“Constâncio, o perpétuo” *

Mais do que defender o Banco de Portugal e a si mesmo (que bem precisa), Constâncio foi ao Parlamento desdenhar esse órgão de soberania e rebaixar os membros da Comissão que mais o têm criticado. Estava ciente que a maioria dos comentadores económicos o secundaria e, no espírito de clube (ou de quase-seita?) que os distingue, partilhariam as suas depreciações em nome da tão badalada ‘estabilidade do sistema’.
Sejamos claros – Constâncio é apenas um político de arrimo de Sócrates e tornou-se no maior e mais aflitivo factor de desestabilização e de descrédito do sistema financeiro português.
Quando afirma que foi ‘ingénuo’ ao deixar Oliveira e Costa fazer aquilo que agora se sabe, Constâncio está enganado: não foi ingenuidade, foi incompetência. E muita.

* Correio da Manhã, 17.VI.2009

24 Comentários

  1. Posted 21 Junho, 2009 at 19:05 | Permalink

    Para entender o Constâncio e preciso entender o Nosferatu…e mesmo assim…

  2. Ibn Erriq
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:06 | Permalink

    Bom para o caso pouco importa se fui ingenuidade ou não!

    Se a ingenuidade do VC custa milhões aos contribuintes, então VC tem que ser castigado pelo péssimo desempenho das suas funções.
    Ninguém lhe paga um ordenado daqueles para ser ingénuo, mas sim para estar atento e cumprir as suas obrigações.

    Portanto, com ingenuidade ou incompetência, pouco importa a distinção para o caso, só resta um caminho! O da demissão!

  3. Socrates de Atenas
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:14 | Permalink

    Ingénuo ??? duvido, eles sabem muito bem o que fazem…. depois…depois…. bom enfim o habito em Portugal, nunca havia intenção de nada, pensava que estava a fazer bem… poic é….

    LADRÕES

  4. Posted 21 Junho, 2009 at 19:19 | Permalink

    Como bem disse o Ministro das Finanças, a situação ocorrida no BPN “foi um caso de polícia e não de supervisão”.
    Aliás, de supervisão nunca seria! Antes de hipovisão…
    http://grupo-da-boavista.blogspot.com/2009/06/o-preco-da-incompetencia.html

  5. Posted 21 Junho, 2009 at 19:23 | Permalink

    Imaginemos que todas as forças de segurança e da justiça passavam a confiar…
    Esta gente arranja com cada desculpa para a sua incompetência!

  6. Pifas
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:24 | Permalink

    A correlação entre as tomadas de decisão dos governos e as declarações do homem da bola de cristal revelam tudo … menos ingenuidade.

  7. Anónimo
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:28 | Permalink

    O CAA apaga as mensagens

    Acha-se o dono da verdade

    Aprendeu com os ranhusos dos Sulistas

  8. Anónimo
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:29 | Permalink

    “Constâncio foi ao Parlamento desdenhar esse órgão de soberania e rebaixar os membros da Comissão que mais o têm criticado.”
    não, foi ao contrário foi chamado ao parlamento e criticou os membros que o têm rebaixado. a ideia é desvalorizar o caso, a justiça arquiva o que sobrar.

  9. Pifas
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:31 | Permalink

    Em vez dos valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, temos as desculpas da Liberalidade, Ingenuidade e Fajardice.

  10. lucklucky
    Posted 21 Junho, 2009 at 19:41 | Permalink

    “Em vez dos valores da Liberdade, Igualdade…”

    Liberdade e Igualdade são uma contradição.

  11. José Manuel Santos Ferreira
    Posted 21 Junho, 2009 at 20:10 | Permalink

    O tempo não favorece raciocínios muito elaborados
    O calor dilata os corpos e portanto, a cabecinha também

    Isto porque o CAA não deve ter visto os debates na Assembleia em que envolveu o Constâncio

    É um homem de muita categoria
    Grande conhecedor e muito seguro na matéria

    Um gajo quando quer ser aldrabão até o pai engana quanto mais um amigo
    É que o Oliveira e Costa também pertenceu ao Banco de Portugal
    Claro, já sei, são todos uns incopetentes e aldrabões

  12. José Manuel Santos Ferreira
    Posted 21 Junho, 2009 at 20:17 | Permalink

    A matéria está toda do outro lado portant não me parece que seja assunto para preocupações e exaltações menos próprias dos defensores da moral e bons costunes, quais, D. Branquinha, porque vai ser arquivado, pelo andar da carruagem

    Aí, eu depois quero ler……….

