá! Sei lá disso! Mas quê?!, do Gomes da Silva?
PC - O pior de todos é um tal Cebola
VL - O Cebola… mas eu nem sei quem ele é o Cebola eu só conheço este gajo e um rapaz agora novo, que apareceu de Famalicão ou não sei quê!, pá!… substituiu um outro gajo que foi para Timor ou para o caralho, pá! De resto, nem os conheço, pá! Cebola ?!… Cebola, até cheira mal, pá! Cebola
PC - É de Coimbra! É um gajo de Coimbra
VL - Não sei quem é! E e e é quê? do Benfica?
PC - Não sei o que é! Sei que é o mais anti-Porto possível! Isto dito pelo Mortágua!”
Fevereiro/2004
“Pinto da Costa (PC) - Esteve com o homem?
Antero (A) - [...] Ele está um bocado atrofiado… mas ó presidente, ele também é incoerente, percebe? [...] Como é que correu com o Major, presidente?
PC - Ó pá, disse-lhe que havia a bomba de podermos dia 14 …. faltar! Ele entrou em pânico … e eu disse-lhe: “Ó Major, eu sei que não adianta nada, mas pelo menos, olhe, vamos ter a oportunidade de dizer ao mundo do futebol porque é que temos de fazer isto!”
9 Abril, 2008 às 12:55 am
Coroado cometeu um erro terrível, que, caso estivesse no activo lhe poderia sair caro. Foi Honesto. Se tivesse revelado ter cometido um erro contra o clube dos milhões, então ficaria muitommais bem visto na maioria da opinião pública, dolorida com os acontecimentos recentes. Curiosamente eu vi esse jogo e lembro-me bem da jogada e só não consigo perceber como é tão falível o “sistema” de corrupção alegadamente arquitectado por PC, ao ponto de ter permitido penalty tão escandaloso. Tal como não percebo como não foi sancionado um golo de Clayton, num Benfica-Porto, de canto directo. Mais uma vez a corrupção de PC a funcionar às mil maravilhas.
9 Abril, 2008 às 1:02 am
peço desculpa
quer provar o quê com este post?
Que o Benfica corrompeu?
Que o sr Coroado foi subornado?
Que o sr Coroado foi/é incompetente?
Que o sr Coroado afinal tb errava?
Que o Benfica (como qualque clube) tb é beneficiado por erros?
o facciosismo retira lucidez às pessoas, de facto.
9 Abril, 2008 às 1:06 am
Caro jason statham, publique um livro, homem. Você é o típico adepto do Benfica na cidade do Porto ou arredores. Preferem matar a mãe a reconhecer que o FCP, ganha porque è melhor. Mais nada. Faça como a D. Carolina e peça colaboração editorial à Leonor Pinhão. Olhe que ainda se arrisca a ganhar um òscar pelo melhor argumento.
9 Abril, 2008 às 1:10 am
“Preferem matar a mãe a reconhecer que o FCP, ganha porque è melhor. Mais nada.”
Você é esquizofrénico? Não leu as escutas que transcrevi acima? Ou não sabe ler?
9 Abril, 2008 às 1:32 am
Esta vai direitinha para o LR aqui do blogue, que apoucou a minha adivinhação sobre os salários do Estrela:
http://cfestreladaamadora.blogspot.com/2008/04/salrios-de-janeiro-pagos.html
Vergonha! Corruptos.
9 Abril, 2008 às 1:35 am
Retrato dos Corleone, versão Porto:
PINTO DA COSTA:
Começou no FC Porto nos anos 60 como dirigente do andebol, passando depois pelo hóquei em patins e pelo boxe. Nessa altura era um simples gerente de uma empresa de fogões.
Chegaria a chefe do departamento de futebol apenas no final da década de 70, no mandato de Américo de Sá. Tomou o poder e impôs a sua lei. Foi gerente de uma empresa chamada Pincor do ramo das tintas, que terminou os seus desgraçados dias com avultadas dividas á banca. Aliás como todas as empresas onde se meteu. Algumas de electrodomésticos. Todas faliram. Devido ás muitas falcatruas que fez, incluindo passar cheques sem cobertura, foi condenado e proibido de passar cheques e de constituir empresas. Para deixar a empresa onde trabalhava, Pinto da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos das transferências de Futre e Rui Barros tinha desaparecido sem deixar rastos e tinha deixado de…rastos PC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Esteve sem ir a Aveiro durante 5 anos por causa de alguns processos por falências fraudulentas. Os seus sócios dessas empresas tiveram que fugir para o Brasil. Mas a ele alguém lhe pagou as dívidas. Alguns poderosos do Norte, como Belmiro de Azevedo, Artur Santos Silva, etc. No princípio chegou a investir muito do dinheiro que tirava do FC Porto, nas empresas de familiares seus mas faliram todas. Depois passou a ficar com tudo. Criou a Cosmos, agência de viagens que lucrou imenso com as viagens dos clubes, obteve exclusivos com a Federação que obrigavam os clubes a viajar nessa agência. Esteve metido no negócio da droga, com Luciano D´Onofrio (Aveiro Connection). Com a Olivedesportos fez muito dinheiro, como com todos os negócios do FC Porto, vendas e compras de jogadores, corrupção de árbitros, etc. Assim enriqueceu e tem hoje uma considerável fortuna.
