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Sobre colunas

26 Fevereiro, 2017

O que define um jornal, bem além da capacidade de cópia de takes mais ou menos toscos da Lusa e da filiação mais ou menos acérrima da redacção num grupelho revolucionário, é o seu corpo de colunistas. Tenho pensado bastante na lista de pessoas que merecem ser lidas, ora por apresentarem um ângulo único, ora por demonstrarem uma capacidade de compreensão do formato de opinião, das suas limitações e do uso pleno da linguagem como ferramenta de comunicação e beleza.

Facilmente conclui que o Observador tem o corpo de colunistas que lhe atribui o primeiro lugar. O segundo, muito à frente de qualquer um dos outros, pertence ao Correio da Manhã, que é o que também tem a maior variedade temática. Já o pior jornal em termos de colunistas é difícil de determinar, que eles parecem competir ferozmente pelo último lugar na liga dos últimos. Porém, se tivesse que apostar, escolheria o Expresso, uma amálgama de tipos que se percebe imediatamente oscilarem entre pagos-a-peso-de-outro e publicas-de-borla-e-já-tens-muita-sorte-não-te-cobrar-para-te-publicar.

Depois há os casos patológicos, como o do DN, que publicava os delírios senis de Mário Soares e ainda publica os delírios fetichistas de ex-namoradas despeitadas de políticos suspeitos de corrupção, e o caso do Público, com Pacheco Pereira, o homem que, em Portugal, mais se esforça, sem qualquer sucesso, para ser expulso do partido a que em má hora se filiou.

É um erro considerar-se que é na redacção que se define a tendência de um jornal. Não é. Nas redacções todos são parecidos, seja no Observador, seja no Acção Socialista. Não admira que, no formato papel, o Correio da Manhã seja líder incontestado de vendas.

Segundo o manual geringôncio do racismo como devemos classificar o que está a acontecer na África do Sul?

25 Fevereiro, 2017

South African police use force to disperse anti-immigration protesters

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Emails sem controlo do fisco?

24 Fevereiro, 2017

Perguntaram-me hoje se eu recebia a newsletter do Público. É verdade, recebo, mas não me recordo de ter subscrito tal coisa. Poderia, eventualmente, subscrever a newsletter do PCTP/MRPP ou até os papiros do POUS, que desses saberia com o que contar, mas do Público? Que mal fiz eu para receber a newsletter do Público? Pior mesmo só se recebesse fotografias do Sócrates e namorada em Formentera (a moça tem razão, há coisas que devem ficar mesmo reservadas para a imaginação). O que é factual é que recebo a newsletter do Público e esta apareceu espontaneamente na minha caixa de correio, nem veio acompanhada de um faqueiro ou de comprimidos de cianeto que explicassem a proeza. Eu subscrevi a newsletter do Observador, mas não fazia ideia que isso implicaria subscrever todas as newsletters de publicações subsequentes que fossem dirigidas pelo David Dinis. Assim sendo, espero que passe rapidamente para a Playboy (é legal e até já fizerem capa com um homem, não é nada sexista).

Bem, meti-me a ler a coisa. No contexto em que me encontrava era isso ou a composição do shampoo e, bem, a composição do shampoo já li em ocasiões anteriores do mesmo cariz contextual. Eu falo mesmo assim como escrevo, como as pessoas que me conhecem poderão atestar após o quinto ou sexto copo. Bem, voltando à história, fui ler. Calha-me um artigo do David Dinis com uma coisa qualquer do Jefferson e nós somos isentos como o caraças e ai de quem questionar que não somos que eu provo já que somos atacando o outro lado que é para eles verem. Não percebi grande coisa. Quem me conhece sabe que tentei, mais uma vez, ler o Finnegans Wake, tendo desistido apenas à página 20 sem perceber patavina da coisa, portanto, é perfeitamente normal que não entendesse um artigo do Público. Porém, cheguei a uma parte que lá percebi, a custo:

Esta semana, porque fomos nós a contar a notícia das transferências para offshore sem controlo do fisco, passámos a ser acusados de “seguir a agenda do Governo” e prejudicar a direita.

