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Onde Estão os Hipócritas Defensores dos Direitos Humanos?

19 Janeiro, 2018

Há um silêncio ensurdecedor à volta do que se passa na Venezuela. A começar pela comunicação social, essa aliada do governo em ofuscar, omitir ou atenuar tudo o que possa beliscar quem manda agora neste país. Eles que não nos poupam com o Trump seja porque bebeu água com as duas mãos, seja por causa de uns exames médicos que fez, seja por umas calinadas linguísticas, aqui tudo é importante escrutinar TODOS OS DIAS (tudo que não seja positivo, claro) sobre esta criatura. E a Venezuela com mais de 500 mil luso-descendentes a morrer à fome, miséria, opressão, não interessa? Onde estão agora, também, os intelectuais e os políticos que tinham em Maduro uma referência política? Ficaram mudos porquê? Estes portugueses não interessam a ninguém?

A Venezuela está a ser assassinada por um louco que mata a economia apesar de ser um grande produtor de petróleo (mas que ironia), provocando escassez severa de alimentos com uma inflação de mais de 2,300%. Que mata opositores entre eles Oscar Perez. Que mata o povo por falta de assistência médica. Que mata crianças por falta de comida. Um louco fanático que para não reconhecer o fracasso das suas políticas de esquerda rejeita apoio internacional. Mas um louco com lucidez suficiente para desarmar a população e aceitar ajuda de Cuba com milícias da sua tropa de elite, as “Vespas Negras “, para oprimir movimentos populares usando qualquer método dissuasivo como tortura ou morte. Com lucidez suficiente para comprar pessoas com caixas de comida barata para assegurar votos sob coação e manter-se eternamente no poder (não sei o que isto me lembra).

Entretanto há 31 milhões de pessoas desesperadas para sobreviver à morte certa. Fugas em massa com quilómetros de fila para a Colômbia, assaltos a supermercados e armazéns de comida, apedrejamento de vacas em propriedades privadas para matar a fome, a comerem do lixo, a comerem alimento para cães com a ONU a observar, observar, observar… que é o que de melhor sabe fazer. Observar. No meio deste observatório todo, marca debates, uns atrás dos outros, e vejam só até houve lugar a elogios ao esforço da Venezuela ao introduzir uma série de medidas em linha com as que foram recomendadas por Alfred de Zayas,( especialista independente da ONU para a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa), para melhorar a distribuição de alimentos e medicamentos. Está-se mesmo a ver o esforço de Maduro. Até lhe sinto o suor daqui… Francamente!

A História já nos demonstrou que com loucos tem de haver uma acção drástica por parte da Comunidade Internacional para resgatar os povos da morte e não esta hipocrisia monumental do “faz de conta que não é assim tão grave”. Lembram-se do holocausto nazi? Enquanto decorria quem conseguiu escapar denunciou a chacina. Revelou os campos de concentração. Que fizeram os aliados? No imediato, nada. Só dois anos e meio depois. Porque se o tivessem feito, muitas vidas teriam sido poupadas. Factos.

Nem mesmo com as evidências todas de uma nação literalmente a morrer de fome (veja aqui) a Comunidade Internacional se mexe para acudir a esta catástrofe humanitária. Onde andam os histéricos defensores dos direitos do homem? Não andam. Sumiram.

Quem sabe se isto fosse antes um caso de pseudo assédio de artistas de Hollywood ou uma manifestação contra Trump ou alguém a manifestar-se contra a islamização da Europa, a agitação não fosse maior e aí já teria destaque no “prime time” televisivo. A toda a hora.

Quem sabe.

 

 

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Quem é que no aparelho activista está a precisar de casa no centro de Lisboa?

19 Janeiro, 2018

Cem casas no centro de Lisboa para quem não pode pagar renda
O título é bonito, o palavreado da senhora vereadora é decalcado da cartilha. fala-se de despejos que “Atingem maioritariamente pessoas com baixos rendimentos e idade elevada, que não têm capacidade para encontrar habitações que possam pagar e ficam assim sem capacidade para permanecer nos territórios onde subsistem as suas raízes e rede comunitária
Mas nada disto bate certo.
1) Quais e quantas pessoas são essas “com baixos rendimentos e idade elevada” ameaçadas de despejos? Ninguém sabe e a CML não apresenta números.
2) Em seguida temos a questão dos propriamente ditos  despejos das pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada”. Ora acontece que  os inquilinos com rendas antigas, mais de 65 anos ou deficiência igual ou superior a 60% e carências financeiras têm um período transitório de dez anos contado a partir do momento em que o inquilino respondeu formalmente ao senhorio sobre a proposta de aumento de renda.

