Isto para dizer que periodicamente sentimos também a necessidade de um “virar de página”. Não da austeridade, que essa já sabemos ser perene e para ficar por mais uma década, mas de formato, ou de táctica para transmitir a mesma mensagem de sempre, a filosofia liberal centrada no indivíduo, por contraponto a ideologias perniciosas assentes no colectivismo uniformizador. Convirá então alternar os executantes de molde a convencer o maior número. Há que ter quem defenda, quem construa e quem ataque, quem remate com os 2 pés e de cabeça, e que todos marquem. Não se dispensa o manancial teórico do Rui A., o preciosismo jurídico do Carlos Loureiro, o sentido de oportunidade e de rigor histórico do Gabriel, o diagnóstico implacável e cirúrgico do João Miranda, a mordaz crítica de costumes da Helena, o humor cáustico e corrosivo do Vítor e do JCD. Tudo isto é importante, mas não chega. Falta-nos simplicidade e capacidade de gerar empatia de forma alargada.
E aqui entra a Cristina Miranda, a carinha laroca da foto, que denota traços orientais mas é vianense dos 7 costados, o nosso “reforço de Inverno”. Mas para jogar nas 4 estações, nesta época e nas vindouras, que a “cláusula de rescisão” é inatingível por qualquer concorrente.
A Cristina é mulher de armas. Uma compleição aparentemente frágil e uma postura de cativante simplicidade, de sorriso sempre aberto, escondem uma personalidade multifacetada, calejada por experiências várias, académicas e profissionais. De um frustrado curso de jornalismo ao ISCAP; da condução de um empilhador à gestão financeira de uma empresa em overtrading; a ter de negociar com bancos e fornecedores, de fazer o papel do “homem do fraque” perante clientes relapsos; do ensino à criação de empresas na área da formação (não, seus maledicentes, não foi a Tecnoforma, mas ainda que fosse?). A vida é dura Luiz, para quem não vive à custa de outrém tudo tem de ser conquistado a pulso, sempre com muito suor, muitas vezes com baba e ranho. E depois veio a crise, duríssima, mas temos de saber descobrir oportunidades no meio de tanta ameaça. Já estive desempregada, mas felizmente nunca me faltou trabalho. E as emoções vão fluindo, em simultâneo com as vivências recentes ou do passado que vai evocando.
É sobretudo a expressão do sentimento, mais que o mero recorte literário, que se nota nesta assertiva tareia que a Cristina ferrou na Mariana e a atirou para a ribalta nas redes sociais. Traduzindo para “marxês”, a Cristina exprimiu muito simplesmente a revolta perante a tentativa do burocrata parasitário se pretender locupletar com a mais-valia acumulada pela força de trabalho. Típica exploração da classe trabalhadora pela classe dominante. Clarinho para todos e quanto bastasse para suscitar o apoio espontâneo de dezenas de milhares.
– Escrever no Blasfémias??? Belisca-me Luiz, que não acredito. Eu sou mulher do povo, não estou preparada nem familiarizada com o vosso tecnicismo e conceitos etéreos.
– Perfeito! O que os liberais mais precisam é de aprender a falar ao povo.
Já te belisquei q.b. Cristina e garanto que tens pinta de Blasfema. Bem vinda a esta Loja. As teclas esperam-te e que nunca te doam os dedos.