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Ainda a declaração de pertença à Maçonaria

15 Janeiro, 2012
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Caro Rui, não sei se leu com atenção o meu texto, mas em parte alguma eu defendo a “ideia de um poder público poder obrigar um cidadão a revelar publicamente as suas escolhas privadas”. Pelo contrário: digo que sou “contra a multiplicação de leis normativas” e distancio-me “da ideia de uma lei que torne obrigatória a declaração de pertença a uma maçonaria”. O que defendo é que, para um conjunto de profissionais que, de alguma forma, estão sujeitos ao escrutínio democrático isso é recomendável e deve ser “um compromisso ético”. Como, para mim, não há identidade entre a ética e a lei, como alguns defendem, remeto para a esfera da consciência individual o bom preenchimento das declarações de interesses. Quem preferisse optar pela omissão teria como exclusiva penalidade o julgamento público no momento em que isso fosse conhecido.

Não me parece que esta prática viole qualquer princípio liberal, pelo contrário. Numa sociedade livre nem todos têm o mesmo nível de responsabilidades, mas há responsabilidades livremente assumidas (como ser titular de um cargo público) que têm consequências no grau de liberdade individual de quem faz essas opções. Por exemplo: se eu me tornar numa figura pública é natural que passe a ter menos liberdade para fazer nudismo em espaços onde todos possam aceder (se for onde ninguém me veja será diferente). Há inúmeros comportamentos absolutamente inofensivos que estão vedados, não por lei mas por costume, às figuras públicas nos espaços públicos. Isso representa, sem qualquer dúvida, uma compressão das suas liberdades individuais, compressão que essas figuras aceitam por troca com as vantagens, que também as há, de serem figuras públicas. Como se costuma dizer, nunca há almoços grátis.

Sei muito bem que à pala do “quem não deve não teme” se cometeram e cometem muitas tropelias bem mais graves do que uma eventual obrigatoriedade legal de declarar a pertença a uma maçonaria – já ouvi mesmo esse argumento servir para justificar escutas telefónicas, devassas domiciliárias ou intrusões sistemáticas na vida íntima. Por isso mesmo é que me fico por uma recomendação ética: o mal quando se começa a legislar é que sabe-se quando se começa e nunca mais se sabe quando se acaba.

Por fim creio que, se os maçons se assumissem publicamente, como sucede naturalmente nos Estados Unidos, onde são vistos da mesma forma benigna que os membros do Rotary ou do Lyons, depressa desaparecia o preconceito que hoje os assusta. Até porque aqueles que eventualmente ali procuram um bilhete para uma mais rápida ascensão social iriam passar a bater a outras portas…

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35 Comentários leave one →
  1. 15 Janeiro, 2012 12:41

    “…se eu me tornar numa figura pública é natural que passe a ter menos liberdade para fazer nudismo em espaços onde todos possam aceder (se for onde ninguém me veja será diferente).”
    Exatamente.
    Na Maçonaria pratica-se “nudismo”.

  2. tric permalink
    15 Janeiro, 2012 13:07

    “Por fim creio que, se os maçons se assumissem publicamente, como sucede naturalmente nos Estados Unidos, onde são vistos da mesma forma benigna que os membros do Rotary ou do Lyons, depressa desaparecia o preconceito que hoje os assusta. ”
    .
    desaparecia, desaparecia…então a Maçonaria está por detrás do maior genocidio cristão em Portugal, e é para esquecer !!!?? segundo a consta na História esta máfia até foi receber as trpoas francessas quando estas invadiram Portugal, dando urras pelas sua chegada! A maçonaria venera o CANIDEO que mandou chacinar os Cristãos Portugueses, Napoleão Bonaparte!…já para não falar no assassineo de o Rei de Portugal e da trágica I-Republica…

  3. zazie permalink
    15 Janeiro, 2012 13:19

    Nem mais.

