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A Política é Um Jogo

24 Abril, 2017

A política não passa de um jogo. Por vezes sujo. Muito sujo. É um  imenso tabuleiro onde os jogadores manipulam as peças a seu bel prazer com um único objectivo: ganhar. Não importa o que se diz. Não importa o que se promete. Não importa se é mentira. Não importa as consequências. O que importa mesmo é ganhar seja a que preço for. Dizer hoje uma coisa e desmentir amanhã é socialmente aceite porque instituiu-se que faz parte do “fazer  política”. Tudo muito normal. José  Miguel Júdice assim o afirma, sem pudor algum.  Ler mais…

25 de Abril de 2017

24 Abril, 2017

Carnation isolated on white background

Chegou aquela altura do ano. Aos 43, ainda restam alguns anos até que a menopausa aniquile a vontade de se relacionar com ele com genuíno entusiasmo. Passou tão depressa. Para já, está no que considera ser o pico sexual, desprovida de pruridos, disposta a experimentar novas posições e, bolas, antes que mude de ideias, o tal ménage à trois que ele acabou por confessar que há muito desejava. São adultos, estão juntos há tanto tempo, não faz qualquer sentido sentirem ciúmes por algo que nem sequer envolve afectos, que não passa de luxúria inconsequente.

Ah, mas os miúdos… Sempre com problemas. Tiram a vontade a qualquer um. Não há contraceptivo mais eficaz que os dispositivos extra-uterinos que dormem no quarto ao lado. Deviam passar um fim-de-semana a sós, sem filhos. Um restaurante agradável, nada de fast food e happy meals, uma refeição sem brinde de plástico e uma garrafa de vinho para os dois. Este mês não dá: há o torneio de futebol e, no Domingo, as compras para a mãe dele, que foi operada à anca. Para o próximo também não, que é o da certificação lá na repartição e terá que trabalhar horas extraordinárias. Depois vê-se. Agora é que era bonito, que é Primavera. Talvez no Verão.

Não é que sejam infelizes, mas discutem muito. Falam muito e escutam pouco. Um dia que os filhos saiam de casa, continuarão juntos? É cedo para saber, ainda são pequenos. Mas, depois, será tarde para arranjar outro, não? Para se apaixonar outra vez? Além de que é uma canseira e as feições começam a enrugar, além do cabelo, o que exige tinta semanal para afastar as raízes brancas como cal. Não se pensa nisso. Espera-se que corra pelo melhor. É confortável acreditar que ficarão sempre juntos, nem que a paixão esmoreça.

Festeja-se o aniversário, que os miúdos ficam contentes, mesmo que não apeteça lá muito. O que saberia bem mesmo era passar o dia no sofá sem que ninguém chateasse.

uma vitória de pirro

23 Abril, 2017
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macron

É bem provável que Emmanuel Macron ganhe, à segunda volta, as presidenciais francesas. Apesar do voto em Mélenchon e em Fillon não ser automaticamente transferível para o ex-ministro socialista, até porque, sobretudo no primeiro dos dois candidatos votaram eleitores sociologicamente muito mais próximos de Le Pen, o elevado índice de rejeição à líder da FN deverá ser suficiente para que ela perca estas eleições. Esta será, porém, uma vitória de Pirro, que poderá não ter outro efeito que não seja o de adiar, por cinco anos, um desenlace fatal da vitória da extrema-direita. Os sinais disso são claros. Primeiro, já nestas eleições, 41,2% dos franceses votou contra a União Europeia e não se antevê que a União lhes venha a dar motivos para reverem a sua posição, num futuro próximo. Segundo, porque a islamização de França, onde reside a origem do terrorismo que tem assolado o país, não se resolve com «políticas» de imigração ou outras, porque o tempo para isso já lá vai. Hoje, a comunidade muçulmana francesa é gigantesca, não se acultura, cresce enormemente e continuará a querer ver o Islão implantado nas terras gaulesas. O fim do terrorismo nesse país é uma distante miragem. Por fim, porque Macron, sendo eleito, será um presidente sem partido, o mesmo é dizer, sem exército, que terá de negociar, a par e passo, qualquer medida estrutural que pretenda pôr em marcha. Ora, com um Partido Socialista à beira da destruição e com a Frente Nacional a ultrapassar a direita republicana clássica, não se imagina que o sistema partidário se submeta ao novo presidente, que tratará de desgastar o mais que puder. E como Marcon não é, seguramente, de Gaulle, será no quadro da V República que o próximo presidente será eleito. Daqui por cinco anos, com mais terrorismo, mais contestação europeia e mais conflitualidade política. Não vai dar bom resultado.

sauve-qui-peut!