  13. Enigma
    Posted 21 Junho, 2009 at 20:28 | Permalink

    Quem foi que pediu este Ferreira?

  14. Posted 21 Junho, 2009 at 20:36 | Permalink

    Ingénua é a minha tia Constança, que foi violada enquanto lia o jornal.

  15. Maria dos Prezeres
    Posted 21 Junho, 2009 at 20:58 | Permalink

    A juntar á incuria do Socrates, vejamos

    Freeport, Jose Mota, Licenciatura, juntar a isto, o BP, não tenhamos duvidas, ele é o culpado. o PR nao tem nenhuma coisa a dizer?, ele que conhece os meandros da “supervisão”. Sai de “mansinho”?

    Eu gostava que o PR se pronuncia-se

  16. Posted 21 Junho, 2009 at 23:09 | Permalink

    Fui um pouco ingénuo, mas não me demito

    Foi o que Vítor Constâncio declarou perante a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BPN. Será de mim, ou haverá nesta afirmação algo de, como dizer? Contraditório? Esquisito? Surrealista? Impudente?

    Se os contribuintes portugueses quisessem um ingénuo como Governador do Banco de Portugal, teriam com certeza muito por onde escolher; ingénuos não faltam; e com uma oferta tão grande, não haveria dificuldade em recrutar alguém por um salário relativamente baixo.

    Ora acontece que Vítor Constâncio recebe um salário muito alto. Excepcionalmente alto. O mínimo que os contribuintes podem esperar em troca deste salário é um desempenho também ele excepcional.

    Eu, e a maior parte das pessoas que me estão a ler, somos provavelmente ingénuos demais para sermos Governadores do Banco de Portugal. Por isso mesmo é que não o somos. Mas se Vítor Constâncio é ingénuo demais, é medíocre demais; e se é medíocre demais, o dever dele é demitir-se, deixando o lugar a outro menos confiante na virtude intrínseca dos banqueiros.
    http://www.legoergosum.blogspot.com/2009/06/fui-um-pouco-ingenuo-mas-nao-me-demito.html

  17. Maria dos Prazeres e Morais
    Posted 21 Junho, 2009 at 23:10 | Permalink

    Pronuncia-se “pronunciasse”.

  18. Paulo Nunes
    Posted 21 Junho, 2009 at 23:25 | Permalink

    Ingenuidade ou conivência.
    Há anos que se fala de problemas e esquemas no BPN. Não há quem lá trabalhe há algum tempo que não tenha ouvido rumores da porcaria que lá se faz.
    E não era só dentro das paredes do banco.

    Como é que alguém, governador de uma entidade que é suposto regular, argumenta ingenuidade e diz que não sabia de nada?

    Se trabalhasse numa empresa privada, qualquer que seja, e desse a essa empresa enormes prejuizos, bem que podia argumentar ingenuidade. Estava no olho da rua ou posto de lado sendo-lhe retirada qualquer tipo de confiança que tivesse.
    E nem precisava de ganhar o que ganha.

  19. Enviado
    Posted 21 Junho, 2009 at 23:38 | Permalink

    Eu percebo-o muito bem: Como quem está na berlinda e quem ESTÁ PRESO são pessoas gradas do psd e a Cavaco Silva, aqui o CAA pretende que TEM QUE CONTRABALANÇAR AS COISAS, Constâncio TEM que estar envolvido que é para aplacar a ira de não ver os psdês sozinhos no fogareiro. Tem que colocar alguém lá do Ps para se sentir justiciado.

    Cuidado amigos com as pessoas que gostam de justiciar os outros sem culpa formada. Cuidado com essas pessoas, são perigosas, pois entregam os inocentes aos carceiros sem hesitações.

