Matemáticas orçamentais

O que significa a expressão “défice orçamental de 9,3%”?

a) Que as despesas do Estado ultrapassam em 9,3% as receitas (por cada 100 euros de receita, o Estado gasta 109,3);

b) Que a diferença entre as despesas e as receitas do Estado corresponde a 9,3% de toda a riqueza produzida no país durante um ano (por cada 100 euros de riqueza produzida, o Estado cobra 36,8 e gasta 46,1, ou seja, por cada 100 euros de receita, o Estado gasta 125,27)

c) Nenhuma das anteriores.

30 Comentários

  1. Anónimo
    Posted 20 Maio, 2010 at 14:29 | Permalink

    c) nenhuma das anteriores, pois ninguém ao certo qual é a riqueza produzida no país durante um ano. Se a economia paralela representar 20% (no mínimo dos mínimos) da declarada então o défice reduz-se automaticamente para cerca de 7,5%. É só fazer contas.

  2. Anónimo
    Posted 20 Maio, 2010 at 14:42 | Permalink

    Significa que estamos falidos. Os portugueses não vão inverter a situação, auto-sustentar-se e pagar o que ficou para trás, até porque agora os fantasmas dos défices tarifários, desorçamentação manhosa e outros truques vão começar a sair do armário. E vai ser o PS a dar o primeiro passo. Basta passarem à oposiçãao e serão eles mesmos a catapultar-se para o poder com o lixo que andaram a fazer.

  3. Alfredo
    Posted 20 Maio, 2010 at 14:45 | Permalink

    Tanto quanto sei, a resposta certa é a b). Ou seja, se não estou em erro, o défice mede-se em percentagem do Pib, e não em percentagem das receitas.
    Posso estar enganado, mas duvido.

  4. Anónimo
    Posted 20 Maio, 2010 at 14:51 | Permalink

    ninguém sabe*

  5. Posted 20 Maio, 2010 at 14:53 | Permalink

    Boa Alfredo!

  6. Posted 20 Maio, 2010 at 15:03 | Permalink

    Há vários dias que aqui nas Minas tem sido uma festa pegada.
    Celebramos a mudança de nome de Portugal, que acaba de optar pelo da nossa terra.
    Do Minho aos ricardíssimos e amaralíssimos Açores. Haja Deus, que já não era sem tempo, manas amigas!!!

  7. o-bla-di-o-bla-da
    Posted 20 Maio, 2010 at 15:21 | Permalink

    #6…
    Muito bem pegado! Valha-nos este nosso genuíno e apurado senso de humor. Temo, porém, que também este venha a pagar imposto…?!

  8. _eNácio
    Posted 20 Maio, 2010 at 15:34 | Permalink

    A resposta é:
    d) Nenhuma das anteriores, incluindo a c).

  9. Ricco Filho
    Posted 20 Maio, 2010 at 16:01 | Permalink

    O Alfredo (#3) tem razão, mas o Anonimo (#1) ainda tem mais. E eu acrescento. Apesar de andar aí uma campanha de credibilização das estatísticas das finanças públicas e do PIB, todos aqueles nºs são indicadores que, à boa maneira de funcionário, quando estão aceites por um “ente superior” (vulgo Eurostat ou Comissão Europeia), nunca mais são vistos nem revistos.

    Portanto a numeralha tuga é uma coisa assim mais ou menos.

    E anda esta bosta de jornalistas a buzinar-nos com esta conversa toda como se tudo aquilo fosse contado “ao tostão”… O que se sente é que “isto” está num buraco bem fundo, onde já quase não se consegue ver luz.

  10. simprex
    Posted 20 Maio, 2010 at 17:14 | Permalink

    E eu a julgar que era fácil, que era só fazer as contas, que sabia. Acontece que entre a confusão lançada já não topo a saída. E no entanto a coisa há-de ser claríssima. Mas como se chega a uma tal dificuldade, ainda hoje, depois que Eratóstenes de Cirene (1) já calculou o meridiano da Terra, dois séculos a. C? E fico a aguardar do Carlos Loureiro, se não do JM, o saber definitivo.

    (1) Eratóstenes, que nasceu em Cirene (c. 276 a.C.) e morreu em Alexandria (c. 194 a.C.), cidade de cuja famosa biblioteca foi director, foi de facto o primeiro matemático da antiguidade a calcular a circunferência da Terra (comprimento do meridiano).
    http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/quanto-mede-um-meridiano.html

  11. simprex
    Posted 20 Maio, 2010 at 17:32 | Permalink

    Ainda a questão do déficit, bem busquei, bem tentei, pensei, e nada, ninguém me esclarece, nem ali, Zé do Telhado,
    http://ozedotelhado.blogspot.com/2010/04/ainda-questao-do-deficit.html

    De modo que me vou daqui, dar uma volta, há mais vida além do déficit, carago!

