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“Eu também gosto de vegetais, mas um bom bife também calha bem”.

17 Setembro, 2019

Quando perceberam que o PAN podia ter o deputado que falta a António Costa os geringonços PCP e BE desataram a malhar no PAN. Jerónimo de Sousa que ainda por cima  não sabe o que fazer com aquele trambolho dos Verdes disse o óbvio: “Eu também gosto de vegetais, mas um bom bife também calha bem”. 

Por fim venho indagar do interesse dos amantes da Amazónia desde que o Bolsonaro é presidente, animais, pessoas, baratas e demais bicharada: não querem fazer uma acção de campanha rodeadinhos de vespa asiática?  Mas não é em Lisboa num daqueles parques que se encerram até o ninho ser destruído (aquilo do bem-estar animal vai de férias nesses momentos) é mesmo naquele país que só conhecem na versão folclórica.

 

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A propósito do debate de ontem

17 Setembro, 2019

Fiz este comentário para o Observador-

Vencedor (podia ter sido): Rui Rio. O líder do PSD é muito mais telegénico do que Costa, tem muito melhor dicção e é dono de um discurso muito mais fluido embora lhe penda o palavreado para o “orçamentês”. Posto isto, Rui Rio, ao desatar numa diatribe contra a Justiça que ao certo não se percebe como pretende que funcione, mostrou mais uma vez como é um excelente salva-vidas de António Costa: graças ao insólito momento de Rio, o primeiro-ministro fez de sensato e nem sequer teve de referir Sócrates. Curiosamente, foi também a Justiça que permitiu a Rio um momento ganhador: quando o líder do PSD chamou a atenção para o facto de no programa do PS estar prevista a transferência dos processos de regulação do poder paternal para os julgados de paz quase parecia que o próprio António Costa não conhecia completamente aquela parte do programa do seu partido.

Vencido (mas ganhador): António Costa. O líder do PS sabe que muito do que afirma só será confirmado ou desmentido nos dias seguintes, portanto aposta no elencar de dados e medidas, mesmo quando estas são falhanços rotundos como acontece com o Programa Renda Acessível que regista uns embaraçosos 35 alojamentos inscritos – o Governo dizia que iam ser milhares – mas foi apresentado neste debate por Costa como uma das medidas bem sucedidas de redução de impostos. O mesmo com as suas declarações sobre a salvação da Segurança Social e o funcionamento do SNS. Porque o digo então vencido mas ganhador: porque esta sua atitude é aceite sem contestação, dentro e fora dos estúdios, como aliás bem se viu no final do debate quando ficou a proferir declarações, apesar destas não estarem previstas.

Nota final. A pergunta à candidata a Miss Mundo. Estava o debate a terminar quando José Alberto Carvalho avançou com o assunto que não exige preparação (exercício que manifestamente o jornalista não praticou para este debate) mas apenas declarações de fé: as alterações climáticas. São de antologia as patetices proferidas pelo jornalista e por Rio e Costa. Foi o momento “nem faço ideia do que estou a falar mas saio bem se me declarar muito preocupado”.

Abriu a época das promessas eleitorais

16 Setembro, 2019

Abriu a época das  belas promessas de campanha eleitoral de tudo e mais alguma coisa explorando ao máximo os nichos temáticos da moda como o clima e os animais para atrair votos fáceis, sem qualquer responsabilidade, sem fazer contas, sem estudar profundamente os temas, tudo a granel como se de um campeonato de quem faz mais propostas “cool” se tratasse, sem coragem para fazer uma política de verdade. A pergunta que impera fazer é: mas vão fazer isso tudo como? Sim, porque o dinheiro não nasce nas árvores e se Portugal não ganhou o euromilhões e é sabido que todos os serviços estatais estão em ruptura,  como diabo se pode prometer sem dizer como e onde se vão financiar sem ser à conta do sacrifício dos contribuintes?

