A paróquia

De repente, todos os problemas desta choldra consubstanciaram-se nas medidas de segurança hiperbólicas a propósito de uma reunião da NATO. Nas rádios e TVs, os noticiários abrem com declarações de moradores incomodados, de juízes disfarçando o alívio pelos feriados inesperados, das pessoas que têm – pasme-se! – de estacionar mais longe do que o habitual, do tipo da camionete da cerveja que se veio queixar aos microfones de não sei bem quem que tinha aguardado «mais de 45 minutos» para poder entregar as grades da dita, dos comerciantes que estão «preocupados», mas, ao mesmo tempo, «esperançados» num eventual aumento do negócio, enfim, tem sido um desfiar hiper-mediático do rosário das nossas minudências e irrelevâncias. E isto porque a coisa acontece em Lisboa, ainda para mais em pleno Parque das Nações – o lugar onde se iniciou a derrapagem que nunca mais parou, lembram-se??? Até parece que a crise acabou por determinação administrativa! Se a coisa fosse em Coimbra ou Faro, provavelmente estas queixas, as mais provincianas de que me lembro de ouvir nos últimos anos, não teriam espaço em prime time

20 Comentários

  1. campos de minas
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:33 | Permalink

    en effet la parochia….temos o jornalismo [de bosta ]que merecemos…enfim

  2. Romão
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:33 | Permalink

    Trate-se homem, trate-se. Se a conferência fosse no Porto e os noticiários debitassem em contínuo as queixas ou as opiniões dos portuenses, o Amorim não teria perdido um segundo a enfiar a t-shirt regionalista para fazer propaganda da pujança democrática do Norte, expressa nas virtudes do pluralismo opinativo ou da ferrenha contestação além-Douro.
    Se o Amorim fosse escritor diria que sofre da ansiedade de influência de que fala Bloom. Não há caso que não tenha epicentro em Lisboa.

  3. Sérgio
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:35 | Permalink

    Com pormenores deliciosos como o que uma repórter lembrou: as pessoas serão revistadas quando forem às lojas, mas só à entrada.

  4. Posted 15 Novembro, 2010 at 19:40 | Permalink

    Muito bem, CAbreu Amorim !
    Só uma comunicação social submissa, aparvalhada pelo evento, sem (outros) assuntos verdadeiramente importantes, facilitista, se agacha na repetitiva mediocridade. Própria dum critério editorial terceiro-mundista !
    Acresce que estas duas semanas de massacrantes “notícias” sobre a segurança e a importância da cimeira, formata em milhões de anestesiados telespectadores e leitores, a conclusão, não questionada, que Portugal (e o governo, e o PR) são “de facto” protagonistas maiores na “cena internacional” e, por acréscimo, mais debate menos debate, mais comentário menos comentário ou esclarecimento, “será bem empregue o dinheiro”… A tudo isso, junta-se, não por acaso, a inadmissível tolerância de ponto na cidade…
    Depois, ainda há N entrevistas sobre a feliz ocupação hoteleira, a facturação-extra em certos restaurantes e no comércio “de luxo” durante o fim-de-semana…
    Para certa e muita gentinha, um helicóptero no ar, festança, guardas-de-honra, policiamentos/controlos, banquetes e fogo-de-artifício, minora-lhes as misérias… E se lhes derem uma bandeirinha para agitar, tanto melhor…

  5. fagulhas
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:49 | Permalink

    o homem é mesmo invejoso

  6. Posted 15 Novembro, 2010 at 19:50 | Permalink

    Adenda:
    Discordo: Maior “derrapagem” do que os estádios de futebol para o Euro’2004, não houve nos últimos anos.
    A Expo’98 teve a repercussão que se sabe e durante X meses reprojectou o país no estrangeiro (vidé outras Expos); O Parque das Nações, é hoje um excelente local da cidade, criado numa zona outrora “moribunda”, sem futuro. Os estádios para o Euro, sobretudo quatro, é o que se vê e sente…

  7. Bulimunda
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:51 | Permalink

    Vale a pena ler…
    http://bulimunda.wordpress.com/2010/11/15/como-manipular-um-publico-esta-aqui-tudinho/

  8. re0
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:55 | Permalink

    Engraçado que o prof. Marcelo tenha usado exactamente a mesma palavra – provincianismo – pelo facto de ser concedida tolerância de ponto esta sexta-feira.

  9. Bulimunda
    Posted 15 Novembro, 2010 at 19:55 | Permalink

    O porto tem inveja por uma coisa. SÃO TÃO PEQUENOS MENTALMENTE QUE O SEU CÉREBRO CABE NUMA CAIXA DE FÓSFOROS…E É PENA…O REGIONALISMO BACOCO DO PINTO E QUEJANDOS JÁ NOS CUSTOU BEM CARO….
    JÁ DIZIA O BOCAGE..
    Não lamentes, oh Nise, o teu estado;

    Puta tem sido muita gente boa;

    Putíssimas fidalgas tem Lisboa,

    Milhões de vezes putas têm reinado:

    Dido foi puta, e puta dum soldado;

    Cleópatra por puta alcança a c’roa;

    Tu, Lucrecia, com toda a tua proa,

    O teu cono não passa por honrado:

    Essa da Rússia imperatriz famosa,

    Que ainda há pouco morreu (diz a Gazeta)

    Entre mil porras expirou vaidosa:

    Todas no mundo dão a sua greta:

    Não fiqueis pois, oh Nise, duvidosa

    Que isto de virgo é honra é tudo peta.

