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Exageros

12 Fevereiro, 2020
by

As pessoas que defendem a eutanásia não são pérfidas. Fazem-no por achar que faz sentido ajudar quem pede ajuda para acabar com um sofrimento que consideram intolerável e não porque querem “matar os velhinhos”.

As pessoas que são contra a eutanásia não são impiedosas. Não são contra porque desejam o sofrimento alheio, mas porque acreditam que manter a vida é um valor acima de qualquer consideração alternativa.

Respeito todos, incluindo os que exageram na fundamentação das suas certezas e pensam que os “adversários” são pérfidos ou impiedosos.

35 comentários leave one →
  1. lucklucky permalink
    12 Fevereiro, 2020 17:49

    As pessoas que defendem a eutanásia não são pérfidas.

    São. Sabem muito bem o que acontece a quem obtém esse Poder.

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  2. Procópio permalink
    12 Fevereiro, 2020 17:56

    Haverá casos extremos em que a eutanásia poderá ser encarada, sempre com as maiores reservas.O exagero é a eutanásia na mão dos xuxialistas e comunas. Essa é a arma que lhes faltava para eliminar adversários ou oponentes pela calada. Na rússia, na china actual, na venezuela, não precisam de ir ao parlamento coisa nenhuma. Na UE há que fingir.
    Oiçam algumas intervenções na central de negócios, nos debates com as moderadoras sem vergonha, nas entrevistas e em comentários avulsos.
    A menos que pensem que elas e eles estão a brincar.

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    • Os corruptos que se cuidem permalink
      12 Fevereiro, 2020 19:30

      A eutanásia acaba por acontecer nos casos de fim de linha. Nos paliativos de doentes terminais de cancro, o ajustamento da dosagem de morfina para paliara dor acaba por originar paragem cardiorrespiratória. Ou seja: ninguém fica a sofrer desnecessariamente. Pela ordem natural das coisas, tudo acaba por ocorrer a favor do doente. Mas isso é uma coisa e outra, totalmente diferente, o que estes cabrões querem. E aviso-vos já: oxalá não caiam no hospital doentes em alturas em que façam falta órgãos para transplante…

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      • 12 Fevereiro, 2020 23:11

        Exactamente…

        Exactamente. Conheci quem viveu quase, quase essa experiência com o pai.

        Passei estes últimos anos em urgências de hospitais e internamentos e assisti ao suficiente para saber o que já se faz e o que deseja antecipar.

        Porque até a Santa Casa abandona velhos em hospital se tiverem o azar de precisarem de uma sonda de alimentação, ainda que provisória.

        Deixaram de alimentar por sonda no apoio domiciliário porque as funcionárias que andavam a recibos verdes passaram a contrato e agora eles querem “livrar-se de responsabilidades” ao mesmo tempo que aumentam o bolo dos votantes pela cenoura dos “direitos dos trabalhadores”.

        As mais de mil camas de hospital ocupadas com velhos abandonados estão por este motivo básico.
        E não a trampa de uma jornaleiro que faça reportagem e investigação básica que até eu tenho já feita.

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      • 12 Fevereiro, 2020 23:16

        errata: E não há a trampa de um jornaleiro, etc.

        Nem de um político. E foi por pouco, por dias que este caso não se tornou público a abrir noticiários.

        Porque lhes fiz frente e eles sabiam que eu fazia o que lhes prometi.

        Deus chamou-a antes disso. Tadinha. Mas, ao menos, foi bem tratada até ao último minuto. Em hospital, porque a maioria das enfermeiras é mesmo gente muito decente e humana.

        E médicos também os há. A coisa andará fifty fifty

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      • lucklucky permalink
        13 Fevereiro, 2020 23:48

        O jornalismo existe para censurar, tal como o tribunal constitucional existe para dizer que parte da constituição se pode violar.

        Eu na minha experiência fiquei surpreendido pela quantidade de pessoas más, não faço ideia se é fifty. Nota-se também muitas desumanizadas pela experiência de tratarem pessoas no fim de vida.

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  3. Arlindo da Costa permalink
    12 Fevereiro, 2020 17:57

    Até q’enfim um post decente e que apela à tolerância e humanidade!

