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Portugal visto de Marte

18 Janeiro, 2021

O Presidente-candidato rodeado de jornalistas à porta de um hospital explica que a culpa pela propagação do Covid é dos portugueses que não estão a cumprir as regras do ficar em casa. Nenhum dos presentes achou nada de contraditório nesta imagem.

Os inimputáveis

18 Janeiro, 2021

Marcelo em lar do Barreiro deixa apelo ao confinamento

Marcelo partiu para uma acção de companha num lar sem saber se estava ou não infectado

Marcelo entrou num lar cujos utentes não recebem visitas dos seus familiares

Marcelo pede aos portugueses que tomem este confinamento a sério.

Marcelo está a gozar connosco, não está?

Reflexões da roulotte de farturas

18 Janeiro, 2021

Toda a gente tem um tio chato e inconveniente que se tenta, a todo custo, evitar convidar para o casamento. Não só é um indivíduo com a falta de tacto para referir alegremente que a noiva está gorda como é o primeiro a perguntar se aqueles segredos que pairam sobre o primo esquisito são de que tem andado a abafar a palhinha. O tio inconveniente não é politicamente correcto.

Contudo, por muito que se evite convidar o tio inconveniente para o casamento, como ninguém quer ficar de mal com esse lado da família, lá lhe enviam o convite. Ainda bem: não fosse o tio inconveniente e ninguém se atreveria a leiloar a liga da noiva.

Em tempos, os blogues foram o tio inconveniente. Agora parecem vítimas de covid. Assim sendo, enquanto a malta anda entretida a tentar mudar o mundo com a mesma subtileza de um gato a tocar harpa, cá vai disto: quem dá 20€ pela liga da noiva?

Qual o risco de qualquer uma destas pessoas contrair Covid?

18 Janeiro, 2021
Passeando no paredão de Cascais. Um perigo. A ser encerrado imediatamente.
Transportes públicos em Lisboa. Não existe qualquer risco
Para votar na Cidade Universitária em Lisboa. Não só não existe qualquer risco como é um SUCESSO no dizer do ministro Cabrita
Fila para centro de saúde. Apreciação oficial: Não existe risco

Nem para organizar mesas de casamentos servem

18 Janeiro, 2021

O que faltou aos eleitores na cidade universitária? Uma simples planta. Os eleitores chegavam à Cidade Universitária. Em vez de informação abundante em placards sobre as secções afectas a cada urna de voto, duas ou três senhoras com uns papéis na mão apareciam volta e meia a correr nas filas perguntando aos eleitores como se chamavam. Face ao nome lá diziam: reitoria, direito… As pessoas que já levavam longo tempo na fila iam à procura da outra fila. Mas acontece que a outra fila podiam ser várias. Por exemplo, a reitoria, tinha várias filas para as diferentes secções. Onde estavam os painéis com essa informação? Afixados em locais mais ou menos inacessíveis e que obrigava as pessoas a irem ao topo das filas. Recordo que a cidade universitária é enorme. Mandar alguém procurar uma informação ao pé da Aula Magna ou de Direito implica andar e andar. Perder o lugar na fila onde esta há tempo. Tudo aquilo tinha um ar de absoluto improviso. Ningém pensou que quem chegava à Cidade Universitária para votar não conseguia encontrar a secção que lhe pertencia, as três senhoras que voltejavam com os papéis tb não sabiam onde ficavam as secções e obviamente não bastava dizer “vota na reitoria” porque a reitoria tinha várias e distantes filas externas. Nem para organizar mesas de casamentos servem!

no dealbar de uma nova ciência

17 Janeiro, 2021
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A Confinamentologia:

“Confinamentologia é a ciência que estuda a atividade humana de mandar recolher ao domicílio sociedades inteiras, sem que se saiba exatamente porquê e para quê, daí resultando vantagens mal imaginadas e prejuízos bem palpáveis.”

Os passados da cabeça

17 Janeiro, 2021

O nosso corpo está aqui mas o cérebro está onde o leva a agenda mediatico-socialista (eu sei que estas duas palavras se tormaram sinónimas mas mesmo assim insisto no pleonasmo). Todos os dias gente que a si mesma atribui certificados de democrata discute como ilegalizar aqueles que eles definem como fascistas. Simultaneamente medidas em catadupa normalizam o que é próprio das ditaduras. Agora dá-se como certo que os velhos residentes em lares ilegais não terão o seu voto recolhido. Quando nos passou pela cabeça que em Portugal se inibiria o direito de voto a alguém em função da natureza da sua residência?

A solução é fechar olhos, tapar ouvidos e deixar a droga

17 Janeiro, 2021

Eu sou do tempo em que nós, as pessoas, acreditávamos que a democracia era irmos votar e assim conceder o direito ao governo de executar umas coisas com que concordávamos. Éramos uns idealistas. Felizmente, o mundo evolui e com isso as noções. Agora sabemos que temos a obrigação de ir votar para que governos tenham a desculpa institucional para fazer o que lhes der na telha.

A fila de ambulâncias no hospital de Torre Vedras indigna muita gente, indicando que o protocolo covid impede que doentes sejam devidamente empilhados em macas nos corredores, longe da vista, no tempo em que isso não nos incomodava. Agora incomoda. Essencialmente, tal acontece porque “o dever de confinamento”, uma figura constitucional tão válida como “o princípio da equidade” não se aplica a repórteres, só a vendedores de sapatos.

As pessoas discutem nas redes sociais, como se por o fazerem estivessem a participar civicamente nas ordens magnânimas dos governos “democratas”. Na realidade, e à primeira vista, tentam ser repórteres sem o livre trânsito vedado ao comum dos mortais. Já à segunda vista, o que transparece é que procuram um escape de liberdade nas palavras (mais ou menos) escritas para a liberdade que têm engarrafada na vida real. Há quem lhe chame plataformas de comunicação, mas já ouvi melhores expressões para droga.

Há também quem fale em desobediência civil. Não me ocorria que viver a vida possa ser uma forma de desobediência, mas estou certo que tal coisa ocorre aos governos da velha caquética a que chamamos Europa. A mim só me ocorre uma escapatória: a alienação. Portanto, para viver o tempo que me resta, que espero ainda ser muito, mas que nunca se sabe porque posso ter o azar de apanhar uma doença não-covid, necessito de ignorar o mais possível o que diz e manda toda esta gente que tanto me ama e, como tal, tanto me protege da intempérie, como se eu fosse uma criança daquelas todas modernas que nem os joelhos pode esfolar sob risco de chilique dos pais abrutalhados com a vida digital.

