BLASFÉMIAS

O cubinho da questão*

Anúncios
                                                                                                                                                                        ( Futuras piscinas do Campo Grande, Lisboa)
Na verdade, já não os posso ver. Ganhei-lhes um fastio militante. Falo dessas coisas cúbicas, com uns painéis de madeira, outros de metal e umas janelas encaixadas lá no fundo, a lembrar umas fortalezas, com que se têm revestido escolas e demais edifícios públicos por esse país fora. Tudo aquilo me parece uma recriação da arquitectura do efémero que fez as delícias dos nossos antepassados barrocos: não se vê o que está por baixo e desfaz-se ao primeiro safanão dos ventos ou inclemência do sol. Dos pavilhões multiusos aos cafés de praia que dantes eram amarelos, verdes e de feitios vários já sobram poucos que não tenham sido submetidos à estética dos cubos. 
 A próxima vítima do cubo-encaixotamento vai ser a lindíssima piscina do Campo Grande, da autoria de Keil do Amaral. Numa carta que escreveu para o PÚBLICO o presidente da CML considerou que eu escrevo  dislates mas um presidente da autarquia de Lisboa que deixa destruir um edifício como aquele, que não vale apenas por ele mesmo mas também pela forma como se integra naquele jardim, arrisca-se a ficar na história da cidade por algo bem pior do que ter dito ou escrito uns dislates. De mim, amanhã ninguém lembrará os textos. Do actual presidente da CML poderão dizer: dantes havia aqui um belo edifício que um presidente de câmara deixou destruir para que se fizesse isso que aí vêem.

Obs. Não deixa de ser interessante seguir a evolução de algymas personagens. Em 2007 Helena Roseta disse isto sobre as piscinas dos Olivais. Em 2011 Helena Roseta diz isto: “Neste momento já não havia muito para salvaguardar. Se a câmara estivesse a nadar em dinheiro, a solução podia ser outra“,

*Adaptado do PÚBLICO 

 

Anúncios

Anúncios