  10. Posted 15 Novembro, 2010 at 20:12 | Permalink

    As queixas, a havê-las, deveriam ser contra uma reunião de um dos tentáculos do Pentágono cá em Lisboa.

    O polvo não tem outros recifes para congeminar que outras presas vão devastar?

  11. Posted 15 Novembro, 2010 at 20:47 | Permalink

    A maior derrapagem em Portugal que até destruiu os rails de protecção foi a Casa da Música.
    Então em tempo de construção entrou no Guinness.
    Lembram-se?

  12. Posted 15 Novembro, 2010 at 21:19 | Permalink

    Provincianas… fico satisfeito que o termo seja agora usado de forma depreciativa. Porque não queixas mais alfacinhas que me lembro de ouvir?

  13. JB
    Posted 15 Novembro, 2010 at 21:32 | Permalink

    «os problemas desta choldra»
    Nada que um crime de 5 milhões de ‘blindados’,
    pagos pelo Governo Civil de Lisboa,
    não resolva.
    A bem do Regime.
    A ‘corporação’ PSP já ganhou.

  14. insider
    Posted 15 Novembro, 2010 at 21:45 | Permalink

    em que condições estão alojados os “srs. guardas” da psp que foram transferidos para lisboa?

  15. DesconfiandoSempre
    Posted 16 Novembro, 2010 at 02:14 | Permalink

    Quando se pretendeu instalar a via férrea em Portugal não faltaram velhos do Restelo a clamar contra o despropósito da obra. E deixaram, pelos vistos, muitos descendentes!

  16. Nuno
    Posted 16 Novembro, 2010 at 04:36 | Permalink

    Então e que tal correr com essa choldra toda a pontapé e à mocada para nos vermos livres de vez desta trampa?

  17. Centrista
    Posted 16 Novembro, 2010 at 12:54 | Permalink

    Fado Alexandrino – a maior derrapagem foi a Ponte Vasco da Gama. A derrapagem dava para construir 10 casas da música, incluindo as derrapagens desta. A segunda maior derrapagem foi a linha de metro que se afundava em Lisboa… Dava para 3 casas da música.

    O seu problema com a Casa da Música é ser a única obra fora de Lisboa que está no Top 10 das derrapagens…

  18. Centrista
    Posted 16 Novembro, 2010 at 13:03 | Permalink

    MJRB,

    Tem toda a razão – a Expo 98 ainda vale um acréscimo de meio milhão de turistas por ano a Lisboa. O retorno da Expo foi largamente positivo. Por outro lado, as obras associadas, como é o caso da Ponte Vasco da Gama (caríssima , com o único objectivo de ganhar dinheiro à custa de especulação imobiliária no Montijo) ou da autoestrada até Badajoz, foram e são um verdadeiro buraco, dados os custos de manutenção e a insuficiente utilização.

  19. ana cristina neto
    Posted 16 Novembro, 2010 at 19:07 | Permalink

    Bora lá então brincar a “quem teve a maior derrapagem”, ou a “de quem se fala mais no prime time” ou ainda a “quem é mais lamechas a queixar-se do trânsito” ou a “quem é mais usado para desviar atenções na tv”, lx ou pt… ajuda muito! já li melhores posts.

  20. Posted 16 Novembro, 2010 at 19:56 | Permalink

    Chegará o momento (fadado, já se nota…) em que a Cultura, todos os investimentos na Cultura, será um dos grandes “males” deste miserável e ignorante país.
    No campo oposto, omitem propositadamente os cerca de 100 milhões de Euros gastos –gastos !!!, sem retorno– em 4(!) estádios de futebol com a quantidade de espectadores (de 15 em 15 dias!) que se sabe…–para além de mais uns 80 milhões comparticipados com clubes para a edificação doutros tantos estádios…
    Um poveco que ama o futebol/clubes (e pouco mais), e ataca a Cultura, merece muito mais do que estocadas do FMI !
    A Casa da Música foi concluída com uma “derrapagem”. Quase todas as outras grandes obras públicas, têm esse infeliz anátema. A Casa da Música FORMA E CULTIVA(e é suportada/activada por entidades particulares e pelo Estado); o futebol…, bem, o futebol, é de facto um espelho desta sociedade, de dirigentes, de máfias, de governantes, de “bananas governados por sacanas”.
    A Casa da Música foi necessária ! A Casa da Música é uma icónica obra da arquitectura ! A Casa da Música prestigia o Porto e o país !


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