Sondar…
Publicado por Gabriel Silva em 21 Abril, 2008
Publicado por Gabriel Silva em 21 Abril, 2008
Esta entrada foi publicada em 21 Abril, 2008 às 11:47 pm e está arquivado em Cartoons. . Pode acompanhar quaisquer respostas a esta entrada através de RSS 2.0 feed. Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu próprio site.

22 Abril, 2008 às 12:06 am
A resposta é tão evidente que nem há escolha possível…
22 Abril, 2008 às 12:18 am
Curiosamente, ou não, concordo.
22 Abril, 2008 às 2:38 am
Faz lembrar aquela pergunta nos artigos do público. Achou este artigo interessante? sim
22 Abril, 2008 às 2:21 pm
A questão está inquinada. Segundo alguns professores do primeiro ciclo, por exemplo, há crianças que, por terem entrado sem maturidade cognitiva, lhes faz muito bem repetir o primeiro ano, embora isso seja disfarçado (a coisa é confusa: não podem repetir o 1.º, passam para o 2.º, mas fazem o primeiro e são “retidos” (esta da retenção…) no 2.º, não sei se percebem). Muitas vezes isso salva a vida escolar de um aluno. Em muitos casos, os “chumbos” são apenas uma medida justicialista: não trabalham, não passam. Mas os resultados futuros mostram que esses alunos não progridem na aprendizagem. Apesar da senhora ministra sacudir a água para o capote dos professores, o problema é político e liga-se à estrutura curricular. Pelo menos a partir do 7.º ano deveria haver alternativas curriculares adequadas a alunos menos interessados no ensino geral.Mas os governos não estão para aí voltados. Daí a retórica do direito ao sucesso e outras coisas afins. Contrariamente ao que se pensa, o “insucesso” escolar é induzido politicamente: entrada muito cedo no sistema escolar (na Finlândia, as crianças entram para a escola aos 7 anos) e ausência de alternativas curriculares adequadas à população, ausência fundada numa ideologia igualitarista absurda. Esta ideologia prejudica inclusive crianças altamente dotadas para as áreas artísticas. A senhora ministra, mesmo sendo socióloga, não devia ser tão superficial na análise do problema.
22 Abril, 2008 às 2:22 pm
Nota: o smile do comentário anterior não é da minha autoria.
22 Abril, 2008 às 2:27 pm
JCM,
«A questão está inquinada.»
creio bem que a resposta é que estava….
22 Abril, 2008 às 6:53 pm
Não vale a pena preocuparem-se com as edições on-line dos jornais portugueses.
São feitas por amadores e no caso do CM nem isso.
Ainda estão na fase da pedra lascada.
Não lhes batam mais.
22 Abril, 2008 às 7:59 pm
Não, definitivamente, a pergunta é que está inquinada. A questão, não aqui, mas quando é feita oficialmente é para dar a resposta óbvia. Está inquinada porque é utilizada para tapar outra: por que razão há tantos chumbos?
Já agora, como contributo especial para os leitores, ajudo a compreender quem é, sobre o caso em apreço, o mentor ideológico da senhora ministra. Adivinham? Não, não é do pensamento da senhora que aquilo sai. Em 1993, saiu um livrinho chamado “A Nova Avaliação da Aprendizagem - O Direito ao Sucesso” (Texto Editora). Ora um dos seus autores (tem vários) é um tal Valter V. Lemos. Reconhecem? O ponto 3.1 do 1.º capítulo tem o magnífico nome “A Reprovação e a Repetência”. E em duas páginas, com quadros, taxas e percentagens está lá a ideologiazinha do sucesso e da comparação que a senhora ministra debitou no Correio da Manhã. Para mostrar a qualidade lógica da coisa só uma pequena citação:
“Ouve-se, correntemente o argumento de que tudo isto (insuceso e abandono escolares) se passa porque o sistema português é mais exigente. A falácia de tal argumento é perfeitamente clara.”
A falácia é clara, mas os autores dispensaram-se de mostrar onde está a falácia. É assim que se contrói o eduquês.
22 Abril, 2008 às 11:33 pm
Não haver chumbos não melhora o ensino se tudo o resto for para manter. Nestas condições significará mais abandono escolar precoce porque o que é suposto ser ensinado, ao estar muito longe da preparação do aluno conduz à desmotivação. O ideal é sempre que o aluno perceba que com um esforço razoável consegue atingir os objectivos que lhe são propostos. Se o aeu atraso for muito grande, a sua auto-estima não aguenta muitos anos de frustração mesmo que passe sempre. Os adolescentes muito jovens ainda são honestos e sabem reconhecer que a passagem administrativa é fraudulenta, enquanto que a passagem com competência é uma recompensa e é essa que ambicionam alcançar.
Nos restantes países europeus em que os chumbos são praticamente proíbidos, as crianças são “apanhadas” a tempo de ser submetidas a uma recuperação que lhes garante que no ano seguinte poderão acompanhar minimamente as aulas e vir a ter sucesso.
Acontece que os estudantes portugueses são os que, nesses países, são considerados os menos recuperaveis porque, ano após ano, precisam de recuperação extraordinária. Esta existe para socorrer quem, num ano, teve dificuldades e precisou de socorro, mas consegue, a partir daí, sobreviver sozinho. É aí que surge a dificuldade dos jovens portugueses. Pontuam menos que todas as outras comunidades migrantes, mesmo que menos integradas que a nossa.
Ao mudar o sistema teria que se implementar os remédios para quem deles precisa numa eventualidade. Isso está previsto e faz-se em Portugal, mas não tem resultados. Seria desejavel que cumprisse a sua função mas custaria mais do que o estado está disposto a gastar. Os restantes países cortaram no tempo de aulas obrigatórias, em Portugal insiste-se numa escola a tempo inteiro, que se traduz por um recreio a tempo inteiro. Sem tempo para atividades estraordinárias, continua apostar-se em trabalhos a fingir que já provaram que não resultam.
Era preciso reformular todo o sistema. Era indispensavel mudar as mentalidades que pensam a escola como um lugar onde os jovens permanecem para passarem a ver a escola como um lugar onde os jovens trabalham. É essa mentalidade que causa o insucesso português mesmo quando a escola funciona para todos os outros.
Quando, para a população portuguesa, emprego significa o local onde se permanece durante umas horas e que proporciona um salário, acho que se está a pedir demais à escola. Sem conhecer o que significa trabalho, não vamos lá.