Estudou num seminário, onde desde novo mostrou as capacidades que hoje lhe são reconhecidas.
Pinto da Costa passou a sua idade escolar num colégio onde imperava um grande influência da religião católica e quando atingiu o liceu foi internado num colégio de padres (Jesuíta). Dos mais prestigiados do Norte do País. Ali fabricavam-se verdadeiros homens. Eram testados como cobaias para poderem enfrentar no futuro as mais adversas contrariedades da vida. Uma das disciplinas era constituída pela defesa individual de cada aluno perante toda a turma e, já nessa altura Pinto da Costa era o mais desenvolto no uso no discurso, na sua capacidade de raciocínio rápido e retenção na memória de dados essenciais. Inteligente e astuto como um verdadeiro jesuíta, bem cedo começou a demonstrar um grande sentido de chefia. Sabia como dividir para reinar, utilizando um ar cândido e descomprometido quando algumas atitudes de má-fé lhe eram dirigidas. Atirava a pedra e sabia como esconder a mão. Mas a sua verdadeira arma era a grande capacidade de trabalho e a completa dedicação a tudo o que fazia. Chegou a pensar ordenar-se padre, e o director do colégio apostava que , se ele seguisse essa carreira, iríamos ter o segundo papa português. A sua postura, a sua forma de falar e de estar deram-lhe sempre um toque clerical. A mesma mão que abençoava os amigos, empunhava a cruz onde ele havia de crucificá-los. Cativava, fazia amizades com facilidade e sabia como as utilizar e destruir como se nunca tivesse culpa de nada. Sendo religioso não pensava sequer em trair a sua esposa. Mas quando foi iniciado por Reinaldo Teles nas suas casas de sexo, tomou-lhe o gosto. Ficou viciado. Aliás a sua actual mulher, da qual tem uma filha, é uma ex-prostituta que conheceu num dos bares de Reinaldo Teles. Também usou anfetaminas durante algum tempo. Para aguentar as vitórias, o fanatismo anti-mouros, a idolatria que os adeptos do clube lhe devotavam, a guerra que os seus inimigos lhe moviam e as sessões diárias de sexo era preciso muito “speed”.
REINALDO TELES:
Empresário da noite, ex-campeão de boxe, dirigente desportivo. A sua fulgurante ascensão no clube que sempre amou: chulo, pugilista, seccionista, segurança (capanga), chefe dos capangas (mais tarde passou a ser Joaquim Pinheiro, seu irmão), amigo pessoal do patrão, seu confidente e finalmente, único homem em quem ele confiava.
Em 1981/82 Reinaldo Teles, campeão nacional de boxe e na altura treinador, foi a solução encontrada por Américo de Sá(presidente da altura), para controlar as agitadas assembleias gerais. Ex-pugilista, brigão, chulo e nutrindo uma certa paixão por negócios ilícitos, ofereceu-se para arrumar a casa e impor a ordem nas confusões programadas por Pinto da Costa. Era treinador de boxe do clube e reuniu os seus rapazes para patrulharem a sala, e o certo é que com alguns murros e cabeçadas acabou por conquistar o lugar de chefe da segurança de Américo de Sá.Nessa altura, Pinto da Costa temia-o, porque não era um brigão vulgar e muito menos um marginal estúpido e incompetente. Reinaldo Teles tinha um espírito e uma personalidade muito idênticos aos de Pinto da Costa. Dava as ordens para descascar á fartazana e depois surgia como o apaziguador, o bom rapaz que nada tinha a ver com toda aquela violência. Pinto da Costa detestava-o, mas viu nele a solução para o futuro.
Reinaldo Teles era um ás a esgrimir os punhos, sabia avaliar com grande exactidão a capacidade dos seus adversários, e quando não os podia vencer trazia-os para junto de si. Um anjo, este rapaz que veio bastante jovem de uma aldeia transmontana para servir numa tasca de um tio. O estabelecimento estava aberto toda a noite, numa altura em que ainda existiam poucas discotecas. E as que funcionavam em pleno estavam viradas para o alterno e a prostituição. Mas R. Teles sabia que “putas e vinho verde” só combinam nas horas e nos locais certos. Havia que tratar da vidinha. Ainda estava longe de ser o rei da noite.
Ajudava o seu tio pela madrugada dentro e vivia com entusiasmo as cenas de pancadaria entre azeiteiros, putas e marginais. O seu sonho era um dia vir a ser como eles. Homens valentes, com charme, e mulheres tratadas a pontapé a levarem-lhes o apuro da noite e o que até tinham roubado ao prazer. Deu uma tareia a um chulo por causa de uma das suas prostitutas, com quem perdeu a virgindade. Os dois estavam apaixonados. A prostituta gostava do miúdo, era forte e atrevido, mas para ficar com ele tinha de pensar numa forma de o proteger. Reinaldo tinha punhos, mas faltava-lhe a experiência. De súbito, veio a solução. Ela tinha um cliente que era treinador de boxe do maior clube da cidade (Porto) e ia-lhe apresentar Reinaldo Teles para o rapaz poder ir lá fazer uns treinos. Uma semana depois, o tal treinador de boxe disse á prostituta que Reinaldo tinha futuro. A partir daí, quando as coisas aqueciam na tasca do seu tio, R. Teles fazia uns treinos extra, passando a ser conhecido e respeitado. Depois de fechar a tasca, aproveitava a boleia de um amigo e ia ter com a sua amada prostituta, que atacava em Santos Pousada. Reinaldo começou a somar êxitos no boxe e acabou por deixar o emprego na tasca do seu tio para se colocar como segurança e porteiro numa casa de alternos. Foi aí que conheceu a sua futura mulher, também puta (Luísa Teles, actual dirigente do FCP).