  4. 15 Janeiro, 2012 13:25

    Sempre gostei destas éticas moralizadoras que de vez em quando surgem à superfície.
    Todos nós que por aqui vamos passando, estamos fartos de ver as declarações de interesses dos jornalistas que exprimem em colunas de opiniões o seu apoegado apoio a A ou a B, a franqueza com que radialistas e comentadores de futebol se dizem sócios/simpatizanyes do Carcanhóis de Baixo ou Arrabóis ao Lado, dos politólogos que se declaram simpatizantes ou filiados no partido da caça ao voto ou no da pesca aos incautos, das empresas de comunicação social cujos detentores são apoiantes do senhor Pastel ou da senhora Nata, dos polícias que declaram bater nas mulheres, dos professores que informam que ensinam matérias para as quais não estão devidamente preparados, dos juízes que assumem que julgam coisas sobre as quais nada entendem, dos bombeiros que declaram ser simultanente pirómanos, dos trabalhadores que sonham em ser apenas empregados, etc., etc..
    Creio que o postador se equivoca quando diz que os maçons se afirmam publicamente nos Estados Unidos, se calhar o que ele queria dizer é que há maçons nos estados unidos que se afirmam publicamente, como os há também em Portugal, na Espanha, na França, no Brasil e por esse mundo fora, daí que a generalização não seja correta.
    Já agora e porque vem a talhe de foice, será que a malta da Opus Dei ou das restantes irmandades e outras associações/corporações discretas também já andam também a fazer declarações de interesses.

  5. 15 Janeiro, 2012 14:08

    Engraçado é que, nesta dicussão toda, estéril e histérica, ainda ninguém me respondeu:
    - se a maçonaria defende a liberdade, porque é só para alguns?
    - se é pela democracia, para que serve numa democracia?
    - para que serve a maçonaria?

  6. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 14:10

    Nos padrinho 1, 2 e 3, raro é o elemento que se exima, não se envaideça e mesmo vanglorie de pertencer à família. Que parece compreensível, sabido o que devem a esse núcleo fundamental de poder e coesão, que os protege, projeta e arma de expedientes para a vida. Que me lembre excessão, relutante a princípio e ao fim denodada, escandalizada e já farta, será a da esposa do Michael, cidadã dos estados unidos .

  7. 15 Janeiro, 2012 14:19

    A WIKI faz hoje anos.
    Espreite aqui:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7onaria

  8. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 14:23

    E aí esse gajo das muletas, assim dado a atirar milhões pela embocadura, esquece-se de dizer os milhares, centenas, lá sei se milhões de cristãos puros, de cátaros, que a irmandade a Norte e mais Sul da França, com a bênção de bispos e papas, amandou aos anjinhos, durante mil anos. E há-de lá ser maçon, esse das muletas .

  9. tric permalink
    15 Janeiro, 2012 14:40

    os franceses são muito moralistas, tal como os Maçons e Judeus, mas não se percebe como conseguem venerar um Cão sanguinário!
    .

  10. tric permalink
    15 Janeiro, 2012 14:46

    Invasões Napoleonicas com o apoio da Maçonaria levaram a cabo o maior genocideo em Portugal contra os Cristãos Portugueses e existe um silêncio geral sobre o assunto…A Inquisição em Portugal tocou em meia duzia de Judeus e é logo um Crmie Universal contra Humanidade! os tadinhos, os anjinhos, as primas donas…existe algo na História de Portugal que está muito mal contada, mas mesmo muito mal contada…mas tambem não admira, com um Rabi como Ministro da Cultura, o que é que se podia esperar…
    .

  11. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 14:54

    Aí o gordo acima mal respira, de gordo, e contudo não se cala, c’um caray, não me interrompa …

  12. tric permalink
    15 Janeiro, 2012 15:03

    dedicado aos “indefesos” Herois Cristãos Portugueses que se opuseram às poderosas Tropas Sanguinárias Franco-Maçónicas-Judaicas…
    .

  13. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 15:07

    É a pura verdade, tric, a História anda muito mal contada, prova-o essa saga de Napoleão, assim glorificada, com o mesmo herói ao comando do terror e imparáveis mortandades .

  14. zazie permalink
    15 Janeiro, 2012 15:09

    Boa, Tric|

  15. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 15:40

    E ao fim um gajo até parece não vê mais que a encarnação do mal em Hitler, como nos prega a toda a hora a comandita judeo-maçã-americana, assim que se diz?, ou ficamo-nos pelas “Tropas Sanguinárias Franco-Maçónicas-Judaicas…” por agora? E porém surgiram despois outros maus, é certo, com o eixo do mal ditado pelo Bush assassino .

  16. balde-de-cal permalink
    15 Janeiro, 2012 16:49

    em democracia não deve haver sociedades secretas.

