Skip to content

A Iniciativa Liberal é uma cambada de socialistas!

16 Junho, 2018

Se até Mises “desqualificou” os seus colegas da Mont Pelerin Society como socialistas, por que razão não posso eu fazê-lo também sobre o mais recente partido?

set-like-ans-unlike-buttons-26753636Podemos ver na atitude um exemplo de pedantismo e de ego exacerbado que procura criar um cinturão sanitário em relação a companheiros porventura ideologicamente menos puristas.

Provavelmente a crítica ao carácter de Mises é certeira. Não o conheci pessoalmente para ajuizar.

Se há característica apreciada por um liberal é a humildade, nomeadamente intelectual. Não é de fácil prática, sobretudo se aplicada às nossas próprias convicções. Mas é nesta humildade que se funda também a tolerância que deve existir relativamente às pessoas que não pensam ou actuam conforme achamos mais acertado.

Todavia, confesso que me encanita um pouco a narrativa de que a crítica deve ser “construtiva”, caso contrário não passa de uma manifestação de revolta ou de uma tentativa de transmitir a imagem de martírio em defesa do superior grau de pureza dos valores em que se acreditam.

Parece-me muito aquela ideia de que o comércio deve ser “justo” em vez de “livre”.

Será de evitar a concorrência de ideias, visões e nunces diferentes sobre o modo de actuar em nome de um objectivo maior? Não creio.

A menos que as pessoas alvo de crítica não tenham mente aberta, capacidade de encaixe e até sentido de humor, julgo ser um método para validar, corrigir erros, afinar acções e ideias mais eficaz do que facciosismos, safe-spaces ou recurso à violência física.

Quem critica, como anteriormente disse, deve também estar preparado mentalmente para ser criticado e admitir até que possa estar errado. Será tanto mais difícil quanto maior a convicção que tiver sobre a razão das suas ideias. Mas se não há motivo para não ser também criticado, de igual modo não tem por que se abster ou suavizar as críticas que faz.

A tónica quase exclusiva na virtude da tolerância ou, pelo menos, a aversão à crítica, é ela própria um bom campo para a intolerância e a prepotência. Desvaloriza-se a contra-argumentação e as propostas de caminhos alternativos. Além de que quanto menos formos críticos, menor a nossa própria predisposição para ser alvo de crítica.

Quanto mais críticos formos mais carta-branca passamos aos outros para procederem de igual modo “contra” nós. Que maior exercício de humildade intelectual poderia haver? Para mim revela um carácter forte e bem formado.

Evidencia ainda que quem critica não pretende alcançar posição de poder para impor aos outros através de políticas públicas a sua visão do mundo.

*

Anúncios

Os hamsters somos todos nós: se todos andarmos mais na rodinha, todos andaremos menos

16 Junho, 2018

Nos comentários nota-se uma certa perplexidade pela “troca de galhardetes” entre VC, que sou eu e CGP, que é o Carlos. Eu explico, então:

  • O Carlos acha que a formação de partidos ditos liberais pode ser algo positivo e, como tal, faz mais sentido que os pouquíssimos liberais portugueses apoiem a causa do que andem para aí a criticar como meros conservadores velhos avessos ao progresso legislo-partidário;
  • O Vítor (que sou eu) acha que vive melhor sem apoiar partidos, principalmente sabendo que as suas causas andarão invariavelmente a reboque do Bloco de Esquerda, acha partidos liberais um oxímoro e considera os conservadores a estrutura óssea de qualquer sociedade.

E é só isto.

 

Aqueles gajos do Macinhatense que não pensem que me enganam

16 Junho, 2018
by


Falemos então de futebol. E falar de futebol é, inevitavelmente, falar do Associação Atlética Macinhatense. Enquanto projectos como o Macinhatense existirem, nada mudará no futebol português. Em primeiro lugar dizem que são são uma Associação Atlética, mas não têm atletismo. Uma vergonha. Depois, apesar de dizerem representar Macinhata do Vouga, têm dois jogadores de Macieira de Cambra e três de Pessegueira do Vouga. Dizem que são um clube de futebol, mas eu não vejo em lado nenhum a sua política de transferências nem a táctica para as transições defensivas defesa-ataque. O que é que têm a esconder? Dizem ser amadores, mas eu estou em condições de assegurar que o presidente recebeu 50 euros e duas sandes de presunto da Câmara Municipal. E mais, e mais: asseguraram-me que um dos jogadores é primo de um antigo treinador adjunto que chegou a jogar nas camadas jovens do Benfica quando aquele corrupto lá estava. É com este tipo de mentiras que esperam mudar o futebol português?
Está-se mesmo a ver qual é a ideia deles. Como qualquer clube de futebol são apenas mais um dispositivo de assalto à Liga dos Campeões. Eles dizem que gostam é de futebol e umas tainadas, mas na verdade têm é os olhos postos nas comissões milionárias das transferências de jogadores e nos direitos das transmissões televisivas. Enfim, não passam de mais uns corruptos benfiquistas. Bandidos! Ladrões! Eu bem sei que há dirigentes do Benfica acusados de crimes graves, que o presidente do Sporting é maluco e que há corrupção generalizada no futebol português ao mais alto nível, mas não há nada mais prioritário nesta altura do que desmascarar os gajos do Macinhatense. Eles pensam que me enganam, mas não. Os bandidos.

Está na hora de instituirmos o saltómetro enquanto medida do sucesso governativo já que os governantes se passaram a dedicar ao comentário futebolístico

16 Junho, 2018

24357107_770x433_acf_cropped

image.aspx

Temos todas as condições para poder ir até ao fim no Mundial”, afirma Marcelo. O presidente da República considerou que o empate (3-3) com a Espanha na estreia no Mundial da Rússia foi “um milagre muito motivador” para Portugal, que agora tem “todas as condições para poder ir até ao fim”.