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  4. 12 Fevereiro, 2020 18:04

    Não se trata das pessoas vulgares, normais, mas sim dos políticos e mais as suas ideologias. E essas sim, podem ser pérfidas e impiedosas.

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    • 12 Fevereiro, 2020 23:05

      Claro! ainda não dei por ponte bloqueada e milhares de pessoas na rua a exigirem que os médicos as matem ou despachem por junta médica os familiares que são um cargo do caraças

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  5. Raghnar permalink
    12 Fevereiro, 2020 18:16

    Não serão todas, mas também as haverá. Também há quem rotule de forma semelhante dos defensores da não despenalização, dizendo que gostam de ver as pessoas sofrer.

    Eu sou contra, mas se fosse a favor não confiaria um instrumento desses nas mãos de gente como a ministra da Agricultura, por exemplo…

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  6. lucklucky permalink
    12 Fevereiro, 2020 18:25

    Previsão:
    Dentro de 5 anos as escolas passarão a ter lições sobre como as pessoas podem pedir para serem mortas pelo Estado.

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  7. Mario Figueiredo permalink
    12 Fevereiro, 2020 18:40

    Vá lá ler a legislação Holandesa sobre a eutanásia, JCD. Depois então podemos falar sobre exageros. Depois então podemos falar sobre dar ao Estado o poder de daqui em diante decidir sobre as linhas na areia da eutanásia.

    Exageros… é realmente isso que você quer dizer? É um exagero para si porquê? Porque o sentido do voto vai no mesmo sentido da sua orientação politica, claro.

    Apreciaria muito que o JCD se deixasse de exageros. E eutanásia é um exagero.

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  8. Os corruptos que se cuidem permalink
    12 Fevereiro, 2020 19:33

    O plano inclinado da legislação sobre eutanásia começa sempre na mesma cota. Depois, uma vez em prática, é só a descer. na Holanda, um jovem deprimido que não encontre razão de viver pode pedir a eutanásia e esta é-lhe praticada. Que raio de monstro vamos criar? Já tínhamos poucos?

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  9. 12 Fevereiro, 2020 23:01

    Ceguinho

    Bastava receber pelo correio a merda do Testamento Vital aprovado pelo Governo sem nunca terem perguntado a ninguém para se perceber o utilitarismo da eutanásia.

    Associação Alzheimer, portuguesa, tem como programa e prática incentivar precisamente os velhos que podem começar a ficar “alzheimarados” a assinarem aquela trampa que se traduz por deixar morrer à fome e à sede, até quem preciso apenas de uma mera sonda.

    E sei do que falo. Vivi uma década com esta experiência com familiar minha que acabou por morrer centenária.
    Mas, para isso, foi salva à força contra uma data de médicos que a nem a trampa de uma sonda queriam colocar por estar com preumonia~

    Decretavam logo morte a crédito.E que era “uma vida vegetativa que ia ter”. Da primeira vez tive de chamar um padre e dar um berro à besta do médico boliviano que militava pela eutanásia.

    Foi há 3 anos. Colocou-lhe a sonda porque o obriguei e ainda o esconjurei, no gozo, com “vade retro” que nós somos católicas e v. primeiro trata em vez de matar.

    Passados 15 dias de voltar para casa ela própria arrancou a sonda e começou a comer, tal como comeu até praticamente agora- quando a coisa foi mesmo fatal.

    Portanto, isto é nojento porque quem quiser praticar o tal acto de “piedade” com o familiar ou amigo, que o faça com as próprias mãos e assuma para o resto da vida o que de bom e mau e por amor ou por sentido humano achou que fez.

    Mas não delegue em quem é médico e enfermeiro/a porque esses existem para salvar vidas e nunca para serem carrascos por conta de cobardes que se escondem atrás do jacobinismo da lei para lavarem as mãos.
    Ou pior- para pouparem mais gastos ao Estado. E a maioria dos políticos é precisamente essa finalidade principal da trampa que querem obrigar a ser aceite por todos os portugueses.

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    • FreakOnALeash permalink
      13 Fevereiro, 2020 08:59

      Sou a favor da despenalização…mas caramba que belo testemunho…que mais uma vez reforça a minha ideia que isto devia de ser referendado. Bem haja!

