BLASFÉMIAS

Neo-socialismo?

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A nossa progressividade fiscal ainda é baixa, portanto há que aumentá-la, de acordo com este socialista que, apesar de “neo”, tresanda a mofo e retoma ideias velhas e requentadas.

A cartilha está lá toda: lançar o estigma da culpa sobre quem aufere altos rendimentos, com os habituais epítetos que geram palmas fáceis da populaça, mas jamais equacionando eventuais méritos dos visados. Ganhar bem já constitui, por si só, libelo acusatório e culpa formada e os “réus” devem inclusivamente ser sujeitos a dupla ou tripla tributação, que é o que defende quando clama pelo Imposto sobre o Património.

Especialmente sintomática a sua expressão “…há muita gente a não dar aquilo que pode“. Não se pede que paguem mais, mas que dêem. O “neo-socialismo” não pretende apenas reforçar a aberração da progressividade. Pretende que as respectivas vítimas não tenham qualquer retorno em termos de serviços do Estado, pagarão apenas os que forem prestados a outrém. À esquerda e à direita, não faltam aplausos alarves a propostas acéfalas no sentido de vedar aos “ricos” os serviços de saúde, de educação, transportes públicos, etc. Eles têm de os pagar com língua de palmo, mas que nem sonhem em utilizá-los.

Nunca ocorre a estas luminárias que, perante tal discriminação, as “vítimas” podem questionar-se por que pagam impostos. E que a última alternativa que lhes resta é votarem com os pés e irem contribuir para regimes fiscais menos vorazes. E quando os “privilegiados”, os “muito privilegiados” e os “tubarões” decidirem sair em massa, quanto cairá a receita de IRS? 40, 50, 60%? É que menos de 15% dos contribuintes já são hoje responsáveis por 85% do IRS colectado. Um nível de progressividade que, para o neo-socialismo, é assaz insuficiente.

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