BLASFÉMIAS

A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade

Campanhas contra a SIDA

Publicado por JoaoMiranda em 23 Julho, 2008

Trinta anos de campanhas contra a SIDA produziram no público vagas, e muitas vezes erradas, noções sobre a doença. Na verdade, o conteúdo informativo das campanhas foi sempre muito baixo por opção dos promotores. É sempre interessante ver como alguns leitores reagem quando tomam conhecimento das reais probabilidades do risco de infecção. Uns consideram-nas surpreendentemente baixas, outros demonstram nem sequer perceber a noção de risco. Trinta anos de campanhas serviram essencialmente para transmitir algumas normas conduta, normalmente inspiradas em movimentos alternativos de luta pelos direitos dos homossexuais. Os promotores podiam ter optado por transmitir informação realista a um público adulto capaz de aprender a interpretar a informação e de agir de acordo com os seus próprios princípios e de escolher as suas normas de conduta. Em vez disso, optaram por omitir a informação relevante. Optaram por paternalizar a sua audiência e de lhes transmitir directamente as normas de conduta. O resultado é uma população que acredita que deve usar preservativo mas que ignora qual é a eficácia do preservativo. Ou que acredita que os homossexuais não devem ser discriminados na doação de sangue, mas não percebe as vantagens práticas desse tipo de discriminações.

86 Respostas para “Campanhas contra a SIDA”

  1. Luís Lavoura Diz:

    O João Miranda está a ficar velho. Os seus posts estão a perder a originalidade e a inteligência que alguma vez tiveram, e a tornar-se rezingões e estereotipados (ainda por cima, copiando maus estereótipos).

  2. Luís Lavoura Diz:

    “Uns [...] demonstram nem sequer perceber a noção de risco.”

    “um público adulto capaz de aprender a interpretar a informação”

    Parece-me haver alguma contradição entre estas duas frases. Ou bem que o público é adulto e capaz de aprender (e tem vontade de aprender), ou bem que é um público estúpido, incapaz de perceber noções deveras simples.

  3. Luís Lavoura Diz:

    “qual é a eficácia do preservativo”

    Penso estar mais do que provado que a eficácia do preservativo é muito alta. Uma vez que isto se encontra provado, não é necessário discutir isso nas campanhas públicas de promoção. Não se vai discutir aspetos científicos (saber se o preservativo é eficaz ou não) em campanhas de promoção. As campanhas de promoção apoiam-se no conhecimento atual e estabelecido da ciência, nomeadamente que o preservativo é eficaz.

  4. PR Diz:

    CASTIDADE!

  5. JoaoMiranda Diz:

    ««Penso estar mais do que provado que a eficácia do preservativo é muito alta.»»

    Pode-me dar valores?

  6. Jason Statham Diz:

    Excelente post.

    Achei patético não deixarem o JM falar sem ser interrompido ou sem ser gozado no debate que fez na RCP. Pareciam histéricos com tantas verdades a saírem por minuto.

  7. Luís Lavoura Diz:

    “normas [de] conduta, normalmente inspiradas em movimentos alternativos de luta pelos direitos dos homossexuais”

    Não sabia que qualquer movimento alternativo desses tivesse alguma vez manifestado algum interesse pelo uso do preservativo.

    Há muitas campanhas contra a SIDA que têm promovido a abstinência sexual ou a não promiscuidade sexual. Julgo que essas campanhas são inspiradas em valores e normas de conduta que não são inspiradas em nenhum movimento alternativo homossexual.

  8. Luís Lavoura Diz:

    “Pode-me dar valores?”

    Não, mas presumo que existam.

    O João Miranda pode-me dar valores?

  9. Jason Statham Diz:

    “Parece-me haver alguma contradição entre estas duas frases.”

    Quando são “especialistas” que negam o próprio conceito de grupo de risco é grave! Pois 90% da população sabe bem o que isso é, nem que por outras palavras.

    Ex: grupo de risco de ficar grávido -> mulheres em idade fértil.

  10. JoaoMiranda Diz:

    ««Não, mas presumo que existam.»»

    Foi o que eu pensei.

    Já agora, apesar da falta de originalidade e de inteligência do post, o Luís Lavoura já vai no quinto comentário.

  11. Luís Lavoura Diz:

    Da wikipedia:

    “According to a 2000 report by the National Institutes of Health, correct and consistent use of latex condoms reduces the risk of HIV/AIDS transmission by approximately 85% relative to risk when unprotected, putting the seroconversion rate (infection rate) at 0.9 per 100 person-years with condom, down from 6.7 per 100 person-years.”

    Julgo que chega.

  12. RAF Diz:

    Caro João,

    Na tua habitual falta de originalidade e criatividade, mais um texto que acerta na mouche:)

    Ab
    RAF

  13. Sofia Ventura Diz:

    “Os promotores podiam ter optado por transmitir informação realista a um público adulto capaz de aprender a interpretar a informação e de agir de acordo com os seus próprios princípios e de escolher as suas normas de conduta.”

    Porque é que não usa o JM, agora, este espaço para fazer isso? Eu, por mim, gostava de saber do que é que está a falar.

  14. jorge a. Diz:

    Luis Lavoura,

    “According to a 2000 report by the National Institutes of Health, correct and consistent use of latex condoms reduces the risk of HIV/AIDS transmission by approximately 85% relative to risk when unprotected, putting the seroconversion rate (infection rate) at 0.9 per 100 person-years with condom, down from 6.7 per 100 person-years.”

    Faz sequer ideia da quantidade de pessoas que pensa que o uso de preservativo reduz o risco para zero?

  15. Essagora Diz:

    “putting the seroconversion rate (infection rate) at 0.9 per 100 person-years with condom, down from 6.7 per 100 person-years.”

    Mesmo sem saber o que seja a tal infection rate, a mera aritmética diz que o risco de contrair sida é 7,4 vezes maior se não se utilizar o preservativo.
    Ou seja, se o risco de contrair sida utilizando preservativo for de 1%, então sem preservativo é 7,4%.
    Se o risco com preservativo for 0,01%, então sem preservativo é 0,074%.

