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afinal, em que acredita esta direita?

15 Março, 2013
by

Todas as previsões económicas do governo, o mesmo é dizer, o seu programa para o país, têm falhado. E não basta dizer, como afirmou o primeiro-ministro, que «previsões são apenas previsões», porque isso qualquer astrólogo amador sabe, e nós não o contratamos para ler os astros ou deitar a sorte nas cartas.

.

O ponto está em saber porque falham as «previsões» deste governo, concretamente as que vaticinavam resultados mais optimistas para os números do desemprego e do crescimento económico. A explicação não é difícil de entender, e até mesmo este governo, necessariamente obcecado com a bancarrota do país, é capaz de a perceber: o que gera emprego é a riqueza, e o estado português anda há muitos anos a destruí-la com políticas fiscais de enorme irresponsabilidade. Por outras palavras mais simples, daquelas que, como dizia o outro, até uma humilde dona de casa entende, a tributação elevada não permite a poupança, sem poupança não há investimento e sem investimento não se criam empresas, trabalho e riqueza. Para além do mais, o risco de investir num país com uma política fiscal errática é muito elevado, não atrai capitais estrangeiros e afugenta os nacionais, que, de resto, para além destes óbvios inconvenientes, a polícia fiscal do regime também cuida de amedrontar. Assim, e de uma vez por todas, para ver se nos entendemos, quem acredita que é a engenharia económica e financeira do governo e do estado que cria emprego são os socialistas, entenderam? Quem não for socialista deve ter outras ideias e pensar melhor.

.

No fim de contas, a coisa resume-se a isto: em que política económica acredita a direita do regime, protagonizada pelo PSD e pelo CDS? Até agora, a resposta tem sido esta: nos mesmos princípios e nas mesmas políticas do Partido Socialista.

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31 Comentários leave one →
  1. 16 Março, 2013 00:09

    Podemos deixar de chamar direita a um partido SOCIAL-democrata?
    Só em Portugal…

  2. Gabriel Silva permalink*
    16 Março, 2013 00:09

    ora nem mais, é isso

  3. Duarte permalink
    16 Março, 2013 00:13

    Nas mesmas políticas do Ps, PSD, PP, Banco Central Europeu, FMI, Comisssao Europeia, Angela Merkel e ordoliberalismo Alemao e toda a canalha mais ou menos neolibral que domina a Europa., de inspirações das escolas Alemãs e Austríacas que conduziram a Europa para esta catástrofe. Sejamos rigorosos.

    Ou isto muda rapidamente e terão de ser os povos a decidir ou entao isto vai resolver-se na Europa como ja se revolveu por duas vezes nos últimos cem anos – à batatada.

  4. Duarte permalink
    16 Março, 2013 00:21

    O oportunismo desta gente a colocar-se fora da tragédia quando ela é evidente torna-se repugnante , tanta é a cobardia e o oportunismo.

  5. Manuel Lopes permalink
    16 Março, 2013 00:27

    Oh rui a., você é demais… é que ainda não percebeu!! Mas também já falta a pachorra e a realidade irá mostrar-lhe que tanto faz dar-lhe pela receita como pela despesa é sempre retirar economia… (socialmente é que não é o mesmo) a questão é que não há capital nem confiança porque não não há clientes, NÃO HÁ QUEM COMPRE, HOMEM!!!.
    Bom e agora? agora, é começar a pensar em como se consegue o perdão da dívida de forma dissimulada para que alemão engula a coisa… não é novo neste país.

  6. rui a. permalink*
    16 Março, 2013 00:39

    «Podemos deixar de chamar direita a um partido SOCIAL-democrata?»
    «a direita do regime», conforme está escrito no post.

  7. Expatriado permalink
    16 Março, 2013 00:41

    Sim, tem razao o comentador Pedro Quaresma, porque se insiste ainda em chamar de direita a um partido social-democrata?
    .
    Quanto a “rigor”, estamos conversados….. Os marcianos estao ansiosos para por rigorosamente em practica as suas politicas de “sucesso” como nos paraisos que ja’ eram e alguns que ainda nao cairam de podres, sabe-se la’ porque…. Sera’ porque os marcianos ganham sempre as eleiçoes onde o povinho vai la’ por o buletim de voto na caixa?
    .
    Marcianos. Com menos de 10% do eleitorado tem de ser mesmo a’ porrada que chegam ao Poder. Mas quando der para a cachaporrada, serao muito, mas muitos menos que isso.
    .
    A rua e’ dos caes…….