A geração mais bem preparada de sempre vai apanhar uma surpresa quando descobrir a mortalidade ou, com sorte, talvez a isso seja poupada se a morte os surpreender primeiro. Em qualquer dos casos, podemos contar que às criancinhas da altura será devidamente vedado o cadáver do familiar ex-“mais bem preparado de sempre”, devidamente embalado em duplo saco plástico, para que se possa perpetuar a obsessão ocidental pela imortalidade. E, de preferência, alguém que faça um túnel para esconder as ambulâncias em Torres Vedras, porque o que não se vê não nos afecta.

Isto vai acabar com o Estado português a reabrir os velhos postos da UCAL para vender leite

16 Janeiro, 2021

Hoje: Associação quer que restauração tenha exclusividade na venda de refeições

Quinta-feira: Governo vai limitar a venda de certos artigos não essenciais nos hipermercados. Artigos têxteis, de desporto e livros entre os que deixam de ser comercializados durante o período em que outros estabelecimentos comerciais estão encerrados

A nomenclatura está farta do povo

16 Janeiro, 2021

Os jornalistas que não confinam, os políticos que andam em campanha e o governo cujos membros viajam e reúnem estão indignados porque a senhora da retrosaria e o homem da loja de plásticos usam para citar o Público “expedientes” para não ficarem com rendimento zero durante o confinamento.

Se é para comerem todos, vamos lá comer todos

16 Janeiro, 2021

Acho errado que as pessoas que efectivamente pagam os salários dos funcionários públicos como cabeleireiras, livrarias, centros de estudo/actividades de tempos livres e escolas de desporto tenham que fechar e ainda pagar salários a professores para que passem o tempo a congelar as suas crianças e fazer-lhes a cabeça para o pós-pós-modernismo, a modalidade contemporânea de alienação perante a morte.

É para fechar? Fecha tudo. Não adianta absolutamente nada, mas permite concluir que não adianta nada. Assim, com o “confinamento” que penaliza alguns duplamente, quer privando-os de rendimento, quer obrigando-os a manter o salário de outros, podemos continuar a culpar as pessoas pelo curso da natureza. Se fechar tudo, ao menos conclui-se que fechar não adianta nada. Não que mude alguma coisa, mas ao menos obriga-se a que bazucas sejam usadas para subsidiar pais obrigados a ficar em casa para tomar conta de filhos menores de 12 anos em vez de encher bolsos da putaria do regime. Rebenta com a economia? Óptimo. Quanto mais depressa, melhor.

O senhor ministro da Economia já fez um decreto a proibir os bebeś de crescer durante o confinamento?

15 Janeiro, 2021

Para evitar os problemas da concorrência os supermercados e hipermercados vão deixar de vender roupa. As lojas de roupa fecharam. Sabem, por acaso, que o que serve hoje a um bebé para a semana já não dá?

Roupas e livros proibidos

15 Janeiro, 2021

Parece que por pressão e inveja da Confederação do Comércio e Serviços, uma vez que se decretou o fecho dos estabelecimentos comerciais a CCP pressionou o governo no sentido de proibir a venda de roupas e livros por parte dos supermercado que se mantêm abertos.

E o advogado de negócios Siza Vieira veio ufano informar que o grupelho chefiado por António Costa iria definir a lista de produtos abrangidos pelas medidas de proibição de venda de produtos no âmbito do desgraçado confinamento entretanto decretado.

Em Novembro fiz um video sobre o tema dos “negócios essenciais” onde dizia coisas que se aplicam de novo neste momento:


O direito a trabalhar e ganhar a vida é sagrado. Negar a uma pessoa o seu modo de subsistência é um desrespeito de um direito humano básico.

Vem isto a propósito de o governo definir, a pretexto da covid19, o que são actividades essenciais e não-essenciais. Passamos a ter burocratas a decidir que certos negócios têm maior valor do que outros.
Alguns chegam ao ponto de criticar os empresários dos negócios ditos não-essenciais e que querem manter a sua actividade aberta durante o confinamento egoísmo, desprezo pela saúde de terceiros.

Estamos a um passo de o Estado decretar o que as pessoas estão autorizadas a comer, beber, vestir ou fazer. Ou se calhar já demos esse passo em frente (ou atrás, conforme a perspectiva).

Fazer esta distinção entre o que é essencial e não-essencial é não perceber como a economia funciona. Uma actividade não funciona isolada de outra. Tudo está interrelacionado com um número infindável de outros produtos e serviços. Um restaurante fechado implica que os seus fornecedores de bens alimentares deixam também de vender. E estes, por seu turno, deixam de comprar aos produtores.

Ou seja, declarar uma actividade como não-essencial é equivalente a dizer que todas as actividades de suporte e relacionadas são desnecessárias.

Esta cegueira burocrática dos políticos reflete-se com particular impacto nos jovens. Aqueles estudantes que para obter um dinheiro extra, pagar os estudos e sobreviver dependiam de biscates, part-times ou trabalhos informais, deixaram de um momento para o outro de ter rendimento. O estudante que servia à mesa do café, o jovem recepcionista em eventos, o universitário que prestava serviços a recibo-verde, a estudante que era lojista em horário fora de aulas, o monitor de campos de férias, a rapariga que fazia inquéritos porta-a-porta, o operador de call-center. São apenas alguns exemplos das milhares situações que os confinamentos e estados de emergência fazem levar os jovens para as filas de fome e os pedidos de assistência aos bancos alimentares.

São inúmeras as notícias sobre casos destes por essa Europa fora, mas em Portugal parece ainda uma realidade escondida.

Uma epidemia não justifica que se centralize num membro do governo a decisão sobre os modos de subsistência que são essenciais e não essenciais. Ainda por cima na certeza de que o político jamais deixará de considerar a sua ocupação a mais essencial de todas.

Este desastre poderia ser evitado se se tratassem as pessoas como adultas e não como mentecaptos. Os negócios dependem dos seus clientes e por isso têm o incentivo a tomar as medidas de protecção que entendem adequadas para o nível de risco que empresários e consumidores estão dispostos a correr.
Por mais omniscientes que sejam os funcionários do estado, ninguém melhor do que as próprias empresas sabe a forma de adaptar o seu negócio às circunstância e riscos da covid19. É precisamente por nada saberem de como o mundo funciona que os políticos mandam fechar tudo, a eito.