    Se calhar estou a ver mal a coisa (salvo seja), mas não me parece uma diferença assim tão brutal.

  16. Piscoiso Diz:

    Sobre a “originalidade” dos post de JM, tenho opinião:
    Arranja um tema polémico que insere de forma provocatória, perseguindo o maior número de comentários possível.
    Alapa-se ao tema e masturba-se nele em posts seguintes.
    Às vezes retem a ejaculação e volta ao tema uns dias seguintes.

  17. João André Diz:

    Em termos de números que não venham na wikipedia:

    Steven D. Pinkerton, Paul R. Abramson; “Effectiveness of condoms in preventing HIV transmission”, Social Science & Medicine, Volume 44, Issue 9, May 1997, Pages 1303-1312

    ABSTRACT
    «The consistent use of latex condoms continues to be advocated for primary prevention of HIV infection despite limited quantitative evidence regarding the effectiveness of condoms in blocking the sexual transmission of HIV. Although recent meta-analyses of condom effectiveness suggest that condoms are 60 to 70% effective when used for HIV prophylaxis, these studies do not isolate consistent condom use, and therefore provide only a lower bound on the true effectiveness of correct and consistent condom use. A reexamination of HIV seroconversion studies suggests that condoms are 90 to 95% effective when used consistently, i.e. consistent condom users are 10 to 20 times less likely to become infected when exposed to the virus than are inconsistent or non-users. Similar results are obtained utilizing model-based estimation techniques, which indicate that condoms decrease the per-contact probability of male-to-female transmission of HIV by about 95%. Though imperfect, condoms provide substantial protection against HIV infection. Condom promotion therefore remains an important international priority in the fight against AIDS.»

    Link:
    http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6VBF-3SWVHNF-4&_user=10&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=45e89a4e21f0ecdd8058a72fb7204778

    Jorge A: «Faz sequer ideia da quantidade de pessoas que pensa que o uso de preservativo reduz o risco para zero?»

    Este argumento, se tivesse lógica, no limite proporia que as pessoas deixassem de usar cintos de segurança ou conduzissem sem luzes à noite somente porque há quem morra mesmo cumprindo estas regras.

    Já agora, tem também ideia das pessoas que pensam que o preservativo não tem qualquer eficácia? Prefiro que pensem que reduz para zero do que pensem que não serve de nada. Até porque a maior parte das pessoas não estará muito interessada em ter sexo, com ou sem preservativo, com alguém que saibam ter VIH.

  18. jorge a. Diz:

    Caro João André,

    “Este argumento, se tivesse lógica, no limite proporia que as pessoas deixassem de usar cintos de segurança ou conduzissem sem luzes à noite somente porque há quem morra mesmo cumprindo estas regras.”

    eu não proponho que as pessoas deixem de usar preservativo, logo não percebo a analogia. Mas sei que nenhuma campanha a favor do uso de cinto de segurança passa a ideia de que o seu uso reduz a probabilidade de morte em acidente a zero.

    “Prefiro que pensem que reduz para zero do que pensem que não serve de nada.”

    Eu prefiro que estejam bem informadas - porque a percepção dos riscos envolvidos leva a alterações de comportamento. Não necessariamente entre o uso ou não uso de preservativo (nem me parece que seja essa a questão aqui em causa), mas sim entre a prática de sexo com preservativo com um parceiro de risco ou a não prática de sexo.

  19. Anónimo Diz:

    “Os promotores podiam ter optado por transmitir informação realista a um público adulto”

    Notável. Na realidade paralela em que o João Miranda se movimenta, a idade de iniciação sexual deve rondar os 30 anos. Desconfio também que para ele só indivíduos com formação universitária têm sexo.

    É também muito curioso que o post do JM não refira a eficiência do preservativo e que ele depois se recuse a fornecer os valores, suponho que por uma qualquer questão de princípio ou então para ilustrar o seu argumento - mas nada faz muito sentido. Enfim, fica aqui a sugestão de passar este abstract no final de cada spot, para que não sobrem dúvidas de que se pretende manipular a informação:

    Condoms were tested in an in vitro system simulating key physical conditions that can influence viral particle leakage through condoms during actual coitus. The system quantitatively addresses pressure, pH, temperature, surfactant properties, and anatomical geometry. A suspension of fluorescence-labeled, 110-nm polystyrene microspheres models free human immunodeficiency virus (HIV) in semen, and condom leakage is detected spectrofluorometrically. Leakage of HIV-sized particles through latex condoms was detectable (P less than 0.03) for as many as 29 of the 89 condoms tested. Worst-case condom barrier effectiveness (fluid transfer prevention), however, is shown to be at least 10(4) times better than not using a condom at all, suggesting that condom use substantially reduces but does not eliminate the risk of HIV transmission.
    PIP: Physical science researchers tested the ability of 89 undamaged latex condoms manufactured in the US to prevent passage of HIV=size particles under simulated physiologic conditions at their Food and Drug Administration laboratory in Rockville, Maryland. The design of the test system considered particle size, pH, surface tension, and time. A suspension of polystyrene 110 nm microspheres labeled with fluorescent dye served as the HIV-sized particle model in semen. They challenged each condom with this suspension for 30 minutes. The test did not include motion since stretching over the penis accounts for most pore stretching. Leakage of fluorescent dye occurred in 29 condoms (p .03). 21 condoms leaked at minimum leak rates 1 nl/s, 7 at 1-6 nl/s, and 1 at around 10 nl/s. Assuming the leakage occurred through the only pore in each condom, the pore diameters ranged from 2 to 7 mcm. Also assuming an even more conservative criterion, the qualitative results were the same: 11 condoms with leak rates were nl/s vs. 6 condoms with leak rates 1-9 nl/s (p .002). The widely used 300 ml water test did not indicate any pores in any of the condoms. In the extreme and highly unlikely scenario of all the fluid being pumped out of the condom, the transfer rate would be about 0.1 mcl after 10 minutes of thrusting after ejaculation filled the condom with semen (i.e., 0.01% of a typical 3 ml ejaculate). Thus proper use of latex condoms would result in exposure reduction from HIV of at least 4 orders of magnitude. These findings demonstrated that use of latex condoms can significantly reduce the risk of HIV transmission, but it does not eliminate that risk.

