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Burgueses de todo o mundo, uni-vos

10 Setembro, 2019

Não queria escrever este texto, nem o devia ter feito, pelo que a sua publicação sirva, ao menos, o propósito de regabofe nos comentários entre os partizans das diferentes soluções indistinguíveis para o país. Façam o vosso melhor: ventilem. É que agora é que vai ser! Joga-se tudo nestas eleições: se o PS consegue o que deseja, a vitória sem maioria absoluta que lhe permita deflectir responsabilidades perante o possível flato poluente do “fim da austeridade”; ou se os eleitores castigam o governo com uma maioria absoluta que torna mais difícil – mas não impossível, já que as vacas voam e tudo – o discurso sempre venerado de “a culpa não foi nossa”.

Nos jornais, nas televisões, nas redes sociais e nos terceiros, quartos e décimos lavabos das escolas, não se fala de outra coisa. É só conversa sobre se o parlamento nos vai salvar, finalmente, de nós próprios, nunca das salvações que nos impingem. Toda a gente está devidamente alinhada para estas eleições: de um lado, os que escolhem um dos partidos a concurso, qualquer um deles; do outro, nós, os que não estão para dar mais para o peditório do jogo viciado. É verdade que há inúmeros partidos a concurso, mas são todos diferentes designações para o mesmo: o partido do estado. Uns querem obrigar a malta a pagar mais impostos, outros querem obrigar a malta a construir balneários em cada esquina mesmo que chova no ginásio; uns querem que todos reconheçamos que as crianças devem ser vistas como seres sexuais a partir do primeiro ciclo, outros querem que todos reconheçamos o direito do estado a extinguir a vida de velhos obsoletos; uns querem muitas coisas, outros querem as muitas coisas das quais os outros já beneficiaram. É um espectáculo piroso de religiosidade ímpar entre fieis e infiéis, como tem sido desde o princípio do tempo, só que desta vez nem Deus é necessário, que a gente trata sozinha do assunto. Bolas, somos melhores que Ele! Ele nem sequer leu um rol de pessoas altamente citáveis pelo único fito de nos separar dos incréus, os incultos que nem votam.

Portanto, como toda a gente faz o apelo ao voto, eu também faço: não vote. Deixe-se disso. Não alimente o bicho que o devora. Tal como dar rebuçados às crianças antes de comerem, só está a fazer com que o bicho o deixe aí todo amputado com meio tronco e uma cabecinha a magicar como se safar da morte certa. Desista. Deixe-se comer rapidamente. Fique em casa. Garanto que não se arrependerá.

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23 comentários leave one →
  1. JMS permalink
    10 Setembro, 2019 13:53

    Brilhante! E adoro o título.

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  2. FGCosta permalink
    10 Setembro, 2019 15:08

    É precisamente isso que eu (não) faço há bastante tempo. A abstenção, que para mim corresponde àquele letreiro nos jardins zoológicos “não dê de comer aos animais”, tem mais algumas vantagens: é bastante publicitada e comentada, é cada vez mais uma atitude política assumida e não um subproduto da preguiça, e é a única opção política que pode ser assumida e comprovada pela simples leitura dos cadernos de descarga (curioso nome).

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  3. MJRB permalink
    10 Setembro, 2019 15:56

    Óptimo, VCunha !

    Com tanta abstenção prevista, porque o BE não quer mais namorar com o P”S” e o PC afirma ter partido futuras muletas para amparar o AC-DC, “assaltou-me” a premonição que Portugal vai ser governado pela coligação P”S” + RIR-Reagir, Incluir Reciclar do Tino de Rans.

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  4. Weltenbummler permalink
    10 Setembro, 2019 15:58

    a etar do largo dos ratos no seu pior desempenho: entra água e sai merda
    social-fascismo tipo urss

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  5. maria permalink
    10 Setembro, 2019 18:45

    Não vote! Que mau conselho!Dá para pensar, não haverá interesses encriptados?
    Costa já deu um cheirinho com os motoristas, quando entornar o frasco todo, já é tarde.

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    • 10 Setembro, 2019 18:48

      PS vai vencer as eleições. Ainda bem. É mesmo que tem que vencer as eleições.

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      • rogerio alves permalink
        13 Setembro, 2019 10:25

        vitorcunha, não está a ser ingénuo?

        Desculpe o insulto (porque eu sei que não é ingénuo) mas ganhando o PS, como infelizmente parece ser o que vai acontecer, não lhes trará (ao PS) qualquer infelicidade, pode ter a certeza.

        O segundo mandato costuma ser o do regabofe absoluto, da roubalheira sem fim e qualquer bancarrota que nos venha a ocorrer como consequência direta nunca lhes fará mossa. Consciência é algo que eles não tem nem a nossa CS os obrigará a qualquer auto-penitência.

        Apenas lhe dará, se calhar, mais razões para evoluir para um novo estádio mais socialista. Não foi o que fez o Maduro, por exemplo?

