Que o organismo em causa se chame Entidade Reguladora para a Comunicação, e que esta tenha como uma das suas atribuições «Assegurar o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa», atendendo á sua prática, é bem mais do que irónico, é mesmo ridículo.
Saber-se que para o seu presidente, «A ERC tem tempos de decisão que não flutuam ao sabor da opinião pública» não é relevante. Relevante é saber-se as motivações dos efectivos tempos de decisão. No caso: porque a ERC não entregou os documentos solicitados ao Expresso quando este os pediu? Porque deixou a coisa arrastar-se até ser necessário uma decisão da CADA? Porque, mesmo assim, demorou nove meses a entregar os documentos solicitados? Porque o fez agora e não em momento diferente? E porque sempre procurou ocultar tal dossier, se afinal não havia razões de privacidade ou outras justificativas que impedissem tal, pois que logo após a notícia do Expresso os divulgou na integra no seu site?
A única razão plausível é a de que manipulou o tempo de divulgação de um dossier incómodo para o primeiro-ministro, o que é uma atitude intolerável, ilegítima e abusiva. O que espera a Assembleia da Repúbica para os demitir com justa causa?