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Portugal é um circo

22 Junho, 2022

O SNS está em frangalhos há vários anos e só um idiota inútil acredita na bizarria de tal situação calamitosa não ser consequência directa da incúria, incompetência e amiguismo do governo socialista. Marcelo Rebelo de Sousa acha que o problema é “estrutural” e não deste governo, o que demonstra e ilustra perfeitamente a bondade da adjetivação que usei na frase anterior.

De resto a situação no país é a habitual: o gigantesco stock da dívida pública continua a aumentar, a inflação dispara à custa das políticas do BCE e da União Europeia que António Costa considera maravilhosas, a TAP continua uma vergonha de serviço e um espantoso sorvedor de dinheiro dos contribuintes.

Na comunicação social nada de novo. A RTP, sustentada com rendimentos subtraídos aos portugueses, tem o desplante de assumir a sua condição de organização de propaganda de narrativas fanático-tremendistas e nomeia uma editora de acção climática que não faz jornalismo nem tem vergonha na cara de subverter o primeiro preceito do código deontológico da profissão. O Público, que é há muito um pasquim escatológico, continua a voluntariamente a se entregar às causas LGBT e da ideologia do género. O Expresso, destacou um rapaz para escrever um novo manifesto anti-Chega travestido de notícia e de forma imunda e torcida sugere que André Ventura promove teorias da conspiração que resultam em massacres de pessoas.

O desgraçado e ridículo presidente da Associação Empresarial de Portugal em vez de pedir que o Estado saia da frente dos negócios privados e deixe os empresários trabalhar e arriscar, suplica tão tristemente quanto um janado pela mão protectora do Estado. Diz o homem que o governo deve dar às empresas 26 mil milhões de euros, dinheiro este – para quem não se lembre – que é retirado através de impostos aos contribuintes europeus.

Entretanto, alheios à penúria do país e gastando o que não é deles, os chefes de banda locais fazem-se passar por gente arejada e moderna. Bacalhau Coelho e Cabrita (“Reis”, de apelido) entenderam-se. O primeiro, presidente da Câmara de Faro, pagou 200.000 euros por uma escultura do segundo, artista. No passado recente, a Câmara de Matosinhos já tinha também adjudicado a Cabrita Reis, mas por valor superior, uma espécie de estendal de roupa para a marginal de Leça de Palmeira, obra que jaz agora enferrujada frente ao oceano para gaudio dos carapaus da costa.

Também em Alijó, uma pequena terra no Douro, não podia faltar uma exposição com 15 mamarrachos de pessoa com grande peso artístico: Joana Vasconcelos. Por uns módicos 100.000 euros, organizou-se uma mostra que durou três meses e terminou Domingo passado. Não sei quantas pessoas terão visitado a exposição, mas se tivesse sido feita uma vaquinha entre toda a população do município para pagar a conta, dava só 10€ a cada. O curador desta mostra justificou o evento como uma insurgência contra uma “realidade comezinha e o fado predestinado de um país remediado, condicionado do ponto de vista económico.”

O Presidente da República, sempre atento aquilo que é importante, assinalou ontem o que ele próprio considerou uma “efeméride”: o dia internacional do Ioga. Marcelo escreveu um comunicado a propósito da data “saudando o crescente número de portugueses que aderem a esta prática ancestral originária da Índia”.

Portugal é um circo e os palhaços somos nós que assistimos ao espetáculo.

A minha crónica, em vídeo, aqui:

O beijo

19 Junho, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre o que une estas duas imagens: de Pedrogão em 2017 às urgências em 2022, Marcelo beija, Costa diz que na semana seguinte estará tudo resolvido. O beijo de Marcelo é o símbolo do regime a que estamos entregues: o patético-socialismo.

Carta de Senhora de 86 anos a um Pároco

17 Junho, 2022

Revº Pároco Luis Mateus,

Actualmente não resido em Santo Tirso, mas aí nasci e fui criada e essa será sempre a minha terra.

Talvez por isso, o que lá se passa me toca em especial e me sinta na obrigação de o alertar para o que observei na Missa de celebração do Corpo de Deus, às 11h30.

Além do desnecessário uso generalizado de máscara (inclusive uma criança que ajudava a acolitar), o gel desinfectante parecia fazer parte da liturgia e foi usado despropositadamente
– pelos leitores
– no ofertório, ao deitar as moedas no cesto
– antes da comunhão, em que a Sagrada Hóstia era depositada nas mãos ainda besuntadas.

Aconteceu até que, nessa altura, quando me defendi da pistola de gel que o acólito me apontava, apanhei com a sua expressão de desprezo e indignação…

Não, não sou uma jovem «negacionista». Sou apenas uma mulher «de risco» de 86 anos!

É bem natural que V. Revª nem se aperceba da carga negativa e comentários desagradáveis que tais procedimentos provocam.

Peço desculpa por estes reparos, mas creio que a evangelização passa também por bom senso e esclarecimento.

Com toda a consideração,
Mafalda Fernandes

17 de Junho de 2022

Que bom é o «velho normal» do Primavera Sound

15 Junho, 2022

Com bilhete comprado em 2019 e depois de consecutivos adiamentos a pretexto da covid19 fui a um grande festival de música. Dezenas de milhar de pessoas num mesmo local, ao mesmo tempo, sem a porca da máscara, sem certificado proto-nazi, e sem qualquer desumano distanciamento social. No jornal online Observador vi a propósito do evento um título decente. Dizia: “Que bom é o «velho normal» do Primavera Sound”.

Algumas das perguntas que me ocorrem são: Como foi possível, durante mais de dois anos uma larguíssima maioria das pessoas entregar-se a um pânico totalmente injustificado com um único vírus respiratório? Como foi possível hipnotizar uma vasta população e deixá-la em alvoroço apocalíptico levando gente outrora racional a uma corrida desenfreada por papel higiénico como se isso fosse o fundamental para os seus últimos dias de vida? Ou como foi possível que pessoas minimamente informadas não tivessem noção do ridículo que foi meterem um trapo na cara para supostamente se salvarem de uma infecção?

Talvez pior ainda. Como foi possível a políticos e responsáveis técnicos subverterem uma boa gestão de saúde pública e promoverem a discriminação activa e a coerção em vez da escolha médica informada e da responsabilidade individual? Como foi possível a médicos e cientistas proeminentes vilipendiarem outros colegas, fiéis aos princípios da ciência e ao juramento de Hipócrates, e denigrirem-nos chamando-lhes de chalupas ou negacionistas?

Numa sociedade cheia de ansiedades, egoísmos e hipocrisias que corroem o discernimento moral das pessoas não importa que as ideias e políticas sejam totalmente absurdas e falsas. O que importa é que todos canalizem as suas frustrações e angústias para uma mesma luta, adiram a uma mesma narrativa e formem uma massa homogénea missionária com o mais cretino e salafrário objectivo: a defesa do que a classe dirigente determine ser o bem-comum.

O fascismo é a arte de esconder a verdade por trás de uma fachada de virtude, estigmatizando a diferença de opinião, discriminando minorias, identificando bodes expiatórios e gerindo a sociedade para a obediência coletiva e a conformidade às normas de quem está no poder.

O mais repugante e nauseabundo exemplo disso mesmo talvez tenha sido o mentiroso slogan da “pandemia de não vacinados” como ufanamente Paulo Portas chegou a referir na sua missa dominical na TVI.

