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«primeiro as pessoas»

14 Maio, 2009

As empresas de seguros de créditos, como a Cosec, vivem de vender seguros. Assumem o risco de cobranças incertas por parte de quem pretende exportar. Obtêm informações sobre os importadores, avaliam o risco de incumprimento (que a ocorrer recairá sobre elas), e fixam o respectivo prémio a ser pago pelo exportador.

O governo socialista anunciou pretender vir a tomar o controle dessa empresa porque «O Estado quer ter uma intervenção directa nos mercados de seguro de crédito à exportação, assegurando que as empresas têm da parte do Estado o apoio suficiente que lhes permite exportar».

A dita «intervenção directa» significará um alargamento do risco coberto, isto é, o governo socialista pretende que a empreesa dê garantias e assuma riscos em casos que a empresa normalmente não assumiria. Logo, os casos de incumprimento serão futuramente maiores, pelo que os prejuízos de tais operações acabarão por ser assumidos politica e financeiramente pelo estado, isto é, pelo contribuintes.

Na verdade, o que o governo está a fazer é colocar os contribuintes a subsidiar directamente os negócios das empresas exportadoras. As pessoas que trabalham e as empresas saudáveis verão os seus encargos aumentar para suportar empresas que tomam decisões arriscadas, pouco ponderadas, irrealistas, não se excluindo mesmo a hipótese de fraude.

Que isto tenha sido feito a pedido de associações ditas «empresariais» e que receba destas o «devido» aplauso não espantará, atendendo à tradicional cultura vigente da mão-estendida com o reverso  beija-mão. Mas fica a dúvida até quando se estenderá a paciência de quem todos os dias vê tomadas decisões que o irão subjugar com maiores encargos.

28 comentários leave one →
  1. curiosidades permalink
    14 Maio, 2009 14:31

    É PERDOAR DÍVIDAS LÁ FORA E CÁ DENTRO…

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  2. 14 Maio, 2009 14:36

    Em Portugal os cargos mais apetecidos são: treinador do Benfica e provedor do contribuinte.

    Normalmente os candidatos não percebem nada do assunto.

    Mas nada custa tentar.

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  3. 14 Maio, 2009 14:42

    Isto não pode continuar.
    Temos de fazer qualquer coisa quanto antes: até Outubro ainda falta muito tempo e, entretanto, eles põem de pantanas o que resta do país.
    Há que agir – e depressa!

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  4. mesquita permalink
    14 Maio, 2009 14:55

    Caro Gabriel Silva,

    Teoricamente, o que diz é verdade.Na prática não é bem assim.Ontem jantei com um director de exportação de uma empresa muita saudável e lider europeu, que me informou que clientes antigos saudáveis que continuam saudáveis, desde há uns meses para cá deixaram de ter confiança por parte da cosec.Tem pois que incluir na sua equação o negativismo psicologico que hoje afecta a cosec e outras afins.As vendas do meu amigo, que não tem culpa nenhuma,baixaram, por esse motivo, 40% nos últimos 6 meses.

    Abraço

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  5. ourição permalink
    14 Maio, 2009 15:10

    “Na verdade, o que o governo está a fazer é colocar os contribuintes a subsidiar directamente os negócios das empresas exportadoras”. Nem mais e a gente deixa até quando?

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  6. 14 Maio, 2009 15:14

    Com os impostos da população
    os riscos são socializados,
    ampara-se a falta de organização
    de negócios descapitalizados.

    Com a mão estendida
    para o dinheiro cair,
    esta cultura perdida
    que passa a vida a pedir.

    O mexilhão trabalhador,
    sem dívidas fiscais,
    considera confrangedor
    estas políticas fecais!

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  7. Anónimo permalink
    14 Maio, 2009 15:37

    #3 – é começar já a votar no cds, todos os dias, logo pela manhã. mais info: associação devotos cds.

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  8. Anónimo permalink
    14 Maio, 2009 15:39

    #4 – ó mesquita, não me digas que lhe pagastes o jantar só para saber isso.

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  9. Anónimo permalink
    14 Maio, 2009 15:44

    טרי אמרclams
    14 במאי, 2009 בשעה 3:14 pm
    עם מסים של האוכלוסייה
    הסיכונים הם socialized,
    לעוז היא חוסר הארגון
    חוסר עסקים.

    עם היד המורחבת
    את הכסף ליפול,
    זו אבידה תרבות
    כי הוא החיים לשאול.

