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A salazarologia

29 Abril, 2017

Existe em Portugal um ramo do saber muito especial, a  salazarologia. Esta consiste em começar qualquer frase por “O ditador ” (o equivalente à esquerda é libertador e líder carismático) e a partir desse momento fundador dizer ou escrever as mais esparvoadas afirmações.

Expresso: “Salazar, em 1967, era chefe do Governo quando, pela primeira vez, um Papa visitou o país. O ditador decretou um dia de feriado nacional a 13 de maio e permitiu uma amnistia geral. Mas recusou encontrar-se com Paulo VI, depois de o Papa ter recebido, em Roma, representantes dos movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas de África.”

Não só Salazar e Paulo VI se encontraram como a audiência de Paulo VI aos líderes do movimentos independentistas (de libertadores não tinham rigorosamente nada, antes pelo contrário) só aconteceu três anos depois de Paulo VI vir a Fátima, já era chefe de Governo Marcelo Caetano. Em 1967 era a Índia que estava no centro do lítigio entre Portugal e o Vaticano.

 

Baleia Azul (não essa, a outra)

29 Abril, 2017

Divididos entre atribuir culpa aos donos dos cães e ao estado por permitir que animais “perigosos” sejam mantidos por irresponsáveis, lá passamos a semana do Dia da Liberdade a discutir mais uma meritória (por inconsequente) causa. Jornalistas passaram a semana a telefonar para hospitais, à procura de casos para documentar, levando o funcionário do estabelecimento a procurar no menu das urgências diárias por casos suficientes para indignar os portugueses. “Tenho um pé amputado por diabetes, ataque de cão não tenho”, terá dito um dos funcionários. “Temos algum artigo sobre os malefícios do açúcar?”, perguntara o jornalista ao editor, tapando o microfone do telefone antes de despachar o prestável funcionário hospitalar com “esta semana não há regulação do açúcar, só ataques de cães”.

baleia-azulAntes que pudéssemos concluir se o estado deve criar formação obrigatória para os que têm cães ou proibir pessoas de terem os tais ditos perigosos, isto depois de se catalogarem devidamente as raças — e aqui não é xenofobia, são cães, não são activistas do Estado Islâmico —, mudamos de assunto indignante — mas mantendo o tema Fauna — para algo mais excitante que mordeduras que dá pelo nome de Baleia Azul. Ao contrário do que o nome parece indicar, não se trata da designação usada para quando o António Costa se apresenta como aristocrata soberano inchado do orgulho de poder ignorar as perguntas no Parlamento sem que ninguém se indigne, trata-se, sim, de um suposto jogo para adolescentes com o objectivo de os levar ao suicídio. Bem sei que, dito desta forma, parece que continuo a falar do António Costa, mas é importante que o leitor reconheça esse natural equívoco antes de avançar na necessária discussão sobre o assunto.

As pessoas estão muito preocupadas com a Baleia Azul e com razão. Os adolescentes são muito dados a actos parvos, mesmo antes de terem idade para votar, como forma de preparação para a vida que levarão como adultos parvos. Para que fiquemos tranquilos — nós, os adultos —, seria necessário que o estado reconhecesse este fenómeno e o regulasse. Por exemplo, podia-se integrar na escola pública a aprendizagem estruturante que consiste em saber lidar com as pressões dos pares para fazer coisas idiotas. Seria até bastante irónico, fomentaria o ensino do sarcasmo e, mesmo que não impedisse adolescentes de se suicidarem através de incentivos nas redes sociais, seria uma oportunidade preciosa para educar os jovens para a cidadania que lhes permita uma longa vida e oportunidade para abortar, mudar de sexo e requerer eutanásia, uma forma muito mais adequada de terminar a vida do que com jogos com nome mais adequado a estabelecimento de lavagem de carros.

Não comenta mas comenta. Quanto menos comentar melhor, quanto mais comentar melhor ainda…

28 Abril, 2017

MARCELO SOBRE A RECUSA POR PARTE DO GOVERNO EM NOMEAR OS NOMES INDICADOS PELO governador do Banco de Portugal e PELO presidente do Tribunal de Contas,   PARA O Conselho de Finanças Públicas

“quanto menos o Presidente da República comentar isso, melhor”. 

CONCLUSÃO: ASSUNTO ARRUMADO EM 63 CARACTERES

MARCELO SOBRE AS NOMEAÇÕES FUTURAS PARA O Conselho de Finanças Públicas

“A lei prevê que seja uma proposta conjunta do governador do Banco de Portugal e do presidente do Tribunal de Contas, aceite pelo Governo. Portanto, há duas vontades que têm de se conjugar. O que eu espero é que haja um diálogo prévio, porque a falta de diálogo significa que, às tantas, não se acertam os critérios”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

acrescentou que espera “um diálogo prévio para o futuro, que permita que não apareçam nomes que se saiba de antemão que não podem ser aceites pelo Governo e, por outro lado, que o Governo não seja levado a pensar em nomes que não sejam propostos pelo Banco de Portugal e pelo Tribunal de Contas”.

“Eu acho que é fundamental haver este entendimento, porque a lei não diz que é uma escolha do Banco de Portugal e do Tribunal de Contas, como também não diz que é uma escolha só do Governo”.

