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241 mortos em Espanha

23 Setembro, 2020

Os meios de comunicação social em todo o mundo e, claro, também os Portugueses noticiaram ontem que Espanha “contabilizou mais 241 mortes com a doença nas últimas 24 horas”.

A informação é falsa, mas não há jornalismo ou verificadores de verdade que nos valham e o medo atravessa a fronteira…

Bastaria verificar a fonte oficial (de qualidade muito duvidosa, mas mesmo assim oficial) para perceber que o dado está errado:

Ou estar atento à nota de rodapé do El País:

Em todo o caso, o melhor será talvez ver este curto filme explicando as patranhas:

O Outono

22 Setembro, 2020

Um pessimista dirá que hoje acabou o Verão; um realista dirá que chegou o Outono. Não faço ideia do que dirá um optimista porque não me dou com gente dessa. Quando penso no conceito de pensamento optimista ocorre-me sempre que se trata de uma doença, uma incapacidade mental para considerar as outras hipóteses, as que podem realmente causar problemas. Um optimista não equaciona nada: sai de casa, mete-se no carro e surpreende-se quando bate de frente contra um camião. As pessoas normais nunca se surpreendem. As pessoas normais sabem que há sempre a possibilidade de serem atropeladas ou de lhes ser diagnosticado um cancro de um dia para o outro. Assim sendo, as pessoas normais sabem que há sempre a hipótese de se proibir a movimentação de famílias entre concelhos no Natal ou, bem mais próximo, a proibição de aglomerados em cemitérios no dia 1 de Novembro. O optimista acha que é tudo temporário; já o realista – a que o optimista chama de pessimista por inconsciência do caos – sabe que é tudo permanente, nem que um dia acabe.

Se há algo que se tornou permanente nos últimos tempos, nem que parem com as restrições do “novo coronavírus” (como a pessoa-fantoche da DGS não se cansa de dizer, mesmo após mais de cento e oitenta briefings diários), é a de que aceitamos a morte em barda de velhotes sem assistência médica desde que não tenham covid–19 (ou o que quer que seja o nome da ameaça promovida incessantemente pelos média nos anos vindouros). Ou, como se diz por aqui, nos subúrbios onde não param grandes elites partidárias, que se fodam: se não tinham covid–19 é por má vontade; que tivessem e talvez tivessem sido tratados.

Circulam aí histórias de pediatras que não vêem crianças com febre sem um teste negativo para covid–19. Não sei se são verdade, mas como pessimista (eu diria realista mas preciso comunicar com a mesma linguagem que os outros), tenho a certeza que se ainda não são verdade hão-de o ser em breve. Entretanto, o país diverte-se com apoios do PM ao Vieira, com discussões sobre taxas planas de impostos e sobre se há ou não uma rota de entrada de emigrantes africanos pela Ilha de Faro. Um grupo mais restrito decide se a Ana Gomes é ou não cigana. Outros ainda entretém-se com a culpa automática do homem branco e toda a segmentação que as universidades inventaram para substituir o pecado original pela vergonha de ter nascido numa nação europeia. A maioria das pessoas que conheço dissertaria melhor sobre o assunto, mas, por algum motivo, parecem tomadas pela apatia inerente à falta de interesse real sobre o inevitável declínio do continente europeu. Como tal, fazem-me sentir um optimista, como se falando sobre isso pudesse travar algo, mudar alguma coisa. Contudo, não sou um optimista, sou um pessimista, pelo que sei que não há absolutamente mais nada a fazer a não ser esperar: mais cedo ou mais tarde, tal como o império romano recebeu de braços abertos o invasor distraído nas conversas de género, sexo, cor, raça e sei lá mais o quê da época (era com gladiadores, mas a ideia é a mesma), também nós receberemos de braços abertos e burca da DGS o invasor que nos limpe da corrupção em que caímos. Claro, também nos limpam o sebo, mas, desde que não seja por covid–19, todos sabemos que não há problema algum.

Irritam-me particularmente os partidos, grandes e pequenos, a fingirem que têm ideias. São piores do que chatos, são os chatos que os chatos promíscuos têm. São optimistas. Eu, como pessimista, tenho a dar graças estar a viver na era em que o colapso ainda não aconteceu e, como tal, ainda posso usufruir de centenas de anos de arte e literatura que esta civilização moribunda deixou. Que é o que certamente os que melhor dissertariam sobre o assunto estão a fazer, motivo pelo qual não têm tempo a perder com crónicas da fatalidade iminente.

Chegou o Outono. Ainda temos tempo até ao Inverno. Ou, como diria o bardo, it’s not dark yet but it’s getting there.

Vidas que não contam

22 Setembro, 2020

Uma portuguesa de 63 anos foi violentamente agredida num assalto à mão armada à sua residência no norte do KwaZulu-Natal, África do Sul, acabando por morrer no hospital, disse hoje o cônsul honorário de Portugal em Durban. Segundo Elias de Sousa, “vários indivíduos assaltaram a casa” da mulher, que foi violada, tendo sido transportada ainda com vida para o hospital, onde acabou por morrer. A “portuguesa de 63 anos” chamava-se Filomena Santos. As agressões de que foi vítima e a sua morte não interessam a ninguém.

