Cândida Almeida conseguiu ontem utilizar meia dúzia de variações à volta do tema do suspeito e do arguido, numa tentativa de retirar José Sócrates da categoria dos suspeitos. Teriamos então “arguido”, “suspeita”, “suspeitas fundadas”, “suspeitas graves”, “fortes suspeitas”, “suspeito” e “consta do processo”. Obviamente, um “suspeito” não é necessariamente um “arguido” e “constar o processo” não implica que se é “suspeito”. Até aqui tudo bem. Mas depois podem existir “suspeitas” sobre pessoas que não são “suspeitos”, mas apenas pessoas que “constam do processo”. Depois há as “suspeitas fundadas” ou “suspeitas graves”, essas implicam que a pessoa que “consta do processo” passe a “suspeito”. O Engº Sócrates não é “suspeito”, embora “conste do processo”. Mas, por vezes, Cândida Almeida tropeçava na sua própria trama e lá dizia que há “suspeitas” contra Sócrates (não confundir com “suspeitas graves” ou “suspeitas fundadas”), apesar de ele não ser “suspeito”. Há ainda as “suspeitas inglesas”, um conceito que permite considerar que as suspeitas implícitas na carta rogatória não são “suspeitas” genuínas como aquelas que a gente tem cá na terra.