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Marcelo, um símbolo de Abril

25 Abril, 2017

Um dos melhores símbolos do país que saiu do período que foi de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975 é Marcelo Rebelo de Sousa. Quando atacado ele é o filho do ministro do Estado Novo, o colonialista filho de colonialista, o beato… Quando aplaudido ele é “o Marcelo” ou mais propriamente o “Marcelo da TVI” e mais nada porque a direita não se diz de direita, aliás até se sente de esquerda. O consenso que rodeia Marcelo não passa de um trégua táctica que se pode transformar numa guerrilha feroz em escassas horas. Tivemos um pequeno vislumbre dessa passagem de ‘Marcelo presidente consensual e dos afectos’ a ‘Marcelo, o hiperactivo a cheirar a bafio do Estado Novo’ a propósito de umas declarações de Marcelo sobre a escravatura

Le Pen 40%?

25 Abril, 2017

O mais significativo nas presidenciais francesas, foi o resultado alcançado em conjunto pelos dois candidatos com programas e bases de apoio sociais-fascistas: Le Pen e Mélanchon. Juntos tiveram mais de 40% de votos. E no voto jovem (18-24 anos) mais de 50%.

Le Pen, na segunda volta, poderá sem dificuldade captar uns 4 ou 5% de votos do eleitorado de Fillon, uns 10% do eleitorado de Mélanchon e uns posinhos na abstenção atingindo marca certamente não longe dos 40%.

 

 

25 de Abril sempre

25 Abril, 2017

Criminalizar o enriquecimento ilícito é muito curioso. Parte do pressuposto interessante de que o enriquecimento ilícito é actualmente lícito e, portanto, que é necessário tornar crime o acto de enriquecer ilicitamente no futuro. Basicamente, sem artifícios de linguagem, é tornar o lícito enriquecimento ilícito em ilícito. É, também, bastante curioso que este seja um tema para as celebrações do 25 de Abril se nos lembrarmos que, a 26 de Abril de 1974, tudo o que fosse herdade ou quinta era para ser ocupada por constituir propriedade ilícita do “grande capital” e dos “fachos”.

25-de-abril-sempreNão deixa de ser bastante engraçado, para não dizer trágico, que seja uma pessoa do PSD a propor a conclusão, 43 anos depois, do programa revolucionário.

Por outro lado, o Senhor Presidente discursa contra o populismo. O circo é mesmo o maior espectáculo do mundo.

A Política é Um Jogo

24 Abril, 2017

A política não passa de um jogo. Por vezes sujo. Muito sujo. É um  imenso tabuleiro onde os jogadores manipulam as peças a seu bel prazer com um único objectivo: ganhar. Não importa o que se diz. Não importa o que se promete. Não importa se é mentira. Não importa as consequências. O que importa mesmo é ganhar seja a que preço for. Dizer hoje uma coisa e desmentir amanhã é socialmente aceite porque instituiu-se que faz parte do “fazer  política”. Tudo muito normal. José  Miguel Júdice assim o afirma, sem pudor algum.  Ler mais…

25 de Abril de 2017

24 Abril, 2017

Carnation isolated on white background

Chegou aquela altura do ano. Aos 43, ainda restam alguns anos até que a menopausa aniquile a vontade de se relacionar com ele com genuíno entusiasmo. Passou tão depressa. Para já, está no que considera ser o pico sexual, desprovida de pruridos, disposta a experimentar novas posições e, bolas, antes que mude de ideias, o tal ménage à trois que ele acabou por confessar que há muito desejava. São adultos, estão juntos há tanto tempo, não faz qualquer sentido sentirem ciúmes por algo que nem sequer envolve afectos, que não passa de luxúria inconsequente.

Ah, mas os miúdos… Sempre com problemas. Tiram a vontade a qualquer um. Não há contraceptivo mais eficaz que os dispositivos extra-uterinos que dormem no quarto ao lado. Deviam passar um fim-de-semana a sós, sem filhos. Um restaurante agradável, nada de fast food e happy meals, uma refeição sem brinde de plástico e uma garrafa de vinho para os dois. Este mês não dá: há o torneio de futebol e, no Domingo, as compras para a mãe dele, que foi operada à anca. Para o próximo também não, que é o da certificação lá na repartição e terá que trabalhar horas extraordinárias. Depois vê-se. Agora é que era bonito, que é Primavera. Talvez no Verão.