Reinaldo Teles tinha-se tornado num dos chulos mais importantes da cidade e, com a ajuda da nova puta, acabou por comprar o seu próprio estabelecimento. O rapaz tinha jeito para o negócio, e a sua namorada tinha uma perspicácia tremenda para escolher as melhores putas. Ambicioso, inteligente, hipócrita e já com algum poder económico, Reinaldo Teles tinha apenas mais um sonho: ser campeão nacional de boxe. Ele era bom de punhos, mas havia outros melhores. Com algum sacrifício e habilidade, conseguiu chegar á fase que lhe permitiu disputar o título. O seu adversário era poderoso e Teles não se podia arriscar a deixar fugir o seu sonho. Sempre inclinado para negócios marginais, colocou logo em prática um plano diabólico. Ele sabia que no boxe profissional a corrupção por parte de grupos marginais era uma prática constante e quase normalizada, e num ápice resolveu o seu problema. Contactou o seu adversário, negociou a vitória no terceiro “round” e um KO mal disfarçado deu-lhe a oportunidade de saltar no ringue elevando as luvas em sinal de vitória. Era importante para o seu negócio que os jornais noticiassem no dia seguinte que ele era o novo campeão nacional de boxe. Aquele título significava respeito e medo. Os factores mais importantes para quem quer gerir com tranquilidade uma casa de alternos e de prostituição.
Este fora o seu primeiro acto no mundo da corrupção, e Teles ficou fascinado com o poder do dinheiro. Afinal, ele tinha feito um investimento altamente rentável. Pagou para conquistar o título, realizou o seu sonho e duplicou a facturação no seu estabelecimento. Ninguém se arriscava a criar conflitos na sua área de alternos e muito menos a deixar contas penduradas. Os punhos de um campeão eram sempre temidos.
JORGE GOMES:
Ex-jornalista e ex-bate chapas promovido á pressão como paga de favores no tempo da sua meteórica ascensão como dirigente desportivo. Mestre na confecção de coisas miúdas, destacava os jornais para o patrão, e ocupava-se dos famosos arquivos, usados para Pinto da Costa arrasar os seus inimigos na comunicação social, aliados claro á sua boa memória. Jorge Gomes foi corrido da SAD do FCP, por se ter zangado com Pinto da Costa e hoje trabalha com José Veiga.
9 Abril, 2008 às 1:53 am
Jason anda a ver se consegue segurar o Benfica no segundo lugar, com este “trabalho literário”.
9 Abril, 2008 às 1:55 am
Ascensão de um seminarista (vg, O Papa…)
Há 20 anos…
O Verão estava insuportável. O calor sufocava, e o futebol preparava-se para iniciar mais uma época. Os jogadores, regressados de férias, vinham com pouca vontade de trabalhar.
Os dirigentes estavam mais atarefados do que nunca. Eram as contratações, o estudo das novas directrizes e a organização dos respectivos departamentos o que mais os preocupava. Mas as atenções estavam viradas para o maior clube da cidade (Porto). Anunciavam-se grandes transformações para um novo mandato de Américo de Sá, um dirigente de corpo inteiro cuja figura e postura se assemelhava á de um aristocrata. Educado, afável, mas um tanto pretensioso, seguia uma linha directiva com mais de trinta anos. Nos últimos tempos, as vitórias começavam a sorrir e até veio um título já esperado há muitos anos. O clube estava a ganhar uma nova estrutura organizativa, fruto da revolução política que anos antes tinha acontecido e o aproveitamento correcto das linhas de acção traçadas pelos partidos apontavam para a regionalização e a descentralização do poder.
Alguns homens do Norte tinham ganho força nos mecanismos estatais e tentavam implantar na sua região uma retaguarda de pressão para combater a tendência de esquerda que vinha da região sul. O momento foi soberbamente aproveitado em toda a sua extensão e teve como principal mentor José Maria Pedroto, o técnico mais conceituado do futebol português. O homem já tinha revelado, mesmo como jogador, uma inteligência invulgar e, logo que tomou conta do clube do seu coração, procurou colocar um plano que noutros tempos se tinha mostrado de difícil execução. Para o acompanhar, escolheu elementos que já antes se tinham feito notar pela sua forte dinâmica. O seu mais directo colaborador era Pinto da Costa, o homem que chefiava o departamento e comparticipava em toda a estratégia por ele montada. Pinto da Costa movia-se habilmente pelos corredores do poder, possuía uma memória invulgar, e escrúpulos era coisa que se não lhe conhecia. Hábil na utilização do discurso, atacava as suas vítimas com uma certa ironia, mas não tinha contemplações para quem se lhe atravessasse no caminho.
