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Só não sintam vergonha por tomarem a vacina

6 Dezembro, 2021

Não há motivo para se envergonharem de terem tomado a vacina. Eu sei que o entusiasmo de receber uma droga experimental grátis, paga com o desemprego e cancros por diagnosticar, leva a que queiramos que o resto do mundo sinta a mesma transcendência que sentimos, mas nem todos estão preparados para providenciar a benção dos vossos actos com narcóticos através da participação obrigatória nessas actividades recreativas.

Bem sei que se todos lambessem a tampa da sanita não teríamos que andar às escondidas a sentirmo-nos oprimidos por uma sociedade que nos condena, mas estamos no século XXI e esses assuntos já não são tabu. Podeis lamber a tampa da sanita da big pharma tranquilamente sem precisar de anunciar ao mundo a obrigatoriedade para todos que legitimaria os early adopters, que os faria sentirem-se bem com esse salto de fé para uma religião de obscurantismo.

Houve um tempo em que fez sentido falar de liberalismo, liberdade e coisas bonitas de jardins floridos, mas hoje, que já se assimilou que bancos de jardim são para estarem vedados sob risco de pessoas mostrarem sinais exteriores de vida, o próprio termo já só tem significado como farsa. As escolas estão cheias de crianças e adolescentes mascarados, desprovidos de identidade, mesclados num “eu” colectivo de resignação à anódina existência de pacientes em potência. Agentes de contaminação. O ser humano como destruidor da humanidade por desprovido de fé na “ciência” estabelecida por evangelistas de TV, uma Igreja Universal do Reino da Pfizer com bispos e diáconos que apregoam as virtudes públicas que asseguram a riqueza necessária para os vícios privados.

Se até o lotus pode desabrochar na lama, qualquer um pode obter a luz que o conduza à plenitude da existência. Mas há, porém, um caminho a percorrer e esse é, inevitavelmente, um caminho individual. Ou como diziam os árabes antigos, a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro.

Encontrar-nos-emos novamente, seja como humanos, seja como animais, seja como uma ínfima parte de cada um de nós agrupado molecularmente num novo coronavírus. Até lá, meditemos em privado.

É o Estado de Direito socialista a que temos direito

5 Dezembro, 2021

Foi assim com o caso Casa Pia. Foi assim com Sócrates. É assim com Eduardo Cabrita: além do motorista-bode expiatório temos invariavelmente a reiteração do “Estado de Direito a funcionar”. Hoje, no Observador, trato do lugar perigoso a que nos conduziu a banalização da ideia de que enquanto não há uma acusação do ministério Público não há responsabilidade: “Seja na política, na vida de cada um, nas empresas ou nas escolas, o certo e o errado não podem ser definidos por despachos do Ministério do Público. E não podemos, nós e quem nos governa, permitir que o Estado se substitua à consciência. Não por acaso vivemos num quotidiano cada vez mais criminalizado enquanto actos que sabemos errados não sofrem qualquer censura porque não foram considerados crimes.

Certificado da nossa decadência

3 Dezembro, 2021

«A melhor forma de controlar um povo e controlá-lo em absoluto é retirar um pouco da sua liberdade de cada vez, erodindo direitos de mil e uma diminutas e quase impercetíveis maneiras. Assim, as pessoas não sentirão a perda desses direitos e liberdades até um ponto em que essas mudanças já não poderão ser revertidas». Esta citação circulou abundantemente nas redes sociais, mas foi erradamente atribuída a Adolf Hitler. Mesmo que nunca a tenha escrito no Mein Kampf nem conste que alguma vez a tenha proferido, quem a lê reconhece o nazismo implícito na mesma. É verosímil.

A supressão da liberdade individual por meio da aplicação de coerção física directa e ostensiva é um meio pouco sofisticado e, a prazo, insustentável de manter pois fomenta resistências e boicotes. Já a manipulação, condicionamento psicológico e controlo comportamental que assente na persuasão ao consentimento por parte da maioria das pessoas, permite a manutenção mais prolongada do status quo.

É num estado de “amor pela servidão” – como lhe chamou Aldous Huxley – que estamos há 20 meses desde que nos impingiram uma narrativa de medo a um bicharoco chinês. Os governantes e políticos em pânico por não conseguirem aceitar a sua impotência perante um fenómeno natural que é uma epidemia respiratória que se transmite por todo o mundo, repetidamente colocaram a sociedade em stress psicológico através de políticas e declarações públicas próprias de perigosos demagogos que, amplificadas à escala planetária por uma comunicação social rendida a “jornalismo” de causas e desejosa de drama e tragédia para atingir shares de audiências, coloca as decisões dos nossos dirigentes no limite de se poderem considerar terrorismo de Estado.

Mas o terror deixa o povo manso e dócil e se combinado com a perspetiva ilusória de esperança no relaxamento das normas (“duas semanas para achatar a curva”; “contenção para salvar o Natal”; “restrições só até a vacina chegar”, etc.) é um método quase infalível de dissolução da sociedade e de aceitação generalizada de tudo o que seja determinado por quem está em posição de poder.

É neste quadro que a oligarquia controladora, aproveitando o estado de alucinação e hipnose colectivas que vivemos, introduz o mecanismo de segregação social proto-nazi da obrigatoriedade do certificado cov19 para inúmeras actividades da vida quotidiana, excluindo na práctica os não-vacinados da vivência em comunidade. Para tal é invocado o pretexto da defesa da saúde pública. Mas o conceito de “saúde pública” não pode ser questionado e tudo é tratado como uma questão meramente técnica só ao alcance do discernimento de uns eleitos. Porém, todos os efeitos colaterais de ordem económica, social e política são totalmente esquecidos e convenientemente negligenciados.

Como escrevia recentemente Lord Sumption, não havendo limites ao que uma maioria assustada pode legitimamente impor aos outros e na ausência de escrúpulos morais na busca do que se pensa ser um bem público, os seres humanos são reduzidos a meros instrumentos de política de Estado. Ultrapassada esta linha de decência e de moral, deixamos de viver numa sociedade aberta.

