Um pouco de vergonha, não vos ficava mal

Não. Quem diz que Cavaco teve uma vitória com a decisão do Tribunal Constitucional sobre o Estatuto dos Açores não está a ver bem a coisa e pretende apenas atirar areia para os olhos disfarçando um embaraço geral. Foi sim uma tremenda derrota, também para o PR.

Recordemos que o Presidente enviou preventivamente o dito Estatuto para o TC por causa de algumas normas. Mas nenhuma das que foram agora invalidadas. Que ele, depois e por motivos políticos, vetou por duas vezes o diploma. E que mesmo assim se colocou numa posição em que se viu obrigado a assinar. Portanto, não é a ele que se deve ter agora o TC constatado, por unanimidade, note-se, a existência de inconstitucionalidades. Pelo contrário, não apenas as não tinha alegado, como perdeu estrondosamente uma batalha política, alineando a sua autoridade de PR e de garante último da legalidade numa estratégia totalmente falhada.

Também nenhum partido pode vir agora vir dizer «ah, estão a ver, tinhamos razão e o governo perdeu». Tenham mas é vergonha! Então não votaram todos unanimemente, e por duas vezes, a lei? E à terceira votação alguém votou contra? Não ? Então, bananas! O que arranjaram foi um remendo, após o falhanço do Presidente, «dando-lhe a mão», recorrendo à fiscalização sucessiva, por ser por demais evidente que a coisa, que afinal todos tinham aprovado, não podia ficar assim.

34 Comentários

  1. Posted 31 Julho, 2009 at 15:19 | Permalink

    O que esteve em causa e de certa forma fez perigar o Estatuto e futuras relações institucionais, legais e…afectivas, não foi se o PR ou o partido X teve razão.

    Cavaco Silva, uma vez mais, hoje esclareceu e bem: questão de Estado, de soberania.
    Que Região Autónoma queriam; que país querem; e para onde iria a Região e o país se…
    (Com Alberto João Jardim ‘à espreita’ do resultado…ou não ?!)

  2. Anónimo
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:28 | Permalink

    boa, seu gabriel.

  3. jorge paulo
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:29 | Permalink

    Em Portugal há tantas pessoas inteligentes a fazer comentário politico, mas ainda não ouvi ninguém falar do que realmente é importante nesta questão; ou porque é que depois desta polémica as relações entre o PR, e o 1º Ministro, nunca mais foram boas. Então porque é que o PR não enviou para o Tribunal Contitucional os 2 ou 3 artigos que tanta polémica deram e que agora o TC considerou inconstitucionais? Estava distraído? é estupido? estava a dormir? ou foi o 1º Ministro que se comprometeu a retirar os tais artigos do Estatuto dos Açores, e depois se negou? Não se esqueçam que poucos dias depois, o PR veio dizer publicamente a este propósito, que ele, PR respeitava os seus compromissos. Ora se o PR veio dizer isto, é porque alguém não respeitou os seus. Parace-me que não é preciso ser muito inteligente, para perceber isto. Além do mais, todos sabemos que temos um 1º Ministro, que como diz MRS muito lisongeiramente, tem uma relação dificil com a Verdade.

  4. Posted 31 Julho, 2009 at 15:29 | Permalink

    Facto é que as inconstitucionalidades averiguadas pelo TC foram aprovadas por unanimidade no parlamento regional, e parlamento nacional (1.ª vez) e por larga maioria nas duas vezes seguintes.

    O Sr. Presidente Aníbal Vetou e Vetou e depois promulgou algo que assumiu veemente não concordar.

    Se alguém nesta história tem razões para estar satisfeito com o trabalho é o mero Tribunal Constitucional já que todos os restantes intervenientes se atestaram de ‘incompetencionais’…

  5. Posted 31 Julho, 2009 at 15:40 | Permalink

    Com o redobrado prazer que a raridade me proporciona, grito a plenos pulmões:
    - Muito bem, caro Gabriel.

  6. Anónimo
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:44 | Permalink

    “MRS muito lisongeiramente, tem uma relação dificil com a Verdade”

    o lisongeiro marcelo trata a verdade por tu, vai com ela para a cama e tu sabes essas coisas todas porque espreitas pela fechadura.

  7. Marafado de Buliquei-me
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:49 | Permalink

    # 6

    Jajajajajajaja !!
    Give-me five !!!

  8. Paulo Nunes
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:56 | Permalink

    Este episódio apenas trouxe à luz aquilo que já se sabe. Há intervenientes no processo político nacional que não querem saber de Portugal para nada.
    O que lhes interessa é utilizar os meios nacionais para satisfação dos seus interesses privados e partidários. Independentemente das consequências.
    Esta é, para mim, a grande imagem que ficou deste episódio.