Mas o que é essencial para uns, não é essencial para outros.
E todos os negócios são sempre essenciais para alguém!

A tranquilidade

15 Janeiro, 2021

A tranquilidade! Já podemos ir ao Continente comprar seitan sem ter que lidar com as velhas chatas a comprarem mantinhas para se aquecerem neste Inverno ameno. Podemos andar ali tranquilamente na secção de suplementos vitamínicos homeopáticos sem a horda de bárbaros que compram livros. Isto é o paraíso.

Há coisas que não se compreendem: há por aí gente que acha que cortar o cabelo é importante, como se alguma sardinha enlatada num autocarro quisesse saber da nova tendência de griffe perante o risco de se apanhar “o nooovo coronaaaavííírus” num salão de bairro. Há também aí gente que acha que a diferença entre uma sala de aula e um bar é a presença de uma bebida em cima da secretária, mas é claro que não é assim: as salas de aula têm separações em Plexiglas™ e a ciência já demonstrou que o vírus tem medo de (C5O2H8)n. Desafio qualquer um a ir contra a ciência. Além disso, uma esplanada é um ambiente fechado, com ar viciado, ao invés de uma sala de aula, arejada, mantida a 2ºC para assegurar que o vírus não se lembra de ir ao Continente comprar mantinhas.

A vida está mais tranquila, e isso é salutar. Ninguém pensa em coisas fúteis como férias. Ainda bem: as cidades já não aguentavam tantos bárbaros. É verdade que a diminuição do turismo a números de 1943 causa alguns problemas de desemprego para carteiristas, até pela nacionalização da actividade pelo governo, mas consta que estão na calha vários projectos estruturantes de requalificação destes profissionais em patriotas denunciadores das prevaricações dos genocidas que saem à rua.

Governo considera a contingência de reduzir acessos a serviços de streaming para garantir que a app StayAway Covid®™ tenha largura de banda suficiente para registar os 2500 casos registados nestes meses, o que faz todo o sentido. Ficar em casa é uma luta que devemos travar com a estoicidade com que se usa o cílicio laico e republicano, não com entretenimento fútil que nos desvia da missão de estarmos à janela a denunciar os racistas-xenófobos-misóginos que se atrevem a sair à rua sem um cão apenso à trela.

A vida nunca será como dantes, e ainda bem. Havia muita divergência, muita pluralidade, muito multiculturalismo. Temos que aproveitar esta oportunidade para finalmente alcançarmos os Mulher e Homem e Outros Novo.

Realmente nos EUA é tudo muito rápido

14 Janeiro, 2021

DN: «Republicanos já não têm medo de criticar Trump mas ainda não lhe viram costas»

Em Portugal, uma década quantos socialistas já criticaram Sócrates? Quanto a virar-lhe as costas isso só se pode fazer com aqueles que não se temem.

Uma espécie de declaração de voto

13 Janeiro, 2021

A propósito da eleição do Presidente da República faço uma espécie de declaração de voto.

Espero de um Presidente da República que seja um garante da defesa e protecção dos cidadãos perante os abusos do Estado nas suas vidas. Tudo o que Marcelo não fez.

Entendo que a estupidez de um novo confinamento e políticas cegas gerais semelhantes na vã e absurda tentativa de “conter o vírus” não podem ser denunciadas com falinhas mansas ou ter apenas críticas dóceis.

Exige-se mais aos actuais candidatos eleitorais.

Explico a razão de ver no voto nulo um sinal de esperança e lembro que Democracia não é sinónimo de Liberdade. Aliás, quanto menos a Democracia decidir sobre as nossas vidas, mais Liberdade teremos.

O meu video de hoje aqui:

Avante camaradas, e o arco-íris brilhará para todos nós

13 Janeiro, 2021

Hoje é o último dia. Aproveite-o bem. Leve o seu idoso à rua para um xixi e uma última corrida. Aproveite para levar filhos à escola enquanto dá. Passe pelos esfomeados na sua cidade, olhe-os com o desdém que merecem por secretamente preferirem um emprego a salvar-nos a todos do vírus morrendo longe.

Por falar em morrer longe, hoje, no último dia antes da prisão domiciliária, por uma questão de extremo bom gosto, a comissão de assuntos constitucionais, direitos, liberdades e garantias vai tratar deste assunto:

Como é óbvio, vai tudo ficar bem. Sempre ficou, sempre ficará. Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

O dramatismo

12 Janeiro, 2021

Eu sei que toda a gente, como a Ordem dos Médicos, decidiu dizer que a situação nos hospitais está bastante dramática. Lamento, porém, que só o digam agora. É que a situação nos hospitais já estava bastante dramática quando alguns de nós tiveram que levar alguém às urgências em 2020. Ou em 2019. Ou até em 2015. Mas, já que o dramatismo chegou agora e que vamos ter tempo livre para magicar nestas coisas num confinamento com multiplicador keynesiano reprodutivo de pipas de euros, já podemos questionar a decisão das 35 horas ou o tabu é para se manter por dramatismo insuficiente?

Declaração de voto

12 Janeiro, 2021

Chegou a hora de declarar o apoio a um candidato presidencial. Se não o fizer, o mundo ficará sem saber que apoio esse candidato e isso terá como consequência única o facto de ninguém ficar a saber o meu voto. Há expectativas a cumprir. Eu tenho que declarar o meu apoio a alguém para que pessoas que também vão votar nesse candidato fiquem satisfeitas com a minha decisão.

Só que não tenho. Fui ver a Constituição de ponta a ponta e não encontrei qualquer artigo que me obrigue a declarar apoio a qualquer candidato. Pelo contrário, talvez por má redacção, deixa até transparecer que cada um deve votar em quem quiser. Não encontrei em lado algum do texto a figura do pastor que leva o rebanho a verdes prados dizendo-lhe em quem deve votar. Depois pensei um bocadinho melhor, o que é sempre perigoso, e conclui não existir qualquer motivo para que alguém quisesse saber em quem voto. Depois desta profunda depressão existencial pelo absurdo da solidão de não ser um influencer, senti um enorme alívio, como quando conseguimos chegar a casa a tempo depois de sairmos do emprego já com vontade de fazer xixi. Portanto, não só posso votar em quem quiser como não tenho nada que dizer em quem vou votar para um grupo reduzido de pessoas que também não o quereriam saber.

