O meu anterior post sobre a privatização das ruinosas auto-estradas feitas à pala das ppp’s socialistas provocou o habitual choro e ranger de dentes de muitos comentadores em defesa da propriedade “pública”, como sempre sucede quando se fala em privatizações em Portugal.
Por puro preconceito ideológico que lhes foi inculcado por décadas de propaganda («A banca é do povo!»), muito portuga acredita mesmo que é dono da propriedade gerida pelos gestores do ou contratados pelo estado, e prefere suportar, com o seu trabalho e o dinheiro dos seus impostos, os prejuízos de negócios alheios, que cumprem exclusivamente fins privados, como sucedeu com o BPN e sucede com este tipo de contratos, ou com a TAP, a RTP e a generalidade das empresas ditas públicas. Depois, estranham os altos custos desses serviços, como os preços das portagens destas auto-estradas, que eles reconhecem estar praticamente vazias por não terem dinheiro para os pagar. Se raciocinassem um pouco, perceberiam que enquanto forem eles os responsáveis solidários pelos prejuízos de exploração, os concessionários dos serviços não farão o menor esforço para os rentabilizar economicamente, pela simples razão de que não precisam de o fazer para receberem o que lhes cabe no final de cada mês. E, já agora, que não têm dinheiro para pagar as portagens, porque o estado lho leva em impostos para pagar estes e outros prejuízos.
O português médio dos dias de hoje é maioritariamente assim. Gosta de apanhar, o que se lhe há-de fazer?