Como é possível uma sociedade relativamente próspera e de pessoas com nível de educação razoável descer tão rapidamente às profundezas de um inferno totalitário assim que alguém dá um grito de alarme? O que leva tanta gente a comportamentos compulsivos e repulsivos?

Por muito evoluídas que sejam as nossas sociedades, o fascismo é um modo de vida escondido no armário de demasiada gente. Os campos de concentração e extermínio não nasceram do nada. Como alguém disse antes de mim, “são apenas o estágio final e desconcertante de um longo processo e, em última instância, é a consequência lógica da crença delirante na omnipotência da racionalidade humana” neste caso, contra a natureza de um vírus.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Teletrabalho e redução de salários

8 Junho, 2022

A pretexto da fantasia de combate à covid19 e num contexto da aldrabice pegada da situação de emergência que à data o país vivia, o governo decretou confinamentos, fecho de actividades económicas e, durante muito tempo, obrigou ou aconselhou o sector privado ao teletrabalho. O vírus foi e é naturalmente indiferente a estas medidas estúpidas e totalmente ineficazes do ponto de vista de saúde pública. Mas a economia e os portugueses não foram nem são imunes às idiotias e erros clamorosos de António Costa e do grupo dos seus subalternos ministros.

Se em Portugal os sindicatos já têm uma influência desproporcionada em relação ao número de pessoas que efectivamente representam e ainda por cima introduzem uma narrativa perigosa e nociva de confronto entre os interesses dos trabalhadores e dos empresários, a imposição legal e a transição forçada de grande parte da população activa para trabalho remoto criou ainda maiores distorções no funcionamento das empresas e do mercado de trabalho. Por exemplo, muitos são agora os trabalhadores que se sentem no direito de exigir trabalhar em casa e não nos escritórios das suas empresas.

Portugal não é caso único.  Tim Cook, o presidente-executivo da Apple, ofereceu aos seus funcionários a opção de poderem trabalhar remotamente dois dias por semana e mais quatro semanas completas em teletrabalho por ano. Ainda assim alguns funcionários contestaram o seu chefe alegando razões estapafúrdias tais como a de com esta decisão a Apple passar a privilegiar homens brancos… Também Elon Musk, o dono da Tesla, parece querer terminar por completo com o teletrabalho dos seus funcionários e sugeriu há dias que quem não quiser regressar aos escritórios poderá ir fingir trabalhar para outras empresas.

Na América como em Portugal são muitas as empresas ansiosas para que os funcionários voltem ao escritório, pois acreditam que isso é melhor para a produtividade, a moral dos trabalhadores e a cultura organizacional das empresas. Todavia os funcionários estão relutantes em desistir do novo equilíbrio entre vida profissional e pessoal que lhes foi concedido pelo teletrabalho.

Mas a verdade é que as decisões do governo em mandar para casa os trabalhadores introduziu uma cláusula excepcional e temporária à maioria dos contratos de trabalho, onde normalmente se determina que os funcionários devem trabalhar na sede do seu empregador ou noutro local que este indique. São poucos os contratos que não preveem que a escolha do local de trabalho é prerrogativa do empregador.

Uma vez que a directiva do governo para teletrabalho obrigatório deixou de existir, a relação de trabalho volta aos termos do contrato original. Com certeza que o contrato de trabalho pode ser alterado, mas apenas por meio de negociação razoável entre o empregador e o trabalhador.

Se um patrão oferece ao empregado a opção de continuar com o mesmo salário se este regressar ao escritório tal como sempre fez até agora por livre acordo entre as partes, que justificação existe para reclamar? Se o trabalhador pretende uma mudança dos termos e condições do seu contrato de trabalho, estará por exemplo disposto a aceitar uma redução do seu salário?

A minha crónica vídeo de hoje, aqui:

ISCTE com WC não-binários

3 Junho, 2022

O Observador noticia hoje que o ISCTE “deixa cair a placa de homens e mulheres e passa a ter casas de banho não-binárias”.

Para dar substância à peça, a jornalista recolheu depoimentos de uma única especialista, curiosamente concordante com a iniciativa.

Esta especialista é a Doutora Liliana Rodrigues que tenho o gosto de apresentar através das seguintes imagens:

Os justiceiros sociais do ESG

1 Junho, 2022

Os justiceiros sociais notabilizam-se por serem tiranetes e fascistas que não saíram do armário e, passe a redundância, por não perceberem nada de economia e desprezarem a liberdade de todas as pessoas que não elas próprias. São como que umas criancinhas enfezadas que inventam problemas existenciais que não têm para se entreterem no tempo disponível que a sua posição de privilegiados na sociedade lhes dá de sobra.

Nas tristes cabecinhas destes presunçosos, toda a acção humana é política. Por exemplo, a actual presidente da câmara de Barcelona ficou conhecida não pela sua gestão na cidade, mas pelo expoente máximo do seu activismo quando resolveu deixar-se fotografar a urinar em plena rua da capital Catalã como forma de acção política.

Mas se as necessidades fisiológicas humanas têm uma essência política, estes wokes umbiguistas entendem que, por maioria de razão, as empresas e os investimentos financeiros devem cumprir normas e ser avaliadas por critérios e que eles definem como ética e socialmente justos. Insere-se neste quadro mental a converseta aparvalhada dos conceitos imbecilóides de “resiliência”, “sustentabilidade” ou “inclusividade”. Para dar um ar mais sério a esta palhaçada, os consultores e o pessoal do marketing resolveu aplicar estas definições às empresas chamando-lhes parolamente de políticas e factores ESG, o acrónimo inglês referente a Ambiente, Sociedade e Gestão.

Os critérios e definições que a seita de novos evangelistas usa são altamente subjectivos e até dependentes de contexto. Mas esta gente acha que a imposição de restrições aos investimentos é compatível com o aumento da rentabilidade esperada das empresas.
Esquece é que a imposição de critérios políticos para investir, classificados eufemisticamente de investimentos socialmente responsáveis, cria enormes distorções que são contraproducentes. Na verdade, ninguém com cabeça sã pode imaginar ser no interesse das empresas exterminar a humanidade com alterações climáticas antropogénicas. Não me parece dar jeito às empresas ficar sem clientes… Num horizonte temporal normal, o bem social e os interesses financeiros não são antagónicos. Pelo contrário, convergem.

Criticar o ESG não é negar nenhum problema social ou ambiental. Decorre isso sim da clara percepção de que o mantra parareligioso da moda parte de pressupostos errados e, se cumpridos com a obediência própria de fundamentalistas, terá no mundo e na vida das pessoas a consequências exactamente opostas às intenções inicialmente declaradas.

Os proponentes das políticas ESG dizem que o ESG torna as empresas mais lucrativas e valiosas. Aparentemente concordam com Milton Friedman que defendia que empresas se deviam concentrar em entregar lucros e valor aos seus acionistas, em vez de serem activistas sociais. A diferença está em que Friedman tinha a humildade que os fanáticos do ESG não têm de reconhecer que são os empresários quem melhor sabe gerir as suas próprias empresas e que quem fôr incompetente será penalizado pelo mercado e não pelos sábios justiceiros sociais.

A minha crónica vídeo de hoje, aqui:

Inveja dos super-ricos

25 Maio, 2022

A Oxfam é uma organização, supostamente não-governamental, mas que tem um orçamento superior a mil milhões de dólares com origem sobretudo em subsídios de diversos governos. Tornou-se uma agremiação de activistas da esquerda radical com discurso neo-marxista.