Esta dupla era imbatível, mas perigosa. Ambos já tinham mostrado a sua intuição e poder de manobra quando conseguiram ludibriar o poder que outrora vinha da capital e dos clubes que normalmente dividiam entre si os prazeres da vitória. O certo é que do Norte surgia um intruso a querer também saborear esses incomensuráveis prazeres da conquista. Aquele título, ganho depois de tantos anos de luta contra as mais miseráveis injustiças, era uma lança cravada em terras de Mouros. Um verdadeiro desafio àqueles que usavam e abusavam do poder que possuíam. Mais do que tudo, tinha sido uma vitória do Norte. Os populares rejubilavam com o feito, mesmo a gostarem de outras cores clubísticas. Pedroto surgiu como um herói e passou a ser a bandeira dos humilhados e oprimidos. Lenine não faria melhor.
Mas tanto Pedroto como Pinto da Costa sabiam o perigo que isso representava e prepararam-se para enfrentar novos ataques. Era necessário ser duro na acção e lutar sem contemplações contra o inimigo, mas o presidente do clube e os seus pares não possuíam a estaleca necessária para os acompanhar nesta corrida louca contra a hegemonia da capital. Américo de Sá mais parecia um aristocrata e no futebol os punhos de renda estavam a passar de moda.
- Com o Sá, não vamos a lado nenhum!- choramingou PC.
-Ir, vamos. Mas quando atravessamos a Ponte da Arrábida já estamos a perder!- atirou Pedroto, sempre mais pragmático e mostrando mais uma vez que era um homem que anda sempre um passo ou dois á frente dos restantes.
Pinto da Costa, com a sua cara de bebé chorão e os óculos descaídos sobre o nariz, sorriu e tentou imaginar a melhor forma de dar a volta ao problema. Havia que contar com duas situações, antes do mais. Pedroto era agressivo, competente e justo. Lutava como ninguém e por aquilo em que acreditava e não se deixava “comer por lorpa”, mas preservava os seus amigos e era incapaz de trair quem se envolvesse com ele na acção.
Tinha de se arranjar uma solução ajustada ao prestígio de Américo de Sá.
Todas as noites, Pedroto gostava de um joguinho e cartas, e o seu jogo predilecto era a “ricardina”. O local de encontro e de jogo era a tasca do Ilídio Pinto, também proprietário da mercearia Petúlia. Nas catacumbas, uma nova fé clubística crescia, mas esta estava pronta para soltar os leões sobre o dono do Circo…
Depois de uns copos e de uma conversa animada sobre futebol, a noite acabava sempre na cave da mercearia com o tal jogo da “ricardina”. Ilídio Pinto sofria como ninguém os problemas do clube. O seu maior sonho era ser um dia director do departamento de futebol, mas havia muitos mais candidatos para o lugar, e ninguém o levava a sério. E, que se soubesse, o cargo não era prémio que saísse como brinde do bolo-rei. Mas a inteligência era um dote que não contemplava o Ilídio. Lá que era um homem astuto, era. E lá que estava cheio de dinheiro, disso também ninguém duvidava. E como estava sempre de bolsa aberta para ir em socorro dos problemas do clube, havia que deixá-lo pensar que o sonho um dia se iria realizar. A sua riqueza tinha como base muita poupança e o segredo roubado ao seu antigo patrão da receita da broa de Avintes.
Em poucos anos, apesar de ter a sua mercearia noutra zona, transformou-se no “Rei da Broa de Avintes” e as vendas foram de vento em popa. Os negócios estavam maus, a economia fraca, o País vivia tempos difíceis, e a broa de Avintes sempre era barata e enchia os foles do estômago dos menos favorecidos. E a bolsa do Ilídio.
A noite estava quente, e o ambiente alegre, mas PC chegou de semblante carregado e fez um sinal de cumplicidade a Pedroto:
- Porque é que está com um ar tão «saturno»?
Pedroto quase se desfazia numa gargalhada, mas Pinto da Costa, já habituado ás bacoradas do Ilídio, respondeu com a ironia que lhe era habitual:
- É do tempo, e os astros não ajudam.
Depois de ter dado uma palmada nas costas do Ilídio, adivinhando-lhe as intenções, foi-lhe dizendo:
- Vamos a uma partidinha!
O Ilídio não deixou de mostrar um sorriso rasgado de orelha a orelha. Era daquilo que ele mais gostava. Não se importava de perder todas as noites. A broa de Avintes dava para tudo. O importante era estar com os heróis que fizeram do seu clube campeão. Mandou fechar a loja, meteu o apuro do dia no bolso e foi de imediato buscar as cartas. PC aproveitou a ausência e contou a sua estratégia a Pedroto.
- A melhor forma de conseguirmos levar em frente o nosso plano, é convencermos o Américo de Sá de que o futebol no clube tem de ser totalmente autónomo. Ou seja ele gere o clube e nós tomamos conta do futebol.
- Por acaso não lhe fica nada mal o papel de corta-fitas. Como é que vamos fazer isso? - perguntou PC largando um sorriso cúmplice.
- Ele é capaz de não aceitar essa situação com tanta facilidade.
Entretanto , o Ilídio chegou com o baralho de cartas, e ouvindo as últimas frases, perguntou com um ar de quem não está a entender nada.
