Novas do processo Apito Dourado
Posted by CAA em 8 Abril, 2008
«Para justificar a decisão do árbitro Pedro Sanhudo – que, por indicação do seu árbitro assistente Ricardo Pinto, assinalou uma grande penalidade que deu a vitória ao Gondomar no jogo com o Pedras Rubras -, Jorge Coroado confessou um “crime” cometido por si num Benfica-FC Porto. Disse Coroado que foi um lance corrido que envolveu o benfiquista Kandourov e Vítor Baía.
“O guarda-redes do FC Porto saiu aos pés do jogador do Benfica e não me pareceu grande penalidade quando este caiu mas o meu árbitro assistente continuou a correr para a bandeirola de fundo e segui a sua indicação”, contou.
A surpresa veio a seguir: “Quando já tinha advertido o Vítor Baía com um cartão amarelo e estava junto da marca de grande penalidade, o meu assistente correu para o centro do terreno e deu-me a indicação de que a falta tinha sido ao contrário, mas já tinha advertido o jogador do FC Porto e já estava na marca do penálti e não voltei atrás“»
Via o insuspeitíssimo Record
nem estranho não estranhar disse
Mas essa estória não vem no livro, pois não?
É no que dá quererem ser escritores à pressa. A memória fica nas brumas.
CD disse
Foi durante o período maoista do Coroado
PMF disse
O que é espantoso é a reiterada falta de memória que os senhores do futebol (sobretudo, os agora “moralistas”) demonstram. Os comentários desse senhor (agora) perito de arbitragem, nos órgãos de comunicação social em que participa, são ivariavelmente merecedores de análise e de surpresa (pela parcialidade)!
E a questão é que (até os Sportinguistas) já se esqueceram das suas habituais (quando apitava) crises de “azia”!
LCalvo disse
Lá está.
Problema resolvido; a fruta costa, afinal era fruta vieira (se bem que continuo a preferir o frutas almeida, provoca menos azia, mesmo com Coroado por perto).
j disse
Ó CAA
Substitua o de baixo por este.
PMF disse
Espantosa é esta passagem, na mesma peça, do mesmo Record:
http://www.record.pt/noticia.asp?id=782337&idCanal=2497
Pensar que um julgamento decorre assim, ao jeito de uma espécie de programa de futebol da SIC-Notícias, á segunda-feira à noite, ou do Trio de Ataque (RTP – N), é espantoso!
Mas afinal estão a julgar o quê? Os sentimentos e as impressões? A qualidade dos comentadores….. digo, dos peritos? É assim, com este tipo de perito que se poderá alguma vez ajudar a produzir a prova seja lá do que for?!
nem estranho não estranhar disse
“O futebol português é uma mentira. Isto (Apito Dourado) é um apêndice. São pormenores. Não querem resolver, querem é empolar o lateral”, vincou, em declarações aos jornalistas à saída do tribunal. O antigo dirigente diz que “o futebol foi sempre assim durante 50 anos”, questionando: “Porque não se fala das décadas de 50, 60 e 70 em que houve inclusivamente um presidente de um clube que entrou de pistola no balneário a pressionar um árbitro?”.
Pimenta Machado, hoje, no Tribunal de Gondomar.
O dirigente de pistola em punho, no balneário do árbitro no intervalo do Atlético-Sporting era Góis Mota, da Mocidade Portuguesa e nunca constou que fosse do clube da Tapadinha… Só gente de bem, cavalheiros mesmo, naqueles tempos.
nem estranho não estranhar disse
Quanto ao Coroado, quem lembrar algumas coisas do seu livro, sabe que quem ameaçou a sua carreira (“Não apitas mais na vida” e “vou destruir-te a carreira”) foi Gaspar Ramos… E confessou Coroado que recebeu várias ameaças de outros dirigentes do Benfica.
Mas, quando foi lançado o livro, no Record aproveitou-se uma declaração de Coroado a dizer que “Pinto da Costa é intratável”, em título, quando se referia a ser “intratável na defesa do seu clube” e não como, subrepticiamente, ficava implícito de o presidente do FC Porto pressionar os árbitros.
Piscoiso disse
Com este depoimento,
o Jorge ficou coroado
como um safado.
Luis Moreira disse
Mas devia,se não tinha a certeza! A verdade é que não é preciso marcar penalties para favorecer este ou aquele.Num jogo em Belem, após um jogo fantástico, tu cá tu lá, o FCP marcou um golo.O árbitro de Évora (Dante?)nunca mais deixou o Belem entrar na área do FCP.Mesmo marcando livres a favor do Belem.Bastava cortar as jogadas.
E isto acontecia com os sócios de Belem a dizer que o árbitro até marcava faltas a favor.
Lembram-se quando o árbitro na Amadora fugiu á frente de toda a equipa do FCP?
E nos anos 60 o SLB que beneficiava de penalties e livres para o Eusébio marcar!
O Leão coitado é que me parece fazer o papel de fidalgo falido!
Para não falar no Boavista campeão!Se alguem tivesse dúvidas acerca dos jogos ganhos fora do campo a partir dessa altura…
Pi-Erre disse
É por estas e por outras que o país nunca mais sai da cauda da Europa.
Se a indústria do Futebol está assim, das outras então nem se fala…
Oremos, irmãos!…
hotboot disse
Foi este o mesmo que expulou o “famoso” Caniggia em 1995 com “um segundo amarelo por insultos” como o próprio escreveu no relatório do jogo, quando todas as imagens televisivas provaram que este sujeito mentiu… mesmo assim continuou mais uns anos a falcificar o futebol português e depois de pendurar “as sapatilhas” continuou a ser comentador em 3 ou 4 orgãos de c.c. diferentes apesar de todas as trapalhadas que fêz como arbitro… é realmente um espelho do do futebol português
TaBem disse
Oh, quando
não nos puxem
a nós pra baixo,
até pode ser assim. Chalana
Eu não falei isso,
eu só disse que andam a
viciar, ao contrário, quando
nós ou não ganhamos ou, empatando
o jogo, o devíamos ganhar ganhar, lógico.
LFV
Saio de consciência
tranquila, como quem tem
a que quer, após reunir dossiê
que devia ao meu clube. Na Visão de
um P Mourão, juiz-desembargador, conforme
à imparcialidade de oiro, não clubística, que
em três meses de presidência da CD da Liga provou ter.
Mr. Hyde disse
Coroado optou por injustiçar, para não publicar o seu erro. Coisa de traste. Ele há gente assim, com a verticalidade de um “homo disfunção erectus”
ccz disse
Caro CAA,
Põe as mãos no fogo por algum dos dirigentes? (esqueça as cores clubísticas)
DiMartin disse
Per caso, até tá certo, se quis dizer nessa o Coroado que juiz honesto não vai prò campo tremer, mostrar cartão amarelo, trocar as mãos, dar o vermelho, porque afinal se enganou. Não, pois, se foi por lapso, de outra vez terá razão.
E prova o exemplo que até ele, sério, justo, quantas vezes se enganou, e contra o grande, o campeão, de um apito que nem é mais do que outro que lá se calou. Porém, nem parece, à vista da sanha que uns bufões alardeiam, sempre a espumar raiva e muito zangados, todos rabujões.
Pra testemunha, em tribunal, exemplar é tal confissão.
jcd disse
Ó Carlos, falar de árbitros e de Vitor Baía no mesmo post até pode ser mal interpretado.
Anónimo disse
Imaginar as salas de tribunais em que se visionam jogos de futebol, é o cúmulo do ridículo.
A justiça está mesmo de rastos.
Anónimo disse
Esta coisa de jogos viciados e num sei que, devia era ser tratado na liga de futebol. A tribunal só devia ir se a liga apresentasse queixa contra um arbitro ou um dirigente, ou coisa assim. É tudo doido. Gastar dinheiro com estas porcarias e ocupar tribunais.
rxc disse
Então mas não há acontecimentos a sério a ocorrer neste país? A bovinidade está a tomar conta do blasfémias, ai está está…
Piscoiso disse
Só mespanta, como ainda não chamaram a tribunal o super-especialista Gabriel Alves, para tudo esclarecer.
jason statham disse
A MAFIA
As primeiras reuniões do Sistema realizaram-se ainda nos anos 70 e quando Pinto da Costa era secionista do andebol do Porto, eram na confeitaria “Petulia” no Porto. Aí se começou a “cozinhar” o Sistema.
Reinaldo Teles possui vários bares de alterne(casas de prostituição), onde se encontram com regularidade pessoas ligadas ao futebol, e onde eles enchem os bolsos da seguinte maneira:
o presidente do clube A quer subir de divisão. Paga por exemplo 30 mil contos ao sistema, que por sua vez gasta 10 mil contos em árbitros e guarda 20 mil. Sexo e dinheiro compram tudo e todos, incluindo árbitros, políticos, dirigentes,etc.
Outro truque é levarem os árbitros ás casas de meninas, filmarem tudo e depois chantagearem-nos.
Outro exemplo: o árbitro X tem algumas dificuldades monetárias, por exemplo para pagar uma letra, o Sistema empresta dinheiro. E depois exige-o de volta. Como o árbitro não pode pagar de imediato, torna-se escravo do Sistema. Como resultado as vergonhosas arbitragens a que estamos habituados. Quem não se lembra do famoso caso dos “Quinhentinhos”?
A SUBIDA DE PINTO DA COSTA AO PODER
Por intermédio de Pedroto, os jogadores fizeram greve e se não houvesse eleições não jogariam. Houve eleições. Nas sessões de esclarecimento aos sócios de Américo de Sá(que era o presidente), o nosso “amigo” Reinaldo Teles arranjava uns capangas, para armarem porrada e as sessões nunca chegavam ao fim. Isto e a greve dos jogadores veio dar força a PC que ganhou as eleições. Os jogadores pararam logo a greve e foi assim que o MAFIOSO chegou ao poder(com dinheiro do dono da Petúlia(Ilídio Pinto), que mais tarde se mostrou desgostoso, pois tinham-lhe prometido a vice-presidência e depois nada. Só anos mais tarde chegou a dirigente do clube. Já agora, o Pintinho gosta de pensar em si próprio como o Al Capone português.
O SISTEMA E O CLUBE
O sistema não é o Porto clube. São as pessoas que lá estão. Os sócios do Porto sem se aperceberem estão a alimentar uma máquina de fazer dinheiro. Mas o dinheiro que entra no clube é muito pouco, pois grande parte é para o Sistema.
Também há tráfico de droga. O autocarro do Porto foi revistado na portagem dos Carvalhos há uns anos atrás e passados meses foi preso Mariano(antigo jogador do Porto), que foi bode expiatório a troco de dinheiro.
Com certeza já ouviram falar de Lucianno de Onofrio. Na sua família encontram-se membros da Camorra. Esse empresário trabalha com o Porto e faz parte do Sistema.
Este e outros empresários portugueses e estrangeiros trabalham com o Porto e alguns deles estiveram envolvidos no escândalo de corrupção do clube francês Olympique Marseille.
Eles trabalham assim:
COMO VENDER JOGADORES MISERÁVEIS POR MILHÕES DE CONTOS
Eles compram um jogador médio, barato, ele faz uns jogos pelo Porto e depois é vendido a um clube estrangeiro amigo por uma fortuna. Nesse clube amigo eles têm um treinador(normalmente um ex-treinador do Porto) que trabalha com a MAFIA ou um empresário de jogadores. Eles convencem esse clube a comprar o tal jogador do Porto por milhões de contos e normalmente é assim que o bolo é dividido:
Sistema(MAFIA)-50%
FC Porto-30%
o treinador ou o empresário-20%
Exemplo:
Foram buscar o Jorge Plácido(um jogadorzeco dos anos 80) bem barato, fez meia dúzia de jogos pelo Porto e depois foi vendido por um balúrdio ao Matra Racing de Paris.
Quem era o treinador do Matra?
O Artur Jorge. O bolo foi dividido assim:
Artur Jorge-20%
Sistema-50%
Porto-30%
E ficaram todos a ganhar e contentes menos o Matra Racing.
E as vendas de vários outros jogadores fizeram-se através de empresário amigos que infeccionaram o valor e o preço dos jogadores do Porto: Emerson(Midlesbrough), Doriva(Sampdória), Domingos(Tenerife), Baía(Barcelona) Fernando Couto(Parma), Rui Barros(Monaco), Folha(Standard Liége), Latapy(Espanha), Mielcarsky(Spain),etc, a lista é interminável.
Lembram-se daquele guarda-redes frangueiro Krajl? O Porto tinha que se despachar dele. Quem foi o pato? O PSV Eindhoven que era treinado pelo Bobby Robson.
Outros nomes que talvez vos digam algo: Tomislav Ivic, Manuel Barbosa, José Veiga(que já se zangou e fez as pazes com o FCP umas 10 vezes, tudo teatro para enganar o Benfica e o Sporting, e os poder minar por dentro).
MARINHO NEVES
Muitos jornalistas tentaram há alguns anos atrás denunciar e expôr a MAFIA do futebol. Mas foram ameaçados e espancados pelos capangas do FCP(cujo nome oficial é Corpo de Segurança Privado).
Marinho Neves foi um corajoso jornalista. Escreveu o livro “Golpe de Estádio” onde de forma romanceada ele conta a história da MAFIA com nomes falsos. Antigo jornalista do Norte Desportivo e Gazeta dos Desportos já o espancaram várias vezes, para ele se calar. Colaborou com a SIC nos Donos da Bola. O livro teve algum sucesso há 3/4 anos, mas agora está esquecido.
Por falar em G. Abel ele está todos os domingos que o Vilanovense(Gaia) joga em casa lá está ele no campo. Talvez ele diga algo, uma vez que foi traído pelos ex-amigos do sistema. Benfiquistas do Norte vejam se lhe conseguem arrancar alguma coisa.
Agradeço a um benfiquista de Gaia pela sua ajuda.
Estas denúncias chegaram-me de um tipo que se diz antigo jornalista do jornal O Jogo.
O Reinaldo Teles passou as casas de prostitutas para nome de um tipo que ainda não sei quem é porque dava muito nas vistas, visto que o Granada, o Calor da Noite, Diamante Negro, entre outros ,que eram os mais frequentados na altura, era onde se faziam algumas transacções de droga.
O próprio Reinaldo Teles foi apanhado em frente á alfândega do Porto num mercedes cheio de droga, mas muita gente “comeu” às custas disso e nunca se soube nada, até um jornalista do “Público” teve uma “prenda” do Reinaldo Teles quando o próprio descobriu a história.
Em relação ao guarda Abel, ele não foi traído, mas sim “aconselhado”, mas ficou bem na vida…
Só que ele é um granda putanheiro que estourou tudo no jogo e nas putas, agora tem umas tipas a render para ele.
Em relação á Olivedesportos, quando o Benfica quebrou o contracto, depois do Vale e Azevedo se tornar presidente, o Guilherme Aguiar, o Pinto da Costa, Manuel Tavares(editor do jornal O Jogo), Ronaldo Oliveira(filho do Oliveira), António Oliveira( o ex-treinador do Porto) e mais uns tipos que não me recordo agora, reuniram-se na sala de reuniões do jornal O Jogo, para tomar medidas no “sistema” para o Benfica sofrer represálias intimidatórias, tanto a nível de imprensa como a nível federativo (Liga incluída). Obviamente que esta reunião foi “off-the-record”. E muitas mais merdas. As mais banais eram as notícias fabricadas ou as inflamadas.
Porque segundo o Jorge não sei das quantas, o responsável financeiro ou qualquer coisa do género do jornal O Jogo, “o Benfica é que vende”. Mandaram um sócio do Porto pagar a um cunhado para dizer que o jornal o tinha subornado para dizer mal do FCP. Este caso até passou nos 3 canais de TV.
salvaterra disse
O CAA falou em Vítor Baía? Olhe do que se foi lembrar. Acho que o CAA já era nascido. Então reveja lá as injustiças que eram cometidas contra o Vítor Baía.
Fafe disse
Todas s Cercis necessitam ajuda. Considerem-nas como um jogo de sobrevivência.
Mialgia de Esforço disse
Isto do maior clube do mundo, quiçá da Europa, não ganhar népia faz-lhes mal às “almerróidas”.
CAA,
Pode puxar o autoclismo.
Fado Alexandrino disse
Pareceu-lhe que não era penalty
E têm o descaramento de dizer isto e um ilustre como CAA dá-lhe valor.
A mim também me parece que Roubário Benquerença é cego.
NunoSioux disse
Eu cá acho, que o Futebol em Portugal é como a musica pimba! Vira o disco, toca o mesmo, dois ou tres acordes, e sempre os mesmos “artistas”!!
Ai ai ai ai
Abraço
http://www.caravanadosloucos.blogspot.com
jason statham disse
02/01/2004
“Pinto da Costa (PC) – Estou.
Pinto de Sousa (PS) – Estou, Zé!
PC – Já rectificaste a nota do homem?
PS – Eh, eh, eh!!!!! É pá, deixa lá o rapazinho em paz, coitadinho!
PC – Ah???
PS – 8… 8,4
PC – É uma boa nota!
PS – É uma boa nota!
PC – Pois foi, mas o observador tem de ser reclassificado!
PS – Olha, estou-te a telefonar pelo seguinte. Estou a pensar nomear o Jacinto Paixão para o Porto-Felgueiras. Não há inconveniente nenhum?
PC – Ah!
PS – Jacinto Paixão… Porto-Felgueiras! Não é nada de especial.
