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escusam de se preocupar

22 Julho, 2016
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daesh19n-2-webTodas as guerras ofensivas têm um fim e o fim de todas as guerras ofensivas é sempre derrotar um inimigo para lhes conquistar alguma coisa. A recente vaga de terrorismo islâmico demonstra que há uma guerra a decorrer no meio de nós, que apenas o nosso receio natural nos leva a relativizar ou mesmo a fazer de conta que não está a acontecer. Contudo, a Europa está em estado de guerra, os EUA estão em estado de guerra, a Turquia está em estado de guerra, e muitos outros países, vítimas do terrorismo islâmico, estão em estado de guerra. Porquê? Ainda por causa do Iraque? Mas o que têm a Tunísia, a Costa do Marfim, a Indonésia ou o Brasil a ver com isso? São alvos estrangeiros, turistas ou nacionais de países europeus, que são visados nesses ataques? Talvez. E isso justifica que os ataques sejam feitos nesses países? Provavelmente sim, mas só se for para passar a mensagem de que já estamos a viver uma guerra global, a primeira verdadeira guerra mundial de sempre, onde nenhum país ou lugar podem considerar-se seguros, e todos eles podem transformar-se, de um momento para o outro, em teatros de guerra. Ainda assim, fica a pergunta principal por responder: o que quer o inimigo com isto? Se é para vingar o Iraque, por que é que nunca houve atentados terroristas no Irão, que teve uma guerra com esse país ainda mais violenta do que a invasão americana? Por fanatismo religioso? Choque de culturas e de civilizações? Sem dúvida que a esmagadora maioria daqueles que perpetram os ataques deve acreditar que está a cumprir um desígnio de Deus, do seu Deus, contra ímpios e infiéis. Mas tudo isto parece curto para justificar um plano tão bem orquestrado e executado como aquele a que estamos, quase impávidos, a assistir. Até porque um esforço de guerra ofensiva visa sempre objectivos muito claros e bem delineados. A pergunta inicial volta, então, a colocar-se: o que pretende, quem ataca, com esta guerra? Provavelmente, se levarmos a sério as anunciadas intenções do Daesh, teremos a resposta: retomar a fatah de Maomé e do Império Árabe, recuperando o que lhe pertenceu e acrescentando-lhe o que for possível. Para tanto, começa-se por desmoralizar e desorientar o inimigo, abalando-lhe severamente o seu modo de vida e os seus valores civilizacionais, ficando à espera que ele cometa alguma imprudência. Depois, continuar a guerra e abrir novas frentes. Há tempo: não se trata de uma guerra para demorar poucos anos, como não o foi a expansão muçulmana, que durou séculos, e a progressão do terror islâmico tem sido constante. Neste cenário, como é habitual na hipocrisia ocidental, há quem procure desvalorizar os acontecimentos, sempre a tentar encontrar outras razões para os factos que não o terrorismo («pode não ser um atentado?», perguntava, ainda há pouco, uma locutora da RTP1). E há até mesmo quem, fazendo humor negro em circunstâncias tão sérias, se diga muito apreensivo com uma possível guerra que possa resultar da eleição do exótico Donald Trump. Mas escusam de se preocupar com isso: nós já estamos no meio de uma.

 

Está um indivíduo na SICN…

22 Julho, 2016

…a dizer que é preciso combater a islamofobia. Por algum motivo que me escapa, está a dizer isso aos telespectadores em vez de o dizer aos muçulmanos que amigavelmente se rebentam nas esplanadas. 

uma vergonha?

20 Julho, 2016
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O senhor ex-ministro Correia de Campos tinha supostamente garantida, por negociação entre PS e PSD, a sua eleição para o cargo de presidente do Conselho Económico e Social (CES). Posta a coisa a votação na Assembleia da República, alguns dos votos necessários para a maioria que o elegeria não se verificaram e Sua Excelência ficou sem a sinecura o cargo que lhe tinham prometido. Vai daí, um alto dirigente do PS considerou o caso «uma vergonha», porque o PSD teria falhado a votação a que se «comprometera»

Ora, salvo melhor opinião, «uma vergonha» é tratar os deputados como gado sem vontade própria, nem autonomia em relação aos directórios dos seus partidos em questões tão elementares como a eleição do titular de um cargo político. Por qualquer razão que ignoro, alguns deputados terão considerado que Correia de Campos não era a pessoa adequada para o exercício de tal cargo e não lhe deram o voto recomendado pelo partido a que pertencem. Isto, que em qualquer parte do mundo democrático seria visto como uma normal decorrência da liberdade de consciência de deputados eleitos pelo povo, foi considerado um acto desonroso por não obedecer à disciplina partidária. Uma vergonha, de facto, é que haja por cá quem assim pense.

