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Os professores têm razão

29 Janeiro, 2023

Imagine que no início da sua vida profissional – e depois de devidamente informado sobre as regalias, condições e garantias -, decidia seguir uma determinada profissão acreditando que era uma carreira promissora. Como ficaria, com o passar dos anos, assim que se desse conta que fora enganado? É assim que deve começar por analisar a eterna luta dos professores.

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Filhos da booster

27 Janeiro, 2023

O meu artigo de hoje na coluna da Oficina da Liberdade, onde assinalo o aniversário do meu internamento hospitalar por covid, reflectindo sobre decisões tomadas e retirando algumas conclusões.

Serve a minha história para demonstrar que a incapacidade de compreensão das razões de quem opta por não se ter vacinado, faz deflagrar reacções primárias autoritárias e despóticas.

Há um ano deixei o hospital depois de quinze dias internado (dez dos quais em UCI) por ter desenvolvido covid19 e complicações de sobreinfecção bacteriana e hipoxemia grave.

Por opção autónoma e informada, ponderando riscos e vantagens de acordo com a minha circunstância e segundo o meu próprio critério, decidi nunca ser injectado com produtos da Pfizer, Moderna ou Janssen. Vista hoje à distância, essa decisão foi acertadíssima e racional.

A principal razão sempre foi assente no  princípio de que a imunidade natural conferida pela infecção por covid-19 é superior e muito mais perene à eventualmente obtida pela “vacina” contra a doença. Algo que se negou durante o período de hipnose colectiva que vivemos, mas que durante muitas décadas sempre se tomou como correcto e basilar em relação a qualquer coronavírus.

Confesso ter algum orgulho em não me ter “vacinado”, simplesmente porque a chantagem que era exercida à altura pelas agências governamentais e os legisladores era pesada e de modo a que, na prática e salvo raras excepções, pouquíssimas pessoas poderiam levar uma vida minimamente normal e decente, sem sucumbirem aos ditames perversos dos tiranetes colocados em posição de poder para violarem as mais básicas e historicamente validadas regras éticas, de saúde pública e de respeito pelo ser humano.

A pressão social ilustrada na mesquinhez dos bufos, na patológica vertigem sádica dos «agentes de saúde pública», na segregação de pessoas defendida pelos bio-fascistas, e nas esdrúxulas e egoístas atitudes da esmagadora maioria da população, fez quebrar muitos não-“vacinados”, obrigando-os a resignarem-se à inoculação.

A mim, tudo isso foi indiferente para a decisão tomada. Porém, ao contrário da resistência aos abusos de poder das chamadas “autoridades”, o meu descaso dos bandos de histéricos evangelistas da ameaça da covid à sobrevivência da humanidade não teve nada de corajoso, nem constitui motivo de orgulho. A total indiferença a patetas tolhidos pelo medo foi tão só a minha reacção pessoal, natural e automática.

De igual modo, em rigorosamente nada me afectou ou abalou as dezenas de mensagens que recebi através das redes sociais de arruinados mentais desejando a minha morte, as centenas de comentários de pervertidos morais torcendo para o vírus me “dar uma lição”, as inúmeras bocas de palermas dizendo que «o Telmo pôs-se a jeito», ou, intuo, a inconfessada vontade de muitos cobardes para que eu também vergasse. Promovia-se a cegueira do comportamento de rebanho e censurava-se a divergência da norma. Pobres espíritos, tristes espécimes, fracas figuras.

A interacção de patogéneos com o nosso sistema imunitário é tão complexa e imprevisível que o que é assinalável é que, não tendo sido inoculado e estando o sars-cov-2 em circulação desde Março de 2020, tenham passado quase dois anos sem que eu contraísse doença ou sequer ficasse infectado.

Os viciados em sinalização de suposta virtude – mas sem vergonha na cara – ainda me tentaram apanhar na curva, com o derradeiro argumento de que não seria legítimo a um não-“vacinado” colocar pressão no SNS ou “roubar” camas a quem seguiu e respeitou escrupulosamente as normas do ministério da saúde. Debalde. Apesar de pagar impostos que sustentam um serviço de saúde em pantanas, mas que os infantis medricas parecem apreciar, paguei do meu bolso os cuidados privados que tive na CUF e, mesmo assim, continuo a ser roubado do meu rendimento de trabalho para manter um estado sôfrego de coleta e um rebanho de indigentes intelectuais que suportam o socialismo.

Mais do que grotescas, as normas sanitárias e de simulação de “contenção” da epidemia são já reconhecidas por um grande número de pessoas como tendo sido altamente contraproducentes. Adensa-se também a hipótese de que o excesso de mortalidade que se verifica no nosso país advenha em parte de efeitos adversos das “vacinas” contra a covid19. A opacidade (ou mesmo intenção de esconder) das autoridades de saúde no fornecimento de dados a este respeito, alimenta a ideia e a probabilidade de estarem correctos aqueles que alertam para que não se possa excluir a possibilidade de a “vacinação” massificada estar associada à percepção de escalada de casos de mortes súbitas, acréscimo insólito de pessoas com problemas cardíacos, crescente número de tumores galopantes, alterações nos ciclos menstruais das mulheres (incluindo raparigas pré-adolescentes), ou de maior frequência de abortos espontâneos. É plausível que estas “vacinas” introduzam desvios e distorções no sistema imunitário, incentivando o organismo a dar respostas específicas à covid19, mas «adormecendo-o» quanto à reacção que seria expectável contra outras agressões e doenças.

Entretanto, no corrente mês de Janeiro, a DGS, indicou «não ter encontrado evidência científica que suporte a recomendação da vacinação universal da população entre os 18 e os 49 anos», assim como acrescentou: «não há evidência científica que uma segunda dose de reforço ofereça um benefício significativo relativamente a doença grave».

Ora, sabe-se duas coisas: uma é que as complicações em caso de infecção de não-“vacinados” é sempre muito rara e, provavelmente, indiferente a profilaxias genéticas farmacológicas; outra é que a alegada protecção das vacinas se esvai muito significativamente com o passar de um relativamente curto espaço de tempo. Portanto, tendo sido useira e vezeira na desinformação e trapaça sobre a covid, e não podendo agora perder a face sob pena de descrédito total generalizado, o que a DGS está a querer dizer traduz-se em bom Português como sendo desaconselhável a vacinação de pessoas abaixo dos 50 anos.

Fosse qual fosse a recomendação da DGS, o risco da não-vacinação é, como agora reconhece explicitamente a DGS, “uma decisão individual”. Mas o politicamente correcto que asfixiava a sociedade na altura do meu internamento e até há bem pouco tempo, impunha um pensamento único sobre a questão da vacinação, incentivava um execrável clima de bufaria e repugnante delação de não-“vacinados”, determinava o cancelamento e censura de opinião livre e desalinhada e premiava patifarias moralistas com reconhecimento social.

Serve a minha história em relação às “vacinas” para demonstrar que a incapacidade de compreensão das razões de quem opta por não se ter vacinado, assim como a falta de humildade em reconhecer essas limitações, faz deflagrar reacções primárias autoritárias e despóticas por parte de quem não lida maravilhosamente com a liberdade e a essência da natureza humana. Não compreendendo o fenómeno, têm medo dos não-“vacinados” e acreditam na fábula de que o melhor é excluir e segregar pessoas saudáveis da vida em sociedade.

Que me recorde o mundo rico do hemisfério norte e as sociedades do bem-estar já não viviam uma cultura de falta de discernimento e menosprezo pelo ser humano como esta desde os tempos do aparecimento do HIV e da SIDA, lá pelos inícios da década de oitenta do século passado.

Dispenso muito, mas muito bem que me peçam desculpa. Mas o regresso a um normal convívio em sociedade impõe que, se não são capazes de sentir remorsos pela torpeza dos atentados que cometeram, pelo menos os «filhos da booster» tentem reconhecer interiormente os seus próprios erros.

Antes PS no poder, do que Chega em minoria

25 Janeiro, 2023

Do processo eleitoral na Iniciativa Liberal, resulta claro que a liderança do partido não aceitará qualquer compromisso nem acordo com o Chega para promover uma eventual solução parlamentar ou governativa para tirar o PS do poder.

Ancorado em «linhas vermelhas» imaginadas por uma elite urbana bem-pensante, entre ser útil aos portugueses para os libertar do polvo do PS ou fazer proclamações de virtude inconsequentes, a Iniciativa Liberal não hesita em escolher a segunda hipótese.

Ora, tendo o Chega tido 400 mil votos e a Iniciativa Liberal 270 mil votos nas últimas legislativas, qualquer alternativa de governo ao PS terá de passar também pelo terceiro maior partido nacional, o Chega.

Em termos de representação da vontade popular à Direita, a Iniciativa Liberal é o mais pequeno dos partidos. Além disso, a soma de todo o eleitorado à Direita é escassa (se é que é mesmo suficiente) para um projecto de poder alternativo ao PS. Portanto, enquanto a parte mais fraca numa solução ou arranjo para tirar o PS do poleiro, a Iniciativa liberal terá de arranjar maneira de se entender com o PSD, mas também com o Chega. Caso contrário, estará a beneficiar o infractor – o PS – e a condenar os Portugueses a um aprofundar do caminho socialista para o empobrecimento.

É também ridículo e, diria até antidemocrático o desprezo e exacerbado sentido de superioridade que se sente nos dirigentes da Iniciativa Liberal em relação ao que eleitorado do Chega. Compreender-se-ia alguma animosidade para com André Ventura, que é na verdade um videirinho. Mas deplorar 400 mil portugueses não parece consistente com a doutrina liberal.

Até porque a maior parte dos votantes no Chega vem do PSD e não propriamente de catacumbas de trogloditas. A Iniciativa Liberal parece continuar a dar gás à prosápia infantil da cerca sanitária ao Chega. Parecem preferir o PS no poder ao Chega em minoria. A ênfase da nova liderança da Iniciativa Liberal é agora «romper com o bipartidarismo».