  8. rui a. permalink*
    16 Março, 2013 00:46

    «orque se insiste ainda em chamar de direita a um partido social-democrata?»:

    – Porque é a direita do regime e não há outra;
    – Porque o CDS é mais socialista que o PSD;
    – Porque em Portugal, desde há muito, a direita é de esquerda.

  9. jose Silva permalink
    16 Março, 2013 00:48

    Diga-se o que se disser contra Vitor Gaspar, mas a realidade é que ele está a implementar uma redução da procura agregada para conseguir equilibrar a balança de pagamentos. Nada de inovador. Trata-se de uma gestão do ciclo «stop-go» por onde já passaram as economias britânicas, escandinava, argentina e mexicana. Nada de novo, nada de transcendente. Isto significa também o restabelecimento da cientificidade e da previsiblidade da gestão macro-económica. Estes factos são indigestos, mas são reais. Gaspar está no caminho certo, a fazer algo que já foi feito e que demonstrou-se que funciona.
    – Stop-go: economic policy characterized by deliberate alternate expansion and contraction of aggregate demand in an effort to curb inflation and eliminate balance of payments deficits, and yet maintain full employment (http://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/stop-go)
    – Stop-go na economia britanica dos anos 50 e 60: http://bcjournal.org/volume-13/supreme-effort-a-lesson-in-british-decline.html, http://www.tulane.edu/~gbernst/econww2.htm, http://www.powerfulwords.co.uk/sample-assignments/economics/economic-policy-in-britain.php
    – Stop-go na economia escandinava: http://www.wider.unu.edu/publications/working-papers/previous/en_GB/wp-35/_files/82530823363758288/default/WP35.pdf
    – Stop-go na economia argentina: http://www.iadb.org/res/publications/pubfiles/pubIDB-WP-102.pdf
    – Stop-go na economia mexicana: http://connection.ebscohost.com/c/articles/4674239/can-mexico-break-vicious-circle-stop-go-policy-institutional-overview

  10. Portela Menos 1 permalink
    16 Março, 2013 00:53

    Já não é a primeira vez que por aqui no Blasfémias tentam vender a ideia que o PSD, por ser “social”, não é um partido de direita. È preciso descontar a ousadia dos que , dizendo-se liberais e defensores do Estado zero, tentam contrabandear ideologias, mesmo que sejam as do regime…
    Durante meses foram os melhores amigos e defensores do Gaspar; agora que o homem de todas as erradas provisões está a ficar isolado, ai, ai, ai que “sociais democratas” não são de direita!

  11. Expatriado permalink
    16 Março, 2013 01:11

    Tem razao, Rui a. O CDS tambem nao e’ um partido de direita e foi isso que me faltou dizer.
    .
    Agora falta dizer como tapar o buraco em que as politicas de esquerda meteram o pais…. desde 74.
    .
    Como reformar um Estado asfixiante e tomado pelos “cavalos de Troia” dos sindicatos? Como reformar um sistema de “Ensino” onde apenas se enforma em vez de formar? Como ter uma comunicaçao social independente e isenta dessa enformaçao? Como deixar de ter “empresas do Estado” que nunca geraram receitas suficientes para cobrir as suas proprias despesas? etc. etc.
    .
    E’ isto que levou Portugal a’ ruina e foi atravez da ocupaçao do aparelho do Estado, ao qual deram regalias para a vida, que levaram os Portugueses a pensar que a vida e’ facil e tudo esta’ garantido pela teta da mae estado. Os chamados “direitos adquiridos”…… e que se *oda quem tiver de pagar.
    .
    Quando se critica deve-se sempre apontar o que pensamos serem as soluçoes. De outra maneira estamos a fazer o jogo dos marcianos que utilizam a critica negativa sem nunca apresentarem uma unica proposta de soluçao com provas dadas. Nem uma unica!!!!
    .
    As vezes penso que o melhor teria sido deixar o Pais bater no fundo. Uma cura tipo “cold turkey” resulta as mil maravilhas.

