Sobre a condição de intelectual.

“(…) desde quando é que a condição de intelectual alguma vez acarretou uma presunção de superioridade moral? Nunca, claro“…..pergunta e afirma Luis Raínha.

E eu concordo!  E digo mais – em rigor, volto a dizer mais: e nunca acarretou um auto-convencimento  de superioridade moral, por parte de alguns que «usam entre si e se auto-revêem na expressão “nós, os intelectuais”».!

Nem sequer quando parece que  se pretende concluir que quem não apoia X (no caso António Costa), então não é intelectual, porque, afinal, tem a intelligantzia do lado dele ! (note-se, ainda que uma coisa – intelligentzia - não seja rigorosamente equivalente à outra – “intelectuais”)

Por isso – porque concordo com o Luis Raínha – é que também acho curiosas e muito coerentes as suas conclusões e, sobretudo, as presunções que sobre mim faz recair, tais como um sentimento “próprio de desconfiança dos intelectuais” ,  incluindo ”os abomináveis artistas subsídiodependentes” (expressão de Luis Raínha), além dos além do “preconceito e arrogância”… 

 Não sei se o Luis Raínha também se auto-identifica como “intelectual”, assim se auto-distinguindo das outras pessoas que, coitadas, tal  como eu, precisam de ser intelectualmente e, sobretudo, politicamente, guiadas. Mas auto-convencimento de alguma (ainda que ao de leve) superioridade moral, lá  isso, de facto, o Luis Raínha não tem.

Mas oportunamente voltarei ao tema, não sem antes agradecer as críticas do Luis Raínha e, apesar delas, recentrar novamente o alvo (político – autárquico) do post: quem não apoia António Costa, não faz parte da intelligentzia (naturalmente, do regime)…uma vez que esta, segundo Eduardo Pitta e erradamente, atendendo à explicação etimológica da Luis Raínha* - está com aquele!

* “….engendrada enquanto oposição; não no lugar de cúmplice, como implica a tresleitura de PMF”.

47 Comentários

  1. Posted 15 Julho, 2009 at 14:56 | Permalink

    «…auto-revêm…»??!

  2. Posted 15 Julho, 2009 at 14:57 | Permalink

    Chegamos ao ponto em que seria curial medir o QI dos apoiantes dos candidatos, para saber qual o candidato com apoiantes mais inteligentes. Depois, o candidato com mais apoiantes doutores e engenheiros. Finalmente o candidato com apoiantes conotados com contas bancárias em off-shores.

  3. fado alexandrino
    Posted 15 Julho, 2009 at 14:58 | Permalink

    Superioridade moral?
    Antes de iniciar a discussão convinha que explicassem o que é que isto quer dizer.
    Um intelectual nunca roubaria um pão?
    Nunca daria um pontapé num cão?
    Nunca receberia um subsídio e iria trabalhar para produzir obra?
    Esclareçam.

  4. K2ou3
    Posted 15 Julho, 2009 at 15:00 | Permalink

    Usem a, á Portuguesa, a inteligencia.
    Não se gastem com esses “tocos”.

  5. Posted 15 Julho, 2009 at 15:09 | Permalink

    Curioso ver um “intelectual” a usar argumentos de autoridade (votem no António Costa porque nós que somos inteligentes vamos votar nele)

  6. Posted 15 Julho, 2009 at 15:29 | Permalink

    Diz Luís Raínha:
    «“(…) desde quando é que a condição de intelectual alguma vez acarretou uma presunção de superioridade moral? Nunca, claro“»

    Sempre que os putativos intelectuais usam a expressão como rótulo.
    O Manifesto em questão, aliás, é um excelente exemplo desse pecado.

  7. Antonio Cunha
    Posted 15 Julho, 2009 at 15:39 | Permalink

    è mesmo por pessoas como esse senhor votar em Costa que eu desconfio e recuo.

    Vou votar em Santana.

    Grande show ontem à noite.

  8. Posted 15 Julho, 2009 at 15:47 | Permalink

    Eu, que já tinha concluído há muitos anos sobre o que é um intelectual e sobre o que não é um intelectual, recuso-me fazê-lo em meados de Julho de 2009. Pensava que o assunto, ‘a matéria’, já estava redefinida e rediscutida, mas afinal…

    Óbvio: se um labrego despreza ou insulta um intelectual, porque mais inteligente e culto, o que querem que este lhe responda ? Nada ! Manifestou, assim, a sua múltipla superioridade intelectual. O seu direito à diferença, ao elitismo.

