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Agora  quando a onda caiu sobre Isabel dos Santos foi como se Angola voltasse a ser nossa. Mais exactamente a cidadão angolana Isabel dos Santos tornou-se nossa. 

26 Janeiro, 2020

A cada onda de indignação somos levados a uma nova campanha. A cada onda ficamos com menos chão. Agora a onda caiu sobre Isabel dos Santos. De Portugal não há rasto.. E como a cada onda esquecemos onde nos levou a onda anterior esquecemos o que aconteceu nos anos 70 quando a esquerda impôs “Todo o poder ao MPLA”  e nem sequer nos lembramos que em 2003, quando já a justiça francesa levava anos a investigar o Angolagate e a acusar os donos do regime angolano de corrupção (por sinal em associação com um filho do ex-presidente Mitterrand), a Internacional Socialista, presidida então por António Guterres deu luz verde à passagem do MPLA de observador para membro de pleno direito

Síntese

26 Janeiro, 2020

O mais comum no discurso político actual é a oposição de uns -ismos que sirvam para deflectir o que realmente está em causa. Socialismo versus liberalismo? Liberalismo versus conservadorismo? Bah! Tudo isto se resume a ateus versus agnósticos e crentes.

o disparate da democracia-cristã

25 Janeiro, 2020
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iA insistência do CDS em dizer-se um partido «democrata-cristão» é um imenso disparate, que, em parte, explica a panaceia ideológica em que o partido se deixou cair e, porque não entusiasma ninguém, o tem levado ao esvaziamento progressivo.

As causas da origem da democracia-cristã estão hoje mais do que ultrapassadas. Na verdade, a “Rerum Novarum” (1891), de Leão XIII, foi uma tentativa inteligente da Igreja Católica estancar a progressão do socialismo no mundo operário, que foi, em parte, conseguida. Por razões evidentes, deixou de ter, hoje, qualquer utilidade.

Por outro lado, no século XX, a democracia-cristã teve duas referências matriciais: uma, a italiana, muito importante na reconstrução da Itália, no pós 1945, e no arranque da construção comunitária, terminou, na década de 90, com o sinistro Giulio Andreotti. Hoje, já não serve para nada e a sua memória tem sombras indesejáveis.

Quanto à democracia-cristã alemã, há que ter em conta que os seus dois nomes maiores – Konrad Adenauer e Ludwig Erhard – eram, sobretudo o segundo, verdadeiros liberais clássicos, influenciados pelo pensamento austríaco de Menger e Mises, graças ao que a reconstrução alemã foi um êxito. Por isso, ser hoje «democrata-cristão» à alemã só pode significar uma coisa: ser liberal. Como, aliás, já o tinha percebido muito bem, há anos, Francisco Lucas Pires.

Consequentemente, persistir na «democracia-cristã» é persistir no vácuo. Por onde o partido flutua e donde só sairá se abandonar, de vez, essa velha aventesma.

um cadáver não alimenta ninguém por muito tempo

25 Janeiro, 2020
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img_797x448$2020_01_15_14_18_27_615739A velha lenda (ou mito?) do “CDS-partido-de-quadros”, se é que alguma vez existiu no mundo real (e, como Portugal é um país onde eles não abundam, é capaz de ter tido algum fundo de verdade), há muito que se desvaneceu. Como o partido, desde o cavaquismo, tem vindo a ameaçar a extinção, com alguns momentos de aparente recuperação, mas sempre feitos em torno de carismas solitários, os caciques que, ao longo de décadas, foram dominando as estruturas locais agarram-se. com unhas e dentes, aos pequenos poderes que ainda sobravam, e montaram os seus feudos e senhorios onde só entra quem eles autorizam. Hoje, em razão disso e por causa disso, o CDS não é um partido em que o aparelho tem uma grande influência, como acontece neles todos: o CDS é, ele mesmo, quase apenas e só, um aparelho partidário. Ora, como o instinto de sobrevivência é o primeiro de qualquer espécie, e no «homos caciquencis» é apuradíssimo, é natural que o CDS saia deste congresso com um líder eleito pelo seu aparelho, para o preservar e manter influente. Todavia, há aqui um enorme erro de percepção: é que o CDS, se não muda, não sobrevive. E um cadáver não alimenta ninguém por muito tempo.

Manuais escolares grátis já!

24 Janeiro, 2020

Está tudo ultimado para a viagem que o colégio vai fazer em Fevereiro, a Andorra, durante uma semana, para que os miúdos possam aprender ski. Portanto, vejo com muito bons olhos a proposta liberal para que no próximo ano não tenha que pagar os manuais escolares, essa renda que o estado cede amavelmente para manter editoras que de outra forma já teriam falido. É importante não falhar com o apoio a quem mais precisa.

Do “longinquamente formal”

24 Janeiro, 2020

Juiz que é sócio e accionista de uma associação desportiva que é parte em processo que vai julgar pede escusa, o que é  recusado pelo seu colega juiz Ataide das Neves, porque:

“a integridade de um magistrado não pode resultar de uma mera aparência epidermica, de superfície,  que apenas num longinquamente formal e puramente teórico e preconceituoso, quiçá amedrontado, pode ter alguma leitura.

Rompe, rasga, quebra e torna a partir

24 Janeiro, 2020

Uma característica interessante de Portugal é a capacidade com que desfazemos o que custou a construir, tentando refazer várias vezes as coisas com a mesma pompa pueril de uma criança que julga ter descoberto a roda. Eu chamo-lhe o Princípio da IP5. A série de circunstâncias especiais que levaram Passos Coelho a primeiro-ministro naquela precisa altura, aparentando ser possível sedimentar alguma cultura de direita e originando frutos na vitória eleitoral subsequente, rapidamente se tornou num rude golpe aos esperançosos no início da evolução do país para algo menos patético. Mal o Partido Socialista e os companheiros na Geringonça tomaram conta da frágil situação, a direita tratou, de formas que variam entre o trágico e o cómico, de assegurar que não passaria mais de uma semana sem tentativa de suicídio.

Dos “jornais de direita” recheados de redacções marxistas aos carreiristas que saltam de partido em busca no novo ovo com o mesmo afinco com que um ciclista rapa as pernas, passando pelas sucessivas declarações “somos um partido de centro” como um feirante a anunciar que as calças de ganga são produto nacional e não chinês, o termo certo para este incómodo que leva a crises identitárias de eixos é o velho monstrinho verde da inveja. Inveja pela esquerda, que sabe federar-se mesmo quando diz que não o faz desde as famosas “forças de bloqueio”; inveja pelos lugares disponíveis para quem souber aguentar as virtudes da ausência de opinião própria; inveja pelo que poderia ser se a Suíça fosse aqui, apesar de não o ser. Multiplicando-se em novos partidos, como coelhos, cada um tem que deixar a sua marca pessoal, o seu estilo, a sua visão romântica e floreada para o desígnio único que consiste em apoderar-se do aparelho do estado.

Aparecem novas esperanças, alguém em quem ter fé, assimilando o velho espírito de que um Ronaldo há-de sempre aparecer num clube de quem, até então, ninguém ouviu falar. Afinam-se os discursos, mais -ismo para aqui, menos -ismo para acolá, como uma receita, um Kama Sutra ideológico que nos levará definitivamente a continuar frustrados por não ir a lado algum. Ruptura! Ruptura com o que ontem defendíamos e amanhã voltaremos a defender.

Um circo de marionetas, mas sem humor.