Não foi só Cristiano Ronaldo contra a Espanha, fomos todos nós a lutar por Portugal. Teoricamente, este era o jogo mais difícil e acabou como acabou. Temos uma equipa que não desiste, que esteve à frente, que passou para trás, mas não desiste, lutando até ao último minuto” – António Costa

Como hamsters na rodinha

15 Junho, 2018

mobius-strip

Terça-feira, Junho de 1986, ainda durante o tempo de aulas, terceiro dia do mês, estava aqui o miúdo de onze anos a ver o jogo, às 22h00 (hora de Gondomar), entre Portugal e Inglaterra, o primeiro da participação portuguesa num mundial de futebol desde que nascera. Aos setenta e seis minutos, Carlos Manuel enfiava a bola na baliza de Peter Shilton, aquele que viria a sofrer o golo marcado com a mão por Maradona pouco antes da véspera do São João. Íamos ser campeões: a primeira selecção a derrotar a Alemanha Federal na sua própria casa acabara de vencer a Inglaterra. Perderia com a Polónia e com Marrocos e concluiria a sua participação com os jogadores mais entretidos a acalmarem as mulheres após umas (alegadas) sessões com ninfas de ocasião, uma farsa em repetição da Ilha dos Amores.

Hoje, Portugal entrou a vencer o jogo com a selecção campeã de 2010. “Vamos ser campeões!”, exultou o filho de onze anos do puto desiludido com Saltillo. Acabou a festejar um empate, o que, feitas as contas, até não é nada mau.

É que Portugal é assim: passa de geração em geração a expectativa de que desta é que é, desta é que vai ser. Ocasionalmente, graças a um ou outro português com um talento a roçar o sobrenatural, lá se concretiza qualquer coisa. Uns chamam-lhe D. Sebastião, outros chamam-lhe Cristiano Ronaldo, outros ainda chamaram-lhe Salazar. E depois volta tudo ao mesmo, às geringonças, aos Louçãs, às Iniciativas Liberais, às malucas do feminismo psicopata e ao livre trânsito para a patifaria do Partido Socialista. E não, nunca estive verdadeiramente a falar de futebol.

Ai é isto o liberalismo? Então passo.

15 Junho, 2018

muslim-woman-silhouette-29Foi sem grande surpresa que se recebeu a notícia de que concorrentes a Miss America deixarão de desfilar em fato de banho. Neste momento, com a competição para determinar o humano mais parvalhão de todos ao rubro, abolir avaliação estética de um concurso de beleza é um passo completamente lógico. O passo seguinte será só permitir concorrentes vestidas de apicultoras. Seria possível argumentar que num concurso de beleza só participam mulheres que desejam ser avaliadas pela sua beleza, mas tal seria desnecessário já que o mundo está na fase de não permitir que alguém possa desejar ser avaliado pelo seu aspecto físico.

Vai daí, está tudo no ponto de caramelo para a formação de “partidos liberais”. São partidos — logo, dispositivos de assalto ao aparelho de estado — que pretendem ser avaliados no concurso de beleza pelas suas ideias para a paz no mundo, não pelo aspecto de socialistas. É bonito, passa bem na manada colectivista que importa filosofias como quem nasceu desterrado, e permite a proliferação do socialismo dos “eu tenho o direito a” com propostas revolucionárias de quem rejeita o passado e pouco se preocupa com repercussões no futuro. Até são desejados, ansiados, fazem falta e sei lá que mais. Estão na moda, como está na moda anunciar ao mundo que sexo com gente do mesmo sexo é que é fixe enquanto se abrem as fronteiras aos que lhes tratarão dos tais vícios burgueses com força de catana.

A imagem do único gay da aldeia não pega. Pegaria a imagem do último homem de família em Sodoma, mas, enfim, tal imagem nunca seria verdadeiramente compreendida no mundo dos concursos de Miss America em fatos de apicultoras. Talvez seja mais fácil para estes abdicarem do liberalismo do que se conformarem às suas novíssimas definições. Não será, assim, de admirar que estes se cristalizem em sal e se pulverizem. Pela minha parte, estou pronto e em paz.

 

O único liberal da aldeia

15 Junho, 2018
by

Já há alguns anos que liberais que gostam de contribuir para que as ideias liberais se espalhem (alguns dos quais, mas não todos, qualificaria de intelectuais do liberalismo português), defendem que o campo das ideias é o mais importante. A frase (muito acertada) que mais fui ouvindo neste percurso que se iniciou com as colunas do Pedro Arroja, se solidificou nos blogs, é que “As ideias têm consequências e fazem o seu caminho”. O pressuposto das ideias fazerem o seu caminho é precisamente que se espalhem a pessoas que antes não as tinham, e que passem a ter consequências prácticas. É por isso com surpresa que vejo tantos dos que contribuíram para que as ideias fizessem o seu caminho, agora tão revoltados por as ideias terem feito o seu caminho (com novos partidos, movimentos e derivações semelhantes). Os caminhos, claro, não são puros, mas não se esperaria que fosse como qualquer coisa que parte de um grupo pequeno e se espalha para um público menos pequeno. Para disfarçar, os agora liberais revoltados dizem que é por os caminhos feitos não serem e-xac-ta-men-te de acordo com a sua cartilha. Mas na verdade, não é bem isso. A verdade é que muitos liberais que estavam isolados há 15 anos, afeiçoaram-se ao estatuto de único gay da aldeia e, muito provavelmente, deixarão em breve esta aldeia para serem o único gay noutra aldeia qualquer. Até nisto, o Professor Pedro Arroja foi precursor.