Ao fim deste tempo todo há quem ainda não tenha percebido a dimensão dos problemas financeiros do país. Não se resolvem a cortar gordurinhas, nem se resolvem sem cortes no Estado, nem se resolvem sem cortes na massa salarial da função pública e nas pensões. Por isso, tendo o Tribunal constitucional vetado o corte de 2 subsídios teriam que ser encontradas medidas que teriam o mesmo efeito sobre as mesmas pessoas ou sobre ainda mais pessoas.
É curioso que esta crise tem alimentado todo o tipo de escapismos tipo “não se corte aqui, corte-se acolá”. Na maior parte dos casos estas opções não são alternativas, mas complementares. Cortar nas PPP não é uma alternativa a cortar nos salários da Função Pública. Terá que se fazer as duas coisas. Reformar o Estado não é alternativa ao corte de salários. Terá que se cortar salários e mais tarde reduzir efectivos na função pública. Despedir funcionários não é alternativa a aumentos de impostos. Será necessário fazer tudo isto.
Note-se que o tempo não joga a nosso favor. Enquanto o défice continuar alto, a dívida pública continuará a subir e pesará cada vez mais no orçamento nos anos futuros. Adiar o problema só o agravará.