 

Os tiranos fofinhos

21 Setembro, 2020

Vale a pena ler este artigo sobre os incêndios na Califórnia. Antes de começar a ler chamo a atenção para a nota final This article was published under a pseudonym as the author didn’t want to risk his job. O que diz o artigo? Que os ditos amantes da natureza a estão a destruir: «This didn’t have to happen. Once upon a time, forests in California were logged, grazed, and competently managed. It wasn’t always perfect, but generally it worked. Fires, which are a natural part of that ecosystem, were generally small — not just benign but beneficial. Land management focused on keeping the forest healthy for all involved, whether they were loggers, ranchers, fishermen, hunters, homeowners, or backpackers But then things started to change. Groups such as the Sierra Club and National Resources Defense Council began to drive a myopic agenda of protecting environmental interests at all costs. Logging was shut down. Grazing was banned. Controlled burning and undergrowth clearance were challenged and subjected to draconian regulations. Fires were put out as quickly as possible. »

Notícias para lá da agenda

21 Setembro, 2020

O mundo visto pela agenda é tão mas tão previsível que até cansa. Já se sabe que temos a notícia sobre a estupidez do Trump, a solidariedade de uma ONG com os migrantes-refugiados para lá da notabílissima prestação do nosso governo. Enfim o mundo passa ao lado desta  lusita-socialista noticiosa. Assim sendo era para lembrar  que Milla a  adolescente francesa que foi ameaçada  de morte no início deste ano por  ter escrito: «Le Coran il n’y a que de la haine là-dedans, l’islam c’est de la merde» voltou a estar sob ameaça. Reconhecida em Malta voltou a ouvir “On va te violer dans une cave», «je vais violer ta mère», «que je ne te revois pas sinon je vais t’étrangler»… Também  aconteceu um combate na Venezuela entre gente das FARC colombianas e militares venezuelanos. Sim ja se sabe que são aliados mas  a realidade é um pouco mais complexa e pode envolver os russos

Por fim, o nosso conterrâneo Luís Figo tomou-se de fúrias com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, e perguntou-lhe «¿En qué mundo vives?» a propósito do apoio do líder do Podemos à ocupação de casas

Enfim, amanhã há mais que hoje tenho mais que fazer.

O juiz português acusado e a juíza norte-americana que morreu: duas capas para a perspectiva grafico-ideológica do PÚBLICO

20 Setembro, 2020

O menino Tonecas, mestre de Cidadania e Desenvolvimento Socialistas

20 Setembro, 2020

O problema não está na disciplina mas sim naquilo em que ela se transformou num país em que um partido, o PS, se comporta como dono do Estado e faz dos serviços públicos uma extensão do seu poder  Parafraseando Elisa Ferreira e o seu inesquecível “Esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS”  esqueceram-se de vos dizer que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é do PS.

Entretanto o ministro da Educação começou com o mantra dos neo-gambuzinos ou seja dos movimentos extremistas:  Tiago Brandão Rodrigues, afirma que a Educação para a Cidadania está a ser alvo de uma instrumentalização para uma “campanha de criação de movimento extremistas”  Senhor ministro, deixe-se de tretas.

O prazer de ler

19 Setembro, 2020

O artigo do Paulo Tunhas sobre a Volta a França:  “A cena repete-se invariavelmente. Por volta das cinco da manhã entro na cozinha para fazer café e sou acolhido por uma gata que emite lancinantes protestos, algures entre o rosnar de um cão e um grito de gaivota. A mensagem é clara: Black Cats Matter. Ninguém, por mais avisado que seja, está, àquela hora, preparado para tal reivindicação sonora, mesmo que venha de uma anciã que, pelos métodos de conversão da idade dos gatos em idade humana, deve andar pelos 104 anos, e que, suspeito, anda a ler às escondidas a New Yorker, onde bebe o arsenal teórico das suas exigências. Mesmo assim, resisto ao pânico e obedeço a prioridades: o primeiro gesto é ligar a máquina de café. Só depois, com os primeiros e promissores barulhos da máquina redentora, me ajoelho, de acordo com o consagrado método Kaepernick-Pelosi, e lhe ponho a comida no prato. Segue-se alguma, sempre precária e provisória, paz. (…) Mas há boas novidades. O trauma matinal não se limita a ajudar-me a relativizar as desventuras quotidianas. Sublinha também, por contraste, os prazeres da vida. E um dos grandes prazeres que tenho por esta altura do ano é ver a Volta à França. Ao vivo, só a vi, em dose mínima, por duas vezes, com um grande intervalo de tempo: uma vez, muito miúdo, no tempo de Eddy Merckx, a outra, muito depois, durante o reinado de Lance Armstrong.

Há vida desportiva para lá da questão Costa-Benfica

18 Setembro, 2020

De um lado James Hunt em 1976, do outro Lewis Hamilton em 2020. A comparação visual foi feita por Kimi Raikkonen que desse modo deu um forte contributo para um assunto que o Blasfémias tem abordado: as espécies evoluirão sempre? A avaliar pelo que se vai vendo por aí temos dúvidas pelo menos no que à parte masculina respeita:

Esta mulher não se enxerga! Ou enxerga em demasia.