  20. Anónimo Diz:

    João André

    “Prefiro que pensem que reduz para zero do que pensem que não serve de nada.”

    É para isso mesmo que o JM está a chamar a atenção. Que tal a informação ser clara? 85%? 60-70%? 90-95%? Isto é um dado novo para muita gente. O que as campanhas passam é 100% (ou quase - só há risco quando o preservativo está avariado).

  21. vasco Diz:

    O Miranda acha que uma probabilidade de contágio de 1: 1000 com uma pessoa infectada torna as campanhas irrelevantes, mas indigna-se com a ocultação de que o preservativo (QUANDO CORRECTAMENTE USADO E NA AUSÊNCIA DE ACIDENTES) “só” reduz 10 000 vezes o risco de infecção.

  22. Vìtor Pimenta Diz:

    O meu caro João Miranda anda (que giro: Miranda-anda…) anda pouco acostumado à inteligência que abunda em todos os portugueses, inata mesmo.

    Então? É só pensar que a taxa de sucesso do preservativo (à volta dos 85-90%) na prevenção do VIH-SIDA é igual à taxa de em contracepção - toda a gente sabe isto não? O processo até leva os mesmos líquidos e tudo: sémen, corrimento e sangue (este de uma forma mais poética)…

    Fico a pensar que o João é um romântico contra a promiscuidade, pelo sexo com um ou com nenhum. :)

    PS: Quando diz, Homossexuais está a incluir as Lésbicas? É que essas, pelos números, são simplesmente o grupo com menor risco bem atrás de heteressexuais (1ºs) e dos reformados…

  23. PKS Diz:

    Boa posta.

    Parabéns por continuares a blasfemar contra o politicamente correto.

  24. Vìtor Pimenta Diz:

    (peço desculpa pela falta de palavras num sítio e noutros lugares a mais no meu comentário acima - fiquei entusiasmado)

    Deixem-me só acrescentar que fazer campanhas publicitárias baseadas só no risco, com a apresentação de estatísticas e gráficos, seriam de uma extrema monotonia.

    Isso fica pela Educação sexual, ou pelas campanhas in sito, que é muito feita pela “capacitação” das pessoas/alunos no controlo da sua saúde, com noção dos comportamentos de risco. Mais liberal que isto, não sei. Mas o João Miranda tem asco a Educação Sexual.

  25. Pizarro Diz:

    Em que programa da RCP foi debatido?

  26. Jason Statham Diz:

    “Em que programa da RCP foi debatido?”

    O link está num post de Maria João Pires, no blog 5dias.net

  27. Lololinhazinha Diz:

    Não consigo perceber esta má vontade com as campanhas contra a sida.
    Em primeiro lugar, em Portugal, não duram há trinta anos. Devem ter praticamente metade desse tempo.
    Em segundo lugar, nunca vi nenhuma campanha dizer que a utilização do preservativo elimina por completo o risco de transmissão do vírus.
    Em terceiro lugar, sendo a utilização do preservativo a melhor forma conhecida de controlar a transmissão da doença pela via sexual(à excepção da abstinência, pela certa mais difícil de vender) fico sem perceber o que é que o João Miranda propõe que se faça.
    1. Acha que não se deve fazer rigorosamente nada?
    2. Acha que se deve por notas de roda pé a nos anúncios na televisão a dizer às pessoas que também há probabilidades de nunca virem a contrair a doença mesmo que não usem um preservativo na vida e se envolvam sexualmente com tudo o que mexe?
    3. Porque é que não se deve insistir nas mesmas campanhas resultaram nos outros países da europa?

  28. João André Diz:

    Jorge A.:

    «eu não proponho que as pessoas deixem de usar preservativo, logo não percebo a analogia.»

    Peço desculpa, interpretei mal as suas palavras.

    «Eu prefiro que estejam bem informadas»

    Também eu, espero que não fique a ideia contrária. Mas também sei que isso será sempre impossível para toda a gente. Numa situação imperfeita, prefiro que se lembrem que o preservativo ajuda do que pensem que não ajude. Por isso mesmo defendo as campanhas.

    Caro anónimo:

    «É para isso mesmo que o JM está a chamar a atenção. Que tal a informação ser clara?»

    Tudo a favor de a tornar clara. Aliás, sou a favor de tornar tudo claro, inclusivamente as campanhas publicitárias que avançam com a letra miudinha no fundo do ecrã em alta velocidade. No caso da SIDA preferiria, obviamente, que se desse a informação correcta. Infelizmente (e antes que perguntem, não tenho quaisquer dados para suportar o que vou dizer) penso que caso digam que o preservativo é eficaz a 95% (sem se dizer que é completamente eficaz), muita gente, especialmente os mais jovens, poderão ignorar a mesma campanha. Já o fazem quando se lhes diz que o preservativo é completamente eficaz…

  29. As campanhas contra a SIDA e o lobby gay « O Insurgente Diz:

    [...] contra a SIDA e o lobby gay Arquivado como: Diversos — André Azevedo Alves @ 2:42 pm Campanhas contra a SIDA. Por João Miranda. Trinta anos de campanhas contra a SIDA produziram no público vagas, e muitas [...]

  30. Luís Lavoura Diz:

    Lololinhazinha, eu explico.

    A SIDA é uma doença de maricas e de drogados. É um castigo que Deus lhes impõe devido ao seu modo de vida pecador. As campanhas de luta contra a SIDA fazem crer que isso não é o caso, e que todos nós, mesmo aqueles que estamos monogamicamente (ou assim o pensamos!) casados, temos que ter cuidado. Essa mensagem é inconveniente.

    As campanhas de luta contra a SIDA incitam as pessoas a usar preservativo, o que é claramente proibido pela lei de Deus. Pelo menos uma eminente figura da Igreja (um cardeal) colocou já em causa que o preservativo tivesse qualquer eficácia, fosse como meio contracetivo, fosse como meio para impedir a contaminação com VIH. Esse cardeal deverá ter alguma razão, pelo que, as campanhas de luta contra a SIDA devem andar a dizer disparates.