    Mr. Piscoiso, 2

    Sintetizou e bem, ‘a matéria’ “intelligentsia” apoiante de Costa e doutros candidatos.

  9. Antonio Cunha
    Posted 15 Julho, 2009 at 15:49 | Permalink

    Piscoiso

    Se calhar tinha uma surpresa.

  10. Posted 15 Julho, 2009 at 16:20 | Permalink

    Ora entendamo-nos. Que um, dois ou muitos intelectuais se sintam moralmente superiores ao vizinho, é indiferente. A condição de intelectual não implica qualquer superioridade moral sobre ninguém, nem tal foi alguma vez reivindicado por ninguém no seu perfeito juízo. Poderá um “auto-convencimento” ligado às capacidades mentais ser mais comum; isso concedo com facilidade.
    Pergunta o PMF se «o Luis Raínha também se auto-identifica como “intelectual”, assim se auto-distinguindo das outras pessoas que, coitadas, tal como eu, precisam de ser intelectualmente e, sobretudo, politicamente, guiadas.»
    Talvez me identifique com a figura “intelectual” mesmo sem saber bem o que será isso na sua óptica: tenho uma profissão criativa, sou sócio de empresas na área das indústrias culturais, já publiquei uns livros obscuros e continuo a estudar ciências sociais, mesmo depois de velho. Se calhar, sou mesmo um “intelectual”.
    Mas essa sua ideia de que isso me colocaria num pedestal e me daria a noção de que estou apto a “guiar” quem quer que seja… isso já é maluquice. E a transferência desse meu estilo de vida para uma putativa capacidade de liderança política… nem sei que lhe diga.
    Diz o CAA que será “pecado” usar a “expressão como rótulo”. Serve isto para provar a minha falta de convencimento: não faço ideia do que isto pretende dizer.

  11. Posted 15 Julho, 2009 at 16:29 | Permalink

    Mr. e Caro LR,

    Exemplo: Rosa Ramalho foi tão intelectual como Júlio Pomar.

  12. Luis Rainha
    Posted 15 Julho, 2009 at 16:31 | Permalink

    MJRB,
    Mas onde é que eu discordo disso?

  13. Posted 15 Julho, 2009 at 16:32 | Permalink

    O acento está no sítio errado, é “Luís Rainha”. “Rainha”, “rainhas”, “moinho”, “campainha”, “incluindo”, etc. não levam acento. “Luís” leva acento porque se considera ter duas sílabas, ou seja “uí” não é ditongo, mas hiato. É por isso que “altruísmo” tem acento e “linguista” não. Embora eu ache que esta distinção não faz sentido no Português, já que não há distinção fonológica entre hiatos (v.g. u-i) e ditongo crescentes (v.g. wi).

    Este não é o sítio para deambulações destas, mas fui escrevendo… :)

  14. Posted 15 Julho, 2009 at 16:39 | Permalink

    Olhe que no meu caso, é mesmo “Luis”, pois assim foi vertido para o meu BI, sendo que no registo de nascimento estava “Luiz”. Sei que já devia ter endireitado a bizarria, mas que quer; fui-me habituando.

  15. Posted 15 Julho, 2009 at 16:39 | Permalink

    Mr. e Caro Luís Raínha, 12

    Porém, Júlio Pomar tem uma Obra intelectualmente mais desenvolvida do que a Obra de Rosa Ramalho.

  16. Posted 15 Julho, 2009 at 16:41 | Permalink

    Mr. Luís Raínha,

    Responda sff.

    (Att, vou entrar ‘à João Miranda’…)

  17. Celta
    Posted 15 Julho, 2009 at 16:52 | Permalink

    Deixem-me ser frontal: alguns dos auto proclamados “intelectuais”, pela “porcaria” que lhes sai da boca, só podem ser intelectuais de merda.

  18. Posted 15 Julho, 2009 at 17:02 | Permalink

    LR

    Bizarria foi terem mudado Luiz para Luís. Não se percebe. Prefiro Luiz a Luís. Não estava bem como estava? É a mania de imporem reformas ortográficas ao povo, que vê dum dia para o outro o seu nome “errado”.