Portanto, este será o meu voto, se por acaso for votar. Por outro lado, se acabar por não ir votar, poderei sempre festejar pela garantia de ter vencido as eleições.

Já entrei em confinamento e vocês também vão entrar

11 Janeiro, 2021

Passei o fim de semana a tirar mobília desnecessária da casa. A remoção da mesa de sala de jantar, um artefacto dos tempos em que a sociedade inconsciente se demitia de condenar repastos entre familiares e amigos, permitiu a construção de uma pirâmide de rolos de papel higiénico com base rectângular de 0,70 m por 0,90 m.

TPC 1 – MATEMÁTICA
ENTREGAR ATÉ QUINTA, DIA 14

Sabendo que pé-direito é de 2,96 m e que a pirâmide termina no seu topo num único rolo de 12 cm de diâmetro, qual o número de rolos de papel higiénico empilhados em pirâmide de forma a que esta tenha a construção mais harmoniosa possível?

O corredor está cheio de enlatados, das anchovas às sardinhas sem esquecer as salsichas e a cavala. Eu estou preparado, agora é só o governo fazer a sua parte. Ainda aguardo com ânsia pela notícia de que as crianças serão poupadas à morte certa nas escolas para que me possa regozijar por não ter qualquer necessidade ou desejo para sair de casa. A acumulação de lixo preocupava-me, mas percebi que com toda a gente em confinamento não há qualquer problema estético ou funcional em atirar os sacos de lixo para a escadaria do prédio já que ninguém a utilizará neste período. Claro que não deveria haver recolha de lixo: os lixeiros não são menos que os outros, pelo que não faz qualquer sentido andarem na rua a apanhar o vírus. Naturalmente, não receberei qualquer encomenda, seja de restaurante ou de supermercado: sou um cidadão consciente dos que deseja e sobretudo exige que ninguém ande na rua a fazer entregas a inconscientes para que depois estes contaminem estafetas e depois acabemos todos mortos. Eu sou altruísta. É por vocês, não é por mim.

TPC 2 – GEOGRAFIA
ENTREGAR ATÉ QUINTA, DIA 14

Sabendo que não voltaremos a morrer por doença, faça uma estimativa da população mundial em termos absolutos para que seja legalizada a eutanásia patriótica para efeitos de antropofagia sustentável.

Se fizermos isto tudo como deve ser, não morreremos. Não só agora, como sempre. Nunca mais morreremos. Não é bom? Não merece um pequeno sacrifício agora? Só fascistas poderiam estar contra este desígnio da ciência e, consequentemente, da humanidade. A minha família acha que estou um pouco delirante, mas delirante estão eles, que querem andar aí em actividades ao ar livre completamente desnecessárias como a exploração do Homem pelo Homem a que se chama ironicamente de empregos e imoralidades como concursos de travestismo em forma de eleições. Estes covardes querem manter coisas abertas a que chamam “essenciais”, como se um enfarte pudesse ser mais incómodo que uma unha encravada, um síndrome de Guillain-Barré mais perigoso que uma constipação ou um idoso precisasse mesmo de encher os bolsos da indústria farmacêutica com medicamentos desnecessários como insulina, uma coisa que até o nosso corpo produz sozinho se nos protegermos do covid.

TPC 3 – EDUCAÇÃO CÍVICA
ENTREGAR ATÉ QUINTA, DIA 14

Qual o argumento conservador retrógrado para a limitação ao direito de livre associação sexual intergeracional, em particular no que respeita a situações que, por lastro religioso de moralidade ultrapassada, impedem o pleno amor entre membros da mesma família?

Precisamos de um novo modelo económico e político. Um modelo em que ninguém é mais que ninguém, em que todos valem o mesmo e em que todos são valorizados num humanismo ecuménico sem racismo, xenofobia, misoginia, islamofobia e que, em comunhão plena das nossas potencialidades humanas, possa cancelar de vez o cristianismo anti-liberal.

A sociedade pode não estar preparada para uma transformação radical, mas é por isso mesmo que precisamos de líderes fortes, como os actuais, que indiquem o caminho às pessoas. No caso português, António Costa errou ao permitir o Natal e, inclusivamente, permitindo que subsistam pessoas a escreverem a palavra Natal com maiúscula, como se esta não fosse uma palavra como as outras, como país, autocarro, nação, pessoa, médico, Funcionário Público ou Estado.

Eu apoio o confinamento e, como penso muito no bem-estar dos outros, apoio a repressão policial sobre qualquer indivíduo encontrado na rua. Na rua só polícias e com testes covid realizados antes e depois do trabalho. Tirando polícias para assegurar a eliminação imediata de prevaricadores genocidas, não quero ver mais ninguém na rua. Para vosso bem estarei sempre à janela, de telefone na mão, pronto para documentar nas redes sociais qualquer rebelde assassino que se lembre de sair de casa.

Pela imortalidade já teremos que fazer alguns sacrifícios. Morte a quem os rejeitar.

10 Janeiro, 2021

A 9 de Janeiro de 1986, os então candidatos presidenciais discutiram o poder (ou a falta dele) do Presidente da República para recusar a nomeação de Ministros pertencentes a partidos extremistas, considerando ambos que a hipótese seria “meramente académica durante muitas décadas”. A diferença de registo para os debates actuais é abissal, mas o mais interessante é posição de cada candidato sobre o tema. Adivinhe o leitor, antes de ver estes cinco minutos de história, quem defendia então que o Presidente podia recusar-se a nomear ministros de partidos extremistas. O debate integral pode ser visto aqui.

Pela parte que me toca…

10 Janeiro, 2021

extrema-direita é a tua tia. Um abraço

A gente não lê

10 Janeiro, 2021

Com o último post demonstrei uma coisa de grande interesse para a nação. Ninguém percebeu o post, o que só pode significar que ninguém lê o que Pacheco Pereira escreve. Antes de me acusarem de alguma coisa, quero assegurar que o facto demonstrado, o de ninguém ler Pacheco Pereira, não é em si positivo ou negativo. Efectivamente, não haveria nenhum motivo que nos levasse a concluir que não se deveria ler Pacheco Pereira ou o que qualquer outra pessoa escreve. Simplesmente, ninguém lê, daí que ninguém entenda o post, porque não leram Pacheco Pereira, porque caso tivessem lido, teriam entendido. Não quer dizer que não tenham compreendido algo do post: decerto que compreenderam alguma coisa; muito provavelmente até o interpretaram como tendo algum conteúdo, mas não o entenderam como foi concebido para ser entendido precisamente por ter sido concebido para testar a hipótese de ninguém ler Pacheco Pereira.