        Em tempos, tive a confiança que, por estarmos na UE, nunca seríamos uma Venezuela chavista. Mas agora, essa confiança esvaiu-se…

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      • 13 Setembro, 2019 10:27

        Tomando em consideração que a alegada direita preferiu dar uma de Jugoslávia para ver qual deles é mais de esquerda, só se pode constatar que quer votantes PS, quer votantes da direita preferem o PS. Como tal, viva o consenso.

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    • 12 Setembro, 2019 12:23

      Há sempre a via revolucionária. A Revolução não é um exclusivo da esquerdalha ….

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  6. 10 Setembro, 2019 19:22

    Maravilha!

    Exactamente!

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  7. Leunam permalink
    10 Setembro, 2019 20:12

    O País tem e terá o que merece.

    Um País que não se empenha em mudar o que está mal, o que é que merece?
    Um País que aceita e tolera as mentiras dos políticos, o que é que merece?
    Um País que aceita e tolera todos os escândalos que se sucedem quase diariamente, o que é que merece?
    Um País que não vai à luta, que abandona o seu território e emigra, o que é que merece?
    Um País que em nome da solidariedade subsidia os socialmente inúteis e paga os abortos de mulheres irresponsáveis, o que é que merece?
    Um País que aceita e tolera que seja vendido aos poucos a estranhos, o que é que merece?
    Um País que aceita, tolera e apoia o facilitismo escolar, o que é que merece?
    Um País que aceita e tolera o desperdício de bens individuais e colectivos, o que é que merece?
    Um País que vive a pensar no futebol, nos concertos musicais, nos filmes e não tira os olhos do telemóvel mesmo a comer ou na retrete, o que é que merece?

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  8. caampus permalink
    11 Setembro, 2019 11:45

    Leunam, merece que o Costa tenha maioria absoluta. A Direita tem de votar PS / Costa e obriga-los a governar com maioria absoluta.

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    • Carlos Rosa permalink
      11 Setembro, 2019 14:14

      Mesmo com maioria absoluta ele vai fazer alianças com os outros comunas. Ele não se sente bem sozinho. O Diabo é assim. Precisa de ajudantes, os diabinhos.

      Ou ainda não descodificaram a criatura?

      À falta de tomates para o desmascarar, resta-nos a esperança no apodrecimento do Regime.
      Esse apodrecimento está em curso porque a Esquerda não tem quadros competentes para aguentar o Regime. Tem incompetentes por todo o lado. Os ministros, a começar no Costa, e por aí a baixo. É uma triste e vil miséria.
      O Guterres uma merda, a Elisa Ferreira outra.

      Mas Portugal é bom. E os porcos sabem disso e comem à conta disso. O povo é que tem que os enxutar do pé da gamela.

      Para salvar Portugal, só há um caminho. O do Nacionalismo progressista, competente e solidário. Quem não é amigo da terra portuguesa e do seu povo não pode ser um governante à altura das necessidades atuais.

      Ah, e tal, os nacionalistas são fascistas. Isso dizem os que estão a mamar nos impostos dos portugueses. Convém-lhes lançar poeira.
      Poderá haver quem se diga nacionalista e seja parvo, mas isso é como tudo.
      O caminho faz-se caminhando e os melhores nacionalistas portugueses ainda não se uniram.
      E o verdadeiro nacionalista defende a sua terra e o seu povo, mas respeita as nações dos outros e pode ser solidário com os outros povos.

      Vá Zé Povinho, faz-lhe o manguito mas LEVANTA A PESTANA.

      ÓVISTES?

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    • 13 Setembro, 2019 11:32

      Nunca podemos apoiar os traidores que vendem a Pátria aos estrangeiros. Sobretudo aos Chineses.

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  9. Mister Logico permalink
    11 Setembro, 2019 14:07

    Não percebo o porquê de tanto drama…
    O PS é o único partido capaz de reduzir ordenados, aumentar impostos, reduzir custos e acabar com as greves (Os ingleses deviam aprender uma coisa ou duas).

    O PS é a esquerda, centro e direita de Portugal.
    O PS é o passada, o presente e o futuro de Portugal.
    O PS é ter duas vacas a voar e uma na mão.
    O PS é o Pai, o filho e o espírito santo.
    O PS é a chuva no nabal e o sol na eira.
    O PS é Deus e Portugal é o paraíso na terra.

    Toda a gente fala em Venezuela quando na verdade Portugal terá o mesmo destino de Macau.

    Quando dermos por ela somos governados por um partido único em que a única medida de mérito será a proximidade que conseguimos ter com sua excelência, o querido Líder.