  9. Ricardo
    Posted 31 Julho, 2009 at 15:59 | Permalink

    Derrota para o Presidnte? Só faltava mais esta, que se saiba não foi o Presidente o autor deste Estatuto inconstitucional, muito menos o aprovou.
    Nos últimos 4 anos tenho lido muitas barbaridades, desde os “Jamais” até que a “crise tinha-nos passado ao lado”. Esta é só mais uma.
    E não digam mal do Presidente, ele tem sido muito amiguinho…

  10. Marafado de Buliquei-me
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:07 | Permalink

    E……….. quando o Sr. Silva mudou a hora e às 11 da noite (?) ainda era dia ….
    Estão lembrados !!
    Nunca errou e nunca tem duvidas !!

  11. Justiniano
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:07 | Permalink

    Gabriel!
    Cavaco explicou, abundantemente, a sua posição.
    Os vícios do diploma eram evidentes para todos. O Presidente quis, e bem, colocar a responsabilidade da decisão na AR e não na decisão neutra do TC.
    O Gabriel quer confundir a posição de Cavaco com a posição da AR.
    A promulgação do PR não é um acto de concordancia jurídica e política do mesmo. A responsabilidade é da AR.
    Para mais, a questão, para Cavaco não era da licitude face à Constituição ou não, precedia tal questão e como tal não seria, para ele, passível de transigencia que pudesse ser sanada pela anuencia do TC.
    O PR não é o notário do regime como o Gabriel quer fazer crer “garante último da legalidade”, um equívoco. Quer reduzir o PR a um vedor de inconstitucionalidades?
    É, sem dúvida, aos olhos de todos os Portugueses, uma, grande, vitória de Cavaco e do Estado Unitário.
    Quanto à responsabilidade dos Partidos e da Ass. Leg. R. Açores…

  12. Posted 31 Julho, 2009 at 16:19 | Permalink

    Caro Gabriel,
    A dúvida central do PR relativamente ao diploma sempre se prendeu com o facto de o próprio passar a estar sujeito a mais exigências no que toca à dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores do que para a dissolução da Assembleia da República. Ao passo que, para dissolver a segunda, bastava a audição dos partidos nela representados e do Conselho de Estado, para dissolver a primeira seria adeais necessário ouvir o Governo Regional dos Açores e a própria Assembleia da Região.
    E esta (art.º 114.º do diploma) foi uma das normas que o TC declarou inconstitucionais.
    Poderão ser encontrados outros argumentos para uma eventual derrota do PR… mas não este…

  13. Posted 31 Julho, 2009 at 16:20 | Permalink

    Quando a robotização avançar para os cargos políticos, o primeiro vai ser presidente da república.

  14. Gabriel Silva
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:29 | Permalink

    Justiniano,

    «O Presidente quis, e bem, colocar a responsabilidade da decisão na AR»

    E como afirmo, perdeu em toda a linha.
    Nem um voto a favor da sua posição teve. Em 3 votações, duas forma por unanimidade e uma com abstenções.

    «Para mais, a questão, para Cavaco não era da licitude face à Constituição ou não, precedia tal questão e como tal não seria, para ele, passível de transigencia que pudesse ser sanada pela anuencia do TC.»

    pois a estratégia do PR estava toda errada e perdeu a batalha política.
    A decisão de ontem do TC apenas versou precisamente sobre o que o Justiniano diz que não «era a questão para Cavaco (…) da licitude face à Constituição ou não»

    «Quer reduzir o PR a um vedor de inconstitucionalidades?»

    Não é preciso. Apenas recordo o seu juramento de tomada de posse: «Juro, por minha honra, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa»

  15. josé
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:31 | Permalink

    tivesse assinado o eduardo pitta e eu nem desconfiava.
    extraordinário argumentário…

  16. Posted 31 Julho, 2009 at 16:32 | Permalink

    Mais um docmento estratégico da política socraniana, para o caixote do lixo legislativo.

  17. Posted 31 Julho, 2009 at 16:35 | Permalink

    Toda esta demanda do Tribunal Constitucional, só vem evidenciar, que os asserores do Primeiro – Ministro Zé Sócrates são uma merd@

  18. Gabriel Silva
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:35 | Permalink

    Carlos Sá Carneiro,

    não creio que fosse sequer «dúvida» de Cavaco. Ele comunicou aos portugueses isso mesmo, seria portanto uma evidência. Mas nem sequer a invocou quando remeteu ele mesmo o diploma ao TC!
    Portanto, pretendia obter a sua revogação por meios meramente políticos, nomeadamente a sua autoridade jogada em cima da AR. Falhou redondamente.
    A única forma de corrigir o erro, foi novamente utilizar-se a via do TC.
    Já não ele, Cavaco, que tinha gasto os seus trunfos sem qualquer resultado e de forma impotente foi obrigado a assinar a lei. Mas sim, por recurso a terceiros, junto de um orgão, o TC que se substitui ao PR no resultado que o PR não conseguiu.

  19. Posted 31 Julho, 2009 at 16:47 | Permalink

    Caro Gabriel,
    Quando, há um ano, o PR requereu a fiscalização preventiva da constitucionalidade do diploma já a mesma tinha por objecto, entre outras, a normas constante do nº 3 do artigo 114º (audição de órgãos de governo da Região Autónoma dos Açores pelo Presidente da República previamente à declaração do estado de sítio e estado de emergência na Região).
    http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=18136
    Os meios utilizados por Cavaco não foram, assim, meramente políticos.