Pena é que não se dediquem a romper com o socialismo.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Resumo mesmo resumido do congresso IL

23 Janeiro, 2023

Após décadas de epítetos de fascistas, ontem foi a vez dos habituais receptores de tais epítetos chamarem fascistas aos outros.

A próxima pandemia

22 Janeiro, 2023

As elites financeiras que mandam nisto tudo, não desistem. Se pensava que depois desta “palermia” – que nos destruiu literalmente a economia do país e famílias -, nos iam deixar em paz, esqueça. Não há dinheiro a perder (nem as agendas globais podem esperar) e as viroses de laboratório já demonstraram há décadas serem muito lucrativas. É como a indústria do armamento que não vive de paz e amor no mundo e tem de forçar guerras com a ajuda dos políticos para vender armamento senão vão à falência, estão a ver?

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Feminismo ESG – egocentrismo de privilegiadas

18 Janeiro, 2023

Um grupo de três serigaitas lisboetas, privilegiadas, com ligações de diversa ordem a grandes escritórios de advogados da capital, a uma dita elite de gestores de grandes empresas nacionais e até a um grupo chinês que aqui há uns anos foi condenado pela autoridade espanhola da concorrência a pagar uma coima de 23 milhões de euros num processo relativo a práticas concertadas do mercado do seu sector de actividade, lançou uma iniciativa que, se não fosse uma fantochada pegada, estas raparigas diriam que é, cito, “para conectar, organizar e promover mulheres com destacada experiência em ESG em Portugal”.

Os «princípios ESG» são, como se sabe, uma artimanha travestida de fingidas piedosas boas intenções, mas que serve apenas para dirigentes e empresas manterem privilégios à margem do livre mercado e da sã concorrência.

O lançamento público deste ridículo projecto será em início de Março e contará com, cito, uma “masterclass”, um ciclo de “talks” e uma “academy”. As meninas convidaram uma série de, cito, “embaixadores” para dar uma suposta aparência de seriedade à coisa, dizendo portanto que a sua agremiação é, cito novamente, “powered by” estes seus convidados.

Num só projecto as três espevitadas donzelas conseguem ainda a proeza de fazer a síntese de duas causas da moda: o ESG e o feminismo. Com isto revelam assim não só o ambiente grã-fino em que vivem, mas o completo desfasamento da realidade e preocupações da esmagadora maioria dos portugueses e em particular das mulheres do nosso país. Por exemplo da mulher de 41 anos com uma gravidez de 33 semanas que ainda há dias teve de fazer mais de 200 quilómetros para dar entrada num hospital e dar à luz, tudo porque o INEM encaminhou a ambulância por engano para uma urgência que estava fechada.

A alta-roda urbana portuguesa preocupada com quotas para mulheres em cargos de liderança, sustentabilidade, inclusividade, o «combate» às alterações climáticas e outras tretas que tais, não está só alucinada e alienada. É também um conjunto de pessoas com péssimas ideias, interesses perigosos, uma agenda perversa e desprovido de qualquer sentido de razoabilidade ou de humanidade.

Não me apetece fazer publicidade ao estabelecimento que as moças estão a montar para satisfação do seu próprio ego. Por isso não direi o nome da marca parola que escolherem. Dir-vos-ei apenas que as três senhoras têm apelidos Rendeiro, Khouri e Pantaleão.

Tomai juízo meninas!

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Lançamento do meu 1º livro

14 Janeiro, 2023

O dia tão esperado chegou finalmente! Depois de muitos contratempos com uma espera interminável por um prefácio que nunca chegou (isto sem sequer ter havido por parte desse indivíduo uma ponta de dignidade para pelo menos dar-me uma explicação para tal), outro atraso na revisão do livro e uma paragem de ano e meio para abraçar um projecto político, só agora foi possível proceder ao lançamento do meu PRIMEIRO livro.

Aprendi nesta longa espera que nada na vida é por acaso. Foi graças a estes percalços que atrasaram todo o processo, que entretanto conheci pessoalmente a minha querida Maria Vieira – de quem sou fã incondicional e que passei a admirar ainda mais pelo seu acérrimo combate ao sistema político corrupto que tomou conta deste país – pelo que não resisti em pedir-lhe que fosse a autora do meu prefácio. Que em boa verdade, só mesmo uma mulher de fibra, politicamente incorrecta, sem papas na língua e destemida, na qual me revejo, poderia fazê-lo tão bem!

Esta espera trouxe-me ainda dois seres maravilhosos que deram um grande contributo para a concretização deste sonho.

O lançamento será no dia 19 de Março no Soho Club em Lisboa pelas 15h30.

Espero-vos todos lá!

Ética e Escolas de Gestão

11 Janeiro, 2023

Todos assistimos pelos jornais e televisões ao desenrolar das telenovelas deprimentes envolvendo Alexandra «Quinhentos Mil» Reis e Rita «Porta Giratória» Marques.

O primeiro caso é o de Alexandra, uma senhora que andou a saltitar entre administrações de empresas públicas até aterrar na secretaria de estado do Tesouro com uma indemnização milionária indevida e calçada em sapatos Louboutin, caríssimos.

O segundo caso é o de Rita, uma senhora que veio para a praça pública de forma fanfarrona e gabarolas, na prática dizer que se estava a marimbar para o cumprimento da lei e que estava absolutamente segura de que 30 dias após deixar de ser secretária de estado do Turismo poderia tornar-se administradora de um grupo privado do sector que tutelou directamente.

A semelhança óbvia entre os casos é o amiguismo e a falta de vergonha típica dos socialistas que tratam o país como um feudo para explorar até ao tutano, em benefício próprio.

Mas faço notar outra semelhança curiosa: Rita «Porta Giratória» Marques foi diretora executiva da Porto Business School para área de MBAs e pós-graduações. Trata-se de uma escola de negócios na órbita próxima e directa da Universidade do Porto a maior universidade pública do país. Por sua vez, Alexandra «Quinhentos Mil» Reis é professora na AESE, a mais antiga escola de negócios do país e lecciona cadeiras para gestores de empresas de referência.

Ora, se a Universidade do Porto tem uma Comissão de Ética que visa “promover o cumprimento dos mais altos padrões éticos em todas as atividades da Universidade” e a AESE se apresenta como tendo um corpo docente que visa transmitir aos executivos seus alunos “valores centrados na ética e no humanismo”, o que está a falhar nestas instituições?

Em geral todas as escolas de gestão do país sucumbiram à moda dos chamados “princípios ESG” que, na prática, são mandamentos de uma seita evangelizadora e uma artimanha para dirigentes e empresas manterem privilégios à margem do livre mercado e da sã concorrência. (ver aqui e aqui, pex)

Portanto, como é que as universidades e instituições de ensino de executivos compaginam o perfil do seu corpo docente com os lirismos e sinalização de suposta virtude das bandeiras anti-capitalistas ESG que agitam?

Valeria a pena haver um escrutínio mais rigoroso sobre quem se convida para ensinar aos outros princípios éticos que os próprios docentes não praticam.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A tolice do ministério da Habitação

4 Janeiro, 2023

A criação de um ministério como resposta a uma questão social grave é uma fantasia para enganar pacóvios e uma asneira clássica dos estatistas que só aprofunda o problema. Quer faça parte do grupo dos pacóvios enganados ou do dos socialistas, como seria de esperar Marcelo acha positiva a tolice de criação de um ministério da Habitação.

A jovem Marina Gonçalves andou sempre na escolinha do PS e fez carreira na fábrica socialista de burocratas servis ao líder do partido. Experiência profissional e vivência prática no sector de actividade que agora tutela não tem nenhuma. Numa ascensão fulgurante de estagiária e dirigente da juventude socialista, foi feita ministra.

Ainda enquanto ajudante de Pedro Nuno Santos a rapariga atingiu o estrelado com a afirmação de que – e passo a citar – : «Toda a gente tem direito a viver nas zonas mais caras de Lisboa». Ora, se assim fosse, o Estado teria obrigação de assegurar que os desejos e sonhos daqueles Portugueses que quisessem mudar-se para a Lapa ou para o Chiado fossem cumpridos. O próprio António Costa tem casa na zona de Benfica com garagens que ficam inundadas quando chove com intensidade na cidade, e como quando era presidente da câmara de Lisboa chegou a arrendar uma penthouse duplex em plena Av. da Liberdade, será que ele agora terá uma conversa especial com a sua ministra para lhe providenciar habitação numa zona residencial privilegiada?

Como é evidente para qualquer pessoa com dois neurónios funcionais, um direito não é um verdadeiro direito se gerar uma obrigação para terceiros e, sobretudo, se a factura fôr paga pelos contribuintes que não vão na cantiga demagógica, parva e intrinsecamente parola da agora nova ministra da Habitação.

Como já referi noutras crónicas (pex aqui e aqui, a tragédia do sector da habitação em Portugal resulta directamente da intervenção e distorção do mercado por parte do Estado.

A acessibilidade do preço da habitação não se decreta por lei nem os custos de construção baixam através de varinhas mágicas. A jovem ministra Gonçalves, à boa maneira socialista, continuará a política de aplicação de uma brutal carga de impostos no sector e continuará a alimentar a já de si gigante burocracia e kafkiana regulamentação, afastando investimentos privados. Por seu lado as classes média e baixa continuarão sem acesso a casas que possam pagar.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Quando a Porca de Murça torce o rabo

28 Dezembro, 2022

O ano termina com sinais contraditórios para o futuro. Por um lado, Portugal continua dormente a assistir ao poço escatológico sem fundo do vazio moral e ético de António Costa e dos seus ajudantes. Por outro lado, gente digna e sábia parece ter acordado para o facto de o país ter como chefe de estado uma personagem que evidencia graves distúrbios de narcisismo e ser hoje o mais infantil e inútil presidente da república.