17 Setembro, 2020

Luís Rosa entrevistou a ministra da Justiça. As declarações de Francisca Van Dunem só lidas se acreditam. Por exemplo, a senhora transforma a ligação política-futebol num caso de paixão amorosa: Há uma coisa que registo com grande clareza: as paixões clubísticas acabam por ser tão ou mais intensas do que as paixões que têm por objeto outros seres humanos.

Para cúmulo vai buscar um caso da vida privada Mitterrand (sim o da célula secreta do Eliseu) para justificar o caso Costa-Benfica: Edwy Plenel, diretor do Le Monde, esteve há uns anos em Lisboa para participar numa conferência da Procuradoria-Geral da República e discutiu-se uma questão que tinha a ver com o antigo Presidente François Mitterrand — que se tinha descoberto que tinha uma filha fora do casamento. Perguntava-se: um Chefe de Estado não estava obrigado à verdade e à transparência? E o Plenel disse: essa é uma matéria de paixões e nessa matéria cada um tem direito à sua contradição íntima.

Portanto de cada vez que a justiça vier atraś de nós com aquilo dos sinais exteriores de riqueza, que violámos este ou aquele código… nós invocaremos o direito à nossa contradição íntima.

Um português foi vítima de terrorismo: o PR já contactou a família? O MNE já saiu do coma em que entrou por causa do corredor aéreo britânico? O PM já se pronunciou?…

17 Setembro, 2020

Um emigrante português foi assassinado por um terrorista na Suíça. Mais precisamente foi esfaqueado enquanto jantava por um homem que gritava “Al Akbar – Alá é Grande”. O assassino de nacionalidade turco-suíça já foi detido. Como acontece com os inúmeros autores destes actos já  estava referenciado pelos  serviços secretos pela sua paerticipação em actos violentos e, como não, sofria de perturbações psicológicas.

Em Portugal aguarda-se a opinião dos activistas do costume para saber se é aceitável indignarmo-nos ou não.  Por exemplo, o PR já contactou a família? O MNE já saiu do coma em que entrou por causa do corredor aéreo britânico? O PM já se pronunciou?…

Escusam de vir dizer que o caso ainda está em investigação e é precoce escrever que se tratou de terrorismo. Não, não é precoce. Vivemos há meses em ondas de indignações selectivas com mortes nos EUA, ondas essas essas que começam ainda o corpo do morto está no chão e já os jornais do mundo publicam os rostos, a biografia e a motivação dos autores dessas mortes. Por outro lado o destino invariável destes casos de esfaqueamentos na Europa é este: alguém mata ou fere; em seguida surge a tese do perturbado a mais das vezes com Alá mas não exclusivamente, por fim quando se sabe da motivação terrorista e/ou racista o caso já não está nas notícias.

PS. A propósito alguém ainda se lembra do ataque com faca no centro de Birmingham a 7 de Setembro? Foi só há uma semana. O autor já foi detido. Como de costume já era conhecido das autoridades e tem problemas mentais.

O mentor de Costa e a adulação dos “empresários”

16 Setembro, 2020

O mentor do primeiro-ministro apresentou ontem a versão final da “Visão Estratégica” para o País. A CIP ficou encantada e vai criar uma nova associação de vinte “personalidades”, incluindo António Costa Silva, para pensar os destinos da nação.

No programa “Ao Final do Dia” de hoje comento a propósito deste triste desfile de mediocridade das nossas supostas “elites” bem-pensantes e sua respectiva sabujice.

Link abaixo para pouco mais de três minutos de video:

“É precipitado falar de rota”, diz Governo.

16 Setembro, 2020
«Vinte e oito migrantes foram detetados a desembarcar na ilha Deserta, situada na ria Formosa (Algarve) ao início da tarde desta terça-feira (15 de setembro). De acordo com as informações recolhidas pelo DN, o grupo, cuja nacionalidade ainda não foi confirmada, está a ser acompanhado por elementos da Polícia Marítima, da GNR e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). De acordo com as informações da Polícia Marítima o grupo é constituído por 24 homens, três mulheres (uma delas grávida) e uma criança.  »
Também acho que “É precipitado falar de rota”. Eu diria que saíram de casa para ir às compras e se trocaram na sinalização.

O bom negócio foi comprar carruagens com amianto? Quanto vai custar retirar o amianto? E o tratamento dos resíduos?

15 Setembro, 2020

 

Los 18 coches del tren que comunicaba Galicia con el País Vasco retirados tras ser detectada la presencia de amianto entre su material, así como otros 33 vagones similares, serán utilizados en Portugal desde finales de año para cubrir la línea de ferrocarril del Miño entre Oporto y Valença, según señala la compañía ferroviaria lusa. Los 51 trenes fueron comprados por Comboios de Portugal a Renfe por 1,65 millones de euros tras ser descartados por la operadora española por su antigüedad, la peligrosidad surgida al encontrarse amianto en sus estructuras

Parafraseando o João Gonçalves foi a propósito desta compra que o “Guevara de alpercatas” declarou que Portugal pode ensinar “outros países a fazer bons negócios”

Zero escrúpulos, zero democracia, 100 por cento demagogia: as auditorias segundo o BE

15 Setembro, 2020

Catarina Martins numa entrevista ao expresso: “A proposta do BE é esta: não há nenhuma injeção no Novo Banco e faz-se uma auditoria com uma comissão pública com vista ao processo de denúncia do contrato com a Lone Star”.  

