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O que não é o Mov5.7

24 Março, 2019

Poderia explicar o que é o Mov5.7, mas tal seria bastante redundante após artigos como o do João Marques de Almeida, n’O Observador, o do Rui Albuquerque, aqui no Blasfémias, o do João Miguel Tavares no Público, o do João Gonçalves no JN e o artigo noticioso assinado por São José Almeida, também no Público, que informa sem o artifício de escarrapachar uma opinião preconceituosa, tal como devem ser as notícias. Contudo, tomando em consideração que pessoas mais capazes que eu já o fizeram pela forma afirmativa, dizendo o que é, e recordando que este é um país de duas linguagens, a da cultura esquerdista de que toda a gente à direita do PS é fascista e a das pessoas comuns que, perante a impossível escolha de um Salazar ou de um Cunhal, optariam sem grandes hesitações pelo santacombense enquanto asseguram vitórias eleitorais de socialistas, eleição de deputados mais preocupados com pombos do que com pessoas e bloquistas que se vão afastando das ganzas para o controlo de redacções, como que recordando os bons velhos tempos das manifs com bandeiras negras, vou explicar o que não é o Mov5.7.

A árdua tarefa de explicar o que não é uma coisa é, em Portugal, bastante simplificada pela abundância de especialistas em negações. Por exemplo, Pacheco Pereira, um homem que ajuda a definir o que é “ser intelectual” pelo seu esforçado exemplo do que um intelectual nunca diria, diz-nos que o Mov5.7 é uma das “ manobras da direita portuguesa” que “não são alheias às reconfigurações do espaço conservador europeu” e onde surgirão fracturas, suspeita (mas sem certezas, que isto das certezas só ocorrem quando estamos notoriamente errados), “com as questões dos refugiados e imigração”. Fracturas a propósito de, para aí, todos os 50 refugiados (número inventado, todos os dias há mais famílias de refugiados que abandonam o paraíso lusitano para uma Europa em “reconfiguração do estado conservador europeu”). Todo um monumental cisma ideológico com o fluxo de imigrantes, a saber, brasileiros, cuja imigração nunca causou qualquer incómodo a portugueses quando se tratava de empregados de limpeza e restauração, mas que vai causar uma grande ruptura agora, que se trata do que a esquerda chamaria de grande burguesia com poder de compra de imobiliário de gente que deixa o Brasil em busca de paz e tranquilidade perante uma agitação decorrente de anos das virtudes do socialismo. Pacheco Pereira envelheceu mal: não fosse uma Aula Magna ou esta generosa referência e a sua irrelevância resumir-se-ia à de “figura que em tempos foi conhecida não se sabe bem porquê e que agora vende Fá Fresh em anúncios televisivos”.

Mas, se quisermos mesmo saber o que não é o Mov5.7, podemos optar pela visão daquele senhor que passou da TSF para um blogue denominado DN e que agora escreve no JN na qualidade de oráculo, Paulo Baldaia, que conseguir afirmar que isto é malta que passa o tempo no Twitter, “quase sempre a ofender, insultar, caluniar quem estiver contra o que defendem”. Presumo que dê pontos na bolha em que a corte se deleita a chupar as uvas que Nero atira, mas, além disso, é tão eloquente a debruçar-se sobre o que considera “fake news” (ainda estou para perceber como é que um jornalista denomina boatos por “notícias falsas”, um óbvio oxímoro) como um livro de anedotas sobre física quântica.

Se precisarmos mesmo descer fundo na compreensão do que não é o Mov5.7, podemos visitar o Twitter de Constança Cunha e Sá, pessoa que se limita a ver o mundo pelo prisma cilíndrico de “os liberais” contra o Bem (inclui aquelas pessoas do PSD, do CDS, da Aliança e sem partido que obviamante não são liberais, mas, como nos filmes do 007, o inimigo também tem que ser caricatural, do chinês ao soviético, sempre ao sabor do tempo). Não encontrando grande mérito em usar a amargura alheia para assinalar virtudes próprias, não resisto em fazer o apelo a que nos visite no próximo evento: toda a gente precisa de um amigo, pelo que estou certo que uns momentos de convívio com pessoas “liberais” poderão providenciar alívio do vício de embaraço público que o Twitter lhe alimenta.

Esclareci o que não é o Mov5.7? Se ainda restam dúvidas, termino então com uma simples declaração: o que o Mov5.7 não é é, em concreto, a materialização das deambulações oníricas que os jograis da corte decidem que pode ser.

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Os jovens “mega” consumistas a lutar pelo clima

24 Março, 2019

Os  jovens que desde que a escola  iniciou foram amplamente agraciados  com inúmeras  greves de professores, função pública (ainda esta semana tiveram mais duas) e ainda têm falta de docentes a algumas disciplinas, decidiram em nome do clima (cof! cof! cof!) juntar-se à menina Greta que lá na Suécia decidiu lutar pelas mudanças climáticas. Acontece que os meninos que exigem aos pais telemóveis novos topo de gama todos os anos, exigem também  dos adultos mais acção contra as mudanças climáticas. A sério?