Não é que as pessoas leiam muita coisa, mas que não lêem Pacheco Pereira, isso podemos afirmar em certeza. Decerto perdem conteúdo de grande valor, mas nunca o saberão porque não o lêem. Provavelmente também não lêem o que eu escrevo, o que garante que não é só Pacheco Pereira que não é lido, muitas outras pessoas não o são e isso só pode abonar a meu favor, no sentido em que não poderia estar a gozar com a não-leitura de Pacheco Pereira sob pena de estar a gozar comigo mesmo, coisa que nunca faria pela seriedade com que levo a minha vida e a minha postura escorreita de Luz-e-Vida de várias pessoas que a mim recorrem para saberem o que pensar, e tudo pro-bono.

Portanto, se as pessoas tivessem lido Pacheco Pereira, saberiam interpretar o meu post, mas tinham que o ter lido, só que muitos não o leram e não se interpreta o que não se conhece a não ser no caso de sermos pessoas que não são lidas, portanto que podem dizer o que quiserem sem o risco de serem interpretadas. Se as pessoas tivessem lido Pacheco Pereira teriam percebido que o meu post, que não leram, aludia à referência que Pacheco Pereira fez ao Blasfémias no seu artigo que ninguém leu. Assim, como serviço público, deixo aqui a menção para que continue a não ser lida, como sempre foi, quer com Pacheco Pereira, quer com muitas outras pessoas, como eu, que ninguém lê, tal como ninguém lê Pacheco Pereira.

O mais importante trumpismo nacional não ousa mencionar o nome de Trump, mas apoia a inflexão populista e elogia-a. Agora estão caladinhos. Em blogues de extrema-direita como o Blasfémias, ou da ala da direita radical nostálgica do PàF, ou em particular no Observador, não faltam artigos em defesa de Trump, das suas políticas, muitas vezes aparecendo apenas como comentários contra os democratas e o Black Lives Matter.

Pronto, agora já toda a gente poderia perceber o meu post anterior, se o tivesse lido, e caso lesse este – e que não será lido, tal como Pacheco Pereira não foi lido. E assim acabo a minha explicação sobre a trágica falta de leitura dos portugueses excepto a minha e a do Pacheco Pereira, que estamos resignados a sermos os únicos a lermos o que cada um de nós escreve.

a fúria de agripina

9 Janeiro, 2021
by

Pacheco Pereira anda obcecado com um eventual regresso de Pedro Passos Coelho à política. É só isso.

Revista de imprensa

9 Janeiro, 2021

Ventura marca golo; o resultado passa então a ser 0-0

8 Janeiro, 2021

Estava convencido que não iria assistir a mais debates, mas a mórbida tentação demoníaca de ver pessoas estripadas após um acidente ferroviário levou a melhor e assim se tornou irresistível assistir ao debate entre Ana Gomes e André Ventura.

Devo dizer que gostei bem mais do que esperaria gostar. Por um lado, porque sei que o desempenho de Ventura irritou muita gente, mais até à velha convenção de direita do que à tradicional esquerda. Por outro lado, porque já é tempo de alguém escandalizar o que imagino ser uma horda obesa de auto-proclamados senadores detentores da moral e bons costumes de um regime do qual apenas se limitaram a cheirar a partir da escadaria o apetecível odor das iguarias oriundas da cozinha.

O respeitinho não entrou aqui, e ainda bem. Ana Gomes esteve no seu melhor desempenho de sempre, portanto de cabeça completamente perdida em deambulações nos chavões gastos de uma burguesia que usa “a esquerda” como um russo usa tatuagens da prisão. Uma espécie de Manuel Alegre mas sem o milhão de votos inúteis no bolso e a ocasional rima. Ventura esteve normal, até parecia um autêntico Mário Soares na Primavera de 1983 a repetir o papel já típico da direita: o atirar da toalha de Balsemão nessa altura e o desta, o de deixar Rio sozinho e desgovernado abdicando da crítica interna e transitando para a liga menor, a do isolamento em pequenos clubes numa convicção teimosa de grande ética e superioridade moral mas que no fim não traz de comer a ninguém (é um hobby).

Ventura tem demonstrado fragilidades, nomeadamente uma tendência do choque pelo choque sem valor acrescentado. Contudo, quando surge a oportunidade e lhe metem o alvo à frente, a seta espeta bem na mosca. A única recomendação que tenho, quer para a esquerda, quer para a direita, é para que não parem de gritar “fascismo” a cada oportunidade. Vivemos tempos interessantes. Claro, não vai dar em nada porque o nosso destino está há muito traçado, mas vai aquecendo os corações neste Inverno de prepotência que não leva ninguém a gritar “fascismo”.

Série – Conhecer o passado é dar de trombas com o presente – Edição 1

8 Janeiro, 2021

Os jovens são oprimidos por todo um complexo institucional e moral repressivos para, desde a adolescência, lhes serem incalculadas [sic] as ideias de obediência das “coisas que não se discutem”, dos sacrifícios incompreensíveis modeladores de uma mentalidade dócil tão necessária à dominação capitalista! A repressão sobre a livre expressão sexual dos jovens ao mesmo tempo que espalham, ao milhares, livros de “pornografia miserável”, é bem o espelho dessa vida de “fachada” que a sociedade capitalista nos quer fazer viver. Assim: Pelo direito à livre informação sexual! Pelo direito ao aborto livre e gratuito.

in Poder Popular, nº 31 (nova série), 4 de Março de 1976, pg. 10

Os candidatos podem confiar em Marcelo PR?

7 Janeiro, 2021

Aos minutos 31 do debate com André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa revela o que ouve de André Ventura quando o recebe em Belém. Se André Ventura tivesse um décimo do instinto político que lhe imputam tinha naquele momento denunciado este acto inqualificável do actual PR.

Já sairam as notas? Passei?

7 Janeiro, 2021

Há várias teorias sobre o que leva ao fim de democracias, porém poucas parecem incluir fenómenos contemporâneos que desempenham papel de variável principal na robustez do sistema democrático.