No caso de Alexandra «Quinhentos Mil» Reis, o ministro das Finanças fez-se de sonso num número de teatro próprio de bordel. A agora ex-secretária do Tesouro é amiga próxima da mulher de Fernando Medina e esta era na altura da decisão de atribuição da polémica indeminização directora jurídica da TAP. Ou seja, Medina dorme, literalmente, na mesma cama de quem não poderia deixar de estar a par de todos os pormenores do caso, mas o ministro quer-nos fazer crer que não sabia de nada. E nem na saída Alexandra «Quinhentos Mil» Reis do Governo Medina foi homem suficiente para em vez de solicitar à senhora que apresentasse o seu pedido de demissão, pura e simplesmente exonerar a secretária de estado.

Alexandra «Quinhentos Mil» Reis foi nomeada por Pedro Nuno Santos e Fernando Medina para tutelar a TAP sabendo ambos que estava incompatibilizada com a sua anterior chefe na empresa. Mas os ministros tentam passar a imagem de que foram apanhados de surpresa com tudo isto. Já o escritório de advogados do irmão de Marcelo esteve directamente envolvido na negociação das condições de saída da TAP, ao abrigo da qual foi executado um acordo de confidencialidade entre as partes. Mas o presidente da República quer-nos fazer crer ser mera coincidência estar a par de todos os pormenores do processo que, aliás, divulgou à comunicação social sem segredo.

Ou seja, como em qualquer regime moribundo e putrefacto, safam-se os dirigentes políticos e verdadeiros responsáveis pela bandalheira e saque do país e sacrifica-se a engenheira de penteado bizarro para proteger a imagem do chefe do governo.

Mas talvez haja esperança no meio desta fétida rebaldaria. Há quem diga verdades, não tenha medo, nem olhe a conveniências. Tomara que em 2023 muitos mais vejam nestes dois homens exemplo da dignidade e resistência de um povo contra a oligarquia parasita e sanguessuga que se instalou no país. Ora veja aqui:

Pai Natal só há um

21 Dezembro, 2022

Desde 2015 sempre na senda do progresso, do crescimento e da prosperidade.

António Costa é o Pai Natal de todos nós, louvado seja!

No vídeo abaixo, excertos de anteriores mensagens natalícias do primeiro-ministro.

As polícias políticas do PS

14 Dezembro, 2022

Portugal é aparentemente caso único na União Europeia em que a cooperação policial internacional passou para as mãos de alguém que responde e é tutelado directamente pelo primeiro-ministro.

As estruturas nacionais do Europol e da Interpol são dos principais meios de cooperação internacional ao dispor da investigação criminal da Polícia Judiciária e do Ministério Público. Ora, António Costa, com apoio unicamente do Partido Socialista, conseguiu retirar o gabinete de coordenação nacional destas polícias da alçada da PJ para a passar para a Secretaria-Geral de Segurança Interna.

Sucede que o secretário-geral é nomeado e responde directamente ao primeiro-ministro, tem um estatuto equiparado a secretário de Estado e, ao contrário do que acontecia com a PJ, não responde ao poder judicial e, portanto, não está obrigado ao segredo de justiça.

Os serviços da Interpol e da Europol tratam por exemplo da execução de mandados de detenção e de pedidos de informações fundamentais para os inquéritos criminais e gerem informações sensíveis de processos de corrupção e de outra criminalidade.

Recentemente, até o Parlamento Europeu ficou preocupado com o “risco real de interferência política ou acesso indevido de informações sobre investigações criminais em curso” tendo pedido formalmente e por escrito explicações a António Costa sobre esta moscambilha socialista.

Mas apesar do nosso Tribunal Constitucional ter entretanto que avaliado a manobra de integração das unidades nacionais da Europol e da Interpol na Secretaria-Geral de Segurança Interna como “uma opção legítima do legislador dentro da margem de constitucionalidade”, a verdade é que, politicamente, com uma ainda maior proximidade destes organismos ao primeiro-ministro, instala-se uma confusão nada saudável entre o sistema judiciário e o poder político.

Ao longo das últimas décadas, maioritariamente com governos do PS, os Portugueses ficaram escaldados com o acesso do poder político a informação relevante e  a sua influência sobre processos importantes relacionados com a criminalidade económico-financeira. Tendo agora a Europol e a Interpol dentro de “casa”, as tentações de aproveitamento por parte do gabinete do primeiro-ministro dessa circunstância serão mais do que muitas.

É pois não só legítimo como razoável atribuir ao governo de Costa a intenção de facilitar aos corredores e gabinetes do poder manobrar e condicionar a Polícia Judiciária nos seus processos de investigação de casos de corrupção e criminalidade económico-financeira.

Como se sabe, na arte político-partidária os inimigos e os incómodos são mais bem controlados e amansados se forem mantidos próximos da cadeia de comando. Alguns dirigentes terão até inconfessáveis sonhos de instaurar de novo uma polícia política.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Os Apanhados do Clima

13 Dezembro, 2022

São astutos. Perceberam muito cedo o filão da agenda do clima. Mas havia que dar um “empurrão” à Mãe Natureza que não compactua com AGENDAS políticas.

A verdade que NUNCA irá ver denunciada nas TVs generalistas avençadas dos políticos,  é que a emergência climática foi uma invenção que, sem ela, não seria possível sacrificar toda a população de um Planeta para enriquecer, ainda mais, uma dúzia de multimilionários que se julgam donos do mundo.

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Quando o ódio veste jornalismo

8 Dezembro, 2022

Havia tanto para investigar. Desde a escandalosa gestão de uma suposta “pandemia” (que já sabemos, por outros verdadeiros e corajosos jornalistas, que não o foi) à corrupção e fraudes estratosféricas que vão desde o governo às autarquias, em todos os sectores do Estado, um fartote de casos que nunca mais acabam e que deveriam estar expostos. Mas não. Nasceu o jornalismo ideológico do mainstream que não trabalha para informar, mas sim, para a formatação e angariação de militantes. Da esquerda, claro. É o marxismo cultural no seu auge, caso esteja distraído.

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ISP – a farsa que nos sai muito cara

7 Dezembro, 2022

A falta de vergonha na cara da cambada que está no governo é já conhecida de todos. Mas algumas pessoas pensavam ingenuamente que o descaramento de António Costa e dos seus ajudantes já tinha atingido um pico máximo de desfaçatez.

Longe disso! O último episódio de gozo descarado com os portugueses e demonstração de total falta de escrúpulos dos socialistas pela gente que trabalha é a nova subida do ISP, o imposto sobre produtos petrolíferos. Os incompetentes jornalistas e avençados «opinadores» do costume chamam eufemisticamente a este aumento de impostos uma “redução do desconto no ISP”.

O rufia político João Galamba que se considera a ele próprio um urbano sofisticado e moderno mas que não passa de simplório serventuário de quem lhe pode dar esmolas de pequenos poderes, ainda ensaia a narrativa de que a subida do ISP quando o preço dos combustíveis nos mercados internacionais está em baixa se justifica por razões de política energética.

Mas ao contrário do que seria a expectativa deste «sectário de estado», nem todos os portugueses são parvos e muitos já perceberam que o governo de António Costa se está a marimbar completamente para a transição energética ou a diversificação de fontes de energia. Aquilo que eles chamam de “política energética” é uma aldrabice pegada. Do que se trata é única e exclusivamente de uma política fiscal do PS, ou melhor, do característico esbulho fiscal dos socialistas.

Quando os preços dos combustíveis subiram de tal modo que os portugueses, desprevenidos, se assustaram, o governo não teve outro remédio a, contrariado, diminuir ligeiramente o imposto para acalmar os ânimos. Agora, num cenário de inflação generalizada e persistente e mesmo com uma cobrança fiscal consolidada em valores estratosféricos e extraordinários, o governo de António Costa decidiu penalizar ainda mais os portugueses porque é insaciável e irresistível a sua vontade de encher os cofres do Estado quando as pessoas já estão psicologicamente conformadas em pagar 2€ por litro de combustível e, ainda por cima, estão por estes dias distraídas com o campeonato do mundo de futebol.

Os patetas da oposição, sempre disponíveis para embarcar nas historietas sinalizadoras de virtude da necessidade de diminuição do consumo de combustíveis fósseis, ainda não perceberam que a “política energética” é uma farsa para inglês e português ver e que serve de ferramenta para o PS fazer tudo e o seu contrário conforme der jeito a cada momento. Com uma única constância e invariável certeza: o povo é que paga.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Idiotas ou defensores da liberdade?

30 Novembro, 2022

As manifestações na China contra as restrições impostas pelo governo chinês a pretexto do suposto combate à covid19 têm vindo a ser apresentadas em Portugal como eventos de grande mérito e coragem e vistos como acontecimentos louváveis em defesa da liberdade das pessoas e dos direitos humanos. Há quem faça até o paralelo com os chineses que em 1989 protestaram em massa por liberdade e democracia na Praça Tiananmen em Pequim (ver vídeo aos 35s).

Mas há um ano, em Novembro de 2021, por toda a Europa também houve protestos populares com os mesmos propósitos de lutar contra as restrições e imposições a pretexto da covid19, mas nessa altura os acontecimentos foram vistos como manifestações de negacionistas, chalupas ou idiotas. Ora veja o que dizia o ano passado o primeiro-ministro holandês, o nosso bonacheirão João Soares, ou o decano fariseu Paulo Portas no vídeo aos 2m14s.

Em 2022 as manifestações na China são virtuosas e incentivadas.

Em 2021, a comissão europeia contemporizava com a ideia de limitar manifestações e o pequeno alcoviteiro do regime Marques Mendes dizia sem nojo de si próprio ser contra a obrigatoriedade da vacinação das pessoas desde que estas se vacinassem voluntariamente. Já quem optasse por não se vacinar teria a liberdade de ser obrigatoriamente injectado a mando do estado (ver vídeo aos 3m46s)

A verdade é aborrecida de lembrar, mas enquanto se continuar a tentar reescrever a história dos últimos três anos passando um pano por cima de todos os crimes contra a liberdade, não aprenderemos nada e erros tremendos idênticos serão cometidos no futuro.

