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A demissão da ministra faria por exemplo esquecer declarações como estas

26 Junho, 2017

As sucessivas actualizações das notícias sobre Pedrogão levaram a que as declarações iniciais fosse rapidamente esquecidas mas elas foram feitas e culpavam as vítimas.

Jornais locais como o Centro Notícias ainda as conservam

“Curiosidade” e “inconsciência” explica algumas das mortes

O secretário de Estado Jorge Gomes explicou esta manhã que, entre os mortos,uns tiveram o azar de serem apanhados pelo fogo, outros morreram por inalação de fumo quando observavam o fogo. Foram encontrados 30 mortos dentro de viaturas, 17 pessoas fora de viaturas ou nas margens da estrada nacional 236 (que liga ao IC8) e, ainda, 10 pessoas em zonas rurais, explicou Jorge Gomes.

Esta descrição já tinha sido feita esta madrugada por Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que falou na “curiosidade” e nalguma “inconsciência” como um dos fatores a explicar as mortes. “O fogo progrediu a uma velocidade diabólica, nunca vista, inimaginável”, afirmou o responsável já esta manhã, ouvido pela RTP, elogiando a “grande capacidade das forças no terreno, que rapidamente chegaram ao local e se organizaram, sentiram-se no limite das suas capacidades. Tudo fizeram, numa luta desigual contra a natureza zangada”.

 

Caro Sr. Presidente, Lembra-se da Minha Carta?

26 Junho, 2017

Eu sei que a leu apesar da ausência total de resposta.  Embora a esperança de poder despertar em si algum sentimento que o fizesse reavaliar sua actuação, tive sempre consciência que o politicamente correcto poderia ter mais força. E teve. Infelizmente. Tudo continuou igual com elogios rasgados a uma governação cheia de falhas, perigosamente a roçar na irresponsabilidade. Lembra-se das minhas palavras sobre um défice que não passava de um embuste? Pois tem aqui, na tragédia de Pedrógão Grande a confirmação dos medos que lhe transmitia a aos quais lhe pedia ajuda.

Uma governação que maquilha números com suspensão de pagamentos a fornecedores, cortes a torto e a direito na despesa pública, suspensão total de investimento público crucial em vários segmentos,  nunca deveria ter do nosso Presidente da República qualquer apoio senão o da responsabilização. Porque quem apoia cortes e suspensão de pagamentos cegos, assina sentenças de morte num povo indefeso. Hoje foi Pedrógão Grande com o maior e mais mortífero incêndio de que há memória. Amanhã será num hospital, numa escola, numa estrada, numa ponte, num edifício, num sismo, numa inundação, num transporte público.

Depois, virão a público todos emocionados dizer que tudo foi feito. Que foi uma calamidade. Que foi imprevisível. Justificarão com tudo e com nada a inoperacionalidade de um Estado que serve apenas para tirar 70% do rendimento das famílias e que já tem em curso mais aumentos de impostos. Mas na hora de cumprir sua função, demite-se de todas as responsabilidades com o apoio incondicional do nosso Presidente. Como é possível em pleno século XXI, num país da Europa, ter gente no governo assim com seu aval?

Tinha declarado no ano passado que iria acompanhar durante o inverno tudo de perto para que nunca mais vivêssemos situação tão dramática como em 2016. Mas, esqueceu-se de nós. E à nossa sorte, ficamos sem ninguém para nos socorrer e proteger das malditas chamas. E mais de 200 pessoas sofreram as consequências. Não há agora nenhum afecto que reponha a vida como ela era para estas vítimas. Não há palavras nenhumas que façam regressar quem partiu de forma tão macabra. Não há abraço nenhum que apague da memória o que esta nossa gente viveu no meio do inferno. Não há solidariedade nenhuma que traga de novo o que se perdeu. E mesmo assim volvida uma semana não há um único responsável assumido por esta catástrofe! Acha isso normal?

Pois eu lhe digo, que por eles, pelos seus que sucumbiram, por nós, gritarei a minha revolta todos os dias. Transformarei a minha indignação em palavras de ordem. Levarei minha voz até onde for preciso, seja cá seja na UE para que ACABE de vez esta impunidade severa e vergonhosa de quem sucessivamente nos governa e não cumpre com seu dever para com a população. Quero ver REVERTIDOS todos os contratos ruinosos que servem clientelas em vez de prestar serviço às povoações.

Porque basta! Sr. Presidente, basta! Porque somos nós que estamos a morrer. Somos nós as vítimas. Mas também somos nós quem tem obrigação de por no lugar quem se demite das suas funções e não cumpre com seu dever de servir o cidadão que os elege.

E nós só descansaremos quando nossos direitos forem cumpridos. Integralmente.

Com os meus melhores cumprimentos.

Cristina Miranda

Demissão de Constança Urbano de Sousa?