- O Américo Tomás vai voltar?
Pedroto piscou o olho a Pinto da Costa e mudou o tema á conversa.
- PC, é desta que vais jogar a «ricardina»?
- Bem sabes que jogo de cartas não é comigo. Os meus jogos são outros.
Chegaram outros convidados para uma partidinha e começou o saque ao Ilídio. Irritado com tanta falta de sorte, o dono da mercearia só via na sua frente o desfiar dos naipes que lhe tinham tocado. Pinto da Costa assistia impávido e sereno ao baralhar das cartas e á forma como eram distribuídas. E pensou: «Um dia serei eu a distribuir o jogo». Algo aborrecido, levantou-se e aproveitando o entusiasmo do Ilídio, subiu á mercearia e começou a retirar alguns chocolates das prateleiras. Voltou a descer e, com o à-vontade que lhe era peculiar, distribuiu algumas tabletes pelos jogadores. O Ilídio também se serviu, sem dar conta que as mesmas lhe foram roubadas, tal o seu entusiasmo pelo jogo.
Pedroto riu-se, e os presentes também não se contiveram. O Ilídio parece ter acordado e, dando uma dentada no chocolate, pensou em voz alta:
- Vocês estão a rir-se muito, devem ter bom jogo. Mas não faz mal, a minha sorte também há-de chegar.
A sorte só lhe chegou no dia seguinte com a venda de mais broa de Avintes.
No final do joguinho de cartas, Pedroto convidou PC para uns fadinhos. Sempre era um sítio recatado para uma conversa a dois. Já só faltava um dia para que a equipa de futebol se apresentasse e nada estava definido em relação à chefia do departamento de futebol.
- O Américo de Sá já me convidou para continuar, mas temos de ter mais poder para fazer frente aos mouros.
Pedroto era um homem de soluções rápidas e não esteve com meias medidas, lançando a sua proposta a PC.
- Amanhã vais falar com o homem e dizes-lhe que aceitas continuar no cargo, mas com algumas condições, e aproveitas para expor o teu plano. Não tenhas problemas, porque o título ganho deu-nos uma tal força, que é difícil haver gente com coragem para nos derrubar.
Confiante nas palavras do “mestre”, PC marcou encontro com Américo de Sá e colocou-o ao corrente do seu plano. Américo de Sá mostrou-se desconfiado e delicadamente disse “talvez sim”, o que bem podia ser traduzido por “certamente que não”. E para que Pinto da Costa não ficasse com dúvidas, o presidente fez mesmo questão de precisar:
- Mas, para já, se quer ficar com o departamento de futebol, fica, embora nas condições anteriores.
PC não estava a contar com aquela resposta e ficou lívido de raiva. Bateu com a porta e saiu, pensando na velha máxima de Júlio César que era para si o referencial da vida: “Antes ser o primeiro numa aldeia que ser o segundo em Roma”.
Pinto da Costa telefonou de imediato a Pedroto e colocou-o ao corrente da situação.
- Temos que nos encontrar com urgência para sabermos o que vamos fazer amanhã.
Pedroto tentou colocar alguma água na fervura e tranquilizou PC.
- Vem já a minha casa, para elaborarmos a estratégia para amanhã.
Em pouco tempo tudo ficou gizado. Os tempos do PREC ainda estavam bem vivos, e se o Américo de Sá se julgava importante, iria ter de se vergar ao poder popular.
Dizia PC:
- Tem calma. Essas coisas não se tratam dessa forma. Em primeiro lugar vamos fazer um comunicado e amanhã revolucionamos isto tudo.
Nessa noite voltaram a encontrar-se na Petúlia para afinarem a estratégia. Mas como não se sabia muito bem no que é que aquilo tudo ia resultar, era melhor colocarem Ilídio Pinto no plano, estabeleceu PC. Pedroto reagiu pela negativa.
- Deixa o Ilídio em paz, porque ele ainda é capaz de nos estragar a estratégia.
- Estás doido. Vamos só dar-lhe um cheirinho. Nunca se sabe se vamos necessitar de dinheiro, e se for caso disso, onde é que o vamos buscar?
Pedroto hesitou, mas acabou por concordar. Convidaram o Ilídio para a reunião e contaram-lhe apenas algumas peripécias do plano. O Ilídio revelou-se eufórico, como quando lhe saía bom jogo. Era mesmo aquilo que ele queria. O Américo de Sá não ia aguentar este ataque e abandonava o clube. O Pinto da Costa passava a presidente, e ele realizava o seu velho sonho: tomar conta do departamento de futebol.
O Ilídio até foi mais cedo para a cama, depois de ter dito ao Pedroto e ao PC que podiam contar com tudo o que necessitassem. Mesmo dinheiro, a quantia que fosse necessária. Logo que chegou a casa, não resistiu. Tirou a bata de trabalho e foi ao roupeiro escolher o seu melhor fato. Vestiu-o, colocou uma gravata, foi a uma pequena gaveta da cómoda e retirou uma braçadeira com uma inscrição bordada a branco: «delegado ao jogo». Passeou-se um pouco no quarto de cabeça erguida e começou a gritar para a mulher, que já estava a dormir:
- Levanta-te que isso não é nada. Vai à esquerda. Vai lá, corre. Corta, passa, chuta que é golo!
