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«Mudanças metodológicas»

27 Abril, 2011

Qualquer jornalista encartado papa o que lhe dão. E vai daí repetem a cartilha do governo socialista de que a alteração efectuada aos deficites se deveu a uma obscura «mudança metodológica» (que ninguém consegue encontrar…). Como não pensam, escrevem, por exemplo  que o Eurostat «obrigou» a incluir nas contas públicas as verbas torradas no BPN.  Repare-se: os contribuintes viram 2 mil milhões do dinheiro que o estado lhes sacou entregue a um bando do estado e … surpresa, tal dinheiro não constava das contas públicas.

Outra surpresa: as verbas contratualizadas com as concessionárias (na ordem das centenas de milhões), não constavam das contas públicas embora sejam da ordem das centenas de milhões de euros sacados aos contribuintes.

As empresas de transportes públicos receberam centenas de milhões de euros (sacados aos contribuintes), mas tal também não constava das contas públicas.

Tudo «mudanças metodológicas», claro. …. Não eram as contas que estavam mal, não foi o governo que tentou esconder o que fez ao dinheiro sacado aos contribuintes, não eram as contas públicas de duvidosa seriedade com reflexos na credibilidade das nossas obrigações nos últimos meses, não foi aldrabice como na Grécia, não foi o governo que tentou não prestar as devidas contas do dinheiro que recebeu… não, foi apenas uma mudança de metodologia.

Eu sei o que isso é. Um dia, dei 10 euros ao meu filho para comprar o jornal  e tive de lhe aplicar uma mudança metodológica para reaver o troco….

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28 comentários leave one →
  1. Lionheart permalink
    27 Abril, 2011 22:45

    O Estado PS foi uma burla do princípio ao fim. Propaganda, mentiras e manipulação. Não é só a “desorçamentação” (só em Portugal se poderia arranjar tal termo para a fraude nas contas públicas) é também a manipulação das estatísticas. O estado da economia é muito pior que o (des)governo quer fazer crer. A “estatística” das exportações é uma mentira grosseira. Mas só quando o governo mudar se saberá a extensão do embuste que foram os (des)governos Sócrates. Uma coisa inacreditável…

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  2. lucklucky permalink
    27 Abril, 2011 22:57

    O Gabriel está a falar da pior profissão em Portugal, onde existe o maior bando de incompetentes , isto para não falar nos serviçais políticos e uma monocultura de esquerda.
    O país está como está porque a maioria dos directores e jornalistas fazem parte da classe política. Desta classe política.
    Agora depois de estarmos na bancarrota alguns mostram-se indignados mas 95% estiveram com o caminho até aqui. Quando a Dívida publica aumentava 10 mil milhões, 15 mil milhões, 15 mil milhões e no ano passado 19 mil milhões mais de 10% do PIB estiveram caladinhos e coniventes. Os 60 mil milhões de Dívida Directa* desde de 2005 fez-se com a concordância de maioria esmagadora.
    *Falta a indirecta.

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  3. 27 Abril, 2011 23:05

    O próprio acto de mandar o seu filho comprar o jornal já é pernicioso

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  4. António Parente permalink
    27 Abril, 2011 23:10

    Existe uma coisa chamada “manual do défice e da dívida de acordo com as normas esa95” (o título é em inglês e o que escrevi é uma aproximação) que está publicado no site do eurostar. A leitura do manual é intragável e não cobre todos os casos que podem surgir. Por isso, de vez em quando, face à criatividade dos Estados, o eurostat tem de emitir directivas. São essas directivas que o Governo apelida de “mudanças metodológicas”. Nalguns casos até terá razão – saiu um directiva a 16 de Março que o ministro das finanças apontou como causa da inclusão do BPN – noutros penso que talvez tenha confiado na sorte e na benevolência do eurostat. Não foi por acaso que José Sócrates falou na contratualização com as empresas públicas de transportes para que as suas receitas (das empresas) cubram mais de 50% dos custos. Se o próximo Governo conseguir isso, então exlcui essas empresas do perímetro do cálculo do défice.

