A trágica evidência*
Durante algumas horas choveu e imediatamente passámos da gravíssima seca para o problema das cheias. Nos mesmos locais onde nos anos 60, 70, 80, 90 e 2000 as estradas ficaram cobertas de águas e as vidas correram risco tudo se repetiu, como de costume, nesses sítios do costume.Olhando para as vítimas e para a sua enorme vulnerabilidade quase se supõe que elas são sempre as mesmas. E que desde há mais de quarenta anos lá estão em Rio de Mouro, Belas, Frielas… para nos mostrarem como para lá da patine tecnológica continuamos a ser um país atrasado e pouco cuidado.Contudo, por contraste com as cheias do passado (aquelas que o Estado Novo tentou esconder e que os governos da democracia viveram como um falhanço de si mesmos) temos agora essa coisa espantosa que é o ministro do Ambiente e Ordenamento do Território, Nunes Correia de seu nome, ter assumido que as cheias não dizem respeito ao governo e muito menos ao seu ministério: «Estamos numa área de competência autárquica. Tem a ver com as infraestruturas urbanas. O problema do ordenamento do território já não é o mais sério em Portugal» – declarou, a propósito do sucedido este fim-de-semana, o ministro do Ambiente. Concretamente o que quer isto dizer? Nada. Rigorosamente nada. Para quem, fechado dentro dum carro, vê o nível das águas a subir naquela estrada provavelmente traçada sobre um leito de cheia deve ser absolutamente irrelevante que a sua vida esteja risco por responsabilidade autárquica ou governamental. O que o ministro fez, num dia em que se contavam vítimas e estragos, foi simplesmente dizer que o seu ministério lavava dali as mãos. E que a culpa é das autarquias. Não só isto não é completamente verdade como este não era o dia para fazer esse tipo de declarações. Por menos do que isto caiu Carlos Borrego. Nunes Correia dificilmente cairá. Porquê? Veja-se esta sucessão de primeiros-ministros e percebe-se: Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates. Isto não é uma lista cronológica. É um plano inclinado em que, nome a nome, baixa a nossa exigência moral e, nome a nome, acabamos a aceitar como normal aquilo a que no governo anterior chamámos escândalo e no outro, um pouco mais atrás ainda, crime. Mas não contente com estas afirmações que são uma ofensa para as vítimas o ministro conclui “O problema do ordenamento do território já não é o mais sério em Portugal”? Qual será, para Nunes Correia, o problema mais grave em Portugal?
De facto o nosso problema mais grave não é o ordenamento do território mas sim a nossa tolerância perante a mediocridade, da qual Nunes Correia é um dos maiores beneficiários. Aliás se esse não fosse o nosso problema mais sério há muito que Nunes Correia não seria ministro. E até se pode dizer que a mediocridade se tornou uma espécie de seguro de vida ministerial. De alguma forma é desconcertante e sintomático que Correia de Campos tenha saído do Governo e que essa nulidade ambulante que dá pelo nome de Nunes Correia por lá se mantenha. Quem se lembra das patéticas declarações deste ministro sobre o novo aeroporto? Ninguém. Mas convém não esquecer que o “jamais” de Mário Lino a Alcochete se alicerçava em postulados ambientais devidamente corroborados por Nunes Correia. Mário Lino ficou desacreditado com todo este processo. Nunes Correia nem isso. Ninguém lhe liga. Quando é necessário ele põe o selo verde nos projectos. Quando também é necessário semeia umas aves aqui e ali para inviabilizar os projectos. O problema do ordenamento do território já não é o mais sério em Portugal – diz o ministro. Infelizmente o nosso maior problema é mesmo moral.
*PÚBLICO, 19 de Fevereiro

Isso foi uma interpretaçao jornalística. Mais uma de imensas que fazem para arranjar polémicas. O ministro já veio esclarecer os pobres jornalistas que tiveram uma educaçao tao fraca e nao possuem a culpa de serem tao ..mas tao como se diz… levam tudo à letra. Esqueço-me o termo correcto que significa alguém que é incapaz de entender o que se diz, a nao ser que seja tudo explicadinho tim tim tum tá, ou senao percebem logo o pior dos piores. Percebem logo aquilo que for mais ignóbil ou mais palerma. E depois repetem e repetem e repetem. E acrescentam, acrescentam acrescenta.
Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Uma espécie de aldraboes inocentes.
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E além de repetir e acrescentar, aproveitam para dimunuir, insultar, espezinhar, calcar e etc. Muito tipico.
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Claro, se o Governo fosse de direita já tinha muita razão que os principais problemas do País eram outros…
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Andava para escrever isto há uns tempos mas desta vez é que vai.
Quer as suas crónicas no Público q
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Andava para escrever isto há uns tempos mas desta vez é que vai.
Quer as suas crónicas no Público quer as de CAA no Correio da Manhã estão numa área reservada a assinantes ou a quem compre o jornal.
Salvo terem um acordo com os respectivos jornais é ético publicarem-nas aqui?
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O orgasmo jornalístico da Comissária Helena seria atingido com um terramoto em Lisboa. Desde 1755 que este Governo não faz nada.
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Em primeiro lugar tenho autorização do jornal para republicar as minhas crónicas. Se reparar bem muito outros cronistas o fazem e como é óbvio previamente terão acordado isso com os seus directores. Aliás no caso do DN alguns colunistas republicam-nos no próprio dia nos blogues onde participam. Isto explica-se porque o DN ao contrário do PÚBLICO permite o acesso aos textos de opinião a qualquer leitor da sua edição on line.
Sobre o que o ministro disse e não queria dizer, as más interpretações etc… sejamos claros: ministro disse o que disse.
Essa ideia de que os governos são uma eespécie de bebés numa incubadora já vem de trás e é francamente lastimável. Mais lastimáveis ainda são as posteriores explicações de Nunes Correia pois aquilo que ele diz nessas explicações não é compatível com o que disse na tal frase que diz estra fora do contexto sobre o ordenamento do território. Nas explicações Nunes Correia não fez outra coisa senão falar do ordenamneto do território que, na véspera, dissera não ser um problema.
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Sobre o que NUnes Correia disse
ver e ouvir aqui:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080218+-+Nunes+Correia+abre+polemica.htm
Sobre o que NUnes Correia gostraia de ter dito ver e ouvir aqui:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=327637&tema=27
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Concordo perfeitamente. O ministro disse o que disse. Está tudo filmado e documentado.
http://sic.sapo.pt/online/scripts/2007/videopopup.aspx?videoId=11383E18-471B-4438-AC54-806F304CEF73
Veja o que o ministro disse e o que os jornalistas traduziram, para fazer a polémica. Até fazem a introduçao ao quue o ministro vai dizer.. lol
É preciso ser um bocado sério. Entre dizer que o ordenamento já nao é o principal problema e dizer que nao é problema é diferente.
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CATÁSTROFES ANUNCIADAS
COMPREENDE-SE PERFEITAMENTE a incomodidade do Poder (central ou local) perante as catástrofes, pois é em circunstâncias dessas que a sua competência (ou a falta dela) fica à vista de todos:
Se é verdade que “governar é gerir”, não é menos verdade que “gerir é prever”; e todos sabemos que a quase totalidade das catástrofes dos nossos dias são, mais do que previsíveis, praticamente anunciadas.
Um filósofo dizia que «o Ser Humano é tão estúpido que só aprende com catástrofes». Mal sabia ele que há um país onde “nem com catástrofes se aprende”. Quando muito, o que vemos por aí são indivíduos a tratar das consequências – raramente das causas -, dando razão à empresa de consultoria que concluiu que «os gestores portugueses são muito bons a resolver os problemas que eles próprios criam».
–
«Destak» de hoje
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Está tudo documentado nao. Porque além disse como o minsitro explica ele estava a falar no contexto e retiraram esse contexto para resumir à polémica.
Cada qual é aldrabado se quiser.
Quem gosta de farsas jornalisticas que as coma. Mas depois nao se venham queixar das frasas jornalisticas dos jornalistas da palestina. Porque é a mesma cena.