A mulher acordou estremunhada e, vendo o Ilídio naqueles propósitos, logo pensou: «Ai que o meu Ilídio ficou maluquinho!»
- Mulher, estás a ver um futuro delegado ao jogo! Amanhã vai haver um golpe de estádio e ninguém mais nos vai poder parar.
A Dona Virgínia, sem perceber o que se estava a passar, pensou: «E mais uma das maluquices do meu marido». E virou-se para o outro lado, voltando a adormecer, pois, de manhã, bem cedinho, tinha que estar no seu posto a fabricar a broinha.
Pedroto foi o primeiro a entrar no estádio e logo que os jogadores chegaram fez uma reunião e contou-lhes o que se estava a passar.
- Rapazes, se queremos continuar a ganhar, a conquistar títulos e a criar fama, temos de manter o grupo unido. Fomos nós que conseguimos realizar o sonho de conquista do título e não queremos ficar por aqui. Tenho a informar-vos que o nosso presidente, Américo de Sá, excluiu o Pinto da Costa do departamento de futebol e, sendo assim, não trabalho com mais ninguém. Fora a ditadura e os incompetentes. Unidos ninguém nos vence.
Um dos jogadores, atento e entusiasmado com o discurso, ainda esboçou a palavra de ordem:
- Os jogadores unidos jamais serão…
Atento, Pedroto travou o entusiasmo do jogador.
- Alto aí! Por esse caminho não, porque às tantas ainda dizem que somos comunistas, e isto não é um golpe de Estado. Isto é apenas um golpe de estádio.
O Ilídio não perdeu pitada do que estava a acontecer. Entusiasmado com a possibilidade de poder realizar o seu velho sonho de chefiar o departamento de futebol, subiu a um banco e apoiou Pedroto:
- É isso mesmo. Isto não é um golpe de Estado, é um golpe de estádio.
Pedroto retirou o chapéu que lhe encobria o «capachinho», fez deslizar os dedos pelos poucos cabelos de que ainda era proprietário, enquanto pensava na melhor forma de fazer sair o Ilídio, para que a bronca não fosse ainda mais longe. Pediu então a todos os presentes:
- Gostava de ficar agora sozinho com os jogadores e a equipa técnica. Ó António, pede aos restantes que saiam!
Novamente na posse do comando da situação, Pedroto explanou as linhas mestras do seu plano, como se estivesse apenas a dar a táctica para o próximo jogo:
- O Américo de Sá não tem o direito de travar a caminhada gloriosa do nosso clube.
Nós assumimos uma grande responsabilidade para com os nossos associados e não podemos desiludi-los. Neste momento, não há outra alternativa. Ou ele ou nós e nós somos a verdadeira glória do clube. Somos os únicos capazes de lutar contra os mouros, de os derrotar novamente, como fez D. Afonso Henriques.
O ambiente voltou a aquecer, e o entusiasmo da maior parte dos jogadores tomou conta da situação. Discutiu-se a melhor forma de enfrentar o problema e ficou acordado escrever-se um comunicado para entregar á Imprensa, dando-lhes conta da situação. Um dos jogadores ainda disse:
- Quem vai buscar uma folha de papel?
Mas Pedroto apressou-se a acrescentar:
- Não vale e pena. Dormi toda a noite sobre o assunto e por acaso até já trago aqui o comunicado feito.
Alguns jogadores ficaram desconfiados. Aquilo mais parecia um golpe de uma organização comunista.
Trabalhadores a quererem tomar conta das empresas tem dado mau resultado. Resolveram logo pôr em causa aquela acção.
Houve alguma discussão no balneário e, como a maioria estava de acordo, resolveram encostar a direcção á parede. Ou aceitavam as condições de Pinto da Costa, ou vamos todos embora.
Mas o tiro saiu-lhes pela culatra. Américo de Sá não se deixou abater pela intimidação e não aceitou as exigências. O escândalo rebentou. Só quatro jogadores ficaram de fora da situação e alinharam com Américo de Sá, os outros foram para a mercearia do Ilídio Pinto.
Os grupos de pessoas com influência no clube dividiu-se. Se era verdade que tanto Pedroto como Pinto da Costa tinham feito uma autêntica revolução no futebol quando ganharam o título, também não era menos verdade que não estava certo que se aproveitassem da situação para assaltar o poder. Moviam-se nos bastidores os mais variados tipos de influências, porque acima de tudo estavam os mais elementares interesses do clube. Os prejuízos podiam ser desastrosos, estavam a perder-se dias de preparação, o campeonato estava á porta e a equipa iria ressentir-se disso se o braço de ferro não terminasse. Sob o comando de um preparador físico, os jogadores treinavam-se nas ruas da cidade e no final cada um ia tomar banho a sua casa. Era o descalabro. Nunca antes se tinha assistido a coisa igual. Estava na hora de o Ilídio entrar em cena. Reuniu-se com Pedroto e PC e perguntoulhe o que é que podia fazer para ajudar. Sentiu-se de imediato um brilho nos olhos de PC. Estava ali a resolução para parte do problema.