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    • 13 Fevereiro, 2020 15:14

      Agradeco moderacao do ultimo comentario pois o login foi feito errado pir engano. Tudo o que fou escrito é da minha responsaviludade com o nick zazie obrigada

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    • Tiro ao Alvo permalink
      13 Fevereiro, 2020 17:32

      Se bem entendi o seu familiar não queria morrer e fez você muito bem ao atender o seu desejo. Mas também entendo que, quem em seu juízo não queira viver e prefira não ser alimentado à força, antes deseje a morte, deve ser atendido. E que, nesses casos, tudo deve ser feito para que não tenha dores.
      A aposta, parece-me, deve ser feita nos cuidados paliativos.
      E também penso que é uma falácia dizer-se que se pretende despenalizar a eutanásia. Não, o que se pretende é legalizar a morte a pedido do próprio, criando no SNS uma valência a que se poderia chamar “matadouro”. Se fosse só despenalizar, muita gente entenderia como razoável, mas matar é outra coisa, é um caminho sem retorno.

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      • 13 Fevereiro, 2020 19:41

        Ninguém é alimentado à força. Eu própria já fui operada e durante uns dias só podia comer por vai de sonda nasogástrica.

        Isso nada tem a ver com dores! nada de nada. É uma questão que, como no caso dela, durou menos de um mês. Eles é que queriam aproveitar para a deixarem logo morrer da forma mais cruel aprovada pelo Estado- à fome e à sede, uma vez que, devido à pneumonia forte com que estava, engasgava-se se fosse alimentada normalmente pela boca.

        Mas sobreviveu nas calmas.Ela própria arrancou aquilo em casa e, como sempre quis viver e comer, como todo o ser vivo, é óbvio que não morreu por falta de sonda.

        Todos os seres vivos querem viver. O instinto vital é de tal ordem que até as pulgas se reproduzem mais se ficarem sem cão.
        E as plantas dão flor precisamente quando os Invernos são agrestes e então, para não se extinguirem “dão mais vida”.

        Um velho é um ser humano. Ponto final. Não há a menor desculpa para não se acarinhar ainda mais quem está no final da vida.

        E o carinho e cuidados podem ser tudo. A minha familiar mesmo aos 98 anos, quando depois ficou acamada (antes disso, quando tiraram a sonda ainda ficava sentadita no sofá e comia sozinha, toda contente)- quando à noite eu lhe ia dar um beijinho para dormir, ela dizia “estou tão feliz!

        E foi feliz até com o AVC que teve a seguir. E era brava ao ponto de fazer caretas e dar beliscões a médicos, enfermeiras, bombeiros, todos os que se aproximassem.

        Cuidar durante uma década de um ente querido nesta situação não é um peso. É dever. E o que sentia era a maior leveza por o fazer.

        Há uma coisa de que nunca me tinha apercebido e vivi em hospitais, onde passei a maior parte destes 3 últimos anos- como é bom salvar-se uma vida.

        O regozijo de médicos que são verdadeiros médicos e enfermeiras sempre que o fazem é algo demasiado bonito que os merdas dos políticos que os querem tornar carrascos, deviam ver e terem vergonha do que querem aprovar por lei.

        Se a panca cientóina de que a Ciência agora é que é Deus, chega ao ponto de decidir a vida e a morte de uma pessoa por essa tabela de superioridade de Saber, acima de toda a Moral, então eu pergunto:

        E a Ciência que sabe assim tudo, é tão bruxa para decretar estados de alma e estados de moribundo, então porque é que não têm vergonha de argumentarem que nem as dores conseguem tirar a quem sofre?!!?!?

        Mentira! Essa é a maior mentira e patranha demagógica. As dores, por mais fortes que sejam tiram-se.
        A minha familiar, agora, nos últimos tempos, tinha pensos de morfina.

        Se a dada altura os efeitos do alívio do sofrimento podem causa problemas secundários em casos extremos, é outra coisa.

        E contra essa outra coisa nada tenho a opor-me. Porque não se está a colocar em oposição a eutanásia ou a vida eterna.

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      • Tiro ao Alvo permalink
        13 Fevereiro, 2020 20:18

        “Ninguém é alimentado à força”.
        Por vezes alguns doentes são alimentados por via intravenosa, mesmo quando estão no estado dito “vegetativo”, sempre por pressão de familiares.
        Parece-me razoável que alguém manifesta a vontade de não querer viver assim e que, nesses casos, os médicos deveriam abster-se de prolongar artificialmente a vida. Mas isto nada tem a ver com eutanásia.