Os jovens  que gazetaram para sair à rua com cartazes pelo clima, são os mesmos que deixam o lixo todo espalhado pelo quarto e pela casa  para a mãe limpar; que não levam o lixo doméstico para o contentor por iniciativa própria; que não apagam as luzes; que tomam duches de 20 minutos e deixam a água a correr enquanto lavam os dentes; que não abdicam de uma quantidade infinita de todo o tipo de produtos poluentes para cabelos e corpo; que compram  roupa nova de marca  todos meses ao invés de poupar e reciclar;  que não prescindem um minuto do telemóvel, do tablet, do portátil e fazem birra se lhos tirar; que se deslocam de carro, autocarro ou comboio mesmo quando é possível  ir de bicicleta ou a pé; que viajam muito em low cost de… avião;  que fumam e depois deitam beatas no chão; que enchem o Macdonalds onde cada refeição representa uma pilha de produção  de resíduos; que mascam chicletes e atiram  ao chão; que comem  batatas fritas, doritos, barras de chocolates, cheetos e  bolachas a toda a hora não se importando com as embalagens de plástico que largam em qualquer lugar público ou enterram na areia das praias;  que deixam um rasto de lixo nos festivais, nos bares ou discotecas; que bebem coca cola ignorando que só num ano, esta  produz 3 milhões de toneladas de plástico. Enfim.

Ora a verdadeira  mudança pelo ambiente começa na educação em casa,  no nosso comportamento no dia a dia. Exigir aos outros o que não se pratica é hipocrisia pura. 

Greta, a líder,  quer mais impostos pelo clima mas nunca pagou nenhum na vida e rodeada de plástico, no seu conforto de mundo consumista de que não abdica, diz-se preocupada. Não sabe o que é pagar a electricidade e gás  mais cara da europa  por causa do dito clima, o que é pagar os combustíveis mais caros da europa por causa do dito clima,  e olhar depois para o que resta do salário sem saber como vai aguentar o resto do mês. Mas “quer pagar” mais impostos por um mundo “verde” quando isso deveria só  por si tornar a vida de cada um mais barata e nunca o contrário. 

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Querem ajudar realmente o clima? Em vez de gazeta ESTUDEM, pesquisem, questionem. Deixem de ser formatados pelos grandes interesses  para adquirirem uma mente aberta capaz de ver  que o clima tem sido mutável desde  o planeta existe e que já passamos por várias eras de arrefecimento e aquecimento ainda o homem não tinha feito a revolução industrial. Que a farsa começou por chamar-se “arrefecimento global”, depois “aquecimento global” e agora – depois das previsões não se confirmarem – “alterações climáticas” (uma expressão mais generalista) para sustentar uma teoria não científica cujo consenso  “irrefutável de 97,1%”, usado para justificar todas as medidas políticas no ocidente para combater o aquecimento global, é  na realidade de 0,3% (como se explica com dados concretos aqui) confirmando que  “John Cook – do Instituto de Alterações Globais da Universidade de Queensland na Austrália –  não procurou a veracidade cientifica  no seu artigo mas uma forma de convencer a opinião pública para que aceitem “políticas de mitigação das alterações climáticas”.

Aprenderiam que os vulcões subaquáticos e em terra,  activos,  se comparados  com a actividade humana, um único vulcão em erupção durante uma semana equivale a 10 anos de carros de todo o mundo a expelirem CO2. Que o pulmão que  controla o CO2 e alimenta o planeta de oxigénio, são as algas no oceano e não as florestas.

Saberiam que  nas estufas de plantação de ananás (aqui neste exemplo com cannabis), para provocarem a floração, queimam palha dentro das estufas para gerar CO2. Que o CO2 é essencial à vida das plantas que o consomem para fazer a fotossíntese e não é por acaso que com mais CO2 na atmosfera, o planeta hoje seja mais verde que no passado.

Concluiriam que  as “energias verdes” são os actuais “interesses económicos” que os contribuintes pagam com pesados impostos.  Que com  as eólicas, a electricidade ficou  muito muito mais cara.  No entanto não se deixaram de construir barragens, o consumo do carvão até aumentou (está no Site Oficial do Ministério Ambiente)  e a extracção de crude também não vai abrandar apesar dos veículos se tornarem eléctricos. Que haverá  mais poluição porque a juntar à extracção de crude vai ter a extracção de lítio, uma nova  necessidade para a indústria de baterias. Que a frota mercante vai ser aumentada em 50%:  de 60 mil navios a operar a  frota passará a 90 mil – quando cada porta contentores de grande porte consome tanto por ano como 50 milhões de automóveis e 20 consomem tanto como todos os veículos a circular no mundo . Que o “problema” das “alterações climáticas” é o negócio mais lucrativo de todos os tempos. As explorações actuais de minérios vão manter-se, e até aumentar, e vão começar outras em grande escala.