Os certificados cov19 não são um instrumento benigno e dizerem-nos que não há alternativa ao passaporte sanitário para um regresso ao “velho” normal, é falso. O que possa parecer à primeira vista uma mudança trivial nas nossas vidas, é na verdade uma perversão de uma sociedade livre e democrática. É transformar uma sociedade com indivíduos naturalmente livres, numa sociedade em que são os organismos do Estado a conceder a seu critério permissões de liberdade condicionada. É uma alteração profunda e radical da nossa civilização em que a liberdade individual fica limitada àquilo a que for dado explícita permissão.

Ademais, é fácil de ver o plano inclinado ou mesmo o precipício a que a aceitação do certificado cov19 nos levará. Hoje são pedidas duas doses de vacina, em breve serão exigidas três e quatro e cinco. No Reino Unido, por exemplo, já todos os adultos passarão a ser inoculados de três em três meses. Em breve o fascismo sanitário chegará ao comportamento dos obesos, depois dos fumadores e seguidamente dos apreciadores de bebidas alcoólicas e a todos os que quem está no pináculo da pirâmide social determine serem úteis remover da sociedade ou passíveis de ser castigados pela sua não-conformidade às regras estabelecidas.

Os certificados nada têm que ver com a saúde pública e muito menos com a saúde de cada um de nós. Trata-se tão somente de um passo muito relevante para a institucionalização da segregação social e a demonização de grupos de pessoas. Quem manda e promove este tipo de cultura vê o mundo de forma maniqueísta, separando pessoas sujas das limpas, irresponsáveis das responsáveis, maus cidadãos dos bons cidadãos.

A Covid19 tem, no entanto, uma grande virtude que é a de expor o autoritarismo e sentimento de vingança repreendida que estavam latentes e escondidos em tanta gente.

Todavia, acusar sem qualquer base científica uma minoria de pessoas de colocar em perigo a restante população e de serem assassinos em potência é aceitar o alibi da tirania permitindo a que quem está no poder controle o comportamento das pessoas, ao mesmo tempo que distribui um bálsamo ilusório de boa consciência à maioria colaboracionista com a infâmia dos certificados sanitários.

É lógica da barbárie manter um bode-expiatório para que os bárbaros que nos governam evitem no futuro ter de se confrontar com a sua consciência e os remorsos de um sentimento de culpa interior que os desassosseguem a prazo.

A patifaria de considerar o que já é uma doença endémica uma “pandemia de não-vacinados”, tal como fazem alguns comentadores televisivos, além de uma desonestidade intelectual primária e uma ignóbil acusação é uma antecâmara para a criação de castas na população.

Mas revela também que os políticos e as classes dirigentes estão aflitos e receosos de que o actual ainda pequeno grupo de gente que mantém espírito crítico sobre a vertigem maníaca dos governos em criarem estados bio-securitários e os ainda escassos grupos de portugueses que mantêm a sua tenacidade na defesa da liberdade venha a tornar cada vez mais evidente a covardia pandémica e expor os atentados e crimes que têm vindo a ser cometidos desde Março de 2020.

Embora as notícias não passem nas televisões portuguesas nem nos jornais nacionais, são já muitas centenas de milhar de pessoas que por essa Europa fora vêm todos os dias para a rua em defesa da sua dignidade enquanto seres humanos, manifestando repúdio pelas restrições imorais às suas liberdades.

A condição humana nem sempre é bonita e a preservação da liberdade individual por vezes exige dizer coisas pouco simpáticas para que possamos assistir a uma regeneração e voltemos gradualmente a uma sã convivência.

Se a verdade deixa algum leitor incomodado, então culpe a mentira que o deixa confortável.

Certificado da nossa decadência, texto publicado originalmente na coluna semanal da Oficina da Liberdade no jornal Observador.

O problema é que o Estado de direito já não funciona como funcionava

3 Dezembro, 2021

“Eu sou passageiro! É o Estado de direito a funcionar!” – responde o ainda ministro Cabrita aos jornalistas que o interrogam sobre a velocidade a que seguia o carro em que viajava quando foi mortalmente atropelado o trabalhador Nuno Santos. É sem dúvida o Estado de direito a funcionar. O Estado socialista.

É cúmplice?

2 Dezembro, 2021

Palhaços pobres

1 Dezembro, 2021

A história da carochinha é a seguinte: no ano passado sacrificamos Novembro para salvar o Natal de 2020. Não nos portamos bem nessa altura e Janeiro foi terrível. No primeiro trimestre de 2021 contivemo-nos entre Janeiro e Março para salvar a Páscoa. Depois, para não perdermos as férias de Verão, tivemos de ser conscienciosos até Agosto. Posteriormente repreenderam-nos por termos sido demasiado irresponsáveis durante o tempo quente e agora neste Inverno estamos perante o drama terrível da ómicron, apesar de sermos os melhores do mundo em taxa de inoculações. Enfim: quando é a maior parte das pessoas percebe que está a ser gozada à grande, tratada como pacóvios imbecis e carneiros acéfalos que seguem qualquer cantilena sádica e manipuladora dos políticos?

No momento em que a União Europeia fechava as fronteiras aos países da África Austral, Marcelo viajava para Angola e um par de dias antes de serem anunciadas as novas medidas restritivas o Presidente da República esteve numa festa, em local fechado apinhado de gente sem máscara aos pulos e a cantar. O leitor não sente que quem está no poder está a fazer de si um palhaço, ainda por cima pobre?

Quanto às vacinas, elas eram absolutamente fantásticas, mas afinal precisam de vários reforços e o Reino Unido vai até alargar a inoculação de todos os adultos para uma periodicidade de 3 em 3 meses. Por outro lado, vários países querem vacinar as crianças que não adoecem de covid com uma vacina que além de não lhes ser útil não impede a transmissão a adultos que supostamente já estariam protegidos contra a covid. O leitor tem noção da inversão de valores e da total falta de ética em usar crianças para disfarçar a cobardia e hipocondria dos adultos?