Como escreve Jose Miguel Roque Martins no corta-fitas: «Ficou mais claro o que já se suspeitava sobre as convicções deste ilustre partido: que as auditorias não servem para apurar o que passou. As auditorias servem para provar o que se pretende.Quando não se domina diretamente uma auditoria,  há que ir encomendando, uma atrás da outra, até a versão da realidade se ajustar ao que o Bloco pretende. Estalinismo puro. »

A sério que querem mesmo isso?

15 Setembro, 2020

E a República, senhores?

14 Setembro, 2020

Não param de me fascinar os artigos sobre o filme “Ordem Moral”  que segundo o DN é “baseado na história de Maria Adelaide Coelho da Cunha, proprietária do Diário de Notícias que foi acusada de louca aos 48 anos“.  Nem uma palavrinha sobre  o regime da época. Muito menos sobre a legislação que permitiu o internamento de Adelaide Cunha.  Aliás os políticos ali referidos são o Trump e o Bolsonaro. É um filme que acontece numa “Lisboa de 1918 tão hipócrita como castradora para as mulheres.” Então e o bafio? E o peso da maçonaria?… Vá lá não custa nada: façam a dona Maria de Medeiros e o entrevistador  o favor de fazer de conta que se estava em 1928 ou 1938 e pronto!

Por uma vez na vida façam jornalismo

13 Setembro, 2020

Dez países da UE recebem 400 crianças de Moria. Dez países da União Europeia vão receber cerca de 400 migrantes menores desacompanhados, retirados da ilha grega de Lesbos após os incêndios que destruíram o campo de Moria.

Por exemplo expliquem:

a) Donde vêm estas 400 crianças?

b) O que levou as suas famílias a deixá-las partir sós? Onde estão essas famílias?

c) Que idade têm estas crianças?

d) Como e por quem vão ser educadas? Vão ser institucionalizadas? Adoptadas?

É isso e, por exemplo, barrar o exercício da magistratura a pessoas que não pensam como nós

13 Setembro, 2020

Barrar ensino superior público a quem recuse aulas de Cidadania pode ser solução, diz magistrada. Dulce Rocha defende que a “solução para alunos de Famalicão não deve ser o chumbo”. E sugere alternativa: se irmãos chegarem aos 16 anos e decidirem que não querem que lhes sejam ministrados conteúdos de Cidadania e Desenvolvimento que estão a falhar agora barrar-lhes entrada no ensino superior público pode ser a opção, diz.

Confissão

12 Setembro, 2020

A absolvição é o processo a partir do qual humildemente lamentamos as falhas que cometemos ou que julgamos cometer. Tenho pensado muito na lista “pensamentos, palavras, actos e omissões” e apercebo-me que o meu principal pecado ocorre com o pensamento.

Quantas vezes passo por alguém na rua e dou comigo a julgar a indelicadeza de um toque no braço sem um pedido de desculpa? Felizmente, cada vez menos, porque o pensamento que me ocorre mais frequentemente é o de que, às tantas, aquele indivíduo tem um filho doente, ou morreu-lhe alguém, ou nem sabe o que vai fazer da sua vida com o desemprego.

Por isso, se entro num McDonalds e peço algo sem queijo, limito-me a sorrir quando vem com a fatia amarela lá enfiada. Eu sei lá se morreu o cão à moça. Sei lá se está ali há mais de oito horas a ouvir sempre as mesmas palavras. Sei lá se o namorado lhe deu uma tareia na noite anterior. Eu sei lá, mas presumo que sim. Olho para as pessoas e gosto delas, sejam zombies ou sejam vampiros, é tudo o mesmo.

O que eu não tolero são os “presidentes da junta”. O idiota que tem um único poder, o de carimbar ou não um papel que me dará acesso a algo importante, como uma visita hospitalar ou o desbloquear de um imbróglio sem sentido.

Há dias assisti na recepção de um hospital um homem de uma pastelaria a não conseguir entregar uma encomenda feita por uma médica. Tratava-se de médica da instituição, internada noutro serviço para se submeter a uma cirurgia. Pretendia dar um mimo aos colegas que a operariam. A justificação da recepção foi que entregariam os bolos à médica se ela estivesse lá “na qualidade” de médica, mas, como naquele momento estava lá “na qualidade” de doente, não se poderia entregar comida aos doentes. Constatei que “a qualidade” das pessoas é variável consoante as suas circunstâncias.

E assim cometi um pecado por omissão bem maior que os do pensamento: é que fiquei calado.