  19. Posted 15 Julho, 2009 at 17:17 | Permalink

    #1 C Medina Ribeiro: obrigado.

  20. Anónimo
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:22 | Permalink

    # 11 – “Rosa Ramalho foi tão intelectual como Júlio Pomar..”
    # 15 – “Porém, Júlio Pomar tem uma Obra intelectualmente mais desenvolvida do que a Obra de Rosa Ramalho.”

    ora porra. é ou não é.

  21. Posted 15 Julho, 2009 at 17:26 | Permalink

    Que raios quer dizer “Obra intelectualmente mais desenvolvida”?

  22. Anónimo
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:27 | Permalink

    # 1 – «…auto-revêm…»??!
    tracinho se e deita leite, enfim uma onaníce.

  23. Kit Carson júnior
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:27 | Permalink

    Nota-se que o M.Alegre não faz parte dos intelectuais apoiantes. Ele neste momento está a apoiar-se a si próprio

  24. JB
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:32 | Permalink

    Intelecto, Intelectualidade, INTELECTUAIS e Cultura.
    Se há condição a esperar de um intelectual, seria
    de acordo com a resposta que me foi dada um dia por Natália Correia.
    Quando lhe dizia que os intelectuais eram por natureza incómodos:
    e ai dos países, quando os intelectuais deixarem de o ser.
    Isto é, atentos, conscientes, naturalmente críticos, logo, independentes
    e dificeis de amestrar.
    Críticos da maioria dos práticos que nos teem saído na rifa da Lusitânia: Durões & Sócrateses, por exemplo.

  25. Posted 15 Julho, 2009 at 17:34 | Permalink

    #10 – Caro Luis Rainha,

    agradeço-lhe a crítica e a oportunidade de se promover este “pequeno” debate.

    Como já referi, tentarei replicar oportunamente (o tempo agora escasseia!) ao seu post, desenvolvendo linhas de reflexão a propósito da temática… porém, já fora do âmbito político-partidário (ou, se quiser, político-autárquico).

    De todo o modo, a questão é mesmo a que me parece que supra referiu: a da sua relevancia política. Não será a da auto-colocação num qualquer pedestral – de resto, até legítimo no plano das opções individuais; a questão será a da utilização da expressão em causa, com um sentido “iluminado” e de superioridade no jogo político! Isso é que me pareceu, in casu, ser o pecado de Eduardo Pitta…mas, voltarei

    Mais, a própria experiência autárquica, entre nós, parece-me ser reveladora de uma certa reacção eleitoral negativa, à invocação desse tipo de argumentos (como já alguém disse nos comentários)”de autoridade” (implícita no arrebanhamento de “intelectuais”…ainda por cima, apelidados de “intelligentzia”): por exemplo, no Porto, Fernando Gomes que o diga!!

  26. caramelo
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:39 | Permalink

    LPedroMachado, eu acho essa discussão engraçada, mas não sabia que havia nomes “errados”… ;)

  27. Posted 15 Julho, 2009 at 17:54 | Permalink

    “Usem a, á Portuguesa, a inteligencia.”

    Já que estes comentárias resvalaram para esse tipo de discussão semantica-ortográfica, a tradução portiguese de “intelligetzia” é “intelectualidade”, não “inteligência”.

  28. Posted 15 Julho, 2009 at 17:55 | Permalink

    “«“(…) desde quando é que a condição de intelectual alguma vez acarretou uma presunção de superioridade moral? Nunca, claro“»

    Sempre que os putativos intelectuais usam a expressão como rótulo.
    O Manifesto em questão, aliás, é um excelente exemplo desse pecado.”

    Por essa ordem de ideias, quanbdo um grupo de economistas fazem um manifesto como economistas, estariam a considerar que há alguma superioridade moral no estatuto de economista…

  29. PKS
    Posted 15 Julho, 2009 at 17:59 | Permalink

    Rainha e não Raínha.

    Burro; a ortografia e a arquitectura são importantes!

  30. Taquímetro
    Posted 15 Julho, 2009 at 18:14 | Permalink

    E o cagasentensas não diz nada?
    Começo a ficar preocupado com o seu estado de saúde.
    Logo ele que é um inteligentse de primária…

  31. Taquímetro
    Posted 15 Julho, 2009 at 18:16 | Permalink

    Estou a precisar de ir a uma casa de putativas intelectuais.
    A cabeça é o mais importante!