Na Alemanha uma pessoa em sofrimento atroz que queira ser eutanasiada é obrigada pelas autoridades locais a apresentar previamente um certificado cov19 comprovativo de que não tem o vírus. Na Nova Zelândia a respectiva primeira-ministra numa conferência de imprensa anunciou que a partir deste momento as pessoas teriam o luxo (nas palavras dela, luxo) de poder voltar a usar as casas de banho em casa de amigos. Está a ver a alucinação e tragicomédia em que o querem envolver?

Cá a palermice e irresponsabilidade também imperam. Paulo Portas farta-se de chamar negacionistas a todos os que têm opinião e angulo de análise diferente dele e teve em directo na televisão o desplante obsceno de dizer que “felizmente houve medo” na sociedade que induziu as pessoas numa procura acrescida pelas vacinas. O ex vice primeiro-ministro, parolamente visto como um comentador informado, é também useiro e vezeiro na propagação da mentira do conceito retorcido da “pandemia de não-vacinados”. E até gente tida por liberal como Adolfo Mesquita Nunes acrescenta elaborando teses mirabolantes sobre os certificados darem liberdade às pessoas. O leitor já reparou como se passa facilmente de uma sociedade com indivíduos naturalmente livres para uma sociedade em que são os organismos do estado a conceder a seu critério permissões de liberdade condicionada?

E, evidentemente, com a aquiescência do hipocondríaco de Cascais, António Costa e o Governo decretaram por antecipação uma situação de calamidade que não existe e determinou que essa calamidade inexistente se prolongará até Março de 2022. A generalidade dos comentadores entende ser isto o regular funcionamento das instituições e parece que não há nenhum partido político que se digne levar a questão ao tribunal constitucional.

Vai ficar tudo mal!

Em vídeo, aqui:

O Estado de Direito morreu

30 Novembro, 2021

Morreu, outra vez:

Artigo publicado originalmente no Jornal I (aqui) e disponível também no website da Ordem dos Advogados (aqui).

Felizmente houve medo

28 Novembro, 2021

Felizmente houve medo que provocou uma diferença enorme na procura

Paulo Portas, sobre a covid19 e vacinação.

TVI, 28/nov/2021

O ascensor no r/c

27 Novembro, 2021

De novo a convite da Oficina da Liberdade, José Rentes de Carvalho escreve no Observador:

Há gerações sem conta que assim se mantém a vida no nosso Portugal, onde com tapete vermelho, vénia e rapapés, a uns tantos é apontado o ascensor-expresso, para que nele subam aos andares mais altos. Uma mão-cheia de sortudos ainda é capaz de chegar ao segundo ou terceiro, mas os restantes, quando passam na rua vêem o ascensor parado no rés-do-chão, às vezes com um papelucho onde se lê “Avariado”, nele uma seta a indicar as escadas.

(…)

Agora com as eleições à porta mais me entristecem as parangonas nos media e a verborreia dos políticos, o cinismo das suas juras a demonstrar a pouca conta em que têm o cidadão, tomando-o por débil mental, repetindo promessas que, em falta de vergonha e desprezo por quem as ouve, não desmerecem das que garantem os bufarinheiros.

O delicioso texto completo aqui.

Sinais de esperança

24 Novembro, 2021

No passado, o antigo dirigente do partido socialista e ex-presidente da Assembleia da República, Jaime Gama apelidou Alberto João Jardim de Bokassa, a propósito do que na altura considerava o défice democrático na região autónoma da Madeira. Bokassa foi um auto-declarado imperador da República Centro-Africana, um ditador sanguinário e sem escrúpulos.

Nos últimos dias, Miguel Albuquerque assinou um decreto que coloca na práctica em prisão domiciliária uma camada da população considerada perigosa e suja por não estar vacinada contra uma doença que está muito longe de ser das mais perigosas para a vida humana. Mas, nem estas decisões políticas (com paralelo óbvio nas ordens de segregação social da Alemanha dos anos 30 e 40 do século passado), nem o facto de o actual presidente do Governo Regional Madeira ter sido durante muito tempo o delfim de Alberto João Jardim desperta nos bem-pensantes urbanos com acesso ao espaço mediático a dúvida sobre se haverá também hoje na Madeira algum défice democrático ou eventualmente algum ataque grotesco à liberdade das pessoas.

A vontade do governo da Madeira de colocar em isolamento domiciliário pessoas saudáveis não vacinadas contra a covid19 e exigir certificado e testes para as actividades de uma vida normal teve a aparente concordância de toda a classe política, com a honrosa excepção da Iniciativa Liberal.

Ainda que Miguel Albuquerque tenha tido a delicadeza de um brutamontes e usado de bazófia arrogante pestilenta para dizer que se estava a marimbar para a flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade das medidas, esta decisão do governo regional tem implicações bem mais fundas do que o incumprimento do estado de direito.

Ao contrário dos bons princípios de saúde pública, acusar uma minoria de pessoas de colocar em perigo a restante população e de serem assassinos em potência é aceitar o alibi da tirania para que quem está no poder controle o comportamento das pessoas, ao mesmo tempo que distribui um bálsamo ilusório de boa consciência à maioria colaboracionista com esta infâmia e desumanização gritante da sociedade.

É da lógica da barbárie manter um bode-expiatório para que os bárbaros que nos governam evitem no futuro ter de se confrontar com a sua consciência e os remorsos de um sentimento de culpa interior que os desassosseguem a prazo.

A patifaria de considerar o que já é uma doença endémica uma “pandemia de não-vacinados”, tal como Paulo Portas fez no seu último comentário televisivo, além de uma desonestidade intelectual primária e uma ignóbil acusação é uma antecâmara para a criação de castas na população e uma estigmatização da sociedade.

Mas revela também que os políticos e as classes dirigentes estão aflitos e receosos de que o actual ainda pequeno grupo de gente que mantém espírito crítico sobre a vertigem maníaca dos governos em criarem estados bio-securitários e os ainda escassos grupos de portugueses que mantêm a sua tenacidade na defesa da liberdade venha a tornar cada vez mais evidente a covardia pandémica e expor os atentados e crimes que têm vindo a ser cometidos ao longo dos últimos 20 meses.

