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Seis «Pedrógãos Grandes» por semana

10 Agosto, 2022

Desde o início do ano, em média, todas as semanas (sublinho, todas as semanas) acontece uma tragédia de dimensão equivalente a seis vezes a de Pedrógão Grande.

No incêndio de Pedrógão Grande morreram 66 pessoas. E desde 1 de Janeiro deste ano morrem cerca de 400 pessoas por semana em Portugal a mais em relação à respectiva média mensal correspondente dos últimos 10 anos.

A tragédia de Pedrógão é comparável com a do actual caos no serviço nacional de saúde porque num e noutro caso são acontecimentos excepcionais; porque resultam da incúria e falhas graves do Estado; porque o primeiro-ministro cobardemente se desresponsabiliza politicamente do sucedido; porque a ministra da pasta inventa narrativas capciosas e fantasiosas para justificar o injustificável; porque o governo e os seus assessores de imprensa tentam calar e evitar as investigações jornalísticas e as perguntas difíceis; porque o inenarrável ocupante da Presidência da República serve vergonhosamente de escudo às críticas a António Costa; porque a generalidade dos partidos políticos e a espécie de avençados do comentariado nacional fala baixinho e mansamente sobre o assunto e, finalmente, porque a generalidade dos Portugueses está-se verdadeiramente a marimbar para quem faleceu e para as suas respectivas famílias.

Aliás, a agenda partidária e mediática no nosso país aborda com muito mais frequência e entusiasmo de processos legislativos gizados à má fila para facilitar a eutanásia ou aborto do que para assegurar as condições de acréscimo de natalidade ou qualidade de vida aos idosos.

Como escreveu a minha amiga Ana Caraballo no Facebook, os nossos responsáveis políticos e dirigentes da DGS, perante os altíssimos números do excesso de mortalidade deste ano afiançam com certeza que “as pessoas morreram de calor. Os que morreram antes de estar calor, morreram de frio. Outros não aguentaram sequer temperaturas amenas. Caiem que nem tordos e se chatearem muito o governo com perguntas, regressam os confinamentos e volta tudo a morrer oficialmente de covid. Já os jornalistas têm centenas de médicos especialistas prontos a atestar o que for preciso para que não passe pela cabeça de ninguém que o governo deu cabo do SNS.”

Já João Miguel Tavares lembrou esta semana no Público e muito justamente uma louvável excepção de trabalho de investigação do jornalista Pedro Almeida Vieira da publicação online Página UM e tem sido na prática sabotado por diligentes funcionários públicos que retiraram o acesso a dados estatísticos sobre morbilidade e mortalidade hospitalar que dantes estavam total e completamente disponíveis online.

Assim se fazem as coisas em Portugal…

E, já agora, lembro que os tempos não estão para facilitismos e por isso, por amor de Deus não comam bacalhau à brás pelo menos até haver uma vacina contra esta iguaria.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Lucros extraordinários das empresas de energia

3 Agosto, 2022

Alguém se lembrou de criar um imposto extraordinário para taxar os lucros ditos “caídos do céu” que as empresas de testes covid ganharam desde que a palermia se iniciou em Março de 2020?

O primeiro-ministro não acha ser sua obrigação pedir desculpa pela arrecadação extraordinária de impostos que a inflação providencia ao Estado?

Não será o valor acumulado de impostos pornográficos já cobrados sobre os combustíveis ao longo dos últimos anos de uma magnitude superior aos lucros que as empresas de energia estão a ter agora com a subida dos preços?

Ancorados na manhosa lengalenga de ódio do bloco de esquerda e demais tontos esquerdistas à criação de riqueza, os nossos governantes veem agora mais uma oportunidade de cavalgar os sentimentos populistas mais básicos da vingançazinha invejosa sobre quem faz dinheiro no mercado. A conversa fiada dos “lucros extraordinários” é uma forma engenhosa de alimentar a narrativa mentirosa de que os lucros de uns resultam necessariamente em perdas para outros. No fundo, para estes pascácios neo-marxistas qualquer lucro é mau. Mas grandes lucros, esses, são intoleráveis. Por isso é preciso caçar implacavelmente essa riqueza produzida através da criação de novos impostos em cima dos já existentes, e que representam só por si mais um contributo para o esbulho fiscal.

Se, passe a redundância, os socialistas não fossem ignorantes dos princípios básicos de economia, não se esqueceriam tão facilmente de que os preços são formados no jogo da oferta e da procura e de que a subida e descida de preços é fundamental para assegurar a continuidade do fornecimento ao mercado. Os actuais lucros das empresas de energia não se devem à ganância ou à manipulação do mercado. Resultam sim da oferta – agora reduzida pelo boicote ao gás da Rússia e pela aposta suicida num mix energético que trata os combustíveis fósseis como pecado – e resulta da procura dos consumidores que se mantém inalterada. Uma vez que os lucros decorrem das condições do mercado é inútil e estúpido atribuir-lhes qualificativos morais como “injustos”, “excessivos” ou “escandalosos”.

Expropriar as empresas de energia dos seus lucros neste contexto é desincentivar a busca de soluções alternativas para fazer face à procura existente e só ajuda à manutenção de preços altos em prejuízo sobretudo dos consumidores com menores rendimentos.

É uma intervenção artificial, absurda e contraproducente por parte do Estado nos mecanismos automáticos naturais de ajuste entre a oferta e a procura. É uma sabotagem e desvio de riqueza para aumentar a cobrança de impostos, colocando mais dinheiro no orçamento gerido por políticos e burocratas não eleitos, prejudicando o bem-estar geral dos portugueses.

A morte e os impostos são das poucas coisas que podemos tomar como certas. Em Portugal, além disso, é certinho que aquilo que é apresentado como provisório e excepcional, se torna definitivo e permanente. E no nosso país temos uma quarta certeza: o que no início é para aplicar apenas a um grupo restrito de alvos acaba por se generalizar transversalmente a todos os sectores e actividades.

Portanto, se o governo, o presidente da república ou algum político disser ao leitor deste blog que um novo imposto incidirá apenas sobre as empresas de energia que estão a ter neste momento lucros mais elevados, fique sabendo que o estão a tomar por parvo. Estarão a mentir com todos os dentes que têm. E segure bem a sua carteira porque a conta vai sobrar para si.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

O erro de “impor” o liberalismo reduzindo impostos

27 Julho, 2022

Imposto é roubo! A subtracção de propriedade alheia contra a vontade da pessoa alvo desse acto, é uma violação de um princípio ético fundamental. O facto de a legislação o permitir e a sociedade se ter organizado em torno do estado para praticar o roubo fiscal, não legitima a prática de extorsão, mas apenas absolve o criminoso.

E, se em Portugal, ainda não chegamos à apropriação de 100% do produto do nosso trabalho qual a percentagem de carga fiscal que permitiremos que os políticos nos imponham sem nos vermos a nós próprios como escravos do estado?

A Iniciativa Liberal, que eu saiba, nunca chegou a admitir esta premissa básica e nunca teve como ponto de partida para o seu programa político a ideia de imposto ser roubo. Todavia, até há uns tempos, este partido distinguia-se dos outros pela sua defesa contra a enorme carga fiscal a que os Portugueses são sujeitos e pela defesa da baixa de impostos.

O lema da IL pela redução dos impostos tem-se, no entanto, revelado profundamente ineficaz e, diria mesmo, contraproducente. E por culpa própria da Iniciativa Liberal. Ninguém baixa impostos sem primeiro reduzir a despesa pública. Baixar impostos sem primeiro reduzir a despesa é querer apenas que a transferência das nossas responsabilidades para o Estado seja mais barata.

A Iniciativa Liberal tem um pregão e grita pela baixa de impostos, mas está calada ou fala muito baixinho quando se trata de definir linhas de rumo para a redução da despesa pública de forma permanente e sustentada que vá muito além do caso TAP. O que importaria seria defender a retirada do Estado de inúmeros aspectos da nossa vida, desde logo através de uma redução do âmbito do estado social. Caso contrário, defender menos impostos é, na prática, pedir e defender a manutenção de um estado socialista e uma sociedade estatizada, mas apenas tentando que nos roubem menos.

Se a IL se leva demasiado a sério e acredita que a sociedade se transforma com tentativas de impor o “liberalismo” à força sobretudo por via da redução dos impostos, parece não entender que para preservar a Liberdade, o partido deveria antes ter como bandeira e mensagem fundamental a redução do Estado.

Mas isso seria talvez contra-natura, porque é da natureza das coisas, mesmo para um partido dito liberal, ter por objectivo conquistar posição de poder e influencia, que inexoravelmente leva à mesma vertigem de manter na órbita do estado decisões e opções que deveriam ser devolvidas à responsabilidade de cada pessoa e família, sem controlo ou orientação por parte dos políticos.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Tribunal Constitucional e chinelos de praia

20 Julho, 2022

Em Portugal a silly season dura todo o ano. Ainda mais, agora, quando os portugueses estão na expectativa das suas férias e por isso não têm pachorra para reflexões e pensamentos que não seja a árdua tarefa de escolher os seus chinelos de praia.

Por isso passou e passará despercebida a declaração de inconstitucionalidade dos confinamentos e imposição de quarentenas a pretexto da covid 19 decretadas desde Março de 2020 pelo governo e promulgadas pelo presidente da república.

O Tribunal Constitucional veio recentemente dizer em acórdão que essas medidas constituíram uma forma de provação da liberdade total e inadmissível num estado de direito e que essas normas podem considerar-se mais gravosas até do que o encarceramento prisional. O Tribunal constitucional deixou claro que essas decisões do governo de António Costa foram um abuso desprovido de qualquer controlo ou sensatez.