Mas tudo isto só se deve ao aumento desenfreado do NOSSO consumo. 

Jovens, se querem realmente lutar pelo planeta REDUZAM drasticamente o consumo e vivam de forma minimalista só com o necessário reciclando todo o lixo que sobrar, exactamente como o era na minha infância há mais de cinquenta anos,  onde fui criada sem nada, a dar valor a tudo, a poupar e a  estimar o pouco que tinha.

Até lá, não sejam hipócritas.

 

o que é “refundar a direita”?

23 Março, 2019
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Por mim, é dar consistência axiológica e política ao espaço eleitoral que não seja necessariamente socialista. Não significa que esse espaço não seja, ou tenha sido, ou continue a ser circunstancialmente socialista, ou que não se tenha subsumido, durante décadas, a um pragmatismo de conquista e manutenção de poder(es) inteiramente desprovido de qualquer valoração ideológica, que resultou, como invariavelmente resultará sempre, em exercícios de governos estéreis e praticamente indistintos daqueles que se diziam combater. Pelo contrário, é exactamente por as coisas, no espaço dito não socialista, terem quase sempre sido assim, e evidenciarem uma elevada probabilidade de assim continuarem a ser, que se torna necessário contribuir para que possam vir a ser diferentes. O Miguel Morgado percebeu isso. E percebeu, também, que não basta juntar votos e deputados nos soi-disant partidos da direita para que um futuro governo que dela venha a sair possa mudar Portugal. É verdade que se torna necessário eleger, pelo menos, cento e quinze deputados mais um,  mas é necessário muito mais do que isso: é preciso que esses deputados, e os futuros membros de um governo por eles apoiado, tenham bem claro o que farão com o poder que eventualmente lhes venha a ser confiado. Em 1979, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa perceberam que era urgente colocar o país no espaço das democracias liberais europeias e ocidentais, e expurgar da Constituição o terceiro-mundismo socialista de leste que lá tinha sido deixado em tempos difíceis da revolução. Hoje, há que demonstrar aos portugueses que Portugal não pode continuar a ser um estado sem país e que este não se faz com um estado omnipresente e asfixiante. A ideia de criar um movimento que contribua para realização desse objectivo, ainda por cima inspirado nessa ideia luminosa que foi a criação da AD de 1979, não podia deixar de me entusiasmar. Foi por isso que aceitei, com gosto, o convite que o Miguel Morgado me dirigiu para integrar o grupo dos fundadores, apesar de estar bem ciente do limitado contributo que lhe poderei prestar.

 

Passes Sociais

22 Março, 2019

 

O Manel Estadista e a Maria Populista tinham três filhos – o Huguinho Lisboa, o Zezinho Porto e o Luisinho Resto do País –, e todos os dias, quando regressava do trabalho, o Manel Estadista trazia dois presentes: um grande para o Huguinho Lisboa e um pequeno para o Zezinho Porto. Para o Luisinho Resto do País, nunca havia nada. Um dia, cansada da situação, a Maria Populista virou-se para o Manel Estadista e criticou-o pela sua atitude, ao que este, sem hesitar, lhe respondeu: “Oh Maria, não tens vergonha de estar a virar os nossos filhos uns contra os outros?!”

 

A angústia da página vazia na hora do penalty

22 Março, 2019

A página em branco é angustiante, já se sabe. A necessidade de escrever alguma coisa, porque nos pagam para a escrever, só aumenta à medida que as horas passam e o vazio do nosso intelecto ameaça o grito do Ipiranga que nos denunciará, inequívoca e irremediavelmente, como a fraude que somos. É desta, é hoje que vão descobrir o logro, a ausência de imaginação e a evidente vocação limitada à simples arte de engraxar os sapatos do poder.

É assim que imagino o Paulo Baldaia, de todas as vezes que se senta em frente ao computador. E é assim que ele procura levar-me à certeza da razão.

Na santíssima graça da sociologia os assaltantes sabem que podem aterrorizar as mulheres à vontade pois o bloco não vai esquadrinhar os acordãos

22 Março, 2019

Um dos roubos ocorreu numa estrada nacional junto a Torres Vedras. O trio obrigou, com recurso a uma ameaça de arma de fogo, um carro a parar e roubou telemóveis e dinheiro aos ocupantes.

Dias depois cometeu o crime mais ousado. Na A8, no sentido Torres Vedras-Lisboa, dispararam pelo menos um tiro contra um carro que circulava ao lado deles.

“Facto suscetível de provocar um acidente de consequências imprevisíveis”, descreve a PJ. Nessa viatura iam apenas mulheres, que foram obrigadas a parar e, em pânico, entregaram as malas, dinheiro e telemóveis.

As notícias mais patetinhas do mundo

22 Março, 2019

São aquelas em que os jornalistas noticiam o que acontece no seu local de trabalho. A explicação para a saída de Pedro Santos Guerreiro da direcção do Expresso parece um episódio do Ruca.