A contestação transversal à lei da cópia privada é incompreensível, tal como é incompreensível a forma como se acusa o secretário de estado Barreto Xavier de favorecer um grupo de interesse em detrimento do consumidor de artigos apenas marginalmente relacionados com o que a taxa pretende compensar. Não houve contestação transversal quando se distribuíram Magalhães; não houve contestação transversal quando se construiu a ponte Vasco da Gama; não houve contestação transversal quando se aumentaram taxas moderadoras e em simultâneo se atirou dinheiro para que a Qimonda só fechasse quando outro estivesse na poltrona da administração central.
A taxa da cópia privada é a essência da portugalidade contemporânea. A taxa da cópia privada é solidariedade para o que o comité decide ser Bom e Justo. O conceito da taxa da cópia privada é o mesmo que permite que o edil portuense ache que pode expropriar proprietários de locais que o comité decide serem do Interesse Comum para assegurar o Bom e Justo.
A taxa da cópia privada é uma SCUT. A taxa da cópia privada é uma Parque Escolar. A taxa da cópia privada é o custo de uma colecção Miró em caixotes.
A taxa da cópia privada é o “não pagamos”, Troika fora daqui, o “Alemanha tem que aumentar salários”. A taxa da cópia privada é a solidariedade europeia, é quantitative easing, é a ASAE e o carro eléctrico, o TGV e a TAP, a RTP e a Lusa.
A taxa da cópia privada é uma bosta. Mas é bosta de que gostamos de gostar. Pelo menos, é a bosta de que costumamos gostar.