Já poucos se lembram que em Abril de 2020, quando António Costa foi questionado sobre a legalidade das medidas tomadas Governo disse de forma bruta e típica de um tiranete: «Eu também sou jurista e sei a capacidade enorme que os juristas têm de inventar problemas. Felizmente, a realidade da vida é muitíssimo mais prática»; «Diga o que disser a Constituição». (Audio aqui, notícia aqui)

Na mesma altura António Costa disse com o seu habitual sorriso cínico «respeitar muito as dúvidas dos constitucionalistas» e passou a bola para Marcelo. Ora, Marcelo é Professor de Direito e Constitucionalista e enquanto Presidente da República é sua principal função zelar pelo cumprimento da Constituição do país. Não só não o fez, como Marcelo foi conivente com uma flagrante ilegalidade e incentivou na práctica à manutenção de uma inconstitucionalidade.

Em Portugal não existem processos de impeachment a presidentes da República pelo manifesto e grosseiro incumprimento das suas funções. Por isso Marcelo continuará impávido no Palácio de Belém. Quanto ao primeiro-ministro, os tiques de brutamontes político e falta de escrúpulos para se manter no poder são bem conhecidos e, portanto, não há nenhuma expectativa de um acto de contrição e muito menos de demissão.

A Democracia liberal é uma tentativa de proteger a liberdade das pessoas da intervenção abusiva dos governos. Não são os políticos que garantem a liberdade. Nem são as leis que tornam uma sociedade livre. Apenas as nossas atitudes pessoais nos podem proteger destas intromissões ditatoriais do Estado.

Durante dois anos e meio os portugueses foram condescendentes com tudo isto. Por isso, vão agora a banhos e apanhem muito sol, mas não fiquem escaldados quando descobrirem que Democracia e Liberdade são conceitos diferentes e nem sempre compatíveis.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Famalicão, temos pena

14 Julho, 2022

Evitei falar do assunto, mas vou agora fazê-lo. Eu não concordo com os pais de Famalicão. É uma luta sem direcção contra um regime que além de badalhoco mostra orgulho na sua gosma. Agora, que as coisas correram como o regime quis, não me resta alternativa que não a de os apoiar como for possível, mas continuo a discordar da atitude tomada em relação às aulas de Cidadania {sic}.

Parece que os jovens são excelentes alunos e apresentam uma personalidade de quem teve boa formação. Assim, é uma asneira não irem a Cidadania {sic}. Deviam ir e mostrar, em cada uma das aulas, o quão aberrante é a ideia de se preencher horários de professores com esta merda. Deviam levantar questões das que deixariam o professor boquiaberto (hoje em dia é preciso muito pouco, basta perguntar se um homem é aquele ser que tem um pénis). E, como cereja em cima do bolo, deviam contrastar as notas de 5 com um 2 ou, melhor ainda, com um 1 a esta carnificina mental de e para deficientes mentais (não é insulto, é diagnóstico).

Lamento que não o tenham feito. Teriam sido as notas de sonho para qualquer pai decente. Mesmo assim, com a oportunidade perdida, quero ver quem vai ser o funcionário da máquina que se arrogue o direito de manter a guarda dos jovens durante o tempo lectivo. Mais depressa me apanhariam a fazer amor com um porco em directo na televisão (pode ser artístico, se o porco for bonito e sensual) do que neste papel imundo que não sai com água do duche.

Só mamam e eu quero que mamem outros

14 Julho, 2022

A propósito dos dois últimos posts — uma expressão recorrente que se arrisca a uma cardinalidade crescente em homenagem a todos os números naturais —, alguém levanta o problema recorrente que consiste em “mamar na teta do estado”. É, realmente, uma questão séria para todos os liberais. Tão séria que até merece que deputados que se denominem liberais considerem abdicar de prestações pecuniárias para que não sejam vistos como seres mamadores da tão concorrida teta estatal. Isto porque, meus amigos, nós não somos de hipocrisias: apesar de não ser mamar, pois é a execução de um trabalho, de uma função essencial à democracia e a outras coisas bonitinhas sem qualquer significado que a malta regurgita alegremente do vasto pasto de clichês regimentais, poderia ser confundido com um cantor pimba qualquer, que vai ali cantarolar umas coisas sobre só levar no pacote (mensagem ecológica) ou enfiar na garagem da vizinha (cooperação estratégica e planeamento rodoviário para melhor fluxo de trânsito nas congestionadas cidades).

As câmaras municipais torram dinheiro dos contribuintes, disso não há dúvidas. Bem, há algumas dúvidas, mas são conceptuais, nomeadamente sobre se o dinheiro é dos contribuintes mesmo. Se uma árvore é roubada na floresta e continua a eleger os mesmos ladrões, será que foi mesmo roubada? — já questionava o velho dizer zen. Mas vamos admitir que torram. Torram então em maravilhosas edificações como piscinas municipais (por acaso estão encerradas para obras desde o dia em que foram autorizadas a abrir mal passou a tormenta da pandemia que passou a matar mais pessoas quando acabou do que durante — devem reabrir lá para… é este século, de certeza). Mas também em gimnodesportivos para idosos, parques de chuto com áreas de “arte” “urbana” (aquela que consiste em “Júlia, deixa que te vá ao pito” seguida da resposta “Quero tatuar o teu nome no anus, Fred Grosso”). Isto sem esquecer as maravilhosas rotundas com calhaus de diamante (pelo preço) a enfeitar e que representam a opressão do proletariado pelos russos portadores de monkeypox. Ou até sem esquecer os procedimentos lindos como compensar a autarquia por parcela de terreno não cedido sem que tal tenha sequer sido solicitado — foram 5000€ aqui do Gervásio só para não se armar em latifundiário de terreno previamente devoluto, fora as restantes taxas.

Consta também que pagam a músicos para entreter as populações. Alguns de gosto duvidoso, outros bem fixes, enfim, uma miríade de mamadelas de teta completamente diferentes das mamadelas da deputação nacional (diferentes porque os músicos efectivamente conseguem entreter alguém, mesmo sem estarem nas televisões 24 horas a mostrarem que qualquer corte precisa de bobo). Ou seja, de todo o dinheiro torrado pelas autarquias, aquele que é gasto com artistas é o que realmente pode originar satisfação dos habitantes locais.

Temos que acabar com isso. No próximo ano, quando chegarem as festas de Verão da vila, a autarquia deve contratar um deputado que entretenha com o seu discurso sobre a beleza que é viver em Lisboa, ser reconhecido na rua e participar em marchas de orgulho da supremacia gay. É o que vai cair mesmo bem com as farturas e o algodão doce.

Costa e os fogos: mentiras, palermices e irresponsabilidade

13 Julho, 2022

O sem préstimo do nosso primeiro-ministro já fez o paralelo entre a gestão da época de incêndios e a resposta do governo à epidemia covid. A estapafúrdia ideia da prossecução de uma política de “covid zero” tem de facto semelhanças com a espécie de slogan que alguns dirigentes da Protecção Civil persistem em manter de um “Portugal sem fogos”. É uma aberração, é contraproducente e nas palavras do arquitecto paisagista Henrique Pereira dos Santos um “Portugal sem fogos” é uma ideia criminosa.

António Costa não tem nenhum sentimento de culpa moral ou responsabilidade política pelas tremendas falhas dos vários organismos públicos na protecção e socorro às vítimas de Pedrogão. Nos incêndios de 2017, perante a tragédia resultante da incúria e inépcia do Estado, um ajudante político de António Costa ainda ensaiou a narrativa de que as dezenas de mortes naquela estrada fatídica se tinham ficado a dever à curiosidade das próprias vítimas em ver o fogo. Mas a única coisa que sempre preocupou António Costa foi a sua popularidade e, sobretudo, isentar-se e proteger-se de lhe serem assacadas responsabilidades políticas. Costa aprendeu o truque e este ano já culpou por antecipação os Portugueses pelas tragédias que possam vir a acontecer. Abanando a sua manápula sapuda disse: “Só não há incêndios se a mãozinha humana não provocar incêndios”. (vídeo)

Curiosamente há 5 anos o Director da PJ não só disse que tinha sido um raio de uma trovoada seca a provocar o incêndio de Pedrógão, como a Judiciária tinha até encontrado a árvore onde o dito raio tinha caído. Mas independentemente disso, o que Costa disse sobre a «mãozinha humana» é pura mentira como se confirma facilmente consultando os dados oficiais.

Há anos que o gestor ambiental e florestal João Adrião e o já citado arquiteto paisagista nos explicam de forma fundamentada e clara que uma política assente na tentativa de eliminar as ignições é uma palermice pegada. O que conta verdadeiramente para diminuir a ameaça dos incêndios à vida e património das pessoas é gerir o matagal, ervas e ramos que servem de combustível. Mas esses trabalhos de limpeza e gestão são realizados por pastores e resineiros que nada contam em termos de votos nas eleições. Por isso os socialistas preferem fazer números de circo que são populares num país como o nosso que prefere uma ilusão de segurança à responsabilidade da liberdade. Mais uma vez, António Costa atropela a Constituição, com a cumplicidade do Presidente da República e da generalidade dos partidos, e decreta administrativamente restrições à liberdade das pessoas e a direitos fundamentais dos indivíduos em vez de criar os incentivos económicos certos para que os anónimos que cuidam da terra façam o trabalho que mais falta faz à sociedade.

Quem fica a arder é a Liberdade. E o país.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Urina na caverna ou o primeiro crítico segundo Mel Brooks

12 Julho, 2022

O meu último post originou um comentário curioso.

Rui Veloso parece-me mais um Tony Carreira para betos.

É curioso porque porque não sei quem é o vilão da frase. Serão os betos? Será o Tony Carreira? Será o Rui Veloso? Soa-me a uma comparação em tudo idêntica a “António Costa é o xerife de Nottingham dos esquimós”; ou ainda a “Cristiano Ronaldo é o Michael Jordan dos manetas”.

Como em Portugal é costume dizer mal de tudo, principalmente por aqueles que não metem o pescoço no cepo para apresentar alguma coisa, expondo-se o seu trabalho a um desdém pelos que em nada se sujeitam à humilhação pública, este tipo de frases sai constantemente, como um incentivo a que qualquer pessoa criativa se entregue mas é ao silêncio. Aquilo que vulgarmente se designa como pérolas a porcos.