A minha crónica de hoje, completa aqui:

Václav Klaus para a Oficina da Liberdade

26 Novembro, 2022

Václav Klaus é um dos mais importantes políticos europeus desde a queda do comunismo. É Economista e Professor de Finanças. Foi presidente da República Checa de 2003 até 2013 e primeiro-ministro entre 1992 e 1997. Intelectual de reconhecida craveira internacional aceitou o convite para escrever para a coluna de opinião da Oficina da Liberdade.

Abaixo o artigo completo:


Devolvamos ao Ocidente o seu significado original

Václav Klaus

Convidado da Oficina da Liberdade

Um pré-requisito para encontrar o caminho certo para a recuperação do Ocidente é livrar-se dos nossos próprios erros e pressuposições, não culpando o mundo em nosso redor.

O 17 de Novembro é um dia importante para a República Checa. Nesse dia, há exactamente trinta e três anos, teve lugar uma manifestação estudantil originalmente pequena no centro de Praga. Os participantes, incluindo o meu filho, foram brutalmente agredidos pela polícia comunista. Esse comportamento agressivo iniciou um processo de alteração social que ficou conhecido como a “Revolução de Veludo”.

Chegou no momento certo. O comunismo já estava tão fraco que não era capaz nem estava pronto para se defender com eficácia. Digo repetidamente que o comunismo não foi derrotado. De alguma forma, derreteu.

A “Revolução de Veludo” é considerada um marco fundamental da história moderna. Tornou-se o ponto de partida da nossa caminhada em direcção à liberdade, democracia parlamentar e à economia de mercado. E no sentido de uma vida normal. Três semanas depois, fiz parte do primeiro governo pós-comunista e assumi a importante pasta de ministro das Finanças. Essa circunstância deu-me a oportunidade de preparar e organizar uma radical transformação económica, social e política do país.

Mencionar este evento histórico já quase esquecido não é sem propósito. A experiência Checa, tanto antes como depois da queda do comunismo, não deve ser esquecida ou negligenciada. Pode-se aprender muito com ela. Deve tornar-se uma lembrança presente nos nossos actuais esforços para lidar com o momento muito problemático que vivemos da história humana. Devemos estar atentos, mais do que em qualquer altura destes trinta e três anos. Estamos numa encruzilhada. De novo.

O comunismo empobreceu-nos em muitos aspectos. Privou-nos de muitas “normalidades” que os cidadãos de países livres consideram – e sempre consideraram – um dado adquirido. Vivi 60% da minha vida antes do fim do comunismo. Não foi um período curto. Foi uma perda, uma privação, um empobrecimento. Por outro lado, foi uma oportunidade de aprender muito durante essa época. A nossa visão do mundo está, portanto, mais aguçada e, sem surpresa, a nossa análise da era actual mais crítica.

Acho esta experiência particularmente relevante quando vejo o que acontece no mundo. A minha frustração de hoje começa a ser comparável aos sentimentos que experimentamos nos últimos anos do comunismo. Os sonhos e ambições que tínhamos no momento da queda do comunismo não se tornaram – para meu grande pesar – na nossa realidade de hoje. A realidade actual não é o que considerávamos uma sociedade livre. Não apenas no meu país ou na minha parte do mundo.

O que está a acontecer connosco ou em nosso redor? Tenho dúvidas quanto à adequação da frase utilizada em diversos fóruns, bem como em tantos outros textos, de que “estamos perante um mundo novo”. Um mundo novo? Agora? Em que sentido é novo? Estamos a andar para a frente ou para trás? Eventualmente, quererão os autores dessa expressão lembrar-nos que, no Ocidente, estamos a sair da era relativamente livre, tranquila e próspera das últimas décadas? Terá sido essa era um período singular, uma excepção histórica?

Não falemos de um “mundo novo”. Vamos chamar-lhe pelo nome certo. Vamos chamar-lhe mundo pós-democrático, pós-político e pós-normal. Não parece haver algo de novo. No passado a humanidade viveu muitas vezes tais situações. No entanto, pode haver agora uma diferença. Estou alarmado com a inegável perda de normalidade, racionalidade e bom senso.

Alguns de nós – eu inclusive – frequentemente usamos a famosa expressão “admirável mundo novo” de Aldous Huxley. A minha ênfase sempre foi no adjectivo “admirável”, não no qualificativo “novo”. Todos os sinais indicam que entramos numa perigosa era da instabilidade política, económica e financeira ligada à supressão da liberdade e do mercado livre. Ouso dizer que estamos agora a aproximarmo-nos de uma variante desse admirável mundo novo.

Onde surgem os principais sintomas desta nova fase? Desde logo na esfera política. Há várias décadas assistimos à evaporação das disputas político-ideológicas. Com isso, os problemas fundamentais da sociedade deixaram de ser abordados politicamente. Coincide esta particularidade com o enfraquecimento dos partidos políticos, que se tornaram nada mais do que um adorno enganoso do nosso sistema. Funcionam apenas como uma aparência de democracia. Na realidade, os interesses da maioria passaram a ser subordinados aos interesses de minorias barulhentas e agressivas, representadas por grupos arrogantes de rentismo, e não por partidos políticos. A totalidade da sociedade não é agora, por isso, nem suficientemente representada nem satisfatoriamente levada em consideração.

As clássicas disputas políticas com base em ideias claras e bem definidas, formuladas e expressas com autenticidade pelos partidos, caíram em descrédito e estão a ser substituídas por talk-shows superficiais na TV e por uma “democracia de especialistas” em que os políticos perdem a preponderância do seu papel na sociedade. As figuras públicas e os autoproclamados especialistas, assumiram essa função.

A relevância sem precedentes dos especialistas ficou visível durante a epidemia de Covid. A política, significando a avaliação de alternativas e de custos e benefícios, como resultado do seu modo de pensar, desapareceu. Não tornou o sistema mais democrático, mais amigável, nem mais eficiente. Lembra-me os anos e décadas de esforços dos ideólogos comunistas para substituir a política pela “expertocracia”.

Aquilo com que lidamos agora não é uma importação do Leste. Foi auto-fabricado no Ocidente. Foi o próprio Ocidente que abriu as portas para a migração em massa ao aceitar a ideologia do multiculturalismo. Foi o próprio Ocidente que levou a uma profunda crise energética ao promover as loucuras do ambientalismo e do Green Deal, causando a si mesmo enormes prejuízos económicos. E foi o próprio Ocidente que minou sua competitividade ao suprimir os mercados por meio de uma extensa e prejudicial regulação burocrática baseada em objectivos políticos. Um pré-requisito para encontrar o caminho certo para a recuperação do Ocidente é livrar-se dos nossos próprios erros e pressuposições, não culpando o mundo em nosso redor.

Concentremo-nos nos nossos equívocos. Não falemos de “reconfiguração de alianças na Europa”, não tentemos encontrar “novos equilíbrios”. Falemos sobre um retorno à política com conteúdo ideológico. Sobre a necessidade de um renascimento dos partidos políticos. Procuremos novos líderes políticos corajosos. Regressemos à “política política”.

Concordo que é preciso – como se costuma dizer – “reinventar a política externa”. Temos de voltar a adoptar o seu significado e conteúdo originais. A política externa deve expressar e perseguir os interesses nacionais e promovê-los procurando compromissos úteis. Como estamos a ver agora na Ucrânia, onde não há compromisso, há uma guerra. Quando não falamos uns com os outros, disparamos uns contra os outros. Todas as partes do conflito actual deveriam há muito ter começado a negociar. Não apenas os russos e os ucranianos.

Todos sabemos que a guerra não caiu do céu. Há muito tempo que está em criação. Os problemas não começaram em Fevereiro de 2022. Já em 2014, alertei para a desestabilização da Ucrânia e o crescente confronto entre o Ocidente e a Rússia. Infelizmente, o então confronto transformou-se numa guerra de grande escala com milhares de vítimas, enorme destruição de vastas regiões da Ucrânia e mudanças fundamentais na cena internacional. Culpar o agressor é fácil, mas mais difícil é conseguir ver e compreender toda a sequência dos acontecimentos que levaram a isso.

Menciona-se frequentemente o papel fundamental dos estados do sudeste europeu na expectativa da NATO e da União Europeia. Após visitar recentemente o norte da Macedónia, posso confirmar que as pessoas estão confusas e se sentem maltratadas. Os Estados da Europa de Leste não veem com bons olhos a constante condescendência do Ocidente. Estes estados têm, sem dúvida, história, cultura, religião e experiências recentes diferentes da dos europeus ocidentais e centrais. Não estão apenas geograficamente mais perto de Istambul do que de Bruxelas, mas também mental e historicamente mais próximos. Devemos estar cientes disso.


O PSD descolará do socialismo?

23 Novembro, 2022

Por estes dias muito se tem falado da especialíssima relação entre oligarquia socialista portuguesa e a oligarquia angolana, nomeadamente na facilidade com que Isabel dos Santos tomou posições nos bancos portugueses. Mas o governo socialista também acarinhou politicamente a aquisição do controlo accionista da EFACEC por parte da filha do ex-Presidente de Angola, visto na altura como a forma de salvação da empresa.

Apesar da lenga-lenga sobre o “caráter estratégico da Efacec ao serviço do desenvolvimento da indústria e do aparelho produtivo nacional” a verdade é que o mercado não teve, nem tem, a mesma opinião virtuosa que os políticos e assim a empresa acumula prejuízos na ordem dos 180 milhões de euros.

Isabel dos Santos tornou-se entretanto politicamente tóxica e o governo socialista resolveu nacionalizar a EFACEC. Apesar de o ex-ministro Siza Vieira ter anunciado diversas vezes que a reprivatização da empresa estava iminente, o processo revelou-se um fiasco monumental. O actual ministro Costa e Silva reconheceu o falhanço socialista e alertou que o Estado poderá não recuperar o dinheiro dos contribuintes que lá foi injectando. Mais, avisou recentemente que a segunda tentativa de reprivatização da Efacec que o Governo quer fazer poderá outra vez não ter resultado e, independentemente disso, que o Governo poderá mesmo torrar na empresa mais dinheiro dos impostos dos portugueses que trabalham.