PC – Se entretanto ele não for nomeado para outro jogo [...] nomeado para a casa Pia!
PS – Eh, eh, eh!
PC – Mas não é de muito longe? [...]
PS – Não, coitado, precisa de fazer um joguito e como ainda fez poucos.
PC – Por mim, pode.
Poucas horas depois, Pinto de Sousa volta a telefonar a Pinto da Costa. Afinal, Jacinto Paixão não pode ser nomeado porque vai apitar um jogo do Estoril.
Pinto de Sousa (PS) – Olha, afinal, o Jacinto Paixão vai fazer agora o Estoril, no próximo dia 4 de Janeiro, eu não tinha reparado [...] De maneira que olha, como não é um jogo importante ia o Paulo Pereira, de Viana do Castelo.
Pinto da Costa (PC) – É fraquinho!
PS – É. Mas o jogo também não tem interesse nenhum…
PC – Sim, mas porque é que não pões um gajo do Porto?
PS – Pá, porque o Jorge Sousa vai fazer o Estoril- -Setúbal [...] O Paulo Costa e o Paulo Paraty não os nomeei já porque fizeram um jogo a semana passada. E o Martins dos Santos não se justificava para este jogo [...] e em segundo lugar vai fazer um jogo importante.
PC – Qual é o jogo?
PS – Talvez o Nacional, com o Leiria [...]
PC – Mas o Martins, para lá para baixo é bom. Que assim põe aquilo tudo em sentido.
PS – É, mas esse vai para Leiria.
PC – É, está bem.”
02/02/2004
“Pinto da Costa – Não! Eu disse-te a ti, os dois penáltis, são penáltis, não houve nenhum erro crasso [...] E apitar o Boavista, para um gajo que não esteja ali a pensar que o major é o presidente da Liga, é complicado… porque com aquelas palhaçadas todas, o gajo tem de os pôr na rua.
Pinto de Sousa – Pois é…
[...]
PC – Agora, tudo isto nasce de uma má nomeação do imbecil…
PS – É, sem dúvida!
PC – Olha, não te esqueças mas é de comunicar ao gajo, para ele não queimar nenhum [...] Devias pedir por escrito, para ficar.
PS – É, vou-lhe mandar por escrito. Vou-lhe telefonar e dizer [...] vou-lhe mandar por escrito, os jogos.
PC – Os jogos, esses quatro vão fazer esses jogos! Diz mesmo, esses jogos!
PS – Digo.
PC – É, assim ele já não tem desculpa.”
Outubro/2003
“PC – Estou, sr. Major! Como está?
VL – Então como é que vai o meu amigo? Está na Madeira, cara no bananal!
PC – Então mais uma mais uma vez desautorizados !
VL – Em quê?
PC – No Deco! Baixou de três para dois!
VL – Já se sabia, carago!
PC – Já se sabia? Mas é uma esses gajos não têm vergonha, caralho!, se tivessem vergonha.
VL – Ó Jorge!
PC – Eu vou eu vou sabe o que é que vou dizer?
VL – Ó você vai dizer!
PC – “É é pena que para ser juiz não seja preciso ter vergonha!”
VL – Ó não diga isso.
PC – Eles depois que me processem!
VL – Hum, não diga isso, pá! As várias instâncias podem sempre ( ) os tribunais é a mesma coisa! Você não viu agora o caso do Ritto e da Rita e dessa gente toda.
PC – Ó ó Major, o que é engraçado é que é sempre é sempre do
VL – Enquanto, enquanto lá estiver o Mortágua, é assim, pá!
PC – É e enquanto estiver o Cebola
VL – é a resposta é a resposta que eles podem dar, pá!
PC – É ?
VL – É!
PC – Então que “deiam”! Que “deiam”! ( )
PC – Major, Major!
VL – Diga!
PC – mas você, um dia vamos os três Eu, você e o Mortágua e depois o Mortágua conta-lhe coisas!
VL – Óptimo! Pronto ! Se ele me contar, pá sei lá! Sei lá disso! Mas quê?!, do Gomes da Silva?
PC – O pior de todos é um tal Cebola
VL – O Cebola… mas eu nem sei quem ele é o Cebola eu só conheço este gajo e um rapaz agora novo, que apareceu de Famalicão ou não sei quê!, pá!… substituiu um outro gajo que foi para Timor ou para o caralho, pá! De resto, nem os conheço, pá! Cebola ?!… Cebola, até cheira mal, pá! Cebola
PC – É de Coimbra! É um gajo de Coimbra
VL – Não sei quem é! E e e é quê? do Benfica?
PC – Não sei o que é! Sei que é o mais anti-Porto possível! Isto dito pelo Mortágua!”
Fevereiro/2004
“Pinto da Costa (PC) – Esteve com o homem?
Antero (A) – [...] Ele está um bocado atrofiado… mas ó presidente, ele também é incoerente, percebe? [...] Como é que correu com o Major, presidente?
PC – Ó pá, disse-lhe que havia a bomba de podermos dia 14 …. faltar! Ele entrou em pânico … e eu disse-lhe: “Ó Major, eu sei que não adianta nada, mas pelo menos, olhe, vamos ter a oportunidade de dizer ao mundo do futebol porque é que temos de fazer isto!”
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=238955&idselect=181&idCanal=181&p=0
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=238721
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=238483
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=238602&idCanal=181
DiMartin disse
vejam só o trabalho
que se dá o Jason Statham
pra nada, sem ganho algum, pobre rapaz
jason statham disse
02/01/2004
“Pinto da Costa (PC) – Estou.
Pinto de Sousa (PS) – Estou, Zé!
PC – Já rectificaste a nota do homem?
PS – Eh, eh, eh!!!!! É pá, deixa lá o rapazinho em paz, coitadinho!
PC – Ah???
PS – 8… 8,4
PC – É uma boa nota!
PS – É uma boa nota!
PC – Pois foi, mas o observador tem de ser reclassificado!
PS – Olha, estou-te a telefonar pelo seguinte. Estou a pensar nomear o Jacinto Paixão para o Porto-Felgueiras. Não há inconveniente nenhum?
PC – Ah!
PS – Jacinto Paixão… Porto-Felgueiras! Não é nada de especial.
PC – Se entretanto ele não for nomeado para outro jogo [...] nomeado para a casa Pia!
PS – Eh, eh, eh!
PC – Mas não é de muito longe? [...]
PS – Não, coitado, precisa de fazer um joguito e como ainda fez poucos.
PC – Por mim, pode.
Poucas horas depois, Pinto de Sousa volta a telefonar a Pinto da Costa. Afinal, Jacinto Paixão não pode ser nomeado porque vai apitar um jogo do Estoril.
Pinto de Sousa (PS) – Olha, afinal, o Jacinto Paixão vai fazer agora o Estoril, no próximo dia 4 de Janeiro, eu não tinha reparado [...] De maneira que olha, como não é um jogo importante ia o Paulo Pereira, de Viana do Castelo.
Pinto da Costa (PC) – É fraquinho!
PS – É. Mas o jogo também não tem interesse nenhum…
PC – Sim, mas porque é que não pões um gajo do Porto?
PS – Pá, porque o Jorge Sousa vai fazer o Estoril- -Setúbal [...] O Paulo Costa e o Paulo Paraty não os nomeei já porque fizeram um jogo a semana passada. E o Martins dos Santos não se justificava para este jogo [...] e em segundo lugar vai fazer um jogo importante.
PC – Qual é o jogo?
PS – Talvez o Nacional, com o Leiria [...]
PC – Mas o Martins, para lá para baixo é bom. Que assim põe aquilo tudo em sentido.
PS – É, mas esse vai para Leiria.
PC – É, está bem.”
02/02/2004
“Pinto da Costa – Não! Eu disse-te a ti, os dois penáltis, são penáltis, não houve nenhum erro crasso [...] E apitar o Boavista, para um gajo que não esteja ali a pensar que o major é o presidente da Liga, é complicado… porque com aquelas palhaçadas todas, o gajo tem de os pôr na rua.
Pinto de Sousa – Pois é…
[...]
PC – Agora, tudo isto nasce de uma má nomeação do imbecil…
PS – É, sem dúvida!
PC – Olha, não te esqueças mas é de comunicar ao gajo, para ele não queimar nenhum [...] Devias pedir por escrito, para ficar.
PS – É, vou-lhe mandar por escrito. Vou-lhe telefonar e dizer [...] vou-lhe mandar por escrito, os jogos.
PC – Os jogos, esses quatro vão fazer esses jogos! Diz mesmo, esses jogos!
PS – Digo.
PC – É, assim ele já não tem desculpa.”
Outubro/2003
“PC – Estou, sr. Major! Como está?
VL – Então como é que vai o meu amigo? Está na Madeira, cara no bananal!
PC – Então mais uma mais uma vez desautorizados !
VL – Em quê?
PC – No Deco! Baixou de três para dois!
VL – Já se sabia, carago!
PC – Já se sabia? Mas é uma esses gajos não têm vergonha, caralho!, se tivessem vergonha.
VL – Ó Jorge!
PC – Eu vou eu vou sabe o que é que vou dizer?
VL – Ó você vai dizer!
PC – “É é pena que para ser juiz não seja preciso ter vergonha!”
VL – Ó não diga isso.
PC – Eles depois que me processem!
VL – Hum, não diga isso, pá! As várias instâncias podem sempre ( ) os tribunais é a mesma coisa! Você não viu agora o caso do Ritto e da Rita e dessa gente toda.
PC – Ó ó Major, o que é engraçado é que é sempre é sempre do
VL – Enquanto, enquanto lá estiver o Mortágua, é assim, pá!
PC – É e enquanto estiver o Cebola
VL – é a resposta é a resposta que eles podem dar, pá!
PC – É ?
VL – É!
PC – Então que “deiam”! Que “deiam”! ( )
PC – Major, Major!
VL – Diga!
PC – mas você, um dia vamos os três Eu, você e o Mortágua e depois o Mortágua conta-lhe coisas!
VL – Óptimo! Pronto ! Se ele me contar, pá sei lá! Sei lá disso! Mas quê?!, do Gomes da Silva?
PC – O pior de todos é um tal Cebola
VL – O Cebola… mas eu nem sei quem ele é o Cebola eu só conheço este gajo e um rapaz agora novo, que apareceu de Famalicão ou não sei quê!, pá!… substituiu um outro gajo que foi para Timor ou para o caralho, pá! De resto, nem os conheço, pá! Cebola ?!… Cebola, até cheira mal, pá! Cebola
PC – É de Coimbra! É um gajo de Coimbra
VL – Não sei quem é! E e e é quê? do Benfica?
PC – Não sei o que é! Sei que é o mais anti-Porto possível! Isto dito pelo Mortágua!”
Fevereiro/2004
“Pinto da Costa (PC) – Esteve com o homem?
Antero (A) – [...] Ele está um bocado atrofiado… mas ó presidente, ele também é incoerente, percebe? [...] Como é que correu com o Major, presidente?
PC – Ó pá, disse-lhe que havia a bomba de podermos dia 14 …. faltar! Ele entrou em pânico … e eu disse-lhe: “Ó Major, eu sei que não adianta nada, mas pelo menos, olhe, vamos ter a oportunidade de dizer ao mundo do futebol porque é que temos de fazer isto!”
dragao azul disse
Coroado cometeu um erro terrível, que, caso estivesse no activo lhe poderia sair caro. Foi Honesto. Se tivesse revelado ter cometido um erro contra o clube dos milhões, então ficaria muitommais bem visto na maioria da opinião pública, dolorida com os acontecimentos recentes. Curiosamente eu vi esse jogo e lembro-me bem da jogada e só não consigo perceber como é tão falível o “sistema” de corrupção alegadamente arquitectado por PC, ao ponto de ter permitido penalty tão escandaloso. Tal como não percebo como não foi sancionado um golo de Clayton, num Benfica-Porto, de canto directo. Mais uma vez a corrupção de PC a funcionar às mil maravilhas.
antónio disse
peço desculpa
quer provar o quê com este post?
Que o Benfica corrompeu?
Que o sr Coroado foi subornado?
Que o sr Coroado foi/é incompetente?
Que o sr Coroado afinal tb errava?
Que o Benfica (como qualque clube) tb é beneficiado por erros?
o facciosismo retira lucidez às pessoas, de facto.
invicto disse
Caro jason statham, publique um livro, homem. Você é o típico adepto do Benfica na cidade do Porto ou arredores. Preferem matar a mãe a reconhecer que o FCP, ganha porque è melhor. Mais nada. Faça como a D. Carolina e peça colaboração editorial à Leonor Pinhão. Olhe que ainda se arrisca a ganhar um òscar pelo melhor argumento.
jason statham disse
“Preferem matar a mãe a reconhecer que o FCP, ganha porque è melhor. Mais nada.”
Você é esquizofrénico? Não leu as escutas que transcrevi acima? Ou não sabe ler?
jason statham disse
Esta vai direitinha para o LR aqui do blogue, que apoucou a minha adivinhação sobre os salários do Estrela:
http://cfestreladaamadora.blogspot.com/2008/04/salrios-de-janeiro-pagos.html
Vergonha! Corruptos.
jason statham disse
Retrato dos Corleone, versão Porto:
PINTO DA COSTA:
Começou no FC Porto nos anos 60 como dirigente do andebol, passando depois pelo hóquei em patins e pelo boxe. Nessa altura era um simples gerente de uma empresa de fogões.
Chegaria a chefe do departamento de futebol apenas no final da década de 70, no mandato de Américo de Sá. Tomou o poder e impôs a sua lei. Foi gerente de uma empresa chamada Pincor do ramo das tintas, que terminou os seus desgraçados dias com avultadas dividas á banca. Aliás como todas as empresas onde se meteu. Algumas de electrodomésticos. Todas faliram. Devido ás muitas falcatruas que fez, incluindo passar cheques sem cobertura, foi condenado e proibido de passar cheques e de constituir empresas. Para deixar a empresa onde trabalhava, Pinto da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos das transferências de Futre e Rui Barros tinha desaparecido sem deixar rastos e tinha deixado de…rastos PC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Esteve sem ir a Aveiro durante 5 anos por causa de alguns processos por falências fraudulentas. Os seus sócios dessas empresas tiveram que fugir para o Brasil. Mas a ele alguém lhe pagou as dívidas. Alguns poderosos do Norte, como Belmiro de Azevedo, Artur Santos Silva, etc. No princípio chegou a investir muito do dinheiro que tirava do FC Porto, nas empresas de familiares seus mas faliram todas. Depois passou a ficar com tudo. Criou a Cosmos, agência de viagens que lucrou imenso com as viagens dos clubes, obteve exclusivos com a Federação que obrigavam os clubes a viajar nessa agência. Esteve metido no negócio da droga, com Luciano D´Onofrio (Aveiro Connection). Com a Olivedesportos fez muito dinheiro, como com todos os negócios do FC Porto, vendas e compras de jogadores, corrupção de árbitros, etc. Assim enriqueceu e tem hoje uma considerável fortuna.
Estudou num seminário, onde desde novo mostrou as capacidades que hoje lhe são reconhecidas.
Pinto da Costa passou a sua idade escolar num colégio onde imperava um grande influência da religião católica e quando atingiu o liceu foi internado num colégio de padres (Jesuíta). Dos mais prestigiados do Norte do País. Ali fabricavam-se verdadeiros homens. Eram testados como cobaias para poderem enfrentar no futuro as mais adversas contrariedades da vida. Uma das disciplinas era constituída pela defesa individual de cada aluno perante toda a turma e, já nessa altura Pinto da Costa era o mais desenvolto no uso no discurso, na sua capacidade de raciocínio rápido e retenção na memória de dados essenciais. Inteligente e astuto como um verdadeiro jesuíta, bem cedo começou a demonstrar um grande sentido de chefia. Sabia como dividir para reinar, utilizando um ar cândido e descomprometido quando algumas atitudes de má-fé lhe eram dirigidas. Atirava a pedra e sabia como esconder a mão. Mas a sua verdadeira arma era a grande capacidade de trabalho e a completa dedicação a tudo o que fazia. Chegou a pensar ordenar-se padre, e o director do colégio apostava que , se ele seguisse essa carreira, iríamos ter o segundo papa português. A sua postura, a sua forma de falar e de estar deram-lhe sempre um toque clerical. A mesma mão que abençoava os amigos, empunhava a cruz onde ele havia de crucificá-los. Cativava, fazia amizades com facilidade e sabia como as utilizar e destruir como se nunca tivesse culpa de nada. Sendo religioso não pensava sequer em trair a sua esposa. Mas quando foi iniciado por Reinaldo Teles nas suas casas de sexo, tomou-lhe o gosto. Ficou viciado. Aliás a sua actual mulher, da qual tem uma filha, é uma ex-prostituta que conheceu num dos bares de Reinaldo Teles. Também usou anfetaminas durante algum tempo. Para aguentar as vitórias, o fanatismo anti-mouros, a idolatria que os adeptos do clube lhe devotavam, a guerra que os seus inimigos lhe moviam e as sessões diárias de sexo era preciso muito “speed”.
REINALDO TELES:
Empresário da noite, ex-campeão de boxe, dirigente desportivo. A sua fulgurante ascensão no clube que sempre amou: chulo, pugilista, seccionista, segurança (capanga), chefe dos capangas (mais tarde passou a ser Joaquim Pinheiro, seu irmão), amigo pessoal do patrão, seu confidente e finalmente, único homem em quem ele confiava.