Nunca estive num espectáculo em que não aplaudisse efusivamente os intervenientes. Eles estão lá em cima, num palco, a dar o seu melhor, e eu quero mostrar-lhes que aprecio o esforço, a dedicação e a coragem de se apresentarem em público. Tanto faz serem os Rolling Stones como a banda de garagem com instrumentos desafinados. Eu não tenho que gostar, mas aprecio o empenho e sinto obrigação moral de aplaudir alguém que, no mínimo tenta, em média consegue, comunicar com alguém. O Tony Carreira é um excelente intérprete. É um caso de sucesso, por mérito próprio, quer no cuidado com a produção, quer na capacidade de fidelizar um público que aprecia imensamente o seu trabalho. Não é tipo de canção que vos atrai? Não tem mal, mas escusais de desdenhar aqueles a quem as canções de Tony Carreira algo dizem.

Às tantas, se passássemos mais tempo a aplaudir o esforço dos que conseguem, de facto, tocar pessoas anónimas com o seu esforço, e menos a afagar o nosso ego sobranceiro de crítico, o país não seria a trampazinha que é. Até porque, já se sabe, quem sabe fazer, faz; quem não sabe vai para crítico ou professor.

Je suis Tony Carreira. E a parte do beto dou completamente de barato.

Volta ao lugar onde foste feliz

11 Julho, 2022

Ontem assisti a mais um concerto do Rui Veloso. É sempre extraordinário, mesmo quando as condições técnicas não são as ideais — o homem passou todo o Porto Covo a afinar a Duesenberg Mike Campbell que quase nem foi usada (mesmo assumindo que estava bem afinada e ele decidiu baixar o tom para mi bemol, seria de esperar haver um briefing com o staff para prevenir estas coisas). E é extraordinário por dois motivos: começando pelo segundo motivo, é a banda. Poderia sublinhar qualquer um, da fabulosa subtileza eficaz da bateria ao piano do Rúben Alves, passando por todos os outros em palco, mas tenho que destacar um: Alexandre Manaia, com a sua t-shirt “Mingos e os Samurais”, nunca fazendo esquecer através das suas PRS e Guild que em 1990 “the grass was greener” e “the light was brighter”. Quem não quereria na sua banda um tipo que sabe complementar sem assassinar, que brilha precisamente por não tentar brilhar? O que me leva ao primeiro motivo: as canções.

É uma piroseira, em Portugal, dizer bem de alguma coisa. A gente quer é dizer mal de tudo, do que efectivamente está mal, mas sobretudo daquilo que nós, à parolo, temos a percepção de que “não está mal mas eu faria melhor, só teria que aprender a escrever, a compor e a tocar um instrumento”. As canções são imortais e, por muito que formalmente pertençam à dupla Carlos Tê/Rui Veloso, na realidade são de todos nós, os quase velhotes que as sabemos de cor e salteado e que, nem que quiséssemos – mas não queremos – conseguiríamos retirar da banda sonora da nossa juventude, de uma era em que tudo eram promessas, optimismo, a certeza de que para a frente tudo seria melhor. Dezassete anos separam-me do Rui Veloso, mas não consigo imaginar conhecer o homem e não o tratar por tu. É que uma parte dele, não a do homem mas a do músico faz parte do meu cérebro. Em parte é como se vivesse também ali, num cantinho de onde nunca saíra. Ao lado dele estão as letras do Carlos Tê: eu sou o gajo que ainda vibra e há-de vibrar com rimas como as de Mandrakes com almanaques. Podia referir coisas consideradas maiores, como algo de “a gente não lê” ou “regras da sensatez”, mas serão sempre as coisas pequeninas, os detalhes, que se fixarão no meu cérebro confuso de teenager de meia-idade ou de velho precoce e impertinente.

Perdemos a capacidade de nos fascinarmos. Como tal, perdemos a capacidade de reconhecer as maravilhas que nos rodeiam e as que já estão embrenhadas na nossa psique. Talvez porque passamos demasiado tempo a mostrar aos outros nas redes sociais que nos divertimos em vez de nos divertirmos, ou talvez porque o país é só promessas e zero concretização, uma morrinha desinteressante em que a cultura é um mero acessório do poder político para a promoção de uns chatos sem nada a dizer. Pelo menos, sem nada a dizer sobre mim e sobre os que me rodeiam.

Enfim, a haver uma tragédia nacional é a de Carlos Tê não estar virado para novos discos. Pelo que li numa entrevista, já não acredita no poder de relevância da “música ligeira”. Está errado. Daqui para a frente não parece haver nada que nos salve que não a música. E ninguém documentaria melhor os tempos que ficarão perdidos no registo histórico como o de um buraco negro de Teslas, Facebooks e gadgets do que a dupla Tê/Veloso. E pronto, dificilmente deixaria a minha portugalidade evidente sem uma crítica: é essa, a de que ainda teriam muito a dizer. Vejam lá se conseguem resolver essas diferenças que há aqui gente do outro lado à espera enquanto na rádio passa aquela “música” computadorizada sem qualquer resquício de alma.

Comer bosta no restaurante seria apenas oficializar o que já fazeis

9 Julho, 2022

Suspendo por breves minutos a aposentadoria bloguista, como a avó embevecida pelos elogios às saudosas rabanadas que se levanta, orgulhosa, para queimar um lote de frituras perante a misericordiosa anuência dos netos ao reconhecerem que os intragáveis torresmos são efectivamente os únicos que merecem o título de rabanadas a sério. Sabeis então, caríssimos leitores, que ireis comer carvão adocicado no caso de manutenção de convicção de leitura para o parágrafo seguinte.

O governo holandês quer impedir os agricultores do seu país de produzirem para que, com isso, demonstrem não sei bem o quê a não sei bem quem. Parece ser algo relacionado com óxido de nitrogénio, portanto, é uma senha persecutória do governo holandês à natureza para defesa desta. Como qualquer indivíduo abusivo que espanca a mulher para o bem dela. Aliás, todas as ações governamentais para “salvar o planeta” podem ser assim resumidas: a salvação do planeta consiste num soco bem dado nas ventas dos humanos. Viveríamos todos melhor se deixássemos de querer salvar o planeta, mas parece que mais vale um planeta salvo sem dentes do que um planeta saudável com dentes ou, acabando com a analogia já demasiado lateral para o mundo básico da inginheirada e economizada que nos evidencia ser necessário defender o aborto com unhas e dentes, “com carbono”.

A polícia manda uns tiros, e está resolvido o problema. Havereis de ter menos gado: comei merda. Merda esta que parece ser o problema ambiental identificado pelos especialistas. É o que se chama a ciência de “olhar-se ao espelho”, o que não surpreende, pois não há mais nada, só um bando de exibicionistas que acumulam a idiotice com o desejo da imprensa em ser a criadora da escala da cretinice “ocidental”.

Agora vou fazer rabanadas, enquanto há pão. A continuar assim, nem gado nem cereais nem vegetais haverá para comer — o que até me parece bem, pois um especialista no espeto poderá ser uma alternativa que mata dois coelhos com uma cajadada só.

A resistência dos Pais de Famalicão

6 Julho, 2022

Embora todas as evidências apontem para que Marcelo Rebelo de Sousa se tenha deslocado ao Brasil em férias de praia, a verdade é que o nosso Presidente da República viajou até ao Rio de Janeiro e São Paulo a convite do Presidente Jair Bolsonaro, eleito com o voto de 58 milhões de brasileiros. E também ao contrário do que dizem vozes mais assanhadas, Marcelo não está senil; caso em que seria inimputável. Ao contrário, o conhecido amante de surf de Cascais está perfeitamente lúcido e consciente do que faz e não faz. Por isso, deve ser responsabilizado pelo desastre diplomático que provocou durante a sua visita oficial ao Brasil. O seu narcisismo exacerbado e manipulação da opinião pública através de orgãos de comunicação social servis e deslumbrados não se compagina com o mínimo de sensatez e cumprimento de protocolo que seria exigível a um diplomata em início de carreira.

Ainda esta semana assistimos também à triste saga do Ministério Público em vez de se dedicar a proteger crianças de lavagens cerebrais patrocinadas pelo Estado criticar os Pais dos alunos de Famalicão por defenderem os seus filhos de preceitos ideológicos contrários à sua forma de ver o mundo. O Ministério público arrogou-se até de forma acintosa e primitiva no direito de tomar o lugar de educador do povo e quer impor a estas crianças a tutela da escola.

Importa dizer que apesar do Ministério Público e do juiz de comarca terem claramente excedido e abusado da sua posição e mandato, prevalece na sociedade a perigosa ideia de que a escola deve educar. Confunde-se facilmente e demasiadas vezes «instrução» com «educação». À escola compete ensinar Português, Matemática e outras matérias fundamentais. E sabemos que já é difícil em disciplinas como Biologia ou Ciências da natureza não haver preleções de activismos ideológicos….

Mas é aos Pais que compete orientar as crianças sobre o que é o Bem e o Mal. É às famílias e não à escola que compete cultivar nas crianças uma moral. E por isso, se por preguiça, desleixo ou manifesta irresponsabilidade transferirmos essa incumbência para a Escola acabamos por tornar os nossos filhos reféns da ética e moral de terceiros e potencialmente escravos de quem está em posição de poder. Isto torna-se evidente no ensino público que está na órbida directa do Estado. Mas o risco também existe nos colégios privados e religiosos que não se importam de sacrificar uma verdadeira autonomia dos seus projectos ao aceitar por exemplo, contratos de associação com o Estado e condicionar na prática os seus programas às orientações do ministério da educação. Por muito boas intenções que haja, é certo e sabido que quem paga as contas é quem manda.