António Costa pôs todos os contribuintes a pagar a manutenção de uma empresa zombie e moribunda que ninguém quer comprar e vai cavando um buraco cada vez maior à custa do nosso dinheiro.

Curiosamente, na discussão do orçamento de estado desta semana a proposta do PCP para integrar a Efacec no setor empresarial do Estado mereceu a abstenção do PSD, pelo que não se percebe se Luís Montenegro fosse governante não faria idênticas asneiras às dos socialistas.

O líder do PSD tem ainda um longo caminho para dar evidências e transmitir confiança ao eleitorado não-socialista de que um futuro governo liderado por Montenegro fará diferença significativa para as opções e prática política do PS.

O acordo que se prepara entre PSD e PS no âmbito da revisão constitucional e episódios como este do voto de abstenção à integração da Efacec no setor empresarial do Estado não ajudam a descolar o PSD de um socialismo empedernido.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A normalização da anormalidade

21 Novembro, 2022

Chama-se “agenda Woke” e está aí em força. É um movimento “progressista” que surge de décadas de formatação social para que haja uma percepção distorcida do que é certo ou errado, do que é normal ou anormal, do que é ciência ou teoria. Não tem nada a ver com aceitação, igualdade de direitos, respeito pelas diferenças. É a normalização, por imposição, do feio, do absurdo, do grotesco e das teorias sem fundamento científico com um objectivo (dissimulado) bem definido: o controlo social.

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Diga o que disser a Constituição

18 Novembro, 2022

No meu artigo de hoje para a coluna da Oficina da Liberdade no Observador escrevo sobre a perversa revisão da Constituição, usada para amnistia de responsabilidades políticas e respaldo de tiranetes:

(…)

Mas depois do contundente raspanete dos tribunais, as ratazanas políticas entendem que numa futura emergência sanitária “é preciso ter tudo bem certinho” e por isso querem fazer uma revisão da Constituição para tornar constitucional tudo o que se passou, ou seja, em vez de conformar as leis e a prática política ao cumprimento da Constituição, altera-se a Constituição existente para dar suporte legal aos actos governativos e administrativos que forem convenientes a quem está no poder.  Por isso o bastonário da Ordem dos Advogados alertou que se trata de uma “deriva muito preocupante” e o Presidente do Tribunal Constitucional uma “situação comatosa” do Estado de direito.

Tal como todos os partidos abriram no Parlamento a porta para a reinstalação da censura por via legal com a aprovação da «carta dos direitos digitais», também agora PSD e PS estão mancomunados para subverter a Constituição garantindo salvo-conduto a intromissões dos governos na liberdade das pessoas, desconsiderando direitos e garantias dos cidadãos contra abusos do Estado e conferindo enquadramento legal à possibilidade de permanente governação em estado de excepção a pretexto de emergências sanitárias. Prevê-se que o estado de emergência passe a ser declarado por burocratas ou técnicos, sem controlo e vigilância democráticas dos órgãos de soberania, quando antes era necessária uma proposta do Presidente da República, uma autorização da Assembleia da República, consulta ao Governo, e tinha duração máxima de quinze dias. A possibilidade de decreto de estado de exceção constitucional servia até agora precisamente para que o Estado não pudesse reclamar poderes que extrapolassem o âmbito de um regime democrático.

(…)

Para contornar a ilegalidade de todas as medidas políticas adoptadas com argumentário sanitário desde 2020, o PSD e o PS estão articulados para consagrar que possa ser o Governo a declarar uma emergência de saúde pública de modo unilateral, passando apenas por uma resolução do Conselho de Ministros. Isso permitiria adoptar, sob a capa de uma legalidade contrafeita, as medidas que mereceram total repúdio do Tribunal Constitucional como isolamentos, quarentenas, testagem generalizada e confinamentos preventivos baseados em conceitos vagos e falíveis de «risco», «necessidade» e «ameaça iminente» que radicariam em pareceres especulativos e preditivos de uma futura «Comissão Científica» a ser nomeada para o efeito pelo próprio Primeiro-Ministro. É um pouco como escolher o carrasco de um condenado à morte para seu advogado de defesa.

De uma assentada, a revisão constitucional que se quer fazer ilibará de responsabilidades políticas e até criminais os protagonistas de todas as decisões anteriores. Pior ainda: a Constituição deixa de ser uma defesa do cidadão perante os abusos do Estado e dos governos e passa a ser uma justificação para a sonegação dessa proteção legal de acordo com os estados de alma de quem está no poder.

O texto completo, aqui:

PSD: um partido servil de Costa

16 Novembro, 2022

A encenação do processo de revisão da Constituição é a seguinte: o PSD apresenta publicamente os traços gerais da sua proposta. Propostas essas que não têm qualquer interesse fundamental, mas que geram muito burburinho e cobertura mediática como a de redução do número de deputados no Parlamento, a risível e insensata proposta de direito de voto a partir dos 16 anos ou a de passar para mandato único a Presidência da República.

Mas é evidente para gente não distraída que as únicas propostas relevantes são as do Partido Socialista, pois a Constituição será revista na exacta medida e no exacto sentido que apetecer a António Costa. E o que o PS quer resolver são os problemas relativos à conformidade constitucional que permita aprovar uma nova «Lei de Emergência Sanitária».

A minha crónica completa está no vídeo partilhado abaixo onde a partir do 2m32s se podem apreciar declarações de soberba com respaldo de inimputabilidade ao mesmo tempo que se «aprecia» pitorescas imagens de Marcelo Rebelo de Sousa, na indelével apalhaçada marca da sua presidência:

“Queremos o Nosso Voto!”

13 Novembro, 2022

A desinformação impera por todos os media do mainstream. Não é por falta de investigação. É mesmo propositado. Há uma narrativa em construção para que você acredite que os “bolsonaristas” querem o regresso de uma ditadura por “não aceitarem a derrota eleitoral”. Nada mais FALSO. Mas, a esta falsidade, nenhum “fact cheker” fará uma verificação séria. Não é para isso que eles servem.

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Quatro «tesourinhos deprimentes»

9 Novembro, 2022

Na minha crónica-vídeo de hoje mostro excertos de quatro «tesourinhos deprimentes»: 1) Guterres possuído; 2) o genro de Louçã saudoso de trogloditas; 3) o revolucionário ambiental que se identifica como do sexo feminino e 4) a rapariga alucinada pela justiça climática.

São exemplos de como os privilegiados profetas da seita eco-extremista como Guterres deixam em agonia a juventude.

António Guterres parece possuído por alguma entidade sobrenatural tão extraordinárias são as suas profecias catastrofistas, próprias de seitas apocalípticas e não de um homem no gozo das suas faculdades. A deriva de Guterres para a nova religião eco-extremista tem-se vindo a agravar, como se comprova pela sua recente intervenção na COP27.

Estes cenários fantasmagóricos e de fim-do-mundo que habitam a mente perturbada e histérica de Guterres são aproveitados por oportunistas neo-marxistas como o genro de Francisco Louçã para, à boleia da suposta virtude de protecção do ambiente, promover o regresso da nossa sociedade à idade das cavernas.

Sucede que narrativas insanas e desumanas, criam ansiedades e disrupções mentais nos mais vulneráveis, nomeadamente nos jovens que são apanhados na sua ingenuidade e ignorância pela vertigem de ideologias grotescas e perigosas.

Os lesados das profecias apocalípticas das alterações climáticas estão moribundos, mas não sabem.
Tenhamos esperança que ainda possam ressuscitar das trevas e viver a vida como qualquer pessoa.

Os vídeos podem ser vistos, aqui:


Os 125€ do Costa

7 Novembro, 2022

Certo dia, estava no supermercado quando ouvi dois funcionários a comentarem os 125€ do Costa. A dado momento, disse um deles: “(…) bem… é pouco … mas é melhor que nada…” ao que o colega anuiu. Isto é bem representativo do nível a que chegou a sociedade durante anos consecutivos de formatação socialista: o conformismo com migalhas atiradas ao chão, quando se devia exigir de um Estado ladrão em impostos, o correspondente ao roubo.

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Caras-de-pau

3 Novembro, 2022

Sem-vergonhismo, é isto:

EFACEC: um morto-vivo pago pelos Portugueses

2 Novembro, 2022

Os socialistas andaram anos a bajular a oligarquia angolana e a seduzi-los a serem accionistas da EFACEC tendo feito tudo para facilitar a entrada de Isabel dos Santos no capital desta empresa portuguesa. Entretanto os ventos políticos e da opinião pública mudaram e, com a mesma desfaçatez, os socialistas passaram a considerar o capital angolano um activo tóxico.

Vai daí que o governo de António Costa resolveu nacionalizar a EFACEC ficando com a quota de mais de 70% que pertencia à filha do ex-presidente de Angola. Siza Vieira, que à altura era o ministro Ronaldo da Economia, engendrou uma operação absolutamente magnífica e cheia de virtudes, vista aliás pelo presidente da República como um imperativo nacional. (ver vídeo aos 1m00s)

Os mais reputados e esclarecidos comentadores e analistas da nossa praça consideravam a empresa fantástica e a decisão do governo excelente (ver vídeo aos 2m03s)

A generalidade dos partidos políticos ou aplaudiram a opção do governo ou, através do seu silêncio, concordaram tacitamente com a nacionalização. Com a excepção, reconheça-se, do ex-líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos.

Mas na verdade, à boa maneira socialista, o que o governo fez foi utilizar o dinheiro dos contribuintes para nacionalizar a EFACEC escondendo a situação económico-financeira calamitosa da empresa ao mesmo tempo que manteve em funções a equipa de gestão que conduziu a resultados desastrosos.