Mas há sinais de esperança e embora as notícias não passem nas televisões portuguesas nem nos jornais nacionais, são já muitas centenas de milhar de pessoas que por essa Europa fora vêm para a rua em defesa da sua dignidade enquanto seres humanos manifestando o repúdio pelas restrições imorais às suas liberdades e rejeitando na sua vida quotidiana obedecer às sufocantes e injustas normas dos respectivos governos.

Em vídeo, aqui:

O cubículo

22 Novembro, 2021

Ferro Rodrigues: “Aconselhei sempre António Costa a não fechar as portas ao PSD

Ferro Rodrigues: Paulo Rangel? “Não tenho ideia. Não conheço

Desmistificando o efeito da vacinação

21 Novembro, 2021

Neste artigo de um médico sueco explica-se que os países que têm neste momento baixas taxas de mortalidade têm em geral taxas de vacinação tão altas quanto as dos países que têm elevadas taxas de mortalidade. Ou seja, a vacinação em si mesma parece não estar a ter impacto significativo.

Defende-se ainda no artigo que nos países que desenvolveram maior imunidade natural graças ao facto de terem tido alguns meses adicionais de forte disseminação da covid-19 durante a Primavera de 2020, a epidemia já terminou (vírus tornou-se endémico) e que não deverão sofrer novas grandes vagas no futuro. Destaca-se a este propósito o exemplo de Israel com altas taxas de vacinação, mas que como no início do Outono de 2021 teve menos meses de propagação da pandemia (e, portanto, tinha uma proporção menor da população com imunidade natural à infecção desenvolvida anteriormente) está actualmente a registar uma quarta vaga.

Por fim, lembra-se que está já bem estabelecido que a imunidade conferida pela infecção é muito mais durável do que a imunidade conferida pela vacinação. A imunidade gerada pelas vacinas é passageira.

O texto completo na versão original em Inglês pode ser lido aqui e só os verdadeiros negacionistas entenderão como heresia o que Sebastian Rushworth argumenta. Quem quiser pensar, .

A Literatura antecipa sempre a realidade

21 Novembro, 2021

Hoje no Observador recordo aquela carta que um aterrorizado Dâmaso escreveu a Carlos da Maia, para evitar que este o desafiasse para um duelo. A semelhança é aterradora: «À medida que lia a sucessão encastelada de justificações do injustificável pronunciadas por Marcelo  “Eu entendi, fiquei com a impressão de que o senhor ministro tinha tomado essa decisão com base em opinião jurídicas não disse escritas, disse opiniões jurídicas, eu chamei-lhes pareceres jurídicos, podem ser pareceres verbais….” das profundezas da memória chegava-me, escarninha e trágica a carta que o Dâmaso Salcede escreveu a Carlos da Maia: «Ex. mo Sr. Tendo-me Vossa Excelência, por intermédio dos seus amigos João da Ega e Vitorino Cruges, manifestado a indignação que lhe causara um certo artigo da Corneta do Diabo, de que eu escrevi o rascunho e de que promovi a publicação, venho declarar francamente a Vossa Excelência que esse artigo, como agora reconheço, não continha senão falsidades e incoerências

Os amanhãs cantantes e descarbonizados da Lusa

21 Novembro, 2021

LUSA: «Portugal deixou definitivamente de usar carvão para produzir eletricidade. Sábado foi o primeiro dia de produção de eletricidade sem recurso de carvão, depois de a Central do Pego ter esgotado o stock que tinha, apesar de estar licenciada para funcionar até ao final do mês.»

Querida Lusa, seria bom acrescentar “Portugal passa agora a comprar energia mais cara proveniente das centrais a carvão de Marrocos”

Que grande estima!!!

20 Novembro, 2021

«Milhares de pessoas em manifestação da CGTP em defesa de melhores salários. A organização estima que tenham participado nesta ação cerca de 20 mil pessoas vindas de todo o país, em mais de 50 autocarros e em dois comboios, provenientes do Porto» Cerca de 20 mil pessoas? É o que se chama uma grande estima nesta estimativa.

Bode expiatório

19 Novembro, 2021

É da lógica da barbárie quem está em posição de poder (e os seus colaboracionistas) querer deixar uma ínfima parte da sociedade não-vacinada.

Se assim não fosse, estariam a usar outras técnicas de informação e recomendação para os não-vacinados, e não usariam a ameaça e a coação, completamente ineficazes nesse objectivo e até contraproducentes.

Mas o objectivo não é que os actuais 4% de não-vacinados se vacinem. O objectivo é manter 4% de pessoas não-vacinadas. Ou 3%, ou 2% também serve. Mas o fundamental é ter sempre “negacionistas” e “anti-vaxxers”, nem que seja preciso inventá-los…

Com um bode-expiatório os bárbaros evitarão no futuro ter de se confrontar com a sua consciência e minimizarão remorsos ou sentimentos interiores de culpa que os desassosseguem a prazo.

E nestes casos vamos confinar?

19 Novembro, 2021

Infeções por bactérias resistentes originam anualmente 1.160 mortes em Portugal

Cancro do pulmão matou 4797 pessoas em Portugal em 2020

Enfarte mata em média 12 portugueses por dia

Negacionismo dos “Negacionistas”

19 Novembro, 2021

Chegará o momento em que aqueles que conhecem “negacionistas” os negarão conhecer.

(Caravaggio, 1610 “A negação de Pedro”)

Ora, Simão Pedro e outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo-sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo-sacerdote. Pedro, porém, ficou parado junto à porta, do lado de fora. O outro discípulo – o que era conhecido do sumo-sacerdote – saiu, falou com a porteira e fez Pedro entrar. Então a porteira, uma jovem serva, disse a Pedro: «Não és, também tu, um dos discípulos desse homem?». Disse ele: «Não sou». Estavam ali parados a aquecer-se os servos e os guardas, que tinham feito uma fogueira, porque estava frio. Também Pedro estava com eles, parado, a aquecer-se.
(…)
Entretanto, Simão Pedro continuava parado, a aquecer-se. Disseram-lhe então: «Não és, também tu, um dos seus discípulos?». Ele negou e disse: «Não sou». Disse um dos servos do sumo-sacerdote, familiar daquele a quem Pedro cortara a orelha: «Não te vi eu no jardim com Ele?». Pedro negou de novo, e imediatamente um galo cantou.

