Divididos entre atribuir culpa aos donos dos cães e ao estado por permitir que animais “perigosos” sejam mantidos por irresponsáveis, lá passamos a semana do Dia da Liberdade a discutir mais uma meritória (por inconsequente) causa. Jornalistas passaram a semana a telefonar para hospitais, à procura de casos para documentar, levando o funcionário do estabelecimento a procurar no menu das urgências diárias por casos suficientes para indignar os portugueses. “Tenho um pé amputado por diabetes, ataque de cão não tenho”, terá dito um dos funcionários. “Temos algum artigo sobre os malefícios do açúcar?”, perguntara o jornalista ao editor, tapando o microfone do telefone antes de despachar o prestável funcionário hospitalar com “esta semana não há regulação do açúcar, só ataques de cães”.
As pessoas estão muito preocupadas com a Baleia Azul e com razão. Os adolescentes são muito dados a actos parvos, mesmo antes de terem idade para votar, como forma de preparação para a vida que levarão como adultos parvos. Para que fiquemos tranquilos — nós, os adultos —, seria necessário que o estado reconhecesse este fenómeno e o regulasse. Por exemplo, podia-se integrar na escola pública a aprendizagem estruturante que consiste em saber lidar com as pressões dos pares para fazer coisas idiotas. Seria até bastante irónico, fomentaria o ensino do sarcasmo e, mesmo que não impedisse adolescentes de se suicidarem através de incentivos nas redes sociais, seria uma oportunidade preciosa para educar os jovens para a cidadania que lhes permita uma longa vida e oportunidade para abortar, mudar de sexo e requerer eutanásia, uma forma muito mais adequada de terminar a vida do que com jogos com nome mais adequado a estabelecimento de lavagem de carros.