Tomara que a louvável e heroica resistência dos Pais de Famalicão sirva em primeira instância para assegurar a liberdade dos seus filhos, mas também de alerta de consciência a todas as famílias portuguesas.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Oceanos apocalípticos

29 Junho, 2022

Ninguém sabe o dia nem a hora, mas o fim dos tempos está próximo. O céu e a Terra desaparecerão. Não será deixada pedra sobre pedra. As nações levantar-se-ão umas contra as outras, e haverá fomes e terramotos em muitos sítios. Serão dias de horror. Os homens desmaiarão de terror. Os céus desaparecerão com grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela há, será desnudada. Tenham cuidado e que ninguém vos engane. Conservem-se alerta e vigilantes. Esta geração não passará sem que todas estas coisas aconteçam. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. E as nações estarão em angústia e perplexidade com o bramido e a agitação do mar.

Ora, é precisamente sobre o mar e os oceanos que a ONU organizou uma conferência em Lisboa, evento no qual o nosso ex-primeiro ministro do pântano – António Guterres – veio deixar uma mensagem que parece inspirar-se nas diversas passagens bíblicas que acabei de citar.

Ora veja: vídeo ao 1m.13s

Como seria de esperar, se um diz «mata», a cambada habitual diz «esfola». E assim foi. O ocupante do palácio de Belém disse as patetices e nulidades do costume. O nosso caudilho à conversa mole e pastosa de Guterres deu um ar de dinamismo abrutalhado e prometeu “acções drásticas”. Até Carlos Moedas, na sua voz de pífaro esganiçado, proferiu um discurso grandiloquente e pretensiosamente poético em que disse rigorosamente nada.

A narrativa de António Guterres tem a mesma moderação e racionalidade de uma seita religiosa apocalíptica. É um discurso belicista que incita ao medo e promove ansiedade. É um sermão mirabolante que rejeita o método científico e fomenta crendices activistas. Mas, na verdade, a “humildade” e pensamentos “profundos” deste molengão não passam de uma banal altivez, típica da classe dirigente instalada e deslumbrada com a sua própria suposta superioridade moral. É apenas entulho de uma conversa fedorenta que não é própria de um secretário-geral da ONU, assim como a ladainha tremendista de Guterres não é digna de um homem adulto.

Portugal é um circo

22 Junho, 2022

O SNS está em frangalhos há vários anos e só um idiota inútil acredita na bizarria de tal situação calamitosa não ser consequência directa da incúria, incompetência e amiguismo do governo socialista. Marcelo Rebelo de Sousa acha que o problema é “estrutural” e não deste governo, o que demonstra e ilustra perfeitamente a bondade da adjetivação que usei na frase anterior.

De resto a situação no país é a habitual: o gigantesco stock da dívida pública continua a aumentar, a inflação dispara à custa das políticas do BCE e da União Europeia que António Costa considera maravilhosas, a TAP continua uma vergonha de serviço e um espantoso sorvedor de dinheiro dos contribuintes.

Na comunicação social nada de novo. A RTP, sustentada com rendimentos subtraídos aos portugueses, tem o desplante de assumir a sua condição de organização de propaganda de narrativas fanático-tremendistas e nomeia uma editora de acção climática que não faz jornalismo nem tem vergonha na cara de subverter o primeiro preceito do código deontológico da profissão. O Público, que é há muito um pasquim escatológico, continua a voluntariamente a se entregar às causas LGBT e da ideologia do género. O Expresso, destacou um rapaz para escrever um novo manifesto anti-Chega travestido de notícia e de forma imunda e torcida sugere que André Ventura promove teorias da conspiração que resultam em massacres de pessoas.

O desgraçado e ridículo presidente da Associação Empresarial de Portugal em vez de pedir que o Estado saia da frente dos negócios privados e deixe os empresários trabalhar e arriscar, suplica tão tristemente quanto um janado pela mão protectora do Estado. Diz o homem que o governo deve dar às empresas 26 mil milhões de euros, dinheiro este – para quem não se lembre – que é retirado através de impostos aos contribuintes europeus.

Entretanto, alheios à penúria do país e gastando o que não é deles, os chefes de banda locais fazem-se passar por gente arejada e moderna. Bacalhau Coelho e Cabrita (“Reis”, de apelido) entenderam-se. O primeiro, presidente da Câmara de Faro, pagou 200.000 euros por uma escultura do segundo, artista. No passado recente, a Câmara de Matosinhos já tinha também adjudicado a Cabrita Reis, mas por valor superior, uma espécie de estendal de roupa para a marginal de Leça de Palmeira, obra que jaz agora enferrujada frente ao oceano para gaudio dos carapaus da costa.

Também em Alijó, uma pequena terra no Douro, não podia faltar uma exposição com 15 mamarrachos de pessoa com grande peso artístico: Joana Vasconcelos. Por uns módicos 100.000 euros, organizou-se uma mostra que durou três meses e terminou Domingo passado. Não sei quantas pessoas terão visitado a exposição, mas se tivesse sido feita uma vaquinha entre toda a população do município para pagar a conta, dava só 10€ a cada. O curador desta mostra justificou o evento como uma insurgência contra uma “realidade comezinha e o fado predestinado de um país remediado, condicionado do ponto de vista económico.”

O Presidente da República, sempre atento aquilo que é importante, assinalou ontem o que ele próprio considerou uma “efeméride”: o dia internacional do Ioga. Marcelo escreveu um comunicado a propósito da data “saudando o crescente número de portugueses que aderem a esta prática ancestral originária da Índia”.

Portugal é um circo e os palhaços somos nós que assistimos ao espetáculo.

A minha crónica, em vídeo, aqui:

O beijo

19 Junho, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre o que une estas duas imagens: de Pedrogão em 2017 às urgências em 2022, Marcelo beija, Costa diz que na semana seguinte estará tudo resolvido. O beijo de Marcelo é o símbolo do regime a que estamos entregues: o patético-socialismo.

Carta de Senhora de 86 anos a um Pároco

17 Junho, 2022

Revº Pároco Luis Mateus,

Actualmente não resido em Santo Tirso, mas aí nasci e fui criada e essa será sempre a minha terra.

Talvez por isso, o que lá se passa me toca em especial e me sinta na obrigação de o alertar para o que observei na Missa de celebração do Corpo de Deus, às 11h30.

Além do desnecessário uso generalizado de máscara (inclusive uma criança que ajudava a acolitar), o gel desinfectante parecia fazer parte da liturgia e foi usado despropositadamente
– pelos leitores
– no ofertório, ao deitar as moedas no cesto
– antes da comunhão, em que a Sagrada Hóstia era depositada nas mãos ainda besuntadas.

Aconteceu até que, nessa altura, quando me defendi da pistola de gel que o acólito me apontava, apanhei com a sua expressão de desprezo e indignação…

Não, não sou uma jovem «negacionista». Sou apenas uma mulher «de risco» de 86 anos!

É bem natural que V. Revª nem se aperceba da carga negativa e comentários desagradáveis que tais procedimentos provocam.

Peço desculpa por estes reparos, mas creio que a evangelização passa também por bom senso e esclarecimento.

Com toda a consideração,
Mafalda Fernandes

17 de Junho de 2022

Que bom é o «velho normal» do Primavera Sound

15 Junho, 2022

Com bilhete comprado em 2019 e depois de consecutivos adiamentos a pretexto da covid19 fui a um grande festival de música. Dezenas de milhar de pessoas num mesmo local, ao mesmo tempo, sem a porca da máscara, sem certificado proto-nazi, e sem qualquer desumano distanciamento social. No jornal online Observador vi a propósito do evento um título decente. Dizia: “Que bom é o «velho normal» do Primavera Sound”.

Algumas das perguntas que me ocorrem são: Como foi possível, durante mais de dois anos uma larguíssima maioria das pessoas entregar-se a um pânico totalmente injustificado com um único vírus respiratório? Como foi possível hipnotizar uma vasta população e deixá-la em alvoroço apocalíptico levando gente outrora racional a uma corrida desenfreada por papel higiénico como se isso fosse o fundamental para os seus últimos dias de vida? Ou como foi possível que pessoas minimamente informadas não tivessem noção do ridículo que foi meterem um trapo na cara para supostamente se salvarem de uma infecção?

Talvez pior ainda. Como foi possível a políticos e responsáveis técnicos subverterem uma boa gestão de saúde pública e promoverem a discriminação activa e a coerção em vez da escolha médica informada e da responsabilidade individual? Como foi possível a médicos e cientistas proeminentes vilipendiarem outros colegas, fiéis aos princípios da ciência e ao juramento de Hipócrates, e denigrirem-nos chamando-lhes de chalupas ou negacionistas?

Numa sociedade cheia de ansiedades, egoísmos e hipocrisias que corroem o discernimento moral das pessoas não importa que as ideias e políticas sejam totalmente absurdas e falsas. O que importa é que todos canalizem as suas frustrações e angústias para uma mesma luta, adiram a uma mesma narrativa e formem uma massa homogénea missionária com o mais cretino e salafrário objectivo: a defesa do que a classe dirigente determine ser o bem-comum.

O fascismo é a arte de esconder a verdade por trás de uma fachada de virtude, estigmatizando a diferença de opinião, discriminando minorias, identificando bodes expiatórios e gerindo a sociedade para a obediência coletiva e a conformidade às normas de quem está no poder.

O mais repugante e nauseabundo exemplo disso mesmo talvez tenha sido o mentiroso slogan da “pandemia de não vacinados” como ufanamente Paulo Portas chegou a referir na sua missa dominical na TVI.

Como é possível uma sociedade relativamente próspera e de pessoas com nível de educação razoável descer tão rapidamente às profundezas de um inferno totalitário assim que alguém dá um grito de alarme? O que leva tanta gente a comportamentos compulsivos e repulsivos?