Em primeiro lugar, a atribuição de um valor em si mesmo a uma ferramenta. Não duvidando ser o melhor instrumento de escolha e rejeição de governantes, não passa disso: um instrumento. Não é um valor em si mesmo, é mais o melhor que se consegue arranjar. Um valor absoluto não necessitaria de ressalvas como mecanismos para evitar que democraticamente se rejeite a democracia. Só um serrote necessita de trava na pega, o próprio conceito de serrar não necessita de protecção.

Em segundo lugar, a crença actual de uma verdade absoluta evidenciada na multiplicação desses fungos a que chamam as rubricas de fact-checking. Quem fact-checks o fact-checker? E quem fact-checks o fact-checker do fact-checker? Ao jornalismo moderno não basta a busca difusa das peças de puzzle que compõem os factos: precisa de assegurar que encontrou a complexa divindade da realidade e que esta se encerra no relato que o próprio jornalismo produziu. Assim se criam deuses e bezerros dourados.

Em terceiro lugar – mas em primeiro de importância -, a transformação do discurso político em desporto. Todos os dias, após um debate como os desta pantomina a que se denominam “debates presidenciais” – e que mais que não são do que declarações do que cada candidato faria caso fosse primeiro-ministro, cargo para o qual não se estão a candidatar – surgem as pontuações atribuídas por gente tão díspar como intelectuais, malucos profissionais e socialites. É que nunca são taxistas, estivadores ou empregados de mesa. Muito menos são calceteiros. É como se os debates fossem uma espécie de patinagem artística, só que sem patins, sem vestidos curtos e sem qualquer capacidade atlética. Eu dou três pontos. Ele dá seis. Ela dá nota quinze pelas preocupações ambientais e por representar o contingente feminino, como que assegurando que as mulheres não são todas estúpidas, algo que nunca passaria pela cabeça de ninguém com capacidade funcional no mundo se não lhe estivessem sempre a chamar a atenção para isso. Tal e qual como o presidente em funções fazia quando tinha o seu próprio espaço de Cristina Ferreira na televisão. Ou então, outra possibilidade que não a visualização de debates como patinagem artística, é que a atribuição de notas seja uma oportunidade de terapia por trauma em avaliações escolares sofridas por estes indivíduos. “Agora vou vingar-me daquele oito a Análise Numérica III ou daquele sete a Teoria Desconstrucionista do Peido IV – Uma visão macroeconómica do metano”.

Decerto haverá mais factores, mas estes chegariam para explicar porque chegamos – aqui e muito possivelmente no resto do mundo – a este triste estado.

Galamba, Matos Fernandes e o hidrogénio

6 Janeiro, 2021

Os portugueses estão fartos de pagar impostos, de resgatar bancos e empresas públicas falidas e de serem chamados a contribuir pornograficamente para o enriquecimento de oligarquias penduradas em negócios com o Estado.

Este sentimento gera-se porque vemos que estão a mexer na nossa carteira sem consentimento e o Estado vem meter a mão no nosso bolso sem pedir licença.

Mas os portugueses, no fundo, são uns anjinhos porque estão a ser roubados em grande escala de outras formas sem sequer se aperceberem disso.

Sabe que desde 2006 já pagou em taxas de electricidade mais do que o valor de todas as injecções no Novo Banco? Tem consciência de que o Estado lhe cobrou através das facturas da EDP mais do que todo o orçamento anual do ministério da saúde? Tem noção de que o dinheiro dos seus impostos que vai ser despejado na TAP é uma história para meninos quando comparada com o valor do custo acrescido que paga pela luz em sua casa?

Não queria começar o ano com más notícias, mas a verdade é que António Guterres, José Sócrates e António Costa montaram ao longo dos anos uma farsa de “liberalização” do mercado de electricidade e os sucessivos governos socialistas alimentaram uma paixão pelas energias sustentáveis que já custou mais de 14.000 milhões euros e, além deste valor já pago em taxas, fizeram com que cada lar em Portugal ficasse adicionalmente com uma dívida de 500€ cujo pagamento será exigido no futuro.

A esta brincadeira de mau gosto chamam “custos de interesse económico geral” (CIEG) e o nome da coisa é misterioso precisamente para gozar connosco e ninguém perceber a razão do saque ao dinheiro do contribuinte. Mas no fundo o que os socialistas fizeram foi garantir a certos produtores de energia comprar toda a quantidade de electricidade que viessem a produzir a um preço muitíssimo superior ao practicado no mercado, garantindo-lhes a expulsão de concorrentes e a manutenção do esquema de remuneração até 2032.

Este engenhoso esquema de rendas garantidas pelo Estado faz com que a capacidade instalada de produção seja largamente superior às necessidades actuais do consumo de energia eléctrica dos Portugueses e, por isso, o excesso produzido é exportado a preço zero várias vezes ao ano ou pura e simplesmente “deitado ao lixo”.

Resultado: em relação, por exemplo, à energia solar os portugueses pagam um preço dez vezes superior aquele que deveriam pagar. Em vez de pagar cerca de 30€ MWh/hora estão a pagar 300€ MWh/hora.

Portugal está assim no podium dos países da União Europeia com electricidade mais cara para as famílias e mais de metade da fatura de electricidade dos consumidores domésticos se refere a impostos e taxas. Esta obscenidade é especialmente gravosa quando mais de metade dos portugueses tem dificuldades em aquecer a sua casa no Inverno.

Este ano o sobrecusto dito de “interesse geral” ascenderá a mais de 900 milhões de euros e na próxima década os portugueses pagarão mais 7.000 milhões de euros.

Como se fosse coisa pouca, António Costa sujeita-nos ainda às excentricidades e projectos megalómanos do seu ministro Matos Fernandes e do seu complemento João Galamba.

Quando a competitividade do país e o combate à crise económica exigiria baixar os custos de energia, o Ministério do Ambiente vai gastar num novo projecto de hidrogénio metade do valor a fundo perdido que Portugal irá receber da União Europeia através do seu programa de resposta à covid.

O hidrogénio é uma fonte de energia caríssima para os consumidores e totalmente desnecessária porquanto já existem alternativas a metade ou a um quarto do preço.

Pior ainda: os governantes irão repetir os enormes erros do passado. Vão garantir a priori a compra dessa produção e atribuir privilégio de pagamento de rendas elevadas aos produtores durante um longo período.