Em 1981/82 Reinaldo Teles, campeão nacional de boxe e na altura treinador, foi a solução encontrada por Américo de Sá(presidente da altura), para controlar as agitadas assembleias gerais. Ex-pugilista, brigão, chulo e nutrindo uma certa paixão por negócios ilícitos, ofereceu-se para arrumar a casa e impor a ordem nas confusões programadas por Pinto da Costa. Era treinador de boxe do clube e reuniu os seus rapazes para patrulharem a sala, e o certo é que com alguns murros e cabeçadas acabou por conquistar o lugar de chefe da segurança de Américo de Sá.Nessa altura, Pinto da Costa temia-o, porque não era um brigão vulgar e muito menos um marginal estúpido e incompetente. Reinaldo Teles tinha um espírito e uma personalidade muito idênticos aos de Pinto da Costa. Dava as ordens para descascar á fartazana e depois surgia como o apaziguador, o bom rapaz que nada tinha a ver com toda aquela violência. Pinto da Costa detestava-o, mas viu nele a solução para o futuro.
Reinaldo Teles era um ás a esgrimir os punhos, sabia avaliar com grande exactidão a capacidade dos seus adversários, e quando não os podia vencer trazia-os para junto de si. Um anjo, este rapaz que veio bastante jovem de uma aldeia transmontana para servir numa tasca de um tio. O estabelecimento estava aberto toda a noite, numa altura em que ainda existiam poucas discotecas. E as que funcionavam em pleno estavam viradas para o alterno e a prostituição. Mas R. Teles sabia que “putas e vinho verde” só combinam nas horas e nos locais certos. Havia que tratar da vidinha. Ainda estava longe de ser o rei da noite.
Ajudava o seu tio pela madrugada dentro e vivia com entusiasmo as cenas de pancadaria entre azeiteiros, putas e marginais. O seu sonho era um dia vir a ser como eles. Homens valentes, com charme, e mulheres tratadas a pontapé a levarem-lhes o apuro da noite e o que até tinham roubado ao prazer. Deu uma tareia a um chulo por causa de uma das suas prostitutas, com quem perdeu a virgindade. Os dois estavam apaixonados. A prostituta gostava do miúdo, era forte e atrevido, mas para ficar com ele tinha de pensar numa forma de o proteger. Reinaldo tinha punhos, mas faltava-lhe a experiência. De súbito, veio a solução. Ela tinha um cliente que era treinador de boxe do maior clube da cidade (Porto) e ia-lhe apresentar Reinaldo Teles para o rapaz poder ir lá fazer uns treinos. Uma semana depois, o tal treinador de boxe disse á prostituta que Reinaldo tinha futuro. A partir daí, quando as coisas aqueciam na tasca do seu tio, R. Teles fazia uns treinos extra, passando a ser conhecido e respeitado. Depois de fechar a tasca, aproveitava a boleia de um amigo e ia ter com a sua amada prostituta, que atacava em Santos Pousada. Reinaldo começou a somar êxitos no boxe e acabou por deixar o emprego na tasca do seu tio para se colocar como segurança e porteiro numa casa de alternos. Foi aí que conheceu a sua futura mulher, também puta (Luísa Teles, actual dirigente do FCP).
Reinaldo Teles tinha-se tornado num dos chulos mais importantes da cidade e, com a ajuda da nova puta, acabou por comprar o seu próprio estabelecimento. O rapaz tinha jeito para o negócio, e a sua namorada tinha uma perspicácia tremenda para escolher as melhores putas. Ambicioso, inteligente, hipócrita e já com algum poder económico, Reinaldo Teles tinha apenas mais um sonho: ser campeão nacional de boxe. Ele era bom de punhos, mas havia outros melhores. Com algum sacrifício e habilidade, conseguiu chegar á fase que lhe permitiu disputar o título. O seu adversário era poderoso e Teles não se podia arriscar a deixar fugir o seu sonho. Sempre inclinado para negócios marginais, colocou logo em prática um plano diabólico. Ele sabia que no boxe profissional a corrupção por parte de grupos marginais era uma prática constante e quase normalizada, e num ápice resolveu o seu problema. Contactou o seu adversário, negociou a vitória no terceiro “round” e um KO mal disfarçado deu-lhe a oportunidade de saltar no ringue elevando as luvas em sinal de vitória. Era importante para o seu negócio que os jornais noticiassem no dia seguinte que ele era o novo campeão nacional de boxe. Aquele título significava respeito e medo. Os factores mais importantes para quem quer gerir com tranquilidade uma casa de alternos e de prostituição.
Este fora o seu primeiro acto no mundo da corrupção, e Teles ficou fascinado com o poder do dinheiro. Afinal, ele tinha feito um investimento altamente rentável. Pagou para conquistar o título, realizou o seu sonho e duplicou a facturação no seu estabelecimento. Ninguém se arriscava a criar conflitos na sua área de alternos e muito menos a deixar contas penduradas. Os punhos de um campeão eram sempre temidos.
JORGE GOMES:
Ex-jornalista e ex-bate chapas promovido á pressão como paga de favores no tempo da sua meteórica ascensão como dirigente desportivo. Mestre na confecção de coisas miúdas, destacava os jornais para o patrão, e ocupava-se dos famosos arquivos, usados para Pinto da Costa arrasar os seus inimigos na comunicação social, aliados claro á sua boa memória. Jorge Gomes foi corrido da SAD do FCP, por se ter zangado com Pinto da Costa e hoje trabalha com José Veiga.
Piscoiso disse
Jason anda a ver se consegue segurar o Benfica no segundo lugar, com este “trabalho literário”.
jason statham disse
Ascensão de um seminarista (vg, O Papa…)
Há 20 anos…
O Verão estava insuportável. O calor sufocava, e o futebol preparava-se para iniciar mais uma época. Os jogadores, regressados de férias, vinham com pouca vontade de trabalhar.
Os dirigentes estavam mais atarefados do que nunca. Eram as contratações, o estudo das novas directrizes e a organização dos respectivos departamentos o que mais os preocupava. Mas as atenções estavam viradas para o maior clube da cidade (Porto). Anunciavam-se grandes transformações para um novo mandato de Américo de Sá, um dirigente de corpo inteiro cuja figura e postura se assemelhava á de um aristocrata. Educado, afável, mas um tanto pretensioso, seguia uma linha directiva com mais de trinta anos. Nos últimos tempos, as vitórias começavam a sorrir e até veio um título já esperado há muitos anos. O clube estava a ganhar uma nova estrutura organizativa, fruto da revolução política que anos antes tinha acontecido e o aproveitamento correcto das linhas de acção traçadas pelos partidos apontavam para a regionalização e a descentralização do poder.
Alguns homens do Norte tinham ganho força nos mecanismos estatais e tentavam implantar na sua região uma retaguarda de pressão para combater a tendência de esquerda que vinha da região sul. O momento foi soberbamente aproveitado em toda a sua extensão e teve como principal mentor José Maria Pedroto, o técnico mais conceituado do futebol português. O homem já tinha revelado, mesmo como jogador, uma inteligência invulgar e, logo que tomou conta do clube do seu coração, procurou colocar um plano que noutros tempos se tinha mostrado de difícil execução. Para o acompanhar, escolheu elementos que já antes se tinham feito notar pela sua forte dinâmica. O seu mais directo colaborador era Pinto da Costa, o homem que chefiava o departamento e comparticipava em toda a estratégia por ele montada. Pinto da Costa movia-se habilmente pelos corredores do poder, possuía uma memória invulgar, e escrúpulos era coisa que se não lhe conhecia. Hábil na utilização do discurso, atacava as suas vítimas com uma certa ironia, mas não tinha contemplações para quem se lhe atravessasse no caminho.
Esta dupla era imbatível, mas perigosa. Ambos já tinham mostrado a sua intuição e poder de manobra quando conseguiram ludibriar o poder que outrora vinha da capital e dos clubes que normalmente dividiam entre si os prazeres da vitória. O certo é que do Norte surgia um intruso a querer também saborear esses incomensuráveis prazeres da conquista. Aquele título, ganho depois de tantos anos de luta contra as mais miseráveis injustiças, era uma lança cravada em terras de Mouros. Um verdadeiro desafio àqueles que usavam e abusavam do poder que possuíam. Mais do que tudo, tinha sido uma vitória do Norte. Os populares rejubilavam com o feito, mesmo a gostarem de outras cores clubísticas. Pedroto surgiu como um herói e passou a ser a bandeira dos humilhados e oprimidos. Lenine não faria melhor.
Mas tanto Pedroto como Pinto da Costa sabiam o perigo que isso representava e prepararam-se para enfrentar novos ataques. Era necessário ser duro na acção e lutar sem contemplações contra o inimigo, mas o presidente do clube e os seus pares não possuíam a estaleca necessária para os acompanhar nesta corrida louca contra a hegemonia da capital. Américo de Sá mais parecia um aristocrata e no futebol os punhos de renda estavam a passar de moda.
- Com o Sá, não vamos a lado nenhum!- choramingou PC.
-Ir, vamos. Mas quando atravessamos a Ponte da Arrábida já estamos a perder!- atirou Pedroto, sempre mais pragmático e mostrando mais uma vez que era um homem que anda sempre um passo ou dois á frente dos restantes.
Pinto da Costa, com a sua cara de bebé chorão e os óculos descaídos sobre o nariz, sorriu e tentou imaginar a melhor forma de dar a volta ao problema. Havia que contar com duas situações, antes do mais. Pedroto era agressivo, competente e justo. Lutava como ninguém e por aquilo em que acreditava e não se deixava “comer por lorpa”, mas preservava os seus amigos e era incapaz de trair quem se envolvesse com ele na acção.
Tinha de se arranjar uma solução ajustada ao prestígio de Américo de Sá.
Todas as noites, Pedroto gostava de um joguinho e cartas, e o seu jogo predilecto era a “ricardina”. O local de encontro e de jogo era a tasca do Ilídio Pinto, também proprietário da mercearia Petúlia. Nas catacumbas, uma nova fé clubística crescia, mas esta estava pronta para soltar os leões sobre o dono do Circo…
Depois de uns copos e de uma conversa animada sobre futebol, a noite acabava sempre na cave da mercearia com o tal jogo da “ricardina”. Ilídio Pinto sofria como ninguém os problemas do clube. O seu maior sonho era ser um dia director do departamento de futebol, mas havia muitos mais candidatos para o lugar, e ninguém o levava a sério. E, que se soubesse, o cargo não era prémio que saísse como brinde do bolo-rei. Mas a inteligência era um dote que não contemplava o Ilídio. Lá que era um homem astuto, era. E lá que estava cheio de dinheiro, disso também ninguém duvidava. E como estava sempre de bolsa aberta para ir em socorro dos problemas do clube, havia que deixá-lo pensar que o sonho um dia se iria realizar. A sua riqueza tinha como base muita poupança e o segredo roubado ao seu antigo patrão da receita da broa de Avintes.
Em poucos anos, apesar de ter a sua mercearia noutra zona, transformou-se no “Rei da Broa de Avintes” e as vendas foram de vento em popa. Os negócios estavam maus, a economia fraca, o País vivia tempos difíceis, e a broa de Avintes sempre era barata e enchia os foles do estômago dos menos favorecidos. E a bolsa do Ilídio.
A noite estava quente, e o ambiente alegre, mas PC chegou de semblante carregado e fez um sinal de cumplicidade a Pedroto:
- Porque é que está com um ar tão «saturno»?
Pedroto quase se desfazia numa gargalhada, mas Pinto da Costa, já habituado ás bacoradas do Ilídio, respondeu com a ironia que lhe era habitual:
- É do tempo, e os astros não ajudam.
Depois de ter dado uma palmada nas costas do Ilídio, adivinhando-lhe as intenções, foi-lhe dizendo:
- Vamos a uma partidinha!
O Ilídio não deixou de mostrar um sorriso rasgado de orelha a orelha. Era daquilo que ele mais gostava. Não se importava de perder todas as noites. A broa de Avintes dava para tudo. O importante era estar com os heróis que fizeram do seu clube campeão. Mandou fechar a loja, meteu o apuro do dia no bolso e foi de imediato buscar as cartas. PC aproveitou a ausência e contou a sua estratégia a Pedroto.
- A melhor forma de conseguirmos levar em frente o nosso plano, é convencermos o Américo de Sá de que o futebol no clube tem de ser totalmente autónomo. Ou seja ele gere o clube e nós tomamos conta do futebol.
- Por acaso não lhe fica nada mal o papel de corta-fitas. Como é que vamos fazer isso? – perguntou PC largando um sorriso cúmplice.
- Ele é capaz de não aceitar essa situação com tanta facilidade.
Entretanto , o Ilídio chegou com o baralho de cartas, e ouvindo as últimas frases, perguntou com um ar de quem não está a entender nada.
- O Américo Tomás vai voltar?
Pedroto piscou o olho a Pinto da Costa e mudou o tema á conversa.
- PC, é desta que vais jogar a «ricardina»?
- Bem sabes que jogo de cartas não é comigo. Os meus jogos são outros.
Chegaram outros convidados para uma partidinha e começou o saque ao Ilídio. Irritado com tanta falta de sorte, o dono da mercearia só via na sua frente o desfiar dos naipes que lhe tinham tocado. Pinto da Costa assistia impávido e sereno ao baralhar das cartas e á forma como eram distribuídas. E pensou: «Um dia serei eu a distribuir o jogo». Algo aborrecido, levantou-se e aproveitando o entusiasmo do Ilídio, subiu á mercearia e começou a retirar alguns chocolates das prateleiras. Voltou a descer e, com o à-vontade que lhe era peculiar, distribuiu algumas tabletes pelos jogadores. O Ilídio também se serviu, sem dar conta que as mesmas lhe foram roubadas, tal o seu entusiasmo pelo jogo.
Pedroto riu-se, e os presentes também não se contiveram. O Ilídio parece ter acordado e, dando uma dentada no chocolate, pensou em voz alta:
- Vocês estão a rir-se muito, devem ter bom jogo. Mas não faz mal, a minha sorte também há-de chegar.
A sorte só lhe chegou no dia seguinte com a venda de mais broa de Avintes.
No final do joguinho de cartas, Pedroto convidou PC para uns fadinhos. Sempre era um sítio recatado para uma conversa a dois. Já só faltava um dia para que a equipa de futebol se apresentasse e nada estava definido em relação à chefia do departamento de futebol.
- O Américo de Sá já me convidou para continuar, mas temos de ter mais poder para fazer frente aos mouros.
Pedroto era um homem de soluções rápidas e não esteve com meias medidas, lançando a sua proposta a PC.
- Amanhã vais falar com o homem e dizes-lhe que aceitas continuar no cargo, mas com algumas condições, e aproveitas para expor o teu plano. Não tenhas problemas, porque o título ganho deu-nos uma tal força, que é difícil haver gente com coragem para nos derrubar.
Confiante nas palavras do “mestre”, PC marcou encontro com Américo de Sá e colocou-o ao corrente do seu plano. Américo de Sá mostrou-se desconfiado e delicadamente disse “talvez sim”, o que bem podia ser traduzido por “certamente que não”. E para que Pinto da Costa não ficasse com dúvidas, o presidente fez mesmo questão de precisar:
- Mas, para já, se quer ficar com o departamento de futebol, fica, embora nas condições anteriores.
PC não estava a contar com aquela resposta e ficou lívido de raiva. Bateu com a porta e saiu, pensando na velha máxima de Júlio César que era para si o referencial da vida: “Antes ser o primeiro numa aldeia que ser o segundo em Roma”.
Pinto da Costa telefonou de imediato a Pedroto e colocou-o ao corrente da situação.
- Temos que nos encontrar com urgência para sabermos o que vamos fazer amanhã.
Pedroto tentou colocar alguma água na fervura e tranquilizou PC.
- Vem já a minha casa, para elaborarmos a estratégia para amanhã.
Em pouco tempo tudo ficou gizado. Os tempos do PREC ainda estavam bem vivos, e se o Américo de Sá se julgava importante, iria ter de se vergar ao poder popular.
Dizia PC:
- Tem calma. Essas coisas não se tratam dessa forma. Em primeiro lugar vamos fazer um comunicado e amanhã revolucionamos isto tudo.
Nessa noite voltaram a encontrar-se na Petúlia para afinarem a estratégia. Mas como não se sabia muito bem no que é que aquilo tudo ia resultar, era melhor colocarem Ilídio Pinto no plano, estabeleceu PC. Pedroto reagiu pela negativa.
- Deixa o Ilídio em paz, porque ele ainda é capaz de nos estragar a estratégia.
- Estás doido. Vamos só dar-lhe um cheirinho. Nunca se sabe se vamos necessitar de dinheiro, e se for caso disso, onde é que o vamos buscar?
Pedroto hesitou, mas acabou por concordar. Convidaram o Ilídio para a reunião e contaram-lhe apenas algumas peripécias do plano. O Ilídio revelou-se eufórico, como quando lhe saía bom jogo. Era mesmo aquilo que ele queria. O Américo de Sá não ia aguentar este ataque e abandonava o clube. O Pinto da Costa passava a presidente, e ele realizava o seu velho sonho: tomar conta do departamento de futebol.