O incêndio de Moria não foi um desastre humanitário, foi e é um crime de fogo posto

11 Setembro, 2020

«Situado na ilha grega de Lesbos, Moria – o maior campo de refugiados da Europa e aquele que tinha piores condições, já que albergava cerca de quatro vezes mais pessoas do que a sua capacidade — sofreu vários incêndios na quarta-feira, após confrontos entre os migrantes e as autoridades gregas. O incêndio foi detetado depois de ter sido anunciado que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste para deteção da infeção da Covid-19 e que iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento. Nesse mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha pediu aos países da União Europeia para cuidarem dos migrantes atingidos pelo “desastre humanitário”

A devoção matinal

10 Setembro, 2020
  1. Fazer a tradicional notícia sobre a estupidez ou a maldade do Trump. Hoje temos o livro que «revela que Trump sabia, em fevereiro, da gravidade do vírus. Mas preferiu desvalorizar para não criar pânico» Note-se que em Janeiro-Fevereiro as mesmas notícias destinadas a provar a enorme inteligência, bondade e cultura dos nosso dirigentes, evidenciavam a contrastante estupidez do dito e mesmissimo Trump por estar a adoptar medidas restritivas aos viajantes provenientes da China por causa do vírus. Então a extraordinária inteligência e acuidade dos líderes do lado bom das notícias avisava que “a introdução de controlos fronteiriços, a interdição de viagens para determinados destinos ou o cancelamento de eventos — que, de acordo com os epidemiologistas, não têm qualquer eficácia em termos de contenção das infecções e segurança das populações.” (Ursula von der Leyen, ,Presidente da Comissão Europeia, 2 de Março); : “O risco aqui é muito baixo” ( comissário europeu para a Gestão de Crises, Janez Lenarcic)… Enfim como então gritava a esquerda espanhola nas ruas a 8 de Março “El único virus peligroso es tu machismo”, “No hay virus peor que el patriarcado” ou “El machismo sí es un virus, y no el coronavirus”. Entretanto mudaram de opinião mas terão sempre um Trump à mão para os ajudar a polir a imagem dos seus.
  2. Fazer a notícia fofinha sobre o grupo de protegidos do dia. Hoje continuamos com o campo de Moria que era uma “bomba relógio” e cujo incêndio foi “uma tragédia anunciada”. O que distingue o crime de ódio da tragédia anunciada? A identidade dos autores do crime. Só.
  3. … Isto está a tornar-se cansativo.

O jornalismo de causas

9 Setembro, 2020

O caso do genro de Francisco Louçã serve como exemplo da actual (e crescente?) duplicidade de critérios, falta de rigor profissional e submissão voluntária de muitos jornalistas a agendas de causas.

É prudente não confundir mensagem com mensageiro, mas à mulher de César, além de cuidar das aparências, conviria ser séria.

O meu video de hoje no programa “Ao Final do Dia”:

Socialismo, liberalismo, ciganismo, covidismo

9 Setembro, 2020

É com bastante frequência que escrevo sobre o quão discussões sobre -ismos são irrelevantes. Não faz qualquer diferença se isto é o socialismo, o liberalismo, o situacionismo, o comunismo ou o azeiteirismo. Compreendo que seja fácil para académicos cair nesse buraco das definições, mas para mim, um Zé Povo ligeiramente mais letrado que o típico eleitor e infinitamente mais embrutecido pela realidade de que um gajo que tem tempo para ler todos os livros não carrega baldes, tudo isso soa a diálogo de filme porno.

A histeria covideira vai originar uma de duas situações: ou as escolas começam a flexibilizar as regras imbecis (particularmente as de transformarem crianças em Darth Vaders mascarados) ou daqui a dois meses ninguém quer ouvir falar mais de Covid e as entidades de saúde poderão começar a atribuir os números de mortos da segunda vaga aos dentes partidos a médicos de família e professores inflexíveis na sarna automática de todos que não eles próprios e que serão atropelados “acidentalmente”.

Como me custa a crer que quer a classe docente, quer os médicos, seja composta maioritariamente imbecis e sim por pessoas que não só foram à praia como viram presidente e primeiro-ministro a fazer o mesmo, o mais natural parece-me ser a opção da flexibilização natural, com muito lero-lero à mistura, e umas zaragatoas enfiadas ao delegado de saúde mais zeloso (o local de enfiamento fica à escolha). Se a opção for a segunda, só vos posso desejar boa sorte, pois ides precisar.

Volto então ao tema do socialismo, do liberalismo e dos outros -ismos todos: bastou Ventura tratar Ana Gomes por cigana para demonstrar que nada disso importa. Agora, o que importa é esperar pela troika pacientemente, que eles lá dirão que -ismos não são condição necessária para esta crise que pagaremos.

O incêndio de Moria: notícias do indulgentismo

9 Setembro, 2020

O campo de refugiados ficou praticamente destruído depois de vários incêndios terem deflagrado esta madrugada, após confrontos entre os cerca de 13 mil migrantes

Ninguém pede que os responsáveis sejam rapidamente levados perante a justiça? Ninguém fala de racismo e e xenofobia? Não se entrevista nenhuma das testemunhas dessa fogos?… Só fotos da tragédia e culpabilização dos gregos, dos europeus.

Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto

9 Setembro, 2020

Concorda com a eleição indireta dos presidentes e vice-presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)?

A alteração da orgânica das CCDR que estabelece   a forma de designação do presidente e dos vice-presidentes das cinco CCDR – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve -, que até agora eram nomeados pelo Governo é um passo que se pode tornar irreversível para uma regionalização que os portugueses rejeitaram em referendo.