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  10. Paulo Salaberth permalink
    11 Setembro, 2019 14:36

    Quando não temos respostas nem propostas é assim.
    Em ténis a táctica tem nome: jogar no erro do adversário…
    Mesmo que o jogo possa demorar 4 anos.
    E que o adversário não cometa erros.
    Ou não os saibamos aproveitar…

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  11. Leunam permalink
    12 Setembro, 2019 17:28

    jorgereramos

    “Nesse momento estão criadas as condições para fazer a Revolução Nacionalista”

    Fácil é dizer isso.
    Difícil é ter a massa crítica suficiente para concretizar tal.
    Reporte-mo-nos, por exemplo, à Revolução francesa: quanto tempo foi necessário para amadurecer a revolta?
    Quantas gerações sofreram a opressão, a miséria e a escravidão até atingir a noção concreta de que era possível e necessário derrubar o regime opressor da Aristocracia e das oligarquias?
    Salazar, nacionalista convicto, tudo fez pela Nação, trouxe Progresso, Cultura, Educação e grande melhoria das condições de vida do Povo, porque todo o século XIX e o primeiro quartel do século XX foram tempos de agitação e miséria em Portugal.
    O Povo viu nele uma força de vontade para impor a Lei e a Ordem onde antes era o caos, a miséria, o roubo e a iniquidade; teve portanto a aquiescência duma larga faixa do Povo, que lhe deu todo o apoio de que precisava.
    Criadas que foram todas essas melhorias de vida, o Povo já com “a barriga consertada” esqueceu, em duas gerações, o que é viver na fossa, sem esperanças de melhoria.
    Alegremente, esse mesmo Povo que, duas gerações, antes era miserável, entendeu que podia “matar a galinha dos ovos de ouro”, que foi o regime do Estado Novo, enquanto fonte de progresso e poupança (indispensável para voos mais altos).
    Ingrato pelo que fizeram por ele, esse mesmo Povo tachou de faxista a quem lhe deu Pão, Cultura, Saúde e Educação aos filhos; esbanjou, endividou-se e está a caminho da miséria daqui a mais uma geração.
    Só depois, já completamente colonizado por estranhos, submetidos a todas as ignomínias, é que os netos dos de agora, vão acordar e reconhecer quão estultos foram seus avós que lhes prepararam tal situação. Aí será tarde e tudo voltará à miséria.
    Voltará então alguém com vontade de dar novo folgo a este Povo ou ele próprio já nem existirá porque se abastardou completamente?
    O Futuro o dirá.

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    • 13 Setembro, 2019 11:42

      Leunam: tem toda a razão excepto que nem toda a abstenção é “maioria silenciosa”, mas muita é, e quando respaldada sai para a rua. Como sabe, nas Revoluções em Portugal basta ter um ou dois corpos militarizados prontos a avançar e, dado o estado de putrefacção do Estado e a falta de incentivos que os putrefactores sempre dão às forças militarizadas, isso basta para ganhar a “quietude” das que não é possível mobilizar. O Terreiro do Paço “cai de Maduro” sempre há 200 anos a esta parte e já por 4 vezes. É que aqui todas as tentativas de criar uma “Guarda Pretoriana” sempre foram falhadas, ao contrário de seres abjectos tais como: Imperadores Soviéticos, Fidel, Chavez, Maduro, Imperadores Chineses, etc. onde essa guarda é a norma, qual Império Romano!

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  12. 12 Setembro, 2019 18:00

    bom… totalmente de acordo com o conteúdo ou a substância do post… mas mesmo que haja 90% de abstenção o que será deste país com os António(s) Costa(s) desta vida… e estes energúmenos emergem de onde? Desta cultura que adubamos? já vem de onde? da República (início) do liberalismo, ou do absolutismo?… transversa uma cultura que é um nojo, do rural à cidade e a Lisboa… quando acabará? O que será necessário para acabar? Em concreto uma abstenção é um voto … mas na cultura lisboeta o que conta? Governa-se com o que há… e o resto é conversa… e o resto do país é paisagem (observem-se os fundos comunitários onde um investimento em Lisboa (Sócrates) era um multiplicador no resto do país… Neste país nem o voto em branco nem a abstenção obrigam a classe política lisboeta (ou os que para la emigraram para se sentirem alguém… e que são mais papistas que o Papa) obrigam a mudar de paradigma

    Um votante desiludido

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    • 13 Setembro, 2019 11:46

      Daí a ideia do Rui Rio que é difusamente Nortenha: votos brancos a gerar lugares vazios. Seria um silêncio ensurdecedor na porra da Assembleia.

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  13. Rão Arques permalink
    14 Setembro, 2019 09:54

    NÃO LHES ARDE O CU
    Vendo pela televisão reportagens, avaliações, comentários alinhados e explicações mal alinhavadas de titulares e dependentes do poder, a sensação com que se fica é que se trata de manobras de aprendizagem com fogos reais destinados às tutelas cimeiras e dependentes diretos.
    Da trovoada seca à negligência do comum dos cidadãos, passando pela falta de punição de alegados pirómanos, tudo vai servindo para limpar o ranho que pinga lá do alto.
    “Incêndio dominado” é a palavra de ordem, raramente se ficando a saber qual a àrea ardida correspondente, e se esses desfechos estão ligados a ter ardido o que havia para arder. Tudo para limpeza das caras sujas de tanta escuridão que paira lá por cima das nuvens.

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