O Fórum Económico Mundial foi fundado por um sinistro economista alemão e a instituição tem-se dedicado a promover algumas das ideias mais perigosas e nefastas para uma sociedade livre. No encontro anual do Fórum Económico Mundial em Davos, a Oxfam apresentou pela enésima vez um alerta dramático sobre a crescente desigualdade no mundo. E há dias fez títulos de jornais a sua estimativa de que durante a pandemia surgiram no mundo mais 573 multimilionários e que a cada 33 horas mais um milhão de pessoas entra na pobreza.

Há décadas que Oxfam tenta provar que a riqueza do mundo está concentrada nas mãos de uma conspiração maligna de indivíduos super-ricos e que os ricos só ficam mais ricos à custa dos pobres.

Para estes fanáticos esquerdistas, a riqueza é essencialmente má e imoral. A sua solução milagrosa para acabar com a pobreza e a desigualdade é sempre a mesma: um ataque fiscal, impostos sobre a riqueza, impostos extraordinários e a expropriação de fortunas. Este ano querem um imposto único sobre os chamados “lucros pandémicos inesperados” e um imposto de 90% sobre todas as grandes empresas que tenham tido lucros durante a crise da covid e da Ucrânia.

Entre muitas outras parvoíces e asneiras, a Oxfam não percebe porque é que a pobreza no mundo diminuiu drasticamente nas últimas décadas, assim como ignora capciosamente o facto de a riqueza não existir naturalmente. A riqueza não cai do céu, nem brota do chão. A riqueza é fruto do engenho, iniciativa e esforço humanos. Toda riqueza teve primeiro de ser criada antes que alguém a possa roubar ou dela beneficiar honestamente. A riqueza tem de ser criada e produzida e a principal maneira de ficar rico é produzir algo que as pessoas valorizem. Ao contrário do que diz a Oxfam, a riqueza é uma das principais recompensas do trabalho produtivo. Impostos sobre a riqueza reduzem o incentivo à produção.

Por outro lado, um bilionário não pode simplesmente levantar toda a fortuna ao balcão de um banco. Tipicamente apenas 1% da riqueza do bilionário é mantida em dinheiro. O grosso dessa riqueza está em acções das suas próprias empresas, juntamente com aplicações financeiras, metais preciosos, imobiliário e outros activos. Portanto, a ideia adolescente da Oxfam de ir caçar a fortuna dos super-ricos exigiria uma gigantesca venda de ativos, e incluiria por exemplo mandar para o desemprego milhares de trabalhadores das empresas desses bilionários e esvaziar fundos de pensões de milhões de pessoas da classe média. Além de que a expropriação de riqueza dos super-ricos só aconteceria uma vez e não daria para distribuir nada nos anos seguintes.

Não se melhora as condições de vida dos pobres tirando riqueza ou rendimento aos ricos. Precisamos é de economias mais produtivas, menos estado e mais trocas comerciais livres como queria a Oxfam aquando da sua criação no tempo da segunda grande guerra.

A inveja é um sentimento muito feio!

a minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Contra o suicídio das civilizações

20 Maio, 2022

Segue-se um excerto de interessante discurso de Václav Klaus, na The Conservative Political Action Conference, em Budapeste (Hungria), ontem, 19 de Maio.

Tradução livre minha para Português:


O mundo pós-democrático contemporâneo, mais ou menos socialista, conjugado com um progressismo agressivamente imodesto e quase anárquico, com uma cultura arrogante do cancelamento e os excessos quase inimagináveis ​​da revolução de género, é o oposto do mundo que queríamos construir.

Como aconteceu? Terá sido porque as nossas velhas, bem definidas e amplamente aceites ideias conservadoras se tornaram obsoletas, inadequadas, talvez inaplicáveis ​​no atual admirável mundo novo, que ainda está à espera dos seus recém-nascidos Huxleys e Orwells? Devemos, portanto, renovar, modernizar, reformular essas ideias? Ou nós “só” temos que regressar a elas?

A minha resposta a esta pergunta é simples e bastante modesta: creio que é suficiente voltar às nossas ideias. No entanto, fazê-lo seria uma conquista revolucionária – não apenas pela força inegável dos nossos oponentes e inimigos, como muitas vezes se argumenta.

Vejo muitos problemas e inconsistências do nosso lado. As nossas ideias conservadoras não foram suficientemente expostas e promovidas durante muito tempo – pelo menos desde os anos 1960, desde as barricadas em Paris de 1968 e a Students for Democratic Society in America. O problema foi ampliado pela evidente passividade dos pensadores conservadores após a queda do comunismo, quando o mundo ocidental ingenuamente aceitou a tese do “fim da história” de Fukuyama e se tornou injustificadamente garantido que as ideias sobrevivem, funcionam e vencem sem serem constantemente defendidas e promovidas.

As perdas que vejo estão tanto no campo das ideias quanto nos arranjos institucionais radicalmente modificados do mundo ocidental, especialmente aqui na Europa. No campo da ideologia, vejo as principais mudanças para pior nos seguintes campos:

˗ na vitória dos «direitismos-humanos» sobre os direitos cívicos entendidos de forma conservadora e sobre o princípio tradicionalmente definido de cidadania;

˗ numa perda de liberdade ligada ao facto de a democracia liberal progressista ter conseguido substituir a liberdade por direitos. A ideologia dos direitos positivos alcançou o status de religião cívica;

˗ na vitória do ONGismo, do poder de grupos de pressão não eleitos e interesses adquiridos sobre a democracia parlamentar pluralista;

˗ na vitória do ambientalismo agressivo sobre a racionalidade elementar e o bom senso, sobre a sabedoria do cidadão comum, sobre o pensamento económico conservador;

˗ nas consequências do facto de os crentes no Estado-nação terem mais ou menos capitulado no seu confronto com as organizações internacionais (na Europa com a UE);

˗ na interrupção da continuidade. A sociedade ocidental começou a distanciar-se das suas raízes culturais e históricas e da longa tradição de moderação e decência;

˗ na negação da existência da natureza humana. Os expoentes da revolução sexual conseguiram transformar homens e mulheres, o hardware biológico da sociedade humana, num software cultural e social;

˗ e, finalmente, nos novos padrões morais e comportamentais que substituíram tradições e valores conservadores.

Tem também uma componente institucional. Todas estas mudanças foram possibilitadas pela negação do papel dominante dos Estados-nação na estruturação da sociedade humana e pelo crescente papel das organizações e instituições internacionais. O movimento em direção a uma governança global e sub-global, o que significa Europeia, levou à supressão do único garante eficiente da Democracia, o Estado-nação.

Os Estados-nação soberanos tornaram-se uma unidade política fundamental dos assuntos internacionais. O modelo existente do processo de integração europeia, em que a integração se transformou numa unificação e centralização europeia da tomada de decisões, e em que a liberalização se transformou em harmonização, padronização e uniformidade, tornou-se o principal veículo para a perda do pensamento conservador nesta nossa parte do mundo.

Estamos na defensiva há muito tempo. Uma ofensiva autoconfiante baseada na convicção de que as ideias importam e que as ideias conservadoras são parte fundamental e insubstituível deve ser iniciada. Há uma necessidade desesperada de defender o muito frágil Ocidente dos seus inimigos intelectuais internos. Não é só na Hungria que temos que lutar contra o crescente protagonismo dos expoentes do «Homo Sorosensus» e a ascensão das elites cosmopolitas.

