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Para Portugal o desmembramento da Espanha não é uma boa notícia

26 Setembro, 2017

Não acredito que o governo da Catalunha tenha pretendido realizar já um referendo definitivo. Pretendeu sim mostrar que em Espanha não é possível realizar esse referendo – e esse objectivo foi conseguido – e desse modo pressionar e condicionar Madrid numa futura negociação que terá inevitavelmente de acontecer.

Para Portugal o desmembramento da Espanha não é uma boa notícia: não só será difícil evitar sermos arrastados para o torvelinho de tensões que sacode e sacudirá o estado espanhol e os estados em que ele se pode desmembrar como deixaremos de ser um dos dois únicos estados da Península Ibérica. Ou seja perderemos importância e ganhamos problemas. Como é óbvio não sendo do nosso interesse a secessão da Espanha (e pessoalmente eu ter a convicção que para Lisboa, Madrid é um interlocutor mais fiável que Barcelona), cabe-nos respeitar as decisões que forem livremente tomadas pelos diferentes povos daquele país, coisa que por agora está adiada.

 

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Pois, mas destes abusos sexuais inconvenientes ninguém fala

25 Setembro, 2017

No meio das piadas sobre indivíduos com orgasmos em perna alheia entre paragens de autocarro, corremos o risco de desvalorizarmos algo muito sério que acontece nos transportes públicos das nossas cidades. Sim, é engraçado pensar que alguém do clã Ferro Rodrigues tenha alguma vez entrado num autocarro ou numa entrevista de emprego, mas não devemos esquecer que há pessoas que já entraram e que algumas chegaram a ser vítimas de agressão sexual perante a passividade dos restantes passageiros. Aproveitemos esta oportunidade para nos insurgirmos contra esta badalhoquice, que o debate sobre a eutanásia não vingou e isto é muito aborrecido sem assuntos para tratar e já há dois dias que nenhum muçulmano ateia uma mulher em chamas.

O meu irmão é gay, mas prefere ser considerado como “um valente paneleiro”, um dos 56 géneros reconhecidos pela ciência actual. Há coisa de dois anos, estava o Jorjão muito bem sentado no autocarro, de pernas bem abertas para que nenhuma velha malcheirosa se sentasse a seu lado, eis que chega uma gaja mesmo muito boa e que ele, obviamente, considerou repugnante. Mini-saia pelo umbigo, blusa transparente amarrada ao nível da saia e saltos altos bicudos que em muito superavam em amplitude a unha de tirar cera do ouvido do meu irmão; foram estes preparos, em conjunto com a atitude provocadora de quem carrega um livro de Dalton Trevisan, prémio Camões 2012, que fizeram soar os alarmes do Jorjão. Perante a passividade dos restantes passageiros, incluindo a velha que ia de pé ao lado do assento do meu irmão, a gaja começa a urinar na maior para cima dele. O Jorjão gritou um “****-**!” e a gaja parou, não sei bem como, presumo apenas muitas horas de treino muscular, perguntando-lhe:

— Tu não és o Joaquim?
— Não, sou o Jorjão.
— Então desculpa que foi engano.

Bem, aquilo parecia um sketch dos Gato Fedorento na altura em que se podia fazer piadas de cariz sexual, incluindo piadas com maricas; portanto, um sketch do século passado. O Jorjão ficou indignado, até porque nem tinha levado o impermeável que usa para meter em cima do colchão para este tipo de actividade com os amigos.

Enfim, que fizeram os outros passageiros? Riram! Bolas, é para isto que andamos a criar uma rede transeuropeia de transportes? É para isto que vamos construir vinte novas estações de metro? Que gente é esta que se ri do meu irmão, ali, todo urinado por pessoa de sexo diferente? Ele ficou ensopado e, neste dia em concreto, tinha sítio para onde ir: fora convidado para o programa da tarde, na SIC, para apresentar o seu livro de dicas de maquilhagem para pessoas com pilosidade abundante e nem pode ir nem nada. Conclusão: o livro não vendeu nada de jeito, ainda se riram dele e nem o caso vem nos livros e artigos que ilustram os inúmeros casos de assédio fetichista que ocorrem nos nossos transportes públicos.

Devemos reflectir nisto.

Portuguese President De Sousa making political declarations in Luanda

25 Setembro, 2017

Não imagine, não

25 Setembro, 2017

Sugere o João Gonçalves que imaginemos:por momentos que, em plena guerra colonial, as Forças Armadas no terreno eram dirigidas pelas criaturas que presentemente as chefiam.” É melhor não imaginarmos.

O meu Plano para a Geração “Nem-Nem”

25 Setembro, 2017

O Governo criou um programa para a geração dos “nem-nem” ou seja aqueles miúdos barbudos com idade para ter juízo e responsabilidade que nem querem saber de estudos nem de trabalho. Muito bem. Ora parece que este programa vai dar 700 euros mensais a estas criaturas que deverão desenvolver um projecto de empreendedorismo que a ser seleccionado, permitirá aceder a um apoio de 10 mil euros para iniciar um negócio próprio. Ou seja, o governo que gosta de começar as casas pelos telhados com o dinheiro dos outros não entende que encontrou nesta fórmula apenas mais um impulso retardador, financiado, para que este “jovens peludos” continuem a  gozar seu precioso tempo livre à conta dos papás. Não funciona.

Para resolver o problema desta “juventude” temos de ir ao fundo da questão e isso, ninguém quer porque dá muito trabalho e responsabiliza todos aqueles que querem ver sua culpa sacudida: a família e o Estado.