“Quando é uma escolha de várias entidades, só há uma maneira de dar certo: é elas falarem primeiro e acertarem os nomes. E espero que isso aconteça” “o diálogo em democracia é sempre possível”.

CONCLUSÃO: ASSUNTO COMENTADO, EXPLICADO E ENFATICAMENTE TRATADO  EM 1000 CARACTERES

AVISO; Marcelo não vale a pena, Costa vai mesmo ser candidato a PR

Uma dívida de gratidão

27 Abril, 2017

é o que sinto perante o facto do Parlamento Europeu nos ter privado do contacto com Marinho Pinto.  Ter todos os dias este homem tonitruante nas televisões era de agonia. Espero agora que o PE nos leve Catarina Martins mais aqueles seus vocalizes.

Memória intermitente

27 Abril, 2017

Um dos exercícios mais fascinantes em Portugal é ouvir Jośe Miguel Júdice.  Em 2009 quando se discutia o Freeport o dr Júdice teorizava sobre “as mentiras escritas nos jornais.”  Mentiras essas aliás que teriam levado até a que ele, Júdice, se demitisse do cargo “fascinante” para que fora convidado por Sócrates. Uma história a recordar

 

Júdice, mestre do insulogio

26 Abril, 2017

judice

Existe desde há muitos meses um grande consenso no país: todos os portugueses concordam que António Costa é um verdadeiro político. A única divisão que se evidenciava até agora era entre aqueles que referiam este facto como forma de lhe dirigir um sincero e sentido elogio e aqueles que o sublinhavam como forma de lhe dirigir um sincero e sentido insulto. Na última semana, com a entrevista concedida ao diário i por José Miguel Júdice, passou a existir uma terceira categoria de cidadãos: os que consideram António Costa um verdadeiro político, mas o exprimem de uma maneira tal, que louvor e ofensa se misturam num género ainda não estudado pelos linguistas.

Nessa conversa jornalística, o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados começa por atribuir ao Primeiro-Ministro o título de político mais dotado da sua geração; algumas linhas depois, quando o leitor ainda está a digerir a apologia, aproveita para realçar que é impossível fazer política sem se estar permanentemente a mentir. E é precisamente por isso que o advogado considera o secretário-geral do PS um génio, um autêntico Fernando Pessoa da aldrabice / que chega a achar que é verdade / a mentira que sabe que disse.

Recorrendo ao Google, descobri que já há uns tempos, numa outra entrevista, Júdice tinha destacado a frieza e a falta de emoções de António Costa, assegurando que a sua maior qualidade era ser “um verdadeiro oportunista”. Desde o dia em que um amigo meu, fervoroso adepto do FCP, confessou apreciar as minhas qualidades futebolísticas e estilo de jogo ao ponto de sonhar todas as noites com a minha contratação pelo Benfica ou pelo Sporting, que não tinha o prazer de contactar com tão venenosos elogios.

Mas Júdice não se fica por António Costa e lança também a sua análise sobre o Chefe de Estado: o seu amigo Marcelo é igualmente o político mais dotado da sua geração (ficamos sem saber quantos anos dura cada geração de políticos, mas, aparentemente, são poucos), embora sofra de verborreia e de entusiasmo excessivo, e seja manipulador, maquiavélico, ácido, sibilino, capaz de jogar com as pessoas, maledicente e traiçoeiro! É impossível não ficar assustado só de pensar nos elogios que o advogado utilizaria para caracterizar o político menos dotado da geração do Presidente da República.

Nestas entrevistas, são também reservadas algumas palavras a Passos Coelho: é descrito como um homem menos adequado ao momento que Portugal atravessa, e com uma menor habilidade para lidar com as subtilezas, complicações e especificidades da vida política nacional. Ambrose Bierce disse uma vez que um elogio é um empréstimo que rende juros. Intenções de José Miguel Júdice à parte, se fosse a Passos Coelho, começava a poupar para os pagar.

 

Tolerância de ponto: sim, venha daí

26 Abril, 2017

Faz todo o sentido que no dia 12 de Maio, sexta-feira, haja tolerância de ponto. José Sócrates, que chefiava o bando governamental em 2010, também considerou que a visita papal de Bento XVI, a 12 de Maio, merecia um dia de reflexão na função pública para que diligentes funcionários pudessem dedicar tempo ao plano espiritual de remoção sistemática de crucifixos de organismos públicos promovida pela então namorada do doutor-engenheiro, isto antes de se converter à causa da co-adopção de refugiados sírios que sejam transsexuais pretos e de se lembrar que o bisavô teve um escravo (obviamente, a bisavó). Foi bonita, a festa: o Sumo Pontífice foi recebido pelo autarca lisboeta, doutor António Costa, que lhe ofereceu, entusiasticamente, a chave da cidade. De seguida, foi altura de receber a águia de prata, oferecida pelo Benfica, um símbolo do ecumenismo que une a segunda e a terceira religião de Portugal. A religião principal, o socialismo, tolerante para com tudo que o faça avançar, beneficia agora de ao laicismo militante calhar bastante agradável um fim-de-semana prolongado.