O Ilídio até foi mais cedo para a cama, depois de ter dito ao Pedroto e ao PC que podiam contar com tudo o que necessitassem. Mesmo dinheiro, a quantia que fosse necessária. Logo que chegou a casa, não resistiu. Tirou a bata de trabalho e foi ao roupeiro escolher o seu melhor fato. Vestiu-o, colocou uma gravata, foi a uma pequena gaveta da cómoda e retirou uma braçadeira com uma inscrição bordada a branco: «delegado ao jogo». Passeou-se um pouco no quarto de cabeça erguida e começou a gritar para a mulher, que já estava a dormir:
- Levanta-te que isso não é nada. Vai à esquerda. Vai lá, corre. Corta, passa, chuta que é golo!
A mulher acordou estremunhada e, vendo o Ilídio naqueles propósitos, logo pensou: «Ai que o meu Ilídio ficou maluquinho!»
- Mulher, estás a ver um futuro delegado ao jogo! Amanhã vai haver um golpe de estádio e ninguém mais nos vai poder parar.
A Dona Virgínia, sem perceber o que se estava a passar, pensou: «E mais uma das maluquices do meu marido». E virou-se para o outro lado, voltando a adormecer, pois, de manhã, bem cedinho, tinha que estar no seu posto a fabricar a broinha.
Pedroto foi o primeiro a entrar no estádio e logo que os jogadores chegaram fez uma reunião e contou-lhes o que se estava a passar.
- Rapazes, se queremos continuar a ganhar, a conquistar títulos e a criar fama, temos de manter o grupo unido. Fomos nós que conseguimos realizar o sonho de conquista do título e não queremos ficar por aqui. Tenho a informar-vos que o nosso presidente, Américo de Sá, excluiu o Pinto da Costa do departamento de futebol e, sendo assim, não trabalho com mais ninguém. Fora a ditadura e os incompetentes. Unidos ninguém nos vence.
Um dos jogadores, atento e entusiasmado com o discurso, ainda esboçou a palavra de ordem:
- Os jogadores unidos jamais serão…
Atento, Pedroto travou o entusiasmo do jogador.
- Alto aí! Por esse caminho não, porque às tantas ainda dizem que somos comunistas, e isto não é um golpe de Estado. Isto é apenas um golpe de estádio.
O Ilídio não perdeu pitada do que estava a acontecer. Entusiasmado com a possibilidade de poder realizar o seu velho sonho de chefiar o departamento de futebol, subiu a um banco e apoiou Pedroto:
- É isso mesmo. Isto não é um golpe de Estado, é um golpe de estádio.
Pedroto retirou o chapéu que lhe encobria o «capachinho», fez deslizar os dedos pelos poucos cabelos de que ainda era proprietário, enquanto pensava na melhor forma de fazer sair o Ilídio, para que a bronca não fosse ainda mais longe. Pediu então a todos os presentes:
- Gostava de ficar agora sozinho com os jogadores e a equipa técnica. Ó António, pede aos restantes que saiam!
Novamente na posse do comando da situação, Pedroto explanou as linhas mestras do seu plano, como se estivesse apenas a dar a táctica para o próximo jogo:
- O Américo de Sá não tem o direito de travar a caminhada gloriosa do nosso clube.
Nós assumimos uma grande responsabilidade para com os nossos associados e não podemos desiludi-los. Neste momento, não há outra alternativa. Ou ele ou nós e nós somos a verdadeira glória do clube. Somos os únicos capazes de lutar contra os mouros, de os derrotar novamente, como fez D. Afonso Henriques.
O ambiente voltou a aquecer, e o entusiasmo da maior parte dos jogadores tomou conta da situação. Discutiu-se a melhor forma de enfrentar o problema e ficou acordado escrever-se um comunicado para entregar á Imprensa, dando-lhes conta da situação. Um dos jogadores ainda disse:
- Quem vai buscar uma folha de papel?
Mas Pedroto apressou-se a acrescentar:
- Não vale e pena. Dormi toda a noite sobre o assunto e por acaso até já trago aqui o comunicado feito.
Alguns jogadores ficaram desconfiados. Aquilo mais parecia um golpe de uma organização comunista.
Trabalhadores a quererem tomar conta das empresas tem dado mau resultado. Resolveram logo pôr em causa aquela acção.
Houve alguma discussão no balneário e, como a maioria estava de acordo, resolveram encostar a direcção á parede. Ou aceitavam as condições de Pinto da Costa, ou vamos todos embora.
Mas o tiro saiu-lhes pela culatra. Américo de Sá não se deixou abater pela intimidação e não aceitou as exigências. O escândalo rebentou. Só quatro jogadores ficaram de fora da situação e alinharam com Américo de Sá, os outros foram para a mercearia do Ilídio Pinto.
Os grupos de pessoas com influência no clube dividiu-se. Se era verdade que tanto Pedroto como Pinto da Costa tinham feito uma autêntica revolução no futebol quando ganharam o título, também não era menos verdade que não estava certo que se aproveitassem da situação para assaltar o poder. Moviam-se nos bastidores os mais variados tipos de influências, porque acima de tudo estavam os mais elementares interesses do clube. Os prejuízos podiam ser desastrosos, estavam a perder-se dias de preparação, o campeonato estava á porta e a equipa iria ressentir-se disso se o braço de ferro não terminasse. Sob o comando de um preparador físico, os jogadores treinavam-se nas ruas da cidade e no final cada um ia tomar banho a sua casa. Era o descalabro. Nunca antes se tinha assistido a coisa igual. Estava na hora de o Ilídio entrar em cena. Reuniu-se com Pedroto e PC e perguntoulhe o que é que podia fazer para ajudar. Sentiu-se de imediato um brilho nos olhos de PC. Estava ali a resolução para parte do problema.
- Precisamos de dinheiro para pagar o estágio aos jogadores. Vamos mandá-los para onde ninguém os encontre. Assim, eles podem trabalhar em paz, até que tudo isto se resolva. Temos também de lhes garantir os vencimentos no final do mês. Ilídio, você arranja dinheiro para fazer face a estas despesas?
O Ilídio gostava de se sentir útil. Era ele que ia resolver o problema. A carteira era a sua divisa e colocou-a ao dispor da situação. Aquele estava a ser um dia bom, pois já vendera 500 broas.
Os jogadores hospedaram-se numa estalagem junto ao pinhal e tudo se complicou ainda mais. Toda a gente queria saber onde estavam os craques. A imprensa procurava e não encontrava. Criaram-se grupos de espiões de parte a parte. A pressão aumentava, e o Ilídio tinha de retirar os seus dividendos. A sua oportunidade não tardava, mas toda a gente tinha de ficar a saber que era ele que estava a financiar a situação. Mandou chamar um jornalista amigo e confessou-lhe:
- Fui eu que dei o dinheiro para o estágio . Eles estão.. bzzzzzzzzzzz
No outro dia, os jogadores voltaram a ser «assaltados pela malta dos jornais. Novo escândalo. Américo de Sá não dava sinais de fraqueza. Resistiu a todos os tipos de pressão. Foram reuniões, mais reuniões e assembleias gerais. Mas o presidente e os seus homens não recuaram um milímetro que fosse.
Vencidos pelo tempo e pela persistência, todos os jogadores recuaram. Todos…menos um: António Oliveira.
Pedroto e Pinto da Costa ficaram sozinhos. Américo de Sá tinha vencido. Contratou um novo treinador e ofereceu a chefia do departamento de futebol a um homem da sua confiança.
O Ilídio é que não perdeu tempo. Quando viu as coisas mal paradas, resolveu virar-se para o outro lado. Telefonou ao Américo de Sá e defendeu-se:
- Olhe que aquilo do dinheiro do estágio não fui eu que dei. É tudo mentira. O presidente já sabe que pode contar comigo. Se for necessário contratar jogadores e um novo treinador, já sabe que não há problema nenhum!
Ninguém tinha dúvidas de que iria ser necessário muito dinheiro, e no clube não abundavam os mecenas. Numa situação destas, o Ilídio podia vir a ser muito útil.
Pinto da Costa, Pedroto e o «capitão» de equipa, António Oliveira, mantiveram as duas posições. Tinham sido derrotados, mas não havia nada a uni-los. Cada um que se safasse da forma que lhe desse mais jeito.
Pedroto, sem abandonar a mania da conquista da capital aos Mouros, instalou-se na terra de D. Afonso Henriques.
- A luta continua. Vai ser aqui que me vou inspirar para voltar a conquistar o poder.
Levou com ele o António, seu adjunto. O preparador físico também tinha desertado e procurado encosto no grupo de Américo de Sá. Só mesmo António Oliveira resistiu, preferindo o desemprego á humilhação de voltar atrás. Tinha assumido uma posição e mantinha-a, mesmo que agora pensasse que tudo estava errado.
- Vamos com calma. Roma e Penafiel não se fizeram num dia.
Dito isto, virou á esquerda, travou a fundo e abriu a porta a uma miúda que por ali estava encostada a um candeeiro.
jason statham disse
Um tal de Guímaro…
José Guímaro estava no centro do estádio. Apitava. E o povo aplaudia. Os jogadores choravam de emoção. As principais estações de TV tinham para ali destacado os seus melhores repórteres, grande parte deles ainda imberbe. E ele, no centro do terreno, apitava, o povo aplaudia, os jogadores choravam e as televisões filmavam sem pausas para a publicidade. Disputava-se a final do campeonato do mundo de futebol. E o melhor em campo só podia ser ele, o árbitro. Ele, José Guímaro.
Trrrrrriiiiiiiiim! Não, não era o apito. Era a campainha da porta. O povo já não aplaudia, os jogadores não choravam e as TV´s não gravavam. Ao acordar, num sobressalto, José não conseguiu mesmo evitar o penico, que se derramou sobre as pilosidades generosas da carpete comprada há duas semanas na Feira de Espinho. O dia começava mal para José e, que soubesse, não se previa nenhuma final mundial.
No quarto, ainda na penumbra, um peixe vermelho nadava no aquário e um Buda jazia numa floresta de bibelôs. Num canto, as pantufas azuis de José brilhavam, com as lantejoulas a reflectirem o emblema do clube que mais ganhos lhe tinha dado.
- Quem é? – perguntou, já na sala, agarrado a um galgo de louça que tinha comprado há um ano numa viagem a Barcelos.
- Polícia! Judite! – ouviu do outro lado. José beliscou-se. Seria um pesadelo? Não era. O relógio do vídeo piscava, anunciando que faltavam cinco minutos para as sete horas.
- Abra. Temos um mandado de busca! – voltou a ouvir.
- Provavelmente, bebi de mais a noite passada – ainda pensou José. – Polícia? Não pode ser, eles disseram-me que…
A porta caiu ao segundo pontapé, abrindo uma série de comentários que ainda hoje ninguém sabe a quem atribuir.
- Mas o que é isto?
- Que cheiro…
- Que fazem aqui estes homens, Zé?
- Estou feito…
- Calma, Zé, isto só pode ser brincadeira…
- Brincadeira? Só se for de mau gosto.
- Meus senhores, isto é muito sério.
- Mas eu estou inocente…
- É o que vamos ver…
Aqui, as luzes acenderam-se. E também se fez luz na cabeça de José. Alguém o denunciara à polícia. E foi então que desmaiou, urinando pelas pernas abaixo. Lá fora, na pacata aldeia de José, Rex, o cão de estimação de toda a gente, morria de ataque cardíaco depois de mais uma aventura com «Lacie». Na loja do Senhor Gomes bebiam-se os primeiros bagaços do dia, e um pouco por todo o País dormiam em paz os senhores do futebol. Mas naquela casa, naquela modesta casa, as sombras agitavam-se na luz. E o cheiro da urina impregnava o ambiente. José arribou um pouco mas continuava no mesmo pesadelo. Voltou a desmaiar e cagou-se. Um polícia vomitou e o outro pediu uma cerveja. Iniciava-se a investigação. Quando bebia o segundo gole de cerveja, o agente Marques descobriu a garrafa de leite. Que não tinha leite, mas dólares. E no meio dos dólares, lá estava A PROVA. Um cheque!
Guímaro voltou a recuperar os sentidos. Mais calmo, mas sempre a cheirar mal, começou a responder às perguntas dos polícias sentado num sofá de pele de camelo que comprara em Marraquexe, ao que disse, embora desde logo um dos agentes desconfiasse que tal mastodonte tivesse viajado mais de mil quilómetros até ali estacionar.
- De quem é este cheque? – perguntou, tentando ser duro, um dos agentes, o Pires, cuja maior ambição era ser plantador de Kiwis na costa alentejana.
Guímaro hesitou, pigarreou e, vendo que não podia fugir da questão, acabou por dizer:
- É de um dirigente desportivo e foi para comprar leite.
- Leite?! – reagiu o agente Marques, que também era bombeiro voluntário nas férias grandes, em Bemposta.
Dali já não saía mais nada. E o cheiro!… Por isso, os agentes tomaram uma decisão:
- Vá lavar-se que está preso!
Enquanto Guímaro se vestia, Pires e Marques aproveitaram para lhe revistar o automóvel, um «Volvo» topo de gama. No porta-luvas, encontraram dois bilhetes de avião para Madrid e uma miniatura da Nossa Senhora de Fátima. No banco traseiro, os jornais desportivos, espalhados, não deixavam dúvidas: o nível técnico de Guímaro encontrava-se algures entre a bosta de vaca e o vomitado de canguru.
Mas nem era bom falar nessas coisas, pois os agentes da PJ ainda estavam enjoados com o cheiro que encontraram dentro da modesta vivenda de José. Antes de partir para Lisboa, Marques quis voltar ao quarto de Guímaro. Debaixo do colchão, encontrou duas promissórias de cinco e doze mil contos. O importante era o cheque. Podia ser mesmo mate. Mas, apesar da anestesia mictórica e afins, o faro policial dos agentes ainda conseguiu percepcionar uma agenda sob o telefone.
- Porque é que tem aqui o nome do Senhor Adriano Pinto? – perguntou o Pires.
Guímaro apertou o nó da gravata e, sabendo que não podia encobrir o nome de um dos grandes barões do futebol, respondeu um pouco envergonhado:
- Esse número é da minha mulher…
- A sua mulher tem negócios com o Senhor Pinto?
- Não é bem isso – disse Guímaro -, acontece simplesmente que eles são muito amigos, e como eu apito sempre jogos longe de casa, o Senhor Pinto faz o favor de passear ao domingo com a minha mulher. É muito simpático da parte dele.
A mulher de Guímaro é que continuava a não falar. A filha chorava num canto da sala. E assim partiram para a capital.
O dia nascia quente. Nos campos, os homens iniciavam a faina, e um «TIR» punha as tripas do Rex de fora, fazendo rolar a sua cabeça para a valeta, onde ficou de olhos abertos, como se estivesse atento à partida de Guímaro para Lisboa, algemado, no banco de trás de um reles Fiat «Tipo» apenas de três portas e com o escape meio roto. Ao mesmo tempo, outras brigadas da «Judite» atacavam noutros pontos do País. A «Operação Golpe de Estádio» estava finalmente em marcha.
Na casa de Reinaldo Teles, na cidade do Porto, este conhecido dirigente preparava-se para se deitar quando a campainha soou. Eram sensivelmente 7 horas, e a madrugada já se apresentava quente.
- Polícia!
Reinaldo, empresário da noite, ex-campeão de boxe, como lá mais para diante se verá, fez a sua melhor pose para enfrentar os agentes, tentando adivinhar o que é que se estava a passar. Num primeiro momento, pensou que tinha sido traído por uma das suas putas e talvez por isso é que exclamou…
- Puta de vida!
A polícia entrou e inquiriu:
- Onde guarda os documentos?
- Que documentos?
- Documentos.
Reinaldo quis saber mais.
- Isso tem a ver com droga?
Irritado, Borges, o agente 23 da 2ª secção, abanou a cabeça.
- Não, se tivesse a ver com droga não tínhamos tocado à porta. E agora deixe-se de conversa e mostre-nos os documentos.
- Droga de vida! – voltou Reinaldo a descair-se. Reinaldo mostrou o passaporte e o bilhete de identidade.
- Já visitei 24 países! – disse, sem que ninguém registasse o menor espanto.
- Já fui à Letónia! – insistiu.
- Queremos mais! – gritou o Borges com aquele olhar parado que a malta lá na «Judite» tentava sempre evitar, pois era sinal de que o dia não estava a correr bem ao agente 23. Nessas ocasiões, Agostinho, o seu parceiro contava até 24.
Reinaldo pressentiu o perigo e abriu o cofre. E os agentes foram rápidos na busca.
- Quem lhe deu este cheque? – quis saber o Borges.
Reinaldo quase foi fulminado pela pergunta, mas aguentou o «murro», pois era homem para não se ir abaixo facilmente e não queria deixar ficar mal o patrão. Reinaldo o que queria era morrer. Pensou que tinha terminado ali a sua fulgurante carreira de dirigente desportivo. Num curto lapso de tempo, recordou a sua ascensão no clube que sempre amou: chulo, pugilista, seccionista, segurança, amigo pessoal do patrão, seu confidente e, finalmente, único homem em quem ele confiava.
- E eu a pensar que um dia seria tão famoso como a Carmen Miranda – disse baixinho.
A documentação encontrada foi considerada insuficiente para determinar a prisão imediata de Reinaldo Teles. Embora relutantes, os agentes retiraram-se, não sem antes admirarem uma reprodução de «Mona Lisa» que lhes sorria no corredor de acesso à porta principal da casa de Reinaldo. Reinaldo estava aliviado e correu atrás dos agentes.
- Senhor Borges, não quer um café.