Não devemos permitir que os progressistas dominem a política, os media e o sistema educacional atuais. James Burnham disse que “as civilizações morrem apenas por suicídio”. Receio que a nossa falta de actividade possa facilmente levar a tal fim. Como disse antes, a queda do comunismo e o fim da Guerra Fria minaram a consciência e o estado de alerta anteriores.

O mesmo erro não deve ser cometido novamente. O conservadorismo nunca significou uma rejeição a priori de mudanças fundamentais e de uma descontinuidade radical com o passado. Certamente não sou o único que sente que chegamos a um ponto de viragem. Devemos começar a defender e promover activamente as ideias que herdamos dos nossos antecessores.


Acima, excerto do discurso de Václav Klaus, na The Conservative Political Action Conference, em Budapest (Hungria), a 19 de Maio de 2022.

O original completo pode ser lido aqui.

Sólidos Prejudicados do Beneficiário Líquido

18 Maio, 2022

Marcelo, como não é economista, tinha obrigação de não dizer tantas asneiras como os reputados especialistas que nos jornais e na televisão fazem previsões sobre os efeitos benéficos da guerra na Ucrânia para Portugal.

Mas a picareta falante da República, como é catedrático do asneirol disse mesmo isto:

Estas declarações foram proferidas numa conferência em Cascais cujo tema foi “País de Futuro”, mas para a qual paradoxalmente se convidou o Arlequim de Belém e a agora todo-poderosa filha do ex-ministro de Sócrates, Vieira da Silva. Segundo as palavras de Marcelo que ouvimos atrás parece, portanto, haver excelentes perspetivas para a economia portuguesa.

Estas vacuidades foram expelidas antes do requintado cocktail dînatoire do evento e não me consta que tivessem sido contestadas pelos «Senadores Portugal XXI» como pomposamente a organização chama a personalidades como António Vitorino ou Marques Mendes.

Há relativamente pouco tempo a reincidente ministra da agricultura já havia referido que a pandemia da covid 19 poderia impulsionar as exportações portuguesas, ideia logo secundada pelo à altura secretário de estado da internacionalização de seu nome Brilhante.

Se este exclusivo clube da intelligentsia nacional tem estas opiniões e expectativa de que a governação de Costa dê um jeito à bazuca de forma a nos abarbatarmos ao dinheiro dos contribuintes europeus, o mais provável é tudo corra bem, excepto se assim não acontecer.

O facto de as anteriores crises internacionais e males de países terceiros não ter tirado Portugal da cepa-torta nos últimos 30 anos é um mero detalhe.

Marcelo já percebeu que é um mero contínuo dos governos de António Costa, e por isso não deixará de dizer platitudes com um sorriso de quem se acha superiormente inteligente e sagaz, entretendo o povo por mais uns tempos até que a chata da realidade contrarie, mais uma vez, esta bela fantasia.

Libertem-se, comuniquem, vibrem

18 Maio, 2022

Ontem foi notícia no Público que “quatro em cada cinco jovens LGBTQ ocultam orientação sexual aos docentes”. Fiquei bastante perplexo com o egoísmo destes quatro em cada cinco jovens: ocultarem orientação sexual aos docentes é de uma vilania inaudita. O que leva um jovem a entrar numa sala de aula e ficar ali, sentado, a ouvir sobre assuntos aborrecidos, sem necessidade de se dirigir à assembleia para expressar a sua preferência por homens vestidos de cavalo? E quem diz homens vestidos de cavalo diz qualquer outro género equino. No meu tempo de escola não era assim: raramente encontrávamos um colega nos corredores sem que este estivesse a expressar a sua sexualidade na porta do cacifo. Algo mudou para pior e agora que penso nisso, só pode ser culpa do Putin.

Ouviu falar desta adolescente de Avis?

16 Maio, 2022

A Margarida Bentes Penedo traz aqui um caso extraordinário e perturbante sobre o Estado português.

Olá Lenine

15 Maio, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre a base de dados da Autoridade Tributária e Aduaneira. Em Portugal, não se pode saber onde estava um telemóvel num determinado dia mas pode saber-se que compras fez, e em que supermercado, nesse mesmo dia, o dono desse telemóvel. Não se podem armazenar metadados por mais de um ano mas podem guardar-se facturas por anos e anos…. Sim está tudo armazenado por anos e anos na base de dados da Autoridade Tributária e Aduaneira à disposição de milhares de pessoas e de dezenas de entidades. São os “metadados do fisco”, os tais que não levantam problemas constitucionais de espécie alguma.

A chungaria da classe política e a web summit

11 Maio, 2022

Quando Paulo Portas e Cotrim de Figueiredo trouxeram para Portugal a Websummit, é justo reconhecer que o governo gastava apenas 1 milhão de euros dos contribuintes nesta conferência tecnológica. Mas, como era fácil de antecipar, rapidamente o custo para os portugueses com este evento disparou. Ao longo dos últimos anos de governação socialista alimentou-se um certame de vaidades e um circo mediático para políticos exibirem a sua intrínseca parolice.

O rapaz que promove esta cimeira, sebosamente tratado pela chungaria da nossa classe política como «Pédi», percebeu o óbvio desde início: Fernando Medina, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa seriam presas fáceis de tourear. E assim foi. Pacóvios políticos, deslumbrados com os holofotes mediáticos e a ilusão de uma modernidade que não têm, não hesitaram em atribuir benefícios chorudos a um organizador de feiras usando o dinheiro que é dos contribuintes.

«Pédi» decidiu, entretanto, que em 2023 a Web Summit iria para o Rio de Janeiro. Graças a Deus!…

De resto, a história de cenas ridículas e burlescas da nossa podre oligarquia conta-se rapidamente através da imagens da crónica vídeo de hoje e que tem um “happy ending”, aqui:

Entretanto o mundo continua a girar

11 Maio, 2022

A polícia de segurança nacional de Hong Kong deteve esta quarta-feira o cardeal Joseph Zen de 90 anos, bispo emérito da região chinesa, a advogada Margaret Ng e o investigador Hui Po-keung. As autoriades acusam os três ativistas de conspiração com instituições estrangeiros por estarem envolvidos num fundo de apoio humanitário, que entretanto já foi extinto.

Quando o óbvio se torna doloroso

6 Maio, 2022

José Meireles Graça: “A Europa financia a Rússia para atacar a Ucrânia, que é financiada pela Europa para se defender”

Sexo e mentiras do género

4 Maio, 2022

Imagine o leitor ser pai de uma rapariga adolescente com 16-17 anos que vai participar num acampamento de verão durante duas semanas organizado pelo colégio.

Uma das suas preocupações será com certeza perceber se a organização providenciará dormitórios, balneários e casas de banho separadas para rapazes e raparigas. O colégio diz-lhe que sim e assegura que no acampamento a logística do alojamento e higiene será organizada de forma separada para cada género e, portanto, não haverá dormitórios ou chuveiros mistos.

