Não é Mafalda que é pateta, é o seu texto, como se comprova pelas coisas angélicas que escreve, como esta:
A pandemia, os números mostram-no, teve um efeito notável no clima do planeta: as emissões de carbono reduziram-se com o abrandamento económico e os aviões estacionados em terra, a poluição atmosférica recuou e, em muitas zonas do planeta, a Natureza ganhou terreno face ao Homem.
Não duvido da pureza de intenções da responsável pela publicação, mas com este binómio “capa-editorial” legitima a interpretação de que, no fundo, entende que o Homem é secundário na Natureza ou, dito de outro modo, Homem e Natureza são incompatíveis.
A delirante ideia de que o homem está a mais na natureza é antiga e sobre ela já tratei no Observador há tempos. A facilidade com que se dizem asneiras e se constroem narrativas fantasiosas mesmo com a realidade à frente do nariz é não só algo duradouro, como merecedor de registo pelo grau de alienação que consegue atingir.
Mas, Visão e Anjos inquietam-se com as gerações futuras e por isso o corolário dos disparatados argumentos que dão à estampa, alicerçados na nova seita religiosa do cientismo e dos especialistas em Clima, talvez seja o da defesa da extinção do homem através da paragem das actividades económicas. Nesta linha de raciocínio está por exemplo a spin-off do Bloco de Esquerda comandada pelo “genro” de Francisco Louçã (especialista em alterações climáticas e não dirigente neo-marxista partidário, obviamente) que “exige a intervenção pública na TAP” para “planear um redução drástica faseada e justa do sistema de transporte aéreo“.
Deve ser isto: quando estivermos todos mortos, o planeta será magnificamente verde!