A  primeira medida  para Portugal que todos deveriam garantir antes de qualquer outra seria prometer  fazer um diagnóstico de norte a sul do país, com auditorias externas a  cada organismo estatal, ao milímetro,  para identificar e eliminar cada ponto crítico seja funcional seja financeiro do Estado – nesta fase é quando normalmente se descobre que há contratos para mudar duas lâmpadas por milhares de euros  ou se paga serviços de jardinagem para espaços sem jardins, institutos e observatórios sem actividade ao estilo da Grécia –  e depois avançar com uma reforma estrutural profunda na máquina estatal corrigindo esses erros de gestão para reverter o Estado  obeso, deficitário e falido num Estado eficiente, económico, mais leve, mais justo e com mais qualidade de serviços. Não se pode prometer aos cidadãos menos impostos, mais e melhores condições de vida, mais investimento nos serviços prestados pelo Estado sem curar primeiro o país doente que desperdiça recursos financeiros preciosos. Isso é enganar o eleitor.

Com a reestruturação feita, criar depois objectivos ambiciosos a todas as administrações públicas não permitindo que ano após ano apresentem prejuízos sem consequências. O mérito tem de ser compensado, a incompetência penalizada. E os prevaricadores expulsos do sector público, responsabilizados criminalmente com julgamentos de processos mais céleres,  penas pesadíssimas e responder  com património pessoal para dissuadir qualquer um a seguir o exemplo dos “chicos espertos”, proibindo inclusive ligações  de familiares nos governos e  pondo fim, assim,  à corrupção megalómana tentacular no erário público que é a principal causa da nossa desgraça há décadas.

Em paralelo liberalizar e desburocratizar  imediatamente toda a economia devolvendo-a aos privados tirando do caminho o Estado cujo o papel é de fiscalização e controle e não de agente económico.

Depois  da “casa” bem arrumada e gerida –  e nunca antes –  o Estado imediatamente começa a “ganhar oxigénio” e com contas equilibradas e superávits  já pode aliviar os impostos das famílias e empresas e em paralelo criar grandes estímulos fiscais aos investidores para fazer crescer o país e aumentar o nível de vida dos portugueses.

Mas isto implica coragem para fazer uma política de verdade. E dizer a verdade não atrai votos fáceis. Não é para político mole, farsante, fingidor que tanto se diz de direita de esquerda ou de centro consoante a “opinião pública” só para enganar papalvos – isto é recorrente à esquerda. Promete-se tudo sem qualquer estudo ou responsabilidade porque já se sabe que não é para cumprir. Que basta chegar ao governo e dizer “ah e tal isto está pior do que pensávamos” ou “vem aí uma crise internacional” e vamos por isso manter ou aumentar impostos. Enfim, a conversa de sempre.

Pelo caminho fica a credibilidade e a sensação do costume de que se está apenas a fazer propaganda porque estamos em ano de eleições. Lamento mas não é assim que se chega aos abstencionistas, a classe mais exigente dos eleitores. 

Se perdermos as eleições à direita não é porque aumentou as intenções de voto à esquerda é porque o abstencionismo de quem não se revê nesta  palhaçada,  aumentou. Porque o eleitor de esquerda vota sempre porque é o que vive ligado ao Estado, o da direita não. E são mais de 40% da população. 

Sem política de verdade não há transparência na mensagem, sem transparência não há confiança e sem confiança nenhum abstencionista vota. Porque é neste grupo que estão os desiludidos, fartos de trabalhar para aquecer enquanto outros vivem à sua conta: políticos, subsidio-dependentes, preguiçosos, vagabundos, criminosos.  É neste grupo que estão as pessoas que preferem emigrar a levar com mais política falsa de roubo fiscal. Mas também é este que manda à fava os políticos com mais facilidade  e quando não vê ninguém a dizer preto no branco como vai acabar com esta injustiça, revolta-se abstendo-se.

Nada é definitivo. A semanas das eleições todas as narrativas à direita podem ser ajustadas à verdade e transparência que se exige hoje mais do que nunca dos partidos que querem marcar a diferença. Basta dizer o que tem de ser dito de forma clara, objectiva e firme aos eleitores. Vamos a isso? Fica aqui o desafio.