    á percebeu Lololinhazinha? Perceba também que o João Miranda é um católico melífluo, provavelmente formado por jesuítas, que se especializou em defender certas teses sem nunca dizer claramente que as defende, sem nunca explicitar claramente o que pretende, e sem especificar claramente quem ataca.

  31. Essagora Diz:

    É a velha questão dos extremos. Entre “preservativo não serve para nada, mais vale encher de água e lançar do alto de um prédio” e “deve-se usar sempre preservativo mesmo em relações monogâmicas estáveis sem qualquer risco aparente - porque nunca se sabe” é capaz de haver um meio termo mais aceitável.

    Ainda não vi aqui ninguém advogar qualquer destes extremos, mas já vi muita gente fingir que os outros o fazem para facilitar a retórica.

    Eu compararia “deve-se usar sempre preservativo mesmo em relações monogâmicas estáveis sem qualquer risco aparente - porque nunca se sabe” a “usa sempre uma armadura de ferro quando atravessares a rua, mesmo que o faças numa passadeira com sinal vermelho para os automóveis no meio de uma recta de kilómetros e sem trânsito à vista - porque nunca se sabe”.

  32. EMS Diz:

    Ó “Essagora”, não é por nada mas já fui atropelado numa passadeira.
    O “essagora” tem a certeza que uma pessoa monogamica sabe o que anda a fazer o seu amantissimo conjuge?

  33. Lololinhazinha Diz:

    “Ainda não vi aqui ninguém advogar qualquer destes extremos, mas já vi muita gente fingir que os outros o fazem para facilitar a retórica.”

    Essagora,

    Bom, então passa a ver. Eu defendo a utilização de preservativo mesmo entre casais com relações estáveis.

  34. Essagora Diz:

    EMS,
    ora lá está. Armaduras para todos!!

    Não, não tenho certeza nenhuma. Mas entre riscos de diferentes orderns de grandeza eu tenho a mania de me preocupar mais com os riscos maiores.
    Lá diz o ditado: cada tolo com a sua mania!

  35. Essagora Diz:

    Lololinhazinha,
    se vc tivesse uma relação estável comigo (não, não lhe desejo tamanho mal) e me viesse com essa bela teoria dificilmente continuaríamos a ter uma relação.

  36. Luís Lavoura Diz:

    “Eu defendo a utilização de preservativo mesmo entre casais com relações estáveis.”

    Defende e pratica, Lololinhazinha?

    Eu penso que Você tem razão. Conheço um casal (casado pela Igreja) com uma relação estável, com filhos, que tem entre si relações sexuais com a devida frequência, e em que o homem tem uma amante por fora, com a qual tem relações sexuais nos dias em que não as tem com a legítima esposa.

    E não deve ser caso único. Longe disso.

  37. Lololinhazinha Diz:

    Essagora,

    Pois! É um pensamento à portuguesa que justifica o facto de nós não conseguirmos controlar o aumento dos casos de sida, ao contrário do que acontece nos outros países.
    O que lhe posso dizer é que na minha opinião são hábitos culturais que as pessoas adquirem. Da mesma maneira como não acredito que os casais na faixa etária dos 50 anos comecem agora a utilizar preservativo nas relações uns com os outros, posso dizer que tenho esperança que aqueles que agora têm 18 e 20 adquiram esse hábito e o mantenham.

    Se algumas pessoas tivessem uma percepção mais realista dos níveis de infidelidade talvez achassem os preservativos menos chatos.

  38. Lololinhazinha Diz:

    Luís Lavoura,

    Defendo e pratico.

    Pela amostragem dos meus amigos homens (e algumas amigas mulheres) posso fazer uma projecção estatística do valor da pseudo-monogamia em Lisboa. Está sempre à distância dos humores da louraça do lado! Tendo este facto como pressuposto não tenho motivos que me levem a pensar que a excepção á regra me caiu no colo.
    Além disso, considerando que todos os contraceptivos têm lados negativos, pessoalmente este parece-me o que reúne mais vantagens.

  39. espumante Diz:

    “…Trinta anos de campanhas serviram essencialmente para transmitir algumas normas conduta, normalmente inspiradas em movimentos alternativos de luta pelos direitos dos homossexuais…”

    Caro João Miranda
    Normalmente não comento, quanto mais não seja por que é difícil “caber” na multidão que se apressa a comentar os seus textos, mesmo ou sobretudo aqueles que os acham estúpidos ou desinteressantes. Desta vez, porém, não resisto a felicitá-lo pela certeza do post.

  40. EB Diz:

    “Os promotores podiam ter optado por transmitir informação realista a um público adulto capaz de aprender a interpretar a informação e de agir de acordo com os seus próprios princípios e de escolher as suas normas de conduta.”

    Público adulto? Próprios princípios e normas de conduta?

    Ahahah, não sei em que planeta o JM vive mas olhe fica o conselho: dê um passeio fora do seu escritorio e conheça pessoas reais.

    Esta coisa de só contactar com pessoas “elctronicas” anda nitidamente a afectá-lo.

  41. JPG Diz:

    JoaoMiranda Diz:
    23 Julho, 2008 às 12:22 pm
    ««Penso estar mais do que provado que a eficácia do preservativo é muito alta.»»

    Pode-me dar valores?

    «Latex condoms can provide up to 98-99 percent protection against pregnancy and most STDs, including HIV infection, but only if they are used consistently and correctly.» (Condom Effectiveness Studies)

  42. Luís Lavoura Diz:

    “pessoalmente este [contracetivo] parece-me o que reúne mais vantagens”

    Sem dúvida que tem razão… pessoalmente, isto é, do Seu ponto de vista como mulher!

  43. Miguel Madeira Diz:

    “Faz sequer ideia da quantidade de pessoas que pensa que o uso de preservativo reduz o risco para zero?”

    Por outro lado, muita gente está convencida que sexo sem preservativo com uma pessoa infectada tem um risco próximo de 1…

    A tal diferença de 85% é relevante:

    Se uma pessoa tiver 500 relações sexuais sem preservativo com alguém infectado, a probabilidade de ficar contaminado é de cerca de 40% (no caso de de um tipo de raleção com uma probabilidade de infecção de 0,1%).