Batistas da Silva há muitos

20 Julho, 2016

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Depois dos atentados de Nice esta senhora de seu nome Isabel Romero presidente da Junta Islámica e directora do instituto Halal Romero fez várias declarações a televisões espanholas. A dado momento resolveu citar um relatório da UNESCO que segundo ela classifica o Islão como a mais pacífica das religiões.
De imediato vários jornalistas, activistas, pacifistas… replicaram essa informação: segundo a UNESCO o Islão é a mais pacífica das religiões. (Aliás nem tem parecido outra coisa nos últimos anos. O nosso problema são mesmo os católicos e os budistas!)
Pouco depois lá veio a UNESCO declarar que o estudo não existia. mas enfim a senhora não deve ter mudado de fé. E no próximo atentado lá estaremos no mesmo. Nem sei como seria o islão se fosse uma religião um tudo menos pacífica!

as 50 sombras de garcia pereira

19 Julho, 2016
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Havendo desenvolvimentos recentes sobre o affaire Arnaldo Matos/Garcia Pereira/MRPP e por estarmos a entrar na silly season e não me estar a apetecer escrever nada, tomo a liberdade de republicar um texto, com alguns meses, sobre tão particular ajuntamento de cidadãos.

Custa ler o artigo, ontem publicado na revista Sábado, sobre o MRPP e a zanga entre Arnaldo Matos e o seu obediente discípulo Garcia Pereira. O género de relações existentes no pequeno grupo de dirigentes de um partido que, em legislativas, ainda recolhe mais de 50 mil votos, faz lembrar mais as práticas de um grupo sadomasoquista hardcore do que as de um agrupamento político. Em breves palavras, o MRPP era (é?) dirigido, na sombra, por um <em>dominatrix</em> chamado Arnaldo Matos, tratado, com veneração e temor, pelo nome másculo de «Espártaco», ou, em alternativa, por «”O” camarada». Neste último caso, o artigo definido é colocado em maiúscula para afirmar devidamente o ascendente que aquele cujo nome não pode sequer ser dito mantinha e mantém sobre uma verdadeira horda de palermas chefiada, até há pouco, por Garcia Pereira, um sujeito que ensina Direito em várias Faculdades. Depois, como numa relação sadomaso de grau extremo, «”O” camarada” tratava mal os seus submissos, insultava-os, ameaçava-os, torturava-os psicologicamente e obrigava-os a trabalhar para o servirem pessoalmente, com sacrifício, dor e humilhação. O medo que os escravos tinham do dono era imenso e, mesmo quando ele não estava fisicamente presente, os mecanismos de submissão e sujeição total à sua personalidade dominadora não desapareciam. Por sua vez, quando “O” senhor queria castigar os escravos, e isto acontecia mesmo que eles nada tivessem feito para o merecer, obriga-os à «autocrítica». A «autocrítica» consiste num exercício de pura humilhação pessoal dos escravos de Matos, que, em resposta à voz do dono, confessam, publica e submissamente, as «faltas» que obviamente não cometeram, como aconteceu recentemente com Garcia Pereira, que, depois de um enxovalho público que lhe infligiu «”O” camarada», redigiu estas singelas palavras: <em>«Camaradas, esta é a justa crítica que o camarada Arnaldo Matos me dirigiu (…) Tenho de conseguir reflectir seriamente em todas as minhas tarefas e responsabilidades»</em>, escreveu o pobre diabo, numa carta dirigida aos colegas de partido. O que é mais admirável nesta história toda não são tanto as relações de escravidão a que Arnaldo Matos submetia Garcia Pereira e os seus submissos. O sadomasoquismo é uma prática antiga como o mundo que atrai incontáveis adeptos e, numa sociedade livre, deve ser tolerada, desde que não afecte mais ninguém para além seus adeptos. Todavia, os cultores do sadomasoquismo mantêm relações consentidas, das quais retiram, quase sempre, prazer físico e sexual. Aqui, no MRPP, que se saiba, «”O” camarada» nem sequer ia com eles para a cama. É só mesmo apanhar porrada pela porrada.

spanking

Pequeno incidente sem a mínima importância

19 Julho, 2016

Os adolescentes são problemáticos. Lá porque um desses, refugiado, entra num comboio com um machado aos gritos de Allahu Akbar, isso não significa que tenha a ver com religião. Podia ter gritado abracadabrante, Isabel Moreira tatua-me ou dá-me o teu pénis rechonchudo. Seja como for, importante é que a família dos feridos seja compreensiva, tolerante e não se meta aí a votar nas Le Pens ou nos Trumps, que isso seria muito errado.

afinal, a austeridade é para continuar e remoçada

18 Julho, 2016
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Lemos e pasmamos. Afinal, a austeridade não tinha terminado? Afinal, não era possível outro caminho no Tratado Orçamental e na União Europeia? Afinal, não bastavam meia-dúzia de medidas keynesianas para pôr as pessoas a consumir e a economia a crescer? É verdade que as contas públicas têm sido severamente prejudicadas pelo sector financeiro, graças aos sucessivos problemas do BPN, do BPP, do BANIF, do Novo Banco e da Caixa. Descontando as responsabilidades pessoais dos políticos que governaram Portugal nos últimos vinte anos (tema que explicaria muita coisa e que teria mesmo impedido, a montante, alguns dos prejuízos ocorridos, mas que agora, a jusante, de nada serve para pagar facturas), ignorava o governo actual a dimensão dos problemas do país? Será que, quando nos prometeram um caminho fácil, os actuais governantes desconheciam o que toda a gente comum já sabia: que o Novo Banco não se venderá sem enorme prejuízo para o estado e que a Caixa está falida e precisa urgentemente de capital? Parece que não. Parece que todos ignoravam que, afinal, a austeridade não só continuará, como será mesmo reforçada com novas medidas no orçamento do próximo ano, e que só se encontrarmos petróleo no Beato o país resistirá à política da geringonça.

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