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recordar o passado em azurém

25 Março, 2017
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Lendo este interessante artigo do Observador, sobre as eleições à Câmara de Lisboa antecipadamente perdidas pelo PSD, fica-se com uma melhor ideia do aproveitamento canhestro que em várias freguesias se tem feito sobre a “inevitável” demissão de Passos Coelho se o próximo resultado autárquico em Lisboa for mau. Na verdade, nos últimos anos, desde há muito tempo, as prestações do partido, nessa autarquia, têm variado entre o mau e o péssimo, pelo que não é de admirar que assim continuem nos próximos tempos. Ora, entre aqueles que têm vindo a insinuar que o futuro de Passos passa pelo resultado de Lisboa, ressalta Luís Marques Mendes, literalmente, o Marcelo Rebelo de Sousa dos pequeninos, que, quando foi líder do PSD (sim, ele já por lá andou), o melhor que conseguiu na capital foi um terceiro lugar, com 15,74% dos votos, quase ex-aequo com o quarto lugar do movimento independente de Helena Roseta, que sacou 10,21%, sem partido nem recursos. Nessa altura, e perante esse desse lastimável resultado, não consta que Mendes se tenha demitido da chefia do laranjal, donde só saiu em eleições internas, que apenas convocou por sido pressionado para isso. Assim, ao Marcelo de Azurém, que todos os domingos tem destilado fel sobre Passos, deixaria apenas a nota de que não me parece que o actual líder do PSD seja da estirpe de quem se deixa derrotar por tipos politicamente menores. Como, por exemplo, Luís Filipe Menezes…

O Fim do Mundo em Cuecas

24 Março, 2017

Foi o fim do mundo em cuecas esta semana por causa de uma frase, completamente descontextualizada  (claramente propositado) e depois manipulada, alegando ser do socialista holandês, Dijsselbloem. Ora, nossa querida CS escreveu que o Presidente do Eurogrupo terá dito que ” os países do sul gastavam o dinheiro todo em álcool e mulheres.” Porém a frase foi precisamente esta:  “Na crise do euro os países do Norte mostraram solidariedade para com os países do Sul. Como social-democrata, a solidariedade é para mim extremamente importante. Mas quem a pede, tem também deveres. Não posso gastar o meu dinheiro todo em álcool e mulheres e depois disso ir pedir a vossa ajuda. Este princípio vale para o nível pessoal, local, nacional e também europeu”. Dijsselbloem AFINAL falou na 1ª pessoa, dando-se como exemplo. Porquê então toda esta indignação? Ler mais…

Para uma Europa que vive obcecada com a laicidade não será de uma fé cega desatar tudo a rezar pelas vítimas de terrorismo…

23 Março, 2017

mais pelas cidades onde os terroristas atacam em vez de mais laicamente se apostar nas polícias e nas leis para tornar mais difícil a vida na terra aos terroristas propriamente ditos?

Se bem percebo

23 Março, 2017

o mundo está a ser assolado por uma vaga de violência originada pela intolerância da extrema-direita xenófoba e protagonizada pelos budistas. É isso não é?

Londres e a irrealidade

23 Março, 2017

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O que se sabe de certeza certa é que o canibalismo islamista voltou a atacar. Como sabemos o que vem a seguir: a exibição ritual de piedade genérica e avisos contra a ameaça da “deriva islamofóbica”.

o desígnio

22 Março, 2017
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Afonso Henriques ofereceu-nos a independência e a soberania. Foi esse o seu desígnio. Por ele, enfrentou a mãe, o primo e o Papa. Anos passados, Nuno Álvares Pereira e o Mestre de Aviz desafiaram-nos a ser uma nação, para depois, com Henrique e João II, nos tornarmos um império. Em nome disso enfrentaram Castela e o  Adamastor. D. Manuel demandou pelo reino do Preste João e morreu sem o achar. Sebastião José de Carvalho e Melo sonhou com um Estado-Razão que ombreasse com as «luzes» da Europa. Por ele atacou o clero, a nobreza e o povo, e pagou pessoalmente por isso. O sonho de um reino português do Brasil levou Pedro de Alcântara a proclamar o «grito do Ipiranga», para depois tentar retomar os laços com a origem rectangular. Manuel Fernandes Tomás trouxe-nos a liberdade burguesa e a Constituição. A República proclamou a soberania nacional e defendeu o Império que a Monarquia ameaçara perder. Salazar quis-nos «orgulhosamente sós»,  contra o mundo, e Abril devolveu-nos a cidadania da Europa e a democracia.