Por muito evoluídas que sejam as nossas sociedades, o fascismo é um modo de vida escondido no armário de demasiada gente. Os campos de concentração e extermínio não nasceram do nada. Como alguém disse antes de mim, “são apenas o estágio final e desconcertante de um longo processo e, em última instância, é a consequência lógica da crença delirante na omnipotência da racionalidade humana” neste caso, contra a natureza de um vírus.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Teletrabalho e redução de salários

8 Junho, 2022

A pretexto da fantasia de combate à covid19 e num contexto da aldrabice pegada da situação de emergência que à data o país vivia, o governo decretou confinamentos, fecho de actividades económicas e, durante muito tempo, obrigou ou aconselhou o sector privado ao teletrabalho. O vírus foi e é naturalmente indiferente a estas medidas estúpidas e totalmente ineficazes do ponto de vista de saúde pública. Mas a economia e os portugueses não foram nem são imunes às idiotias e erros clamorosos de António Costa e do grupo dos seus subalternos ministros.

Se em Portugal os sindicatos já têm uma influência desproporcionada em relação ao número de pessoas que efectivamente representam e ainda por cima introduzem uma narrativa perigosa e nociva de confronto entre os interesses dos trabalhadores e dos empresários, a imposição legal e a transição forçada de grande parte da população activa para trabalho remoto criou ainda maiores distorções no funcionamento das empresas e do mercado de trabalho. Por exemplo, muitos são agora os trabalhadores que se sentem no direito de exigir trabalhar em casa e não nos escritórios das suas empresas.

Portugal não é caso único.  Tim Cook, o presidente-executivo da Apple, ofereceu aos seus funcionários a opção de poderem trabalhar remotamente dois dias por semana e mais quatro semanas completas em teletrabalho por ano. Ainda assim alguns funcionários contestaram o seu chefe alegando razões estapafúrdias tais como a de com esta decisão a Apple passar a privilegiar homens brancos… Também Elon Musk, o dono da Tesla, parece querer terminar por completo com o teletrabalho dos seus funcionários e sugeriu há dias que quem não quiser regressar aos escritórios poderá ir fingir trabalhar para outras empresas.

Na América como em Portugal são muitas as empresas ansiosas para que os funcionários voltem ao escritório, pois acreditam que isso é melhor para a produtividade, a moral dos trabalhadores e a cultura organizacional das empresas. Todavia os funcionários estão relutantes em desistir do novo equilíbrio entre vida profissional e pessoal que lhes foi concedido pelo teletrabalho.

Mas a verdade é que as decisões do governo em mandar para casa os trabalhadores introduziu uma cláusula excepcional e temporária à maioria dos contratos de trabalho, onde normalmente se determina que os funcionários devem trabalhar na sede do seu empregador ou noutro local que este indique. São poucos os contratos que não preveem que a escolha do local de trabalho é prerrogativa do empregador.

Uma vez que a directiva do governo para teletrabalho obrigatório deixou de existir, a relação de trabalho volta aos termos do contrato original. Com certeza que o contrato de trabalho pode ser alterado, mas apenas por meio de negociação razoável entre o empregador e o trabalhador.

Se um patrão oferece ao empregado a opção de continuar com o mesmo salário se este regressar ao escritório tal como sempre fez até agora por livre acordo entre as partes, que justificação existe para reclamar? Se o trabalhador pretende uma mudança dos termos e condições do seu contrato de trabalho, estará por exemplo disposto a aceitar uma redução do seu salário?

A minha crónica vídeo de hoje, aqui:

ISCTE com WC não-binários

3 Junho, 2022

O Observador noticia hoje que o ISCTE “deixa cair a placa de homens e mulheres e passa a ter casas de banho não-binárias”.

Para dar substância à peça, a jornalista recolheu depoimentos de uma única especialista, curiosamente concordante com a iniciativa.

Esta especialista é a Doutora Liliana Rodrigues que tenho o gosto de apresentar através das seguintes imagens:

Os justiceiros sociais do ESG

1 Junho, 2022

Os justiceiros sociais notabilizam-se por serem tiranetes e fascistas que não saíram do armário e, passe a redundância, por não perceberem nada de economia e desprezarem a liberdade de todas as pessoas que não elas próprias. São como que umas criancinhas enfezadas que inventam problemas existenciais que não têm para se entreterem no tempo disponível que a sua posição de privilegiados na sociedade lhes dá de sobra.

Nas tristes cabecinhas destes presunçosos, toda a acção humana é política. Por exemplo, a actual presidente da câmara de Barcelona ficou conhecida não pela sua gestão na cidade, mas pelo expoente máximo do seu activismo quando resolveu deixar-se fotografar a urinar em plena rua da capital Catalã como forma de acção política.

Mas se as necessidades fisiológicas humanas têm uma essência política, estes wokes umbiguistas entendem que, por maioria de razão, as empresas e os investimentos financeiros devem cumprir normas e ser avaliadas por critérios e que eles definem como ética e socialmente justos. Insere-se neste quadro mental a converseta aparvalhada dos conceitos imbecilóides de “resiliência”, “sustentabilidade” ou “inclusividade”. Para dar um ar mais sério a esta palhaçada, os consultores e o pessoal do marketing resolveu aplicar estas definições às empresas chamando-lhes parolamente de políticas e factores ESG, o acrónimo inglês referente a Ambiente, Sociedade e Gestão.

Os critérios e definições que a seita de novos evangelistas usa são altamente subjectivos e até dependentes de contexto. Mas esta gente acha que a imposição de restrições aos investimentos é compatível com o aumento da rentabilidade esperada das empresas.
Esquece é que a imposição de critérios políticos para investir, classificados eufemisticamente de investimentos socialmente responsáveis, cria enormes distorções que são contraproducentes. Na verdade, ninguém com cabeça sã pode imaginar ser no interesse das empresas exterminar a humanidade com alterações climáticas antropogénicas. Não me parece dar jeito às empresas ficar sem clientes… Num horizonte temporal normal, o bem social e os interesses financeiros não são antagónicos. Pelo contrário, convergem.

Criticar o ESG não é negar nenhum problema social ou ambiental. Decorre isso sim da clara percepção de que o mantra parareligioso da moda parte de pressupostos errados e, se cumpridos com a obediência própria de fundamentalistas, terá no mundo e na vida das pessoas a consequências exactamente opostas às intenções inicialmente declaradas.

Os proponentes das políticas ESG dizem que o ESG torna as empresas mais lucrativas e valiosas. Aparentemente concordam com Milton Friedman que defendia que empresas se deviam concentrar em entregar lucros e valor aos seus acionistas, em vez de serem activistas sociais. A diferença está em que Friedman tinha a humildade que os fanáticos do ESG não têm de reconhecer que são os empresários quem melhor sabe gerir as suas próprias empresas e que quem fôr incompetente será penalizado pelo mercado e não pelos sábios justiceiros sociais.

A minha crónica vídeo de hoje, aqui:

Inveja dos super-ricos

25 Maio, 2022

A Oxfam é uma organização, supostamente não-governamental, mas que tem um orçamento superior a mil milhões de dólares com origem sobretudo em subsídios de diversos governos. Tornou-se uma agremiação de activistas da esquerda radical com discurso neo-marxista.

O Fórum Económico Mundial foi fundado por um sinistro economista alemão e a instituição tem-se dedicado a promover algumas das ideias mais perigosas e nefastas para uma sociedade livre. No encontro anual do Fórum Económico Mundial em Davos, a Oxfam apresentou pela enésima vez um alerta dramático sobre a crescente desigualdade no mundo. E há dias fez títulos de jornais a sua estimativa de que durante a pandemia surgiram no mundo mais 573 multimilionários e que a cada 33 horas mais um milhão de pessoas entra na pobreza.

Há décadas que Oxfam tenta provar que a riqueza do mundo está concentrada nas mãos de uma conspiração maligna de indivíduos super-ricos e que os ricos só ficam mais ricos à custa dos pobres.

Para estes fanáticos esquerdistas, a riqueza é essencialmente má e imoral. A sua solução milagrosa para acabar com a pobreza e a desigualdade é sempre a mesma: um ataque fiscal, impostos sobre a riqueza, impostos extraordinários e a expropriação de fortunas. Este ano querem um imposto único sobre os chamados “lucros pandémicos inesperados” e um imposto de 90% sobre todas as grandes empresas que tenham tido lucros durante a crise da covid e da Ucrânia.

Entre muitas outras parvoíces e asneiras, a Oxfam não percebe porque é que a pobreza no mundo diminuiu drasticamente nas últimas décadas, assim como ignora capciosamente o facto de a riqueza não existir naturalmente. A riqueza não cai do céu, nem brota do chão. A riqueza é fruto do engenho, iniciativa e esforço humanos. Toda riqueza teve primeiro de ser criada antes que alguém a possa roubar ou dela beneficiar honestamente. A riqueza tem de ser criada e produzida e a principal maneira de ficar rico é produzir algo que as pessoas valorizem. Ao contrário do que diz a Oxfam, a riqueza é uma das principais recompensas do trabalho produtivo. Impostos sobre a riqueza reduzem o incentivo à produção.

Por outro lado, um bilionário não pode simplesmente levantar toda a fortuna ao balcão de um banco. Tipicamente apenas 1% da riqueza do bilionário é mantida em dinheiro. O grosso dessa riqueza está em acções das suas próprias empresas, juntamente com aplicações financeiras, metais preciosos, imobiliário e outros activos. Portanto, a ideia adolescente da Oxfam de ir caçar a fortuna dos super-ricos exigiria uma gigantesca venda de ativos, e incluiria por exemplo mandar para o desemprego milhares de trabalhadores das empresas desses bilionários e esvaziar fundos de pensões de milhões de pessoas da classe média. Além de que a expropriação de riqueza dos super-ricos só aconteceria uma vez e não daria para distribuir nada nos anos seguintes.

Não se melhora as condições de vida dos pobres tirando riqueza ou rendimento aos ricos. Precisamos é de economias mais produtivas, menos estado e mais trocas comerciais livres como queria a Oxfam aquando da sua criação no tempo da segunda grande guerra.

A inveja é um sentimento muito feio!

a minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Contra o suicídio das civilizações

20 Maio, 2022

Segue-se um excerto de interessante discurso de Václav Klaus, na The Conservative Political Action Conference, em Budapeste (Hungria), ontem, 19 de Maio.