26 Junho, 2017

De repente a demissão de Constança Urbano de Sousa tornou-se quase um imperativo. Francamente acho inútil e neste momento demagógico. Constança Urbano de Sousa teve alguma responsabilidade no que aconteceu? A demissão de Constança Urbano de Sousa vem ou não acrescentar confusão num momento em que as ionverstigações estão numa fase crucial? É ou não acrescentar risco na época de incêndios demitir a chefia do MAI?

Para já a demissão de Constança Urbano de Sousa satisfará as redacções que ficam com notícias; criará a ilusão de que o culpado foi encontrado e já se fez o que se tinha de fazer.

 

Tudo é nada. E o nada é medo

26 Junho, 2017

É do imprevisível que o Governo e o Presidente temem que venha aquele momento em que o falhanço do Estado se torna óbvio. Porque esse mesmo Estado que regulamenta e taxa tudo, que absorve quase metade da riqueza produzida no país, que determina o que comemos, como morremos, o que dizemos aos nossos filhos, como devemos gerir as empresas que criamos; esse Estado cheio de “meninas César” que saem das faculdades direitinhas para as autarquias, as empresas públicas e os institutos onde decidem taxas, licenciamentos, exigem sempre mais um documento, mais uma assinatura e mais um certificado, esse Estado falhou clamorosamente no que tem como sua primeira missão: defender os cidadãos.

Um presidente aterrado com o nada a que chegámos

24 Junho, 2017


Marcelo exige: “É tempo de apurar tudo sem limites nem medos”

Marcelo. É preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”

Marcelo Rebelo de Sousa quer que o parlamento aprove, antes das férias, um pacote legislativo global que abarque várias áreas, do ordenamento florestal às questões penais. “Sobre tudo, mas tudo é tudo“, declarou o Presidente da República ao Expresso.

Obrigado, meu amigo, mas é tempo de assumir a verdade

24 Junho, 2017

O Helder Ferreira é um amigo, mas não posso permitir, em consciência, que arrisque a vida confessando ser o Sebastião Pereira. Há alturas na vida de um homem em que é preciso coragem para cumprir os desígnios superiores e aceitar as consequências, por mais terríveis que sejam. Eu é que sou o Sebastião Pereira.

Não Foi Por Acaso!

23 Junho, 2017

Não há acasos quando as mesmas coisas se repetem sucessivamente durante décadas. Quando se investe majestosamente em equipamentos e meios e em vez melhoria nos resultados piora assustadoramente.  Só um estúpido acredita que isto tudo pode ser obra do acaso, do infortúnio. Desculpem-me, mas a verdade, pela nossa segurança, tem de ser denunciada: a inoperância é o objectivo.

Portugal pelas suas dimensões e características florestais, não precisa de Kamovs e de SIRESP. Estas necessidades inventadas pelos “amigos do Estado” abriram caminho à nossa sentença de morte: os Kamovs foram adquiridos para reaver dinheiro da ex-URSS. Equipamento russo, obsoleto e sem peças para fazer a manutenção. Estão avariados; o SIRESP não funciona em situação de catástrofe ou calamidade pública. Por isso FALHA SEMPRE que precisamos verdadeiramente dele. Mas em contrapartida, os contribuintes pagam como milionários estes negócios.

Os Kamovs custaram na aquisição 42,1 milhões. O Estado celebrou um contrato onde se prevê um número mínimo de voo exagerados e em média quase o dobro, elevando o custo da manutenção. Assim, foi suportado pelo erário público em 2008, 2312 horas de voo mas só foram efectuadas 1269 com um diferencial de 5,4 milhões a mais. Até 2013 o Estado pagou sempre horas a mais sendo que em 7 anos voaram 9562 horas mas foram pagas 14 531. Mais 22 milhões em horas não voadas! Mas há mais: António Costa então ministro da Adm. Interna, assinou seis dias antes de sair do cargo, um memorando elaborado pelo gabinete de Rocha Andrade, permitindo o ajuste directo para aquisição de aluguer de meios aéreos porque tendo firmado contrato com faseamento de entrega dos Kamovs, sabia antecipadamente que não estariam operacionais no verão de 2007. Mesmo assim não lançou concurso normal em 2006, preferindo que se  invocasse mais tarde urgência, para justificar o ajuste directo. E assim foi. Os juízes do TdC arrasaram a actuação de Rocha Andrade subsecretário de Estado da Administração Interna  que ainda alterou e aligeirou o contrato com a Heliportugal numa altura em que a empresa já se encontrava em incumprimento com o Estado. Maravilha!