(Jo 18 | 15-18; 25-27)

Manifesto Anti- Camilo

18 Novembro, 2021

Conhecia a figura através dos jornais e das aparições televisivas. Tal como qualquer parlapatão que se preze, Camilo Lourenço era e ainda é um bom comunicador. Pessoalmente, tive um, felizmente breve, encontro com a peça. Numa tertúlia patrocinada pela Oficina da Liberdade, fui moderador de um debate entre Daniel Bessa (a única estrela desse debate) e este transmissor tonitruante de lugares comuns da suposta direita. Para a tertúlia em si, penso que foi útil da mesma forma que o truão é útil a entreter a corte. Nada mais que isso. O sumo e mesmo os soundbytes que arrancaram aplausos da sala pertenceram a Daniel Bessa, um senhor de outra estirpe, mesmo não sendo de direita. Entretanto, Camilo tem (ou já tinha) um canal no Youtube, onde todas as manhãs faz o resumo do dia anterior, uma espécie de envelope matinal de notícias escolhidas e comentadas. Teatral, frequentemente burro, Camilo não deixa de ser aos olhos da direita (e aos meus, evidentemente) o seguinte:

“É burro, é um parlapatão, mas é o nosso burro parlapatão”.

Se o pano já estava impregnado de sujidade, eis que cai a nódoa fatal:

No seu programa matinal, Camilo chamou assassinos aos não vacinados. Leram bem: Assassinos!

Ora, como há limites para tudo, mesmo sendo o nosso burro parlapatão, eu digo:

As opiniões do Camilo cheiram mal.

O Camilo é um ciganão.

O Camilo é intelectualmente vigarista.

Venha a Vacina contra as opiniões do Camilo.

Se o Camilo é liberal, eu sou comunista.

O Camilo é burro.

Morra o Camilo.

PIM!

Com papas e bolos enganam os espertos os povos tolos

18 Novembro, 2021

“É altura de repor aquilo que a troika nos retirou” na área laboral – Mário Mourão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Financeiro e o próximo secretário-geral da UGT.

Nacional-socialismo

17 Novembro, 2021

Nos últimos 100 anos, não é a primeira vez que a Áustria remove fisicamente da sociedade milhares e milhares de cidadãos, mas desde a passada segunda-feira o governo austríaco colocou em prisão domiciliária cerca de dois milhões de pessoas. Todos os maiores de 12 anos que não tenham completado o esquema vacinal contra a covid19 são forçados a confinamento obrigatório.

As simpatias dos austríacos com o antigo partido nacional-socialista fazem parte da história da Europa e não deve nem é justo que por essa circunstância seja lançado um estigma sobre um povo. Tenho esperança aliás de que na Áustria resolverão internamente esta medida desumana de fechar em casa pessoas saudáveis e assistiremos à indignação colectiva e desobediência generalizada a esta ignomínia por parte dos austríacos.

O que me preocupa mais é a forma normal e condescendente com que a comunicação social, grande parte dos comentadores e, verdade seja dita, muitos cidadãos comuns de outros países Europeus e, em particular em Portugal, vêem virtude em políticas medievais repugnantes e infames como a austríaca e que até na televisão venham defender publicamente a sua aplicação imediata também ao nosso país.

Talvez seja um artifício retórico capcioso para preparar as mentes dos portugueses (tolhidos pelo medo e desorientados com tanta estupidez não-científica) aceitarem outras medidas menos gravosas do que a prisão domiciliária, mas igualmente repugnantes e totalmente ineficazes.

Como já se sabe hoje, as vacinas não impedem a transmissão do vírus da covid19 e as pessoas totalmente vacinadas também podem transmitir a doença a outras pessoas. Nas cabecinhas desta gente auto-proclamada virtuosa e limpa não estão, portanto, preocupações racionais de saúde pública. Há sobretudo uma incapacidade de compreensão das razões de quem opta por não ser vacinado.

Como estes novos fascistas sanitários têm grande dificuldade em reconhecer as suas limitações e lhes aflige não compreenderem o fenómeno, têm medo dos não-vacinados e acreditam na fábula de que o melhor é excluir e segregar pessoas saudáveis da vida em sociedade.

Não fico feliz por dizê-lo, mas numa significativa parte das pessoas que apoiam estas esdrúxulas medidas, é impossível não sentir uma motivação punitiva e de vingança. Sem qualquer razão que não seja apenas a sua mesquinhez e patológica vertigem sádica.

A condição humana nem sempre é bonita e a preservação da liberdade individual por vezes exige dizer coisas pouco simpáticas para que possamos assistir a uma regeneração e voltemos gradualmente a uma sã convivência.

O meu vídeo de hoje, aqui:

A propósito da espertice do PAN

17 Novembro, 2021

Fábio Abade dos Santos: «Em primeiro lugar, há que entender e clarificar que a definição de estufa não cabe à Sra. Deputada Inês Sousa Real determinar. A primeira estufa reconhecida como tal foi projetada pelo arquiteto Decimus Burton e inaugurada em 1848, ainda não era a Sra. Deputada nascida. Uma estufa agrícola diz respeito a uma estrutura criada para reter o calor do Sol e proteger as plantas contra ameaças das intempéries. Ora isto faz-se com uma estufa em túnel, fechada, aberta, em losango, quadrada, circular, o que seja. A questão está no conteúdo, ou melhor na função e não na forma.»

Os confinamentos são como as drogas: começar é fácil, deixá-las é que não

15 Novembro, 2021

Tiago Tribolet de Abreu: «Ouço esta pergunta muitas vezes. E lembro-me logo da entrevista a Johan Giesecke (antigo responsável da saúde da Suécia), em Abril de 2020 (há mais de ano e meio!), onde visionariamente ele afirmava que, quando se entra numa estratégia de medidas de confinamento, não mais conseguimos sair dela. Este senhor considerava que não fazia sentido tentar evitar a disseminação (segundo ele, inevitável) de um vírus respiratório. Apenas deveríamos organizarmo-nos para prestar cuidados de saúde a quem deles beneficie e aguardar o estabelecer de um equilíbrio entre o vírus e nós, como sempre sucedeu com os vírus respiratórios e a humanidade. E dizia que a comparação entre a Suécia e os outros países se faria no fim da pandemia (a Suécia teve até hoje 1.478 mortos por milhão de habitantes e Portugal teve 1.795).»