- Não senhor, prefiro um poema – e bateu com a porta na cara de Reinaldo, que estava longe de pensar que o agente 23 ia aos jogos de futebol para se inspirar. O estádio para ele seria sempre «um pequeno búzio onde murmura o mundo», como um dia escreveu o poeta Álvaro Magalhães. «Mas isso é muito areia para a pick-up do Reinaldo», pensou, enquanto entrava no seu automóvel com aquele olhar parado muito especial que levou o seu colega a preferir regressar à sede montado num velho autocarro: o «78».
Na sua casa, ainda descalço, Reinaldo Teles respirou fundo, mas o telefone já tocava.
Do outro lado da linha, tremendo de medo, ouviu-se a voz do seu fiel amigo Jorge Gomes, ex-jornalista e ex-bate-chapas promovido à pressão como paga de favores no tempo da sua meteórica ascensão como dirigente desportivo, num ano da grande seca que rebentou com os stocks da «Super Bock».
- Revistaram a minha casa, Reinaldo.
- Também a minha foi revistada, Jorge. Estamos feitos.
- Tem calma, pá, o chefe tem muita força. É intocável.
- Mas nós não somos…
- Ouve lá, mas não estás filiado no partido?
- Estou, mas para que é que isso serve? Pá, vamos é ter calma, não te enerves, o general não nos vai deixar cair, com medo que a gente chibe. Levaram-me um cheque, Jorge. E aí, encontraram alguma coisa?
- Não sei, ainda não vi bem. Mas eu estava limpo. Quiseram apenas saber como é que eu levava um vida tão boa a ganhar apenas 90 contos por mês. Os gajos até sabiam que eu tinha dado um apartamento à minha amante…
- Tamos feitos!
- Calma, Reinaldo, agora sou eu que te digo para teres calma. Ainda não fomos dentro.
- E terá ido alguém?
- O Guímaro?! A esta hora já está preso…
- Mas desliga o telefone que já deve estar sob escuta. Vamos falar disto com o chefe, no clube.
Reinaldo bebeu um café que a mulher, Luísa, lhe serviu antes de sair de casa e mandou a filha comprar os jornais desportivos.
- Vamos matar o filho da puta que nos denunciou – atirou, entre dentes, e a salivar pelo canto esquerdo da boca.
Para recordar velhos tempos, fez um movimento de pernas, golpeou o ar com um gancho de esquerda e terminou com um directo aos queixos de coisa nenhuma. O peixinho vermelho do aquário boiava de barriga para o ar.
- Porra, quantas vezes tenho de dizer que não se pode dar comida a mais ao animal, minha besta! – berrou Reinaldo, entornando o café nas calças de linho, o que o levou a mais um movimento de pernas que a idade já não lhe consentiu, pois terminou estatelado no tapete de Arraiolos que tinha à entrada da casa de banho.
- Puta de vida – gemeu, com um bolbo já a crescer-lhe na canela.
A polícia tinha colocado em marcha uma operação de grande envergadura. O objectivo era claro: apanhar a rede de corruptores e corrompidos envolvidos no mundo da arbitragem portuguesa. A operação nascera há vários meses, após algumas denúncias. Os jornais desportivos tinham-se mesmo antecipado à investigação policial. E, no meio futebolístico, as histórias sucediam-se. A polícia não podia ignorar mais o que se passava nos bastidores da bola.
A organização tinha quatro anos de histórias de malandrice. A rede era já um polvo.
Do artesanato dos primeiros tempos, passara-se ao mais refinado profissionalismo. A empresa, altamente lucrativa, mas sem nome ou registo comercial, movimentava, por semana, milhares de contos. Isentos de tributação, o que ainda dava mais gozo…
Reinaldo era o operacional. O patrão era, obviamente, Pinto da Costa. E Jorge Gomes nunca se importava de sujar as mãos e de dar a cara. Os outros dois desconfiavam mesmo que seria capaz de se submeter a uma lobotomia por amor à causa (amigos do círculo mafioso garantiam mesmo que isso já tinha acontecido). Não era necessário mais ninguém nas operações especiais.
Era tudo muito claro: metade de cada aposta para eles, outra metade para os árbitros.
Os «patos» estavam sempre dispostos a entrar com muita massa, principalmente na recta final do campeonato. Quando as provas principais se iniciavam, o estado-maior decidia logo quem subia e quem descia, na certeza de que era nos escalões mais baixos que mais alto se ganhava.
Eis um bom exemplo do sucesso desta empresa sem nome: um clube da I Divisão investiu no final do campeonato, 50 mil contos para evitar a descida. O dinheiro foi entregue a Jorge Gomes.
Mas o clube desceu, pois por vezes a bola teimava em ser mesmo redonda. Ou, se calhar, foi o Jorge que se esqueceu dos pagamentos.
Quando a polícia começou a investigar, pensou que seria fácil apanhar os tubarões. Mas rapidamente percebeu que tinha de usar um isco de alta qualidade. Não chegava armadilhar um cheque. Aliás, essa tinha sido uma táctica que o advogado (Lourenço Pinto) do patrão tinha usado para fazer o seu show-off, apanhando assim um juiz de campo que estava mais que chamuscado. De um dia para o outro, com a polícia em campo, a música deixou de se ouvir, os pares imobilizaram-se no meio do salão e alguém gritou, quase em pânico: «Chamaram a polícia!». Desde esse dia, tudo mudou. Os árbitros fugiam como o Diabo da cruz de qualquer contacto, o volume de negócios caiu abruptamente e uma calma de morte instalou-se no mundo da bola. O gestor da conta de Jorge Gomes ousou até perguntar-lhe se estava a pensar mudar de banco, o que provocou no titular da segunda maior conta daquela agência uma reacção eléctrica:
- Homem, não me fale em bancos que me faz lembrar os tribunais…
A caminho de Lisboa, José Guímaro contava os marcos quilómetros. «Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, mais um quilómetro, um, dois…»
- Cala-te, pá, que ainda me fazes dormir! – gritou o agente Pires, que era quem conduzia o Fiat «Tipo».
- Deixa-o lá, pá, ao menos o gajo demonstra que sabe contar.
Guímaro ia responder com uma «contas é comigo», mas travou a tempo.
- Quero mijar – disse baixinho.
Os agentes não ouviram bem.
- O quê?
- Quero urinar – corrigiu, pensando que se tinha excedido.
O «Tipo» encostou à berma da estrada nacional, e Guímaro foi convidado a sair. Os dois agentes discutiam alguns pormenores da missão quando o voltaram a ouvir.
- Senhores, algemado não posso fazer chichi…
Mas teve de fazer.
- E faz tudo agora! – gritou o agente Pires.
- Mais cedo ou mais tarde, o gajo vai deitar tudo cá para fora – juntou o seu colega de profissão.
Mas Guímaro riu-se para dentro. O problema principal, afinal, era não poder fazer uma mijinha a tempo e em condições. O resto, ia resolver-se. «A propósito» – pensou -, que «será que o patrão já sabe o que me aconteceu?». Foi uma pergunta fatal. Depois dela Guímaro, perdeu a conta aos marcos quilométricos.
- Não te esqueças, temos de parar em Rio Maior para comprar um pão-de-ló – fez questão de avisar o Marques, acendendo mais um «suave».
O dia prometia ser longo e quente. O «Tipo» derrapou ligeiramente numa curva e desapareceu no lusco-fusco, preparando-se para ultrapassar um comboio de camiões. O castelo de Pombal continuava no seu sítio. O Marques nem por isso…
O patrão, o chefe, ele, já sabia. E já esperava. Melhor do que ninguém, ele sabia que aquilo um dia ia acontecer. Aliás, já tinha até avisado os adeptos do seu clube para as possíveis manobras das forças da ordem. Coisas de filmes, pensou, antes de passar à consulta dos recortes de jornais, devidamente destacados a amarelo por Jorge Gomes, mestre na confecção de coisas miúdas e autor de uma obra prima na restauração de um Fiat 600 que fora esmagado por uma «Berliet».
Pinto da Costa, ele, o chefe, pois, o patrão, o «boss», pediu à telefonista que lhe bloqueasse a linha. Precisava de reflectir. Com a gatinha de estimação no colo, sentou-se no sofá e perdeu-se nas suas recordações.
Há 20 anos…
jason statham disse
ó coiso, quer mais? Faço-lhe a vontade.
Aproximavam-se novas eleições e Pinto da Costa ia ganhando terreno. O treinador Austríaco (Hermann Stessl) que fora convidado para tomar conta do seu clube sob a gerência de Américo de Sá não estava a dar conta do recado. Os sócios habituaram-se aos títulos e queriam mais, mas a bola teimava em não entrar na baliza.
Enquanto isso, PC esfregava as mãos e preparava a sua candidatura. Os apoios eram cada vez mais fortes, e uma nova estratégia foi colocada em movimento. Ele tinha de apostar forte na vitória eleitoral e, aproveitando os maus resultados da equipa, organizou por todas as freguesias da cidade sessões de esclarecimento com uma programação meticulosa. Iniciava-se, assim, a «Operação Ácido Sulfúrico», cuja alternativa, em caso de falhanço, tinha o nome de código de «Operação Cicuta».
Na organização dos seus comícios, PC deu sempre preferência aos bairros pobres e à parte velha da cidade. Era aí que estava o povo e a força do clube. PC organizou o seu staff comandando um grupo de associados aos quais impôs serem eles a obrigarem-no a partir para uma candidatura. Desenvolveu-se então o célebre grupo dos 500, do qual saíram elementos devidamente comandados que se distribuíam pelos cantos das salas onde eram organizadas as tais sessões de esclarecimento. A missão deles era empolgar as sessões e fazer perguntas previamente combinadas com Pinto da Costa.
Numa dessas noites, na Associação Recreativa de Miragaia, foi assim:
- Presidente, qual é o principal inimigo do clube?
- Antes de mais, repito, ainda não presidente…
Gargalhada geral, e PC tomou as rédeas à sala, não evitando porém a queda de estuque sobre o novo casaco.
- O principal inimigo está dentro do clube, o servilismo a Lisboa. Estamos fartos de ser espoliados. Chegou a hora de dizer «basta».
Com uma cajadada, PC matava dois coelhos. Para além do mais, o discurso saía-lhe cada vez mais com mais facilidade e tudo era acompanhado, comentado e analisado pelo imprensa desportiva e jornais diários. A cidade e Américo de Sá viviam sob o fogo cerrado de Pinto da Costa. O presidente já não podia sair á rua sozinho, e as assembleias gerais eram cada vez mais escaldantes, levando mesmo o doutor Sá ao desespero e a chorar em público. Foi nessa altura que Reinaldo Teles teve o seu papel mais importante. Organizou um grupo de guarda-costas recrutados nos quadros da secção de boxe do clube que, com alguns rufias nocturnos á mistura, organizou alguns ataques a jornalistas que de uma forma ou outra denunciavam a protecção a Pinto da Costa. Evidenciando alguma inteligência e revelando o seu carácter de hipócrita, Reinaldo Teles verificou que a derrota de Américo de Sá era mais que evidente, e assim se foi distanciando da protecção que prometera ao seu presidente. Algumas figuras notáveis da cidade aliaram-se a Pinto da Costa e, no momento das eleições, a derrota foi fatal para Américo de Sá.
Pinto da Costa tinha conseguido realizar o seu sonho, levando como trunfo o seu grande amigo e companheiro de luta Pedroto, o técnico que tinha conseguido o título para o seu clube.
Fernando Gomes, o ponta de lança mais cobiçado, tinha sido emprestado a um clube Espanhol e serviu de bandeira para ajudar á vitória. Também ele regressou. Mas António Oliveira, o ex-capitão que nunca se deixou dominar pelos desígnios de Américo de Sá, recusando-se terminantemente a regressar ao clube, passou por momentos bem difíceis.
Não de ordem económica, mas psicológica. Tinham-lhe sido vedadas todas as entradas numa equipa que estivesse ao seu nível. Foi marginalizado e refugiou-se num grupo de amigos, não recebendo a ajuda de ninguém, mesmo de Pinto da Costa, pelo qual deu a cara. António Oliveira era uma vedeta do nosso futebol, uma estrela, um génio, e não podias ser esquecido. Foram meses de desespero. Foi sair da ribalta para o anonimato, mas nada vergou a personalidade deste jogador, Ficou sozinho, mas manteve a classe que sempre foi a sua imagem de marca.
Sem clube e sem a mínima vontade de treinar, refugiou-se no ambiente nocturno tão ao seu gosto. Copos e mulheres eram a alma que mantinha de pé a forte estrutura psíquica do «Caddilaque» – apelido que carinhosamente lhe fora colocado pelos amigos mais chegados. Eram bacanais atrás de bacanais devidamente organizados no seu apartamento. Por aquele espaço passaram os melhores ballets de inglesas que actuavam nos casinos nortenhos, as melhores strip-teasers, as habituais frequentadoras das discotecas e também travestis que satisfaziam as delícias de algumas convidadas lésbicas e bissexuais. Sexo em grupo era o prato forte.
Após alguns meses de paragem, António Oliveira resolveu voltar à actividade, mas antes, na companhia de alguns amigos foi passar uns dias a Bordéus, onde esteve a ajudar na vindima. E só no seu regresso, com um visual totalmente novo, de cabelo encaracolado e sem bigode, aceitou um convite do clube da sua terra natal (Penafiel).
Tinha uma equipa modesta, mas como era treinador-jogador, abria uma actividade totalmente nova no nosso futebol, revolucionando o sistema e isso teria sempre um enorme impacto mediático. Era a demonstração cabal de que António era, de facto um homem inteligente, que sabia estar e conhecia o terreno que pisava. A sua estrela voltava a brilhar e de tal forma que logo foi cobiçado por um grande clube da capital.
António não sabia viver sem a companhia do seu irmão, o Joaquim Oliveira. Foram sempre muito chegados. O Joaquim Oliveira tinha uma discoteca de alternos e rivalizava com Reinaldo Teles. O seu mundo eram as putas, tal como Reinaldo, de quem diferia muito em termos de personalidade e carácter. Reinaldo era um valentão. Joaquim Oliveira era pacífico e não era chulo, muito pelo contrário: chamavam-lhe andor porque gostava de se rodear de putas e pagar tudo. Todas as noites promovia ceias com dançarinas e também com algumas miúdas ligadas aos alternos. Levava sempre consigo amigos para se querer impor e provar que também era alguém. O negócio não dava para tudo, e vieram as dificuldades. As dívidas aumentaram e, com a ida do seu irmão para um clube da capital (Sporting) tudo piorava. Vieram as penhoras. E logo que António Oliveira se impôs no seu novo clube, tratou de arranjar um negócio para o seu irmão, uma queijaria nas imediações do estádio, onde era normal alguns jornalistas abastecerem-se sem pagar ou apenas por um preço simbólico (mantinha-se assim a tradição de «pato»). O irmão, pelo seu lado tinha-se assumido novamente como jogador treinador e, com a ajuda do seu novo presidente, resolveu abrir uma agência de contratações de jogadores. A sua missão era contratar jogadores não só para o clube do seu primo, mas também para os outros.
Foi criada a Olivedesportos.
Mas Joaquim Oliveira não estava talhado para esta missão cuja actividade em Portugal ainda era muito pouco reconhecida. A fuga acabou por surgir através de um sistema de publicidade montado nos estádios, explorando os painéis. António e o seu irmão Joaquim continuavam de boas relações com Pinto da Costa, mas este quando, quando foi eleito presidente, resolveu encetar uma pequena guerra com João Rocha, ex-imigrante nos «States» e presidente do clube onde António estava a jogar e a treinar (Sporting). As relações entre ambos esfriaram até á altura em que Pinto da Costa resolveu tentar trazer novamente o António para o seu clube, mas o jogador manteve sempre um comportamento de grande responsabilidade. Para além de alguns defeitos, tinha uma grande virtude: nunca esquecia os seus amigos. João Rocha fora o homem
que lhe dera uma nova oportunidade para voltar ao top do futebol português, que o ajudou a montar a agência de publicidade para o seu irmão num momento difícil para ambos, e António não podia de forma alguma esquecer tudo isso. Recusou o convite, mas Pinto da Costa não perdoou.
A guerra estabeleceu-se entre ambos até ao ódio e continuou até muito depois de António ter abandonado o clube da capital e optado pela actividade de treinador.
António e o seu irmão nem queriam ouvir falar em Pinto da Costa. «Dá comichão só de pensar nele», dizia um deles, o mais novo, mas claramente o mais esperto. A guerra entre os dois clubes e os respectivos presidentes foi aumentando. Pinto da Costa tinha feito com que o seu clube voltasse às vitórias e aos títulos e, como sempre foi amante de uma guerrinha, mantinha a sua bem acesa com João Rocha. A estratégia era de Pedroto:
- No Norte só há um clube com força e na capital há dois, por isso só há uma forma de os poder dividir e lutarmos contra eles. Temos de estar sempre bem com um e abrir guerra ao outro.
Pinto da Costa absorveu a filosofia do «mestre» e acrescentou:
- Tens toda a razão e até podemos alternar essa guerra, abrindo fogo sempre sobre o clube que estiver em melhores condições para poder lutar pelo título.