Estes projectos de lesa-pátria são envolvidos nas narrativas capciosas da moda, do combate às alterações climáticas, da descarbonização, da transição justa, da economia verde ou de qualquer outra fantochada útil para enganar simplórios e enriquecer camaradas.

Como enquadramento, bastará dizer que em termos internacionais Portugal tem baixas emissões de CO2 e que em todo o mundo se expandem neste momento a activação de centrais eléctricas com base em energias fósseis. Acresce que o mercado residencial doméstico está muito longe de ter um contributo significativo para as emissões de carbono, ao contrário por exemplo do sector dos transportes que tem sido negligenciado pelo mesmo governo de António Costa.

Resumindo: à boa maneira socialista é fácil atribuir privilégios a uns poucos à custa do dinheiro de todos os outros.

O meu video de hoje está disponível aqui:

A propósito de Omara

6 Janeiro, 2021

Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF em Portugal, publica hoje o no Observador um artigo intitulado «Omara: discutir as causas (e as culpas) não pode impedir a ajuda às vítimas» na sequência do artigo que ali publiquei no passado Domingo: “Omara, a bebé subnutrida”. Por culpa de quem?

O texto de Beatriz Imperatori está aberto pelo que basta clicar para ler.

Do meu que está fechado fica aqui uma parte: A Omara tem 8 meses e é a mais nova de cinco irmãos. Quando nasceu já tinha muito pouco peso e, o facto da sua mãe Zara não conseguir amamentar, dificultou o ganho de peso que necessitava para crescer saudável.” — Este anúncio de uma actual campanha da UNICEF segue o padrão habitual destes apelos: crianças negras de olhos imensos e peso escasso contemplam-nos enquanto uma voz off repete que se dermos uns euros as salvaremos. Ninguém explica onde nasceu a Omara. Que catástrofe, facto ou circunstância levam a que ela seja tão débil. Aconteceu algum terramoto no seu país? Incêndio? Erupção? Nada se diz. Omara é apenas “a bebé subnutrida” como se a sua subnutrição fosse uma fatalidade e a sua assistencialização o destino óbvio. Muito menos se sabe que família é a sua. Por exemplo, Zara, a mãe de Omara, que pela imagem parece tão jovem, já vai na quinta gravidez, com óbvio prejuízo da sua saúde pois nem consegue amamentar. Que condicionantes culturais, familiares e religiosas levam esta mulher a estas gravidezes sucessivas que a esgotam? Quem governa o país de Omara e da sua mãe Zara? Aliás qual é o país de Omara? Nada sabemos sobre isso. Somos só nós, a subnutrição de Omara e os euros que não nos fazem falta e podemos dar para a salvar. Publicitariamente esta técnica de comunicação é perfeita mas politicamente é um desastre pois é nesta descontextualização das vítimas que se tem baseado o desastre africano pós colonial: libertações que acabaram em regimes de terror, revoluções socialistas que produziram estados falhados, sociedades que empobrecem… e nunca se encontram responsáveis, a não ser os suspeitos do costume ou seja os países europeus que na sua maioria há mais meio século deixaram de administrar aqueles territórios.»

A não perder

6 Janeiro, 2021

José Mendonça da Cruz: 44 Razões para Votar Socialista

Nuno Gonçalo Poças A dignidade das instituições

Der Himmel über Berlin

6 Janeiro, 2021

Sem respeito pela dignidade do ser humano, a começar pela minha, dei comigo a assistir a mais um debate presidencial, desta vez entre dois indivíduos que se arrogam representar a luta entre o Bem e o Mal. A posição de cada um, se pelo Bem, se pelo Mal, é definida pelos apoiantes de cada um, pelo que isto pode ficar confuso para leitores de qualquer uma das trincheiras. Tratou-se, então, do debate André Ventura com Tiago Mayan Gonçalves.

Os apoiantes de cada um deles dizem que o seu candidato limpou o chão com a cabeça ensanguentada do adversário. Para quem está de fora deste platonismo do nacional-folclore, ambas as conclusões são tão desprovidas de aderência ao que viram que se demonstra evidente que os debates podiam ser substituídos por desfiles de misses em fato de banho para conclusões idênticas.

O ponto principal é que nenhum dos candidatos representa o que afirma representar. Ventura afirma representar a direita sem pejo de combater o socialismo, propondo para isso uma versão de estatismo tablóide, um socialismo de Chelas. Mayan Gonçalves afirma representar o liberalismo através da defesa das minorias oprimidas pelo RSI, independentemente de se saberem ou não governar; portanto, um liberalismo da Foz do Douro que não faz ideia onde fica Azevedo, Campanhã. Ambos estariam dispostos a dispor do dinheiro dos contribuintes: um para salvar a TAP, outro para manter minorias fechadas no seu universo estanque, tradicionalista e retrógrado de dependência num sistema de subsídio que nunca tirou ninguém da pobreza, mas que, ao menos, serve para manter essa gente longe dos nossos T3 com vista para o mar.

Para apoiantes de Mayan Gonçalves, Ventura representa o Mal puro, a personificação laica de Satanás num mundo desprovido de Deus, meramente governado pela força da hubris moral que o berço dourado e os apelidos conferem. Para apoiantes de Ventura, Mayan representa mais do mesmo, uma continuidade na aquisição de simpatias do servilismo ao regime do PS instanciado em grandes vultos da cultura nacional como Paulo Baldaia ou Pedro Adão e Silva.

Para os de fora das trincheiras, ambos representam o clube de debate da escola secundária, com ideias coladas a cuspo e afiliação tribal com o mesmo grau de razão que paixão por um clube de futebol, os dois prontos para travarem o tufão com uma peneira, um de marca premium, outro comprada nos chineses.

Os socialistas e os liberais dizem que Mayan Gonçalves ganhou o debate; os órfãos da representatividade popular dizem que Ventura ganhou. Eu só perdi meia-hora da vida que não volto a recuperar.