Digamos que é muito pedir

14 Novembro, 2021

Hoje no Observador trato da vontade do PS em negociar com a direita: «Seis anos depois do simulacro de negociações com PSD e CDS, os socialistas apresentam-se com a determinação de quem viveu uma epifania e anunciam que agora querem negociar com a direita. Não, não querem. Querem sim usar a direita para se manterem na liderança e para unir aquilo que a geringonça fracturou: o PS. A clivagem dentro do PS é o elefante na sala que não queremos ver. Os socialistas passaram do enredo policial de Sócrates para os muros derrubados de Costa sem um minuto de reflexão, sem debate e, pior que tudo, sem dúvidas.»

Onde está Peng Shuai?

14 Novembro, 2021
Peng Shuai accuses Zhang Gaoli of sexual assault in deleted post

DN: «A tenista chinesa Shuai Peng, que chegou a ser número 1 mundial na categoria de pares em 2014, e que atualmente ocupa a 191.ª posição do ranking WTA, está desaparecida. A notícia foi avançada pelo jornal francês Le Monde. Peng desapareceu depois na semana passada ter acusado o antigo vice-presidente chinês Zhang Gaoli de abusos sexuais. A mensagem, colocada na rede social Weibo, foi retirada 20 minutos de ter sido colocada.»

Prontos para a terceira dose?

13 Novembro, 2021

Prontos para a terceira injecção que não vos impede de apanhar nem de propagar o vírus e que muito provavelmente não vos mataria pela obrigação comum de vos ser vedada a hipótese de uma vida normal? Nem consigo imaginar porque rejeitariam tamanha dádiva.

José Rentes de Carvalho

12 Novembro, 2021

A convite da Oficina da Liberdade, José Rentes de Carvalho escreve hoje no Observador com a sua habitual deliciosa prosa.

Um excerto:

Resumindo para melhor explicar: Salazar manteve e acarinhou as elites do seu tempo, dando-lhes regalias desde que não esquecessem que era ele quem mandava. Com a Revolução dos Cravos apanharam um susto, mas escassos anos depois já as novas elites se lhes tinham juntado, e no começo da década de oitenta retomavam as festas da alta.

Lenta, mas efectiva, a partir dessa data constata-se como que uma osmose entre a elite do salazarismo e a dos recém-chegados mandantes, ambas conscientes da necessidade de cooperação e, sobretudo, da importância das aparências, criando facções contrárias, supostos conflitos, divergências de rumo ideológico, todo um bazar político mantido para inglês ver, já que no fundo toda essa gente se conhece e cumprimenta, se encontra, almoça, combina, arranja, tem à mão os contactos e os números de telemóvel, ao primeiro sinal de perigo ou distúrbio a rede funciona com empeço mínimo, nada mau para cinquenta anos de empreendimento.

O texto completo é de leitura imperdível e pode ser encontrado aqui com o título “Hillary em Cascais“.

Seis meses a um ano de prisão por matar um rato?

12 Novembro, 2021

Enquanto o país se afunda numa massa viscosa, os aprendizes de comissários do povo vão fazendo passar a legislação que lhes permitirá controlar tudo nas nossas vidas. Hoje é a vez do PAN colocar a AR a discutir legislação que a ser aplicada prevê até um ano de prisão para quem matar um rato: “Depois de os maus tratos a animais de companhia terem passado a ser crime punido com pena de prisão em Outubro de 2014, e estas penas já terem, entretanto, sido reforçadas, o PAN pretende que esse regime passe a abranger todos os animais vertebrados. (…) O novo texto acaba com o conceito de animal de companhia existente no Código Penal e que pretende substituir pelo conceito simples de animal, que abrange “qualquer animal vertebrado”. (…) Quem matar um animal sem motivo legítimo é punido com pena de prisão de seis meses a dois anos ou com pena de multa de 60 a 240 dias, ao passo que “infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos” vale uma pena de prisão entre seis e 12 meses ou multa de 60 a 120 dias.”

As duas velocidades da liberdade na Europa

10 Novembro, 2021

Há 32 anos viveram-se dias de glória!

Os regimes comunistas e socialistas chegaram a 1989 putrefactos e o início da queda do muro de Berlim a 09 de novembro desse ano foi um momento histórico absolutamente inesquecível.

O muro foi construído nos anos 60 para tentar impedir e conter a fuga de cidadãos das sociedades de planeamento central para os países capitalistas. Mais de 4 milhões de pessoas escaparam à tirania.

No fundo estas pessoas concretas pouco ou nada se importavam com a retórica ideológica do socialismo versus capitalismo. Apenas reagiram a factos e procuraram reconquistar aquilo que de mais humano existe: serem senhores das suas próprias vidas e responsáveis pelas suas próprias escolhas. Não quiseram ficar dependentes nem subjugados a ordens do Estado sobre o que podiam fazer, ver, ouvir, ler, comer, vestir, comprar, que amizades poderiam cultivar, para onde poderiam viajar. Enfim, rejeitaram uma vida estúpida e sem sentido.

Mas se após longas e traumáticas décadas de opressão a queda do comunismo trouxe finalmente ao antigo bloco oriental a possibilidade de desfrutar do nascimento da liberdade e da democracia, na Europa Ocidental, apesar de vivermos hoje muito melhor em inúmeros aspectos da nossa vida, a verdade é que as nossas liberdades têm vindo a ser paulatinamente cerceadas e estamos – três décadas depois – quase que entregues a outros coletivismos e dirigismos, dominados por uma nova Esquerda progressista que controla as universidades, os media e todos os principais partidos políticos.