Como é óbvio não estão a acontecer despejos mas sim saídas negociadas porque despejar alguém com mais de 65 anos e baixos rendimentos é quase impossível:

*Os inquilinos com menos de 65 anos, mas que comprovem ter carências financeiras têm um período transitório de oito anos. Têm ainda mais cinco anos em que se mantém o contrato, sendo que a renda não pode ir além de um quinze avos do valor fiscal do imóvel

*Se o inquilino tiver de ser despejado por causa de obras que custem 25% do valor patrimonial do edifício, o senhorio terá de pagar dois anos de renda ao inquilino.

*Tem carências financeiras uma família cujo RABC é inferior a 38.990 euros por ano, ou seja, 3.250 euros por mês.

Em conclusão, os despejos de pessoas “com baixos rendimentos e idade elevada” são uma história muito mal contada.  Em nome da transparência é fundamental perceber quem vai viver nestas casas.

Estereotipar é humano

19 Janeiro, 2018

Ao longo da minha vida, como acontece com toda a gente, fui aprendendo a compartimentar pessoas em estereótipos, que, por muito superficiais e consequentemente caricaturais que sejam, me permitem determinar os limites e os tabus de uma conversa. Por exemplo, o estereótipos como o tipo activista dos costumes que sobe na horizontal (com o qual “bom dia” tanto pode ser uma violação como uma cortesia pela noite anterior), o tipo filho de pedófilo que compensa demasiado encontrando vítimas ficcionais entre estações, o tipo mulher-na-menopausa que pinta quadros fraquinhos numa vivenda algarvia e que lamenta os casos #MeToo mas por despeito de ter perdido a graça, enfim, categorias perfeitamente normais que toda a gente usa.

Ultimamente tenho pensado numa dessas categorias, a do deficiente mental a quem se pergunta opinião sobre sinistros rodoviários e que apresenta como solução a redução do limite de velocidade para 30 km/h. É verdade que é necessário “dar mais tempo a quem precisa”, mas também é verdade que é fundamental dar mais multas a quem as pode esbanjar a “acabar com a austeridade”.

Esta manhã, tentei durante uns minutos não exceder os 30 km/h. Foi difícil, em parte porque o carro – pequeno utilitário de baixa cilindrada, 9 anos de idade, barulhos de plásticos que adicionam poliritmos à simplicidade rítmica da pop comercial – desenvolve naturalmente de forma mais eficiente que a mula que transporta os cidadãos da tal categoria estereotipada; em parte porque a octogenária do carro de trás me gritou “destrava essa merda, ó capado”.

Como bom cidadão que sou, já mandei remover duas velas ao motor e estou ansioso por poder queimar gasolina prego a fundo para combater o arrefecimento global. Vós, os rebeldes, pagai lá a multa por uma questão de princípio tão estúpida como chegar ao trabalho ainda hoje.

Não descruzarás as pernas, bitch

18 Janeiro, 2018

Se eu fosse uma daquelas pessoas que tende a saber exactamente as motivações de alguém, diria que o texto do Henrique Raposo é motivado por uma preocupação pessoal com o bem-estar (agora diz-se bem-tar) das suas filhas. Como não sou, limito-me a dizer que o considero, quer ética, quer moralmente, tão erradamente desprovido de moral humana como quando foi tornado em regra pelo código criminal da União Soviética, com pena até três anos pela posse e distribuição de pornografia. Não é de somenos que o Partido Comunista Português seja, para grande infelicidade dos três solitários conservadores-liberais portugueses, a grande referência nacional do conservadorismo.

A certa altura, o Henrique diz que “não somos macacos à deriva num universo darwinista”. Sinto-me atingido. É precisamente isso que somos enquanto o acasalamento, e Deus nos livre que assim deixe de ser, for motivado por instinto e não por minucioso data mining de base de dados genética. Durante milénios, nós, os homens, soubemos procurar visualmente as ancas que nos providenciariam maior probabilidade de reprodução e elas, as mulheres, souberam guardar o poder da procriação para o macaquinho que aparente possuir melhores genes. Não é um método infalível, mas é — e talvez mesmo por essa falibilidade — inegavelmente humano. A espécie preserva-se assim: o mais forte e a mais atraente têm probabilidade superior a gerar filhos que assegurem posterior reprodução na geração seguinte. Sobre sermos macacos darwinistas nem se trata dizer que estamos conversados, trata-se de estarmos conversados desde o início dos tempos.

