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Vamos separar as crianças das famílias?

22 Julho, 2018

O Público visitou o Centro de Instalação Temporária (CIT), no Aeroporto de Lisboa, onde encontrou uma criança de três anos que ali está há um mês e meio, juntamente com a família oriunda do Norte de África. Marido e mulher têm dormido em camaratas distintas e a menina dorme num colchão no chão, junto à mãe — esse espaço é partilhado por mais quatro mulheres.

As crianças requerentes de asilo devem ser, uma vez chegadas a solo português, encaminhadas para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP) — estejam ou não acompanhadas

Tendo em conta tudo o que está internacionalmente convencionado mais o fervilhante activismo:

a) as crianças devem seguir sós para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

b) as crianças devem seguir com as mães para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

c) as crianças devem seguir com a mãe e o pai para  a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

d) as crianças devem seguir com o pai para a  Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)

e) as crianças devem seguir com quem as trouxe para a a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados

VERSÃO ANOTADA PELOS LEITORES

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É que nem quaaludes são tão bons nisto

22 Julho, 2018

A Geringonça é a invenção mais útil desde o sabão em barra. Desde que a inovadora monstruosidade exibiu a sua carantonha, o país evoluiu da ignóbil situação de velhos que morrem sozinhos e de crianças esfomeadas em escolas para a possível morte colectiva, comunal, de quem quiser passear pelo “interior profundo”, a saber – e desta vez –, algures numa auto-estrada na zona de Palmela. Desta vez, contudo, ninguém morreu, pelo menos que se saiba, a julgar pelas capas de jornal, que, em vez de maçadores destaques sobre inversão de marcha em auto-estrada a distâncias metropolitanas de Lisboa, optam por coisas mais importantes como deputados não irem de férias para Portalegre. Melhor que a invenção da Geringonça só mesmo a da metaqualona.

Será a isto que se chama direito ao esquecimento?

22 Julho, 2018

António Filipe,  Janeiro de 2014 a propósito da privatização dos estaleiros de Viana do Castelo: “Nós entendemos que a indústria naval é necessária ao nosso País e rejeitamos totalmente a decisão política do Governo de liquidar a construção naval em Portugal. Garantias de que os Estaleiros Navais de Viana continuarão a fazer construção naval não há nenhumas. Zero garantias de que a empresa poderá continuar a fazer aquilo que sempre soube fazer.“

Nos afamados serviços privados de saúde frequentados pelo deputado comunista António Filipe  existem certamente consultas para a perda de memória. Ma se não for esse o caso o senhor deputado terá de se desenvencilhar no centro de saúde da sua residência e entre a consulta de urgência mais a espera por uma desistência e a marcação no médico de família para daqui a dois meses deve conseguir que alguém o trate de tão grave problema. Até lá pode ir tomandomemofante-forte-30-capsulas

E que tal um serviço nacional de alojamento local?

22 Julho, 2018

O que não é Estado é cada vez mais visto como uma anomalia. Um desvio. Uma malformação que há que corrigir e controlar, na impossibilidade de erradicar como prova a recente legislação sobre alojamento local. Vale a pena escalpelizarmos o que agora foi aprovado no parlamento sobre o alojamento local pois o que aí está nesse tropel de medidas é o retrato de um governo acantonado no Estado

O Porto bem vivo!

21 Julho, 2018

Ligo o rádio e ouço sempre a mesma coisa. Algumas canções boas, destruídas pelo limitador dinâmico da rádio, outras destruídas à partida pela hiper-compressão durante a produção do master, mas, essencialmente, a rádio transmite um monte de trampa que serve apenas o propósito de torturar cérebros que se querem acordados durante a condução. Posso sempre mudar para a TSF, se quiser ouvir trampa de outro género (os especialistas diriam tratar-se de spoken word, mas, apesar de montes de spoken, raramente ouço alguma word com interesse). Mantenho laboriosas playlists nos dispositivos móveis, incluindo alguns álbuns essenciais de ponta a ponta, e é assim que normalmente vivo, sem interferência da rádio, tanto calhando em sorte um “These Arms of Mine” de Otis Redding como um “Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours)” de Stevie Wonder; tanto um “Forgiving You Was Easy” de Willie Nelson como um “Substitute” dos The Who; tanto um “Truck Stop Girl” dos Little Feat como um “Glad” dos Traffic; tanto um “This Is Me Leaving You” de Mary Chapin Carpenter (com o extremo bom gosto da guitarra do saudoso John Jennings) como um “Fill Me Up” de Shawn Colvin; tanto “I Wanna Be Your Lover” de Prince como um “I Love L.A.” de Randy Newman; tanto um “Hang Down Your Head” de Tom Waits como um “Funerais” de António Pinho Vargas; tanto um “Os Bravos” de José Afonso como um “A Candle’s Fire” dos Beirut. Não fosse a música digital e o mix-‘n’-match de mixtapes digitais, estaria completamente estúpido pela rádio. Dito isto, é raro encontrar, desde o início do século, um álbum que me apeteça ouvir de ponta-a-ponta. Este ano ainda não tinha encontrado nenhum, até que ouvi algo que me chamou a atenção, saindo do quarto do meu filho de onze anos, por uma voz que me pareceu reconhecer: “somos todos condutores de carroceis / não lemos mapas, andamos aos papeis / então deitamos fora a sorte deste norte fazemo-nos reis / já que a lua se pode comportar assim”. Como se isto não bastasse, toca a descrever-me (sim, é sobre mim, como todas as boas canções), logo de seguida, assim: “sou dos do bem mas não sei bem o que é do mal / sou um céptico optimista, hipócrita ocasional / e se observo mudo o resultado experimental / então que a lua sorri só porque sim”.