Frustrada a tentativa de levar para o seu clube o António e em resposta a João Rocha por este ter ripostado com a contratação de dois jogadores da sua equipa, Pinto da Costa numa acção relâmpago contratou um miúdo que na altura estava a dar nas vistas no clube do seu inimigo João Rocha. Nessa altura, estava longe de imaginar que seria aquele jogador que iria dar início ao seu grande golpe de estádio. O miúdo morava no Montijo e era anunciado como um craque de eleição. Mas o clube de Rocha abriu a guarda e, numa noite de lua cheia, um funcionário do clube rival do Norte acelerou no seu Renault até ao Montijo, não se esqueceu de comprar no caminho um pão-de-ló em Rio Maior para oferecer à família do rapaz e trouxe-o para a «Invicta», onde o craque se manteve como que sequestrado durante alguns dias. «É o Eusébio branco», dizia-se, se calhar com alguma legitimidade. O craque era conhecido pelo nome de guerra de Futre.
Entretanto, Reinaldo Teles, depois de ter abandonado Américo de Sá, mesmo antes de este ter perdido as eleições, insinuou-se perante PC e, como este ainda não se tinha esquecido da dimensão das dificuldades que lhe foram criadas pelo rapazinho que era treinador de boxe do seu clube, achou por bem abrir-lhe a porta e oferecer-lhe o lugar de chefe se segurança. Reinaldo Teles, consta, mandou abrir duas garrafas de champanhe «Moelas & Cabron», marca que o Fuinha, um dos seus empregados, não conseguiu encontrar no mercado, mas no fim ninguém reparava que era apenas «Raposeira» o néctar que entrondeava.
Pedroto nunca esteve muito de acordo com essa acção. Era um indivíduo seguro, competente e com grande personalidade e não gostava muito, nem sequer apoiava, acções de violência ou de alguma forma marginais. Lutava por aquilo em que acreditava e tecia estratégias para a sua luta, contestando, vociferando e acusando de uma forma directa.
Tornou-se polémico, irreverente e estabeleceu uma acção de combate virada essencialmente para a arbitragem, cujo controlo partia da capital. Por isso, contratou para a sua equipa um ex-jornalista (Luis César) com a mania das estatísticas, e a sua primeira missão foi a de elaborar um ficheiro de todos os árbitros de 1ª categoria, contendo o maior número de informações. Nome, morada, actividade extra, número de filhos e datas de nascimento de toda a gente do agregado familiar. Como era contra a violência, e Pinto da Costa não se cansava de gabar os dotes de Reinaldo Teles, Pedroto pediu ao presidente para lhe entregar a missão de ir a casa dos árbitros no dia do aniversário destes ou de um dos seus familiares para entregar uma pequena lembrança, independentemente do facto de esse árbitro ter ou não ter apitado qualquer jogo do clube. Era o início de uma operação de charme que resultaria em pleno.
- Reinaldo, hoje tens de ir a Setúbal entregar uma prenda para o filho do árbitro Carlos Fortes, que faz anos- pediu, certo dia, PC.
Reinaldo Teles, sempre pronto para estas acções, lá rumou até Setúbal com um fio de ouro e uma medalha gravada com o nome do filho do árbitro. Mas, quando lá chegou, não encontrou ninguém em casa. Uma vizinha, que estava na varanda a estender roupa, disse-lhe que tinham ido todos a casa da sogra festejar os anos do miúdo. Reinaldo não perdeu tempo:
- Sabe dizer-me onde mora a sogra?
- Mora em Lisboa – respondeu a vizinha, dando de imediato a respectiva morada.
Reinaldo atravessou a Ponte e uma hora depois lá estava na casa da sogra de Carlos Fortes para entregar a respectiva prenda ao filho do árbitro.
Cenas como esta sucederam-se, e todos aceitavam com agrado tamanha amabilidade.
Era um gesto bonito e que ninguém podia condenar. Não estava em causa qualquer jogo ou favor, mas uma amabilidade que não era muito normal no futebol.
Pinto da Costa e Pedroto tinham escolhido a pessoa ideal para executar tal missão.
Reinaldo Teles era bem sucedido quando espelhava a face da inocência, do desinteresse, do bom amigo.
Foram dezenas e dezenas de missões como esta que deram entrada a Reinaldo Teles na intimidade dos árbitros. Depois de um gesto daqueles, era normal que convidassem Reinaldo para um brinde ou mesmo para ficar um pouco na festa familiar. Nasceram amizades e compadrios. Convites para encontros mais para o Norte e de preferência no seu bar de alternos, com mulheres e copos disponíveis. Luísa tinha tomado conta do negócio, e a sua experiência de mulher da vida muito batida ajudava a controlar e a organizar umas cenas de sexo com as miúdas escolhidas pelos árbitros que visitavam Reinaldo no seu estabelecimento.
Pedroto desconfiava da situação e andava assustado com o negócio, mas a doença tomou conta dele e perdeu força, muito embora comandasse todas as operações e estabelecesse estratégias a partir do seu leito, com a cumplicidade do seu fiel adjunto António.
Pinto da Costa não gostava da política que estava a ser adoptada e, picado por Reinaldo Teles, com quem tinha relações já muito estreitas, começou a trair o seu grande amigo Pedroto.
Reinaldo sabia que o técnico não gostava muito do seu estilo nem apoiava algumas das suas acções. Queria dar dignidade ao clube, e um chulo não seria a personagem ideal para representar em diversas acções a grandiosidade do projecto que ele queria atingir.
Reinaldo Teles sabia insinuar-se perante as pessoas. Começou a convidar o presidente para uns copos no seu território. PC nunca se tinha visto rodeado de tantas mulheres. Tinha uma educação de seminarista e nunca lhe passara pela cabeça trair a sua mulher, mas um dia não resistiu às investidas de uma das funcionárias do seu grande amigo Reinaldo Teles. A mulher tinha sido bem escolhida por Luísa e educada por Reinaldo. PC sentiu-se no céu, quando desceu ao leito do amor. Nunca tinha vivido experiência como aquela. Deu consigo a pensar:
- Como é que foi possível andar 40 anos sem conhecer uma experiência como esta?
Reinaldo tinha ganho a sua primeira batalha. O presidente ficou agarrado a ele através do amor de terceiras (e de quartas, quintas, sextas… não sendo também incomum aos sábados…). Vieram outras experiências, outras mulheres e Pinto da Costa andava eufórico.
Depois de Pedroto ter morrido, Reinaldo Teles passou a ser o expoente máximo de Pinto da Costa, e os outros vice-presidentes do clube não andavam nada contentes com a situação. Um dos grandes amigos de PC chegou mesmo a comentar:
- O PC tem uma cabeça extraordinária. O seu mal foi ter começado a ir ao pito aos 40 anos.
Isto dito assim nem parece nada, mas a verdade é que a vida nocturna transformou por completo Pinto da Costa, que pensou, por momentos, ter alcançado o paraíso na Terra.
Reinaldo Teles tinha uma influência extraordinária sobre PC, levando-o mesmo a dizer que só confiava em Reinaldo e no seu gato. Luísa geria o «Play-Girl», o novo bar de Reinaldo, com uma eficiência extraordinária, mas não passava de uma ex-puta, ou mais propriamente de uma puta reformada, mas ainda com boa pinta. A amizade entre ela e PC tinha aumentado graças aos excelentes encontros que ela lhe ia conseguindo com as suas melhores raparigas.
A ligação de Reinaldo Teles ao futebol proporcionava-lhe bons negócios e passos gigantescos na sua ascensão na direcção do clube. A acção de charme com os árbitros evoluía cada vez mais. Os dirigente que não aceitavam Reinaldo iam sendo afastados. Mesmo aqueles que já tinham uma amizade de longos anos com Pinto da Costa. O sexo tinha tomado conta da mente do homem e não havia nada nem ninguém capaz de o fazer parar e encarar a situação de uma forma mais digna. A assiduidade de Pinto da Costa era quase diária e não havia forma de alterar os hábitos adquiridos. As mulheres desfilavam pela sua mesa e ele só tinha de escolher qual queria comer e a forma como o queria fazer. Era norma ser o patrão o primeiro a experimentar as novas empregadas, mas essa função no «Play-Girl» passou a pertencer a PC.
Era a porta aberta para o êxito e a ascensão de Reinaldo Teles.
jason statham disse
Ao pé destes Corleones-versão-tuga, os dirigentes do Benfica e do Sporting (que não se pense que foram santos…ó não…este betinho que está agora no Campo Grande tem muito que se lhe diga, o Vieira nem digo nada, creio que é sabido como “subiu na vida”) não passam de meninos de coro.
Piscoiso disse
Com tanto material, o Benfica ainda vai ganhar o campeonato.
jason statham disse
Coisinho, os campeonatos ganham-se com eliminações. On se comprend?
piscoiso disse
“Statham também conseguiu uma fama local vendendo jóias roubadas e perfumes falsos”
Anónimo disse
Nem percebo porque venho a este blog
Agora é a bola/eixo/norte/sul
Já falta pouco para começarem a pôr fotos de gajas nuas
DiMartin disse
É tolo o Jason, só pode.
E parece aqueles tontos que a propósito da invasão do Iraque, por defender o busha e lançar fumo, se punham a encher spams, chòriços.
Lá do alentejo ou Montalegre ou ali beirão de uma das beiras.
Contudo engraçado, um benfikista empenhado, dedicado, autêntico…
jason statham disse
Fotos de gajas nuas valorizam mais o blogue do que estes posts apologéticos da corrupção. Que nojo de clube e de adeptos (alguns, ok, não quero ser injusto, só a maioria é que é fanática, alguns são civilizados).
jason statham disse
Mais do Al Capone português. Não espanta quem conhece a máfia este ter muitos admiradores, o original também os tinha. Aqueles da sua Família e da sua família alargada (italianos e “parceiros de negócio” dele dependentes). Um nojo.
Aqui vai mais uma estórinha do Marinho Neves (tal como as anteriores que já citei, diga-se para quem não conhecer o único corajoso – e que bem pagou por isso – a ter revelado os meandros do sistema):
O clube de Pinto da Costa tinha atingido o auge tanto em termos nacionais como europeus. Era o apogeu, o delírio e o júbilo de um povo que nunca se tinha visto em tamanha aventura. PC fez esquecer o seu velho e grande amigo Pedroto, evitando qualquer comentário que pudesse recordar o velho mestre. A glória tinha de ser só sua e de mais ninguém. A cidade caiu-lhe aos pés, e foi a partir dessa altura que PC tomou consciência do poder que tinha e que Reinaldo Teles começou a alimentar a sua grande esperança de um dia vir a ser alguém no seu clube.
Reinaldo tinha Pinto da Costa quase na mão, através dos assíduos encontros deste último com as suas miúdas. As amantes sucediam-se e até entravam em lista de espera.
PC sentia-se um Dom-Juan e conhecia uma vida totalmente diferente daquela a que sempre foi habituado. O poder alimentou ainda mais a sua ambição e começaram aí as traições aos seus melhores amigos.
Umas como pura defesa pessoal, outras para abrir caminhos para os que iam chegando e prometiam uma maior subserviência, o que lhe dava a garantia de poder governar sozinho e principalmente sem ter de dar muitas explicações.
Os títulos traziam muito dinheiro para os cofres do clube Pinto da Costa já tinha esquecido os momentos em que era apenas um vendedor de fogões, muito embora continuasse ligado à mesma firma, onde mantinha uma posição superior. Os milhares com que tinha de lidar começaram a toldar-lhe a mente e a aumentar a sua ambição.
O seu clube era um grande chamariz para os grandes negócios e não faltaram oportunistas para tirar partido disso. Foi nessa altura que surgiu um empresário italiano muito ligado à venda de jogadores, mas com negócios ilícitos à mistura. Luciano D´Onofrio já tinha jogado futebol em Portugal, e acabou por criar raízes no nosso país, mais propriamente a sul, aproveitando uma grande parte do seu tempo para entrar nas redes ligadas ao tráfico de droga… e era mesmo vital aquele ponto geográfico para o negócio!
Luciano D´Onofrio, um indivíduo baixo, magro e com cara de rato, de nariz afilado mais parecendo um bico, apareceu pela mão de Reinaldo Teles e recebeu a benção de PC.
D´Onofrio era um empresário sem escrúpulos e com alguns mandatos de captura em diversos países europeus, precisamente por tráfico de droga, mas foi acolhido como uma pessoa de grande interesse para o clube. Pinto da Costa foi quem mais lucrou com a sua vinda. Os jogadores do seu clube inflacionaram-se no mercado europeu, e D´Onofrio viu ali um grande negócio para si e para PC. Em todos os jogadores que fossem negociados para o clube ou que saíssem dele, o presidente teria sempre a sua percentagem, desde que mais ninguém interferisse no negócio. Após o recebimento das primeiras comissões Pinto da Costa via-se rodeado por dois elementos ligados ao mundo do crime. Não era segredo para ninguém que Luciano D´Onofrio tinha ligações com a Mafia italiana e que Reinaldo mais alguns familiares viveram sempre de habilidades e negócios marginais, negócios centralizados na prostituição e na receptação de objectos roubados. «Pena é que estes ramos não estejam inscritos nos fundos comunitários», costumava dizer Reinaldo, que um dia ficou deliciado quando em Amesterdão viu umas garinas expostas em montras. Por um só momento, Reinaldo viu a rua de Santa Catarina transformada um gigantesco bordel, imaginando situações do tipo «leve três e pague duas» ou «pague o seu bacanal em dez suaves prestações». Mas era sonhar muito alto.
Foi este tipo de gente que fez engolir em seco muitas pessoas honestas e com dignidade que estavam ligadas ao clube. Alguns protestaram, defenderam a ideia de que o clube tinha de ser gerido com mais transparência e acabaram por ser afastados. Como aconteceu com Alberto Magalhães, reputadíssimo empresário.
PC, cada vez mais lá no alto, qual Deus do Olimpo, qual César à frente das legiões, não dava tréguas:
- Aqui quem manda sou eu, e quem não estiver bem que se afaste!
O clube vivia momentos conturbados em termos directivos, mas os resultados desportivos eram óptimos. Consequentemente, Reinaldo Teles ia subindo na hierarquia do clube. Já tinha subido de chefe de segurança a chefe de departamento de futebol, uma ascensão que deixou muita gente de boca aberta, mas que foi aceite sem grande contestação, pois nessa altura já Reinaldo tinha todo o seu staff de segurança organizado. Reuniu alguns dos maiores rufias da cidade, alguns dos seus conhecidos dos negócios marginais e de prostituição, e impôs um cordão de silêncio tanto a jornalistas como a dirigentes. Quem contestasse ou denunciasse algo que não convinha, recebia a visita de um desses marginais e ficava sem vontade de dizer mais nada, subordinando-se ao silêncio e à aceitação dos factos. Nem os sócios conseguiam fugir a esta perseguição.
Mas quando as derrotas surgem ou os resultados demoram a aparecer e as exibições não são as melhores, há sempre associados que contestam. No final de um jogo em que o clube tinha perdido, um associado, passando ao lado dos balneários, não se coibiu de lançar alguns insultos ao presidente e seus pares.
- Filhos da puta, chulos, vão trabalhar!
Pinto da Costa, que estava de sobretudo e mãos nos bolsos, tendo a seu lado Reinaldo Teles e mais dois dirigentes de menor importância, todos rodeados por quatro capangas, deu de imediato uma ordem em surdina:
- Fodam-me esse gajo!
Os quatro capangas deram meia volta, seguiram o indivíduo até às imediações do estádio e deram-lhe uma sova, perante o olhar incrédulo das outras pessoas que não sabiam muito bem o que se estava a passar. Era a lei da força e do silêncio.
O esquema estava montado, e dirigente que ousasse abandonar o clube e falar do que ouviu ou viu, sabia bem o que lhe poderia acontecer.
O grupo de seguranças foi-se refinando alicerçado pela parcialidade e impunidade com que os próprios jagunços era tratados e alongou-se até alguns agentes de autoridade que não se importavam de ostentar as suas armas como forma de intimidação. Foi sobre esta onde de poder e segurança que Pinto da Costa construiu o seu império e imperializou a sua própria imagem. Ele sentia-se um Al Capone à portuguesa, com a vantagem de não poder ser apanhado pelo fisco, pois não tinha rendimentos legais que justificassem qualquer tributação. Tinha, isso sim, o poder nas mãos e ficou ainda mais seguro disso a partir do dia em que se aliou a um bruxo muito conceituado em terras brasileiras que dava pelo nome de Pai João (Delane Vieira), um bruxo que não se limitava aos orixás, fornecendo também a equipa de futebol com frasquinhos de vidro que continham um guaraná em pó muito especial, esmagado por uma tribo de índios do interior do Brasil. O speed, normalmente recomendado para os gulosos do sexo, ajudava os craques e, aliado à normal injecção de «vitaminas», tornava-os super-homens dentro do campo. E era certo que a aparelhagem do anti-doping estava completamente desajustada para detectar o que quer que fosse. Mas até este sector, a seu tempo, foi devidamente controlado.
Entretanto, Reinaldo Teles não cessava a sua actividade, continuando a arranjar as melhores amantes para Pinto da Costa e a dar-lhe toda a protecção. Rodeado de poder, mas ainda sem dinheiro, o presidente, como lhe chamava Reinaldo, tinha algumas limitações, mas nunca esqueceu o velho amigo Ilídio Pinto, a quem continuava a extorquir o dinheiro que queria para efectuar alguns negócios, sempre com a promessa de que um dia este viria a ser vice do futebol profissional.
- É uma questão de tempo. Você tem de ter paciência. Necessito de si em lugares mais importantes para a vida do clube. Um dia o futebol será seu.
Com estas palavras de Pinto da Costa, o Ilídio lá ia passando uns cheques e cobrindo algumas despesas, porque fortuna pessoal foi coisa que nunca se conheceu ao presidente.