    Se, devido ao uso de preservativo, a probabilidade de infecção baixar para 0,015%, a probabilidade de estar infectado ao fim de 500 relações passa a ser de 7,5% (de 40% para 7,5% vai alguma diferença)

    Se estivermos a falar de um tipo de relação com um probabilidade de infecção de 0,5%, a probabilidade de estar infectado ao fim de 500 vezes passa de 92% para 31%.

  44. Beirão Diz:

    O politicamente correcto a caminho de ditadura(pelo menos fiscal para pagar os seus desmandos humanistas)seria mais honesta se propagandeasse por ordem decrescente de risco os grupos que deveriam usar preservativo.É que ninguém tem culpa de haver putas casadas, homens casados que vão a enrabadores profissionais e solteiros que vão a putas desqualificadas de outras bandas que podem mercêda sua origem dar mais brindes do que o euromilhões…

  45. Beirão Diz:

    O pessoal da Quinta da Fonte é que ainda não se apercebeu do imenso mercado de swing constituido pela mentes progressitas e abertas nesta capital do império cá dentro e por nossa conta…

  46. Zé do Boné Diz:

    Só para subscrever e apoiar o comentário nº 16, que deveria ser levado em atenção por todos os comentadores das intervenções do JM

  47. Essagora Diz:

    Lololinhazinha,
    obviamente que cada um encara a relação estável à sua maneira.

    Eu não concebo uma relação estável sem entrega total. Isto implica, entre outras coisas, respeito, honestidade e confiança. Para mim, implica também fidelidade.
    Isto é aquilo que eu ofereço e exijo. Não é negociável, amor para mim implica todos esses itens e sem amor não há relação estável que eu queira.

    Dentro deste enquadramento quem me vier com a ideia peregrina de que “vamos passar a usar preservativo, só por causa das coisas”, é porque não concorda com a minha visão. E nesse caso procuro outra pessoa que a partilhe. Tão simples e tão doloroso quanto isso.

    Acredito que haja quem queira manter a aparência de que as coisas são assim, enquanto vai dando as suas facadinhas pela calada. Mais do que acreditar, sei que é assim. Chama-se a isso hipocrisia. Não é o meu estilo.

    Também acredito, aliás sei, que há pessoas para quem o amor não implica necessariamente fidelidade. Ou então que têm conceitos de fidelidade distintos do meu, no qual podem caber relações físicas com outras pessoas. Tudo bem, não tenho nada contra isso, é entre eles e se ambos concordam eu apoio e espero que sejam felizes.

    No entanto, dizer que num casamento se deve sempre usar preservativo implica que o modelo de casamento deve ser sempre este último que eu referi, ou no limite será o segundo, o que para mim é uma barbaridade. Devo ser um gajo muito retrógrado.

  48. Piscoiso Diz:

    “Essagora”, quando se diz que num casamento se deve usar sempre preservativo, não quer dizer que se tenha de usar na pila.
    Tem muitas aplicações em bricolage.

  49. Essagora Diz:

    Piscoiso,
    essa coisa do pensamento lateral dá sempre cabo de mim…
    :)

  50. Sofia Ventura Diz:

    “Eu não concebo uma relação estável sem entrega total. Isto implica, entre outras coisas, respeito, honestidade e confiança. Para mim, implica também fidelidade.
    Isto é aquilo que eu ofereço e exijo. Não é negociável, amor para mim implica todos esses itens e sem amor não há relação estável que eu queira.”

    Estamos de acordo, Essagora. O problema é que quando o outro nos procura e diz: “desculpa, passou-se isto”; e nós respondemos: “então não quero mais”, já pode ser tarde.

  51. ourição Diz:

    A noção de risco não cabe na cabeça do tuga o que explica não só a elevada taxa de sidosos como pior ainda, a razão das escolhas da maioria, de estarmos como estamos, ou seja à beira do colapso. Ainda se ouvem alguns violinos tal como antes do afundamento do Titanic, mas já muitos sentem os pés molhados. Virá o dia em que os mais lestos correrão para as baleeiras aos empurrões quando virem o focinho dos ratos a assumar no convés.

  52. Pizarro Diz:

    Jason Statham , ponha-me aí o link, que gostava de ouvir. E não consigo procurar naquele blog, aquilo que lá leio faz-me ficar com a visão turva.

  53. Luisa Vassoura Diz:

    Eu cá prefiro presevativos com sabor a manga. Também dizem que estes são mais eficazes contra a SIDA e são só estes que eu uso!…

  54. Jason Statham Diz:

    http://5dias.net/2008/07/16/contas-furadas-por-vasco-barreto/

  55. Ricardo Diz:

    ” Pela amostragem dos meus amigos homens (e algumas amigas mulheres) posso fazer uma projecção estatística do valor da pseudo-monogamia em Lisboa. Está sempre à distância dos humores da louraça do lado!”

    Essas louras deviam ter mais respeito por homens casados- )

  56. Ricardo Diz:

    ” Eu penso que Você tem razão. Conheço um casal (casado pela Igreja) com uma relação estável, com filhos, que tem entre si relações sexuais com a devida frequência, e em que o homem tem uma amante por fora, com a qual tem relações sexuais nos dias em que não as tem com a legítima esposa. ”

    Olha outro. Aposto que é loura. São umas malandras, essas louraças. Metem-se com os homens todos e ainda xupam a guita.
    A guita. Leram bem ?

  57. Essagora Diz:

    Sofia Ventura,

    “quando o outro nos procura e diz: “desculpa, passou-se isto”; e nós respondemos: “então não quero mais”, já pode ser tarde.”

    Primeiro, temos que assumir que o outro diz “desculpa, passou-se isto e não usei aquilo” (preservativo) - a probabilidade não desaparece mas torna-se insignificante, digo eu.
    Depois, temos que assumir que o outro nos procura depois de já ter tido relações connosco.
    Para além disso, tem que se ter passado “isso” com alguém infectado.
    Por fim, ele próprio tem que ter tido o azar de ficar infectado e nós termos tido o azar de sermos infectados por ele.