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      • 13 Fevereiro, 2020 22:59

        Em caso vegetativo anda muita besta que respira, come e caga sentença.

        Ninguém prolonga nada artificialmente. Trata-se e vai-se salvando.
        Prolongar vida é merda new-age de quem anda em cenas gagas com idade para ter juízo e depois fica todo espatifado julgando-se novo.

        Ninguém sabe o que é a vida.

        É esta a única certeza que tenho.
        E ninguém sabe quando é a sua hora.
        Mas há uma pedagogia a transmitir. E essa pedagogia vai ser como cuspo atirado para o ar, quando apanharem com os fihinhos e netinhos a darem-lhes um pontapé mais tarde.
        Porque é assim que se está a “educar” os jovens.
        Para despacharem os pais, quando “deixarem de ter uma vida com dignidade” (como papagueiam; ou quando “já não estiverem na plena posse das suas faculdades mentais”.
        Ou pura e simplesmente quando o abandono e má-sorte que lhes espera os leva a preferirem que os matem a viverem o abandono familiar.

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  10. Luís Lavoura permalink
    13 Fevereiro, 2020 11:41

    Respeito todos

    Respeito todos aqueles que apresentam argumentações honestas.

    Não respeito aqueles que são mentirosos, como o Vítor Cunha, e identificam a eutanásia como a modos que um campo de extermínio nazi, em que o Estado mata a esmo velhinhos inocentes.

    Todas as opiniões são legítimas, mas a mentira é ilegítima.

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    • Tiradentes permalink
      13 Fevereiro, 2020 11:59

      Eu também o respeito mas nos campos de extermínio nazi praticava-se a eutanásia. Os opositores e muitas vezes os próprios leninistas e stalinistas também eram “eutanasiados”. Em ambos os casos a “humanidade” libertava-se dos “indesejados”. O homem novo saído da dialéctica chama mentira a aquilo que quer e verdade a aquilo que não quer. Isto se discutir o princípio ainda que “moldado” para se poder começar a “eutanasiar”

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      • Velho do Restelo permalink
        13 Fevereiro, 2020 12:15

        Sim, tirando o facto de nos campos nazis os candidatos terem sido levados à força para lá … o resto é quase igual !
        Será que os nazis se davam ao trabalho de obrigar os presos a assinar uma autorização escrita antes de serem “eutanasiados” ?

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      • Luís Lavoura permalink
        13 Fevereiro, 2020 16:08

        nos campos de extermínio nazi praticava-se a eutanásia

        Não. Nos campos de extermínio matava-se pessoas a eito, em massa e contra a vontade delas.

        Na eutanásia, que aliás é suicídio apoiado, o que se pretende é permitir-se a pessoas individuais e fortemente selecionadas (com doenças incuráveis e com grande sofrimento) matarem-se a si mesmas, ou dar ordens muito explícitas para que outros as matem.

        É incomparável. É tão diferente como dar um tiro na cabeça de um cavalo com uma perna partida é diferente de um matadouro industrial.

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  11. 13 Fevereiro, 2020 12:29

    eu defendo a eutanásia porque tenho medo : já vi , infelizmente, algumas barbas a arder de dor e desespero, logo , quero por as minhas de molho. a nova velhice criada pela medicina é uma tortura . .a 4ª causa de morte nos países desenvolvidos é já a demência.- quem quer passar por horrores que passe , mas eu quero ir desta para melhor pacificamente.

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  12. 13 Fevereiro, 2020 16:14

    As pessoas que se dizem contra a eutanásia são hipócritas, que estão dispostas a praticar a eutanásia, desde que seja em segredo, de forma disfarçada e feita por um médico amigo e colaborante, no recato do lar ou até mesmo de um bom hospital privado (inclusive católico). E sempre sem se designar a coisa pelo nome – não foi eutanásia, foi somente dar uma dose um bocadinho maior de medicamento para aliviar a dor, por forma a que a dor ficasse definitivamente aliviada.
    É a eutanásia para gente rica, a qual deve ter direito a ela. Os pobres, esses, os que não podem solicitar um médico amigo e colaborante, que sofram, que é a obrigação deles.
    Como sempre.