Tradução livre minha para Português:


O mundo pós-democrático contemporâneo, mais ou menos socialista, conjugado com um progressismo agressivamente imodesto e quase anárquico, com uma cultura arrogante do cancelamento e os excessos quase inimagináveis ​​da revolução de género, é o oposto do mundo que queríamos construir.

Como aconteceu? Terá sido porque as nossas velhas, bem definidas e amplamente aceites ideias conservadoras se tornaram obsoletas, inadequadas, talvez inaplicáveis ​​no atual admirável mundo novo, que ainda está à espera dos seus recém-nascidos Huxleys e Orwells? Devemos, portanto, renovar, modernizar, reformular essas ideias? Ou nós “só” temos que regressar a elas?

A minha resposta a esta pergunta é simples e bastante modesta: creio que é suficiente voltar às nossas ideias. No entanto, fazê-lo seria uma conquista revolucionária – não apenas pela força inegável dos nossos oponentes e inimigos, como muitas vezes se argumenta.

Vejo muitos problemas e inconsistências do nosso lado. As nossas ideias conservadoras não foram suficientemente expostas e promovidas durante muito tempo – pelo menos desde os anos 1960, desde as barricadas em Paris de 1968 e a Students for Democratic Society in America. O problema foi ampliado pela evidente passividade dos pensadores conservadores após a queda do comunismo, quando o mundo ocidental ingenuamente aceitou a tese do “fim da história” de Fukuyama e se tornou injustificadamente garantido que as ideias sobrevivem, funcionam e vencem sem serem constantemente defendidas e promovidas.

As perdas que vejo estão tanto no campo das ideias quanto nos arranjos institucionais radicalmente modificados do mundo ocidental, especialmente aqui na Europa. No campo da ideologia, vejo as principais mudanças para pior nos seguintes campos:

˗ na vitória dos «direitismos-humanos» sobre os direitos cívicos entendidos de forma conservadora e sobre o princípio tradicionalmente definido de cidadania;

˗ numa perda de liberdade ligada ao facto de a democracia liberal progressista ter conseguido substituir a liberdade por direitos. A ideologia dos direitos positivos alcançou o status de religião cívica;

˗ na vitória do ONGismo, do poder de grupos de pressão não eleitos e interesses adquiridos sobre a democracia parlamentar pluralista;

˗ na vitória do ambientalismo agressivo sobre a racionalidade elementar e o bom senso, sobre a sabedoria do cidadão comum, sobre o pensamento económico conservador;

˗ nas consequências do facto de os crentes no Estado-nação terem mais ou menos capitulado no seu confronto com as organizações internacionais (na Europa com a UE);

˗ na interrupção da continuidade. A sociedade ocidental começou a distanciar-se das suas raízes culturais e históricas e da longa tradição de moderação e decência;

˗ na negação da existência da natureza humana. Os expoentes da revolução sexual conseguiram transformar homens e mulheres, o hardware biológico da sociedade humana, num software cultural e social;

˗ e, finalmente, nos novos padrões morais e comportamentais que substituíram tradições e valores conservadores.

Tem também uma componente institucional. Todas estas mudanças foram possibilitadas pela negação do papel dominante dos Estados-nação na estruturação da sociedade humana e pelo crescente papel das organizações e instituições internacionais. O movimento em direção a uma governança global e sub-global, o que significa Europeia, levou à supressão do único garante eficiente da Democracia, o Estado-nação.

Os Estados-nação soberanos tornaram-se uma unidade política fundamental dos assuntos internacionais. O modelo existente do processo de integração europeia, em que a integração se transformou numa unificação e centralização europeia da tomada de decisões, e em que a liberalização se transformou em harmonização, padronização e uniformidade, tornou-se o principal veículo para a perda do pensamento conservador nesta nossa parte do mundo.

Estamos na defensiva há muito tempo. Uma ofensiva autoconfiante baseada na convicção de que as ideias importam e que as ideias conservadoras são parte fundamental e insubstituível deve ser iniciada. Há uma necessidade desesperada de defender o muito frágil Ocidente dos seus inimigos intelectuais internos. Não é só na Hungria que temos que lutar contra o crescente protagonismo dos expoentes do «Homo Sorosensus» e a ascensão das elites cosmopolitas.

Não devemos permitir que os progressistas dominem a política, os media e o sistema educacional atuais. James Burnham disse que “as civilizações morrem apenas por suicídio”. Receio que a nossa falta de actividade possa facilmente levar a tal fim. Como disse antes, a queda do comunismo e o fim da Guerra Fria minaram a consciência e o estado de alerta anteriores.

O mesmo erro não deve ser cometido novamente. O conservadorismo nunca significou uma rejeição a priori de mudanças fundamentais e de uma descontinuidade radical com o passado. Certamente não sou o único que sente que chegamos a um ponto de viragem. Devemos começar a defender e promover activamente as ideias que herdamos dos nossos antecessores.


Acima, excerto do discurso de Václav Klaus, na The Conservative Political Action Conference, em Budapest (Hungria), a 19 de Maio de 2022.

O original completo pode ser lido aqui.

Sólidos Prejudicados do Beneficiário Líquido

18 Maio, 2022

Marcelo, como não é economista, tinha obrigação de não dizer tantas asneiras como os reputados especialistas que nos jornais e na televisão fazem previsões sobre os efeitos benéficos da guerra na Ucrânia para Portugal.

Mas a picareta falante da República, como é catedrático do asneirol disse mesmo isto:

Estas declarações foram proferidas numa conferência em Cascais cujo tema foi “País de Futuro”, mas para a qual paradoxalmente se convidou o Arlequim de Belém e a agora todo-poderosa filha do ex-ministro de Sócrates, Vieira da Silva. Segundo as palavras de Marcelo que ouvimos atrás parece, portanto, haver excelentes perspetivas para a economia portuguesa.

Estas vacuidades foram expelidas antes do requintado cocktail dînatoire do evento e não me consta que tivessem sido contestadas pelos «Senadores Portugal XXI» como pomposamente a organização chama a personalidades como António Vitorino ou Marques Mendes.

Há relativamente pouco tempo a reincidente ministra da agricultura já havia referido que a pandemia da covid 19 poderia impulsionar as exportações portuguesas, ideia logo secundada pelo à altura secretário de estado da internacionalização de seu nome Brilhante.

Se este exclusivo clube da intelligentsia nacional tem estas opiniões e expectativa de que a governação de Costa dê um jeito à bazuca de forma a nos abarbatarmos ao dinheiro dos contribuintes europeus, o mais provável é tudo corra bem, excepto se assim não acontecer.

O facto de as anteriores crises internacionais e males de países terceiros não ter tirado Portugal da cepa-torta nos últimos 30 anos é um mero detalhe.

Marcelo já percebeu que é um mero contínuo dos governos de António Costa, e por isso não deixará de dizer platitudes com um sorriso de quem se acha superiormente inteligente e sagaz, entretendo o povo por mais uns tempos até que a chata da realidade contrarie, mais uma vez, esta bela fantasia.

Libertem-se, comuniquem, vibrem

18 Maio, 2022

Ontem foi notícia no Público que “quatro em cada cinco jovens LGBTQ ocultam orientação sexual aos docentes”. Fiquei bastante perplexo com o egoísmo destes quatro em cada cinco jovens: ocultarem orientação sexual aos docentes é de uma vilania inaudita. O que leva um jovem a entrar numa sala de aula e ficar ali, sentado, a ouvir sobre assuntos aborrecidos, sem necessidade de se dirigir à assembleia para expressar a sua preferência por homens vestidos de cavalo? E quem diz homens vestidos de cavalo diz qualquer outro género equino. No meu tempo de escola não era assim: raramente encontrávamos um colega nos corredores sem que este estivesse a expressar a sua sexualidade na porta do cacifo. Algo mudou para pior e agora que penso nisso, só pode ser culpa do Putin.

Ouviu falar desta adolescente de Avis?

16 Maio, 2022

A Margarida Bentes Penedo traz aqui um caso extraordinário e perturbante sobre o Estado português.

Olá Lenine

15 Maio, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre a base de dados da Autoridade Tributária e Aduaneira. Em Portugal, não se pode saber onde estava um telemóvel num determinado dia mas pode saber-se que compras fez, e em que supermercado, nesse mesmo dia, o dono desse telemóvel. Não se podem armazenar metadados por mais de um ano mas podem guardar-se facturas por anos e anos…. Sim está tudo armazenado por anos e anos na base de dados da Autoridade Tributária e Aduaneira à disposição de milhares de pessoas e de dezenas de entidades. São os “metadados do fisco”, os tais que não levantam problemas constitucionais de espécie alguma.

A chungaria da classe política e a web summit

11 Maio, 2022

Quando Paulo Portas e Cotrim de Figueiredo trouxeram para Portugal a Websummit, é justo reconhecer que o governo gastava apenas 1 milhão de euros dos contribuintes nesta conferência tecnológica. Mas, como era fácil de antecipar, rapidamente o custo para os portugueses com este evento disparou. Ao longo dos últimos anos de governação socialista alimentou-se um certame de vaidades e um circo mediático para políticos exibirem a sua intrínseca parolice.

O rapaz que promove esta cimeira, sebosamente tratado pela chungaria da nossa classe política como «Pédi», percebeu o óbvio desde início: Fernando Medina, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa seriam presas fáceis de tourear. E assim foi. Pacóvios políticos, deslumbrados com os holofotes mediáticos e a ilusão de uma modernidade que não têm, não hesitaram em atribuir benefícios chorudos a um organizador de feiras usando o dinheiro que é dos contribuintes.

«Pédi» decidiu, entretanto, que em 2023 a Web Summit iria para o Rio de Janeiro. Graças a Deus!…

De resto, a história de cenas ridículas e burlescas da nossa podre oligarquia conta-se rapidamente através da imagens da crónica vídeo de hoje e que tem um “happy ending”, aqui:

Entretanto o mundo continua a girar

11 Maio, 2022

A polícia de segurança nacional de Hong Kong deteve esta quarta-feira o cardeal Joseph Zen de 90 anos, bispo emérito da região chinesa, a advogada Margaret Ng e o investigador Hui Po-keung. As autoriades acusam os três ativistas de conspiração com instituições estrangeiros por estarem envolvidos num fundo de apoio humanitário, que entretanto já foi extinto.