  12. rui a. permalink*
    16 Março, 2013 01:48

    «Durante meses foram os melhores amigos e defensores do Gaspar; agora que o homem de todas as erradas provisões está a ficar isolado, ai, ai, ai que “sociais democratas” não são de direita!»
    Não está a falar comigo, pois não, Portela?

  13. Portela Menos 1 permalink
    16 Março, 2013 02:05

    estava a pensar em termos gerais acerca dos que defendem o não-Estado; mas, a propósito, Rui A nunca defendeu por aqui Gaspar? ou o homem é amigo do John Keynes e a gente não sabe?

  14. rui a. permalink*
    16 Março, 2013 02:24

    Cite-me lá um post de elogio ao Gaspar, s.f.f.. Claro que ele é amissíssimo do Keynes, ou o que me diz de uma política económica que saca de 50% até 65% da renda de trabalho à maioria dos portugueses? Caro Portela, eu admito que convenha à esquerda portuguesa chamar a esta malta de «liberais», como, no passado, se chamava «fascista» a quem não fosse do PC. Mas você, que é um homem instruído, sabe quem que este terrorismo fiscal, que atenta contra a propriedade privada, nada tem com o que dizem e escreveram os liberais, ou não sabe? Coisa diferente é vc. dizer que o liberalismo é uma utopia e por aí em diante. Poderemos debater isso. Agora, um regime que ataca desta forma a propriedade privada pode ser chamado de «liberal», só porque estes tipos estão a despedir funcionários públicos, por não terem dinheiro para lhes pagar? Não brinque, meu caro!

  15. Portela Menos 1 permalink
    16 Março, 2013 02:32

    ok, os homens são socialistas – http://noticias.sapo.pt/banca/#4090 – e ninguém nos avisou :-)

  16. rui a. permalink*
    16 Março, 2013 03:01

    «Socialistas», no sentdo de quererem colectivizar a propriedade para proporcionarem ums asociedade igualitária, certamente que não são. Agora, que não têm respeito pela propriedade, e que acreditam piamente que, enquanto governantes, são capazes de resolver os problemas de uma economia falida, ah isso aão. Chama-se a isso «estatismo», de que o socialismo é uma vas formas. Agora, liberalismo é que, caramba, só por teimosia.

    Cumps.,

  17. comunista corno permalink
    16 Março, 2013 03:57

    http://www.jn.pt/125Anos/default.aspx?Distrito=Braga&Concelho=Vizela&Option=Interior&content_id=3106851

    Empresário recusa medalha de ouro por não gostar de políticos

    Luís Guimarães, empresário de sucesso no ramo do têxtil, era o único nomeado para receber a medalha de mérito municipal, grau ouro, da Câmara de Vizela. Os partidos políticos até foram unânimes em atribuir-lhe a distinção, que estava marcada para dia 19, data em que o concelho mais jovem do país celebra 15 anos.

    Contudo, Luís Guimarães rejeitou a medalha por vir da classe política, e por discordar com as medidas da Câmara dos últimos anos. O empresário justifica a decisão com o facto de a medalha ser proveniente “da classe política” e por não ser essa a sua forma de estar na vida. Além disso, critica as lideranças da Câmara de Vizela: “Apenas se preocupou em deixar obra, construir rotundas e estátuas, esquecendo-se do fundamental”.

  18. Pffff ! permalink
    16 Março, 2013 04:14

    Meus amigos, um agente da CIA, esteve à escuta, num daqueles microfones que a Zita Chalada colocou no ar condicionado dos ministérios da Casa Branca, e ouviu o seguinte:A culpa do que se passa em Portugal é dos comunistas, da Coreia do Norte, do Fidel mai-lo Chavez, do Vasco Gonçalves, do tinto do Cartaxo, do Rancho Folclórico de Santa Marta e da Maria Albertina. Vamos assinar uma petição para pôr esta malta na cadeia, e façamos 3 manifestações. Prá rua , já!

    Como diria o Eça:
    Eles não vão cair, porque não são nenhum edifício… vai sair com benzina, porque são umas nódoas !