    Mussels של העובד,
    ללא המס,
    רואה confrangedor
    תקנון fecal!

    ameijoa fresca exportada para hebraico, com o patrocínio da cosec

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  10. Anónimo permalink
    14 Maio, 2009 15:50

    “o que o governo está a fazer é colocar os contribuintes a subsidiar directamente os negócios das empresas exportadoras.”
    dúvido, mas caso seja verdade, é preferível a subsidiar os merceeiros, os balsemões, os coimbras, os vaz guedes & associados da exportação de offchóriços.

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  11. lucklucky permalink
    14 Maio, 2009 16:12

    Umas gargalhadas no meio do desastre:

    http://uncyclopedia.wikia.com/wiki/Portugal

    “Leave Portugal to the Portuguese people? No man, let the Portuguese people emigrate and THEN leave Portugal to whoever wants it!”

    Economy
    – Total GDP 1,986,887 football tickets
    – Without EU funds 345 football tickets
    Currency: Football (soccer) tickets and loans from the EU.

    A bandeira também tem piada.

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  12. JoaoMiranda permalink*
    14 Maio, 2009 16:31

    ««Teoricamente, o que diz é verdade.Na prática não é bem assim.Ontem jantei com um director de exportação de uma empresa muita saudável e lider europeu, que me informou que clientes antigos saudáveis que continuam saudáveis, desde há uns meses para cá deixaram de ter confiança por parte da cosec.»»

    Se são saudáveis, porque é que o director de exportações não arrisca e faz as vendas sem seguro?

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  13. Anónimo permalink
    14 Maio, 2009 16:36

    #12 – “Se são saudáveis, porque é que o director de exportações não arrisca e faz as vendas sem seguro”
    porque é director de uma empresa exportadora e não é director de um casino, onde as margens cobrem os riscos.

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  14. Expertinho permalink
    14 Maio, 2009 16:36

    Esse tipo de questões não pode ser comentado pelos paineleiros de serviço deste blog, porque não há um que tenha experiência efectiva em matéria de exportação ou sequer empresarial. Isto aqui é só politiqueiros de café. Ou de universidade, que quisermos ir mais abaixo. Ou mais abaixo ainda, nos jornais.
    São uns cocós.

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  15. 14 Maio, 2009 16:49

    Assim não vale! Assim não há cu que aguente…
    A COSEC como qualquer empresa tem como fito o lucro. Lucro esse, que sabemos não é pequeno (sector financeiro, ok!). Por isso, aceita ou recusa apólices conforme estas, calculado o risco, correspondem ou não aos padrões de lucro, obviamente altissimo, a que as empresas do sector financeiro estão habituadas (cento e muitos, li aqui recentemente). O Estado, sendo detentor da empresa pode, e deve, encontrar nessa margem de lucro patamares de razoabilide que os privados rejeitam, e assim alargar o numero de seguros às empresas portuguesas.
    Simples, se houver boa fé por parte de quem comenta

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  16. 14 Maio, 2009 17:58

    A Cosec não está sozinha no mercado. Se os preços estão altos na COSEC podem ir à Coface, à Mapfre ou à CESCE, e ainda deve haver mais algumas. Ou podem exortar sem fazer seguros de crédito, se acharem que os compradores não apresentam risco.,

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  17. Tribunus permalink
    14 Maio, 2009 18:18

    Como è possivel que um primeiro ministro, neste caso Socrates, que não percebe nada de economia, se permite no parlamento dizer, queo governo quer comprar a Cosec, mas não sabe o valor a envolver? ou mente e è aldrabão ou è um refinado jogadr de casino!
    Claro que o BPI e a seguaradora alemão ficam porrreiras, porque safam o capital e metem-no num negocio de menos risco!
    O risco vai ficar para o contribuinte portugues: primeiro os cilenetes das empresas de expotação, claudicam na sua capacidade financeira, antes eram bons, agora são assim assim!
    Com um boy à frente da Cosec, vai ser um ver-te havias, pois os de aqui querem exportar mais e ou que importa, se falirem
    ficam com mais capital! será que nem o ministro das finanças tambem è tanso?

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  18. JoaoMiranda permalink*
    14 Maio, 2009 18:20

    ««O Estado, sendo detentor da empresa pode, e deve, encontrar nessa margem de lucro patamares de razoabilide que os privados rejeitam, e assim alargar o numero de seguros às empresas portuguesas.»»

    E o que é que acontece à sustentabilidade da empresa se ela funcionar a patamares de lucro inferiores? E o que é que acontece às empresas do sector se elas tiverem um concorrente que graças à caridade do accionista estado pratica dumping?

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  19. 14 Maio, 2009 18:21

    Boa posta!

    Com isto, o governo torna o Estado um jogador num sítio onde já se tinha tornado essencialmente regulador.