  12. diende iz-niar
    Posted 20 Maio, 2010 at 19:02 | Permalink

    Bem, se o comentário “#3 Alfredo” está certo, isto é, se o défice é medido em % do PIB, a situação é muito mais assustadora, pelo menos para mim que imaginava o défice como a situação a).

    Então se o défice é 9.3% do PIB e uma vez que as receitas do estado são apenas uma fracção do PIB, se o défice for medido em relação às receitas deve atingir uma % assustadora.

    Quando é que sai a resposta?

  13. Anónimo
    Posted 20 Maio, 2010 at 19:25 | Permalink

    Uma velha dúvida. As dívidas abaixo listadas estão ou não desorçamentadas ? Onde se pode obter a resposta ? E quanto é esta dívida desorçamentada ? E qual é a situação na administração local com as suas empresas públicas também ?

    Dívida da Refer: 9.000 milhões de euros
    Dívida Metro Lisboa: 5.500 milhões de euros
    Dívida P.Escolar: 4.500 milhões de euros
    Dívida da CP: 3.800 milhões de euros
    Dívida Hospitais EPE: 3.000 milhões de euros
    Dívida Metro Porto: 2.500 milhões de euros
    Dívida TAP: 1.400 milhões de euros
    Dívida Alqueva-EDIA: 1.200 milhões de euros
    Dívida Estradas PT: 1.000 milhões de euros
    Dívida RTP: 800 milhões de euros
    Dívida Carris: 800 milhões de euros

  14. lucklucky
    Posted 20 Maio, 2010 at 21:48 | Permalink

    b)

    “Uma velha dúvida. As dívidas abaixo listadas estão ou não desorçamentadas ?”

    As dívidas não entram no orçamento. Só quando o estado transfere dinheiro para essas empresas é que entra no orçamento. Por isso essa dívida das EP’s não está nem no orçamento, nem sequer faz parte da dívida publica. A administração local também não faz parte excepto como disse as tranferências do Estado para as Autarquias. Só quando o dinheiro muda de mãos é que aparece nas contas.

    Por isso uma das fraudes legais feita pelos Governos para o Estado aparentar menos défices é vender património do estado a empresas publicas ou seja do próprio estado. Como as EP se podem endividar na banca, ou seja fora do Estado, o Estado ao receber da EP o dinheiro pedido emprestado por esta para fazer a compra está a arrecadar receita que entra nas contas do Estado sem que haja aumento de dívida ou defice nas estatisticas do Estado. Essa dívida fica nas contas da EP mas não nas contas do Estado.

  15. Crise & Austeridades
    Posted 20 Maio, 2010 at 23:27 | Permalink

    .
    INDICADOR DO DIA – FUGA MACIÇA DE DINHEIRO EUROPEU PARA A SUIÇA:

    -Pan-European Bank Run Is Now On: Capital Flight From UK To Switzerland, As GBPCHF Intervention Strikes Next
    http://www.zerohedge.com/article/pan-european-bank-run-now-capital-flight-uk-switzerland-gbpchf-intervention-strikes-next
    .

  16. Ricciardi
    Posted 20 Maio, 2010 at 23:36 | Permalink

    A resposta é claramente a alinea a):

    1) O conceito ‘deficit orçamental’ é restricto às variáveis orçamentais (receita e despesa)

    2) O conceito ‘deficit público’ é que é normalmente expresso em percentagem do PIB, para melhor podermos aferir da importancia do valor em causa.

    Conclusão:

    a) O ‘deficit orçamental de 9,3%’ representa isso mesmo e refere-se à base das receitas orçamentais.

    b) Se o ‘déficit público é de 9,3%’ do PiB (frequentemente utilizado), significa que o ‘déficit Orçamental’ foi de cerca 25% (no exemplo dado pelo autor).

    RB

  17. Crises & Austeridades
    Posted 20 Maio, 2010 at 23:38 | Permalink

    #14,
    “Por isso uma das fraudes legais feita pelos Governos para o Estado aparentar menos défices é vender património do estado a empresas publicas ou seja do próprio estado”
    .
    e também,
    .
    “Por isso uma das fraudes legais feita pelos Governos para o Estado aparentar menos défices é cobrar impostos aos Funcionalismo Publico e Contratos Publicos ou seja o mesmo dinheiro do próprio estado”.
    .
    pirâmide de Ponzi legais !?

  18. landscape
    Posted 20 Maio, 2010 at 23:41 | Permalink

    Caro Carlos Loureiro,

    Gostava muito que revelasse qual a resposta à sua pergunta.

    Obrigada

  19. lucklucky
    Posted 21 Maio, 2010 at 01:38 | Permalink

    A expressão Defice Orçamental é uma má expressão, mas o nosso valor de 9,3% é em relação ao PIB. Não é em relação ás receitas vs gastos.

    http://www.heritage.org/Index/Country/Portugal

    In the most recent year, overall tax revenue as a percentage of GDP was 37.8 percent…In the most recent year, government spending equaled 45.8 percent of GDP.