O SIRESP volta a pôr no palco das negociações Rocha Andrade, Costa e Lacerda. Claro! (estes estão em todas). De cinco empresas consultadas, estranhamente apenas uma se interessa pelo negócio (cof! cof! cof!). Esse consórcio é constituído pela SLN 33%, PT 30%, Motorola 15%, Esegur do Grupo Espírito Santo 12%, DataComp 10%. O processo de adjudicação começa em 2002 onde uma proposta é entregue. A adjudicação acontece estranhamente aprovada pelo governo de Santana Lopes 3 dias depois da eleições legislativas que deram vitória ao PS. António Costa anula não integralmente o concurso e faz nova adjudicação ao mesmo consórcio. Fecha o negócio por 485 milhões, menos 52,5 que o previsto. Esta “pequena” diferença viria a dar outra reviravolta. Costa acabava de eliminar custos com geradores para justificar poupança. Estão a ver? Geradores? Aqueles equipamentos que asseguram a continuidade sem energia eléctrica? Diogo Lacerda era advogado desta PPP assim como foi júri do concurso dos Kamovs, estão a ver o filme? O Ministério Público perante suspeitas do concurso estar viciado desde o início, abre investigação e depois um inquérito que caiu em saco roto. Um hábito muito português. De acordo com o artigo de Joaquim Sarmento, desde que foi assinado, este contrato já foi objecto de 3 renegociações. Se fosse o Estado a pagar seriam apenas 280 milhões mas para que se justificasse a entrega a privados foi revisto de modo a apresentar mais custos para o Estado aproximando os valores. Neste contrato o Estado não tem benefícios mas paga um encargo anual de 40 milhões. Não tem cláusulas de fiscalização nem de acompanhamento de instalação e equipamento. Contudo tem uma cláusula em que o valor a pagar pelo Estado só reduz se o equipamento falhar durante vários dias. Bem como outra, também estúpida de Alocação de Risco – Acts of Gods que se destina à salvaguarda de desastres naturais. Um contra-senso absurdo porque é precisamente para essas calamidades que se destina o SIRESP. Assim, iliba os privados de qualquer responsabilidade para a finalidade a que se destina. Bonito não é?

Mas isto não fica por aqui. Num testemunho que recebi por videoconferência tomei conhecimento através de um ex-bombeiro especialista que no cenário das operações, tudo se organiza e coaduna no sentido de haver uma inoperância inicial em situação de incêndios. Este operacional explica detalhadamente que propositadamente não se tomam medidas imediatas ao alarme. Enviam-se alguns bombeiros para o terreno com jipes e camiões cisternas com ordens dos comandos centrais para passear no teatro das operações de um lado para o outro até haver ordens para avançar. Um show-off para os média. Por isso, alguns populares vêem os bombeiros passar dizendo que estão a caminho de outros fogos, sem parar para as assistir. Depois, vem a ordem e esticam as mangueiras atirando água para o fogo que segundo este especialista ex-paraquedista, não só não apaga o fogo como contribui para o seu alastramento. Diz ainda que, é contraproducente uma descarga de água com esta carga térmica porque ela alimenta o fogo provocando um arrefecimento bruto no oxigénio e propaga-o. Todos sabemos que o fogo se alimenta de oxigénio, certo? E que o dióxido de carbono, o mata, certo? Explica que o fogo tem de ser combatido por dentro e não por fora. Que o efeito químico da água é perigoso e põe a vida do bombeiro em risco. Que os meios aéreos com água em vez de calda retardante, também representa perigo para os aviões e alimenta as chamas que se tornam mais violentas. Que o vento forte é reacção química desse incêndio sendo que o combate eficaz se faz em terra com corta-fogos logo no início do incêndio. E levanta uma questão pertinente: já reparam que o teatro de operações dos grandes incêndios é sempre perto de grandes cursos de água?

Mas, alguém começou a dizer que os corta-fogos eram perigosos. Que a calda retardante, também. Que os meios aéreos eram vitais. A FA dispendiosa e  dispensável. A ajuda dos espanhóis desnecessária. A narrativa perfeita para justificar os contratos ruinosos e mortíferos que comandam agora a segurança  das pessoas. Segundo este profissional, os comandos operacionais são liderados por gente que não sabe combater um fogo, nem nunca estiveram no terreno. Não fazem a mínima ideia de como organizar um combate caótico desta natureza. São gente de gabinete, alguns expert em desvios de verbas.

Foram 200 vítimas desta vez. D-U-Z-E-N-T-A-S! Porque ao contrário das outras vezes, um erro não calculado encurralou gente numa estrada. Não fosse isso, seria só mais uma contabilização aos prejuízos materiais. Entrega de verbas por áreas ardidas que quanto maiores mais recebem. Quis o destino que esta brincadeira com a segurança das pessoas acabasse aqui.

E por elas, pelos seus que sucumbiram, por nós, chegou a hora de pôr um BASTA nisto!

Não deixe morrer este assunto até que se REVERTA todos estes negócios da China. 

Porque hoje foi num incêndio e se amanhã houver um sismo? Pense nisso.