    Uma coisa é certa: Portugal, Áustria e Lituânia foram os países que tiveram mais correcções no cálculo do défice. Há um grupo significativo de países que tinham tudo bem contabilizado. Isto significa que o próximo Governo, seja qual for o partido, terá de fazer o trabalho de casa para situações como as que sucederam não se repitam. Os países cumpridores mostram que isso é possível. Se não for conseguido, estaremos sempre à espera da próxima revisão da última notificação…

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  5. Ana C permalink
    27 Abril, 2011 23:39

    Ó Gabriel Silva, sabe o que é assustador? É que nós, pessoas relativamente informadas e interessadas no que se passa em portugal e no mundo, estamos “carecas” de saber que há “desorçamentação” desde há cerca de 5 anos, mas 90 % das outras pessoas não sabe disso. Há 3 anos que a Manuela Ferreira leite falava nisso em tudo o que era espaço televisivo e parlamento. O que é assustador, é que a larguíssima maioria dos portugueses, sabe que o Sócrates é 1º Ministro, o Cavaco o Presidente, mas se lhe perguntarem quem é o Teixeira dos Santos ou o Pacheco Pereira , ou Marques Mendes, ou Bernardino Soares , não fazem a mais pequena ideia de quem seja. É um povo pequenino, desinformado, que faz gala em “não ligar lá a essas coisas da política” mas que vê tudo o que são telenovelas, “Portugais têm Talentos” e “Noivas de Santo António”.
    O que é assustador, é que o Sócrates – Animalão Político “de se lhe tirar o chapeú” – já colocou a ideia a germinar na cabeça das reformadas que se não votarem nele vem de lá o PSD , mandado pelo FMI , e corta-lhes as pensões!

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  6. Ana C permalink
    27 Abril, 2011 23:44

    Acho que pela primeira vez na vida nós, os que temos a noção das coisas, TEMOS A OBRIGAÇÂO E O DEVER CÍVICO DE SAIR DOS COMPUTADORES E TECLADOS, DE CASA E ESCRITÓRIOS PARA IR AOS CAFÉS E RUAS FALAR COM AS PESSOAS. Se o Sócrates lhes chega através da TV, nós podemos chegar aos nossos vizinhos. Caramba, até às eleições, não é só o PSD e o CDS e os partidos quem tem de fazer política. PELA PRIMEIRA VEZ NA VIDA NÓS TEMOS DE DEIXAR DE SER CONFORMISTAS E DE NOS QUEIXARMOS DO POVO BURRO, temos de arregaçar as mangas e ir até ele. Se não o fzermos, não fale a pena depois estar a queixar-nos da burrice daqueles outros que nós próprios não ensinámos. ISSO É MESMO O NOSSO DEVER CÍVICO NESTE MOMENTO.

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  7. Joao Branco permalink
    28 Abril, 2011 00:16

    “estamos “carecas” de saber que há “desorçamentação” desde há cerca de 5 anos,”

    Experimente antes desde há cerca de 25 anos… O início da desorçamentação coincidiu com a adesão ao sistema monetário europeu, o antecessor do euro. Claro que dizer isso é impopular em certos locais que tem desenvolvido a teoria que Portugal só existe desde há 15 anos (et pour cause…).
    (vamos a ver se desta vez vai aparecer…)

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  8. Fredo permalink
    28 Abril, 2011 00:39

    “estamos “carecas” de saber que há “desorçamentação” desde há cerca de 5 anos,”
    Experimente antes desde há cerca de 25 anos

    .
    Sabe qual é a diferença? Talvez este exemplo o ajude:
    Desde há 25 anos que uma criança faz o seu chichi no jardim; desde há 5 anos, alguém pôs os esgotos a vazar para o jardim.
    Há poluição há quantos anos? 25 ou 5?

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  9. Sousa pinto permalink
    28 Abril, 2011 00:50

    Enquanto houver em Portugal qualquer coisa para mandar para a falência, teremos o Sócrates a querer ser 1º Ministro. E quase todo o PS está com ele . Pode-se concluir que os socialistas estão muito “politizados”, sim senhor.
    E o povo, pá?
    Gosta disto?

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  10. tina permalink
    28 Abril, 2011 06:53

    Mas já ninguém acredita em Sócrates. Aqueles que continuam a “acreditar”, é porque sempre quiseram acreditar e tanto faz falar verdade como mentira para esta gente. Sócrates está morto e só ele e mais meia dúzia em redor é que ainda não sabem isso.