  17. aremandus permalink
    15 Janeiro, 2012 17:01

    em sociedades abertas não se conjuga o verbo «dever«; cada qual é livre para escolher o seu próprio inferno

  18. Celeste Santos permalink
    15 Janeiro, 2012 18:04

    E… no meio de tudo isto… de tantos “posts”… tanta discussão “pró tecto” … ninguém se interrogou ainda: ONDE ESTÁ A VERDADE, se é que tal existe? DE QUE LADO? QUE HISTÓRIAS NOS CONTA(RA)M? QUEM? COMO? PORQUÊ?
    (Mas talvez tenha sido a resposta de M.A.F. que não satisfez…)
    Sim, porque também os historiadores são parciais; sim, porque a Igreja sempre revelou(a) apenas e só o que lhe interessou(a)… Sim, porque já (quase) não se faz jornalismo (isento), o único que considero como tal, mas uma espécie de caça desenfreada, uma luta de sanguessugas para vender notícias; sim, porque cada um “puxa a brasa à sua sardinha”… E todos se julgam detentores da verdade!
    Estiveram lá? Viram? Sentiram?
    Eu não! Logo duvido, questiono.
    Não se insultem, não insultem. Não nos insultem. Respeitem mais.
    Estes moralismos repentinos só nos ficam mal. Toda a história é e será cheia de crimes, pecados, pecadilhos, benfeitores anónimos, grandes homens e mulheres, ilustres desconhecidos, e os heróis são e serão, muitas vezes, as maiores bestas. Injusto?! Claro que sim! Mas ninguém disse que a vida é justa. E a morte, sê-lo-á? A memória que fica, o registo, será fiel ao que / a quem se foi?
    Essa pode ser a história duma vida. Também pode ser a história dum herói, dum povo, duma nação, dum continente… Ou duma qualquer entidade religiosa, política, intelectual, artística.
    Ou se endeusa ou se endemoniza. Raramente se encontra um meio termo.
    E é de sangue e ódio que mais nos alimentamos, como que numa espécie de exorcismo e catarse…
    Macabro, não acham?!
    Mesquinho, tacanho… também!
    Sensatez e imparcialidade, assim como sentido de justiça, precisam-se!
    Mais uma (quiçá) grande, penosa mudança!?

  19. Celeste Santos permalink
    15 Janeiro, 2012 18:09

    Nota adicional: Por lapso meu, onde se lê “M.A.F”. (linha 4), deve ler-se “jmf1957″. Perdoem-me a “imperdoável” incorrecção.

  20. Carlos II permalink
    15 Janeiro, 2012 18:19

    Os empossados em cargos públicos, que agora apenas lêem uma declaração onde prometem cumprir com lealdade as funções que são confiadas, não poderiam antes fazer um juramento dizendo isso e também que não iriam, no desempenho dessas funções, obedecer à vontade de quaisquer agremiações, tanto “secretas” como “discretas”?

  21. Portela Menos 1 permalink
    15 Janeiro, 2012 18:26

    Não há notícias nem comentários sobre a nossa querida S&P ? A crise agora já é, também, na nossa Europa e não só na Brandoa?
    E um postzinho sobre a nossa representante no conselho geral da EDP, de seu nome CDS-Cardona ? Para os nossos liberais-tugas o filão maçonaria não esgota enquanto temas pertinentes tentarem entrar na agenda…

  22. smile permalink
    15 Janeiro, 2012 18:36

    Maçonaria silencio e calma
    Tanta publicidade não é boa
    Para quem manda
    Se não fosse pelo poder
    Quem é que se ia entreter
    Nas lojas maçónicas de Lisboa
    Com rituais parvos e infantis
    Presididos por velhos senis
    Com tanta moça boa que povoa
    A linda cidade de Lisboa
    A não ser! Que algumas das lojas
    Sejam por ventura
    Frequentadas por belas maçónicas
    Aonde a sede de poder
    Possa ser apimentada com algum prazer!

  23. JCA permalink
    15 Janeiro, 2012 18:39

    .
    Salt and Pepper,
    Eleições nos EUA
    .
    Pimping for Ron Paul – Nevada Working Girls and Prostitution Professionals Raising Money for Presidential Candidate
    .

    .

  24. Arlindo da Costa permalink
    15 Janeiro, 2012 19:34

    O Doutor JMF ainda não fez a sua declaração de interesses.
    Para que «loja» V. Exª. trabalha?
    Que parte da Filosofia do Bem e da Virtude V. Exª se cultiva?
    Vou beber um café, quando chegar muito grato ficaria se esta minha curiosidade fosse satisfeita.

  25. simon permalink
    15 Janeiro, 2012 20:07

    “em sociedades abertas não se conjuga o verbo «dever«, aremandus
    em sociedades abertas cada um f… o que pode os outros, secretamente, a la democrata, maçon livre .