“Sem controlo do fisco”? Perdão, este é um caso daqueles que justifica múltiplos sinais de pontuação: “sem controlo do fisco”????? Então, um gajo tem que dar cavaco ao fisco das transferências que faz? Tem que pedir autorização? Tem que ser considerado como criminoso pelo jornalismo isento e equilibrado e sei lá o caraças a quatro? Mas legalizaram as drogas e não me disseram nada? Anda tudo grosso? Acham que precisam do carimbo da funcionária das finanças para transferirem dinheiro para onde bem entenderem?

Depois meti-me a pensar. (Não agoira nada de bom, já se sabe.) Então, e para transferir endereços de e-mail de um jornal para outro, subscrevendo newsletters que nos deixam muito mais maldispostos que a composição do shampoo deixaria, não é preciso controlo do fisco? E se não é do fisco, é de quem? Não há protecção de dados? Não há uma entidade qualquer – se há uma para o calibre da cenoura, para isto também deve haver – que impeça esta escandaleira (ou, como outra dizia ontem, poeticamente, esta ignomínia moral)? (Agora estou a sentir-me um verdadeiro jornalista isento e tudo, palmas para mim.) É preciso tirar isto a limpo.

Vamos parar com a brincadeira? Bem me parecia que não, que é para continuar.

afinal havia outro? qual outro?

24 Fevereiro, 2017
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O governo da geringonça, depois de uns primeiros meses a dar umas baldas aos sindicatos e aos eleitorados das esquerdas, está a fazer, essencialmente, o que faria um governo de Passos Coelho e do CDS, se tivesse continuado para uma segunda legislatura. Certamente existiriam algumas diferenças em algumas áreas, como na educação não superior (no ensino superior tudo permanece, infelizmente, na mesma), mas nada que nos fizesse abrir a boca de espanto. Quanto à geringonça, o caminho que tem seguido era o inevitável: continua-se a extorquir os contribuintes e a pagar aos credores, com Costa a dizer aos seus crentes que este governo provou quer «havia outro caminho». Desse ponto de vista, Centeno é um herdeiro natural de Albuquerque e de Gaspar, e nem poderia ser de outro modo, caso quiséssemos permanecer no euro, o mesmo é dizer, vivos e na União Europeia. A austeridade, que era para acabar, está, como não poderia deixar de estar enquanto se não secarem as fontes dos problemas, cada vez mais assanhada, com novos impostos e aumento dos antigos. No resto, a geringonça serenou os sindicatos, via PC, e calou os palhaços de rua, via Bloco. Enquanto as sondagens não forem muito péssimistas para estes dois partidos, as coisas permanecerão assim. Quanto aos problemas de fundo do país continuam sem ser reformados, os bancos a darem as habituais dores de cabeça, Bruxelas e o FMI a mandarem os recados do costume. Se o BCE continuar a suportar a parada, o circo continuará a rodar e Portugal a ser a grande esperança da Europa e do Mundo.

No pasa nada

24 Fevereiro, 2017

COPENHAGEN, Denmark — A Danish prosecutor says a 42-year-old man in northern Denmark has been charged with blasphemy for allegedly burning the Quran and posting a video of it on Facebook.

Jan Reckendorff says it was the first time since 1971 that a person was charged for “publicly mocking a religious community’s religious doctrines or worship,” adding it is punishable by imprisonment for up to four months or fine.

Reckendorff said Wednesday the man, who wasn’t identified, burned the Quran in his backyard and posted the video Dec. 27, 2015 on an anti-Muslim Facebook page.

À conta de ser “voz fora da ortodoxia” anda a ortodoxia a pagar-lhe o vencimento desde sempre

24 Fevereiro, 2017

Louçã: a “voz fora da ortodoxia” no Banco de Portugal

É impressão minha

23 Fevereiro, 2017

ou Cavaco Silva recusa pronunciar o nome de José Sócrates?