O grande negócio acabaria por surgir.
Um clube espanhol (Atlético de Madrid) interessou-se pela aquisição de Futre, e o seu presidente resolveu vir a Portugal contactar o jogador, sem antes consultar o clube de Pinto da Costa. Mas a organização, constituída por mais de uma dezena de guardacostas, estava sempre bem informado de tudo quanto se passava na cidade e essencialmente dos assuntos que diziam respeito ao clube. Por isso, quando chegou a boa nova de que o presidente do clube espanhol estava em Portugal para falar com Futre, foi de imediato colocado um plano de ataque em marcha, cujo nome de código era «A Caça à Peseta».
Apesar de Gil y Gil estar, no seu país, bem à altura de Pinto da Costa, quando veio a Portugal estava muito longe de saber o que lhe ia acontecer. Chegou ao Porto e combinou encontro com um empresário, para avaliar a possibilidade de levar Futre para Espanha. O bar era pequeno e decorado de uma forma simples. No fundo da sala, um pouco na penumbra, estava sentado Gil y Gil à espera do tal empresário quando irromperam pela sala dentro quatro indivíduos que, sem darem cavaco a ninguém, o rodearam e apertaram contra a parede, lançando o aviso:
- Se voltas aqui sem primeiro falares com o presidente do nosso clube, podes ter a certeza que não sais daqui vivo. Na próxima, não há aviso! – rugiu Reinaldo, decalcando o final da sua declaração de um filme que tinha visto em Pinheiro da Cruz.
Estas palavras foram ditas com tanta certeza e segurança que Gil y Gil quase se mijou pelas pernas abaixo. Fora a sua primeira lição como futuro presidente de um dos melhores clubes espanhóis. «Coño, em Portugal não se brinca», suspirou, ainda com as pernas a tremer como varinhas verdes.
Gil y Gil não disse palavra, limitando-se a sair do bar e a enfiar-se na sua viatura, acelerando, sem olhar para trás, até Espanha. Gil até se esqueceu de comprar um queijo da serra em Vilar Formoso, como prometera a Carmen, a sua amante de Madrid/Sul.
Já no seu território, contactou directamente com Pinto da Costa, e este, sem muitas palavras, indicou-lhe um interlocutor: Luciano D´Onofrio.
- O seu braço direito? – quis saber Gil.
- Mais ou menos, pois será ele a conduzir o assunto – informou PC.
Gil y Gil ficou tão impressionado com a acção de Pinto da Costa que resolveu oferecer um extra ao seu congénere português: uma vivenda em Madrid.
- Sim senhor, mas numa zona fina, se faz favor – aceitou PC de pronto.
D´Onofrio entretanto colocou outro jogador (Rui Barros)de PC num clube italiano (Juventus) e a soma da venda de Futre e desse jogador vendido para Itália foi de 1 milhão e 200 mil contos, uma verba que PC nunca teria imaginado poder passar pelas suas mãos. De imediato, PC juntou todo aquele dinheiro e abriu uma conta particular, prometendo aos seus parceiros de direcção que aquela verba iria servir exclusivamente para a compra de jogadores para o clube. Todos acreditaram, mas esse dinheiro desapareceu como o fumo. Para amostra não ficou nem sequer um mísero escudo.
As ligações de Pinto da Costa com situações marginais começaram a ser comentadas, e isso criou um certo descontentamento entre alguns directores, nomeadamente no patrão da sua empresa, Alfredo Costa, e presidente do Conselho Fiscal do clube.
Ninguém como Alfredo Costa conhecia a vida de Pinto da Costa e, por isso, sabia muito bem que este andava a vivera além das suas reais possibilidades, entrando em outros negócios e noutras sociedades, sem se lhe conhecer a proveniência do dinheiro. Desconfiado desta situação, como presidente do Conselho Fiscal do Clube, Alfredo Costa um dia interpelou Pinto da Costa sobre o milhão e duzentos mil contos da venda dos dois jogadores, mas como resposta obteve apenas:
- Não tenho de dar contas a ninguém.
Alfredo Costa estava de pé frente à secretária de Pinto da Costa e quase não acreditou no que estava a ouvir. Aquela era a confirmação de que o dinheiro tinha mesmo desaparecido e não pactuou mais com a situação, demitindo-se do seu lugar de presidente do Conselho Fiscal do clube, ao mesmo tempo que intimava Pinto da Costa a abandonar a sua empresa.
Alfredo Costa não teve contemplações:
- Recuso-se a trabalhar com gente desonesta. Na minha empresa não posso ter indivíduos do seu quilate.
Pinto da Costa estava na mó de cima e não ficou muito preocupado com a situação.
Uma grande parte daquele milhão tinha sido investido em várias empresas com ligações a familiares seus, mas sem o mínimo de capacidade de gestão, e todas acabaram por falir. O dinheiro fácil nunca é bem gerido, e o clube já estava a pagar as aventuras do seu presidente.
Mas os fiéis associados pouco se importavam com essas contas. Eles não queriam saber de gestão, mas de golos, e esses não faltavam. Pinto da Costa e Reinaldo Teles também sabiam disso e tinham de se organizar no sentido de garantir que esses golos e essas vitórias nunca haveriam de faltar.
Para deixar a empresa onde trabalhava, Pinto da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos tinha desaparecido sem deixar rastos e tinha deixado de…rastos PC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Era nessa área que se movia como peixe na água, e a modalidade não estava a ser devidamente explorada. Todos os movimentos foram reprogramados, de forma a que o clube tivesse uma gestão capaz de alimentar o seu presidente.
Reinaldo Teles acabou por subir na escala do poder no clube. O vice para o futebol foi afastado, e Reinaldo chegou-se mais ao presidente, ocupando o lugar deixado vago.
A vaidade pessoal de Reinaldo levou-o a abrir mais uma casa de alternos, desta vez mais chique e refinada. As putas eram de melhor qualidade e o champanhe também.
Pinto da Costa não perdia um strip-tease, e quando lhe agradava, saboreava ao vivo a estrela do espectáculo. PC sentia-se cada vez mais um Al Capone à portuguesa.
Sempre rodeado de guarda-costas, assumia a pose do gangster e já tratava as raparigas da forma que um dia vira num filme americano, nos seus tempos de liceu.
Tinham surgido alguns escândalos e alimentava-se a desconfiança em relação à forma como os dinheiros estavam a ser geridos e distribuídos, mas aos poucos a organização refinou-se, de forma a não deixar rastos. Luciano D´Onofrio era um gangsterzinho e foi-se apercebendo da forma pouco cuidada e pouco profissional como os assuntos eram tratados e em alguns negócios governou-se com mais dinheiro do que aquele que ficara combinado, e para anular essas fugas, Pinto da Costa resolveu montar uma sociedade secreta na Suíça para que existisse um maior secretismo. D´Onofrio era uma figura envolta em algum mistério. Tanto aparecia como, quase por artes mágicas, desaparecia, o que acontecia normalmente quando se adivinhavam maus momentos. Estas artes de prestidigitador livram-no de muitos sarilhos, embora alguns anos mais tarde Luciano não tivesse conseguido evitar alguns dias de detenção num calabouço suíço, por suposta ligação a um caso futebolístico que abalou o futebol Francês (Marselha).
PC confiava cegamente no seu amigo Luciano.
- D´Onofrio, vamos legalizar a nossa situação montando uma empresa de compra e venda de jogadores. No meu clube só você vende e compra todos os atletas, mas podemos estender o nosso negócio até outros clubes desde que se mantenha segredo absoluto.
- Está bem , presidente, você é que manda. Um dia ainda há-se ser como o Berlusconi.
Pinto da Costa não perdeu tempo.
- Vamos já formar essa sociedade, porque tenho um negócio para ser feito já.
Na semana seguinte já estavam os dois na Suíça para legalizarem a empresa de compra e venda de jogadores.
O seu primeiro negócio foi com um clube Francês (Matra Racing de Paris) cujo treinador (Artur Jorge) já tinha passado pelo clube de PC.
- Temos de realizar dinheiro, porque as coisas não estão muito boas. As empresas que tenho montado têm dado uma grande barraca e levam-me o dinheiro todo. Temos o Plácido para vender a um clube francês.
Luciano D´Onofrio arregalou os olhos e disse com espanto:
- Mas, presidente, esse jogador não tem cotação europeia.
- Não se preocupe com isso, porque quem lá está vai querê-lo.
D´Onofrio, ainda sem acreditar no que ouvia, apesar de toda a sua experiência no mundo das vigarices, perguntou:
- Como vai ser feito o negócio?
- O nosso clube vende o Plácido à nosso empresa por 60 mil contos e nós vendemo-lo ao clube francês por 160 mil contos.
- Desses negócios é que eu gosto. Ganhamos mais que o clube.
- Tenho que dar uma volta à minha vida e começar a ganhar dinheiro, porque o que já perdi não foi pouco. No futebol é que está o nosso grande negócio.
Luciano D´Onofrio arregalou os olhos e pensou de imediato em ir um pouco mais adiante, mas resolveu não falar disso com o presidente. Preferia colocar o problema a Reinaldo Teles, que era um elemento mais acessível para as situações de ilegalidade.
Logo que pôde, encontrou-se com Reinaldo Teles e convenceu-o a falar com o presidente.
- Reinaldo, temos um negócio que dá dinheiro que se farta, mas tens de ser tu a falar disso ao presidente.
Reinaldo olhou-o pensativo, mas lá acabou por se decidir.
- Não venhas com tangas p´ra mim. Diz lá que o que queres que proponha ao presidente.
- Tenho feito aí uns negócios com cocaína e nem imaginas o lucro que isso dá.
- Estás maluco. Pensas que o presidente vai numa coisa dessas?
- As coisas estão más e é necessário realizar dinheiro. Com a protecção que o futebol dá, podemos trabalhar à vontade.
Reinaldo Teles convenceu-se de que, de facto, havia alguma razão nas palavras de Luciano D´Onofrio e comprometeu-se a falar com o presidente sobre o assunto.
Pinto da Costa ouviu atentamente Reinaldo e mandou-o avançar com a ideia, mas ele queria ficar de fora.
- Resolvam lá isso vocês os dois, mas deixem-me de fora para poder controlar melhor a situação.
Reinaldo Teles não era burro e ficou desconfiado. Naquele momento não disse nada mas, passados dias, voltou a falar do assuntos.
- O melhor é ficarmos os dois de fora, e eu arranjo alguém para tratar do assunto directamente com D´Onofrio.
De início, o negócio correu bastante bem, mas passados alguns meses, a polícia começou a ameaçar com algumas buscas, tendo inclusive ido esperar o autocarro do clube à portagem dos Carvalhos para o revistar de alto a baixo. Mas nunca encontrou nada, porque a rede estava bem montada e não faltavam informadores. No entanto, Pinto da Costa sentiu o perigo que essa situação podia estar a criar e, como tinha consciência de que inimigos era coisa que não lhe faltava, depois das primeiras prisões de pessoas ligadas ao grupo que actuava em paralelo com D´Onofrio, deu ordem para se terminar com o negócio da cocaína que começava a ser vendida um pouco descaradamente pelos jogadores de futebol.
Pinto da Costa não perdia tempo. Não dormia só para pensar. A «coca» garantia muitas horas de espertina, no fim de contas.
jason statham disse
Corruptos, mafiosos, vigaristas. Num país decente estariam na cadeia, sem tv, sem rádio, sem aquecimento, descalços, levando porrada seca, sem lençois, enrabados e acordados com baldes de água gelada. Uma Alcatraz nas Desertas era pouco para estes bandidos.
jason statham disse
Momentos…
JOGOS PARA A ETERNIDADE (1) – Benfica-Steaua/1988
20 de Abril de 1988, Estádio da Luz – Lisboa.
Havia vinte anos certinhos que o Benfica não chegava a uma final da Taça dos Campeões Europeus. Fora em 1968 que a equipa de José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões perdera em Wembley com o Manchester United por 1-4 no prolongamento de um jogo que teve oportunidade de matar no tempo regulamentar. Muitos ainda se lembravam, outros, como eu, nem sequer eram nascidos na ocasião.
Entretanto a geografia futebolística mudara de rota, com as equipas do centro e norte da Europa, suportadas por uma condição atlética superior, a relegarem os latinos para segundo plano. Só em 1983, com um recém chegado Eriksson, o Benfica dera sinais de poder voltar ao topo do futebol internacional, quando foi finalista da Taça Uefa, vendo o Anderlecht levar-lhe a taça em pleno Estádio da Luz.
Em 1988, depois de um princípio de temporada acidentado, com maus resultados e a consequente substituição de Ebbe Skovdhal por Toni no comando técnico da equipa quando o campeonato nacional estava já perdido, a aposta do clube passou a centrar-se na competição europeia, na qual a equipa se apurara tranquilamente para os quartos-de-final após ultrapassar Partizan de Tirana e Aarhus. Esta prioridade ia também de encontro às promessas eleitorais do novo presidente João Santos.
Nos quartos-de-final deu-se a vingança sobre o Anderlecht (2-0 e 0-1).
O sorteio das meias finais tirou do caminho das águias o Real Madrid e um super PSV Eindhoven onde jogavam vários titulares da selecção holandesa, mas nem por isso se poderiam esperar facilidades. O Benfica ia defrontar o Steaua de Bucareste de George Hagi, então no top do futebol internacional, campeão dois anos antes e finalista na época seguinte.
Na primeira mão em Bucareste (ainda nos tempos de Ceausescu), um Benfica pragmático arrancou uma igualdade a zero que deixava as melhores expectativas para o jogo da Luz.
Quando entrei no estádio, mais de três horas antes do jogo se iniciar (na altura ainda não havia lugares marcados), o panorama era impressionante. Já estariam nessa altura nas bancadas quase 100 mil pessoas. Fiquei numa das primeiras filas da então bancada de sócios, com a vedação pela frente.
Foi o jogo internacional do Benfica com mais assistência de sempre, com um número de espectadores talvez superior a 130 mil. A expectativa era enorme pois o Glorioso poderia ali mesmo, naquela noite, classificar-se para a sua sexta final da Taça dos Campeões.
O Benfica alinhou inicialmente com: Silvino, Veloso, Mozer, Dito, Álvaro, Elzo, Chiquinho, Diamantino, Pacheco, Rui Águas e Magnusson. Depois entrariam Chalana e Shéu. Nos romenos além de Hagi jogavam também os internacionais Lacatus e…Laszlo Boloni.
A entrada dos encarnados foi de rompante, empurrando logo nos primeiros instantes a equipa romena para o seu reduto defensivo.
Cerca dos vinte minutos surgiu o primeiro golo. Na sequência de um canto houve um desvio na área e Rui Águas surgiu ao segundo poste a cabecear para a baliza. Foi o delírio num estádio totalmente pintado de vermelho.
Pouco depois da meia hora de jogo, um livre na meia esquerda apontado por Diamantino fez a bola sobrevoar a área romena, onde novamente Rui Águas com uma impulsão notável a desviou pela segunda vez para o fundo das redes. Dois a zero era um resultado que dava outras garantias para o que faltava de jogo e o público sentiu isso criando então um clima de festa que duraria até final e que resistiu ao momento em que Lacatus fez a bola embater no poste da baliza de Silvino.
Na segunda parte as melhores oportunidades voltaram a ser do Benfica, designadamente numa jogada individual de Elzo em que o brasileiro se isolou perante o guardião romeno, não conseguindo no entanto dar a melhor conclusão ao lance.
Os últimos minutos foram de loucura generalizada, com dezenas de milhares de bandeiras e cachecóis, um barulho ensurdecedor, e pessoas a saltar abraçadas umas às outras pelas bancadas.
À saída a minha memória retém algo irrepetível. A segunda circular tomada por adeptos eufóricos, comemorando com garrafas de tudo e mais alguma coisa, interrompendo totalmente o trânsito, pessoas abraçadas estendidas pelo chão, pessoas em cima dos carros etc., tudo num clima de uma euforia absolutamente indescritível e para o qual não encontro palavras adequadas.
O Benfica perderia a final no desempate por grandes penalidades frente ao PSV, momento que representa ainda hoje a maior frustração desportiva da minha vida de benfiquista. Mas por esta meia final até isso valeu a pena.
Este foi o jogo da minha vida durante algum tempo. Outros se seguiriam.
http://www.vedetadabola.blogspot.com
all-fenos disse
Ai que bem me lembro do golo do Vata com a mão.
PR disse
Mais futebol. Pão e circo para se esquecer a realidade.
LR disse
“Esta vai direitinha para o LR aqui do blogue, que apoucou a minha adivinhação sobre os salários do Estrela:
http://cfestreladaamadora.blogspot.com/2008/04/salrios-de-janeiro-pagos.html”
Ora aí está. Melhor prova não há! Condenem-se já os corruptos. Nem é preciso julgamento.
Mialgia de Esforço disse
Jason,
Já vi que se anda a deitar muito tarde por causa do Pinto da Costa. Descanse, homem.
A propósito dos salários em atraso, conte aquela acção filantrópica do maior clube do mundo, quiçá da Europa até, que resolveu dar uma mão amiga ao Vitória de Setúbal nas vésperas de um jogo entre ambos.
J disse
CAA,
Não há Prozac que lhe chegue, para limpar a depressão.
É pena. O Norte e Portugal, precisam da pouca gente qualificada que ainda não foi para o estrangeiro.