Porém, como já muitas pessoas salientaram, na generalização do homem como besta sem filtros e travões, coisa que nem os cães são (que não faltam cadelas capazes de dar valentes cargas de porradinha da velha ao cachorro desinteressante mais atrevido), o Henrique diz o seguinte:

O movimento #MeToo tornou-se imparável e a sua principal consequência será a revisão dos códigos morais e sexuais que herdámos da revolução sexual dos anos 60.

A primeira parte é verdade: é imparável, pelo menos até dar de trombas com a parede; a segunda parte é que não: os códigos morais e sexuais herdados da revolução sexual dos anos 60 não serão revistos, serão sim temporariamente metidos dentro das quatro paredes (e dos WhatsApp, e dos Instagrams, e dos milhares de recantos naturais e artificiais por esses caminhos de Portugal) enquanto não se tem a certeza absoluta de um potencial parceiro não ser um maluquinho dos que não percebe que a cada #MeToo só se obtém um futuro #NoSoupForYou.

Como também tenho filhos, um de cada sexo, e como isso parece dar-me automaticamente a posição de catedrático na matéria, acrescento que nunca ensinei (adenda: nem ensinarei) a rapariga a “cruzar as pernas”, a “não abusar do decote e da saia” e a “não se expressar através do corpo”. Porém, ensinei aos dois que é particularmente bonito partir o nariz a quem tem dificuldade a perceber que as mulheres não são para serem domadas, quer pelos que lhes ensinam a cruzarem as pernas, quer pelos que vêem em pernas descruzadas uma oportunidade para extravasarem a sua má rês, ambas sintomas da vontade de alguns por controlo dos outros.

 

É proibido fazer notícias sobre a violência na Suécia?

18 Janeiro, 2018

Deve ser porque apesarde naquele país agora explodirem granadas nas esquadras não se encontra quase referência ao assunto: Police station rocked by huge explosion – area on lockdown after ‘hand grenade attack’

 

Geringoncês

17 Janeiro, 2018

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Medina quer reavaliar consenso fiscal em Lisboa

TRADUÇÃO: Medina quer aumentar carga fiscal em Lisboa

DECLARAÇÃO REDONDA E FELIZ COMO É HABITUAL:Presidente da Câmara de Lisboa diz que este é sexto ano de impostos baixos na cidade, mas que existe um contexto novo que leva à necessidade de reflectir sobre política fiscal.

TRADUÇÃO: Como a Taxa de Protecção Civil foi chumbada e a CML vai ter de a devolver o Presidente da Câmara de Lisboa quer ir buscar o dinheiro a outro lado

Das vantagens de pagar ao Nogueira & Associados para não falarem de fome à hora do telejornal

17 Janeiro, 2018

A APAV, em parceria com a Intercampus, voltou a aplicar em 2017 o inquérito que já tinha realizado em 2012 sobre “Criminalidade e Insegurança”, em que questionou os portugueses sobre o “sentimento de segurança” face à zona residencial e aos bens pessoais, sobre o “sentimento de segurança em termos pessoais” e a “experiência pessoal nos últimos 12 meses”.

Os dados divulgados esta quarta-feira, que resultam de 600 entrevistas feitas entre 24 de outubro e 11 de novembro a pessoas com 15 ou mais anos, residentes em Portugal continental, indicam “uma tendência para a expressão de um menor sentimento de insegurança por parte da amostra, quando comparados com os resultados obtidos em 2012”.

Como uma das explicações para o aumento do sentimento de segurança dos portugueses, Carmen Rasquete [secretária-geral da APAV] apontou o facto de haver “mais paz social neste momento”.

A responsável lembrou que em 2012 estava-se “no centro da crise económica” e “existia muito o sentimento de negativismo, de pessimismo quanto ao futuro, não só em questões de criminalidade como em questões pessoais”, relacionadas com a “insegurança sobre o futuro e a própria vida”.