- Precisamos de dinheiro para pagar o estágio aos jogadores. Vamos mandá-los para onde ninguém os encontre. Assim, eles podem trabalhar em paz, até que tudo isto se resolva. Temos também de lhes garantir os vencimentos no final do mês. Ilídio, você arranja dinheiro para fazer face a estas despesas?
O Ilídio gostava de se sentir útil. Era ele que ia resolver o problema. A carteira era a sua divisa e colocou-a ao dispor da situação. Aquele estava a ser um dia bom, pois já vendera 500 broas.
Os jogadores hospedaram-se numa estalagem junto ao pinhal e tudo se complicou ainda mais. Toda a gente queria saber onde estavam os craques. A imprensa procurava e não encontrava. Criaram-se grupos de espiões de parte a parte. A pressão aumentava, e o Ilídio tinha de retirar os seus dividendos. A sua oportunidade não tardava, mas toda a gente tinha de ficar a saber que era ele que estava a financiar a situação. Mandou chamar um jornalista amigo e confessou-lhe:
- Fui eu que dei o dinheiro para o estágio . Eles estão.. bzzzzzzzzzzz
No outro dia, os jogadores voltaram a ser «assaltados pela malta dos jornais. Novo escândalo. Américo de Sá não dava sinais de fraqueza. Resistiu a todos os tipos de pressão. Foram reuniões, mais reuniões e assembleias gerais. Mas o presidente e os seus homens não recuaram um milímetro que fosse.
Vencidos pelo tempo e pela persistência, todos os jogadores recuaram. Todos…menos um: António Oliveira.
Pedroto e Pinto da Costa ficaram sozinhos. Américo de Sá tinha vencido. Contratou um novo treinador e ofereceu a chefia do departamento de futebol a um homem da sua confiança.
O Ilídio é que não perdeu tempo. Quando viu as coisas mal paradas, resolveu virar-se para o outro lado. Telefonou ao Américo de Sá e defendeu-se:
- Olhe que aquilo do dinheiro do estágio não fui eu que dei. É tudo mentira. O presidente já sabe que pode contar comigo. Se for necessário contratar jogadores e um novo treinador, já sabe que não há problema nenhum!
Ninguém tinha dúvidas de que iria ser necessário muito dinheiro, e no clube não abundavam os mecenas. Numa situação destas, o Ilídio podia vir a ser muito útil.
Pinto da Costa, Pedroto e o «capitão» de equipa, António Oliveira, mantiveram as duas posições. Tinham sido derrotados, mas não havia nada a uni-los. Cada um que se safasse da forma que lhe desse mais jeito.
Pedroto, sem abandonar a mania da conquista da capital aos Mouros, instalou-se na terra de D. Afonso Henriques.
- A luta continua. Vai ser aqui que me vou inspirar para voltar a conquistar o poder.
Levou com ele o António, seu adjunto. O preparador físico também tinha desertado e procurado encosto no grupo de Américo de Sá. Só mesmo António Oliveira resistiu, preferindo o desemprego á humilhação de voltar atrás. Tinha assumido uma posição e mantinha-a, mesmo que agora pensasse que tudo estava errado.
- Vamos com calma. Roma e Penafiel não se fizeram num dia.
Dito isto, virou á esquerda, travou a fundo e abriu a porta a uma miúda que por ali estava encostada a um candeeiro.
9 Abril, 2008 às 1:57 am
Um tal de Guímaro…
José Guímaro estava no centro do estádio. Apitava. E o povo aplaudia. Os jogadores choravam de emoção. As principais estações de TV tinham para ali destacado os seus melhores repórteres, grande parte deles ainda imberbe. E ele, no centro do terreno, apitava, o povo aplaudia, os jogadores choravam e as televisões filmavam sem pausas para a publicidade. Disputava-se a final do campeonato do mundo de futebol. E o melhor em campo só podia ser ele, o árbitro. Ele, José Guímaro.
Trrrrrriiiiiiiiim! Não, não era o apito. Era a campainha da porta. O povo já não aplaudia, os jogadores não choravam e as TV´s não gravavam. Ao acordar, num sobressalto, José não conseguiu mesmo evitar o penico, que se derramou sobre as pilosidades generosas da carpete comprada há duas semanas na Feira de Espinho. O dia começava mal para José e, que soubesse, não se previa nenhuma final mundial.
No quarto, ainda na penumbra, um peixe vermelho nadava no aquário e um Buda jazia numa floresta de bibelôs. Num canto, as pantufas azuis de José brilhavam, com as lantejoulas a reflectirem o emblema do clube que mais ganhos lhe tinha dado.
- Quem é? - perguntou, já na sala, agarrado a um galgo de louça que tinha comprado há um ano numa viagem a Barcelos.
- Polícia! Judite! - ouviu do outro lado. José beliscou-se. Seria um pesadelo? Não era. O relógio do vídeo piscava, anunciando que faltavam cinco minutos para as sete horas.
- Abra. Temos um mandado de busca! - voltou a ouvir.
- Provavelmente, bebi de mais a noite passada - ainda pensou José. - Polícia? Não pode ser, eles disseram-me que…
A porta caiu ao segundo pontapé, abrindo uma série de comentários que ainda hoje ninguém sabe a quem atribuir.
- Mas o que é isto?
- Que cheiro…
- Que fazem aqui estes homens, Zé?