    São muitas assunções, muito azar. A probabilidade é muito baixa, o que não deixa de ser dramático para aqueles a quem realmente acontece, claro.
    Eu prefiro incomodar-me com outras coisas.

    Claro que as probabilidades aumentam se a pessoa em quem confiamos tanto leva uma vida dupla de completo deboche e imersão total em comportamentos de risco. Pode até acontecer, mas eu gosto de acreditar que não pode acontecer comigo.

  58. ferro Diz:

    depois de mais um excelente post revelador, vou deixar de usar preservativo e passar a benzer-me. Tudo de acordo com os canônes religiosos do momento.

  59. Sofia Ventura Diz:

    “mas eu gosto de acreditar que não pode acontecer comigo.”

    Don’t we all?
    ;)

  60. Essagora Diz:

    Ferro,
    és engraçado.

    Os cânones não são aqueles que te apetece.
    Para seguires “os cânones religiosos do momento” tens que ter relações sexuais apenas dentro do casamento religioso e apenas com fim reprodutor. Tanto quanto eu julgo saber, as relações com fins recreativos até são toleradas, mas novamente apenas dentro do casamento religioso.

    Se o Ferro e toda a gente seguisse “os cânones religiosos do momento” não haveria qualquer problema de propagação de SIDA.

  61. ferro Diz:

    caro essagora se a igreja não admitisse a possibilidade de transgressão não tinha inventado a confissão, nem esta seria redentora.

  62. Essagora Diz:

    Sofia Ventura,
    claro que posso viver numa ilusão.

    Mas desde a primeira fase de qualquer relação que eu deixo claro quais são as minhas posições. A honestidade é sempre pedra basilar e a comunicação está sempre muito presente. Acho que teria que encontrar uma verdadeira mestre na arte da mentira e mistificação para ser tão completamente enganado.

    E como não pertenço a nenhum grupo de risco - não sou rico, nem famoso, nem sou propriamente um Brad Pitt - seria realmente estranho que alguém se desse a tanto trabalho para me enganar dessa forma.
    Acho eu…

  63. ferro Diz:

    o “fim recreativo” é uma força a que ninguém é indiferente. Nem a ortodoxia.

  64. Essagora Diz:

    Ferro,
    desse ponto de vista pode perfeitamente usar o preservativo e manter-se dentro dos cânones religiosos.

    Qual era mesmo o objectivo do seu comentário para além de atacar gratuitamente as instituições religiosas?

  65. ferro Diz:

    desde quando dizer que a igreja não admite o preservativo é ataca-la?

  66. Sofia Ventura Diz:

    Essagora,

    O que tenho estado a evitar dizer é que, do ponto de vista da prática, estou consigo. Se calhar, sou é um bocadinho mais céptica quando à bondade da nossa opção.

  67. Pizarro Diz:

    Mais uma vez a ignorância. Por favor diga-me onde está escrito que a igreja não admite o preservativo.

  68. ferro Diz:

    a menos que a igreja tenha mudado de directivas recentemente - e nesse caso assumo a ignorancia - está escrito em muitos lados.

  69. Cátia Diz:

    “Na verdade, o conteúdo informativo das campanhas foi sempre muito baixo por opção dos promotores.”

    De que é que estava à espera? De extensos textos a passar na televisão ou chapados em outdoors?

    “É sempre interessante ver como alguns leitores reagem quando tomam conhecimento das reais probabilidades do risco de infecção.”

    As cenas que tenho presenciado são deprimentos. Nelas os leitores/ouvintes começam a fazer contas, a ver as probabilidades e a pensar “a probabilidade é baixa, as hipóteses sao poucas, por isso se arriscar possivelmente nem me vai acontecer nada a não ser sentir muito mais prazer…”.

    “Os promotores podiam ter optado por transmitir informação realista a um público adulto capaz de aprender a interpretar a informação e de agir de acordo com os seus próprios princípios e de escolher as suas normas de conduta.”

    As mensagens estão lá, só não eprcebe quem não quer. Colocar mais informação é tirar aquilo que de apelativo as campanhas, assim ao invés de chagar a vários a informação chegaria a quase nenhuns.

    “Optaram por paternalizar a sua audiência e de lhes transmitir directamente as normas de conduta.”

    Nãoe stamos no âmbito dos comportamentos socialmente aceites (até porque aí teríamos de incluir a aceitação das relações completamente desprotegidas entre cônjuges). Estamos no âmbito da saúde e daquilo que são os comportamentos recomendados. É isso que as campanhas têm feito, passar informação sobre aquilo que é recomendado e aquilo que não é recomendado.

    “O resultado é uma população que acredita que deve usar preservativo mas que ignora qual é a eficácia do preservativo.”

    Para efeitos de SIDA não interessa a eficácia concreta do rpeservativo. Toda a gente sabe que é elevada a eficácia quando ele é bem colocado e isso é suficiente. Não interessa proque não há substituto, o único meio de evitar contaminação com SIDA, num relacionamento sexual é usar o preservativo.

    “Ou que acredita que os homossexuais não devem ser discriminados na doação de sangue, mas não percebe as vantagens práticas desse tipo de discriminações.”

    Preconceito! Os cuidados a ter na recolha de sangue devem ser tidos para com todos os doadores, sem excepção, apesar de se requerer mais atenção sobre grupos de risco. E como se sabe, um cônjuge de um casal heterosexual pode perfeitamente pertencer a um grupo de risco.

  70. Lololinhazinha Diz:

    “O que tenho estado a evitar dizer é que, do ponto de vista da prática, estou consigo. Se calhar, sou é um bocadinho mais céptica quando à bondade da nossa opção”

    Sofia,

    Do ponto de vista teórico também eu gostaria imenso de acreditar na concretização das boas intenções de fidelidade eterna. Simplesmente, a vida mostra-nos todos os dias que as coisas não são assim.

  71. Anónimo Diz:

    Ferro,
    “vou deixar de usar preservativo e passar a benzer-me. Tudo de acordo com os canônes religiosos do momento.”