  32. Kolchak
    Posted 15 Julho, 2009 at 18:27 | Permalink

    Um verdadeiro intelectual não precisa de dizer que o é.

  33. Posted 15 Julho, 2009 at 18:28 | Permalink

    Mr. e Caro LR, 21

    A sério, Vc. não sabe o que é uma Obra (no caso, arte) intelectualmente mais desenvolvida do que outra ?

  34. Posted 15 Julho, 2009 at 18:30 | Permalink

    Kolchak, 32

    Certíssimo !

  35. Posted 15 Julho, 2009 at 18:35 | Permalink

    Mas que putedo de inteligentsia!

  36. A. Padeiro
    Posted 15 Julho, 2009 at 18:35 | Permalink

    33

    Se alguém sabe o que é “uma Obra de arte intelectualmente mais desenvolvida do que outra”
    que explique.

    Deve ser a tese do século.

  37. Posted 15 Julho, 2009 at 18:56 | Permalink

    A.Padeiro

    Não é a “tese do Século”, porque ao longo dos séculos tal facto tem-se constatado.

  38. Posted 15 Julho, 2009 at 19:17 | Permalink

    Diz a minha tia Clotilde, casada com um cow-boy, que na Universidade do Texas da Bacia Permiana, há uma licenciatura com o grau de Intelectual.

  39. Anónimo
    Posted 15 Julho, 2009 at 19:31 | Permalink

    #38 E a tia Clotilde não disse ao Piscoiso que noutra Universidade se faziam engenheiros ao Domingo?

  40. LM
    Posted 15 Julho, 2009 at 21:46 | Permalink

    Não se enterre mais e deixe a coisa repousar assim, MJRB.

  41. Posted 15 Julho, 2009 at 22:34 | Permalink

    LM, 40

    Ora, ora….raio de conselho o seu.

    De facto seria uma muito interessante troca de argumentos e de apresentação de ‘provas’…

  42. Anónimo
    Posted 15 Julho, 2009 at 23:15 | Permalink

    #41 – óh cagarte! não percebi essa nóia de comparar o pintor com a oleira. a ignorância é bué d’atrevida.

  43. Posted 16 Julho, 2009 at 10:25 | Permalink

    O único intelectual da lista de que vale ter o apoio é o Manuel João Vieira…

  44. A. Padeiro
    Posted 16 Julho, 2009 at 12:03 | Permalink

    #37

    Qual facto?
    (Nem sei porque pergunto. Você parece ser um idiota, incapaz de responder em termos)

  45. Celta
    Posted 16 Julho, 2009 at 13:43 | Permalink

    O Padeiro, se continuar a meter a massa naquele forno, acaba por queimar todo o pão que o diabo amassou.

  46. Posted 16 Julho, 2009 at 15:02 | Permalink

    É urgente traduzir para português a obra-prima de Aron sobre esta temática :

    O Ópio dos intelectuais!

  47. Posted 17 Julho, 2009 at 17:34 | Permalink

    Caro PMF, estou de férias (é maneira de dizer), não me apetece mexer em computadores, e é raríssimo responder a comentários de posts, mas gostava de o esclarecer do seguinte: em matéria de “superioridade moral”, pretender que os intelectuais tenham o seu (dela) monopólio, é o mesmo que dizer que ela está do lado dos estivadores ou quaisquer outros profissionais. Por intelligentzia considero o conjunto das personalidades cujas actividades ou profissões se relacionem com a cultura (com um mínimo de reconhecimento público, claro!). Nenhum resquício soviético… Ou de casta! No manifesto do CLAC há muita gente que cabe na definição. Mas também há sindicalistas da CGTP, anónimos, etc. O jornalista enfatizou essa frase porque, em 120 subscritores, há uma clara maioria de docentes universitários, poetas, escritores, gestores culturais, actores, encenadores, cineastas, artistas plásticos e afins. E sobretudo gente que mudou de campo, uns do PCP (Saramago, Carlos do Carmo, etc.), outros do BE (Camané, vários actores mais jovens, etc.) e independentes como eu. Apoio o PS? Pois apoio! Mas isso não faz de mim menos independente. E ainda não me tinha visto a apoiar anteriores candidatos do PS à CML…


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