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Limpeza à maneira

22 Fevereiro, 2018

Andam aí muitas pessoas indignadas com um e-mail da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) porque, ai, caramba, eles não têm nada que me mandar limpar mato só porque vivo num apartamento da Rua Castilho ou porque não possuo qualquer terra (o eufemismo “possuir terra” atinge dimensões cómicas por altura do IMI). Enfim, gente que reclama por tudo e por nada, como se não fosse competência da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) mandar cortar mato ou lavar as mãos depois de usar o quarto-de-banho.

Pessoalmente, vejo com bons olhos a autorização implícita da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) para cortar os sobreiros do terreno vizinho (não chora, Câmara Municipal, com maiúscula, como Deus). E tu, azinheira… espera aí só um bocadinho…

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vá é jogar no euromilhões

21 Fevereiro, 2018
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1oooNão me lembro, na história da democracia portuguesa, de um político com tanta sorte como António Costa. Nem mesmo Ramalho Eanes, que foi parar a Presidente da República quase sem perceber como, ou Durão Barroso, que conseguiu ver-se livre do PSD para ir chefiar a Comissão Europeia, um dos tachos políticos mais cobiçados do mundo. Costa, contudo, excede-os a todos. Vejamos. Depois de uma humilhante derrota nas legislativas, contou com a disponibilidade, nunca antes imaginável, do PCP lhe viabilizar o governo e fazer dele, de um derrotado, um vitorioso primeiro-ministro (o Bloco, por troca de umas migalhas, estava disposto a tudo). Depois, beneficiou das reformas e dos cortes do governo anterior, começando a obter bons resultados económicos sem ter de se maçar muito, fazendo de conta que tinha terminado a austeridade. Em seguida, beneficiou da eleição de um Presidente da República que tudo fará para alcançar a reeleição, estando, por isso, integralmente disposto a não levantar ondas e a deixá-lo governar como quiser. E, por último, quando se aproxima o fim da legislatura e a altura adequada para que o PCP saltasse da carroça da geringonça, eis que lhe surge um líder da «oposição» cujo recado ao país é que está disposto a viabilizar um governo minoritário do PS em futuras eleições. Ou seja, no limite, mesmo sem maioria absoluta, o PS pode dispensar os apoios do PC e do Bloco. Ó homem, vá mas é jogar no euromilhões, antes que a sorte se acabe.

das teorias da conspiração

21 Fevereiro, 2018
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Durante anos, a direita teve quase sempre o bom senso, contrastando com a posição habitual do PS, de não imputar segundas e terceiras intenções à justiça, olhando para as investigações, inquéritos e processos judiciais com a normalidade que devem ter num Estado de direito democrático: há notícia de um eventual crime, o MP abre inquérito e investiga, os interessados apresentam as suas razões e, se o caso chegar a tribunal, presume-se que a justiça seja capaz de o concluir com o atributo que lhe dá nome.

Ainda há dias assistimos a isso mesmo com Miguel Macedo, que teve que se demitir do governo para não o comprometer com as suspeitas que sobre si recaiam, que estavam em investigação e que agora parecem demonstrar-se completamente infundadas. Em contrapartida, também recentemente assistimos ao caso dos bilhetes de futebol de Centeno, que deu azo a um necessário inquérito do MP, rapidamente encerrado por falta de matéria. A esquerda incomodou-se. À direita não costumam haver «cabalas», «conspirações», nem peregrinações a Évora.

Por isso são de estranhar estas declarações da novel vice-presidente do PSD, que, face a um inquérito do MP sobre denúncias, já com algum tempo, a respeito da sua gestão na Ordem dos Advogados, venha dizer que a querem «tramar» e que «não me demito se for constituída arguida». Numa direcção liderada por alguém que sempre prezou a transparência na vida pública e que faz dela, agora, uma bandeira do partido, é, no mínimo, estranha esta tendência exibida para as teorias da conspiração.

Não me deixam responder!!

21 Fevereiro, 2018

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O Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura utilizaram as bases de dados da Autoridade Tributária para me enviar um email sobre assunto que não me diz respeito. Não tenho mato à volta de casa, nem sequer sou proprietário de imóveis.