Hoje, no Ocidente, a liberdade de expressão é mais limitada e a dissidência política pior tolerada. Há repressão contra opiniões desalinhadas, controlo de linguagem e imposição de vocabulário politicamente correcto. A democracia deu lugar ao activismo e à política de causas.

A pretexto da covid19 e tolhidos pelo medo conferimos aos políticos a possibilidade de limitar fortemente a nossa liberdade de circulação, outorgamos confinamentos de pessoas saudáveis, deixamos que nos proibissem de trabalhar, toleramos que fechassem escolas, permitimos que nos impedissem de ver familiares, anuímos a que nos obrigassem a ser vacinados, autorizamos a segregação de pessoas, consentimos passaportes sanitários, admitimos todos os atropelos à legalidade e ao estado de direito.

Com a histeria apocalíptica a pretexto das alterações climáticas, santificamos uma adolescente desequilibrada alvo de abusos e aproveitamentos políticos, demos espaço a que a flatulência das vacas alterasse os menús das cantinas escolares, estamos disponíveis para sacrificar a vida de milhões de seres humanos para sinalizar a suposta virtude ambiental de uma classe urbana abastada que vive em círculo fechado.

Também a ideia original de integração amigável da Europa baseada na cooperação voluntária e na eliminação de barreiras entre os países foi hoje de tal modo substituída pela unificação, centralização e erosão democrática que a nomenclatura da União Europeia não se coíbe de tentar punir e humilhar o Reino Unido pelo Brexit, nesta tentativa dos britânicos em recuperar alguma da sua soberania perdida.

Assim como a União Europeia faz ameaças infames e aplica multas ultrajantes à Polónia pelo facto de o regular funcionamento das instituições democráticas e judiciais daquele país ter interpretações menos convenientes ao poder central de Bruxelas. A Polónia, veja-se lá, povo martirizado pelos desmandos comunistas e que nos deu lições heroicas de resistência através do Solidariedade de Lech Walesa ou de impulso à liberdade pelo Papa João Paulo II…

Hoje, no Ocidente, caminhamos para uma vida de servidão. Vale a pena por isso recordar algumas imagens de quem sofreu as consequências dos poderes alargados da máquina do Estado mas que em Novembro de 1989 decidiu voltar a ser livre. A partir do minuto 4:50 deste vídeo:

Nuclear

10 Novembro, 2021

França junta-se ao Reino Unido e também anunciou nos últimos dias a expansão da sua rede de centrais nucleares… falar de energia limpa e a um custo razoável sem falar do nuclear já não é sério… o leitor interessado pode procurar na net os small reactors da Rolls Royce… uma pequena maravilha da tecnologia…

Noite gloriosa

9 Novembro, 2021

Há 32 anos, em Berlim.

Marcelo & ministro da Defesa, Sociedade Anónima de Irresponsabilidade Ilimitada

9 Novembro, 2021

*”Decorreram sob sigilo.” Marcelo diz que não soube de investigações aos comandos. Marcelo Rebelo de Sousa, que é chefe supremo das Forças Armadas, adianta que não sabia, nem era suposto que soubesse, do caso que desencadeou uma megaoperação da PJ

*Marcelo depõe no caso Tancos, diz que só soube do aparecimento das armas pela comunicação social.

*Exoneração do chefe do Estado-Maior da Armada? Marcelo sabia mas não sabia que se sabia e não sabia que o Governo escolhera o momento para se saber

Realmente isto está a ficar denso, muito denso até

8 Novembro, 2021

é a chamada densidade dos corpos em putrefacção: “PS não exclui, ambiciona mesmo, consensos partidários mais vastos e densos”, avisa Carlos César Presidente do partido lembra que PS “congrega o eleitorado moderado da esquerda” e defende outros consensos partidários e sociais. Partido pede a Costa que inclua cedências à esquerda no programa.

8 Novembro, 2021

Tableau de prime. Ouviram falar?

Em França foi hoje esfaqueado um polícia. O homem dirigiu-se ao carro onde estavam os polícias, simulou um pedido de informação e em seguida abriu a porta e esfaqueou três vezes um dos polícias. Tentou agredir outro. Chama-se Lakhdar, é argelino e tem documentação italiana. Gritou a frase do costume. Mas o problema em França já é muito mais grave que isso.

Neste momento, em França, lêem-se frases como estas em algumas paredes:

https://i.f1g.fr/media/cms/1194x804/2021/10/31/ba093f5861c6192494b84f8bc83d3cc54913c684439b6d4089afff5c4d4af101.jpg

Nos cornos dos unicórnios

7 Novembro, 2021

Esta semana no Observador tratei daquilo em que a Web Summit está transformada: uma feira cada vez menos tecnológica e mais de desfile do politicamente correcto, em que se chama discussões difíceis ao que simplesmente não passa de um discurso padronizado e previsível. Outra discussão difícil mas que alguma vez teremos de ter, queira ou não Paddy Cosgrave mantê-la, passa pelo financiamento da Web Summit. Sim, já se sabe que Paddy Cosgrave acha que nós portugueses nos bastamos com o sol  – “Quem precisa de 5G, quando tem o sol? – perguntou Paddy com aquela manha de quem já nos topou a lusa fraqueza: qualquer estrangeiro que nos exalte o clima, a comida ou garanta a singularidade da palavra saudade tem o seu viver praticamente assegurado neste país. Ora não só nós portugueses não nos alimentamos do sol como tal não daria jeito algum ao senhor Paddy Cosgrave, pois se fossemos respiracionistas (assim se chamam os defensores da alegada  alimentação a partir do sol) não lhe poderíamos pagar os 11 milhões de euros anuais a que nos comprometemos para que ele mantenha a Web Summit em Lisboa.

A filha de Brad Pitt e Angelina Jolie voltou a ser rapariga?