Há mais de dois anos que a empresa é um sorvedor de dinheiro dos portugueses, com injecções de capital por parte do Estado, garantias públicas e mais endividamento. Em 2021, a EFACEC teve um prejuízo consolidado de 184 milhões de euros e uma dívida líquida de 193 milhões de euros. Este ano a empresa já agravou o buraco.

Ao contrário da narrativa com que quiseram enganar os portugueses, a EFACEC revela-se uma empresa inviável. Mas o governo socialista não tem pudor em torrar dinheiro dos contribuintes numa empresa zombie, falida, mal gerida e sem mercado.

Entretanto o actual ministro da economia, o pseudo-poeta Prof. Lero-Lero, já se comprometeu a resolver o imbróglio criado pelos próprios socialistas que é o mesmo que dizer que a conta será paga pelos portugueses que trabalham e que continuam a ser alvo de um saque fiscal.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Outra vez arroz, Maria João?

1 Novembro, 2022

Não leio o que a Maria João Marques escreve desde que virou um camaleão político e feminista radical. Não tenho paciência. Mas às vezes tropeço em pérolas que não consigo ignorar pelas baboseiras grotescas que os ditos artigos contêm. É o caso deste que merece resposta à letra dirigido à autora:

Minha cara senhorita, começo por dizer que, se não sabe o que é ser de direita conservadora, poupe-se ao ridículo e remeta-se ao silêncio até aprender. A direita conservadora é formada por gente que defende os princípios e valores transmitidos pelos nossos pais e avós no trabalho, no respeito pela família e pelo próximo – independentemente da sua cor, religião ou etnia – e que fizeram desta sociedade aquilo que ela foi, até chegarem as “marias joãos” defensoras da parasitagem e revisionismo histórico e cultural . Caso não saiba, foram essas gerações que construíram o mundo que tínhamos antes do início da sua destruição pelo “wokismo” e que hoje a senhorita representa.

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E o PÚBLICO escolheu ser um folheto

31 Outubro, 2022

Eles é que são os presidentes da junta Liberal

26 Outubro, 2022

O deputado Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, é conhecido pelo seu apurado sentido de humor. Esta semana protagonizou um notável número de stand-up-comedy que continua em palco para os apreciadores do género.

A leitura política que se faz da saída de Cotrim de Figueiredo da liderança da IL, do imediato anúncio da candidatura de Rui Rocha, seguido do apoio público formal a Rui Rocha por parte de Cotrim de Figueiredo é a de que os dois políticos estavam e estão mancomunados e trabalharam nos bastidores à sucapa de toda a gente um arranjinho, uma maquinação de passagem de poder no partido entre amigos.

Rui Rocha apresenta-se como um futuro líder forte para disputar eleições no país, mas ao promover um cambalacho ardiloso para chegar a presidente da Iniciativa Liberal demonstrou a sua fraqueza e receio de concorrência. Assumir esta contradição é inegavelmente uma boa piada de Rui Rocha.

A tramoia entre Cotrim e Rocha torna evidente que um pequeníssimo número de pessoas na cúpula da IL se considera dono do partido, sentindo-se legitimado na tentativa de criação de um protectorado para um futuro presidente da Iniciativa Liberal em desrespeito por outros potenciais candidatos à liderança, mas sobretudo por passar um atestado de menoridade e desconfiança à generalidade dos militantes, vistos como incapazes de fazerem escolhas políticas internas acertadas. O apurado sentido de humor de Rui Rocha ficará por isso sublinhado quando vier criticar a falta de democraticidade do Bloco de Esquerda, ao mesmo tempo que na Iniciativa Liberal usa métodos estalinistas-leninistas na luta pelo poder.

O deputado da IL apresentou-se de forma supersónica como candidato ao lugar de Cotrim de Figueiredo, sem sequer ter apresentado previamente uma moção estratégica ou um programa de candidatura. Será por isso também uma gargalhada geral quando Rui Rocha acusar André Ventura de ser um arrivista de ego exacerbado, ou depreciar o Chega como um partido sem ideias e oportunista.

Intrigas palacianas com intenção de condicionar a escolha livre dos militantes para um novo líder, assim como orientar as manifestações de apoio de simpatizantes na direcção conveniente a quem sai e quer continuar a tutelar o partido é uma novela pouco aprazível a liberais.

Os ingénuos chegam agora à conclusão de que um partido liberal é, na sua essência, igual a todos os outros partidos.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

O medo

24 Outubro, 2022

Revisionismos históricos

19 Outubro, 2022

Cada vez mais pessoas despertam e se apercebem das intrujices propagandeadas a pretexto da covid19 que resultaram na calamidade do excesso de mortalidade, em vidas suspensas e num retrocesso sem paralelo das mais elementares e básicas liberdades das pessoas.

Alguns reconhecem hoje em privado que claudicaram ao medo e foram envolvidos numa vertigem alucinante de desumanidade e egoísmo. Os poucos que pediram desculpa por essa fraqueza é gente de carácter que vale a pena acolher de novo em proximidade.

Porém os dirigentes e personalidades com mais influência que manipularam a sociedade para um execrável caminho de segregação, com condicionamento psicológico e controlo comportamental, esses autoproclamados “agentes de saúde pública” estão hoje ocupados a fazer um revisionismo da história do maior e mais despudorado atentado das últimas décadas feito ao método científico, ao pensamento crítico e à liberdade.

Quais ratazanas infames e cobardes, sem remorsos de consciência procuram disfarçar a pulhice e imoralidade das suas políticas. Uma das maiores mentiras à boleia da qual se cometeram barbaridades foi a da “pandemia de não-vacinados”. Para que não se diga que tal conceito nunca foi invocado, trago aqui um registo histórico datado de Novembro de 2021 de um dos nossos mais sinistros e populares comentadores: ver vídeo abaixo aos 2m02s.

Desonestidades intelectuais deste género e patifarias ignóbeis deste calibre não merecem perdão popular. A quem se quiser manter inimputável e exonerar-se do desastre social que ajudou a promover só lhes restará a indulgência divina.

a minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Espantoso! Costa, tem razão.

12 Outubro, 2022

Há uma crítica unânime e transversal da Oposição à proposta de Orçamento de Estado que é a de que, ao contrário do que António Costa quer fazer crer, o Orçamento de Estado proposto pelo governo e apoiado pelo PS é um orçamento de austeridade.

Para o PCP e o Bloco, já se sabe, tudo o que não seja gastar a tripa forra com o dinheiro dos outros é um espartilho do progresso. Já espantoso é o facto de a nossa direitazinha, não lidar maravilhosamente com o conceito de austeridade. Esta direitazinha disfarça até muito mal o facto de, no fundo, entender a “austeridade” como algo condenável e censurável.

Ora, creio ser insuspeito de qualquer complacência, afinidade ou até respeito político por António Costa, mas neste caso não posso deixar de concordar com o primeiro-ministro: o Orçamento de Estado não é de austeridade.

Austeridade é a qualidade ou característica do que é rigoroso. É uma política de redução de gastos e de diminuição da despesa pública. Austeridade implica princípios sérios, exigentes e sóbrios na gestão do dinheiro que o Estado retirou coercivamente aos portugueses ou pediu emprestado a quem poupou.

Que fique bem claro: austeridade não é aumentar impostos, nem aumentar o montante da cobrança fiscal. Austeridade é, tão só, reduzir despesa pública. Austeridade é diminuir o Estado. Lamentavelmente, nada disto se prevê no Orçamento de Estado socialista e, por isso, António Costa tem razão: não é austeridade.

O orçamento de Estado serve para tirar à força riqueza a uns para dar a outros. O Orçamento distribui benesses por grupos de interesses e dessa forma compra apoios políticos junto do eleitorado.

Um euro de despesa pública é um euro a menos nas famílias portuguesas. A austeridade é a forma de resgatar a autonomia das famílias e colocar na órbita das escolhas e preferências das pessoas e não do Estado o uso dos recursos de que cada um dispõe e da riqueza que criou com o seu trabalho. A austeridade é a forma de responsabilizar cada um pelas suas opções, tratando os portugueses como seres adultos.

Os orçamentos de estado são a ficção de construir um mundo novo igualitário, mas que resulta, invariavelmente, em que a grande maioria de nós fique mais pobre.

A austeridade é, pois, a única via para o crescimento futuro. E não será nunca o PS a ter juízo para arrumar a casa e nos colocar numa rota de desenvolvimento.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Uma valente confusão sem grande interesse que nem me apeteceu estruturar

7 Outubro, 2022

Das Bedenklichste in unserer bedenklichen Zeit ist, dass wir noch nicht denken1.
— Martin Heidegger (1889–1976)

Os blogs estão mortos, tal como está Deus. Não há nada inerentemente mau neste princípio, só dele decorre o terror da responsabilidade individual. Durante a massa da história registada, Deus serviu o propósito de enquadramento das acções humanas. O Bem e o Mal, portanto, mesmo quando a divisória que os acantona acaba escondida pela espuma das marés dos tempos. Deus morreu quando deixou de exercer influência na definição do certo e do errado — independentemente das pessoas com fé que aderem a diferentes igrejas, é nas sociedades seculares que encontram a bússola comportamental do seu Bem e Mal. Em suma, os comportamentos são moldados por medo de condenação a pena de prisão e não por condenação à danação eterna.

Os blogs, durante algum tempo, criaram um “nós”, uma sensação de comunidade, mas essa comunidade só foi possível de sustentar através do princípio da materialização. Não há rede social ou qualquer outro formato digital que permita a manutenção de comunidade através da separação física que um ecrã proporciona. Sem a corporização das pessoas no mesmo espaço físico, enquanto pode subsistir alguma forma de comunicação, perde-se a comunidade. Os blogs morreram quando deixamos de fazer jantares. É mesmo tão simples como isso.

Comunicamos com palavras, uma ferramenta da oralidade. Diferentes línguas têm diferentes ritmos, diferentes sons, gerando diferentes musicalidades auditivas. Não existe uma relação unívoca entre uma língua e outra. Não admira que se discuta animada e apaixonadamente sobre qual das traduções de Dostoevsky melhor consegue a aproximação ao texto original.

