O problema das falências bancárias é que deixam os depositantes que neles confiaram, convencidos que entregavam o seu dinheiro a entidades sólidas, seguras e de confiança, sem o valor dos seus depósitos, muitas vezes eles também falidos e desgraçados, sem qualquer responsabilidade no que sucedeu ao banco. Ora, a culpa disto decorre da existência de um mercado financeiro «liberalizado», «desregulado» e a agir à margem do estado, que anda por aí a enganar os clientes, como os socialistas de todos os partidos não se cansam de pregar, ou, pelo contrário, será antes consequência de um modelo bancário hermeticamente fechado, que funciona completamente à margem das regras de mercado, ancorado por instituições estaduais que garantem a sua suposta solvibilidade e segurança? Nos casos do BPN, do BES, do BPP e noutros, em quem acreditavam os depositantes e por que razão entregavam eles as suas economias a estas empresas financeiras? Por causa dos belos olhos do Sr. Ricardo Salgado, ou das qualidades morais e empresariais do ex-Conselheiro de Estado Dias Loureiro ou do antigo Secretário de Estado das Finanças Oliveira Costa, ou porque o Banco Central do Estado Português garantia, a montante a a jusante, que o sistema bancário português estava sólido e firme como um penedo? E a ganância desses senhores é bem sucedida por eles dirigirem empresas de sucesso num mercado de livre-concorrência, ou porque eles se movimentam num sistema cartelizado, no qual muito poucos entram, invariavelmente vindos e cruzando relações e influências espúrias com a política, o governo e o estado? Por outras palavras, quem atesta a segurança de um banco? Um mercado livre e concorrencial, onde qualquer empresário se pode estabelecer oferecendo serviços bancários que os clientes escolhem livremente, ou o estado português, que dirige um sistema bancário baseado em regras por ele criadas, com índices de solvibilidade por ele fixados, com regras de concorrência criadas e fiscalizadas pelo Banco Central, com taxas de juro e políticas de crédito instrumentalizadas pelo governo para promover o «bem-estar social», e com financiamentos ruinosos à dívida pública e aos programas do governo para «incentivar» a economia e o emprego? E quem garantiu, na recente crise do BES, a quinze dias dele estoirar, que o banco era seguríssimo? O dito «mercado» ou o Presidente da República Portuguesa, o Primeiro-Ministro, a Ministra das Finanças e o Governador do Banco Central do mesmo país?
Por fim, para se entender um bocadinho por que razão é tão falível o sistema financeiro e bancário da maior parte das sociedades em que vivemos (e para percebermos porque é que nem todos os bancos fazem do crédito a sua principal actividade…) e por que razão isso nada tem a ver com uma economia de mercado, mas, pelo contrário, com a instrumentalização dessa actividade económica pelo «estado forte» que os socialistas de todos os partidos tanto ambicionam, fica aqui este excelente artigo de Murray Rothbard, de leitura muito recomendável para se evitarem certos disparates.