- Estou feito…
- Calma, Zé, isto só pode ser brincadeira…
- Brincadeira? Só se for de mau gosto.
- Meus senhores, isto é muito sério.
- Mas eu estou inocente…
- É o que vamos ver…
Aqui, as luzes acenderam-se. E também se fez luz na cabeça de José. Alguém o denunciara à polícia. E foi então que desmaiou, urinando pelas pernas abaixo. Lá fora, na pacata aldeia de José, Rex, o cão de estimação de toda a gente, morria de ataque cardíaco depois de mais uma aventura com «Lacie». Na loja do Senhor Gomes bebiam-se os primeiros bagaços do dia, e um pouco por todo o País dormiam em paz os senhores do futebol. Mas naquela casa, naquela modesta casa, as sombras agitavam-se na luz. E o cheiro da urina impregnava o ambiente. José arribou um pouco mas continuava no mesmo pesadelo. Voltou a desmaiar e cagou-se. Um polícia vomitou e o outro pediu uma cerveja. Iniciava-se a investigação. Quando bebia o segundo gole de cerveja, o agente Marques descobriu a garrafa de leite. Que não tinha leite, mas dólares. E no meio dos dólares, lá estava A PROVA. Um cheque!
Guímaro voltou a recuperar os sentidos. Mais calmo, mas sempre a cheirar mal, começou a responder às perguntas dos polícias sentado num sofá de pele de camelo que comprara em Marraquexe, ao que disse, embora desde logo um dos agentes desconfiasse que tal mastodonte tivesse viajado mais de mil quilómetros até ali estacionar.
- De quem é este cheque? - perguntou, tentando ser duro, um dos agentes, o Pires, cuja maior ambição era ser plantador de Kiwis na costa alentejana.
Guímaro hesitou, pigarreou e, vendo que não podia fugir da questão, acabou por dizer:
- É de um dirigente desportivo e foi para comprar leite.
- Leite?! - reagiu o agente Marques, que também era bombeiro voluntário nas férias grandes, em Bemposta.
Dali já não saía mais nada. E o cheiro!… Por isso, os agentes tomaram uma decisão:
- Vá lavar-se que está preso!
Enquanto Guímaro se vestia, Pires e Marques aproveitaram para lhe revistar o automóvel, um «Volvo» topo de gama. No porta-luvas, encontraram dois bilhetes de avião para Madrid e uma miniatura da Nossa Senhora de Fátima. No banco traseiro, os jornais desportivos, espalhados, não deixavam dúvidas: o nível técnico de Guímaro encontrava-se algures entre a bosta de vaca e o vomitado de canguru.
Mas nem era bom falar nessas coisas, pois os agentes da PJ ainda estavam enjoados com o cheiro que encontraram dentro da modesta vivenda de José. Antes de partir para Lisboa, Marques quis voltar ao quarto de Guímaro. Debaixo do colchão, encontrou duas promissórias de cinco e doze mil contos. O importante era o cheque. Podia ser mesmo mate. Mas, apesar da anestesia mictórica e afins, o faro policial dos agentes ainda conseguiu percepcionar uma agenda sob o telefone.
- Porque é que tem aqui o nome do Senhor Adriano Pinto? - perguntou o Pires.
Guímaro apertou o nó da gravata e, sabendo que não podia encobrir o nome de um dos grandes barões do futebol, respondeu um pouco envergonhado:
- Esse número é da minha mulher…
- A sua mulher tem negócios com o Senhor Pinto?
- Não é bem isso - disse Guímaro -, acontece simplesmente que eles são muito amigos, e como eu apito sempre jogos longe de casa, o Senhor Pinto faz o favor de passear ao domingo com a minha mulher. É muito simpático da parte dele.
A mulher de Guímaro é que continuava a não falar. A filha chorava num canto da sala. E assim partiram para a capital.
O dia nascia quente. Nos campos, os homens iniciavam a faina, e um «TIR» punha as tripas do Rex de fora, fazendo rolar a sua cabeça para a valeta, onde ficou de olhos abertos, como se estivesse atento à partida de Guímaro para Lisboa, algemado, no banco de trás de um reles Fiat «Tipo» apenas de três portas e com o escape meio roto. Ao mesmo tempo, outras brigadas da «Judite» atacavam noutros pontos do País. A «Operação Golpe de Estádio» estava finalmente em marcha.
Na casa de Reinaldo Teles, na cidade do Porto, este conhecido dirigente preparava-se para se deitar quando a campainha soou. Eram sensivelmente 7 horas, e a madrugada já se apresentava quente.
- Polícia!
Reinaldo, empresário da noite, ex-campeão de boxe, como lá mais para diante se verá, fez a sua melhor pose para enfrentar os agentes, tentando adivinhar o que é que se estava a passar. Num primeiro momento, pensou que tinha sido traído por uma das suas putas e talvez por isso é que exclamou…
- Puta de vida!
A polícia entrou e inquiriu:
- Onde guarda os documentos?
- Que documentos?
- Documentos.
Reinaldo quis saber mais.
- Isso tem a ver com droga?
Irritado, Borges, o agente 23 da 2ª secção, abanou a cabeça.
- Não, se tivesse a ver com droga não tínhamos tocado à porta. E agora deixe-se de conversa e mostre-nos os documentos.