    “Por isso uma das fraudes legais feita pelos Governos para o Estado aparentar menos défices é cobrar impostos aos Funcionalismo Publico e Contratos Publicos ou seja o mesmo dinheiro do próprio estado”.

    Não, o dinheiro é contabilizado nas entradas e saídas. No caso de vendas de património publico a empresas publicas é só contabilizada a entrada. A saúde económica das empresas publicas que se endividaram para pagar ao Estado esse património não entra nas contas.

  20. lucklucky
    Posted 21 Maio, 2010 at 01:56 | Permalink

    Segundo o Orçamento 2010 a receita total será de 67,2 mil milhões de euros(40,2% do PIB) e despesa total 81,2 mil milhões de euros(48,5%) do PIB. Ou seja defice 8,3%.

    Página 20:
    http://www.dgo.pt/oe/2010/Proposta/Relatorio/rel-2010.pdf

  21. lucklucky
    Posted 21 Maio, 2010 at 02:03 | Permalink

    Para concluir, segundo o Orçamento o Estado vai ter de pedir emprestado pelos menos 14 mil milhões de Euros de dívida nova para adicionar aos 132 mil milhões que já nos faz dever.

    Agora digam mal dos expeculadorrrres!

  22. Crises & Austeridades
    Posted 21 Maio, 2010 at 02:08 | Permalink

    #20,
    Talvez. Nas entradas havia 200 no cofre, donde vão sair 100 nas Saídas em ordenados e contratos publicos resulta um saldo positivo de 100.
    .
    Depois desse 100 que sairam entram a seguir desse mesmo dinheiro 45 nas Entradas sob a forma de colecta de Impostos.
    .
    O cofre passa a apresentar contabilisticamente nos ‘books’ Entrada 245, Saida os mesmos 100, Saldo novo 145.
    .

    .

  23. Posted 21 Maio, 2010 at 02:28 | Permalink

    Resposta b)

    Acho que já nem vou conseguir dormir…

  24. Posted 21 Maio, 2010 at 13:01 | Permalink

    Caro landscape #18,

    Tratava.se de uma pergunta retórica, embora diferentes respostas dadas por outro comentadores possam ser consideradas certas.

    Em rigor “défice orçamental” é a diferença entre receitas e despesas. No entanto, quando se fala em défices de “9,3%” ou “9,4%”, a percentagem em causa não é (como deveria, para dar uma ideia clara do dito défice) em função da receita, mas em função do PIB (genericamente, o total da riqueza produzida no país; digo genericamente porque não inclui, directamente, a “economia paralela” e inclui, contabilisticamente, valores que podem considerar-se circular em circuito fechado, não correspondendo efectivamente a riqueza produzida).

    Ora, como as receitas fiscais (ainda) não atingem 100% do PIB, a expressão do défice em percentagem do PIB conduz sempre a valores menores do que se fosse expressa em percentagem da receita.

    Com estas precisões, entendo que a resposta certa é a b) (subentendendo-se que os 9,3% se referiam ao anunciado défice público em 2009).

  25. Ricciardi
    Posted 21 Maio, 2010 at 13:32 | Permalink

    Caro CL,

    Começou bem e acabou mal.

    O facto de um jornalista não saber aplicar correctamente os termos não serve para validar a verdade dos conceitos.

    Por esse prisma, temos que adivinhar a subjectividade… ou seja, não aquilo que disse mas sim aquilo que quis dizer.

    Deixo apenas uma pergunta: apartir de agora como é que se vai referir ao ‘deficit orçamental’? sim aquele que é apenas a diferença entre receitas e despesas.

    Tenho uma sugestão, chame-lhe Déficite Blasfesmo.

    RB

  26. Posted 21 Maio, 2010 at 13:55 | Permalink

    Caro Ricciardi,

    Comecei por dizer que era uma questão retórica.

    Em todo o caso, se me permite, o próprio “pacto de estabilidade e crescimento”, integrado nos tratados comunitários, utiliza o conceito de défice orçamental, referindo porém, que para aplicação do tratado, o mesmo (défice orçamental) deve ser expresso em percentagem do PIB.

  27. Ricciardi
    Posted 21 Maio, 2010 at 14:23 | Permalink

    CL,

    Estava obviamente a brincar consigo.

    Sei bem que o costume é que vale. E o costume é chamar-se deficite ao peso do deficte orcamental no PiB.

    RB

  28. Posted 22 Maio, 2010 at 11:06 | Permalink

    CL,

    gostava que me explicasse porque razão eliminou o meu comentário.

  29. Posted 22 Maio, 2010 at 11:10 | Permalink

    não gostou da verdade contida nas matemáticas do artigo:

    http://economix.blogs.nytimes.com/2010/05/20/irish-miracle-or-mirage/

    não seja assim, não lhe fica bem!…


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