Portanto os candidatos devem ser confrontados com a questão da regionalização: concordam ou não concordam? O que pensam da convocatória de um novo referendo? E desta via da secretaria para  aregionalização?

Esta é a terceira pergunta. Mais uma a juntar a

1. Concorda que as expressões pai e mãe sejam substituídas na documentação oficial por Progenitor 1 e Progenitor 2?

2. É a favor ou  contra da divulgação da lista de devedores ao novo banco?

3. Concordam ou não concorda com a regionalização? O que pensa da convocatória de um novo referendo? E da  regionalização na secretaria como acontece com a  eleição indireta dos presidentes e vice-presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR)??

Breve história para-covid

8 Setembro, 2020

Na passada sexta-feira, em plena zona da Boavista, no Porto, junto de alguns dos principais hotéis da cidade e em área com excelentes acessos rodoviários, um cavalheiro teve um colapso fulminante, com paragem cardio-respiratória e foi assistido de imediato e com o esforço humanamente possível por transeuntes que passavam no local naquele exacto momento.

Vim a saber que o INEM foi primeiramente chamado às 17h20 e relatada nessa altura a gravidade e extrema urgência da situação. Mas às 17h40, 20 minutos mais tarde, dado que o socorro da ambulância não havia ainda chegado, nova chamada de socorro foi realizada. Os profissionais do INEM acabaram por chegar às 17h50 tendo aí prestado a assistência à vítima, tanto quanto se percebeu, de forma irrepreensível.

Entre a primeira chamada e a chegada da ambulância alguém também de passagem teve a feliz iniciativa de procurar ajuda junto de um polícia que se encontrava nas imediações já que se supõe ter formação e/ou experiência mínima para lidar com o sucedido. Mas este recusou deslocar-se ao local (a menos de 200m de distância) por se encontrar de guarda a um estabelecimento comercial.

Da sorte que este senhor teve não tenho notícia. Desejo que tenha recuperado e muitos anos de vida feliz e saudável possa ainda desfrutar.

Moribundo parece-me estar a gestão dos meios de assistência médica de emergência, a coordenação e comunicação entre vários serviços essenciais do Estado.

A responsabilidade política, essa, morre solteira.

E quando se pensava que já se tinha visto tudo…

7 Setembro, 2020

chega de França a notícia de um protesto de guardas-prisionais reivindicando que os presos não possam ter fritadeiras. Exactamente, em várias prisões francesas os presos têm fritadeiras ao seu dispor. Escusado será dizer que o óleo a ferver se tornou uma arma.

Agression à l’huile bouillante dans la prison de Valence : deux surveillants et un détenu brûlés

Violente agression d’un surveillant de prison, victime d’un jet d’huile dans les Bouches-du-Rhône

Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto

7 Setembro, 2020

Outra pergunta a colocar nas próximas eleições: é a favor da divulgação da lista de devedores ao novo banco? Recordo que o estado português divulga a identidade de quem deve ao fiscoe à segurança social. Portanto os candidadtos devem ser confrontados com a questão: têm os portugueses o direito de saber quem lhes deve?  Recordo que falamos de devedores como o cliente 58 que gerou perdas ao BES-Novo Banco de 904 milhões de euros.

A outra pergunta é: concorda que as expressões pai e mãe sejam substituídas na documentação oficial por Progenitor 1 e Progenitor 2?

Com um bocadinho de esforço talvez consigam escrever sobre o assunto

7 Setembro, 2020

A banalização dos esfaqueamentos em Inglaterra é um sinal da nossa alienação: os esfaqueamentos não poupam sequer as crianças. A maior parte das suas vítimas e dos seus perpetradores não são brancos. A cada novo esfaqueamento as autoridades declaram-se chocadas e anunciam ir fazer uma investigação profunda. Pouco depois acontece novo esfaqueamento e lá vêm novas declarações. Agora tivemos um esfaqueamento em Birmingham. Logo se declarou não ser de motivação terrorista mas provavelmente tratar-se de um ajuste de contas entre gangs. Também temos a indicação da escolha das vítimas ser aleatória. Como podem os gangs ajustar contas entre si através da selecção aleatória das vítimas ninguém explica.

Invariavelmente e ao contrário do que acontece noutros casos as vítimas destes crimes são mediaticamente mudas: ninguém as entrevista. Já os seus agressores são pessoas destituídas de rosto. Paulatinamente também são desprovidas de nome.

É enorme o grau de violência quotidiana a que os residentes estão sujeitos em algumas zonas de Inglaterra ou França. Em França surgem agora movimentos locais dessas populações como é o caso de “Lyon en colère” onde já se fazem “ajuste de contas” à machadada

 

 

 

Sobre o “marxismo cultural” – 3.ª e última parte

6 Setembro, 2020

Falemos então, com todas as aspas devidas, de “marxismo cultural” (3), no Observador.

Quando e porquê as crianças portuguesas passaram a ser filhas do progenitor 1 e do progenitor 2?

6 Setembro, 2020

Screenshot from 2020-09-06 12-29-29

Nas próximas eleições os candidatos devem ser confrontados com isto.