Mais tarde, por acaso, fica a saber que seguindo as orientações centrais e políticas de inclusão promovidas pelo governo, o colégio da sua filha deu indicações à equipa que organiza o acampamento para perguntar aos alunos participantes quais as suas preferências individuais de alojamento e quais as casas de banho e vestiários em que se sentem mais confortáveis de usar. Tendo alguns rapazes indicado à organização auto-identificarem-se como sendo do género feminino, o colégio respeitou a preferência destes alunos em dormir junto das raparigas e usar o mesmo balneário que a sua filha.

Aí o leitor constata com surpresa que a logística do acampamento não é organizada conforme o sexo dos alunos, mas sim do género com que se supostamente se identificam. E mais: recebe como resposta às suas preocupações sobre esta política do colégio que se as meninas se sentem desconfortáveis com um rapaz no seu quarto, elas “precisam de ser educadas para respeitar a identidade de género da pessoa do sexo masculino”. Ou seja, o colégio permitirá que os jovens auto-identifiquem o seu género, colocando-os em conformidade nos dormitórios em que se sintam mais confortáveis.

Esta confusão entre sexo e género, entre biologia e disparate é, na melhor das hipóteses, enganosa e, na pior, deliberada. Mas tenho poucas ou mesmo nenhumas dúvidas de que se trata de um modo intencional de criar rupturas e deslaçar a sanidade das famílias e da sociedade como forma de implementar uma agenda política e cultural artificial e grotesca, imprópria de gente sã e humana.

A privacidade, dignidade e segurança dos adolescentes não devem impedir ou desacelerar a narrativa progressista, muito acarinhada pela extrema-esquerda bloquista e tolerada pela ala liberal armada ao moderninho.

A história que descrevi anteriormente passou-se há dias no Reino Unido. E não é caso único. Com a nossa habitual predisposição para adoptar as piores modas estrangeiras, em Portugal não faltarão em breve colégios a adoptar as mesmas atitudes e governantes a louvar a falsa tolerância e inclusividade.

A minha crónica em vídeo, aqui:

Twitter e liberdade de expressão

27 Abril, 2022

A «esquerdalha» progressista anda a ter chiliques com a compra do Twitter e o facto de um sheik da Arábia Saudita deixar de ser um dos maiores accionistas da empresa. Já a Direita «cócózinha» está apreensiva com a possibilidade desta rede social não ter um Diácono Remédios a zelar pelo bom-comportamento dos seus utilizadores.

Elon Musk nasceu na África do Sul, tem 50 anos e é o homem mais rico do mundo. Isso chateia verdadeiramente a malta de esquerda, sobretudo depois do inovador empresário ter mudado a sede da Tesla (o seu maior negócio) da California para o Texas onde os impostos são muito mais baixos. E ao contrário do pessoal fofinho de direita, Elon Musk criticou fortemente a decisão do Twitter em banir o ex-presidente Trump assim como recusou bloquear órgãos de comunicação russos do seu serviço de internet por satélite.

O novo dono do Twitter já foi inspirador para os progressistas de esquerda e cambada histérica com as alterações climáticas, mas hoje está mais conotado com a direita e os movimentos liberais. Mas não precisamos de concordar sempre com as opiniões e a visão do mundo que Elon Musk tem para saudar com entusiasmo a sua aparente forte intenção de despoluir o Twitter do controlo de linguagem, cancelamento de opinião, banimento de utilizadores e pensamento de grupo que tem caracterizado esta plataforma.

Nos seus 16 anos de existência e com cerca de 250 milhões de utilizadores diários, o Twitter deu lucro apenas em dois exercícios. Apesar de ser expectável tenha uma gestão mais eficiente e eficaz retirando a empresa de cotação na bolsa, Elon Musk já declarou que não pretende torna-la uma máquina de gerar fortunas, mas ser antes seu objectivo “tornar o Twitter melhor do que nunca” e proteger o Twitter como uma “praça pública digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”, onde “as pessoas tenham a possibilidade e a percepção de que podem falar livremente”.

Ao ser uma rede emotiva e hipócrita que promove um discurso de sinalização de virtude, o Twitter ficou infestado pela esquerda. Se Elon Musk resgatar o Twitter das pulsões fascistas contra a dissidência de opinião face ao consenso da esquerda, passando a permitir que as pessoas discordem sem partir imediatamente para uma guerra verbal onde o objetivo acaba por ser o de expulsar da plataforma quem tem opiniões de que se discorda, isso será um sucesso enorme e verdadeiro serviço público global. Musk entende (e bem!) que precisamos de mais e não de menos exposição a ideias desagradáveis.

Aparentemente Elon Musk ter-se-à decidido a comprar o Twitter cinco dias após uma conta humorística muito popular ter sido suspensa pelo Twitter depois de ter feito uma piada sobre um indivíduo transgénero (que passou de homem para mulher), e que é membro do governo de Joe Biden. Em reacção a este cancelamento Elon Musk lançou uma sondagem a partir da sua própria conta particular no Twitter perguntando aos seus mais de 80 milhões de seguidores se a liberdade de expressão é essencial para o funcionamento da democracia. A esmagadora maioria das respostas foi “sim”.

Se o humor sem espartilhos regressar ao Twitter, já haverá razões para agradecer a Elon Musk ter gastado 44 mil milhões de dólares na compra da empresa.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Sócrates e PS: quem aldrabou quem?

24 Abril, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre o porquê de Antóbio Costa se dizer aldrabado peo Sócrates e não considerar que o PS e ele mesmo se enganaram ao avaliar Sócrates: «Quando António Costa declara sobre José Sócrates “Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]” não está apenas a dizer que Sócrates aldrabou mas também e sobretudo que ele, Costa, não é responsável por nada pois ele, Costa, não passa de um aldrabado»

Algo de muito estranho está a acontecer no Kremlin

23 Abril, 2022

O estado-social faz mal à liberdade

20 Abril, 2022

Há dias na assembleia da república no seu discurso de estreia como deputado, o Carlos Guimarães Pinto disse que «o liberalismo faz falta ao estado social». Ora, se por efeito retórico «liberal» rima com «estado-social», do mesmo modo «estado-social» também faz verso com «imoral». Com a vantagem desta última concordância ser mais próxima da realidade e uma mais justa análise da questão.

Os liberais são normalmente catalogados de anarcas e egoístas. Atribuem-lhes a defesa do fim do estado e criticam-lhes o que dizem ser o seu desprezo pelos pobres e vulneráveis. É exactamente o contrário, mas já não tenho pachorra para contrariar as acusações de patuscos socialistas mal-informados e mal-intencionados.

Mas gostava de suscitar nos liberais a reflexão sobre se a promessa de um estado protector não contribui para a crescente perda de independência, autonomia e responsabilidade de cuidarmos de nós próprios e dos que nos são próximos. É que transferindo essa incumbência para o estado, acabamos nós por nos tornar escravos de um poder autoritário, deixando o estado de estar ao nosso serviço para passarmos nós a servir o estado.

Parece que muitas pessoas diabolizam e suspeitam de si próprias, mas surpreendentemente crêem na santidade e virtude dos políticos. E assim, é o estado que passa a definir o que é “justiça social” pela medida que for conveniente aos poderes públicos de cada momento. Mas pense bem: se não fosse obrigado a pagar as contribuições para a segurança social, escolheria o estado para administrar e dar destino às suas poupanças?

O estado não faz dos indivíduos boas pessoas porque a caridade e o amor ao próximo não se praticam com o dinheiro de terceiros. Ao obrigar coercivamente à solidariedade entre pessoas o estado não só reduz perigosamente os incentivos para a criação de riqueza (deixando-nos todos mais pobres), como também encoraja a que os beneficiários da ajuda se sintam no “direito” de ser ajudados, perpetuando a mendicidade.

