BLASFÉMIAS

A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade

A falácia do custo/benefício

Posted by JoaoMiranda em 13 Julho, 2008

investimentos como os do novo aeroporto da Ota e do TGV, mesmo não existindo restrições orçamentais, só devem ser realizados se a totalidade dos benefícios sociais, ao longo da vida dos projectos, for maior do que os respectivos custos sociaisCavaco Silva

Combater as obras públicas com base no argumento do custo/benefício defendido por Cavaco Silva é uma batalha perdida. É que o Estado não paga impostos, e logo tem um desconto de 50% em todos os seus investimentos. Um investimento de 1 milhão de euros tem um retorno garantido de 500 mil euros via impostos sobre a actividade económica gerada pela construção. O resto pode ser facilmente recuperado ao longo do tempo de vida do projecto. O imposto recuperado não deixará de ser tido em conta pelos estudos de custo/benefício, e não é por acaso que estes estudos são sempre favoráveis às obras públicas, mesmo quando elas parecem absurdas. É muito fácil fazer um estudo de custo/benefício que valide uma dada obra, bastando para isso ignorar os custos de oportunidade e esticar o tempo de recuperação do investimento até aos 30 ou 40 anos.

13 Respostas to “A falácia do custo/benefício”

  1. Porquê 50%? Donde vem este número redondo? Não devia depender do peso da carga fiscal? Este é 50%? Não é menos?

    Outra coisa. A questão da análise dos custos de oportunidade e o prazo do retorno não se aplica também aos investimentos privados? A questão essencial não passa pelo carácter coercivo do financiamento? E será justo considerar o retorno dos impostos como um benefício?

    Bem, a esta hora, as perguntas podem não ser as mais pertinentes. Mas também é muito simpático ler um post fresquinho a esta hora no telemóvel, depois duma noite animada! :)

    Um abraço e boa noite! He he.

  2. MFerrer disse

    Não, não é menos. Pode ser é bastante mais, consoante a incorporação de valor nacional, respectiva cadeia de produção e levados em conta os encargos financeiros e as suas diversas componentes a curto,médio e longo prazo.
    Para não falar dos benefícios indirectos na economia global da componente consumo privado/impostos ao consumo, enquanto durar a obra.
    Mas se atendermos à influência estratificada nos diversos sectores, da exploração do equipamento, seja barragens, Ota ou TGV, estamos a falar de investimentos altamente relacionados com emprego qualificado, forte componente de captação de divisas,ou difusaão de benoifícios por sectores até aqui completamente dormentes.
    O que revela um forte preconceito político é esta focalização em algo completamente destituído de sentido e que é o apelo á análise de viabilidade perene e permanente sobre a viabilidade económica. De facto um economista deve preocupar-se com esta viabilidade até ao even-break-point do projecto. Tudo o resto é futurogia barata e pouco interessante. É que todos os projectos, mesmo as centrais atómicas ou a construção de um novo tipo de avião, um dia , estarão obsoletos…O importante é que, muito antes, tenham ultrapassado o seu EBP.
    Cavaco Silva pode ser um financeiro. De economia não dá mostras de estar minimammente à la page.
    MFerrer
    MFerrer

  3. Daniel Marques disse

    Caro Joao Miranda,
    - Não é possivel excluir o estudo do custo de oportunidade visto que isso é precisamente o que distingue o custo de viabilidade economica dum simples estudo de viabilidade financeira.
    - Cavaco pede este estudo economico precisamente porque acha que qualquer estudo financeiro é enviesado por vários efeitos (entre os quais o efeito dos impostos que mencionou).
    - Sendo assim estao os dois de acordo.

    Já na minha opiniao o estudo do custo de oportunidade é bullshit dado que as variáveis em estudo são indetermináveis.

    A base dos investimentos publicos deve ser apenas 2: estudos de viabilidade financeira e decisões politicas baseadas em programas sufragados.

    E cada 5 anos vemos. É dificil num periodo de 5 anos, no regime que temos, que um governo nos leve para o abismo.

  4. Pi-Erre disse

    O abismo é lá em cima ou é cá em baixo?

  5. Anónimo disse

    Os Estados Unidos já nacionalizam bancos!! Ena..

  6. Farinheira disse

    O estado não paga impostos?

    As facturas, que são enviadas a um organismo, não leva IVA?

    Muito se aprende com o Miranda

  7. Jorge Mendes disse

    Lembremos, a obra do regime Cavaquista, o CCBelem.

    Orçado em 16 milhões e acabou em 86 milhões de contos.

    Medir o custo beneficio?

  8. Anónimo disse

    Consequencia interessante do aumento do petrolex

    “A empresa alemã Steiff, que inventou os ursinhos de peluche, fez regressar a Portugal parte da produção deslocalizada para a China, num movimento que se começa a verificar noutros sectores da economia, devido ao aumento do preço do petróleo.” Publico

  9. Anónimo disse

    “O estado não paga impostos?

    As facturas, que são enviadas a um organismo, não leva IVA?”

    lol ?

    E o dinheiro não vai para o estado ?

  10. A reacção do comentador 6 é significativa quanto à eficácia conseguida pelas manobras contabilísticas. veja-se, por exemplo, a transferência da gestão de alguns sectores para as autarquias. Passa a haver menos custos? Não. Há garantias de melhor gestão? Aprioristicamente falando, não. Então qual o interesse? Mudam de rubrica orçamental. E assim vamos indo.

  11. Farinheira disse

    O IVA e de contrapartidas.

    A empresa paga na conta 21 a contrapartida entre a Receita e Pagamento de IVA. (querem um desenho. não ha henhum TOC por aqui ou amigo que explique)

    Paga o diferencial ao estado

  12. Luis Moreira disse

    Pois, JM, o MFerrer vai muito mais longe.Os imputs que você introduzir num determinado extracto da economia induzem outputs a juzante e a montante específicos dessa actividade económica.É por isso que o mais fácil é fazer grandes obras.Puxa pela economia rasca que temos.Não há inovação,novas tecnologias,produtos transaccionáveis,mercado,concorrência…

  13. PMS disse

    “só devem ser realizados se a totalidade dos benefícios sociais, ao longo da vida dos projectos, for maior do que os respectivos custos sociais”

    Falso. Há que incluir o valor temporal do dinheiro e o custo de oportunidade, para um dado risco. Só devem ser realizados se a totalidade dos benefícios sociais for maior do que os benefícios sociais que se obteriam em investimentos alternativos com nível de risco igual ou superior, para um dado custo, após descontado o valor temporal do dinheiro.

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