Não é que sejam infelizes, mas discutem muito. Falam muito e escutam pouco. Um dia que os filhos saiam de casa, continuarão juntos? É cedo para saber, ainda são pequenos. Mas, depois, será tarde para arranjar outro, não? Para se apaixonar outra vez? Além de que é uma canseira e as feições começam a enrugar, além do cabelo, o que exige tinta semanal para afastar as raízes brancas como cal. Não se pensa nisso. Espera-se que corra pelo melhor. É confortável acreditar que ficarão sempre juntos, nem que a paixão esmoreça.

Festeja-se o aniversário, que os miúdos ficam contentes, mesmo que não apeteça lá muito. O que saberia bem mesmo era passar o dia no sofá sem que ninguém chateasse.

uma vitória de pirro

23 Abril, 2017
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macron

É bem provável que Emmanuel Macron ganhe, à segunda volta, as presidenciais francesas. Apesar do voto em Mélenchon e em Fillon não ser automaticamente transferível para o ex-ministro socialista, até porque, sobretudo no primeiro dos dois candidatos votaram eleitores sociologicamente muito mais próximos de Le Pen, o elevado índice de rejeição à líder da FN deverá ser suficiente para que ela perca estas eleições. Esta será, porém, uma vitória de Pirro, que poderá não ter outro efeito que não seja o de adiar, por cinco anos, um desenlace fatal da vitória da extrema-direita. Os sinais disso são claros. Primeiro, já nestas eleições, 41,2% dos franceses votou contra a União Europeia e não se antevê que a União lhes venha a dar motivos para reverem a sua posição, num futuro próximo. Segundo, porque a islamização de França, onde reside a origem do terrorismo que tem assolado o país, não se resolve com «políticas» de imigração ou outras, porque o tempo para isso já lá vai. Hoje, a comunidade muçulmana francesa é gigantesca, não se acultura, cresce enormemente e continuará a querer ver o Islão implantado nas terras gaulesas. O fim do terrorismo nesse país é uma distante miragem. Por fim, porque Macron, sendo eleito, será um presidente sem partido, o mesmo é dizer, sem exército, que terá de negociar, a par e passo, qualquer medida estrutural que pretenda pôr em marcha. Ora, com um Partido Socialista à beira da destruição e com a Frente Nacional a ultrapassar a direita republicana clássica, não se imagina que o sistema partidário se submeta ao novo presidente, que tratará de desgastar o mais que puder. E como Marcon não é, seguramente, de Gaulle, será no quadro da V República que o próximo presidente será eleito. Daqui por cinco anos, com mais terrorismo, mais contestação europeia e mais conflitualidade política. Não vai dar bom resultado.

sauve-qui-peut!

22 Abril, 2017
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Sobre os ombros destes quatro irresponsáveis da fotografia repousa o futuro de todos nós. É preocupante! Da esquerda para a direita, o primeiro cidadão apresenta-se a sufrágio envolvido em escandaleiras de venalidade política, que atingem os seus familiares mais próximos. O segundo, com as mãos entrelaçadas, quem sabe em gratidão ao Senhor pelo resultado que as sondagens lhe vão prometendo para amanhã, foi, ainda há pouco tempo, ministro da economia de um dos piores governos da V República Francesa. E em que estado deixou ele a economia do seu país, Senhor! O terceiro, que certamente se terá esquecido de trocar o casaco de lareira, onde estaria a dormitar antes do debate, pelo do fato, tem dito, ao longo da campanha, inúmeras patetices bolivarianas, de recorte madurista. Se alguma vez chegasse ao poder, o melhor que poderíamos desejar era que não soubesse o que fazer com ele. Se, por acaso, levasse a sério o que tem dito, a França deixaria de ser uma país democrático e ainda mais perigoso do que já está. E, por fim, a menina da fotografia, a Joana D’Arc da nova extrema-direita francesa, a filha ainda não pródiga do velho fundador da FN, provavelmente a mais perigosa dos quatro, considerando que Mélenchon dificilmente chegará ao poder. A menina Le Pen pede aos franceses uma oportunidade para dirigir os seus destinos. E para quê? Para tirar a França da União Europeia, mandar às malvas o eixo Paris-Berlim, que tem aguentado a paz e a prosperidade europeia nos últimos 65 anos, rebentando, assim, com o nosso modo de vida, que pode ter muitos defeitos, mas que é certamente melhor do que o que o precedeu e provavelmente muito melhor do que o que lhe sucederia. Por ser essa a consequência principal do seu hipotético reinado, é que a menina Le Pen recebeu o imprevisto (?) presentinho do Daesh, de há dois dias, nas ensanguentadas ruas de Paris. As eleições presidenciais francesas são um autêntico pesadelo do qual a melhor saída será sempre a menos má, mas, ainda assim, certamente péssima. Amanhã começaremos a saber qual será ela.