O governo e a Qimonda

Qimonda, maior exportador nacional, abre processo de falência

A Qimonda foi usada pelo Governo Sócrates como a jóia da coroa da economia nacional. Era a empresa que permitia que o país tivesse uma balança comercial positiva na área das tecnologias, de que o governo tanto se gabava. Claro que o mérito não era do governo, mas da Qimonda, que por feliz acaso se instalou em Portugal, como se poderia ter instalado na Galiza ou no leste europeu. Mas ninguém confrontou o governo com estes factos simples. Toda a gente viveu na ilusão do país exportador de produtos tecnológicos, como se isso fosse minimamente relevante.

Se a Qimonda de facto falir, Portugal deixará de ter a tal balança comercial positiva em produtos tecnológicos. Se o governo atribuía a si próprio o mérito pela situação anterior, creio que devemos agora atribuir-lhe a responsabilidade pela nova situação. Se os governos fingem que são responsáveis pela economia em tempo de crescimento, nós devemos fingir que também são responsáveis em tempo de crise.

Outro ponto interessante é que o governo tentou salvar a Qimonda, injectando, via Caixa Geral de Depósitos, 100 milhões de euros. Quando o fez, foi elogiado por salvar a Qimonda, apesar de, como está à vista, não a ter salvo de facto. Ou seja, na via política portuguesa (pelos vistos na política internacional ocorre o mesmo) as palavras são mais importantes que os factos. O governo é mais elogiado se anunciar que salvou a Qimonda do que se salvar de facto a Qimonda.

26 Comentários

  1. Posted 23 Janeiro, 2009 at 11:36 | Permalink

    «as palavras são mais importantes que os factos»

    Mas olhe que o post tem algumas gralhas

  2. ZULU
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 11:43 | Permalink

    E para quando um estudo independente……. realizado no estrangeiro, pois só assim tem credibilidade neste portugal dos pequeninos a arrasar o tgv, tipo custo e beneficios das redes transeuropeias e a gozar com os tugas por andarem a atirar dinheiro ao lixo. Provar o que toda a gente sabe que vai acontecer, um fartar de vilanagem por parte de algumas empresas e um encargo para todos durante gerações.

  3. Posted 23 Janeiro, 2009 at 11:45 | Permalink

    E onde foram parar os 100.000.000 € do nosso dinheiro?

    Crime, digo eu!

  4. tina
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 11:54 | Permalink

    Não parece que tenham chegado a investir, de acordo com a notícia.

  5. Anónimo
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 11:58 | Permalink

    Quantos 100.000.000 € do nosso dinheiro não entraram nesta empresa?
    Era uma pergunta que talvez merecesse uma resposta.

  6. Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:08 | Permalink

    «Se os governos fingem que são responsáveis pela economia em tempo de crescimento, nós devemos fingir que também são responsáveis em tempo de crise.»

    Na mouche!

  7. Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:23 | Permalink

    Quero ver agora José Sócrates e Manuel Pinho a falar sobre a possível falência da Quimonda.
    Isso é que era de homem… ter coragem de falar hoje, ao país, sobre a Quimonda…

  8. Gabriel Silva
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:26 | Permalink

    Nuno Costa,
    se o banco estatal «empresta» dinheiro a uma empresa, que nem assim consegue sobreviver, sinal de que não tem realmente viabilidade, o dinheiro concedido não é um empréstimo (que envolve perspectiva de retorno vi lucros), mas sim verdadeiramente uma injecção. Ou subsídio se preferir. Ou mesmo doação….

  9. Socialista-bufo
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:26 | Permalink

    CGD não chegou a emprestar os 100 milhões

    Em Dezembro passado, a empresa estava a negociar um empréstimo de 325 milhões de euros (100 milhões da CGD, 150 milhões do Governo alemão da Saxónia e 75 milhões da casa-mãe, a Infineon) e tinha avançado em Outubro com uma redução de pessoal na ordem dos três mil funcionários, com o objectivo de reduzir custos no valor de 450 milhões de euros ao ano.

    A Agência Financeira contactou a CGD para saber se o empréstimo tinha chegado a ser feito, mas fonte oficial recusou-se a comentar. Já fonte próxima da unidade portuguesa da Qimonda, afirmou à Agência Financeira que as negociações ainda estavam a decorrer e que o empréstimo não chegou a ser efectivado.

    http://diario.iol.pt/economia/portugal-alemanha-europa-qimonda-falencia/1035548-4058.html

  10. Gabriel Silva
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:34 | Permalink

    «Mas alguém injectou alguma coisa na quimonda?????»

    então o governo nada fez para a salvar, pelo que não deveria ter andado nas televisões a gabar-se falsamente de que o ia fazer

  11. Anónimo
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 12:36 | Permalink

    Nuno Costa,

    Sócrates esteve na empresa a anunciar apoios em Maio de 2008.
    Se o dinheiro não entrou, então fez um anúncio sobre uma coisa que nunca existiu.

  12. Socialista-bufo
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 13:01 | Permalink

    é o choque tecnologico prometido por socrates: portugal está a entrar em curto-circuito

  13. Pi-Erre
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 13:35 | Permalink

    Nos tempos que correm só vale a pena investir nas touradas.

  14. Anónimo
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 13:51 | Permalink

    Sem dúvida, com estes media rastejantes ou moços de recados o que interessa é o que se propaga…e não o que se (não) faz.

  15. Mr. Hyde
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 14:24 | Permalink

    Seria JM capaz de publicar este texto no DN?

