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«a menina dança?»

20 Fevereiro, 2018
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– Só se o senhor não puser as mãos onde não deve.

-Ai, isso é que já não posso prometer: um homem não é de ferro.

-Então, está bem.

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boa tarde!

20 Fevereiro, 2018
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Não, filho, não terás o computador

20 Fevereiro, 2018

Querido filho,

Venho, desta forma, responder à questão que levantaste durante o agradável jantar em família de ontem. Apreciei devidamente a proposta e, de acordo com que determinei com a mãe, pretendo comunicar-te de forma clara os motivos da nossa decisão. Como poderás antecipar, esta conclusão nada tem a ver com falta de reconhecimento do mérito da tua pretensão, a de ganhares dinheiro para comprares o computador desejado, porém, é minha obrigação paternal comunicar-te, nos termos legais apropriados à tua idade, que a requisição foi indeferida: não poderás ter o computador. Eis os motivos pelos quais não podes montar a barraquinha de limonada e bolo caseiro:

Ocupação da via pública – Uma barraquinha de limonada e bolo caseiro necessita de licença camarária para ocupação da via pública, mesmo que essa ocupação ocorra sem qualquer disrupção do seu habitual usufruto.

Falta de licença de venda de produtos alimentares – Bolo caseiro e limonada, independentemente das condições de máxima higiene com que são confeccionados, são produtos alimentares que necessitam da aprovação da entidade reguladora. A consequência pela falta de tal licença implicaria pesada multa pela ASAE e encerramento da barraquinha.

Impossibilidade de trabalho aos 11 anos – Apesar do teu avô ter trabalhado numa pedreira quando acabou a 4ª classe, isso aconteceu no tempo em que o Estado exigia às pessoas que trabalhassem para terem algum dinheiro. Hoje em dia, tal não é necessário, daí que seja proibido. És obrigado a frequentar o ensino obrigatório até teres 18 anos ou até matares alguém, evento esse que permite acederes ao rendimento mínimo e deixares a escola (não me perguntes porquê, são as regras). Eu sei que era só nas férias de Verão, mas essas terão que ser ocupadas a ver a RTP ou as Tardes da Rita.

Falta de aval arquitectónico e falta de licença de obras – Montar uma barraquinha exige perícia que só um funcionário autárquico está em condições de verificar. E se fica uma lasca na madeira?

Falta de seguro contra acidentes – Se fica uma lasca na madeira e alguém se pica, serás obrigado a indemnizar toda a gente (primeiro o Estado, depois a autarquia, por fim a vítima).

Trabalho sem descontos para a segurança social – A sociedade também quer um computador. Reformados também precisam do Mozilla Firefox para o YouPorn. Executares uma tarefa e não gastares mais de 1/5 do total na protecção para a reforma, aquela que nunca receberás, é altamente injusto para o contrato geracional (ou gestacional, não sei bem).

Impossibilidade de cobrar IVA – Vais vender limonada e bolo caseiro sem factura, perpetuando esses mamões que andam aí a não entregar o devido ao Estado? Que tipo de cidadão és tu? Que andas a aprender em Formação Cívica?

Não declarar rendimentos – Vais ganhar dinheirinho à grande e à francesa para entregar todo à Worten, uma subsidiária de grupos com holdings na Holanda? É para entregar todo o dinheirinho ao estrangeiro? E achas que tudo o que recebes é teu, mesmo que te facultemos os ingredientes para o bolo e os limões para a limonada, que não deves IRS? É com pessoas como tu, grandes devedores ao fisco, que este país não saí do sítio.

Insegurança social – Vais fazer os teus pais parecerem maus pais, como se te levassem à Supernanny ou assim? Que tipo de pais deixam os filhos à exposição pública que é vender limonada? Queres que a protecção de menores te leve? Que leve a tua irmã? (Não respondas a está última).

Assim, é com mais do que razão que lamentamos informar que não terás um computador.

Cordialmente,

Papá

Congresso do PSD em duas palavras

19 Fevereiro, 2018

Adeusinho, Passos.

A análise mais relevante que pode ser feita do congresso do PSD é a de que Pedro Adão e Silva gostou do discurso de Rui Rio. No momento em que isto é verbalizado, torna-se evidente que o congresso não tem qualquer história ou discurso de relevo e serviu apenas como o piquenique enfadonho com que se despacha o funcionário chato para a reforma. Milhares de linhas foram escritas em jornais — a maioria dos quais que ninguém lê —, quando “adeusinho, Passos” chegava e sobrava.

É por possuir este banalíssimo poder de síntese que os leitores do Blasfémias gostam de mim.

Não Ofenda as “Formiguinhas”, Senhor Marques Mendes!

19 Fevereiro, 2018

 

Devia haver um organismo que responsabilizasse os comentadores de televisão pelos absurdos e mentiras que dizem. Desinformar nos média e usá-los para propaganda devia ser crime num país democrático. É inadmissível ver pessoas como Marques Mendes a usar o espaço nobre para induzir em erro os cidadãos que, muitos deles, por serem iletrados, vão dar crédito às opiniões que vende na SIC.