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  11. Francisco Colaço permalink
    28 Abril, 2011 07:12

    Tina,
    .
    Fala-me ao ouvido, diz-me do que gosto. O José Sócrates sabe bem que pode dizer: eu sou mau, mas vou-vos dando bolotas, o Coelho até as bolotas vos tira.
    .
    Como já disse, a grande parte do povo acredita que eles não vão deixar isto cair. Quem são eles? Quando pergunto encolhem-me os ombros, tergiversam um pouco e respondem: «sei lá, a Europa» ou «o Governo» ou «os bancos». Para eles, que não fazem a mínima ideia de como o Estado (que sistematicamente confundem com governo) se financiou nos últimos anos, e que esse filão se acaba, sortudo é quem consegue mais um rendimentozinho mínimo ou um complementozinho de pensão ou um empregozinho no Estado.
    .
    Dito isto, «eles» estão lá para tratar da sua vida enquanto podem, e vão-nos deixar cair.
    .
    Com a cenoura («eu dou») e o chicote («os outros tiram») o José Sócrates (o Omo do regime) branqueia a história, e consegue sair de cabeça erguida. Pobre é o povo. A situação não me preocupa: a qualquer momento, mesmo contrariado, posso dar de frosques e desenvolver a minha actividade em um outro sítio do Mundo.

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  12. Francisco Colaço permalink
    28 Abril, 2011 07:24

    Ana C.,
    .
    Correndo risco de ser um verdadeiro cínico, o povo detesta profetas da desgraça, confiando plenamente nos políticos que desdiz e apouca com convicção.
    .
    Vai ser chamada de direitista, vão-lhe dizer que quer privatizar tudo. Vão dizer de si que quer destruir o Estado Social (que ninguém sabe o que é, mas imagina que tem a ver com os abonos), que quer despedir funcionários públicos.
    .
    Se eu fosse primeiro ministro, despediria funcionários públicos, fecharia fundações e institutos e teria uma linha clara e ligeira de responsabilidades dentro da função pública. Acabaria com as consultorias ao Estado, que tem técnicos superiores em número suficiente. Delegaria no Parlamento a responsabilidade de auditar ano a ano as contas públicas, com relatórios publicados, sendo a comissão chefiada obrigatoriamente por um deputado da oposição.
    .
    Em dois meses, superavit. No terceiro, seria assassinado.

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  13. silva permalink
    28 Abril, 2011 07:42

    “Para Os Trabalhadores da empresa casino estoril no final se fará justiça, reconhecendo a insustentabilidade de um despedimento Colectivo oportunista promovido por uma empresa que, para além do incumprimento de diversas disposições legais, apresenta elevados lucros e que declara querer substituir os trabalhadores que despede por outros contratados em regime de outsoursing”.

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  14. Francisco Colaço permalink
    28 Abril, 2011 07:53

    Silva,
    .
    Paradoxalmente, se o despedimento fosse liberalizado, esses trabalhadores não teriam sido despedidos. Talvez um ou outro, mau trabalhador, o fosse, mas do grosso a empresa não abdicaria, a menos que os gestores fossem umas abéculas.
    .
    Nos dias que correm, as empresas são harmónios, crescendo a sua actividade e decrescendo ao sabor do mercado e da concorrência (veja-se por exemplo a PSA Mangualde, que reinstaurou terceiro turno e seis meses depois o irá de novo terminar).
    .
    Quanto a nós temos de escolher entre emprego sem alguns direitos, ou direitos sem nenhum emprego.

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  15. tina permalink
    28 Abril, 2011 08:45

    “Com a cenoura («eu dou») e o chicote («os outros tiram») o José Sócrates (o Omo do regime) branqueia a história, e consegue sair de cabeça erguida”
    .
    Mas que cabeça erguida? Ganhou as segundas legislativas mas não durou 2 anos. De maioria absoluta, passou para maioria simples e agora minoria. Nunca mais irá ganhar nenhumas eleições na vida. Por isso, apesar das mentiras todas que diz e do esforço que faz, o seu percurso político foi normal, semelhante ao de Guterres e acabou em derrota.