Apple Music a ajudar, encontro a canção “Efeito do Observador” d’Os Azeitonas. É isto. Ouço o resto do álbum, por afinidade prévia com a banda, não tendo dado pelo lançamento deste álbum, “Banda Sonora”. Ouço, esperando encontrar uma ou outra canção que me leve a passar à frente: nada. Cinquenta e sete minutos de pura classe. Mete outra vez. Mais uma. Encontrei o álbum de 2018 que me vai afastar mais uns tempos da rádio. Curioso que, no ano passado, um dos albums que causou o mesmo efeito tenha sido o “Giesta” do ex-Azeitonas Miguel Araújo. Apesar de tanta treta sobre a defesa de quotas para música portuguesa na rádio, meto as mão no fogo que nada deste “Banda Sonora” passará na rádio: é bom demais para isso. Atrevo-me até a dizer que todo o disco emana um odor a Porto que a corte não compreende: que bom, o Porto está vivo e bem vivo. Parabéns, rapaziada (“rapaziada” inclui rapariga, é da gramática, ó chanfradas lisboetas).

O governo português quer que os alunos troquem o Técnico em Lisboa por Sociologia no interior. Quanto aos cursos de jornalismo há muito que foram deslocalizados para a Coreia do Norte

21 Julho, 2018

Mais um esfaqueamento. Desta vez na Alemanha. Mais uma vez tivemso as notícias com a edição do costume:

“A polícia alemã confirma um total de oito pessoas feridas, uma com gravidade, no ataque perpetrado por um homem, com arma branca, no interior de um autocarro na cidade alemã de Lübeck, norte do país. A polícia alemã confirmou, entretanto, que não há sinais de antecedentes terroristas no ataque.TOMAMOS NOTA COM JÚBILO :” não há sinais de antecedentes terroristas no ataque É UMA VERDADEIRA FELICIDADE SABER QUE NÃO TEVE MOTIVAÇÃO TERORISTA O FACTO DE, NUM AUTOCARRO, UMA CRIATURA LARGAR UMA MOCHILA DONDE SAI FUMO, EM SEGUIDA ESFAQUEAR UM HOMEM NO PEITO E VÁRIAS OUTRAS PESSOAS EM QUE SE INCLUI O MOTORISTA. JÁ AGORA O QUE SE ENTENDE POR “antecedentes terroristas”?

“O agressor, que foi detido pouco depois do ataque por uma patrulha da polícia. Fontes policiais da cidade alemã afirmaram, através do Twitter que a “identidade do atacante é clara: É um alemão de 34 anos e mora em Lübeck”. COM TANTA CLAREZA PODIA TER-SE REFERIDO QUE O ATACANTE ERA DE ORIGEM IRANIANA. ERA SÓ PARA SER TUDO MAIS CLARO.

“A mensagem acrescenta que não há sinais de uma “radicalização política” no atacante ou de um contexto terrorista. TERÁ SIDO UM CRIME PASSIONAL? ESTOU EM CRER QUE TUDO ISTO ACONTECEU POR AMOR AOS AUTOCARROS: EXISTE UM GRUPO DE PESSOAS QUE NÃO CONSEGUE VER OS AUTOCARROS A CIRCULAR HORAS SEM FIM. VAI DAÍ ATACAM OS PASSAGEIROS!

O Ministério Público pediu “compreensão e paciência” na impossibilidade de dar mais detalhes sobre o agressor até que a sua identidade pudesse ser verificada com total certeza.” ESTA PARTE DA NOTÍCIA QUER DIZER QUE NO MOMENTO EM QUE AS AUTORIDADES FIZERAM ESTA DECLARAÇÃO JÁ SE DIZIA O HABITUAL NESTES ATAQUES QUE NÃO SÃO ATAQUES: ESTÁ A SER SONEGADA INFORMAÇÃO SOBRE O ATAQUE E O ATACANTE

E assim se criou mais uma taxa

19 Julho, 2018

Momento I: a CML de Costa/Medina cria uma taxa que só almas pérfidas seriam capazes de achar que algum dia recairia sobre os portugueses

2014: Residentes em Portugal isentos da taxa de chegada ao aeroporto de LisboaPara o vice-presidente da Câmara,  de maioria socialista, [em 2014 era Fernando Medina[ o município dá assim «resposta ao fundamental das objeções levantadas». «Quisemos limitar ao mínimo possível as margens de erro», tentando criar «uma taxa que não abrangesse pessoas que não estão na condição de turista», justificou.

Momento II: a taxa vai agora ser alargada a todos. AS culpa vai ser obviamente chutada para Bruxelas

2018: Bruxelas deu esta quinta-feira um prazo de dois meses para que a taxa do aeroporto de Lisboa seja aplicável também a residentes em Portugal, considerando que a cobrança apenas a não residentes constitui uma discriminação em razão da nacionalidade, o que viola as leis da UE.

Não vejo como podem os residentes em Portugal pagar ter de pagar uma Taxa Municipal Turística em Lisboa. E muito menos como podem os lisboetas pagar uma Taxa Municipal Turísticaquando chegam de avião à sua cidade. Eu não sou turista em Lisboa. Vivo cá. Ou a taxa muda de nome e é devidamente justificada ou é extinta

 

 

 

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