Quando digo que os blogs estão mortos, não me refiro necessariamente ao que entendemos por blog e sim, de uma forma abrangente, a qualquer das ferramentas digitais de expressão escrita ou audiovisual à distância. Inclui tudo, seja Twitter, Facebook ou qualquer outra coisa. Isto porque não há materialização corpórea dos intervenientes. Sem as pessoas se conhecerem, sem estarem na presença uns dos outros, a comunicação torna-se fraccionada, parcial, um aglomerado de palavras sem emissão directa do ser que as profere. Uma abstracção.

Não foi por passarem a existir versões impressas acessíveis da Bíblia que se dispensou o sermão. Não é por passar a eucaristia dominical na televisão que se pode dispensar a missa presencial. “A mensagem é o meio” (McLuhan), logo a mensagem da eucaristia é a própria comunidade que se agrega na igreja. O conteúdo é o próprio evento.

No mundo digital não há eventos. Nem sequer há artigos de jornal: a mensagem é o ecrã. Artigos de jornal existiam quando a mensagem era o papel, o acto de o dobrar e de o transportar debaixo do braço, um acessório de identificação do indivíduo.

(Em The White Lotus, uma mini-série HBO, a certa altura as duas adolescentes que se apresentam como existindo sem porém viverem – uma contradição muito milenial – ironizam com o bronco sobre terem um consultor de moda para os livros que devem usar na berma da piscina).

Por isso, agora somos todos existencialistas em declarada má fé. O inferno são as outras pessoas. A democracia nem sequer existe além de um artifício ficcional (quem elegeu a Ursula von der Leyen?). Somos governados por ecrãs, por figuras ausentes, desconhecidas, que estabeleceram uma comunidade real, presencial, estabelecida por apatia da des-comunidade global, mas que se encontram fisicamente para delinear o Bem e o Mal e a consequente salvação ou danação dos súbitos, obrigados a aceitar os preceitos burocrato-divinos estabelecidos. A alternativa do inferno deixou de ser uma perspectiva tão negra como antes era.

Podemos simular uma discussão acerca dos BMW da TAP, mas tal seria irrelevante. Seriam bits e bytes dignos da Les Assassins des Fauteuils Rollents2 que comporiam parte do “the Entertainment” (Infinite Jest, David Foster Wallace) e que apenas serviriam para perpetuar a má fé de Sartre, a nossa incapacidade de assumir responsabilidade pela decisão individual de optar pelo entretenimento light perante quer a ameaça de fome extrema imposta pela neo-religião de combate ao carbono, quer a ameaça de de devastação nuclear.

Assim, perante o Geworfenheit3 (Heidegger) que o mundo me apresenta, escapando a viver em má fé, resta-me assumir a responsabilidade pelas minhas acções, sendo que estas poderão ser melhor descritas pelo filosofo americano Paul Simon:

Hello darkness, my old friend
I’ve come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence


1 Tradução mais ou menos aceitável: o maior pensamento crítico neste tempo crítico que vivemos é que nós não pensamos.

2 Seria algo como “os assassinos das cadeiras de rodas”, mas o uso de rollent em vez de roulant intui para um trocadilho com “laissez les bon temps roulez” ou “deixar os bons tempos rolarem”.

3 Conceito usado por Heidegger para descrever a condição humana de ser “atirado para o mundo”, ou seja, de não existir escolha humana para o local ou a família em que um indivíduo nasce.

4Olá escuridão, minha velha amiga / Encontramo-nos novamente / Por uma visão lentamente introduzida / Deixar semente enquanto dormia / E essa visão plantada na minha mente / Subsiste / Por entre o som do silêncio.

O caso Pizarro é bizarro

5 Outubro, 2022

O caso Pizarro é bizarro. Um ministro pode ao mesmo tempo ser sócio de uma empresa? Pode. Não pode é ser gerente dessa sociedade. É o que diz claramente a lei através do “Regime de funções por titulares de cargos políticos”. Portanto, em 9 de setembro passado, dia em que tomou posse como ministro da Saúde, Manuel Pizarro já não poderia ser gerente da sua empresa.

Se Manuel Pizarro quisesse ter cumprido a Lei, teria bastado apresentar a renúncia à gerência da empresa, comunicação essa quem nem depende de registo e que se torna efectica em apenas oito dias.

O bizarro no caso Pizarro é que o homem admite que se encontra em flagrante incompatibilidade, ou seja, foi nomeado para as funções de ministro num quadro de patente ilegalidade, mas de forma ostensiva e arrogante torna pública a sua vontade de praticar actos contrários à Lei.

Lembro que aquando da demissão de Marta Temido, António Costa disse que não havia urgência especial em substituir a ministra e por isso Pizarro teria mais do que tempo para simplesmente comunicar a sua saída dos órgãos sociais da empresa e entregar a gerência ao seu sócio ou a uma terceira pessoa. Optou conscientemente por não o fazer.

Recordo ainda quem em 2017, o ex-ministro Pedro Siza Vieira também acumulou o cargo, durante alguns meses, com o de gerente de uma empresa que detinha com a mulher. Mas ao contrário de Pizarro, na altura, Siza Vieira disse não ter consciência de que não poderia ser gerente. Acabou por se safar a ser compulsivamente demitido pelo Tribunal Administrativo, porque, entretanto, António Costa fez uma remodelação governamental e uma troca cosmética de pasta para o seu amigo Pedro, passando Siza de ministro-Adjunto para ministro-Adjunto e da Economia. Siza Vieira aproveitou-se desta “troca” e solicitou oito dias depois o arquivamento do processo.

Dantes, a baixíssima condição moral, o vazio ético e a ausência de dignidade da rede de políticos em torno de António Costa levavam a maralha socialista a fintar conflitos de interesses, incompatibilidades, nepotismo, favorecimentos, truques, fintas e malabarismos indecentes invocando de forma desavergonhada que tais práticas estavam dentro da Lei. Agora já nem isso. Mesmo que seja ilegal, quem está no poder sente-se inteiramente merecedora de regimes de excepção e privilégios.

Os idiotas inúteis do costume já vieram dizer que o caso Pizarro é menor, e que se trata de minudências sem relevância para o país, acusando os críticos de populistas e demagogos.

Mas com isto institucionaliza-se verdadeiramente uma sociedade de castas: de um lado a oligarquia e os legisladores e, do outro, o povo.

A rebaldaria e o atrevimento desta gente e em particular, agora, de Manuel Pizarro é tão grande que pela força das circunstâncias impostas pelos donos disto tudo, há que reconhecer que estamos entregues a bichos.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Foi em Setembro que te conheci

29 Setembro, 2022

Estou muito contente com o 8º anúncio da ligação em TGV entre Porto e Lisboa. Já tinha ficado muito contente com o 7º anúncio, até mais de que com o 5º anúncio, e agora este 8º teve tanto impacto positivo no meu empoderamento como pessoa como teve o 1º. Estou certo que ainda vou vibrar mais no meu íntimo com o 9º anúncio.

O TGV permitirá a ligação das duas únicas cidades que interessam no país em 75 minutos, uma melhoria significativa em relação aos 170 minutos de agora. Na realidade, uma melhoria de exactamente 95 minutos. Se agora a ligação custa 37,35€, portanto 21,97 cêntimos por minuto, decerto que custará em alta velocidade algo como 16,47€. Se um indivíduo num carro a gasóleo poluente dos que gasta 7 litros a cada 100 km tiver a indecente ideia de se deslocar por uma das duas (ainda esperamos a terceira, que há-de vir, pelo menos em anúncio) autoestradas completamente fundamentais (à altura, agora já não são ecologicamente desejadas) para o desenvolvimento económico do universo lusitano, com portagens, acabaria a gastar 22,40 em portagem e 22 litros de gasóleo, o que, de acordo aqui com a bomba do local em que vivo, seriam só 1,834€/litro, ou seja 40€. Por 62,40€ um comum poluidor burguês chega a Lisboa quando poderia usar o baratíssimo e hipster comboio por apenas 37,35€. Claro, há a hipótese do poluidor ser um membro de um casal com filhos e aí o carro continuaria a custar 62,40€ face aos 74,70€ do comboio lento (e supondo que os filhos não pagam, o que pode até acontecer se, por exemplo, ficarem em casa enquanto os pais vão ver as luzes de Natal à grande metropole). Quando o comboio custar 16,47€, não só a viagem será muito mais rápida como até os filhos poderão ir ver os deputados da nação e ainda outras atracções do jardim zoológico.

Por isso mesmo estou entusiasmado e vejo com excelentes olhos as medidas de poupança de energia a bem do nosso planeta. Vale bem a pena passar um bocado de frio ou uma pequena amputação por esta causa. Vale bem a pena desligar a iluminação pública na hora mais propícia a violações, até porque é necessário assegurar a privacidade dos envolvidos e a não discriminação dos trans. Vale bem a pena construir-se mais uma ponte sobre o Douro para assegurar que a viagem demora 75 e não 76 minutos. Vale bem a pena passar um bocado de fome ou escorbuto para cumprir com o desígnio mundial de lutarmos todos pela paz e pela democracia até ao último ucraniano.

Em último lugar, quero agradecer pessoalmente ao governo pelos 125 euros. Tenho a certeza que todos os portugueses poderão viver uma vida mais folgada com este incentivo à felicidade e subsistência do planeta. Espero que a devastação nuclear ocorra só depois de os podermos usar numa festa de arromba.

Guterres, profeta do apocalipse

28 Setembro, 2022

António Guterres é um político que deslustra Portugal. O homem é, como se sabe, politicamente pantanoso que tenta disfarçar a sua falta de decisão e deserto de ideias com discursos palavrosos, redondos, de pura baboseira. Neste aspecto Guterres é em tudo igual ao seu amigo Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso infantil e narcisista presidente da república. Com uma diferença: enquanto ninguém fora do nosso país tem de gramar as atitudes e comentários atolambados de “Narciso” Rebelo de Sousa, sendo secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, expõe internacionalmente o circo de personalidades que brotam em Portugal.