    Mesmo com declarações públicas dos prevaricadores afirmando que ocultaram e esconderam informações aos supervisores;
    Mesmo com declarações públicas dos prevaricadores afirmando que Marta falou verdade e Loureiro mentiu;
    Mesmo com declarações públicas dos especialistas na matéria dizendo repetidamente que o caso BPN não é um caso de supervisão mas sim um caso de polícia…o senhor CAA insiste em crucificar o socialista Vítor Constâncio!

    CAA PENSANDO:
    “Ele tem de ser culpado, mesmo que não o seja, carago,tem de ser culpado, é socialista, tem de ser culpado, é socialista, tem de ser culpado…”

    VEREDICTO DE JESUS CRISTO:
    “Se tem de ser culpado ENTÃO PROVA A SUA CULPA, não fiques pela insinuação, PROVA-O OU CALA-TE FARISEU HIPÓCRITA”

  20. Posted 22 Junho, 2009 at 00:01 | Permalink

    Partido Socialista deixa cair Vítor Constâncio

    Direcção da bancada parlamentar socialista já interiorizou ser
    impossível ilibar o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio,
    face aos indícios da actuação negligente daquela instituição face ao
    que se passava no Banco Português de Negócios, obtidos pela comissão
    parlamentar de inquérito ao chamado ‘caso BPN’.

    O PS já decidiu: vai deixar cair Vítor Constâncio. O relatório final
    da comissão parlamentar de inquérito ao BPN será crítico para com a
    actuação do governador do Banco de Portugal neste caso. E sê-lo-á com
    o consentimento da maioria socialista na comissão.

    Face à acumulação de indícios na comissão de inquérito apontando para
    uma actuação negligente do banco central face ao Banco Português de
    Negócios, a direcção da bancada parlamentar socialista já percebeu que
    é impossível ilibar Constâncio. Isto por mais importante que seja a
    ligação histórica do governador ao PS (foi secretário-geral do partido
    de 1986 a 1989). “É impossível não criticarmos”, admitiu ontem ao DN
    um membro da direcção parlamentar socialista.

    Resta agora saber as consequências políticas que terá sobre a
    continuidade de Constâncio como governador a aprovação de um relatório
    crítico da comissão de inquérito. Por lei, um processo de exoneração
    forçada é muito complexo, tendo que passar pelo Banco Central Europeu,
    que nos seus estatutos garante a independência dos chefes dos bancos
    centrais face aos respectivos governos. A nomeação ocorre por proposta
    do ministro das Finanças, em resolução do Conselho de Ministros.

    Falhando o apoio do PS na comissão parlamentar de inquérito, isso
    significa que deixa de existir o apoio do respectivo Governo. Foi um
    governo do PS que nomeou Constâncio governador pela primeira vez
    (Fevereiro de 2000) e foi um Governo do PS (o actual) que o reconduziu
    (Maio de 2006). O consulado do ex-secretário-geral do PS à frente do
    banco central “apanhou” todo o processo de degradação do BPN, que
    levou à necessidade, inédita desde o período revolucionário, de o
    Governo nacionalizar o banco, para evitar a sua falência. O “buraco”
    no BPN está avaliado em 1800 milhões de euros.

    A constatação, pelo PS, de que é impossível ilibar o governador de
    responsabilidades no caso, será, no conjunto das pressões para que
    Constâncio se demita, uma espécie de cereja no topo do bolo.

    As vozes mais veementes defendendo que se deve demitir têm-se ouvido
    no CDS. Começando por Paulo Portas, líder do partido, e acabando em
    Nuno Melo, o coordenador dos deputados centristas na comissão de
    inquérito. Em Novembro do ano passado, face a exigências de Portas
    para que se demitisse, Constâncio respondeu: “Nada me pesa na
    consciência em termos de ter cometido qualquer acto, deliberado ou por
    omissão, para ter contribuído para esta situação.”