Já não é a primeira vez que como cidadã me zango com este senhor. Mas ontem à noite, saltou-me a tampa de vez pelo descaramento. Então não é que segundo este “ilustre” senhor do PSD, a propósito do período antes da geringonça e pós geringonça, foi dizer que “no antes” havia claramente uma divisão entre os “partidos das formiguinhas” que poupam e controlam despesa com os “partidos das cigarras” que prometem e gastam. Mas que hoje, Costa, concentra em si o prémio de conseguir sozinho estas duas!!! Brincamos com os portugueses, é isso? Como pode Marques Mendes sequer atrever-se a fazer esta afirmação completamente falsa, quando sabemos todos (os cidadãos bem informados) que este governo  é uma afronta às “formigas” REAIS deste país!!  

Um governo que gastou MUITO MAIS do que tinha disponível ao reverter medidas de forma totalmente irresponsável que fizeram disparar a dívida pública. Um Governo que para sobreviver a este aumento de despesa carregou nos impostos colocando-nos aos níveis do tempo  da Troika. Um Governo que para apresentar em Bruxelas um “lindo défice”, CATIVOU toda despesa pública como não há memória.  Um Governo que martelou contas nos Orçamentos de Estado sem entregar toda a informação necessária à UTAO como é seu dever, para prolongar no tempo o embuste das contas equilibradas. Um Governo que não criou uma única medida estrutural sendo pois o crescimento  económico agora verificado apenas mérito de medidas implementadas por outros cujos efeitos se verificam agora e da conjuntura externa. Um Governo que vende mentiras que nos vão ficar muito caras sempre que diz que o país está melhor, que os rendimentos aumentaram, que a austeridade acabou.

Formiguinhas??? Não!!! São cigarras profissionais que cantam, dançam, gastam e mentem enquanto o BCE anda a comprar dívida soberana,  enquanto a conjuntura externa é favorável, sem qualquer responsabilidade com o amanhã, não acautelando o futuro dos portugueses que pouco lhes importa. Porque se no futuro afundarmos, haverá sempre boas mentiras bem estudadas para desculpar esta governação danosa,  sem qualquer escrúpulos.

Dizer o contrário aos portugueses é não ter respeito por quem paga impostos neste país, é gozar com a nossa cara sempre que abrem a boca.

E isso deveria ser crime.

 

Dão-se alvíssaras a quem perceber isto

18 Fevereiro, 2018

Os Dois Rios

18 Fevereiro, 2018
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De todas as cidades onde tive o privilégio de trabalhar – mais de 30 em 3 continentes – há poucas em que a minha experiência seja tão diferente da percepção geral como Khartoum, a capital do Sudão. Para além de muitas outras coisas, Khartoum é a cidade onde confluem os dois Nilos: o chamado Nilo Azul e o Nilo Branco. O Nilo Branco na verdade é azul, límpido e transparente. O Nilo Azul na verdade é castanho porque ao longo dos últimos quilómetros do curso vai acumulando terra agrícola, dejectos e esgoto. Os rios são de tal forma diferentes que na sua confluência dá para perceber exactamente a água que vem de um ou de outro (como podem ver na imagem).

Neste PSD também aparecem dois Rios. Há o Rio dos discursos, que parece ter uma ideia clara e acertada do que quer para o país. Discursos que poderiam ser retirados, linha por linha, de um discurso de Passos Coelho. O discurso de encerramento foi dos mais estruturados e bem pensados que alguma vez se viu não só no PSD, mas em todos os partidos. Tocou nos pontos certos, conseguindo ser mais realista do que muitos elementos da chamada nova geração que, talvez pelo deslumbramento de se querer afirmar moderna, parece viver num Mundo diferente do país velho e falido que o PSD um dia terá de governar. Neste Rio seria fácil votar. Mas depois há um outro Rio: o Rio que escolhe aqueles que o acompanham. O Rio dos caciques, do homem da mala, da Elina Fraga e de todos os outros que me escuso de comentar por não ter dinheiro nem tempo para passar em tribunais. O Rio que mais parece uma versão ressequida de José Sócrates. Este Rio é o pior inimigo possível, não só do PSD, mas também do país. O país aguenta ter um partido socialista, dominado por interesses e susceptível à corrupção, desde que exista uma alternativa para o socorrer. Este Rio que foi coleccionando o esgoto do partido na sua subida ao poder é o Rio que manterá o PSD dividido e perdedor. É o Rio que retira a alternativa ao país, obrigando-o a escolher entre as caras que o assaltarão e não entre visões para o país.

Em Khartoum, a merda acumulada no Nilo Azul eventualmente dissolve-se e o Nilo, já unido, segue forte e limpo até ao Egipto. Sobre o outro Rio tenho menos certezas. O futuro o dirá.