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  16. João branco permalink
    28 Abril, 2011 09:11

    Fredo, concordo que o caudal continuado da desorcamemtacao aumentou muito nos últimos quatro (e particularmente nos últimos dois) anos, embora me custe a esquecer certas “descargas estilo da ‘ribeira dos milagres’ que foram ocorrendo antes disso (algumas mesmo muito antes). A questão é que não tenho confiança que quem controla o caudal, que será na pratica quem o tem feito nos últimos 25 anos, se comporte de forma diferente assim que pensar que não estamos a olhar (ou melhor, assim que pensar que os nossos donos não estão a ver) – e isso quer haja limite constitucional ao défice ou não, porque estas operações fazem-se mesmo para evitar os limites…

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  17. 28 Abril, 2011 09:51

    o prof leite campos, o caniche-mor de passos a explicar por números o que é pobreza em portugal:

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  18. JCA permalink
    28 Abril, 2011 10:01

    .
    Com menos de 120/150 mil milhões do FMI/UE nada se resolve em Portugal. Apenas se adia por uns tempitos uma 2ª intervenção do FMI/UE.
    .

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  19. 28 Abril, 2011 10:04

    se o empréstimo fosse ao menos em USD$ poderámos pagar os juros com a valorização do €!

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  20. João branco permalink
    28 Abril, 2011 10:15

    JCA, o que é que iria resolver o aumento de liquidez num problema de sustentabilidade da divida? Mais dinheiro que o absolutamente indispensável é igual a mais estádios de futebol ou mais renda para os amigos…

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  21. João branco permalink
    28 Abril, 2011 10:18

    Sem falar que acreditar que a “ajuda” é para Portugal ou para resolver os nossos problemas…

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  22. JCA permalink
    28 Abril, 2011 11:08

    .
    Branco,
    “Mais dinheiro que o absolutamente indispensável é igual a mais estádios de futebol ou mais renda para os amigos…”,
    visto por esses ângulos mais valeria fechar a xafarica.
    .
    O absolutamente indispensavel será cerca de 120/150 mil milhões tantos os cadaveres bolorentos escondidos no armário ao que se diz por aí ….
    .

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  23. Joao Branco permalink
    28 Abril, 2011 11:19

    “O absolutamente indispensavel será cerca de 120/150 mil milhões tantos os cadaveres bolorentos escondidos no armário ao que se diz por aí ….”

    JCA, não se devem confundir as coisas. Pensei que as pessoas já sabiam disto, mas aparentemente há quem ainda tenha ilusões. A dívida efectivamente escondida até pode ser superior, mas a “ajuda” serve apenas para os credores terem a certeza de ser pagos até ser politicamente conveniente fazer a “restruturação” após transferir a dívida para quem não pode fugir. Portanto, o importante não é a divida de médio ou longo prazo, apenas a de curto prazo (até 2013 no máximo).

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  24. JCA permalink
    28 Abril, 2011 12:01

    .
    Então estamos de acordo. Depois do curto prazo, venha a 2ª intervenção para o medio e longo prazo.
    .

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  25. João Branco permalink
    28 Abril, 2011 12:37

    “Então estamos de acordo. Depois do curto prazo, venha a 2ª intervenção para o medio e longo prazo.”

    Não me parece que estejamos de acordo, porque não vejo nos nossos donos qualquer vontade para uma 2ª intervenção, que realmente ajudasse Portugal. É muito mais simples deixar cair a periferia nessa altura, quando já não correr riscos de causar problemas sistémicos…

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  26. João Branco permalink
    28 Abril, 2011 12:38

    Simples == politicamente conveniente, claro

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  27. JCA permalink
    28 Abril, 2011 16:04

    .
    É uma optica. A outra é simplesmente:
    .
    “If every country in this world adopt MMT, does that solve all the economy problems? no country in the world will ever go broke?
    .
    Every government defaults but this time Portugal is not a sovereign currency issuer
    .
    Portugal cannot default in the traditional sense because it is impossible for it to run out of money. There is simply no such thing. Could Portugal cause hyperinflation? Yes. But not default.
    .
    Portugal doesn’t have its own currency – it shares the Euro which is basically the Euro Central Bank’s currency. It therefore can actually run out of money! it can’t print it itself – its not allowed to do so – it is “given” it by the ECB.
    .
    ECB is a currency issuer. Portugal and the other EU members are currency users.
    .
    Default or no default, it’s ugly either way. ECB will force pro-cyclical budgets ? Who profits ? Do IMF interfere in Florida, Westefalia, Andalucia or Rio Grande Sul states in other Unions ??? What’s Europeen Union ? ”
    .

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