Após tantos anos em Nova Iorque, Guterres poderia pelo menos minimizar o nosso embaraço de o ver discursar na ONU tendo aulas de pronúncia de Inglês, mas o bonacheirão nem a isso se dá ao trabalho. Pior: o seu sotaque ridículo e confrangedor também se nota em Espanhol (ver vídeo que acompanha este post)

Para além disso, o bondoso e alegre Guterres que conhecíamos deu lugar a um dos mais alarmistas profetas do fim do mundo, e ao contrário do que se esperaria nas suas actuais funções, está exclusivamente dedicado a espalhar ansiedade e promover o medo na sociedade.

No vídeo cujo link se deixa abaixo vemo-lo falar em “mares perigosos”, “inverno de descontentamento”, de um “planeta a arder” e de uma “crise que ameaça a humanidade” e coloca em causa a sobrevivência do nosso planeta. Depois repete que o “planeta está a arder” e dá conta da inutilidade da ONU e do seu trabalho porquanto considera que as convulsões sociais são “inevitáveis” e que um conflito (presume-se uma guerra) está próxima. Guterres assusta o mundo dizendo que vivemos “uma guerra suicida contra a Natureza” e, catastrofista, que a humanidade enfrentará um desastre climático. Depois o ex-chefe dos socialistas nascido no Fundão transforma-se em meteorologista encartado e diz que desde a Idade Média as temperaturas nunca estiveram tão altas. Como se não bastasse o deboche cómico desta afirmação, previne e sobressalta os povos para a sua terrível constatação de que “ainda não vimos nada”…

Com asneiras deste calibre é provável que os estrangeiros sejam levados a crer que os portugueses são uma cambada de pírulas dados a achaques apocalípticos. E não estão errados.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A pimbalhada das TVs nacionais

21 Setembro, 2022

No ambiente cultural progressista e ateísta que vivemos, não deixa de ser curioso que na última dúzia de dias a propósito da morte da Rainha Isabel II, bateram-se records de audiências com cerimónias religiosas, múltiplas manifestações de fé, inúmeros discursos com dimensão espiritual e simbólica, exibições de cânticos e música sacra ou expressões diversas de crença na vida para além da morte.

Porém, os canais de televisão portugueses puseram mais uma vez em evidência a péssima qualidade do jornalismo nacional e triste e trágica deplorável vertigem dos nossos media para tudo nivelar por baixo até à mais rasteira pimbalhada.

O pequeno exemplo de como as televisões cobriram a derradeira, mais intimista e pungente cerimónia em Windsor do baixar do caixão da Rainha para a cripta da igreja acompanhado do lamento em gaita de foles tocado pelo Gaiteiro real, basta para ilustrar a cretinice e a selvajaria das transmissões em directo da RTP, da SIC ou da CNN. (ver vídeo a partir do 1m23s)

Clara de Sousa sobrepôs a este momento marcante observações idiotas sobre carros-vassoura e lixeiros, o pivô da CNN Portugal põe uma insignificante especialista em protocolo a falar por cima da despedida musical e António Esteves chama um especialista para dizer o que era auto-evidência pelas imagens.

A solenidade e dignidade do momento poderia e deveria ter sido respeitada com o silêncio absoluto dos jornalistas, tal como assim fez a SkyNews. (ver vídeo a partir do 3m06s)

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Isabel II

14 Setembro, 2022

Os muitos e justos tributos, homenagens e cerimónias evocativas de Isabel II têm sido uma boa ocasião para recordar o espírito de serviço, dignidade e inteligência com que durante 70 anos a Rainha manteve não só funções de chefe de estado como assumiu com humildade, seriedade e honra o peso de representação dos povos do Reino Unido e da sua história. Tornou-se um símbolo, um elo de continuidade e um referencial de exigência na modernização das respectivas nações.

Quem se atreva a comparar a sorte dos britânicos com a realidade da hierarquia política em Portugal não pode deixar de sentir tristeza pelo imenso abismo moral, de gravitas e até de bom gosto existente entre Isabel II e a generalidade dos matarruanos que têm ocupado os mais altos cargos no nosso país.

Em 2022 é repulsivo o contraste com um presidente da república que troca de cuecas em directo na televisão. O constante comportamento de criancinha mimada e traquinas de Marcelo, sempre ansioso de ser amado por todos, opõe-se de forma marcante à forma natural e genuína com que o povo britânico admirava e se sentia próximo da sua reservada e contida monarca.

A forma mal-arranjada, sobranceira e quase boçal das intervenções públicas de António Costa ou a altivez e insinuações maliciosas de Augusto Santos Silva são também uma colossal diferença para a educação, serenidade e galhardia de qualquer comentário de Isabel II.

Apesar da sua incontinência verbal e da sua condição de picareta falante da república, Marcelo Rebelo de Sousa nunca disse algo de substancial, rigoroso nem sequer acertado. Ao invés disso, a moderação, cautela e até o silêncio da Rainha sempre foram fundamentais e sábios.

Os portugueses parecem contentes com o estilo histriónico, frívolo e vácuo dos nossos políticos. O luto silencioso a que assistimos no Reino Unido por estes dias está reservado apenas a povos que se dão ao respeito.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Empacotados

7 Setembro, 2022

O PSD e a Iniciativa Liberal são tão pascácios que, mais uma vez, caíram como miudinhas das escolas secundárias nos jogos de sedução e engano do velho político António Costa. PSD e IL – partidos da esquerda moderada – comentaram a apresentação do embrulho de medidas do governo a pretexto da inflação com conversas parvas típicas de adolescentes com dor de cotovelo por o PS ter aproveitado ideias que a oposição já antes tinha sugerido.

E assim, a reacção inicial do PSD e da Iniciativa Liberal foi a de o pacote já vir tarde. Não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão e, por isso, a imagem que colou aos discursos destes partidos foi a do atraso das medidas.

Costa, experiente e hábil na manipulação, nem sequer precisou de responder aos ingénuos opositores para colher os louros de ser visto pela generalidade da opinião pública como sendo um primeiro-ministro que, pelo menos, está a tentar «fazer algo» contra a inflação. E, como diz o povo: “Mais vale tarde do que nunca”.

Pior ainda: o PSD e Iniciativa Liberal ajudaram também a caucionar e consolidar a tremenda falsidade de que a inflação é uma variável externa e alheia à responsabilidade do governo. Esta gente é tão inábil e politicamente tão incompetente que é triste que a maior e mais descarada mentira que António Costa disse na sua comunicação ao país de segunda-feira passada tenha passado incólume e sem que a oposição tenha desmascarado a torpe patranha: «Consequência da pandemia e, sobretudo, da guerra da Rússia contra a Ucrânia, temos vindo a sofrer um brutal aumento da inflação.» (ver vídeo aos 2m00s)

O aumento dos preços é consequência direta das políticas monetárias expansionistas aclamadas pelos políticos, com injecções sucessivas de liquidez no mercado e manutenção de taxas de juro artificialmente baixas. Por outro lado, como desde bem cedo em 2020 se tem vindo a alertar nestas crónicas, a inflação resulta também das prácticas criminosas dos governos com o fecho de actividades económicas, confinamentos e restrições a pretexto da alucinação colectiva com a covid19. Assim como o aumento da dívida pública e a distribuição de dinheiro através de bazucas só serviram para aumentar os danos económicos infligidos à generalidade dos portugueses.

Em vez de irem para o recreio brincar com o PS, teria bastado ao PSD e à Iniciativa Liberal dizer aos Portugueses que para compensar a perda de rendimento das pessoas provocada por políticas públicas desastrosas e erros do governo, seria bem melhor baixar a taxa de IRS com efeitos imediatos nas retenções na fonte em vez da fantochada de remendos contraproducentes que António Costa propôs.

O governo de António Costa não está a dar nenhum apoio aos Portugueses. Quando muito estaria a repor e a devolver parte do produto de um roubo via impostos. Mas nem isso. É apenas um embuste que procura resolver o problema da inflação com mais das suas causas.

O socialismo gera inflação. E o governo quer mais socialismo.

Um lindo serviço…

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Adeus, Marta

31 Agosto, 2022

A continuação de Marta Temido no governo era perfeitamente sustentável e até previsível. Ao contrário do que ouço muitos comentadores e responsáveis partidários dizerem, a irresponsável pela pasta da saúde tinha todas as condições políticas para continuar no governo. Desde que António Costa assim quisesse.

Temido não era sequer uma ajudante do primeiro-ministro, mas apenas uma mera submissa bajuladora de António Costa que cumpria acriticamente, mas de forma atabalhoada, as ordens do seu chefe em relação às políticas a adoptar. Ou seja: enquanto não sucumbisse a um destrambelhamento incontrolável, serviria perfeitamente o propósito de António Costa de a utilizar como saco de pancada e escudo político.

Os sevandijas socialistas protegem tanto António Costa que um dos seus mais hábeis capachos políticos é destacado para, sem qualquer vergonha na cara, fazer declarações mendazes como esta (ver vídeo ao 1m13s).

Se há situação que colocou em evidência as erradas, prejudiciais e lesivas políticas deste governo para a saúde dos portugueses foi a histeria e hipnose colectivas com a covid19.

O caos e ruína em que o PS tem deixado o serviço nacional de saúde não preocupa António Costa desde que se consiga desresponsabilizar do sucedido. Tal como aquando dos incêndios de Pedrógão, António Costa também se está a marimbar politicamente para a morte de Portugueses à conta da incúria e falhas do Estado. Uma linha vermelha que ele admite para outros, mas não para ele próprio. Ora veja aqui (ver vídeo ao 2m50s).

O governo socialista foi eleito com maioria absoluta, a oposição continua entretida com o seu umbigo e o presidente da república é um cúmplice obediente a António Costa.

Desejo por isso a todos os seguidores deste blog boa sorte e que Deus nos proteja.