  20. Tiago P. Lima
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:47 | Permalink

    Gabriel Silva,

    É preciso ter uma mente muito retorcida para efabular desse modo contra a verdade dos factos.
    Trate-se, homem, que talvez ainda vá a tempo de se curar!

  21. Pi-Erre
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:49 | Permalink

    “E……….. quando o Sr. Silva mudou a hora e às 11 da noite (?) ainda era dia ….
    Estão lembrados !!”

    Bons tempos, não precisava de acender os faróis do carro.

  22. Marafado de Buliquei-me
    Posted 31 Julho, 2009 at 16:59 | Permalink

    # 21

    Pois era… era o tempo do Oásis em Portugal e a Europa estava de tanga !!!

  23. Justiniano
    Posted 31 Julho, 2009 at 17:02 | Permalink

    Gabriel!!!!
    Está a subverter a questão da responsabilidade.
    A questão não é, nem nunca foi, de estratégia, mas, simplesmente, de consciencia das “virtudes republicanas”.
    O Gabriel não quer compreender que a questão essencial não era a constitucionalidade das referidas normas, uma vez que essa questão era um pressuposto para ambos AR e PR.
    «Juro, por minha honra, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa».. sinceramente…

  24. Posted 31 Julho, 2009 at 17:06 | Permalink

    Caro Gabriel,
    Mea culpa!
    O pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade do diploma não tinha por objecto o artigo 114º no seu todo, mas unicamente o seu n.º 3. Só aquando do comunicado ao País e da devolução do diploma à AR foi suscitada a questão das exigências acrescidas para a dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores. Tem toda a razão neste aspecto.
    No entanto, o tempo (e Tribunal Constitucional) acabou por dar vencimento à “batalha política” do PR. E uma vitória pelo facto de ser obtida por um meio impróprio não se converte numa derrota.

  25. Anónimo
    Posted 31 Julho, 2009 at 17:07 | Permalink

    o cavaco além de bronco é um embirrento vingativo, também chamado de mete nojo e agiu como tal. fazer um cú de boi com esta questão de merda e ficar cobardemente calado quando não foi recebido pela assembleia da madeira e ao ser constantemente vexado pelo jardim, caracterizam bem a cooperação estratégica/farmacêutica.

  26. Posted 31 Julho, 2009 at 17:49 | Permalink

    se o sr. silva tivesse espinha, já se tinha demitido e demitido o pinto de sousa e apaniguados há muito tempo… não tem e portanto dali não sai nada de bom… o tc funciona? menos mal que alguma coisa funciona em portugal… é pena é funcionar pouco…

  27. Posted 31 Julho, 2009 at 18:42 | Permalink

    Acima dos Açores só Deus!

  28. K2ou3
    Posted 31 Julho, 2009 at 20:28 | Permalink

    Mau caro Gabriel Silva,

    Sabia ele, e nós, que não teria qualquer sucesso. Por isso, e mais, a comunicação ao Pais.

    Se não se consegue em directo, vamos pelas laterais

  29. K2ou3
    Posted 31 Julho, 2009 at 20:39 | Permalink

    (Eu sou Açoreano mas não me confundam com FLA, Por enquanto pelo menos)

  30. per caso
    Posted 31 Julho, 2009 at 21:23 | Permalink

    Não ? Então, bananas!

    Não passam de nabiços em moleza de bananas.

  31. a prima do picoiso
    Posted 31 Julho, 2009 at 23:51 | Permalink

    Este episódio traduz a geral incapacidade para afirmar os tais princípios democráticos de que tantos dizem respeitar. Tipos como o ricardinho de ponta delgada e o carlinhos césar não aprendem. Ao menos o toto rina nunca cometeu a proeza de se afirmar democrata.

  32. ordralfabetix
    Posted 1 Agosto, 2009 at 02:13 | Permalink

    Um pouco de vergonha também não ficava mal a alguns blasfemos que falaram de baillouts, GM’s e afins.
    http://www.realclearmarkets.com/news/ap/finance_business/2009/Jul/31/recession_eases__gdp_dip_smaller_than_expected.html

  33. O puto novo no bairro
    Posted 1 Agosto, 2009 at 10:53 | Permalink

    Teve uma vitória pírrica, o que já não é nada mau. E pelo menos, por uma vez, o nosso PR deixou de se refugiar naqueles seus no man’s land de “é matéria que não posso comentar.”
    Comentou, finalmente. Teve tomates, por fim.

  34. Jose Ferreira da Silva
    Posted 1 Agosto, 2009 at 11:24 | Permalink

    O que anda o PR a fazer agora ?
    Faz de guia turistico ao rei da espanha na Madeira .
    Já viram a legião de seguranças e espiões que esse rei traz para nos vir visitar.
    Aquele rei de espanha visitou à 2 anos os Açores e agora aparecem duvidas sobre o estatuto autonomico dos Açores.
    Está tudo ligado.
    Em breve teremos mais problemas na Madeira.


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