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O fanatismo dos “anti-fanáticos”

17 Abril, 2014
por

Francisco Assis não é conhecido por ser um político radical. Pelo contrário. Que lhe deu então para, na sua coluna semanal, insultar Pedro Lomba – “pequeno apparatchik ligeiramente alfabetizado” – e Bruno Maçães – um aparente “pateta” que escreve “num inglês próprio de quem nunca leu Shakespeare”?

O texto, ao contrário do que é habitual em Assis, não argumenta, vai apenas de bordão em bordão, atirando com Hayek para um lado, Pinochet para o outro, num amontoado de lugares comuns sobre o “governo dogmático” com “uma mentalidade escassamente democrática”. É, porventura, um texto eleitoral: Assis necessita de aumentar o tom de voz para que, no PS, não desconfiem dos seus galões. Mas não deixa por isso de se um texto revelador.

Quando chama a Lomba e Maçães “dois pequenos génios condenados à incompreensão” Assis revela ao vem, pois a palavra-chave da frase é “pequenos”. “Pequenos” porque novos, porque jovens, porque exteriores ao círculo autorizado dos políticos experientes e sensatos.

É curioso que Assis, um político que ocupou o seu primeiro cargo público aos 25 anos (presidente da Câmara de Amarante) se junte ao coro dos que procuram desqualificar os mais novos apenas por serem mais novos – ou “pequenos”, na sua linguagem alegórica. É curioso mas vai bem com os espírito do tempo. Depois de o 25 de Abril ter proporcionado uma ruptura geracional que permitir que gente com menos de trinta anos chegasse a secretário de Estado e a ministro (para não falar dos que chegaram a directores de jornais ou a presidentes de empresa), agora, que supostamente temos à nossa disposição “a geração mais bem preparada de sempre”, um exército de “senadores” passa a vida a desqualificar os Ler Mais…

Marmita-me ao serviço do bem

17 Abril, 2014
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Há uns anos, na mui social-democrata Dinamarca, terra modelo para progressistas ao serviço do bem (excluindo coisas como a monarquia, o cheque-ensino, a igreja oficial, ausência de salário mínimo, etc, etc), foi retirado do mercado o mui britânico creme para barrar Marmite por excesso de qualquer coisa (sal? vitaminas? britishness? sentido de humor?).

Não é de admirar que os estados gostem de taxar, proibir, indexar e/ou regular segundo um cânone do bem aquilo que as pessoas devem ou não comer. É para o bem comum. E está bem, encaixa perfeitamente no historial de intervenção nacional-socialista. Deviam reduzir o IVA nos ginásios.

nazi-fitness

Auto-lápis azul

17 Abril, 2014

Nem todos os textos saídos em Portugal  sobre a retitada de Cohn-Bendit serão tão hagiográficos como o do PÚBLICO. Estão lá os tópicos habitais das pessoas elogadas por aquele jornal: o deputado que “mais falta fará nos próximos cinco anos” “uma figura mítica do PE, orador ímpar que sempre exprimiu as suas convicções com uma rara energia e uma emoção assumida sem pudor”  “despertador de consciências” “único deputado capaz de, sem papas na língua, chamar as coisas pelos nomes, não hesitando por exemplo em acusar de “hipócritas” em pleno debate os parceiros vira-casacas ou chamar “cretinos” aos eleitos da extrema-direita”  “Provocador inveterado, nunca perdeu a oportunidade de “picar” os responsáveis europeus que discursaram no PE, de Durão Barroso a Tony Blair (ex-primeiro ministro britânico), sempre que os apanhou em contradição com o interesse europeu”…

Enfim a vida de Cohn Bendit não começou no PE e em boa verdade está cheia das luzes e das sombras que carcaterizaram a extrema-esquerda europeia nos anos 70. Omitir isto e o que aconteceu naqueles jardins de infãncia “libertados” é apenas uma forma de legitimar o que nunca deveria ter acontecido e prova não só que não se aprendeu nada como que se continua sem reflectir naquilo a que se pode chegar em nome dos direitos da criança e à criança.

 

Twins

16 Abril, 2014

Muitos dirão que é dificil encontrar diferenças entre o PS, PSD e CDS no que diz respeito a questões europeias. Eu digo mais: é exercício inútil, é farinha do mesmo saco. Há decadas. Basta analisar como votam e o que votam.

E tanto é assim que os próprios protagonistas tem dificuldades em conseguirem fazer-se distinguir uns dos outros. Repare-se no emeranhado e rodriguinhos com que Paulo Rangel conseguiu ontem preencher uma página do Público. Diz ele que num debate entre Shultz e Junker, o primeiro terá dito que «os eurobonds não estão na agenda». E o que diz Junker? «esse processo não pode avançar sem a vontade política dos Estados e que, neste momento, ela não existe manifestamente em alguns deles». Ok, Paulo Rangel acha, eufórico, que são respostas totalmente diferentes… enfim.

O mesmo Rangel vem no entanto reconhecer «que também no âmbito do Partido Popular Europeu e, de resto, no quadro do programa europeu dos partidos portugueses que apoiam o Governo, não se exclui o caminho futuro de uma mutualização». Portanto, o PPE, e por consequência o PSD e CDS, são favoráveis a essa mutualização. Tal como o PS. Tal como o PSE que apoio Shultz. Tal como Shultz, que apenas constata não estar de momento na agenda, ao que Junker acena que sim, dizendo que se terá «mais tarde voltar a essa questão». A agenda de Shultz, de Junker, de Rangel, de Nuno Melo, de Seguro é pela mutualização da dívida. Mas não gostam de aparecer juntos na fotografia. Tem vergonha. Tem absoluta necessidade de dar a falsa imagem de que são diferentes. Por causa dos votos. Se se perceber que defendem exactamente a mesma coisa, podia ser um sarilho….

É bem melhor falecer

16 Abril, 2014

Deve um comediante repetir rábulas com piada, mesmo que a sua apresentação inicial também seja a televisão, desde que a produção pareça mais generosa? Acho que sim, que é bem melhor que falecer.

Devem políticos repetir fórmulas de bancarrota, mesmo com moeda emitida pela produtividade dos outros, desde que isso garanta vitórias eleitorais? Acho que não, que é bem melhor falecer.

Resumindo e concluindo: Ricardo Araújo Pereira assegura forma de não falecer; o PS de Seguro e Pacheco-Ferreira-Leite asseguram forma de todos os outros falecerem.

Passos na TV

16 Abril, 2014

Ontem vi a entrevista a Passos Coelho. As mesmas pessoas que criticaram José Rodrigues dos Santos por perturbar o Santo Graal, criticarão José Gomes Ferreira por não perturbar o Belzebu.

Tirando isso, só tenho um conselho para Passos Coelho: unicórnios. Estes seres míticos são o que os média querem que o povo queira ouvir.

Fazer de conta que se «reforma» é:

15 Abril, 2014

Sete conselhos consultivos que as instituições de solidariedade acham que não funcionavam serão reunidos num só. Medida estava no papel desde 2011. (*)

 

Mas porque não são pura e simplesmente extintos todos? Já provaram a sua absoluta inutilidade e que não fazem falta.

Aliás o «novo» superconselho também já provou a mesma inutilidade: criado em 2011 nunca funcionou. E ninguém deu pela sua falta, o que comprova a sua absoluta ausência de sentido de existência.

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