Ia responder à missiva, conforme aliás  pedido expressamente pelo remetente, alertando para o facto de ter recebido a carta indevidamente e dizendo que me reservaria ao direito de interpôr uma acção judicial de responsabilidade civil contra o estado por manifesta violação das normas sobre protecção de dados pessoais.

Conforme se verifica pela imagem junta, não me deixam responder!

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In vino veritas, in champanhe patranhitas

21 Fevereiro, 2018

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Contava-me a minha avó que sentir as orelhas repentinamente quentes e vermelhas era um sinal evidente de que alguém estava a falar de nós. Caso fosse a orelha direita, estariam a dizer bem; se fosse a esquerda, estariam a dizer mal. Durante estes dias, em que muito se discutiu a figura de Rui Rio, dei por mim a pensar que, caso a minha avó estivesse certa, o novo presidente do PSD teria passado as últimas duas décadas com as orelhas a piscar intermitentemente, como se fosse uma árvore de Natal ou um carro dos bombeiros a caminho de um incêndio.

Durante os seus mandatos à frente da Câmara Municipal do Porto, tive de o defender algumas vezes em conversas onde o via alvo de ferozes acusações de falta de sensibilidade social, autoritarismo, ódio à cultura, economicismo e submissão aos interesses de especuladores. Algum tempo depois, tive de me defender algumas vezes em conversas onde me via alvo de ferozes acusações por ser apoiante de um homem, Passos Coelho, que, para esses mesmos interlocutores, estava a trair o verdadeiro e nobre espírito social-democrata do partido de, entre outros, Rui Rio! Inevitavelmente, desde o dia em que foram divulgados os resultados das directas, voltou a ser a orelha esquerda do político portuense a grande vítima dos seus bipolares analistas, o que significa que não deve faltar muito para me ver de novo envolvido em zaragatas verbais.

A verdade é que Rui Rio só me dá trabalho. Ainda esta semana, por causa dele, passei horas infinitas a pesquisar textos e vídeos antigos. Tudo teve início numa notícia do DN, na qual o realizador João Salaviza lhe apontava o dedo, referindo uma imagem em que o podemos ver a brindar com champanhe durante a demolição do bairro do Aleixo. Sobre essa celebração borbulhante, o deputado José Soeiro, uns dias depois, chamava canalha ao ex-autarca (sim, já estamos nesse ponto), dizendo que nunca conseguira esquecer a dita imagem. A partir daí, bombeado por um mar de gente, começando na líder do Bloco de Esquerda e terminando na senhora que lhes limpa a sede, o “champanhe do Rio” espalhou-se pela internet, inundando tudo à sua passagem como se estivéssemos numa festa do grande Gatsby. A famosa imagem, essa, é que não há forma de aparecer. Todos os jornais, rádios e televisões do país estiveram presentes durante a demolição, mas eu continuo sem saber se o brinde foi feito com champanhe francês ou com espumante nacional. Como é que querem que eu tenha uma opinião sobre o trauma profundo de José Soeiro quando nem sequer sei se o tchim-tchim foi feito com taças ou com flûtes? Uma pessoa chega até a pensar, depois de tanta investigação infrutífera, que o “champanhe do Rio” não passa de uma historieta fabricada, mas depois lembra-se que esse nunca foi o método do Bloco e volta a mergulhar no Google.

 

Ó senhora pq não se refugiou em Cuba ou ficou pela Venezuela? Sempre poupava no penteado

21 Fevereiro, 2018

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Anna Gabriel uma espécie de pasionaria do independentismo catalão, que arvorava o o look característico da agremiação por terras de Espanha, ponderou refugiar-se na Venezuela. Vá lá saber-se porquê preferiu a mui conservadora, capitalista e nada revolucionária Suiça. Para começar a acomodação naquele país mudou de look. Por cá a notícia da fuga de Anna Gabriel tem sido parcamente dada e obviamente sem referir esta espantosa mudança de loook

«a menina dança?»

20 Fevereiro, 2018
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– Só se o senhor não puser as mãos onde não deve.

-Ai, isso é que já não posso prometer: um homem não é de ferro.

-Então, está bem.