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Roubo no cinema

9 Fevereiro, 2019

Não vou discorrer neste momento sobre o tema dos apoios do estado ao sector da cultura, mas tão só contribuir com uma gota para o escrutínio público que é practicamente inexistente sobre o assunto.

Todos os anos o Instituto do Cinema e do Audiovisual apoia a produção de meia dúzia de longas-metragens nacionais. Procurei comparar o montante de dinheiro dos contribuintes gasto por filme apoiado com o respectivo número de espectadores.

Aparentemente todas as obras que obtiveram subsídios nos concursos de 2015 a 2018 ainda não estrearam, pelo que não existem dados de bilheteira.

Assim, tomei como exemplo o concurso de 2014 e os dois filmes que nesse ano tiveram cada um apoio do ICA de 600.000€.

Os números da imagem abaixo falam por si:

Cinema_Apoio

Ou seja, se em média um bilhete na sala de cinema custar 5€, o subsídio do estado é 34 a 47 vezes superior a esse montante por cada espectador.

Já agora, algum dos leitores do Blasfémias viu os filmes em questão?

Eu não. É como se tivesse ido ao cinema e fosse assaltado.

 

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11 comentários leave one →
  1. LTR permalink
    10 Fevereiro, 2019 01:20

    Isto é tanga, não é?

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  2. Velho do Restelo permalink
    10 Fevereiro, 2019 08:48

    Assaltado antes de ver o filme, e passado o tempo na esquadra, o que por vezes também é um filme (de terror ou comédia) 🙂
    Mas respondendo ao seu “survey” : Não vi qualquer deles.
    Não deixa de ser curioso que os bilhetes mais baratos tiveram mais procura!
    Terá sido pelo preço ou pela qualidade ?

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  3. 10 Fevereiro, 2019 09:23

    Roubo roubo roubo!
    Gatunos gatunos gatunos!
    Que choldrice estes pulhas…

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  4. André Miguel permalink
    10 Fevereiro, 2019 09:26

    Os nossos “artistas” são tão labregos que nem percebem que isto é o seu canto do cisne, a prazo estão condenados ao esquecimento. Acabem com estes subsídios e eles serão obrigados a fazer filmes para o público ao invés de merda para consumo próprio.
    Respondendo: não vi nenhum dos filmes.

    Liked by 2 people

  5. 10 Fevereiro, 2019 11:25

    “Ora bem” e em síntese:
    1) O apoio do Estado à Cultura (incluindo alguns projectos válidos não apoiados para favorecerem o amiguismo subsidiodependente, e quando o P”S” está no governo o abuso é escandaloso), tem de ser repensado, se o Estado quiser…
    2) Realizar longas-metragens custa bastante dinheiro. Muitos realizadores “comem” abusivamente na manjedoura do Estado e, repito, se o P”S” está no governo… Os produtores sabem que só por eles não podem investir 600 mil ou 1 milhão de euros num filme que não lhes dá lucro. Percentagem avultada dos subsídios vão directamente para o bolso de alguns realizadores sem escrúpulos e disso vivem durante 1, 2, 3 aninhos.
    3) As verbas dadas (sem consulta pública, pois claro !) pelos contribuintes são exageradas em muitos casos. Os júris têm muita culpa nisto. Alguns júris são constituídos e manobrados por realizadores e produtores.
    4) Vi o (bom) filme da Teresa Villaverde. Mas 600.000 euros é muita massaroca.

    Talvez o novo director da DGArtes consiga controlar o “monstro” que domina os bastidores não só do cinema. É conhecedor do “país real”, sério e competente.

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  6. Luis Lavoura permalink
    10 Fevereiro, 2019 11:35

    Poderia, talvez com mais facilidade, fazer um gráfico com o montante de subsídios concedidos a um museu versus o número de visitantes a esse museu. A mesma coisa com os monumentos nacionais e espetáculos de ópera.

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    • 10 Fevereiro, 2019 11:47

      Seria muitíssimo mais complicado fazer esse gráfico. Resultado: condicionado (logo à partida e não só pelos dados fornecidos…), irreal e certamente incompleto.
      Ora então, lendo o seu post, acabem-se com os subsídios !? Avancem produtores, mecenas ?!
      A propósito de mecenato: irrisório em Portugal, apesar de apelos e leis facilitadoras nos impostos feitas há anos.

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    • 10 Fevereiro, 2019 14:29

      Depende. Pode haver museu com património nacional a preservar.
      Já uma pessoa não é por natureza em vida património a preservar.

      Só mumificada ou em estátua, depois de morta.

      Ainda assim, é óbvio que em todo o lado existem bolsas a patrocinarem obras que, de outro modo, seriam impossíveis~
      A questão é que tipo de bolsas e porque é que tem de ser apenas e exclusivamente o Estado.

      E com critérios de encosto. A Villaverde Cabral não merece mas tem pai, também com dois ls, ainda que cada vez menos escardalho.

      O Mozos não conheço. Agora o Pedro Costa, sim. É um bom realizador com obra que merece a pena.

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      • 10 Fevereiro, 2019 16:25

        Zazie,
        Exacto, há património nacional e alguma criação contemporânea impossível de realizar sem apoios. Do Estado ou…no caso tuga só esporadicamente totalmente suportado por particulares vulgo mecenas.

        Não é pai, mas tio.

        O Pedro Costa é o melhor de todos.

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    • 10 Fevereiro, 2019 14:31

      Isso dos monumentos nacionais, só uma cavalgadura cientoina que mamou bolsas de toda a parte e mama do Estado, podia dizer, por ser besta.

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      • 10 Fevereiro, 2019 14:32

        Era para o beto perdigoto da esquerda-liberal e da injecção atrás da orelha aos velhos inúteis, que se destinava o comentário.

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