    Se a COSEC vai actuar com “novas regras”, fora de mercado, vai simplesmente distorcer o mercado, acolchoada em dinheiros públicos. Se o mercado está distorcido, não existe um regulador chamado ISP? Para quê esta “nacionalização”?

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  20. JoaoMiranda permalink*
    14 Maio, 2009 18:23

    ««porque é director de uma empresa exportadora e não é director de um casino, onde as margens cobrem os riscos.»»

    Mas então ele não diz que as empresas compradoras são clientes antigos saudáveis? Não é ele que pressupõe que a análise de risco das seguradoras está errada? Pois, se está errada, para que é que ele precisa de seguro?

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  21. mesquita permalink
    14 Maio, 2009 18:48

    O JCD leu apressadamente o meu comentário.As concorrentes da COSEC também apertaram muito o critério de risco.Quanto ao comentário do João Miranda, respondo-lhe que apesar de eu ser um condutor fora de serie,em termos de qualidade de condução, tenho a minha viatura segura contra todos os riscos.Abraço.

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  22. 15 Maio, 2009 00:20

    “Mas então ele não diz que as empresas compradoras são clientes antigos saudáveis? Não é ele que pressupõe que a análise de risco das seguradoras está errada? Pois, se está errada, para que é que ele precisa de seguro?”

    Caros JM e JCD, penso que acham que as empresas exportadoras são perfeitamente dispensáveis. Claro que o seriam num mundo socialista, mas ainda não chegamos lá.

    Tenham calma.

    PS. Isto da economia é muito complicado.

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  23. 15 Maio, 2009 00:36

    como a hipotese de João Miranda não saber o que é dumping está certamente descartada, resta acreditar que continua igual a si proprio, isto é, um provocador. Então recusa-se a acompanhar outras opções economicas que não as suas liberais. Então nunca ouviu falar da TMN. E da CGD, enquanto factores reguladores do mercado e instrumentos da governação. Olhe que essa coisa dos preços combinados que dão lucros fabulosos é crime (mesmo nos ex-super-liberais estados unidos)

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  24. JoaoMiranda permalink*
    15 Maio, 2009 00:43

    «««Caros JM e JCD, penso que acham que as empresas exportadoras são perfeitamente dispensáveis. »»

    Empresas que só conseguem exportar se o Estado lhes subsidiar o seguro de exportação são dispensáveis. Isso retiraria qualquer vantagem para o país à exportação. Exportação só vale a pena se não tivermos que ser nós a pagá-la. É suposto serem os estrangeiros a pagar a exportação e é por isso que ela vale a pena. Quando somos nós a pagar é tiro no pé.

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  25. JoaoMiranda permalink*
    15 Maio, 2009 00:55

    ««Quanto ao comentário do João Miranda, respondo-lhe que apesar de eu ser um condutor fora de serie,em termos de qualidade de condução, tenho a minha viatura segura contra todos os riscos.»»

    O facto de o caro leitor querer comprar um seguro não implica que tenha que haver alguém que lho queira vender. Quando o caro leitor diz que devia haver alguém a querer vender, tem que explicar porque motivo é que haveria de haver. Deve começar por explicar porque é que à partida o caro leitor não assume o risco mas espera que os outros o assumam. No caso do seguro automóvel há quem queira comprar o risco, mas nos casos em que não há o caro leitor não pode estar a dizer que o risco é baixo. Primeiro porque o caro leitor não está disposto a assumir esse risco. E segundo porque quem vende o seguro sabe melhor que o comprador se o negócio é racional ou não.

    ««As concorrentes da COSEC também apertaram muito o critério de risco.»»

    Parece-me um bom indicador de que o risco está elevado. Repare: o exportador não assume o risco, nenhuma seguradora assume o risco. A única entidade disposta a assumir o risco é o Sócrates, que, como sabemos é também o único que não paga o risco do bolso dele. Acho que todos os sinais indicam que o risco é demasiado elevado. Aliás, porque é que as próprias empresas exportadoras não se associam para comprar uma seguradora? Será por acharem que o negócio não é rentável, precisamente porque o risco é demasiado elevado? Apreciações subjectivas de que o risco é baixo de nada valem quando ninguém está disposto a assumi-lo e a única solução proposta é a que envolve dinheiro do contribuinte.

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  26. COMITÉ OLÍMPICO permalink
    15 Maio, 2009 17:14

    Excelente o cartoon. E se se ampliar curioso, curioso: e o perfil do “regretté” (mas pouco!) general Spínola.

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  27. MONKO permalink
    15 Maio, 2009 23:41

    VAMOS TER DE PERDOAR MAIS UNS MILHÕES AOS PALOP.
    O TEMPO DIRA SE TENHO O NÃO RAZÃO…

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