(imagem tirada daqui)

A propósito desta linguagem dita inclusiva convém ler os avisos do Tiago Picao Abreu:  o movimento da linguagem “inclusiva” alterou subtilmente palavras como “pais” por “progenitores”, “sexo” por “género”, ou “paternidade” por “parentalidade” sem que tais conceitos sejam, como se pensaria, sinónimos, pois as palavras substitutas têm significados bem diferentes das substituídas. Optar por uma identificação através do género em vez do sexo não é uma decisão inocente do Estado, é a materialização de uma agenda ideológica que contraria os mais elementares princípios científicos. E, esclareça-se já, as questões de género não se confundem de forma alguma com a orientação sexual, pois a expressão da sexualidade, seja de que âmbito for, não colide nem nega a evidência biológica de que o ser humano é criado com sexo masculino ou feminino.

Era só para lembrar que os solidários, fofinhos, idealistas, pacifistas, amigos dos animais e outras coisas que tais

6 Setembro, 2020

impediram a publicação de vários jornais em Inglaterra porque não gostam das notícias

 

Mas se o polícia for negro o poema deixa de ser poema, passa a insulto racista e aí a prisão já se justifica?

5 Setembro, 2020

Homem detido por colar cartazes com poema “ofensivo” para a PSP. Trabalho fazia parte de iniciativa cultural

Meus caros ou se admitem insultos ou não se admitem insultos. Por mim acho que se devem admitir. O que não podemos é viver neste frenesi entre os insultos que são crimes e os insultos que são arte.

Do sexo ao género: a monumental armadilha

5 Setembro, 2020

Pedro Bacelar de Vasconcelos repete várias vezes nesta declaração à Rádio Observador a expressão identidade de género. Repete-a como quem decorou uma lista de compras. Nunca explica o que tem a dita identidade de género a ver com  a defesa da Constituição, em que aliás o  único género que se pode escolher é o do trabalho. Muito menos se  percebe o que pretende o deputado com a invocação da “visão patriarcal milenar das sociedades humanas” para explicar o que entende ser a rejeição “das questões de género e de sexo”.

É o clássico misturar e baralhar de expressões como deve ser.

O primeiro passo para nos libertarmos desta patranhologia é perguntar exactamente o que se entende por género e por identidade de género. Talves depois percebamos que caímos numa monumental armadilha ao deixarmos que os direitos humanos deixassem de ser direitos dos humanos para se tornarem np glossário do activismo.

 

 

 

 

 

A nova normalidade

4 Setembro, 2020

A expressão “nova normalidade” mete-me nojo. Se é normalidade é porque é velha, refinada ao longo de muitos anos, com origem em pontos perdidos no longo tecido do tempo; se é nova não é normalidade, é uma anormalidade até que comece a parecer tão normal que de anormal já nada tem.

Parece-me que a expressão é usada pelas pessoas que desejam assegurar que esta aberração histórica se perpetue no tempo. É bem possível que o consigam. A uma dada altura da minha vida apercebi-me que só vale lutar se soubermos de antemão estarmos destinados a perder. Por outro lado, as únicas coisas pelas quais lutar valem a pena são as que menos beneficiam com um perdedor.

Se no futuro estaremos todos mortos, no passado estamos todos de máscara, o hijab laico desse culto pelo Homem Novo, o que considera tudo uma mera construção social. A sorte disto é que a normalidade, a tal “nova normalidade”, é ela própria uma construção social. Portanto, de construção social em construção social lá avançaremos para o fim da construção.

Não é então de surpreender que a “nova normalidade” seja abraçada quer pela esquerda, quer pela direita, quer por socialistas, quer por liberais, quer por conservadores, quer por revolucionários. A nova normalidade é tão normal que não restam mais que uns velhos anormais.

Olho para as pedras do muro que estão cá há mais de 100 anos. Parece-me de granito normal. Não são. São de granito da nova normalidade. Se fossem de granito normal já teriam desistido de suportar o peso que têm sobre as costas.

Foi a Inês que a pariu!

4 Setembro, 2020

Duas activistas feministas do colectivo “Capazes” (liderado pela filha do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues) estão na origem de uma acção legal interposta no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra 33 Estados europeus que consideram irresponsáveis por não combaterem as alterações climáticas.

Aquando do início deste processo os supostos requerentes eram crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos que atribuíam a culpa pelo incêndio e tragédia de Pedrógão às alterações climáticas.

Ouvi amigos meus duvidarem que pessoas de tão tenra idade tenham tido elas próprias a iniciativa, os contactos e uma atitude suficientemente estruturada para tal acção. Admito que a história possa suscitar dúvidas aos meus amigos (eventualmente com mentes perversas) sobre se as crianças estariam a ser usadas em interesses e benefícios difusos, nomeadamente de agendas ideológicas progressistas. Ou se os Pais das crianças estariam ausentes do processo e/ou teriam autorizado contactos com juristas. Esses meus amigos chegaram a questionar-me sobre se seria admissível tornar crianças requerentes formais num processo judicial a nível internacional, mas eu não soube responder. Colocaram-me um sem fim de outras questões, mas, ao contrário dos meus amigos, eu acredito que haja crianças entre os 5 e os 18 anos especialmente capazes.