A família é o pilar da educação. É de tenra idade que se ensina a ter objectivos e responsabilidades, princípios básicos da vida em valores com os quais o indivíduo crescerá. São as primeiras ferramentas. Com estas bases sólidas ingressa depois para a escola que lhe dará outros conhecimentos que irão complementar essas bases e farão dele um cidadão capaz de integrar o mercado de trabalho.

Ora o problema está quando ambas instituições se demitem do seu papel. Os pais educam os filhos como pequenos príncipes onde tudo lhes é garantido sem qualquer esforço nem mérito. São suprimidas todas as adversidades porque não os querem frustrar dizendo  “sim” a quase todos os desejos  para não os “traumatizar”. Na escola, não se ensina cidadania nem se prepara o indivíduo profissionalmente. Debita-se sim, um extenso programa curricular que é preciso cumprir a toda a força. Resultado: homens e mulheres que acabam o secundário (alguns nem isso) sem saberem lutar na vida, alheios completamente ao que se passa no Mundo. Crianças grandes impreparadas, mimadas e ignorantes que só pensam em ter muitos likes no facebook, instagram e concorrer à Casa dos Segredos.

É preciso tomar consciência que foi a sociedade que criou os “nem-nem” e terá que ser a sociedade a reverter este longo processo. Porque eles não são mais do que um produto das sociedades ditas socialistas que promovem o laxismo. Estudar por exemplo nunca foi tão fácil. Já se pode passar de ano com 7 negativas. Nem é preciso ser-se bom aluno, agora,  para entrar nas universidades onde já se entra com  médias também negativas. Deixou de haver excelência. Exigência. Qualquer um pode ser doutor mesmo que não tenha jeito nenhum. Por outro lado, subsidia-se tudo e mais alguma coisa o que reduz o esforço colectivo. Para quê matar-me a procurar trabalho se posso estar em casa a receber salário mínimo? Porque razão hei-de aceitar um trabalho dito menor se posso ter subsídio até ter o emprego ideal? É isto. E sem alterar toda a estrutura que leva ao laxismo, pouco adianta criar programas para o empreendedorismo porque só empreende a quem lhe foi incutida de pequenino essa habilidade, em casa e na escola. Não nasce com o indivíduo. Estimula-se e desenvolve-se.

A mim, como mãe, este assunto não me preocupa de todo. Sei que nunca vou ter filhos “nem-nem”. A primeira já com 31, está em Londres a trabalhar na área dela com distinção. A do meio, está completamente focada no objectivo de acabar o 12º ano, ser trabalhador-estudante e independente a partir dos 18. O segredo destes meus jovens cá de casa está na forma como os eduquei desde o berço. Sem lhes privar do essencial, sempre souberam que tudo o que era supérfluo tinha de ser conquistado por eles com o esforço deles. Nunca me preocupei em não frustrá-los com “nãos” porque eles fazem parte da vida. Logo cedinho, foram estimulados a trabalhar em casa ou nas férias da escola para comprar os ténis de marca (dos outros nunca houve falta), dinheiro para concertos ou simplesmente para fazer poupanças. Sempre souberam que o dinheiro não nasce das árvores. Que sem esforço não se alcança objectivos. Sempre foram estimulados para serem adultos pró-activos de excelência. Aprenderam cedo a serem responsáveis pelas suas tarefas que tinham de cumprir escrupulosamente. O mérito era sempre compensado. Já o laxismo, castigado. Mesmo com as falhas na escola que não cumpre nem de longe seu papel (não por culpa dos professores, mas sim, do Estado), só com a educação de casa, tornaram-se indivíduos capazes de enfrentar as adversidades da vida sem culpar os outros por isso. Mas podiam ser ainda muito melhores.

O meu plano para os “Nem-Nem” começa por alterar toda a educação de base nas famílias e nas escolas. Essa é a prioridade. Porque sem isso pouco adianta este ou outros programas do género. Durarão apenas até o dinheiro do subsídio acabar sem qualquer resultado prático.

Porque a geração “Nem-Nem” só existe porque a estimulamos. É o produto da ineficácia da sociedade em construir cidadãos responsáveis.

 

 

 

 

 

O costume

24 Setembro, 2017

Pronto, lá veio o resultado que confirma a subida da extrema-direita na Alemanha. A cada eleição num país europeu é isto: vai ou não subir a extrema-direita? Em seguida dá-se como adquirido que a extrema-direita pode subir. E por fim que subiu. Naturalmente por causa das questões da imigração e dos refugiados que a dita extrema-direita (é unânime) trata com demagogia. Vão desculpar mas isto começa a ser ridículo.

Subestimar a realidade nunca deu bom resultado. Por exemplo, quantas vezes terão lido os eleitores alemães notícias semelhantes a estas: Porque fogem os refugiados de Portugal? Cerca de 20% dos refugiados acolhidos acabaram por sair, a maioria para a Alemanha. Estava-se em 2016. A 11 de Fevereiro de 2017 sabia-se que tinham desaparecido mais de 200 dos refugiados que Portugal acolhera ao abrigo do acordo da União Europeia. Em Abril este número passou para 400…

Contas feitas, 40 % dos refugiados que tinham vindo para Portugal optara por deixar o nosso país. Muitos terão pago a traficantes para os levarem para outros países. A maior parte daqueles que tomam esta opção são homens sós mas já desapareceram famílias inteiras: “Portugal é uma ponte para a Europa que eles querem” declarava ao Expresso o responsável de uma associação que se ocupa da integração dos refugiados ao abrigo do Plano Municipal de Acolhimento da Câmara de Lisboa, cidade que se encheu de cartazes a acolher refugiados mas donde pelo menos metade dos ditos refugiados partiram, sem grande demora.

Destino assim cantado

24 Setembro, 2017