Quando o óbvio se torna doloroso

6 Maio, 2022

José Meireles Graça: “A Europa financia a Rússia para atacar a Ucrânia, que é financiada pela Europa para se defender”

Sexo e mentiras do género

4 Maio, 2022

Imagine o leitor ser pai de uma rapariga adolescente com 16-17 anos que vai participar num acampamento de verão durante duas semanas organizado pelo colégio.

Uma das suas preocupações será com certeza perceber se a organização providenciará dormitórios, balneários e casas de banho separadas para rapazes e raparigas. O colégio diz-lhe que sim e assegura que no acampamento a logística do alojamento e higiene será organizada de forma separada para cada género e, portanto, não haverá dormitórios ou chuveiros mistos.

Mais tarde, por acaso, fica a saber que seguindo as orientações centrais e políticas de inclusão promovidas pelo governo, o colégio da sua filha deu indicações à equipa que organiza o acampamento para perguntar aos alunos participantes quais as suas preferências individuais de alojamento e quais as casas de banho e vestiários em que se sentem mais confortáveis de usar. Tendo alguns rapazes indicado à organização auto-identificarem-se como sendo do género feminino, o colégio respeitou a preferência destes alunos em dormir junto das raparigas e usar o mesmo balneário que a sua filha.

Aí o leitor constata com surpresa que a logística do acampamento não é organizada conforme o sexo dos alunos, mas sim do género com que se supostamente se identificam. E mais: recebe como resposta às suas preocupações sobre esta política do colégio que se as meninas se sentem desconfortáveis com um rapaz no seu quarto, elas “precisam de ser educadas para respeitar a identidade de género da pessoa do sexo masculino”. Ou seja, o colégio permitirá que os jovens auto-identifiquem o seu género, colocando-os em conformidade nos dormitórios em que se sintam mais confortáveis.

Esta confusão entre sexo e género, entre biologia e disparate é, na melhor das hipóteses, enganosa e, na pior, deliberada. Mas tenho poucas ou mesmo nenhumas dúvidas de que se trata de um modo intencional de criar rupturas e deslaçar a sanidade das famílias e da sociedade como forma de implementar uma agenda política e cultural artificial e grotesca, imprópria de gente sã e humana.

A privacidade, dignidade e segurança dos adolescentes não devem impedir ou desacelerar a narrativa progressista, muito acarinhada pela extrema-esquerda bloquista e tolerada pela ala liberal armada ao moderninho.

A história que descrevi anteriormente passou-se há dias no Reino Unido. E não é caso único. Com a nossa habitual predisposição para adoptar as piores modas estrangeiras, em Portugal não faltarão em breve colégios a adoptar as mesmas atitudes e governantes a louvar a falsa tolerância e inclusividade.

A minha crónica em vídeo, aqui:

Twitter e liberdade de expressão

27 Abril, 2022

A «esquerdalha» progressista anda a ter chiliques com a compra do Twitter e o facto de um sheik da Arábia Saudita deixar de ser um dos maiores accionistas da empresa. Já a Direita «cócózinha» está apreensiva com a possibilidade desta rede social não ter um Diácono Remédios a zelar pelo bom-comportamento dos seus utilizadores.

Elon Musk nasceu na África do Sul, tem 50 anos e é o homem mais rico do mundo. Isso chateia verdadeiramente a malta de esquerda, sobretudo depois do inovador empresário ter mudado a sede da Tesla (o seu maior negócio) da California para o Texas onde os impostos são muito mais baixos. E ao contrário do pessoal fofinho de direita, Elon Musk criticou fortemente a decisão do Twitter em banir o ex-presidente Trump assim como recusou bloquear órgãos de comunicação russos do seu serviço de internet por satélite.

O novo dono do Twitter já foi inspirador para os progressistas de esquerda e cambada histérica com as alterações climáticas, mas hoje está mais conotado com a direita e os movimentos liberais. Mas não precisamos de concordar sempre com as opiniões e a visão do mundo que Elon Musk tem para saudar com entusiasmo a sua aparente forte intenção de despoluir o Twitter do controlo de linguagem, cancelamento de opinião, banimento de utilizadores e pensamento de grupo que tem caracterizado esta plataforma.

Nos seus 16 anos de existência e com cerca de 250 milhões de utilizadores diários, o Twitter deu lucro apenas em dois exercícios. Apesar de ser expectável tenha uma gestão mais eficiente e eficaz retirando a empresa de cotação na bolsa, Elon Musk já declarou que não pretende torna-la uma máquina de gerar fortunas, mas ser antes seu objectivo “tornar o Twitter melhor do que nunca” e proteger o Twitter como uma “praça pública digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”, onde “as pessoas tenham a possibilidade e a percepção de que podem falar livremente”.

Ao ser uma rede emotiva e hipócrita que promove um discurso de sinalização de virtude, o Twitter ficou infestado pela esquerda. Se Elon Musk resgatar o Twitter das pulsões fascistas contra a dissidência de opinião face ao consenso da esquerda, passando a permitir que as pessoas discordem sem partir imediatamente para uma guerra verbal onde o objetivo acaba por ser o de expulsar da plataforma quem tem opiniões de que se discorda, isso será um sucesso enorme e verdadeiro serviço público global. Musk entende (e bem!) que precisamos de mais e não de menos exposição a ideias desagradáveis.

Aparentemente Elon Musk ter-se-à decidido a comprar o Twitter cinco dias após uma conta humorística muito popular ter sido suspensa pelo Twitter depois de ter feito uma piada sobre um indivíduo transgénero (que passou de homem para mulher), e que é membro do governo de Joe Biden. Em reacção a este cancelamento Elon Musk lançou uma sondagem a partir da sua própria conta particular no Twitter perguntando aos seus mais de 80 milhões de seguidores se a liberdade de expressão é essencial para o funcionamento da democracia. A esmagadora maioria das respostas foi “sim”.

Se o humor sem espartilhos regressar ao Twitter, já haverá razões para agradecer a Elon Musk ter gastado 44 mil milhões de dólares na compra da empresa.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Sócrates e PS: quem aldrabou quem?

24 Abril, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre o porquê de Antóbio Costa se dizer aldrabado peo Sócrates e não considerar que o PS e ele mesmo se enganaram ao avaliar Sócrates: «Quando António Costa declara sobre José Sócrates “Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]” não está apenas a dizer que Sócrates aldrabou mas também e sobretudo que ele, Costa, não é responsável por nada pois ele, Costa, não passa de um aldrabado»

Algo de muito estranho está a acontecer no Kremlin

23 Abril, 2022

O estado-social faz mal à liberdade

20 Abril, 2022

Há dias na assembleia da república no seu discurso de estreia como deputado, o Carlos Guimarães Pinto disse que «o liberalismo faz falta ao estado social». Ora, se por efeito retórico «liberal» rima com «estado-social», do mesmo modo «estado-social» também faz verso com «imoral». Com a vantagem desta última concordância ser mais próxima da realidade e uma mais justa análise da questão.

Os liberais são normalmente catalogados de anarcas e egoístas. Atribuem-lhes a defesa do fim do estado e criticam-lhes o que dizem ser o seu desprezo pelos pobres e vulneráveis. É exactamente o contrário, mas já não tenho pachorra para contrariar as acusações de patuscos socialistas mal-informados e mal-intencionados.

Mas gostava de suscitar nos liberais a reflexão sobre se a promessa de um estado protector não contribui para a crescente perda de independência, autonomia e responsabilidade de cuidarmos de nós próprios e dos que nos são próximos. É que transferindo essa incumbência para o estado, acabamos nós por nos tornar escravos de um poder autoritário, deixando o estado de estar ao nosso serviço para passarmos nós a servir o estado.

Parece que muitas pessoas diabolizam e suspeitam de si próprias, mas surpreendentemente crêem na santidade e virtude dos políticos. E assim, é o estado que passa a definir o que é “justiça social” pela medida que for conveniente aos poderes públicos de cada momento. Mas pense bem: se não fosse obrigado a pagar as contribuições para a segurança social, escolheria o estado para administrar e dar destino às suas poupanças?

O estado não faz dos indivíduos boas pessoas porque a caridade e o amor ao próximo não se praticam com o dinheiro de terceiros. Ao obrigar coercivamente à solidariedade entre pessoas o estado não só reduz perigosamente os incentivos para a criação de riqueza (deixando-nos todos mais pobres), como também encoraja a que os beneficiários da ajuda se sintam no “direito” de ser ajudados, perpetuando a mendicidade.

A virtude e a moral só existem se forem uma escolha livre e autónoma dos indivíduos em praticar o bem. A chamada “justiça social” não é uma forma de justiça, mas apenas uma forma de corrupção moral.

Quando a responsabilidade individual é menosprezada, a liberdade das pessoas perde-se. Não se pretende nenhuma revolução, nem acabar com o estado social da noite para o dia. Mas se queremos uma sociedade mais digna a evolução deve ser no sentido de consistentemente diminuir o estado-social.

O liberalismo não faz falta ao estado-social.
O estado-social não faz falta ao liberalismo.
O estado-social faz mal à liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

DIgamos que é mais os dirigentes e élites africanas não prestam atenção às suas guerras

14 Abril, 2022

Mundo “não presta a mesma atenção às vidas de negros e brancos”, compara diretor da OMS. “Alguns são mais iguais do que outros”. Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde comparou a atenção dada à Ucrânia a conflitos noutros países, sobretudo na Etiópia.

Apoplexia de socialistas com socialista

13 Abril, 2022

Apesar do peso do estado na economia ser superior a 50%, um socialista destaca-se por querer ainda maior intervenção do Estado e por uma defesa intransigente de um estado social cada vez mais gordo e balofo.