Por falar em capazes, as duas raparigas da “Capazes” entram em cena em momento certeiro e a atenção e apoio que dispensam a estas crianças (minha intuição) não serão alheios aos valores de magnanimidade e voluntarismo que pelo menos uma delas terá ganho pela sua experiência de ex-dirigente da juventude socialista e formação católica no colégio S. João de Brito.

Este par de mulheres adultas são juristas e afirmam ser “voluntárias” na GLAN – Global Legal Action Network, tendo agregado esta instituição ao “sonho” e à “ideia ousada” original das crianças portuguesas entre os 5 e os 18 anos. Trabalhar junto da Comissão Europeia terá também ajudado a alavancar a dinâmica da litigância.

Mas, entretanto, adensa-se em mim algum receio de que as dúvidas dos meus amigos tenham alguma razão de ser quando fico a perceber que os promotores da iniciativa declararam em 2017 pretender angariar um financiamento de 385.000€ para pagar a peritos e juristas que ficarão responsáveis pela tramitação do caso. Ainda assim, depois de ter refletido sobre isto, concluo com alívio que a novilíngua dá maior latitude ao significado de “trabalho pro-bono” e por isso não encontro nenhuma irregularidade, ilegalidade nem sequer má-intenção. Aliás, louvo a transparência dos procedimentos e objectivos que são de consulta aberta a todos os que tiverem acesso à internet e quiserem ter o cuidado de se informar.

Com este desiderato de juntar dinheiro, esta equipa lança uma campanha de crowdfunding com uso de imagens vídeo das crianças entre os 5 e os 18 anos fazendo declarações pungentes e dramáticas sobre o cataclismo das alterações climáticas.

Curiosamente, em 2017, era um grupo de sete crianças, mas em 2020 a acção foi submetida apenas em nome de seis delas. Não sei o que terá acontecido para esta desistência do Simão.

De todo o modo, três anos volvidos, a verdade é que o processo teve pernas para andar e a acção judicial deu mesmo entrada no TEDH. Foi notícia na imprensa internacional e difundida também em Portugal por diversos órgãos de comunicação social que, aparentemente, terão reproduzido sem edição o press-release redigido para o efeito e utilizado sem questionamento o dossier de imprensa disponibilizado que incluiu nova produção fotográfica com as crianças agora entre os 8 e os 21 anos.

A entrada do processo no TEDH foi também saudada por várias pessoas em Portugal, nomeadamente um deputado socialista e, claro, a activista feminista-climática.

Uma bela história que tive o gosto de partilhar com os leitores do Blasfémias a quem aproveito para dar a boa-nova de que o mundo será salvo e de que esta acção foi a Inês que a pariu!

De cada vez que alguém falar de identidade de género experimentem perguntar-lhe: o que é o género?

4 Setembro, 2020

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) que se apresenta como  “o organismo nacional responsável pela promoção e defesa desse princípio, procurando responder às profundas alterações sociais e políticas da sociedade em matéria de cidadania e igualdade de género” revela uma norme dificuldade em definir o que é o Género.

A definição apresentada no Glossário publicado pela CIG é tão prolixa quanto enredada. O Género tornou-se naquela palavra que se repete para parecer bem mas ao certo não se sabe exactamente o que é: Género: atributos e expectativas socialmente associadas a ser-se do sexo feminino ou do sexo masculino, bem como às relações entre mulheres e homens. Estes atributos, expectativas e relações são socialmente construídos, variando consoante a sociedade e o período histórico. Assim, o género abrange um conjunto amplo de representações relativas a comportamentos que condicionam o que é esperado, permitido e valorizado numa mulher ou num homem. Na maioria das sociedades, existem diferenças e desigualdades entre mulheres e homens no que diz respeito às responsabilidades atribuídas, às atividades empreendidas, ao acesso aos recursos e ao controlo sobre os mesmos, bem como às oportunidades no acesso à tomada de decisão. O género inclui-se num contexto sociocultural mais abrangente, no qual se integram outros fatores importantes para a sua análise como a origem racial e étnica, a idade, o nível de pobreza, etc.
O conceito de género é também importante para compreender o contexto da identidade de género.

Prova de aferição

4 Setembro, 2020

Uma mulher grávida foi detida na Austrália em frente aos filhos por dizer coisas no Facebook. Talvez não fossem coisas aceitáveis, como “o capitalismo mata” ou “é preciso ir buscar o dinheiro a quem o tem”. Talvez até tenha sido algo positivo e usável na exuberância dos jovens como “polícia bom é polícia morto”. Em qualquer dos casos, parece-me uma boa oportunidade para aferir as aulas de cidadania: exponham o caso aos alunos e registem as respostas. Se a maioria dos alunos achar que foi bem presa então é porque as aulas de cidadania estão a funcionar na perfeição.

A ouvir para perceber como a ditadura dos beto-urbanos representa um triunfo da ignorância

4 Setembro, 2020

O interior, o ambiente, a agricultura, as infra-estruturas. Aqui discutidos por Henrique Pereira dos Santos e João Faria.