  26. Carlos Dias permalink
    16 Janeiro, 2012 00:01

    Júlio César explicando a sua decisão de divórcio da sua mulher Pompeia, disse o que ficou para a História.
    “À mulher de César não basta ser honesta, TEM de parecê-lo.”
    Estes maçónicos deviam aprender com os Grandes da História.
    Não é suficiente aprender com os trolhas.
    Não é uma questão de filosofia.
    É uma questão de ÉTICA.
    Mas o que é que eles sabem disso? :-)

  27. Carlos Dias permalink
    16 Janeiro, 2012 00:03

    Se ter irmãos honestos é uma questão de orgulho.
    A negação só os condena.

  28. Carlos Dias permalink
    16 Janeiro, 2012 00:04

    Gostei do que disse.
    Acho que me devia dedicar à política. ;-)

  29. Buiça permalink
    16 Janeiro, 2012 00:39

    Talvez já o tenham feito e eu não reparei, mas os senhores Rui e José importam-se de fazer uma declaração de interesses e revelar se pertencem ou não a alguma loja maçónica ou similar, para podermos entender melhor ao que vêm com estas discussões em abstracto?
    De caminho podiam também opinar sobre o seguinte que é o evento concreto que se esconde por trás de tanta generalidade: pode ou não pode um juíz ou deputado julgar o senhor Silva Carvalho sem antes declararem a quem os escolhe para o efeito que pertencem à mesma loja maçónica do sujeito?
    Muito obrigado.

  30. 16 Janeiro, 2012 01:47

    Devido á influência nas decisões de Estado…
    devido aos cargos que exercem (eram)…basta ler as declarações enraivecidas do almeida santos…alegre ..e soares ( não esquecer q foram PRESIDENTES da AR e PR…)
    devido ao secretismo das organizações…
    os pedreiros-do avental deviam afirmar nas declarações de interesses que eram pedreiros…
    caso contrário, isto será uma democracia de tretas….
    e o caminho para a bancarrota continuará…

  31. 16 Janeiro, 2012 01:57

    TRIC
    é verdade que as invasões francesas (onde havia milhares de maçons portugueses contra portugal…) assassinaram muitos católicos.
    mas nada se compara com as invasões islâmicas..muito mais cruéis.
    aliás, desde o início com Maomé, a expansão do islamismo foi SEMPRE feita pela espada
    sempre com invasões…saques…e matanças…
    ao contrário do Cristianismo que se expandiu sofrendo constantes genocídios….
    que começaram logo no Coliseu de Roma…com os cristãos a servir de refeição para os leões…durante TRÊS SÉCULOS…
    mas o cristianismo não morreu…aliás, os filósofos romanos se interrogavam como era possível haver cada vez mais Cristãos se eram barbaramente assassinados.
    e essa barbárie continuou com o islão…turquia…arábia..norte de áfrica sul da Europa eram cristãos quando os mouros mataram e destruíram tudo em nome do alá…e do maomé…

  32. JCA permalink
    16 Janeiro, 2012 04:46

    .
    A proposito de Napoleão etc e o HOJE:
    .
    =Saving Egypt’s precious fire-bombed books
    .
    Indeed it was Napoleon who led the efforts to compile the institute’s most prominent work, La Description de l’Egypte, a 23-volume tome dating back to 1809. Describing Egyptian civilisation, nature and contemporary life it was compiled by more than 150 French scholars.
    A first edition of the work has been partly damaged in the fire.
    .
    The institute held more than 200,000 rare reference books and bound manuscripts dating back to the 1500s, in five languages: Arabic, French, English, German and Russian.
    .
    http://www.bbc.co.uk/news/magazine-16534331
    -
    =Pictures: Fire Destroys “Temple of Knowledge” in Egypt
    http://news.nationalgeographic.com/news/2011/12/pictures/111220-egypt-cairo-protests-fire-scientific-complex-world-science/#/cairo-institute-library-burns-egypt-outside_45994_600x450.jpg
    .