    O tema religioso não estava na mesa. Para que trouxe o assunto à baila? Será que me enganei e foi para elogiar a igreja?

  72. Essagora Diz:

    O comentário 71 é meu.

    Lololinhazinha,
    eu não tenho grandes ilusões quanto ao tema da fidelidade eterna. Qualquer um de nós está longe de ser perfeito.

    No entanto, uma coisa é ser infiel porque houve alguma situação extraordinária em que não fomos capazes de resistir.
    Outra coisa é ser infiel repetidamente. Sem utilizar protecção. E voltar despreocupadamente aos braços de alguém que nos ama e confia em nós, mentindo, já que a jura de fidelidade continua a ser válida e ignorando o risco em que colocamos essa pessoa.

    Basta uma destas três situações não se verificar para o risco ser ínfimo.
    Será lógico assumir a uma escala global que toda a gente é assim?

  73. ferro Diz:

    “O tema religioso não estava na mesa. Para que trouxe o assunto à baila? Será que me enganei e foi para elogiar a igreja?”

    lembrei-me que quem trouxe primeiro à discussão a eficácia dos preservativos e a questão dos grupos de risco foi um certo bispo. Coincidência?

  74. Pizarro Diz:

    Então diga-me lá em que “sítios” é que isso está escrito.

  75. ferro Diz:

    http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=igreja+proibe+preservativo&meta=
    204 mil entradas

  76. Pizarro Diz:

    Não está a perceber, quero um qq sítio que constitua uma declaração oficial da igreja… já agora, qual é a posição das outras igrejas (que não a Católica) face a este assunto?

  77. Gabriel Silva Diz:

    Pizarro,

    O alegado normativo é este:

    «“É de excluir, como o Ministério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização directa, tanto perpétua como temporária, e tanto do homem como da mulher; é, ainda, de excluir toda acção que, ou em previsão do acto conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” ( nº 14, Humane Vitae).

    Faz hoje , 25 de Julho, 40 anos que foi publicada.

    No entanto, julgo que não se encontrará um único documento do Vaticano com a palavra «preservativo»….

  78. Pizarro Diz:

    Pois, a verdade é que a posição oficial do Vaticano e da igreja no seu geral é um pouco diferente daquilo que se quer pintar (hoje em dia tornou-se moda ser-se contra a igreja Católica). O que se defende é que a solução passa por uma atitude responsável nos comportamentos sexuais, na própria forma de estar na vida, o que em parte a verificar-se aí sim, teríamos uma verdadeira redução dos casos de contaminação. No entanto, a igreja admite que, em último caso, se tal não for possível, então que se use o preservativo. A única coisa que diz é que a verdadeira solução não é o preservativo, mas sim uma mudança nos comportamentos.

    Algo que me mete alguma confusão é que sempre que se fala nesta questão vai-se buscar a igreja Católica. Por que não falar também da posição das outras igrejas? Se é que elas têm alguma posição… Hoje em dia é moda ser-se ateu, anti-americano, vegetariano, verde e contra o Capitalismo. Mais ainda, passámos anos a falar de Ditadura, PIDE e afins, e nunca como hoje o Português aceita tão bem a intromissão na sua vida privada, o control estatal sobre tudo e todos. É no mínimo irónico…

  79. Lololinhazinha Diz:

    Pizarro,

    1/6 da população de Moçambique está infectado com o vírus.
    As missões têm uma importância fundamental na sociedade Moçambicana. Não vale a pena fazer de conta que a posição da igreja católica sobre este assunto não é essencial.

  80. Essagora Diz:

    Lololinhazinha,
    juro que não percebo esse argumento.

    É suposto os Moçambicanos não usarem preservativo *porque* a igreja diz que não se deve usar preservativo?
    Do mesmo modo, não seria suposto os Moçambicanos evitarem comportamentos de risco (homosexualidade, sexo fora do casamento), já que a igreja também diz que não o devem fazer?

  81. Lololinhazinha Diz:

    Essagora,

    Não percebe porque não quer perceber.
    Sendo as missões (em moçambique) a melhor - por vezes a única - forma de chegar às pessoas, não apenas deviam empenhar-se em convencer as pessoas a utilizar preservativos como ainda os deveriam distribuir.

  82. Essagora Diz:

    Lololinhazinha,
    imagine que eu lhe ofereço um preservativo. O que é que a Lololinhazinha entenderia?

    a) Sexo só dentro do casamento
    b) Sexo já, seja com quem for, desde que protegido

    E qual acha que é a mensagem que a igreja quer passar?

  83. Lololinhazinha Diz:

    Essagora,

    O que eu quero dizer é que a igreja católica, principalmente em África, onde tem uma importância fundamental, deveria estar mais preocupada em salvar vidas do que em transmitir mensagens de salvação da alma.
    E eu estou a falar de Moçambique. Logo nao faz sentido exportar essas ideias de sexo dentro ou fora do casamento. A sida está dentro do casamento. São, pelo menos, 1/6!!
    É urgente que a igreja católica colabore activamente na tentativa de controlo da doença em áfrica, onde é duas mil vezes mais fácil incutir nas pessoas a ideia da utilização do preservativo do que da fidelidade conjugal.
    Não estamos a falar de locais onde possam ser feitos anúncios pela Tv ou comapanhas com outdoors. Dada a importância que as missões têm na sociedade Moçambicana pode-se dizer que têm uma responsabilidade acrescida porque são quem está em melhores condições para ajudar a resolver este problema.

  84. cinco dias » Continuando a discussão Diz:

    [...] a discussão 25 Julho 2008 | por Ana Matos Pires Depois de ler este post não resisto a recordar que a enormíssima maioria das campanhas é dirigida, e bem, à prevenção [...]

  85. Ana Matos Pires Diz:

    Um esclarecimento, Jason Statham, V. foge à verdade - mente, portanto - quando afirma que o JM foi gozado por quem quer que seja no RCP. Qualquer um dos convidados a participar na conversa defende com afinco - e, por vezes, com zanga - os seus pontos de vista, mas ninguém tem por princípio “gozar” quem quer que seja por discordância de opinião, que fique claro.

