“o colapso iminente do estado social”

É sempre uma alegria encontrarmos alguém a pensar como nós e a dizer coisas que podíamos ter dito. Na verdade, alertar para “o colapso iminente do Estado Social”, dizer que “o Estado Social encontrou o seu limite”, ou insistir na necessidade do sector artístico “minimizar a dependência em relação ao Estado” são juízos de realidade, da mais elementar sensatez, que qualquer liberal subscreveria sem dificuldade. Parabéns, pois, à Ministra Gabriela Canavilhas, que sugiro seja convidada a escrever no Blasfémias, na primeira oportunidade.

9 Comentários

  1. Posted 14 Setembro, 2010 at 21:42 | Permalink

    Muito levemente, sobre “a matéria” :
    O colapso do estado da cultura advém, mais do que possam deduzir, também da incultura, ignorância e laxismo da maioria dos portugueses. Não ambicionam, não desejam, não questionam, não exigem. Falta-lhes mundo e contemporaneidade, e nem sempre conhecem –nem aspiram conhecer– o reduzido mundo local e regional. Desinteressam-se por perceber e entender o mundo para além de “fronteiras” edificadas pelo laxismo.

    Esse colapso acentuou-se com incontrolados financiamentos a autores quase permanentemente subsídio-dependentes por deferências especiais e amiguismos, e a espaços indevidamente estruturados (que programação, qual a localização, para que estratos sociais ?) igualmente activados ano-após-ano sem que alguém questionasse a qualidade do produto, os níveis de público e o destino dos subsídios.
    Após décadas de plena “rédea solta” subsidiadora, hoje –e na próxima década– será impossível criar públicos para “sustentarem” produções e autores.
    Sem “estado social”, surgirá uma época desesperada, inactiva, cerceadora de criatividades.
    O Estado tem dinheiro suficiente para garantir “a actividade cultural nuclear do país”. Para tal, terá de saber aplicar correctamente investimentos(!) e não unicamente subsídios ! — se é que algum governo quer investir ou saberá investir, a sério, na cultura…
    Não há, neste momento e nos próximos anos, “formas alternativas de financiamento do sector”. O “sector” nunca quis verdadeiramente trabalhar e consolidar a hipótese alternativa ao subsídio. Preferiu a inércia e “os seus” no Ministério da Cultura e na DGeral das Artes…

    O “sistema”, partidário e outros, os lobbys, se aflitos pelo subsídio reduzido ou não concedido, devoram, se necessário, um director-geral, um ministro… Ou, pelo menos, sentam-no à mesa, com dia marcado, para “dialogar”…

  2. lucklucky
    Posted 14 Setembro, 2010 at 23:06 | Permalink

    “Sem “estado social”, surgirá uma época desesperada, inactiva, cerceadora de criatividades.”

    Ena! a arte e a criatividade começaram no alto Séc. XX. Antes disso foi um deserto…as coisas que aprendemos…

  3. luis Moreira
    Posted 14 Setembro, 2010 at 23:13 | Permalink

    Há quem ache razoável ter emprego para toda a vida, sempre a progredir, sem avaliação.Não são só os artistas, ou antes, há outros “artistas” que pensam assim.

  4. Posted 14 Setembro, 2010 at 23:34 | Permalink

    Lucklucky,

    Se v. tivesse querido completar no seu #, todo esse parágrafo; se não olvidasse tudo o que escrevi antes e depois desse parágrafo, talvez evitasse esse comentário.

    Alguma da melhor cultura criada no Séc. XX e já neste século, não precisou de subsídios.
    (Não tome os outros por parvos).

  5. luis Moreira
    Posted 14 Setembro, 2010 at 23:44 | Permalink

    Já há quem pense assim:http://estrolabio.blogspot.com/2010/08/os-professores-sao-joguetes-nas-maos-do.html

  6. João Moreira
    Posted 15 Setembro, 2010 at 01:48 | Permalink

    Quando se associa uma concepção finançolátrica do liberalismo – muitas formas tem o salazarismo orçamental de se expressar… – a um filistinismo bruto típico da elite de Direita em Portugal, textos deste jaez são inevitáveis…

  7. João Moreira
    Posted 15 Setembro, 2010 at 02:04 | Permalink

    Lucklucky, a arte dos séculos passados fez-se à conta de mecenas narcisistas que invariavelmente impunham que os produtos culturais os laudassem e/ou de condições ignominiosas de privação dos artistas. Qual prefere?

  8. Unreal
    Posted 15 Setembro, 2010 at 06:34 | Permalink

    “invariavelmente impunham que os produtos culturais os laudassem e/ou de condições ignominiosas de privação dos artistas”

    AHAHAHAHAHA, a propaganda vai passando…

  9. João Moreira
    Posted 15 Setembro, 2010 at 18:26 | Permalink

    Unreal, está porventura a negar que foi esse o modelo de financiamento das artes durante a esmagadora parte da História?!


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