Para financiar o seu lirismo, um socialista não se importa de endividar ainda mais o Estado e aumentar o déficit orçamental. Não hesitará em cobrar mais impostos, sobretudo aos mais abastados e às empresas. Em vez promover condições para o desenvolvimento, a obsessão socialista é com o modelo keynesiano doe pôr o Estado a gastar mais dinheiro e a redistribuir a riqueza criada por outros.

Um socialista dito moderno é muito crítico da globalização, dos modelos sociais anglo-saxónicos, e absolutamente contra o chamado neoliberalismo. Em vez de uma economia aberta, de livre-mercado e liberalizante, um socialista defende o proteccionismo, a intervenção estatal e a regulação central das actividades económicas. Daí que um socialista advogue um Estado musculado, taxas e barreiras às importações e alguns até a nacionalização de bancos.

Mas reconheça-se que a narrativa socialista é especialmente sedutora junto dos empregados por conta de outrem, dos operários e dos jovens. Alguns exemplos de medidas que apelam a esta sociologia do voto socialista são a proposta de aumento das pensões e de baixar a idade da reforma para os 60 anos, transportes públicos gratuitos e isenção de IRS para os jovens, a fixação de preços para combater os efeitos da inflação, a subida do salário mínimo para 1.000€, a criação de um imposto sobre o património financeiro, aumentar em 15% o salário dos professores, construir 100.000 habitações públicas por ano, investir mais 20 mil milhões de euros no sistema nacional de saúde, criar um ministério para a luta contra a fraude fiscal, apostar na reindustrialização do país ou a promessa de garantia de preços mínimos para os produtos dos agricultores nacionais.

Se a esta agenda económico se juntar a defesa da despenalização do aborto e da eutanásia e se o líder de um partido socialista for mulher e duplamente divorciada, preencherá os melhores cânones progressistas. Se, em criança, tiver sido sobrevivente a um atentado terrorista e, na sua adolescência, tiver ultrapassado o trauma do abandono da própria mãe, essa líder não poderá ser melhor escolha. Se essa socialista tiver condenado a invasão da Ucrânia pela Rússia e fôr apologista de porta aberta para acolher refugiados de guerra ucranianos, será ideal. Se esta mulher política tiver 53 anos e dedicar o seu carinho a seis gatos que tenha como animais domésticos, então trata-se mesmo de Marine Le Pen, a candidata que disputa a segunda volta das próximas eleições presidenciais em França.

Os insuportáveis wokes que em bom Português se diz «rematados choninhas» andam muito preocupados com o perigo que representa aquela que chamam candidata da extrema-direita. Em caso de vitória de Marine Le Pen sobre Macron, estou certo de que muitos destes totós acabarão por querer a expulsão da França da União Europeia.

Macron é um social-democrata elitista que despreza as mais elementares liberdades individuais e, por isso, se eu fosse Francês não lhe daria o voto. Mas, diverte-me a apoplexia que muitos sofrem com a possibilidade de vitória desta candidata socialista, a candidata do campo político da maior parte dos analistas e comentadores portugueses, não do meu.

Em vídeo, aqui:

Há 215 anos a Ucrânia ficava em Portugal

10 Abril, 2022

Esta semana no Observador escrevo sobre a primeira invasão francesa. Tudo em Portugal em 1807 parece um eco daquilo que a Ucrânia está a viver: lá estão os massacres, a resistência popular sempre depreciada pelas acusações de reaccionarismo, a necessidade de salvaguardar a face do agressor derrotado… Mas razão desta minha viagem ao passado acontece também por uma questão de higiene. Que é como quem diz, vou ler o que puder sobre o “Jinot” e o Maneta para desse modo poupar-me a ver Rosa Coutinho ser agraciado no 25 de Abril com a Ordem da Liberdade…

E os periquitos e as begónias estarão a salvo de mais esse genocídio perpetrado pelos anti-comunistas primários?

8 Abril, 2022

Carmo Afonso, colunista do PÚBLICO: «Por cada vez que alguém compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho silvestre, seca uma flor campestre. Ao ritmo a que vamos não sobrarão nenhuns nem nenhumas

E pronto, se não conseguirem perceber eu traduzo

8 Abril, 2022

El nuevo líder del PP, Alberto Núñez Feijóo, ha ofrecido este viernes una entrevista en la Cadena Ser en la que ha sido preguntado por el pacto de su partido con Vox en Castilla y León.

¿Pero qué me dice usted? Será una broma, ¿no?”, la respuesta de Feijóo cuando le preguntan por los pactos del PP con Vox. “Que el PSOE nos diga que hay que romper con Vox cuando está gobernando con Bildu en Navarra, con Podemos en el gobierno de España y con los apoyos de ERC y Bildu para sacar presupuestos y leyes. Supongo que el manual de coaliciones del PSOE es el manual de lo que no se puede utilizar”, zanja Feijóo.

A excomunhão da Hungria

6 Abril, 2022

Tal como Portugal, a Hungria apoiou e implementou as mais pesadas sanções de sempre aplicadas pela União europeia à Rússia no seguimento da criminosa e totalmente injustificada guerra na Ucrânia da responsabilidade do agressor Putin.

Ao contrário de Moçambique ou Angola, a Hungria votou favoravelmente a condenação da ONU à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ao contrário dos mesmos países, já em 2014 a Hungria tinha votado a favor da condenação da anexação da Crimeia.

A Hungria já acolheu cerca de 400 mil refugiados de guerra ucranianos, diferentemente de Portugal que recebeu 15 vezes menos pessoas.

Todavia, jornalistas portugueses e comentadores televisivos nacionais, assim como a habitual trupe de arrogantes que se passeiam no Facebook e no Twitter, têm a lata de afirmar que a vitória de Viktor Órban nas mais recentes eleições gerais do país (tal como António Costa, aliás, com maioria absoluta) é uma vitória de Vladimir Putin.

Para esta gente que se pavoneia nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social a exibir o seu ridículo auto-convencimento de que são os mais humanos dos seres humanos e os mais bondosos dos bons, tudo o que fique aquém de uma resposta militar directa e total da NATO e de Portugal contra a Rússia não é civilizado nem aceitável. Curioso é que nenhum destes patetas tenha deixado o conforto do seu lar ou a protecção do seu teclado de computador para integrar a legião estrangeira que defende o território da Ucrânia. Assim como não se ouviu destes pascácios nenhuma revolta contra as mais do que dúbias posições de países ditos irmãos como Angola ou Moçambique.

Porquê?

Simplesmente porque Viktor Órban é de Direita, nacionalista, conservadora cristã. Esta Direita não é a minha e o homem parece ter pulsões autoritárias e populistas que rejeito. Mas, ao contrário do que se omite na opinião púbica, Órban derrotou a esquerda, mas sobretudo ganhou contra um outro partido, esse sim, radicalmente à direita.

As florzinhas de cheiro do pensamento, zeladores do politicamente correcto não perdoam é a Órban ter proibido propaganda de natureza sexual nas escolas, ser contra a legalização do aborto e da eutanásia, crítico das agendas da ideologia de género e dos fatalismos e fanatismos das emergências climáticas. O euro-cepticismo de Órban e sobretudo a primazia que dá às leis nacionais sobre os regulamentos que uma comissão europeia não eleita popularmente quer impor ao país, não lhe granjeou simpatias junto das elites urbanas bem-pensantes em Portugal. Daí que várias luminárias “comentadeiras” queiram castigar a Hungria ou mesmo expulsá-la da União.

Durante os dois anos da agora esquecida covid, chamaram Órban de negacionista e chalupa. Agora, com crise na Ucrânia chamam-no de putinista e colaboracionista com o regime russo, numa tentativa de segregação e criação de um cordão sanitário entre a direita política que é domesticada e tolerada pela esquerda, e a direita de que os beatos progressistas e globalistas têm receio.

São reflexos da húbris umbiguista e a velha e miserável técnica dos fracos lançarem anátemas sobre quem pensa de forma diversa e tem um diferente entendimento do mundo. Ao excomungarem Órban, revelam a vergonha que realmente têm pela Democracia e sobretudo o medo que têm da liberdade.

Em vídeo, a minha crónica de hoje está aqui:

Joshua

5 Abril, 2022

Tenho pena do Will Smith, mas, além disso, um sentimento de gratidão pelo que fez na cerimónia dos Oscars. Com o estaladão, mostrou-nos o que acontece quando vivemos com o espírito “redes sociais”: reacções imediatas, sem pensar, seguindo o instinto que nos foi sendo incutido e moldado para ficarmos por cima na solidão da nossa própria certeza na razão.

Havia algum motivo para o estaladão? Não, não havia. Nem há motivo para os constantes retweets sardónicos, para a violência que exercemos em manada perante o que consideramos burrice dos outros, pela pontificação constante e pelo culto do eu-cheio-de-razão com que educamos uma geração para que viva na constante ironia de não-causas. Todo o palavreado modernaço no seu bafio das micro-causas de paridade, igualdade, salvação do planeta (de quê, das nossas acções para o salvar pela destruição?), fobias variadas e -ismos de vão de escada.

Não bastava que Deus tivesse morrido, tínhamos também que matar a lembrança Dele dentro de nós? As redes sociais, na aparente “voz dada aos indivíduos”, tornou-os em engrenagens de uma máquina de atenção permanente para publicidade pela goela abaixo, tanto consumidores como vendedores por consignação da sinfonia de caixas registadoras criadoras da maior desigualdade de sempre entre os ricos – big tech – e os pobres – os proles “produtores de conteúdos” e consumidores de rancor.

O estaladão do Will Smith corresponde a 5 minutos de Twitter, a 5 minutos de Facebook, a 2 minutos de Instagram… Hordas de pessoas entretidas a linchar outros, sem qualquer contemplação pela humanidade destes, pela sua humanidade. Agradeço ao Will Smith o acto de se desgraçar em directo na televisão, para que outros vejam nele o exemplo a não seguir.

A strange game. The only winning move is not to play. — Joshua in War Games