Hoje, com o país pós-troika à deriva, finalmente é-nos oferecido um novo desígnio nacional, um objectivo a atingir, uma meta a alcançar, uma quimera pela qual valerá a pena viver e recomeçar: a cabeça, o escalpe, o toutiço pestilento do senhor Dijsselbloem! Costa, Marcelo, Santos Silva, César e – hélas! – Mota Soares, em uníssono, como um corpo único da nação, devolveram-nos o orgulho e o sentimento de pertença à pátria. Podiam era tê-lo feito há mais tempo, quando o homem ainda estava vivo e dava luta, até porque bons motivos para isso não lhes faltaram. Mas é sempre mais seguro bater num morto. Só é preciso enterrar.

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“Polícia! Estão cercados, saiam com as mãos no ar e deitem-se na balança”

22 Março, 2017

 

mochilas

 

Deu entrada na Assembleia da República uma petição contra o peso excessivo das mochilas escolares assinada por cerca de cinquenta mil portugueses. É muita assinatura! É como se durante um jogo do Sporting no Estádio José Alvalade, daqueles com casa cheia, todos os adeptos presentes colocassem o seu nome num papel com o intuito de salvaguardarem as colunas vertebrais dos seus filhos. E estou certo que os pais sportinguistas, não fosse o caso de os piquenos se deslocarem para o colégio de motorista, o fariam sem hesitações.

No texto dessa petição podemos ler que a Organização Mundial de Saúde recomenda que a mochila deve ter, no máximo, 10% do peso da pessoa que a transporta. Pelas minhas contas, baseadas no saudoso papel azul de 25 linhas, são necessárias duas mil folhas para acomodar cinquenta mil assinaturas, o que corresponde a quatro resmas de papel de escritório com 2,5 kg cada. O meu primeiro desejo, portanto, é que os 10 kg de papel utilizados na petição não tenham sido transportados para o Parlamento numa mochila. Ou então, a terem sido, que a pessoa responsável pela entrega pese no mínimo 100 kg. Claro que, nesse caso, sugiro-lhe que vigie a tensão arterial e o estado das coronárias.

Em relação à possibilidade de o legislador se intrometer nos sacos da criançada, não obstante a minha desconfiança generalizada a respeito do bom senso dos nossos deputados, parece-me bem. Já é tempo, depois de tantos séculos de discriminação, de conferir aos gordinhos uma vantagem competitiva no ambiente escolar. Quando estiver um polícia armado com uma balança e uma calculadora à porta do liceu, a pesar os alunos e a determinar os respectivos 10%, as faltas de material vão começar a atingir com muito mais intensidade os magros, deixando os roliços com mais hipóteses de sucesso escolar. É até provável que os pais mais exigentes, ansiando por bons resultados académicos, engordem os filhos à força para que estes possam transportar os livros de todas as disciplinas (e aqui está um aspecto que a OMS, certamente, se esqueceu de considerar). Tendo feito grande parte do meu percurso educativo na qualidade de gordo, gostava muito de ter contado, nessa altura, com uma lei deste tipo. Até imagino as miúdas mais giras (e magras) da minha turma a pedirem-me com voz suave: “Serginho, minha bolinha adiposa, leva por favor os meus cadernos na tua pasta que eu já estou nos 17% e tenho medo de ir presa; eu depois compenso-te com um beijo nas traseiras do pavilhão de Educação Física”.

Se alguma coisa há a apontar a esta petição é, sem dúvida, o seu âmbito demasiado restritivo. Toda a atenção é dada às mochilas escolares, descurando outros tipos de receptáculos com alças como, por exemplo, as mochilas de campismo. Já vi passar, à minha porta, grupos de escuteiros a caminho dos bosques, carregados com verdadeiras monstruosidades. É evidente que passar duas ou três noites a dormir no meio da natureza exige uma multiplicidade de equipamento, vestuário e alimentação que nunca ficará abaixo dos 10% do peso dos jovens campistas. Penso por isso ser necessário exigir ao Governo a instalação de cacifos nas diversas matas do país, para que os escuteiros lá possam deixar o material de um acampamento para outro.

Como não há bela sem senão, o alargamento do espectro legislativo vai provocar, quase de certeza, efeitos negativos noutras áreas. Estou a lembrar-me, mais especificamente, da música. Sabendo-se do peso de um violoncelo, de uma tuba ou mesmo de uma guitarra, é de esperar que os nossos jovens se concentrem na aprendizagem de instrumentos mais leves. Em resumo, vamos continuar ao som do cavaquinho e da gaita-de-beiços, tocados ao ritmo dos ferrinhos. Pelo menos enquanto formos um povo com falta de peso.