    O PCP exige o mesmo. Anteontem o deputado Honório Novo, membro da
    comissão parlamentar de inquérito, afirmou que “Vítor Constâncio já
    tem matéria de facto e de conteúdo para ter pedido a sua demissão.”
    Fê-lo quando confrontado com o facto de o Banco de Portugal ter
    recusado enviar vários documentos requeridos pela Assembleia. “A
    punição para o crime de desobediência qualificada está definida no
    código penal com pena de prisão ou multa”, comentou o parlamentar
    comunista. O Bloco também há tinha pedido a demissão do governador.
    Constâncio disse ontem, no Parlamento, que a oposição lhe faz
    exigências de supervisão que transformariam o banco central numa
    espécie de “KGB e FBI juntos”.

    Na oposição, o PSD foi, até agora, o único partido que não exigiu a
    Constâncio que se demitisse. Na verdade, dentro do PSD, só o ex-líder
    Luís Filipe Menezes se pronunciou nesse sentido. Em Março passado, num
    jantar promovido por um blogue do Porto, o presidente da câmara de
    Gaia disse que “há muito” que Constâncio se deveria ter demitido do
    cargo. “Não digo que tenha tido algo a ver [com o escândalo no BPN]
    mas Jorge Coelho também nada teve a ver com a queda da Ponte de
    Entre-os-Rios e demitiu-se quando ela aconteceu”, disse.

    Já em Janeiro do ano passado, Menezes tinha pedido o mesmo – então
    ainda líder do PSD – por causa do escândalo à volta do BCP. “Queremos
    saber se o governador do Banco de Portugal há três anos sabia
    exactamente o mesmo que soube dias atrás quando tomou a iniciativa de
    inibir um conjunto de administradores do BCP. Se isso se vier a
    verificar nós vamos exigir que seja demitido, que seja afastado do seu
    cargo”, disse então.
    http://www.dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1246049

    «A manutenção de Constâncio no Banco de Portugal anos a fio é apenas
    mais um daqueles fenómenos incompreensíveis deste país.
    Mas em fim de mandato e em desespero de causa em busca de uma maioria
    deixa-se cair tudo o que não for essencial e este já cumpriu a sua
    missão de câmara de ressonância.»

  21. agruras
    Posted 22 Junho, 2009 at 00:10 | Permalink

    Constâncio não se demitirá. Esperará sempre que o demitam. Assim terá direito à indemnização que lhe permitirá aumentar a sua fortuna pessoal, acumulada no desempenho de funções públicas. Enquanto isso vai auferindo o seu espantoso vencimento.

  22. DSC
    Posted 22 Junho, 2009 at 08:22 | Permalink

    Sr. José Manuel Santos Ferreira

    Desde 2005 que o “cheiro” a esquemas mais esquisitos lá para aquelas bandas se vem sentindo. Veja lá que até saiu nos jornais. Portanto o Constâncio (escolha a melhor):

    1. Altamente competente e atento ao mercado financeiro.
    2. Pregaram-lhe uma rasteirazita, tadito, pois não foi possível, no ambito da sua actividade, estar a par de rumores e notícias dos jornais.
    3. É ingénuo, coitadinho, tal qual o Dias Loureiro. Foi, apenas, enganado por um amigo.
    4. É um incompetente com o ordenado mais elevado que os seus homólogos internacionais (viva a meritocracia).
    5. Foi conivente.

  23. Anónimo
    Posted 22 Junho, 2009 at 10:03 | Permalink

    Se é ingénuo então o presidente da republica também é ingénuo
    S é incompetente então o presidente também…

    tinha o dinheiro no bpn e até o Dials Loureiro é conselheiro de estado

    E quem diz presidente diz todos os deputados da nação e todos os ministros das finanças da nação

  24. votoembranco
    Posted 22 Junho, 2009 at 11:33 | Permalink

    Quando é que o MP investiga as “ingenuidades” do Constâncio?

    Antes do Constâncio, quando um cliente escrevia uma carta ao BP a reclamar contra algum abuso de um banco, esse banco desdobrava-se em iniciativas junto do cliente no sentido de resolver a situação.
    Lembro-me disso.
    Durante a “desgoverno” do Constãncio as reclamações ao BP eram tratadas pelas instituições financeiras como “leia-se e arquive-se”.
    Também me lembro disso .. foi no tempo em que a banca deixou de ser uma casa séria.


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