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  13. Ana Vasconcelos permalink
    13 Fevereiro, 2020 16:37

    Fora os tetraplegicos, o que impede suicidas de se atirar ao mar? Então para quê sobrecarregar o SNS que já não trata dos que querem viver com os que querem morrer? E será que há assim tantos? Se não há para que perdemos tempo com o assunto?

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    • 13 Fevereiro, 2020 17:34

      A 1ª pergunta é tão estúpida que não merece resposta! A 2ª não é menos, mas merece uma resposta igualmente estúpida :
      – Se o problema é a sobrecarga do SNS (em tempo e dinheiro), pegue numa calculadora ou peça a alguém que lhe faça as contas (pois receio que nem isso saiba fazer), e verá que numa semana de permanência do “interessado” no SNS, ele consome muitos mais recursos do que o acto de o ajudar a partir desta vida que já não lhe interessa !

      A 3ª é tão estúpida, mas mesmo tão estúpida, que respondo com outra pergunta :
      – Se são assim tão poucos, porque raio há-de o estado dar-se ao trabalho de proibir ?
      – Por acaso as notícias recentes dizem que 7 foram ao estrangeiro procurar aquilo que cá é proibido ! Tal & Qual como a IVG antes de ser permitida por cá !

      Como diz o Lavoura acima, o que incomoda muita gente, é o facto de a coisa ficar disponível para todos, e perder-se a noção do “privilégio”, do “alto estatuto social”, dos nomes pomposos D’ Albuquerque, Vasconcelos …

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  14. FGCosta permalink
    13 Fevereiro, 2020 16:44

    Sou médico de família há 35 anos (e doente oncologico há 2) e sou contra a eutanásia regulamentada por uma razão simpes: eu sei que tenho o poder de, com relativa facilidade, convencer uma pessoa a pedir (mesmo em casos minor) a eutanásia ou recusá-la (mesmo em casos major). Sei que a regulamentação, por muito restrita e controlada que seja não impede pressões abusivas e eficazes, assim como pode impedir situações justificaveis (um deprimido não tem nunca direito?).
    Ontem vi um homem com 91 anos que me chegou com um exame que diagnosticava cancro incurável. Poderia ter-lhe dito: você está com um cancro incurável e poderá morrer dentro de 4 a 8 meses. A sua morte pode ser bastante sofrida. Se quiser (agora no pressuposto de que havia lei a autorizar) pode acabar com esse sofrimento para si e sua família rapidamente e podemos ir tratar dos papéis. Ou então poderia dizer: a sua situação pode ser controlada em termos de sintomas, e poderá viver ainda bastante tempo com qualidade e aproveitar a vida. Se quiser dou-lhe uma medicação para se sentir menos deprimido e se sentir qualquer problema telefone ou apareça. As duas situações são clinicamente e legalmente inatacáveis. Estão a ver como é simples? Na verdade a eutanásia em casos limite já é praticada informalmente muitas vezes, como qualquer médico sabe. Mas precisamente por isso é praticamente sempre feita mediante o bom senso e a situação em cada momento. Talvez fosse bom deixar as coisas assim.

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    • Velho do Restelo permalink
      13 Fevereiro, 2020 17:58

      Reconheço que neste tema, os médicos têm muito a dizer, e compreendo em absoluto a posição que o v/ bastonário tomou hoje (ou ontem).
      Contudo, discordo com a abordagem com casos como o Dr. fez !
      Por cada caso que o Dr. FGCosta apresente em que consiga demonstrar o “desnecessário” da eutanásia, não tenho dúvidas que outra pessoa (não necessariamente médico) demonstrasse o contrário !
      Parece-me que aquilo que insinua : “o médico propor a eutanásia ao seu doente”, deve estar totalmente fora de questão, e espero que o v/ código ético nunca o permita !
      Aceito que o médico recuse fazê-lo. Não aceito que alguém se julgue no direito de obrigar os outros a esperar pela morte em sofrimento.
      Viver sem prazer, ou sem esperança de o vir a ter, não é viver !
      Mas como diz o povo, cada qual é como é, e cada um faz da sua vida o que entender !

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