A virtude e a moral só existem se forem uma escolha livre e autónoma dos indivíduos em praticar o bem. A chamada “justiça social” não é uma forma de justiça, mas apenas uma forma de corrupção moral.

Quando a responsabilidade individual é menosprezada, a liberdade das pessoas perde-se. Não se pretende nenhuma revolução, nem acabar com o estado social da noite para o dia. Mas se queremos uma sociedade mais digna a evolução deve ser no sentido de consistentemente diminuir o estado-social.

O liberalismo não faz falta ao estado-social.
O estado-social não faz falta ao liberalismo.
O estado-social faz mal à liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

DIgamos que é mais os dirigentes e élites africanas não prestam atenção às suas guerras

14 Abril, 2022

Mundo “não presta a mesma atenção às vidas de negros e brancos”, compara diretor da OMS. “Alguns são mais iguais do que outros”. Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde comparou a atenção dada à Ucrânia a conflitos noutros países, sobretudo na Etiópia.

Apoplexia de socialistas com socialista

13 Abril, 2022

Apesar do peso do estado na economia ser superior a 50%, um socialista destaca-se por querer ainda maior intervenção do Estado e por uma defesa intransigente de um estado social cada vez mais gordo e balofo.

Para financiar o seu lirismo, um socialista não se importa de endividar ainda mais o Estado e aumentar o déficit orçamental. Não hesitará em cobrar mais impostos, sobretudo aos mais abastados e às empresas. Em vez promover condições para o desenvolvimento, a obsessão socialista é com o modelo keynesiano doe pôr o Estado a gastar mais dinheiro e a redistribuir a riqueza criada por outros.

Um socialista dito moderno é muito crítico da globalização, dos modelos sociais anglo-saxónicos, e absolutamente contra o chamado neoliberalismo. Em vez de uma economia aberta, de livre-mercado e liberalizante, um socialista defende o proteccionismo, a intervenção estatal e a regulação central das actividades económicas. Daí que um socialista advogue um Estado musculado, taxas e barreiras às importações e alguns até a nacionalização de bancos.

Mas reconheça-se que a narrativa socialista é especialmente sedutora junto dos empregados por conta de outrem, dos operários e dos jovens. Alguns exemplos de medidas que apelam a esta sociologia do voto socialista são a proposta de aumento das pensões e de baixar a idade da reforma para os 60 anos, transportes públicos gratuitos e isenção de IRS para os jovens, a fixação de preços para combater os efeitos da inflação, a subida do salário mínimo para 1.000€, a criação de um imposto sobre o património financeiro, aumentar em 15% o salário dos professores, construir 100.000 habitações públicas por ano, investir mais 20 mil milhões de euros no sistema nacional de saúde, criar um ministério para a luta contra a fraude fiscal, apostar na reindustrialização do país ou a promessa de garantia de preços mínimos para os produtos dos agricultores nacionais.

Se a esta agenda económico se juntar a defesa da despenalização do aborto e da eutanásia e se o líder de um partido socialista for mulher e duplamente divorciada, preencherá os melhores cânones progressistas. Se, em criança, tiver sido sobrevivente a um atentado terrorista e, na sua adolescência, tiver ultrapassado o trauma do abandono da própria mãe, essa líder não poderá ser melhor escolha. Se essa socialista tiver condenado a invasão da Ucrânia pela Rússia e fôr apologista de porta aberta para acolher refugiados de guerra ucranianos, será ideal. Se esta mulher política tiver 53 anos e dedicar o seu carinho a seis gatos que tenha como animais domésticos, então trata-se mesmo de Marine Le Pen, a candidata que disputa a segunda volta das próximas eleições presidenciais em França.

Os insuportáveis wokes que em bom Português se diz «rematados choninhas» andam muito preocupados com o perigo que representa aquela que chamam candidata da extrema-direita. Em caso de vitória de Marine Le Pen sobre Macron, estou certo de que muitos destes totós acabarão por querer a expulsão da França da União Europeia.

Macron é um social-democrata elitista que despreza as mais elementares liberdades individuais e, por isso, se eu fosse Francês não lhe daria o voto. Mas, diverte-me a apoplexia que muitos sofrem com a possibilidade de vitória desta candidata socialista, a candidata do campo político da maior parte dos analistas e comentadores portugueses, não do meu.

Em vídeo, aqui:

Há 215 anos a Ucrânia ficava em Portugal

10 Abril, 2022

Esta semana no Observador escrevo sobre a primeira invasão francesa. Tudo em Portugal em 1807 parece um eco daquilo que a Ucrânia está a viver: lá estão os massacres, a resistência popular sempre depreciada pelas acusações de reaccionarismo, a necessidade de salvaguardar a face do agressor derrotado… Mas razão desta minha viagem ao passado acontece também por uma questão de higiene. Que é como quem diz, vou ler o que puder sobre o “Jinot” e o Maneta para desse modo poupar-me a ver Rosa Coutinho ser agraciado no 25 de Abril com a Ordem da Liberdade…

E os periquitos e as begónias estarão a salvo de mais esse genocídio perpetrado pelos anti-comunistas primários?

8 Abril, 2022

Carmo Afonso, colunista do PÚBLICO: «Por cada vez que alguém compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho silvestre, seca uma flor campestre. Ao ritmo a que vamos não sobrarão nenhuns nem nenhumas

E pronto, se não conseguirem perceber eu traduzo

8 Abril, 2022

El nuevo líder del PP, Alberto Núñez Feijóo, ha ofrecido este viernes una entrevista en la Cadena Ser en la que ha sido preguntado por el pacto de su partido con Vox en Castilla y León.

¿Pero qué me dice usted? Será una broma, ¿no?”, la respuesta de Feijóo cuando le preguntan por los pactos del PP con Vox. “Que el PSOE nos diga que hay que romper con Vox cuando está gobernando con Bildu en Navarra, con Podemos en el gobierno de España y con los apoyos de ERC y Bildu para sacar presupuestos y leyes. Supongo que el manual de coaliciones del PSOE es el manual de lo que no se puede utilizar”, zanja Feijóo.

A excomunhão da Hungria

6 Abril, 2022

Tal como Portugal, a Hungria apoiou e implementou as mais pesadas sanções de sempre aplicadas pela União europeia à Rússia no seguimento da criminosa e totalmente injustificada guerra na Ucrânia da responsabilidade do agressor Putin.

Ao contrário de Moçambique ou Angola, a Hungria votou favoravelmente a condenação da ONU à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ao contrário dos mesmos países, já em 2014 a Hungria tinha votado a favor da condenação da anexação da Crimeia.

A Hungria já acolheu cerca de 400 mil refugiados de guerra ucranianos, diferentemente de Portugal que recebeu 15 vezes menos pessoas.

Todavia, jornalistas portugueses e comentadores televisivos nacionais, assim como a habitual trupe de arrogantes que se passeiam no Facebook e no Twitter, têm a lata de afirmar que a vitória de Viktor Órban nas mais recentes eleições gerais do país (tal como António Costa, aliás, com maioria absoluta) é uma vitória de Vladimir Putin.