A ficção é sempre racista, assim como qualquer artigo definido é sempre sexista

5 Janeiro, 2021

Mais um filme da Disney/Pixar, mais uma polémica. Seria de supor que tinham aprendido a lição quando empregaram o sound designer Ben Burtt para interpretar o som dos robôs no filme Wall-E em detrimento de um robô verdadeiro, como um robô de cozinha Moulinex™. Não, não aprenderam. Desta vez deixaram que um indivíduo português fizesse a dobragem de voz para Português de um boneco animado americano. Se isto não é racismo, não sei o que é. Não faltam bonecos animados portugueses para fazer dobragens, mas foram buscar um de carne e osso. Felizmente, o de carne e osso já se arrependeu, mas ao que consta ainda não devolveu o dinheiro ou, ainda melhor, o entregou a um lar de bonecos animados na terceira idade em risco de apanharem Covid na variante de animação computadorizada.

Filhos meus não vêem filmes destes. Enquanto o Rei Leão não for interpretado por um leão verdadeiro e o Corcunda de Notre Dame não for interpretado por um francês portador de hipercifose torácica, mantenho-os afastados da ficção. Bem que pedem: “ó paizinho, quero ver a Patrulha Pata”, mas eu, que não sou racista nem quero que eles vejam gente a fingir que são cães animados já respondi: “não vês nada dessa merda, pá; hoje vês mas é o debate Ventura contra Mayan que é para aprenderes alguma coisa”.

É isto

5 Janeiro, 2021

Lockdown countdown

5 Janeiro, 2021

Isto é para ir assim até às autárquicas?

5 Janeiro, 2021

O novo DN está a revelar-se uma folha da CML. No Domingo tivemos uma espécie de publi-reportagem com o fantástico título “Lisboa Capital Verde: uma cidade a pedalar pelo futuro”. São amanhãs que cantam em tons de verde anunciados pelo Zé que fazia falta e depois foi arredado dos holofotes por destambrelhada figura. O autor da prosa anuncia em extase “o abandono progressivo do automóvel e trocá-lo pelas duas rodas”. (Por curiosidade, o autor do artigo, o fotógrafo e o fotografado vereador Sá Fernandes deslocaram-se de bicicleta durante a realização desta reportagem?)

Em parte, a responsabilidade pela atribuição do prémio Lisboa Capital Verde Europeia 2020 deve-se ao trabalho do vereador Ricardo Sá Fernandes

Hoje, terça, a propaganda continua dedicando o DN, qual boletim camarário, a sua capa a um concurso de ideias para o Martim Moniz

O novo DN é igualzinho ao velho DN: sempre, sempre ao lado do poder

E o primeiro-ministro anda onde?

4 Janeiro, 2021

Comunicado não apagado a tempo do site do ministério da Justiça

Aquilo que se diz quando não se sabe do que se fala

4 Janeiro, 2021

O primeiro-ministro, António Costa, lembrou hoje a “cumplicidade política” que se tornou “numa bela amizade” com Carlos do Carmo e considerou que o artista foi decisivo para libertar o fado e reconciliá-lo com a democracia. “Foi fundamental para reconciliar o fado com a nossa democracia e libertá-lo da ideia tão errada da tentativa de apropriação por parte do Estado Novo. Foi decisivo para essa libertação”, disse António Costa à agência Lusa.

Carlos do Carmo não reconciliou o fado com a democracia. Terá reconciliado sim aquela esquerda preconceituosa e ignorante das “gaivotas que voavam” com o fado. Como aquele senhor que era de esquerda e cantava fado eles acharam que então podiam gostar de fado. Não era o fado que precisava de se reconciliar com a democracia era sim um grupo de pessoas que precisava de autorização para gostar de fado. Carlos do Carmo foi um dos que cumpriu esse papel junto dessas pessoas que, coitadas, condicionam os seus gostos a uma certificação ideológica. Para se desculparem a si mesmos de terem menosprezado o fado repetem o chavão da apropriação do fado por parte do Estado Novo, justificando assim que não ouviam fado porque ele estava apropriado pelo Estado Novo. Deixem-se de tretas não ouviam porque não gostavam e estavam no seu legítimo direito de não gostar. Ou porque achavam que parecia mal gostar. O Estado Novo e o Carlos do Carmo são as justificações que arranjaram para explicarem a sua mediocridade e nunca terem sido capazes de se comover com esta voz, também ela da família Carmo

Foi arrasador

4 Janeiro, 2021

Nos países mais tropicais há uma tendência para que a vida quotidiana seja enquadrada como o intervalo entre festas. Portugal, o mais tropical dos países europeus em tudo que não seja clima, não é excepção. Finada a festa da compota entregue em quintais e vãos de escada, somos brindados com um Carnaval antecipado a 24 de Janeiro. Faltam 20 dias, portanto.

Substituindo as decorações natalícias das cidades fantasma e centros comerciais encerrados por scores de popularidade, debates, análises a debates, análises às análises de debate e sondagens sacadas a uma massa de indiferentes perante quem será a rainha que finge ter mão no governo no ano da desgraça de 2021, começamos o ano com a campanha eleitoral mais inconsequente de sempre para o cargo mais estético de sempre no país mais palerminha de sempre.

Se a Covid não explicar o excesso de mortos neste Inverno, decerto que o tédio provocado pela campanha presidencial poderá explicar, pelo menos parcialmente, o aumento de suicídios. Imbuído de espírito de missão para a depressão, decidi assistir ontem ao debate entre o candidato Tiago Mayan Gonçalves e o presidente quase vitalício Marcelo Rebelo de Sousa. Dou os parabéns a Mayan Gonçalves por sair do quentinho da sala de estar para a missão de ir lá correr a maratona contra o Ferrari. Como isto é Portugal, um país que é mais lazer do que competição, o que conta é participar. E como o que conta é participar, todos os que participam são vencedores, como se faz com as crianças do infantário. Saiu-se bem? Ganhou no Twitter, pelo que deve ter corrido bem. No café em São Pedro de Fins não se falava do debate, pelo que parece que o mundo real está mais preocupado com a insuficiência cardíaca da mãe internada num lar. Seja como for, como nada disto é feito para o mundo real e sim para ocupar pilhas de pessoas que de outra forma teriam mesmo que arranjar um emprego decente, posso afirmar com toda a certeza que o resultado foi excelente, a julgar pela quantidade de tinta digital e faladura entre entertainers de rádio.

No fundo, mesmo lá no fundo, o que importa mesmo é que alguém arrasou outro. Pelo menos a mim arrasaram, pelo que não repito a experiência. Parabéns a Marcelo, a Mayan Gonçalves e a todos os outros candidatos que me arrasariam, não tivesse eu mais coisas com que me preocupar ao ponto de perder mais tempo com debates.