  16. Posted 23 Janeiro, 2009 at 14:58 | Permalink

    Gabriel Silva, discordo de sim.
    Em tenho um empréstimo de habitação na CGD, se deixar de o pagar e a CGD não conseguir vender a minha habitação, esse empréstimo deixou de o ser para passar a ser verdadeiramente uma injecção, ou subsídio, o mesmo doação para a minha família por parte da CGD?
    O governo como o Gabriel diz anunciou que ia ajudar, mas sempre disse que estavam dependentes da ajuda Alemã que não chegou a concretizar-se. Esta resposta serve também para o anónimo 12.

    Não estou a defender o governo, até porque não precisa de defesa. Mas como cidadão custa-me ver criticar por tudo e por nada, principalmente quando criticamos os outros por mentirem e usamos mentiras para fazer essa mesma critica.
    O debate das coisas só é sério quando tivermos capacidade de criticar o que é criticável e elogiar o que é elogiável.
    Já agora deixo a pergunta, o que fariam vocês no lugar do governo? Falavam sempre verdade? Acham que nós como sociedade aceitaríamos e promoveríamos políticos que falassem sempre a verdade. Qual de nós não beneficiou e tem pessoas na família que não beneficiaram de conhecimentos nos diversos patamares da política e da administração pública, por mais insignificante que fosse o beneficio?
    Eu faço mea culpa, eu já beneficiei!
    Nós, os chamados povos do Sul não temos cultura colectiva.
    Às vezes fico com a sensação que o políticos nasceram de geração espontânea e não nasceram no seio da sociedade portuguesa.

  17. Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:00 | Permalink

    Gabriel Silva, discordo de si.
    Em tenho um empréstimo de habitação na CGD, se deixar de o pagar e a CGD não conseguir vender a minha habitação, esse empréstimo deixou de o ser para passar a ser verdadeiramente uma injecção, ou subsídio, o mesmo doação para a minha família por parte da CGD?
    O governo como o Gabriel diz anunciou que ia ajudar, mas sempre disse que estavam dependentes da ajuda Alemã que não chegou a concretizar-se. Esta resposta serve também para o anónimo 12.

    Não estou a defender o governo, até porque não precisa de defesa. Mas como cidadão custa-me ver criticar por tudo e por nada, principalmente quando criticamos os outros por mentirem e usamos mentiras para fazer essa mesma critica.
    O debate das coisas só é sério quando tivermos capacidade de criticar o que é criticável e elogiar o que é elogiável.
    Já agora deixo a pergunta, o que fariam vocês no lugar do governo? Falavam sempre verdade? Acham que nós como sociedade aceitaríamos e promoveríamos políticos que falassem sempre a verdade. Qual de nós não beneficiou e tem pessoas na família que não beneficiaram de conhecimentos nos diversos patamares da política e da administração pública, por mais insignificante que fosse o beneficio?
    Eu faço mea culpa, eu já beneficiei!
    Nós, os chamados povos do Sul não temos cultura colectiva.
    Às vezes fico com a sensação que o políticos nasceram de geração espontânea e não nasceram no seio da sociedade portuguesa.

  18. Gabriel Silva
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:07 | Permalink

    Nuno,

    «Qual de nós não beneficiou e tem pessoas na família que não beneficiaram de conhecimentos nos diversos patamares da política e da administração pública, por mais insignificante que fosse o beneficio?»

    ainda que fosse verdade, isso justificaria concretamente o quê?

  19. Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:09 | Permalink

    Gabriel, justificaria a natureza dos políticos, uma vez que eles provêem da nossa sociedade e tem os defeitos e qualidades dessa mesma sociedade.

  20. Gabriel Silva
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:11 | Permalink

    portanto, justificar-se-ia dessa forma a mentira, é isso?

  21. Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:16 | Permalink

    Gabriel, pela mentira que o João Miranda usou, justificaria-se! Não me diga que as mentiras só são defeito nos políticos!

  22. honni soit qui mal y pense
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:37 | Permalink

    O destino deste País é um resort de Melgaço a Vila Real de Santo António , com os tugas a servir a estranja … energia fornecida pelas 8.209.055.000 éolicas da EDP Renováveis.

    Qual Qimondas qual carapuça .

    TÔRISMO e tugas figurantes .Tugas Very Typical a fazer cestos de verga , colheres de pau , chocalhos , tudo com “certificado de eficiência energética”.

    O País tuga PS .

  23. Gabriel Silva
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 15:38 | Permalink

    quem disse que injectou dinheiro foi o governo, quem disse que a salvou foi o governo. pelos vistos nada era verdade.

  24. P1
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 16:55 | Permalink

    ….eheheh!… eheheheh!… eheheheheh!… Isto é mesmo só para rir! Sabendo-nos todos muito doentes, vão-nos dando tratamento à base da anedota… sendo que, rir é o melhor remédio.
    Existem mesmo, para aí algures, uns “laughing rooms”, uma espécie de ginásios do riso, aonde os ridentes se “multiplicam e desfazem” em gargalhadas…
    Well, nunca pensei é que tal já estivesse tão “all-generalizado”…

  25. zé da burra
    Posted 23 Janeiro, 2009 at 17:02 | Permalink

    O nuno costa é daqueles que acha que as trafulhices rentáveis se justificam porque em cada tuga há alguém que gostaria de fazer uma trafulhice bem sucedida. É deste estado de espírito vil que os xuxas promovem e o abandalhamento geral mais as mentirolas do quotidiano visam entorpecer as consciências e amolecer as vontades. Até agora têem conseguido.


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