Os especialistas no golpe do Boris Johnson

16 Setembro, 2019

indexPodem explicar se a coisa é mais ou menos grave que o golpe dado por este senhor a quem o país agora canta os Parabéns numa versão edulcorada da sua biografia?: Sampaio: “Fartei-me do Santana como primeiro-ministro”

Para o caso de se terem esquecido no tempo de Dom Afonso Henriques, Peniche era uma ilha

16 Setembro, 2019

Reportagens como esta do PÚBLICO “Era tão bonito. Tinha o areal atrás e íamos brincar para as dunas. E o mar estava muito longe” publicadas sob o título CRISE CLIMÁTICA deixam-se cegar pela ideologia. Trocaram a luta de classes pelo clima e tudo serve para provar o apocalipse. Frases como a deste título: “o mar estava longe” são bonitas mas não provam crise climática alguma mas apenas o que a humanidade sabe desde sempre: não são precisos muitos anos para ver como a paisagem se altera no litoral.
A concepção subjacente a artigos como este de que hove uma paisagem imutável e correcta levou a que se construísse como se a Natureza não existisse, fizeram-se casas nas arribas e depois veio-se gritar pela betonização das mesmas arribas e culpar o clima por aqueles disparates urbanisticos.
Lendo os jornais e ouvindo as rádios e televisões somos levados a acreditar que outrora o clima era regido pelo bom tempo e a paisagem não sofria qualquer alteração. Para o caso de se terem esquecido no tempo de Dom Afonso Henriques, Peniche era uma ilha. O engenehiro Guterres podia ter posto as calças de molho no Baleal!

Como plantar rabanetes no Rossio

15 Setembro, 2019

Como está toda a gente à espera da mui liberalíssima unanimidade de opinião acerca do partido Iniciativa Liberal, como quem não professa da fé pelo culto é só um “trolls das redes sociais” e como “por muito que [os trolls das redes sociais] digam que nunca quiseram fazer, isso não é verdade” é o mesmo que chamar-me mentiroso, usando o que César Monteiro respondia ao guarda prisional que lhe mandava desligar o rádio porque “não estamos aqui para chatear ninguém”, voltarei ao Blasfémias só depois da cessação desta febre debilitante que, ironicamente, tal como nos grupelhos marxistas, lida mal com dissentes, caso alguma vez passe. Entretanto, os resultados do exercício de ontem já estão disponíveis.

Pan.eleirices

15 Setembro, 2019

Até há muito pouco tempo o PAN foi encarado pelas restantes forças políticas com muita bonomia, simpatia e até tido como exemplo a seguir no modo de fazer política de forma mais moderna e apelativa ao eleitorado.

Aliás, no seguimento dos resultados das recentes eleições europeias, os restantes partidos procuraram adaptar o seu discurso e as suas prioridades às “causas” do PAN numa tentativa de não perderem votos entre as suas fileiras para a agremiação do deputado “biodanzarino“.

Até agora a peculiar Direita que temos fazia vista grossa ao neo-fascismo e totalitarismo do PAN porque entendia ser isso necessário a dar um ar moderno, urbano e virtuoso.

Nem o facto de este partido parecer posicionar-se como a possível bengala de ouro de António Costa em caso de necessidade de formação de uma maioria parlamentar alterou a postura.

CDS e PSD disputam entre si qual deles sinaliza junto do eleitorado estar mais preocupado com as alterações climáticas, a sueca Greta, o gás metano bovino ou o seitan escolar. Até a Iniciativa Liberal deu honras de primeiro capítulo do seu programa eleitoral ao tema “Sustentabilidade” conforme pdf online.

Sem desmerecer a gostosa tareia que ontem Assunção Cristas deu a André Silva no debate da RTP3, temo que o “click” para a atenção à verdadeira natureza distópica do PAN surgiu quando este cometeu a imprudência de propôr como regra que todas as refeições nos eventos promovidos pela administração directa e indirecta do Estado fossem vegetarianas.

Aqui, meus amigos, alto e para o baile! (ou biodanza).

A oligarquia não dispensa um bom bife.

Maduro_rest-Ok