Para esta gente que se pavoneia nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social a exibir o seu ridículo auto-convencimento de que são os mais humanos dos seres humanos e os mais bondosos dos bons, tudo o que fique aquém de uma resposta militar directa e total da NATO e de Portugal contra a Rússia não é civilizado nem aceitável. Curioso é que nenhum destes patetas tenha deixado o conforto do seu lar ou a protecção do seu teclado de computador para integrar a legião estrangeira que defende o território da Ucrânia. Assim como não se ouviu destes pascácios nenhuma revolta contra as mais do que dúbias posições de países ditos irmãos como Angola ou Moçambique.

Porquê?

Simplesmente porque Viktor Órban é de Direita, nacionalista, conservadora cristã. Esta Direita não é a minha e o homem parece ter pulsões autoritárias e populistas que rejeito. Mas, ao contrário do que se omite na opinião púbica, Órban derrotou a esquerda, mas sobretudo ganhou contra um outro partido, esse sim, radicalmente à direita.

As florzinhas de cheiro do pensamento, zeladores do politicamente correcto não perdoam é a Órban ter proibido propaganda de natureza sexual nas escolas, ser contra a legalização do aborto e da eutanásia, crítico das agendas da ideologia de género e dos fatalismos e fanatismos das emergências climáticas. O euro-cepticismo de Órban e sobretudo a primazia que dá às leis nacionais sobre os regulamentos que uma comissão europeia não eleita popularmente quer impor ao país, não lhe granjeou simpatias junto das elites urbanas bem-pensantes em Portugal. Daí que várias luminárias “comentadeiras” queiram castigar a Hungria ou mesmo expulsá-la da União.

Durante os dois anos da agora esquecida covid, chamaram Órban de negacionista e chalupa. Agora, com crise na Ucrânia chamam-no de putinista e colaboracionista com o regime russo, numa tentativa de segregação e criação de um cordão sanitário entre a direita política que é domesticada e tolerada pela esquerda, e a direita de que os beatos progressistas e globalistas têm receio.

São reflexos da húbris umbiguista e a velha e miserável técnica dos fracos lançarem anátemas sobre quem pensa de forma diversa e tem um diferente entendimento do mundo. Ao excomungarem Órban, revelam a vergonha que realmente têm pela Democracia e sobretudo o medo que têm da liberdade.

Em vídeo, a minha crónica de hoje está aqui:

Joshua

5 Abril, 2022

Tenho pena do Will Smith, mas, além disso, um sentimento de gratidão pelo que fez na cerimónia dos Oscars. Com o estaladão, mostrou-nos o que acontece quando vivemos com o espírito “redes sociais”: reacções imediatas, sem pensar, seguindo o instinto que nos foi sendo incutido e moldado para ficarmos por cima na solidão da nossa própria certeza na razão.

Havia algum motivo para o estaladão? Não, não havia. Nem há motivo para os constantes retweets sardónicos, para a violência que exercemos em manada perante o que consideramos burrice dos outros, pela pontificação constante e pelo culto do eu-cheio-de-razão com que educamos uma geração para que viva na constante ironia de não-causas. Todo o palavreado modernaço no seu bafio das micro-causas de paridade, igualdade, salvação do planeta (de quê, das nossas acções para o salvar pela destruição?), fobias variadas e -ismos de vão de escada.

Não bastava que Deus tivesse morrido, tínhamos também que matar a lembrança Dele dentro de nós? As redes sociais, na aparente “voz dada aos indivíduos”, tornou-os em engrenagens de uma máquina de atenção permanente para publicidade pela goela abaixo, tanto consumidores como vendedores por consignação da sinfonia de caixas registadoras criadoras da maior desigualdade de sempre entre os ricos – big tech – e os pobres – os proles “produtores de conteúdos” e consumidores de rancor.

O estaladão do Will Smith corresponde a 5 minutos de Twitter, a 5 minutos de Facebook, a 2 minutos de Instagram… Hordas de pessoas entretidas a linchar outros, sem qualquer contemplação pela humanidade destes, pela sua humanidade. Agradeço ao Will Smith o acto de se desgraçar em directo na televisão, para que outros vejam nele o exemplo a não seguir.

A strange game. The only winning move is not to play. — Joshua in War Games

CDS: O grupo dos amigos do noivo

4 Abril, 2022

No Observador escrevi sobre o congresso do CDS: Nas fotografias, qual grupo dos amigos do noivo, invariavelmente eles abraçam-se muito e riem ainda mais invariavelmente, com aquele ar de quem não só se acha o centro das atenções como está convencido que o mundo está suspenso à sua espera. O problema é que entretiveram-se tanto consigo mesmos que não perceberam que o evento que ali os levara já tinha acabado, que os demais protagonistas já tinham partido para as suas vidas e que noutros palcos outros cumpriam o papel que fora o seu. Não sei o que vai ser do CDS e muito menos o que vai ser o CDS. Mas acho que sei o que alguns esperam que o CDS ainda venha a ser: a comissão da candidatura presidencial de Paulo Portas. Politicamente falando, há formas de morte mais inglórias mas poucas tão cruéis.

“ton père est Portugais, ta mère est secrétaire”

3 Abril, 2022

Hoje o Figaro traz uma reportagem sobre Geoffrey Carvalhinho, apoiante e membro do staff da candidata Valérie Pécresse. Por cá ignoram-se as presidenciais francesas. Nem sequer o envolvimento de portugueses em diferentes candidaturas faz o qb para que se olhe para o que está a acontecer em França. Por sinal a campanha de Valérie Pécresse está a correr mal, muito mal mesmo. Mas o melhor será ler.

Todos em movimento…

3 Abril, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre a nova literatura de viagens, a que espelha o falhanço do país: Portas para Belém. Costa para a Europa. Rui Rio para a região Norte… E Portugal para onde vai? Para os últimos lugares da Europa.. Esta espécie de ficção sobre políticos sempre em trânsito não só nos distrai da realidade como se alimenta a si mesma. Afinal o país discute se António Costa vai ou não para a Europa, se Marcelo impediu Costa de ir para a Europa, se Costa vai ou não ignorar os avisos de Marcelo sobre a sua ida para a Europa… esquecendo o detalhe fundamental: não existe lugar algum à espera de António Costa na Europa!

O novo governo paritário

30 Março, 2022

O novo governo chefiado por António Costa toma posse hoje e é composto por 17 ministros e 38 secretários de Estado. Já sabemos, todavia, que é composto por um conjunto de personalidades que se notabilizam pela sua particular incompetência e especial bazófia.

A ignorância das matérias que tutelam não seria necessariamente uma má característica para um governante se fosse uma salvaguarda dos cidadãos de que o governo não se iria meter nas suas vidas. O problema é que a inabilidade dos socialistas que estão em posição de poder é de tal ordem que a desfaçatez com que tomam decisões tem invariavelmente empobrecido a maioria dos Portugueses e limitado paulatinamente as suas liberdades. Os poucos grandes grupos de interesses que têm beneficiado da governação de António Costa também sabem disto, mas tudo fazem para manter uma aparência de normalidade democrática.

Apesar disso, a composição deste governo de António Costa foi muito elogiada quer pelos comentadores arregimentados do costume, quer por várias pessoas da área política da suposta existente oposição. E o motivo deste louvor é ser o primeiro executivo paritário, com um número de mulheres ministras equivalente ao número de homens.

