BLASFÉMIAS

Salários públicos e salários privados

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Quando, sábado, ouvi Passos Coelho referir que na Administração Pública se ganha mais do que no sector privado lembrei-me de ter ouvido exactamente o mesmo há cerca de dez anos a um professor da Universidade Católica, Miguel Gouveia. Fui aos meus arquivos e encontrei a apresentação sobre Finanças Públicas que lhe escutara aí por volta de 2002.

Este slide é dessa apresentação. Identifiquei aí a fonte da informação: um estudo publicado no Boletim do Banco de Portugal em 2001. Encontrei esse estudo por via deste post do professor Pedro Pita Barros, também ele a dar razão a Passos Coelho: na administração pública ganha-se mesmo mais do que no sector privado, e ganha-se mais quando se comparam remunerações para trabalhadores com o mesmo grau de formação e com os mesmos anos de experiência (o que desmente as justificações dadas pelo secretário-geral da UGT, João Proença e do eterno dirigente da CGTP, Carvalho da Silva). É natural que estes dados tenham evoluído na última década, mas não encontrei nenhum estudo mais recente. Porém, sabendo que o aumento de desemprego colocou muito maior pressão sobre os salários do sector privado do que sobre os salários do sector público, o natural é que o diferencial se tenha alargado e não que tenha estreitado (no meu sector, comunicação social, foi isso que aconteceu). Estou com curiosidade de ver se algum órgão de informação é capaz de citar este único estudo existente ou se, em contrapartida, ficam apenas pelo ping-pong da troca de declarações entre políticos e sindicalista. Tenho pouca esperança.

PS. O primeiro comentário a este post remete para um estudo mais recente, Salários e Incentivos na Administração Pública em Portugal, informação que agradeço. Cito das conclusões:

Controlando para os atributos individuais observáveis, os trabalhadores do sector público auferem um prémio salarial relativamente aos seus congéneres do sector privado, tendo este prémio aumentado ao longo do período 1996-2005. Tal evolução ocorreu particularmente para os trabalhadores licenciados no início da carreira.
Os prémios variam de acordo com o género e a região do local de trabalho. Com efeito, as mulheres (em particular nas regiões menos desenvolvidas) beneficiam de um prémio superior ao dos homens (especialmente aqueles cujo local de trabalho se situa em áreas mais desenvolvidas).

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