  33. rui a. permalink*
    16 Janeiro, 2012 18:36

    Caro José Manuel,

    Li, com certeza, com a maior atenção o seu artigo e sei que não afirmou defender a obrigatoriedade de declaração de filiação maçónica por parte dos políticos, como também eu não disse que você o tinha escrito. A questão, todavia, reside, a meu ver, na impossibilidade de se estabelecer uma linha de fronteira clara entre o que deve ser obrigatoriamente público e o que, sendo privado, poderá ou não ser publicitado, conforme a consciência de cada um. Parece-me que a filiação maçónica dos detentores de funções públicas (já nem falo nos simples cidadãos desprovidos de qualquer ius imperium…), ou a filiação em qualquer outra organização/instituição, cabe inteiramente na segunda opção, sob pena de se estabelecer um mau princípio, que permitirá ao estado e ao governo irem por diante, muitas vezes sem qualquer noção dos seus limites constitucionais, legais e morais. Dou-lhe um exemplo ocorrido comigo, sucedido há dez anos, numa altura em que não existia qualquer imposição legal sobre esta matéria, como, de resto, continua a não haver. Ora, sendo eu um pacato cidadão, que nunca exercera (e continua, felizmente, sem exercer) funções na administração pública ou ter prestado qualquer serviço ao estado português, estando, na altura, a ser inquirido num processo muito mediatizado, na qualidade de legal representante da entidade ofendida, o procurador do processo entendeu por bem perguntar-me se eu era maçon e, em caso afirmativo, que me tinha “iniciado” na maçonaria. Como me recusei a responder às perguntas, não obstante a insistência do senhor advogado do estado português para que eu o fizesse, o tribunal decidiu suspender o julgamento para apreciar o assunto. Ainda hoje continuo sem saber para quê, já que, se as perguntas não tivessem sido retiradas – como foram – perante a insistência natural da minha recusa, a alternativa ao meu silêncio poderia ser, eu sei lá, talvez a tortura física, umas chibatadas dadas em público, uma acusação por desrespeito ao tribunal, talvez um exemplar puxão de orelhas… A verdade dos factos, é que, apesar do histerismo mediático em torno do caso (o que, em parte, justificava também a formulação das perguntas), os órgãos de comunicação social referiram o sucedido, mas apenas do ponto de vista do incidente processual e da curiosidade pela minha eventual resposta, e não pelo evidente abuso sobre mim cometido por um representante do estado português. E isto, veja bem, caro José Manuel Fernandes, sem que eu fosse arguido no processo, que nunca fora – nem nesse nem em nenhum outro -, num Portugal democrático, tolerante, sem qualquer lei impositiva nesta matéria e, ainda por cima, como por aí se diz, “dominado” pela Maçonaria! Não imagino como teria sido tratado se assim não fosse…
    Em conclusão, meu caro, não é possível estabelecer outro critério em matérias tão sensíveis quanto as das escolhas privadas dos cidadãos, que não seja o do seu próprio juízo moral. A não ser, claro está, que essas escolhas envolvam prejuízo para terceiros, e, aí, estaremos já não em simples escolhas privadas, mas em actos com relevância ilícita, seja ela meramente civil ou mesmo criminal. Ora, quando se começa a dizer que a Maçonaria não tem, por ser uma sociedade “secreta” (e não o é, caramba!, qualquer cidadão pode entrar no Palácio Maçónico do Bairro Alto, em horário de abertura do Museu, ou conhecer os “segredos” rituais da Maçonaria através da inesgotável literatura sobre o assunto), lugar nas sociedades democráticas dos nossos dias, e que, se insiste no “secretismo” é porque não quer expor as muitas malandrices que por lá se congeminam e fazem, estamos – muito obviamente – a atirar sobre a Maçonaria a suspeição da ilegalidade dos seus actos. Ora, a ser assim, por que razão não se pede, não a revelação obrigatória das identidades, mas pura e simplesmente uma investigação judicial a esse suposto universo de ilegalidades? E por que razão não se tem a coragem de se dizer que, se a Maçonaria não tem lugar no mundo moderno, por arcaísmo ritual e secretismo suspeito, ela deva ser, pura e simplesmente, ilegalizada? A alternativa a isso, claro está, é aceitar a organização como ela é, permitir o direito de reserva (que mais não é senão o inverso da obrigação de exposição pública) a quem lhe pertence, e verificar se, em razão da sua existência, resultam ou não actos que sejam legalmente censuráveis. Da existência da Maçonaria e de todas ou quaisquer outras organizações privadas legalmente constituídas, ou de qualquer cidadão que respire no território português, como me parece evidente.
    Muito obrigado pela sua resposta e saudações amigas,

  34. Pedro Esteves permalink
    17 Janeiro, 2012 23:27

    Sr. Rui A., mas e em relação ao juramento ?
    Eticamente existe um conflito entre alguém que é suposto manter um juramento de defender a pátria , e o juramento de proteger os seus irmãos de seita .
    Cumprimentos

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