  86. soropositivo Diz:

    Qualquer que seja a eficiência, há estudos que comprovam 99% de eficácia, nem é este o ponto.
    O ponto é: Sem preservativo o risco de contágio é de cem por cento.
    Será que as pessoas, para justificarem suas atitudes irresponsáveis vão buscar salva guardas numa hipótese inexata?
    Durante anos me relacionei como soronegativas e nenhuma delas foi infectada!
    Quanta barbaridade eu li numa só página!!!!!

    A Verdade Sobre Preservativos

    Várias pessoas dizem que os preservativos são inseguros e a educação sexual é ineficiente para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Isso não é verdade e já está na hora de esclarecer as coisas de uma maneira direta.

    É importante saber de onde vêm as afirmações de forma que você possa verificar e julgar a probidade da fonte. Assim, para informação sobre a confiabilidade do preservativo, vejamos o que o CDC (Centro para Controle Prevenção de Doença - departamento do governo de EUA) realmente tem que dizer.

    Abaixo citações de panfletos de CDC:

    Houve recentes relatórios de ocorrência de poros (furos) no látex dos preservativos e que estes poros seriam grandes o bastante para o HIV atravessar. Por que CDC recomendam ainda preservativos para prevenir infecção de HIV?

    Os relatórios sobre furos em látex parecem ter originado de um artigo em uma Revista Científica sobre luvas de látex e não sobre preservativos. Buracos tão grande quanto 5 mícrons de diâmetro foram identificados em látex usado em luvas. Porém, as luvas só são imergidas uma vez no látex quando são feitas, enquanto os preservativos são imergidos duas vezes no látex. É aceitável que as luvas de látex falhem em testes de vazamento de água a uma taxa de 40 por mil, enquanto são permitidos apenas 4 fracassos no teste de vazamento de água por mil preservativos antes que o grupo inteiro seja rejeitado. Enquanto foram encontrados furos que permitissem a passagem do HIV em preservativos de membrana naturais (como os de tripa de cordeiro), os preservativos de látex não permitem ao HIV esta passagem, a menos que o preservativo esteja estragado ou rasgado. Usado corretamente, preservativos de látex são efetivos na redução do risco de infecção por HIV.

    (CDC Boletim, 1 de julho de 1992.)

    1.Pode o HIV “escoar” por furos microscópicos em preservativos de látex?

    O FDA publicou um estudo feito entre julho e agosto 1992 sobre DST determinando que o HIV poderia passar pelos furos do preservativo em condições laboratoriais de intenso “stress”. Estas condições incluíram concentrações mais altas do ” vírus ” (carga viral) do que normalmente se encontra no sêmen humano, e forças que simularam 10 minutos de pressão DEPOIS DA ejaculação. A maioria dos preservativos de látex não permitiram o vazamento de absolutamente nada. O pior preservativo achado ainda reduziria o risco de exposição cerca de 10,000 vezes, só 1 vírus HIV poderia escoar em 1 de todos os 90 preservativos. Em outros testes executados debaixo de ” condições normais “, o HIV não atravessa um preservativo de látex que não esteja rasgado ou danificado.

    2.Com que freqüência os preservativos estouram?

    Os estudos não concordam em uma taxa exata de estouro. Muitos estudos sobre a efetividade do preservativo contaram com que freqüência mulheres cujos os parceiros usaram preservativos para controle de natalidade engravidaram. Esta ” taxa ” de falha inclui casos onde o casal não usou um preservativo toda vez que tiveram relações ou que não tenha usado os preservativos corretamente. Alguns estudos incluíram as vezes em que o preservativo era acidentalmente rasgado pelas pessoas que os utilizaram. Estudos em outros países sobre estouro causado por defeitos no próprio preservativo mostram uma taxa de estouro que varia de 0% a 7%. Nos Estados Unidos, a maioria dos estudos mostram que a taxa de estouro é menos de 2 para cada 100 preservativos, provavelmente menos de 1 para 100.

    (CDC Boletim, 28 de janeiro de 1993.)

    Estudos mostraram que preservativos são 98% efetivos quando usados corretamente. (J. Trussel; Fracasso anticoncepcional nos Estados Unidos: Uma Atualização, Estudo de controle de natalidade, 21(1), 1990.) (Outros estudos mostram efetividade até melhor).

    Assim se você está tendo relações sexuais, use camisinha, e aprenda a usá-las corretamente.

    Agora, sobre educação sexual: nenhum estudo científico comprovou a efetividade de estratégias que ensinam a abstinência sexual. Na realidade, três estudos mostraram que a educação fundamentada na abstinência sexual não está surtindo nenhum efeito; os adolescentes continuam mantendo relações sexuais. (S. Christopher e M. Roosa, ” Uma Avaliação de um Programa de Prevenção de Gravidez Adolescente,: E ” Só Diga não é o bastante? Relações Familiares, 39 (1990): 68-72; M. Roosa e S. Christopher, ” Avaliação de um Programa de Prevenção de Gravidez Adolescente com abstinência sexual,)

    Por outro lado, há evidências bastante convincentes de que a “educação inclusiva” ou ” baseada em realidade ” (o tipo que nós defendemos) é bastante efetiva. Países como a Inglaterra, Gales, França e o Países Baixos que se adaptaram à educação sexual baseada na realidade dos fatos tiveram as taxas de gravidez adolescente reduzidas de duas a sete vezes, embora as taxas de atividade sexual continuem aproximadamente as mesmas (50-60%). (E. F. o Jones al de et., gravidez “Adolescentes em países desenvolvidos: fatores determinantes e implicações da política educacional”.

    PERSPECTIVAS de controle de natalidade, 17(2), 1985, 53-63.)

    Assim, por que há pessoas que afirmam que o exatamente oposto é a verdade? É duro dizer; mas eu sei que há grupos muito conservadores e fanaticamente religiosos que estão espalhando mentiras sobre sexo seguro e educação sexual num esforço para impor seu sistema moral em todo o mundo, sem consideração para as conseqüências catastróficas em nossas vidas, nossa liberdade e à busca de felicidade.

    http://www.soropositivo.org

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