22 Abril, 2017
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Sobre os ombros destes quatro irresponsáveis da fotografia repousa o futuro de todos nós. É preocupante! Da esquerda para a direita, o primeiro cidadão apresenta-se a sufrágio envolvido em escandaleiras de venalidade política, que atingem os seus familiares mais próximos. O segundo, com as mãos entrelaçadas, quem sabe em gratidão ao Senhor pelo resultado que as sondagens lhe vão prometendo para amanhã, foi, ainda há pouco tempo, ministro da economia de um dos piores governos da V República Francesa. E em que estado deixou ele a economia do seu país, Senhor! O terceiro, que certamente se terá esquecido de trocar o casaco de lareira, onde estaria a dormitar antes do debate, pelo do fato, tem dito, ao longo da campanha, inúmeras patetices bolivarianas, de recorte madurista. Se alguma vez chegasse ao poder, o melhor que poderíamos desejar era que não soubesse o que fazer com ele. Se, por acaso, levasse a sério o que tem dito, a França deixaria de ser uma país democrático e ainda mais perigoso do que já está. E, por fim, a menina da fotografia, a Joana D’Arc da nova extrema-direita francesa, a filha ainda não pródiga do velho fundador da FN, provavelmente a mais perigosa dos quatro, considerando que Mélenchon dificilmente chegará ao poder. A menina Le Pen pede aos franceses uma oportunidade para dirigir os seus destinos. E para quê? Para tirar a França da União Europeia, mandar às malvas o eixo Paris-Berlim, que tem aguentado a paz e a prosperidade europeia nos últimos 65 anos, rebentando, assim, com o nosso modo de vida, que pode ter muitos defeitos, mas que é certamente melhor do que o que o precedeu e provavelmente muito melhor do que o que lhe sucederia. Por ser essa a consequência principal do seu hipotético reinado, é que a menina Le Pen recebeu o imprevisto (?) presentinho do Daesh, de há dois dias, nas ensanguentadas ruas de Paris. As eleições presidenciais francesas são um autêntico pesadelo do qual a melhor saída será sempre a menos má, mas, ainda assim, certamente péssima. Amanhã começaremos a saber qual será ela.

Ninguém grita homofobia?

22 Abril, 2017

Ninguém grita homofobia?

Xavier Jugelé, 37, Officer Killed in Paris, Was Defender of Gay Rights

Então, Fernanda? Rui? Filiados no Livre? Catarina? Jovens bloquistas? Quadros? Gays pela Palestina? Movimento LGBTPISFEFHWOWSDDRSS–2? Ninguém?

Isabel?…

Podemos ficar fora da rede transeuropeia de terror?

22 Abril, 2017

Na semana em que o Senhor Presidente da República conseguiu o feito de chegar ao local da queda de um avião antes das televisões, diz-se que para oferecer aos portugueses a segurança participativa e emotiva em todos os eventos que caracterizam a vida quotidiana, uma espécie de “dar a mão e o conforto a todos que possam necessitar”, o Senhor Primeiro-Ministro, dotado da sua cândida pose de chavasco que causa pejo a quadrúmanos, veio dizer-nos que “nada pode ser feito” para que não haja novos atentados terroristas. Na realidade, prefiro acreditar que disse que “nada pode ser feito para que não hajam novos atentados”, tendo sido a deslocação da posição das aspas uma pequena cortesia dos jornalistas.

Oferecendo um delicioso corolário para pontuar o estropício, disse-nos que “por cada caso que aconteceu, dez não aconteceram”. Ora, não aconteceram porque, como “nada pode ser feito” para evitar actos de terror, os dez foram contabilizados a olho, com um achismo daqueles em que o número é escolhido para não parecer nem excessivo nem deficitário, ou, porque como até há algo que pode ser feito — e é feito — foram neutralizadas atempadamente — e graças a Shiva1 — as acções que levariam a um fatal acto terrorista?

É curioso que um homem com engenho para salvar a sua própria pele das facas da derrota eleitoral, nem que à custa de sacrifícios por contabilizar, tenha uma atitude tão conformada à inevitabilidade de “danos colaterais” em forma de morte de pessoas inocentes. A alternativa a este pensamento seria considerar que as declarações do Senhor Primeiro-Ministro são um convite à realização de um acto de espectaculosidade activista em território português, para não ficarmos fora da rede transeuropeia de terror, como já ficamos da do comboio de alta-velocidade. Bem, ao menos essa alternativa permitiria resolver a praga dos turistas e, quem sabe, ainda sacar uns fundos de solidariedade lá aos Hunos, mas o Senhor Primeiro-Ministro seria incapaz de sugerir tamanha barbaridade. Ou não seria?


1 Usaria “Deus”, mas tal conceito está démodé na urbanidade que se deslocará ao beija-mão do Papa.

O lado bom do comunismo é a face grafitada do muro

21 Abril, 2017

nazismo-bom-e-mau.png

Aguardamos ansiosamente o inquérito que diga que o comunismo teve coisas boas e más. Sugiro Portugal como local do inquérito, que é para podermos ler de seguida a opinião dos nossos interessantes colunistas assalariados e anti-capitalistas sem qualquer contradição graças ao materialismo dialético.