Portugal, país pai do surrealismo e co-adoptado pelo dadaísmo da dialéctica marxista, é uma nação com longa história no movimento de arte internacional circense. Perpetuamente renegado para os anais da história pós-impressionista, só nas últimas horas atingiu o grau de consciencialização social merecida com a atribuição de importância extrema aos trabalhos de artistas que definem uma era, em particular a última quinzena de Janeiro.
Com uma lógica desconectante do elo obliterador, a racionalidade prevalece nas linhas expressivas do tormento humano como figuras dantescas à entrada da inferno de Kant, numa demonstração de inquietude emocional e psicologicamente perturbadora do “eu” fragmentado. Numa abordagem em gerúndio, a estaticidade das linhas cruza-se com a geometria numa dinâmica ego-id-superego-id e vice versa, revelando uma propensão oxigénica de libertação do sulfato opressor. Quebrando a sátira através da supersátira, a seriedade do movimento surrealista português – e posteriormente universal – expressa o bairrismo nacionalista da propriedade colectiva em movimentos aleatórios de diagnonalidade transversal à ética de Kierkegaard quando este afirma a unicidade contemplativa do dever em oposição ao ter.
Numa existência pautada pelo materialismo consumista de exploração do homem-pelo-homem no mercado abjecto que determina o pagamento de bilhetes em museus para a contemplação da herança artística de grandes vultos do surrealismo, a dicotomia entre rentabilidade e património da humanidade está desbalizada de contexto sócio-económico que possa permitir o livre acesso à cultura pelos mais desfavorecidos. Por isso, a Grande Loja Blasfema lançou uma linha de merchandising baseada nos grandes vultos portugueses do surrealismo contemporâneo, Bel’Miro e Guimarães-Pinto, que permitem associar o utilitarismo do vestuário, alimentação e descanso ao usufruto de arte gratuitamente. O leitor só paga a t-shirt, a caneca e a almofada: a arte obtém de graça.
A linha patriótica “recuerdo de Portugal“, ideal para turistas em visita cultural, complementa-se com a linha “Foz Côa” e contrasta com os traços minimalistas da linha “Portugal é arte“, esta mesmo uma expansão do conceito da linha “apoia as artes“. Usufrua de qualidade e requinte. Diferencie-se usando o que é nosso, o que é português, o que é o orgulho de pertencer à nação do surrealismo.