Se eu fosse progressista parecer-me-ia de uma arrogância ofensiva e até uma micro-agressão pressupor que fulano ministro ou sicrana ministra são seres cisgénero, ou seja, que assumem uma identidade de género idêntica ao sexo com que nasceram. Mas, passando por cima desta circunstância, confesso que veria com bons olhos este governo específico não ter uma única mulher. Isto pela simples razão de que, tendo mulheres, se demonstra que a falta de qualidade dos governantes não é exclusiva dos homens, que as más ideias socialistas também afectam as senhoras e que a inaptidão para o cargo é equivalente e aleatoriamente distribuída no partido socialista independentemente do sexo das pessoas.

Teria preferido ver uma bolsa de sanidade e decência entre as mulheres ao não aceitarem rebaixar-se e a equipararem-se a governantes como Costa, Pedro Nuno Santos, ou Fernando Medina. Sugerir que as mulheres podem ser tão estatistas e causar idênticos danos à vida dos Portugueses como estes homens é uma visão do mundo perturbadora porque duplica a probabilidade de escolha de maus governantes.

É que um governo socialista não é menos mau por ter mais mulheres ou maior diversidade de origem étnica ou religiosa dos seus membros. O que se deveria exigir a um governo moderno é que, independentemente da condição identitária e experiência de vida da sua equipa, administrasse a coisa pública sem a arrogância de pressupor que o executivo sabe melhor orientar a vida dos portugueses do que estes o fariam com a autonomia, responsabilidade e liberdade próprias das suas decisões individuais.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Fantástico

30 Março, 2022

Desculpem, mas perdi-me

28 Março, 2022

Aquela cena de pancada na cerimónia dos Oscars deve ser definida como “dois afro-americanos resolvem atraveś da violência heteropatriacal disputa machista em cerimónia concebida segundo a perspectiva de género e da diversidade”? Ou será melhor assim: “mulher de actor afro-americano assiste qual esposa branca passiva ao murro que o seu marido deu na cara de outro actor afro americano com o qual ela teria mantido relacionamento no âmbito do casamento aberto que ela e o agressor garantiam ter”?

Canadá dá lição ao Mundo de luta pela Liberdade

28 Março, 2022

A 22 de Janeiro deste ano iniciava-se uma grande marcha dos camionistas canadianos contra a imposição do passaporte de vacinação à covid para passar a fronteira canadiana. Numa manifestação de solidariedade nunca vista, os canadianos – vacinados e por vacinar – saíram todos à rua em apoio incondicional aos bravos motoristas que fizeram da sua luta uma guerra aberta, também, contra as restrições sanitárias que agonizavam o país há 2 anos consecutivos.

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Uma grande mentira e a grande ilusão

25 Março, 2022

No meu artigo de hoje na coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador, digo que «mesmo que já se tenham apercebido do mal infligido às pessoas (sobretudo os mais vulneráveis e desfavorecidos), obrigando à alteração de comportamentos e suspensão de projectos de vida com base em orientações e raciocínios enviesados que claudicaram ao medo e à pressão social, quase ninguém da classe dos especialistas, das hordas de zeladores de cumprimento da inédita etiqueta sanitária ou da catrefa de influenciadores twitteiros admite os erros grosseiros que cometeram e muito menos assume culpa da imoralidade de 24 meses de políticas e decisões que, ao contrário da narrativa prevalente, nunca foram baseadas na ciência.

Embora não se espere que venham a sentir vergonha na cara, esperemos, pelo menos, que o fracasso das suas teses já não possa ser encoberto e, se remorso de consciência não é algo que os pareça afectar, talvez a negação do perdão popular os faça ansiar pela indulgência divina.»

A grande mentira e a grande ilusão digo quais são no resto do artigo que pode ser lido na íntegra aqui:

Emergência sanitária

24 Março, 2022

Ontem ficamos a saber que o governo decidiu prolongar o estado de “situação de alerta” até 18 de Abril e que se mantêm inalteradas as “medidas” atualmente em vigor (para quem as queira cumprir), nomeadamente a obrigatoriedade legal do uso de máscara em espaços interiores públicos, serviços de saúde e transportes e incluindo a sádica sujeição de crianças a esta norma infame dentro das escolas.

Deve ser para «salvar a Páscoa»…

Entretanto, na minha crónica de ontem falo da artimanha do Presidente da República combinada com o Governo e que é uma iniciativa desbragada e perigosa de criação de um salvo-conduto para suspender direitos fundamentais a eito, evitando controvérsia e escrutínio acerca da privação das liberdades.

Então… é isso

23 Março, 2022

Quero deixar a todos os leitores um sincero pedido de desculpa. Apercebi-me do risco — diminuto, eu sei — de ter, ao longo dos anos, escrito qualquer coisa que fizesse um de vós pensar. Pior que isso, há o risco de ter influenciado alguém, o que, por remota que seja tal hipótese, é uma perspectiva demasiado assustadora para ser encarada de ânimo leve. No entanto, acho difícil que alguém ligasse ao que alguma vez escrevi — eu não ligaria —, restando-me esse alento altamente provável de primum non nocere.

Os últimos dois anos têm sido muito duros, com o aumento acentuado da submissão europeia à irrelevância no mundo e com a transformação definitiva de Portugal numa cleptocracia de pseudo-artistocratas falidos do partido único (eu sei que há vários, até mais que antes, mas salvo o PCP são todos iguais em… essencialmente tudo). Ideias peregrinas como a democracia têm sido moldadas até à total ostracização dos marginais da nova religião jacobina, aquela que é propagada diariamente na RTP, na SIC, na TVI, na CMTV, no Jornal de Notícias, no Público e n’O Observador.

Com os média a fazerem o pleno da viragem do apocalipse por covid para o apocalipse por russos, testemunhei que nós, os poucos que mantêm uma certa calma na confiança da desgraça que é (e sempre foi) a condição humana, perdemos qualquer lugar no mundo. Às tantas, nunca o tivemos. A populaça está de forquilhas na mão a exigir uma coisa qualquer — prostrar-se perante Biden, a Oprah e qualquer ideia de “ocidente” baseada em humanos como produtos comerciais através de redes sociais que nos impinjam mais merdas inúteis made in China (but “designed” in California!).

É para ir para a guerra pelo “ocidente” e pela “auto-determinação”. É, mas eu estou fora. Sei que tenho que escolher, e fiz a minha escolha: o meu lado é aquele em que vocês não estiverem. Quereis acreditar que o mal é o Putin e não um Putin, que o mal é o Hitler e não um Hitler, be my guests, escolham o vosso veneno. Eu escolhi o meu: onde vocês não estiverem, é onde eu estarei. Nada muda porque nada é suposto mudar: o mal somos nós e a salvação é individual. Assim me confesso: perdoai se influenciei um único de vós.

Agora vou mas é para a praia, enquanto há praia. Boa sorte para vós, mas, sobretudo, boa sorte para mim.

Resumo definitivo da guerra, Ageu, Zacarias e Malaquias e provérbios chineses

23 Março, 2022

As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos habituar ao mau cheiro.

Ao lado das vítimas

21 Março, 2022

Não sou entendida em guerras e por isso não estava nos meus planos escrever sobre a invasão da Rússia à Ucrânia. Mas a irracionalidade de alguns fundamentalistas à direita, não me deixou alternativa em defesa dos meus princípios e valores, depois de me dirigirem violentos ataques nas redes, numa tentativa de linchamento de carácter que não admito.

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