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Quem é o Nunes Correia? Existe? Anda por aí?
Em situações de aperto/crise na Tugalândia aplicam-se os seguintes conceitos:
– Ministro nunca tem a culpa
– Ministro nunca se demite
– Numa escala de valores, a culpa é sempre do elo mais fraco
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este governo do querido lider caracteriza-se pela insensibilidade social.
dizia ontem um economia: quando o défice for zero a economia estará ao mesmo nível
2 milhões de pobres
meio milhão pobres
o pritibói precisa urgentemente de óculos
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Não posso estar mais de acordo consigo, Dra. HM.
Tem razão em tudo, especialmente no tal palno inclinado.
Um país onde se morre em cheias é, forçosamente, um país atrasado e governado por incompetentes.
Quanto a esta desgraça repetida, acho que é por estas (e por outras do género), que Portugal será sempre a Brandoa da Europa.
Todos os países acolhidos na CEE, por mais rústicos e distantes que sejam, nos passam à frente em dois/três anos no tocante a cidadania e responsabilidade e, para que não estejamos em último lugar, será necessário que entrem para a CEE o Alto Volta ou o Mauritânia.
Digo eu…
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“Um país onde se morre em cheias é, forçosamente, um país atrasado e governado por incompetentes.”
É que é desde a Inglaterra,a Alemanha, aos Estados Unidos. Deixem-se de tretas. É sempre demasiado dificil prevenir todos os erros de avaliaçao do perigo e os momentos de estupidez que acabam em tragédia.
Se for avaliar pels cheiasm, entao Portugal foi o que menos mortes e problemas ainda teve. Somos o país mais evoluido da Europa, quiça do mundo se descontarmos os países do deserto.
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só para prestar homenagem ao melhor nick que vi nos últimos tempos: mialgia de esforço. genial!
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O que o ministro disse foi que já não há problemas de ordenamento de territorio.
Que as cheias e suas consequencias eram da responsabilidade das autarquias, falando até de falta de habitos de limpeza.
Querer “interpretar” isto é usar bosta na cabeça e esperar que os outros a cheirem.
Não há contexto nenhum numa pergunta directa. Não venham com m…….O contexto é apenas a propria pergunta a que ele responde daquela maneira.
Disse o que disse e se não queria dizer aquilo bastava apenas dizer…errei… enganei-me..não me expliquei bem….
O pior disto tudo é que dizem as coisas e não as assumem e logo vem os analistas de linguagem contextual inverter os sentidos.
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Este ministro anda a plantar uma lei, em que são as camaras a fazer por ordenamento local: RAN e a Ren, vão à vida por interesse publico os presidentes de camara, j+a fazem contas como
mercieiro quanto vai facturar com as novas construções!
O Estado Novo, não escodeu os mortos das de cheias de 1968, porque mesmo que o quiza-se era impossivel. Uma aldeia com 50 pessoas, foi arrazada e arrastada pela lama, nenhum escapou!andou
nos jornais o desaparecimento de pessoas, è lerem os jornais da època na Biblioteca Nacional, e escusam de dizer parvoices.
Agora depois da liberdade ranhosa, o povo habitiou-se a mandar para dentro dos rios tudo o que não quer: automoveis, frigorificos, plastico, lixo puro e simples. Que fazer os presidentes das Juntas, das Camaras, O governo ? rigorosamente nada, isto è liberdade, tudo o que seja evitar isto È repressão!
Nunca o país tebe tanta merda à beira das estradas, nos rios,
nos campos! Portanto este Correia è um produto, de trinta anos de desleixo e de construções a despropósito onde são feitas, as
sargetas de estradas não existem, quando chove a àgua è dona e senhora! portanto continuem a suportar este tipo de governação e
serão compensados com um afogamento…………….
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Deve ser o leitão que o ministro jantava no Domingo na bairrada que devia estar poluído e fez~lhe mal ao Ordenamento Intestinal…
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Chuvas??!! Culpa do Sócrates, por certo…
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