  19. vivendipt permalink
    16 Março, 2013 04:34

    É p`rá amanhã
    Sobre os adiamentos do défice, do corte da despesa, e sabe-se lá mais o quê que vão ainda adiar, o que é certo é que o crescimento económico e a criação de emprego também ficarão decididamente adiados…

    Já nem me apetece comentar delírios de gente que não entende a realidade, que não olha para gráficos e números e que continua entretida a gastar mais daquilo que produz…

    Agora vou dar é música e com o António Variações (que é sempre atual).

    Bom fim-de-semana a todos os leitores.

    É p’rá amanhã

    É p’rá amanhã
    Bem podias fazer hoje
    Porque amanhã sei que voltas a adiar
    E tu bem sabes como o tempo foge
    Mas nada fazes para o agarrar

    Foi mais um dia e tu nada fizeste
    Um dia a mais tu pensas que não faz mal
    Vem outro dia e tudo se repete
    E vais deixando ficar tudo igual

    É p’rá amanhã
    Bem podias viver hoje
    Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
    Ai tu bem sabes como a vida foge
    Mesmo que penses que está p’ra durar

    Foi mais um dia e tu nada viveste
    Deixas passar os dias sempre iguais
    Quando pensares no tempo que perdeste
    Então tu queres mas é tarde demais

    É p’rá amanhã
    Deixa lá não faças hoje
    Porque amanhã tudo se há-de arranjar
    Ai tu bem sabes que o trabalho foge
    Mesmo de quem diz que quer trabalhar

    Eu sei que tu andas a procurar
    Esse lugar que acerte bem contigo
    Do que aparece não consegues gostar
    E do que gostas já está preenchido

  20. PiErre permalink
    16 Março, 2013 09:43

    É o que faz termos políticos que se rodeiam de “economistas” da Escola de Piltdown.

  21. André permalink
    16 Março, 2013 10:06

    Rui, a polícia fiscal do regime limita-se a fazer cumprir a lei, certa ou errada, a lei é a lei (ou, dura lex, sed lex).
    Quanto ao investimento tem razão, só é pena que Portugal tenha uma estrutura empresarial tão atrasada que com três dos homens mais ricos do mundo (Américo Amorim, Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos) continuemos a ver investimentos tão baixos. Também é pena que no nosso país haja tanta gente com capacidade de comprar roupa de luxo se não há dinheiro para investimento (a minha mãe é gestora numa das empresas do mercado de luxo, atualmente, a maior a nível nacional). Não percebo onde arranjam os ricos tanto dinheiro sem terem dinheiro para investir! Também não percebo como é que o nosso mercado de luxo é cinco ou seis vezes maior que o espanhol (não faz sentido num país onde a classe alta não tem capacidade de investimento). Também não percebo Rui, por que é que a comunicação social nos vende constantemente a explicação de que são os angolanos, não são, são portugueses que têm muito dinheiro para esbanjar (assim, mais de trinta mil euros por semana cada um dos melhores clientes).
    Empurrando para fora a questão do investimento, o Rui não percebe por que é que em Portugal insistem em chamr de direita (do regime, mas pronto) a um partido social democrata, é simples, porque a sociedade europeia acredita na esquerda. Mas já agora, por que é que insistem em chamar esquerda a um democrata nos EUA (quando nós sabemos que ainda conseguem ser mais à direita que o próprio Salazar, como disse numa crónica o Freitas do Amaral)? Se calhar os sociais democratas são centristas, aqueles de que ninguém gosta mas em que toda a gente vota.

  22. Pseudónimo 1 permalink
    16 Março, 2013 10:38

    Esta Europa transformou Portugal numa colónia e os Portugueses em escravos.
    Salvam-se alguns Eurocratas que se libertaram da escravatura e olham de fora
    para a região que outrora foi um país.