6 Novembro, 2021

Durante anos jornais, revistas e televisões informaram-nos que Shiloh Pitt não se identificava como rapariga. Qualquer observação à pouca idade da criança para decidir em tais matérias era imediatamente apresentada como sintoma de transfobia. Pressurosamente adoptou-se uma linguagem neutra ou masculina para referir Shiloh. Alguns tratavam-na como  John, o nome masculino que Shiloh gostaria de ter. Acontece que Shiloh Jolie-Pitt fez agora quinze anos e apareceu ao lado da mãe na promoção de um filme. A menina Shiloh Jolie-Pitt não só não parece ter qualquer dúvida sobre a sua feminilidade como esta se manifesta de forma exuberante, facto em que os genes da mãe devem dar uma boa ajuda. Agora os jornalistas teorizam sobre a prática da reciclagem de vestidos entre Angelina Jolie e as suas filhas. A criança transgénero ficou enfiada no armário. A causa agora é a salvação do planeta e lá havemos de chegar com as Jolie-Pitt a trocarem vestidos Versace entre si. De causa em causa até à estupidez geral!

Quando o medo leva à tirania

5 Novembro, 2021

Tradução de excertos do ensaio de Lord Sumption apresentado em forma de palestra na série inaugural da “Sir Roger Scruton Memorial Lectures” proferida no Sheldonian Theatre em 27 de outubro de 2021:


As democracias falham por dentro. Geralmente não são oprimidas por forças externas, como uma invasão ou insurreição, ou derrubadas por golpes internos. Elas falham porque as pessoas se voltam espontaneamente para formas de governo mais autoritárias.(…)

A democracia só pode funcionar numa cultura legal e social onde haja liberdade de pensamento, expressão e associação, acesso não controlado a informações confiáveis e uma grande tolerância à dissidência política. Uma cultura desse tipo é frágil. Onde as democracias falham, geralmente não é porque a estrutura institucional falhou. É porque a base cultural necessária desapareceu. (…)

Quanto mais rotineiros os perigos dos quais exigimos proteção, mais frequentemente essas exigências surgirão. Se conferirmos poderes despóticos ao governo para lidar com os perigos, que são uma característica comum da existência humana, acabaremos por fazê-lo a todo o tempo. O facto de os perigos contra os quais exigimos proteção do Estado serem agora muito mais numerosos do que no passado, provavelmente levarão a uma mudança mais fundamental e duradoura das nossas atitudes para com o Estado. Este é um problema mais sério para o futuro da democracia do que a guerra. (…)

Como resultado, temos expectativas excessivamente altas em relação ao Estado. Estamos menos inclinados a aceitar que há coisas que o Estado não pode ou não deve fazer para nos proteger. (…)

Começando por ser um evento natural, a morte tornou-se um sintoma de fracasso social. (…)

Em muitos aspectos, a maior ameaça à democracia não é a opressão do Estado, mas a intolerância dos nossos concidadãos. (…)

As campanhas deliberadas de repressão conduzidas por grupos de pressão contra opiniões politicamente fora de moda ou “incorretas” sobre, por exemplo, raça, redesignação de género ou relações entre pessoas do mesmo sexo; as tentativas de impor um novo vocabulário que aceita implicitamente o ponto de vista dos ativistas: tudo isso são sintomas do estreitamento de nosso mundo intelectual. (…)

O que nos mantém unidos como sociedade é precisamente o meio pelo qual fazemos as coisas. Uma vez que provavelmente nunca chegaremos a acordo sobre questões de princípio controversas, não é o consenso o que nos mantém unidos, mas sim o respeito comum por um método de resolver nossas diferenças, quer aprovemos ou não as decisões resultantes. (…)

O mais simples de se dizer em favor da democracia é que é uma forma eficiente de nos livrarmos sem violência de governos insatisfatórios. (…)

O medo nunca perderá sua capacidade de distorcer os nossos julgamentos coletivos. O declínio da tolerância política e a ascensão do absolutismo moral são tendências igualmente improváveis de serem revertidas, pois a tolerância também não é natural para a humanidade. (…)

As alterações climáticas será o principal gerador de medo coletivo nas próximas décadas e, muito possivelmente, a principal tentação pela acção directa. (…)

A transição da democracia para o regime autoritário é geralmente suave e despercebida. As formas externas, a linguagem da política, permanecem inalteradas. Mas a substância desapareceu. Essas coisas não acontecem com o estrondo de um trovão. A democracia não foi formalmente abolida, mas discretamente redefinida. Deixa de ser um método de governo e passa a ser um conjunto de valores políticos, como o comunismo ou os direitos humanos, que representam os verdadeiros desejos do povo, independentemente de qualquer coisa que ele possa realmente ter escolhido para si. (…)


Texto original e completo, aqui.

Video de palestra completa, aqui.

A sra deputada não quer ir ali tomar um chá de tília?

5 Novembro, 2021

Isabel Moreira: «eu e todas as mulheres temos medo físico da direita em que vocês se transformaram.» Ou quiçá dedicar-se ao crochet que é uma actividade que antigamente as pessoas que falavam em nome de “todas as mulheres” achavam obrigatória para “todas as mulheres”.

Desculpem a pergunta

4 Novembro, 2021

Desde quando é que aquilo que acontece no Conselho de Estado está espetado nas notícuas minutos depois?

Imperdível

4 Novembro, 2021

Este texto do Paulo Tunhas: «acordei ontem para um sonho. (…) Portugal era governado por uma coligação vasta e ecuménica e no Governo brilhava com inusitado fulgor o Ministério da Libertação Obrigatória (MLO), que promovia e implantava a ENINDU (Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação Universais). Os efeitos da aplicação da ENINDU sentiram-se imediatamente e sob todas as formas em todo o lado. Quase da noite para o dia, o mundo tornou-se uma coisa completamente diferente. (…) Eu tinha acabado de sair do meu espaço habitacional inclusivo. Dirigi-me, subindo a rua Audériu (antiga rua Nossa Senhora de Fátima) a um templo cívico de abastecimento alimentar. Ao entrar, reparei mais uma vez no letreiro fixado à porta: “Atenção! Este estabelecimento contém ainda embalagens de plástico. Recomenda-se às pessoas sensíveis que não frequentem os corredores indicados com a tabuleta «Crime»” Comprei o que precisava (por estes dias, precisa-se de pouco – até porque há pouco) e saí de novo para a rua, tendo o cuidado de não me afastar do passeio e de não pisar a zoovia.»