Pi-Erre disse
A bovinidade geral deste estado em que estamos metidos assentou arraiais aqui no Blasfémias.
Que grande manada!…
essagora disse
Jason,
há que reconhecer que houve tempos em que valia a pena ver o Benfica jogar. Lembro-me de um jogaço em casa do Arsenal, que grande vitória.
Hoje em dia, para vitórias retumbantes e emoções desse calibre só cá temos o FCP.
Mas compreendo que o Jason não consiga apreciar os jogos do fcp. Afinal, nem todos os adeptos gostam de futebol.
essagora disse
Pi-Erre,
obrigado. Sinto-me muito mais aliviado depois de ouvir essas verdades tão profundas.
Digo mais, acho até chocante que se coloque assim um post num blogue, sem dar possibilidade às pessoas de passar em frente sem o ler nem aos seus comentários. Que maldade!
DiMartin disse
O Jason ainda dorme.
Ó Jason, pá, acorda, que já vais chegar tarde à escola, gandulo.
“Mais uma vez a corrupção dos milhões a funcionar às mil maravilhas.” – Diz ali um em cima.
... disse
Mas leiam este livro. O golpe de estádio…supostamente era ficção, então porque é que espancaram o seu autor??? Vejam que o livro tem 12 anos…muito antes de apitos e etc, mas nos anos em QUE SÓ OS CEGOS NÃO VIAM O QUE SE PASSAVA EM CAMPO. Incrível a actualidade que o livro tem.
http://nunomsilva.no.sapo.pt/golpe%20no%20est%E1dio.pdf
bloom disse
só detecto um erro na atitude do Coroado: deveria ter sido mostrado o vermelho ao V. Baia.
johnes disse
Era corrente estes jeitos ao Benfica, nessa altura, da parte dos meus colegas, como ainda agora. De modo que não vo contradição no meu acto, se bem que me pesasse a consciência um pouco, de início. Mas com o tempo uma pessoa habitua-se, é o que me disseram todos.
Hdef80 disse
# jason statham Diz:
9 Abril, 2008 às 1:32 am
Esta vai direitinha para o LR aqui do blogue, que apoucou a minha adivinhação sobre os salários do Estrela:
http://cfestreladaamadora.blogspot.com/2008/04/salrios-de-janeiro-pagos.html
Vergonha! Corruptos.
Boas
não se lembra do setúbal não ter dinheiro para pagar os salários aos jogadores e o benfica (qual samaritano) se oferecer para pagar os mesmos?
até foram “salvar” o moretto ao brasil para não cair nas garras do mal?
qual foi o resultado do jogo?
António Alves disse
Para a História apenas ficará: FC Porto, tri-campeão nacional a 20 pontos do 2º classificado o Vitória de Guimarães. Não percam tempo em debates laterais :->
Ricardo Sebastião disse
http://vedetadabola.blogspot.com/2008/04/vinte-anos-de-mentira-de-a-z.html
E O GOLO ANULADO AO KANDAUROV NAS ANTAS UM DOS MAIORES ESCÂNDALOS DA HISTÓRIA DO FUTEBOL?
E O VITOR BAÍA A DEFENDER COM AS MÃOS FORA DA ÁREA SEM QUALQUER FALTA?
E O COROADO EXPULSAR O CANNIGIA NUM BENFICA X SPORTING ARGUMENTANDO QUE ESTE LHE TINHA CHAMADO NOMES E DEPOIS NAS IMAGENS VÊ-SE QUE O CANNIGIA NEM ABRE A BOCA?
E NUMA ÉPOCA EM QUE O COROADO APITOU 7 VEZES O BENFICA E ESTE NÃO GANHOU NENHUM DESSES 7 JOGOS?
E O COROADO TER DITO QUE ROGOU UMA PRAGA AO BENFICA QUE NÃO IRIA SER CAMPEÃO ENQUANTO ELE APITASSE?
Mialgia de Esforço disse
E o Gaspar Ramos que ameaçou o Coroado que lhe dava cabo da carreira e, a partir daí, carreira internacional népia.
Ricardo Sebastião disse
E O OLARÁPIO BENQUERENÇA PROTEGIDO DO ANTÓNIO GARRIDO QUE POR SERVIÇOS PRESTADOS AO PAPA VAI AO EURO 2008?
António Alves disse
… e todos estes idiotas que não percebem o óbvio: para a História apenas rezará o seguinte: FC Porto tri-campeão nacional a 20 pontos do 2º classificado o Vitória de Guimarães. Das alarvidades do Vieira e demais perdedores nem uma palavrinha restará. :->
Dragão do Sul disse
As águias depenadas andam desesperadas e a verter ódio por todos os poros. Assim é que eu gosto de os ver. Mas deixem lá, vem aí a pré época e aí são sempre campeões (têm sempre a Taça Guadiana para ganhar, isto é, se o SCP estiver pelos ajustes). Tenho uma proposta a fazer aos senhores da Liga: o FCP devia começar sempre os campeonatos com menos 10 pontos. Ia dar muito mais luta e, no final, muito mais gozo. É que isto assim está sem graça nenhuma. Eu, por exemplo, já só festejo nos pentas. E agora, venham daí esses insultos. É isso que nos dá força. Antes de terminar, outra proposta: o substitudo do Pinto da Costa deve ser o Manuel Serrão. Acho que ainda os desespera mais. Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha.
Ricardo Sebastião disse
O melhor da festa da meia dúzia de padecentes na av. dos aliados foram os tripeiros a gritar impropérios ao Benfica.
Vocês medem-se pela contraposição à grandeza do Benfica, O MELHOR E MAIOR CLUBE DE PORTUGAL e o resto é paisagem!
Adufe 4.0 | 3 dias do Senhor, 4 jogos em Alvalade, uma chapelada para Coroado disse
[...] ““Quando já tinha advertido o Vítor Baía com um cartão amarelo e estava junto da marca de grande penalidade, o meu assistente correu para o centro do terreno e deu-me a indicação de que a falta tinha sido ao contrário, mas já tinha advertido o jogador do FC Porto e já estava na marca do penálti e não voltei atrás“ Jorge Coroado em “O Apito Encarnado Sou Eu“. [...]
Farnerud disse
Dragão do Sul disse
Pois é, o resto é paisagem, mas a paisagem é que ganha títulos. E quanto à grandiosidade dos não sei quantos milhões, num país de analfabetos estavam à espera de quê?
Ricardo Sebastião disse
“E NUMA ÉPOCA EM QUE O COROADO APITOU 7 VEZES O BENFICA E ESTE NÃO GANHOU NENHUM DESSES 7 JOGOS?”
ACABEI DE DESCOBRIR O COROADO DO SÉCULO XXI: O LUCILIO BAPTISTA:
“os últimos sete jogos do Benfica que Lucílio Baptista apitou, nem uma única vitória os encarnados alcançaram! É ele também o árbitro que mais penaltis assinalou contra o Benfica, e que mais assinalou a favor do Sporting. A proporção é dramaticamente reveladora: 5 a favor e 6 contra as águias, 8-2 nos jogos dos leões (!?!) O número de expulsões é também espantoso: Lucílio expulsou 8 jogadores do Benfica e 5 adversários, enquanto que apenas mostrou três cartões vermelhos a sportinguistas, expulsando 10 (!!) jogadores de equipas adversárias.”
Ricardo Sebastião disse
Apresento-vos o BURRITO ALVES:
portodocrime disse
by pobodonorte guardabel
De Vieira a Coroado, passando por Chalana e o Maestro
A actualidade desportiva está repleta de emoção. E eu que pensava que, com o nosso TRI, isto ia cair numa modorra insuportável. Claro que não. Enquanto houver Filipes Vieiras, Chalanas e quejandos no nosso futebol, a coisa andará animada.
O presidente do 2º-classificado-a-18-pontos-que-veste-rosa explodiu mais uma vez. E não foi numa qualquer casa do Benfica de alguidares de baixo, foi mesmo no estádio do Bessa, após ter empatado mais um jogo. Mais uma vez atirou frases bombásticas para o ar e, no meio de toda aquela confusão gramatical (é pena que o acordo ortográfico não venha salvar estas almas), disse que a PJ devia entrar pelo futebol dentro e que bastava seguir certas pessoas e ver aonde elas vão.
Bem, se ele pede que a PJ entre agora no futebol, então sempre é verdade que ela, a PJ, nada tem a ver com o Apito Dourado, o que vem confirmar a tese de que tudo não passa de uma fabricação VCL (Vieira-Carolina-Leonor). Foi ele que disse, atenção, não eu. Quanto ao conselho sobre seguir certas pessoas, aposto que a sua guarda pretoriana, comandada pelo insígne primo do Veiga (o da estalada no aeroporto), tem estado entretida em missões de espionagem. E aposto que os caminhos não vão dar ao restaurante Sapo, em Penafiel.
Chalana resolveu também meter-se ao barulho e veio no final do jogo protestar contra a arbitragem. Parece que lhe tinham escrito aquilo que ele ia dizer, porque o homem fartava-se de olhar para baixo (ou então era para o umbigo). E lembrou-se de trazer à baila o penalti sobre o Quaresma, como se os lances fossem comparáveis. Já aqui disse que o nosso cigano sofreu falta. Só não vê que não quer. E o senhor Chalana devia evitar cair no ridículo. No Bessa, os tais dois pretensos penaltis seguidos não passam de dois lances “à inglesa”, nos quais os jogadores disputam a bola com ímpeto, a rasgar, mas de forma leal. Mateus, do Boavista, joga nitidamente a bola nos dois lances, e, por acaso, no segundo, toca posteriormente em Leó, mas aí, o axadrezado não tinha travões imaginários que pudessem parar a tempo. De qualquer forma, ele joga primeiro a bola e o próprio Léo entra também a pés juntos.
De que se queixa, afinal, Chalana, no seu subconsciente? De ter tido azar, porque a sua equipa jogou, de facto, bem, e de ter desperdiçado uma oportunidade de se distanciar um pouco da concorrência ao segundo lugar. Agora, a referência ao FC Porto fica por explicar, porque se querem atirar com o Benfica para baixo, não é, com certeza, para o impedir de ser campeão.
Estalou o verniz a Rui Costa, que, segundo rezam as crónicas, quis entrar no balneário do árbitro. Fico sem saber se o ia fazer já na qualidade de Director Geral ou na de ainda “maestro”. Pelos vistos, Lucílio Baptista nada referiu no relatório sobre o incidente, o que muito deve ter indignado Luis Filipe Vieira, que deve estar a preparar mais uma delaração bombástica. Pode ser que aproveite a onda e fale sobre a grande revelação do dia.
Ela surgiu na voz de Jorge Coroado, como se sabe, um árbitro que adora o FC Porto. Disse ele que, num Benfica-FC Porto prejudicou o FC Porto, num célebre vôo de Poborsky sobre o Vítor Baía (quem não se lembra?) que ele transformou em penalti. O que vale é que os árbitros são humanos.
Anónimo disse
E o Gaspar Ramos que ameaçou o Coroado que lhe dava cabo da carreira e, a partir daí, carreira internacional népia.
Nem Gaspar Ramos
Ferrinhos e Rodriguinhos disse
Entrevista a Jorge Coroado:
– Foi ameaçado?
– Fui, no Estádio da Luz, em 1991, no final de um Benfica-Torreense, pelo sr. Gaspar Ramos. Em 1995 o mesmo dirigente disse aos berros que iria fazer de tudo para acabar com a minha carreira.
– De que clube recebeu mais pressões?
– Do Benfica e dos seus dirigentes. Inquestionavelmente. Estou convicto de que se mais carreira não tive foi por influência de gente do Benfica. De Gaspar Ramos a Luís Filipe Vieira, que vetou o meu nome, em 2002, para vice-presidente do Conselho de Arbitragem.
http://209.85.135.104/search?q=cache:Lez6YMT8DncJ:www.correiodamanha.pt/noticia.asp%3FidCanal%3D0%26id%3D225219+%22Gaspar+Ramos%22+%22Jorge+Coroado%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=5&gl=pt&client=firefox-a
Meme disse
Bela tese a de todos estes lampiões…
Não existindo qualquer argumento ou comparação possível no que diz respeito à qualidade da liderança, capacidade e competência organizativa entre o FCP e os outros clubes Portugueses, pimba! reduz-se as discussões e a legitimidade de títulos ganhos à arbitragem, desonestidade intelectual total!
Há 25 (felizmente) anos que vejo futebol e não me lembro de ver uma equipa do SLB ou SCP com jogadores profissionais que corressem tanto como os do FCP, com a ambição de ganhar como os do FCP!!! Para não falar nos erros de casting de contratações, o meu Porto teve alguns mas ainda assim, uma milésima parte comparativamente com o SCP e o SLB!! E de quem é a culpa? Do Coroado, do Lúcilío, etc…
Aliás o mercado internacional tem avaliado bem a diferença entre os jogadores do FCP e os restantes do mercado doméstico! Se o Simão Sabrosa tivesse vestido a camisola Azul e Branca nunca teria ido para o Atl. Madrid pela pechincha de 20M€…, não, a culpa é do Lucilío e do pretenso penalty que marcou o ano passado no jogo com o Beira-Mar aos 90+3 (ainda falam de Belém…); já agora porquanto saiu o C Ronaldo do SCP?
Já agora que falamos do SCP e do Lúcilio, curiosamente fui ao velhinho Alvalade com amigos Sportinguistas na fatídica época 2003-04 assistir ao SCP-0 FCP -1 (Costinha), a tareia de futebol foi tão grande que aos 35 minutos já haviam adeptos do SCP (com o característico bom humor) a sugerir que alguém desliga-se as torres de iluminação, por forma, a acabar com o festival… nesse jogo, para quem não tem memória, é só consultar os arquivos, o Lucílio fez vista grossa a 4 penaltis, bem mais claros que qq um deste fim de semana no bessa, portanto não é de agora…
Por mim encantado enquanto não tiverem a humildade de olharem para dentro da própria casa e preocuparem-se de facto a escolher os melhores líderes e gestores, equipas de scouting como deve ser, treinadores por mais de 1 ano, etc… o FCP vai continuar a ganhar muitas vezes!
Para tristeza dos adeptos dos 4 maiores clubes Portugueses (por ordem decrescente):
1º Anti-FCP
2º Anti- Pinto da Costa
3º SLB
5º SCP
segafred disse
É o maior, o FC Porto.
E hoje o jornal “O Jogo” traz uma nossa senhora na capa que se enganou várias vezes a respeito de coisas várias, na variedade de tramóias que benfiquistas de pastel a andaram a meter.
Tribunus disse
40 anos a fazer aldrabice consentida, que esepravam?
Olhem par o secretario de estado, o tipo da Federação o tipo
da liga, que esperam dum trio deste nivel?
tem-se visto……….
all-fenos disse
Gosto da relaçao coroado/benfica e lucilio/benfica.
Ficam é os restantes jogos e são muito mais que sete que o dito cujo tb nao venceu.
Ora bolas..o uniao de leiria então foi com todos ou quase.
Façam lá a relaçao …../união de leiria…
heheheheehhehe
o outro anda lá perto
tunisino2 disse
Pois é, mas foi o oborsky e não o Kandaurov. A este, roubaram-lhe um golo limpo nas Antas (apito azulado?). Em relação ao penalti, foi falhado. E já agora, o Coroado não foi ao Brasil. Saudações benfiquistas … par os benfiquistas.
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sabio disse
o tal das verdades de hoje e mentiras de hontem ! ….
Aqui Jorge Coroado vai ficar azul de raiva …
Não havia lugar a qualquer infracção. A disputa foi própria para gente de barba rija e não contemplou quem tem trunfa comprida. David Luiz não suportou e caiu.
E as eguas zurram como se os nossos olhos fossem daltonicos e os deles azuis !
Algumas da pérolas do cretino Jorge Coroado no seu livro:
“Estou convicto de que se mais carreira não tive foi por influência de gente do Benfica. De Gaspar Ramos a Luís Filipe Vieira, que vetou o meu nome, em 2002, para vice-presidente do Conselho de Arbitragem.”
“Alguma vez eu ia expulsar o capitão do FCP nas Antas aos 20m? Só se fosse maluco”.
“Não. Mas quando discordei publicamente da integração da arbitragem na Liga de Clubes, o director executivo, José Guilherme Aguiar, teve uma conversa comigo, muito curiosa, no seu gabinete, a 2 de Dezembro de 1996, em que contou o seguinte: quando era vice-presidente do FC Porto disse um dia ao Paulo Futre que ou cumpria as regras ou não podia jogar naquele clube. “E olhe que o Futre era a estrela da companhia”, rematou. Percebi o recado: ou me calava ou me punham à margem.”
Esse medo está relacionado com as classificações… ” Exactamente. A postura subserviente partia do próprio árbitro que na hora de decidir um lance encolhia-se. Vou dar-lhe um exemplo: há uns anos, num FC Porto-Benfica, aos 20 minutos de jogo, perante uma falta gravíssima do João Pinto, o árbitro fez de conta que nada viu. Pouco depois, encontro-o: “Olha lá porque é que não mostraste o vermelho?” Diz-me ele: “Expulsar o capitão do FC Porto, aos 20 minutos, nas Antas?! Deves estar maluco”. Este medo sempre me incomodou.”
Já percebi donde vem a azia ó C*. Triste figurinha… Coroado, metes pena! vai pro caralhal mais o resto da tua seita ..
katia disse
Nao me esqueço a expulsao do CANIGIA e o mentiroso que ele foi no relatorio que entregou.