  23. javitudo permalink
    16 Março, 2013 11:09

    Tem razão o rui a. não existe direita no protetorado. Faz falta? Faz na medida em que a discussão aberta em política é uma necessidade. Aliás, isso de direita e esquerda é uma grande treta.
    Eu posso gostar de medidas dos dois lados e não tenho que ser catalogado em nenhum clube mafiosos como são os partidos cá da terra.
    Sabe-se que os senhores do mundo querem tipos de esquerda. Puxam os cordelinhos dos mídia há muito. Puxam também outros cordelinhos ainda mais fortes para nos estrangular quando acham necessário. Estão a achar.
    Com a “esquerda” os tótós ficam convencidos e tornam-se mais fáceis de manipular, os imbecis que saem das nossas escolas, talvez 80% dos desgraçados que nunca irão encontrar emprego fazem parte dessa legião. Se lhes derem umas migalhas, gastam à tripa forra e quando lhas tiram desaparecem do terreno depois de algumas manifestações que se esvanecem com o tempo.
    O texto que passo a reproduzir, cada vez mais viral em espanha, outro protetorado aqui ao lado, é muito explícito a este respeito:
    “O texto que está a incendiar Espanha
    Publicado recentemente no ?El País?, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflecte sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual que está a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é “Um canhão pelo cu”, e é escrito por Juan José Millas.

    Um canhão pelo cú

    Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

    Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

    Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

    Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

    A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país – este, por acaso -, e diz “compro” ou “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

    Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública – onde estas ainda existem – os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

    Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

    A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

    A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

    Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

    Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
    Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos”.
    Juan José Millas

    Desta vez o portela vai ficar confuso porque não me consegue catalogar ou antes como não pertenço à seita sou definitivamente um herege destinado à fogueira. Só que não vai haver lenha para tantas labaredas.
    Os fanáticos salafitas pensam do mesmo modo, quando eles reconquistarem o califado o portela também não vai escapar e o Pol Pot também pensava o mesmo, ele era de esquerda.

  24. Wall Streeter permalink
    16 Março, 2013 11:27

    O combóio descarrilou mas governo e PR fazem de conta que tudo é normalidade.

    Sic transit…

  25. piscoiso permalink
    16 Março, 2013 12:10

    Como é sabido, essa cena do ESQUERDA/DIREITA vem da revolução francesa, há 3 séculos 3, porque na assembleia se se sentava à direita a nobreza e o clero e à esquerda o resto.
    Com o advento da democracia deu-se a misturada. Nobreza, há muita à esquerda e quanto ao clero, o que não falta são padres de esquerda.
    Por outro lado, qualquer bicho careta que rapidamente enriqueça, passa a ser de direita para ser “nobre”.
    As dicotomias igualitarismo/elites ou colectivismo/individualismo também estão muito esbatidas.
    Ou melhor, é-se de um outro ou outro lado quando convém.
    Melhor fazem os americanos: uns são burros e outros elefantes…
    Mas a maioria nem se revê nesses animais.

  26. Duarte permalink
    16 Março, 2013 13:37

    Caro Portela, eu admito que convenha à esquerda portuguesa chamar a esta malta de «liberais», como, no passado, se chamava «fascista» a quem não fosse do PC.

    Engano , no passado quem não fosse fascista era comunista e ia preso. Todos pela Nação, nada contra a Nação.

    A direita em Portugal é de esquerda. Ja no tempo da ditadura havia os ultrapassaste que consideravam Salazar de Esquerda.

    Agora passa-se o mesmo. os ultraliberais lunaticos e fundamentalistas consideram a direita liberal de ser de esquerda. Em todos os tempos houve sempre radicais e extremistas. É o caso.

    Parece que afinal estes liberais de pacotilha votaram todos em partidos de “esquerda”

  27. lucklucky permalink
    16 Março, 2013 13:59

    Ainda se faz esta pergunta depois de 3 décadas de provas dadas?
    .
    Esta Direita acredita no Soci@lismo Corporativista
    Esta Direita Não Aumentou sempre os Impostos ou seja aumentou sempre o Estado e o seu poder ao dar-lhe mais recursos?
    Esta Direita Não Reforçou o Poder das Corporações às custas da pessoa?
    .
    A resposta é SIM a tudo.
    Por isso os resultados são os que são.

  28. JOSÉ DIAS permalink
    18 Março, 2013 16:28

    MAS POR FAVOR AJUDE-NOS. DIGA LÁ QUAIS SÃO AS ALTERNATIVAS OU MELHOR DIGA LA ENTÃO
    QUAIS SÃO AS SUAS IDEIASSOBRE O ASSUNTO DA GOVERNAçÂO.

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