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Metástases bloquistas

4 Dezembro, 2019

O Observador tem hoje uma peça onde são referidos vários dos movimentos extremistas em Portugal que estão no backoffice da causa do Ambiente, nomeadamente durante a recepção à Greta sueca em Lisboa.

Eu já por várias vezes tenho escrito, dando exemplos e nomes, que estes grupelhos são meras extensões e metástases do Bloco de Esquerda, assim como aliás acontece com os movimentos feministas, anti-racistas e a maior parte dos colectivos de intervenção cultural.

No entanto, a evidência destes fenómenos não deveria retirar responsabilidade aos orgãos de comunicação social num escrutínio muito mais claro e directo, informando os leitores e o público em geral desta teia de interesses e conexões políticas, dos nomes e perfis dos seus dirigentes e de todos aqueles que procuram aceder a posições de exercício ou influência do poder (nomeadamente legislativo) para controlar e orientar as vidas das pessoas.

Apocalipse now!

3 Dezembro, 2019

As “causas” podem ser estas ou outras quaisquer.

O que importa é a estética e a encenação, quanto mais imbecis melhor.

GreveClimatica

Sem fronteiras: a verdade da mentira

2 Dezembro, 2019

Mais dois ataques com facas, um em Londres outro em Haia, vieram-nos lembrar que o terrorismo vive silenciosamente no meio de nós e somos alvos muito fáceis ao contrário do que nos querem fazer crer.  Estes assassinos não precisam de armas compradas em lojas. Com facas e explosivos de fabrico artesanal matam e fazem-se explodir  apenas por motivações ideológicas. E nós, nem com medidas de segurança sofisticadas estamos a salvo. Essa é a triste realidade.

Sou do tempo em que na Europa, quando se falava de terrorismo, ou era a ETA ou o IRA cujo o alvo eram membros dos governos ou juízes. Ataques com facas e homens suicidas no meio de multidões de civis só mesmo no médio oriente. Como é que importamos isto?

A resposta podemos encontrá-la num magnífico documentário – Borderless –  da jornalista canadiana Lauren Southern. Infiltrada durante 4 meses, entrevistou traficantes, migrantes e responsáveis por estas passagens para a Europa. Um trabalho jornalístico de alto risco mas muito revelador do tráfico humano, um negócio milionário.

A crise das migrações deu-se em 2010  com a Primavera árabe e o fim dos ditadores que trouxe uma onda de deslocados para a Turquia, Líbano, e Jordânia com muitas incompatibilidades culturais pelo meio. Em Ayvalik na Turquia a jornalista falou com locais que revelaram que “esta rota abriu em 2013 para a Grécia e que desde então as mulheres da região já não podiam ir para os campos sozinhas; que por ali passam  milhares de seres humanos por dia; que os traficantes agem como uma máfia e estão armados com AK47; a população vive com medo. O preço da passagem para Lesbos e outros destinos  são 1000, 2000, 3000, 4000 dólares. Não são refugiados porque esses não têm meios económicos, nem são pobres nem crianças. E também não é trabalho humanitário”. Outra travessia deste “negócio” dá-se por Marrocos para Espanha. Os passaportes e documentação são propositadamente destruídos para que não sejam deportados.

Em  Lesbos são colocados num campo para 3000 pessoas mas que já excedeu os 11000 “refugiados”.  Nele há assassínios, violações, estupros. É um lugar perigoso onde matam enquanto dormem porque está cheio de grupos étnicos diferentes que não se toleram. Os migrantes não se sentem seguros e muitos dizem-se arrependidos.

Alguns denunciam à jornalista subornos pedidos por médicos gregos do Governo para conseguirem a legalização – “os Papeis” – que é um pedido médico atestando que aquela pessoa tem um problema grave de saúde e tem de ser transferida urgentemente para Atenas ficando assim automaticamente “legal”. Denunciam ainda que o ISIS está no meio deles disfarçados de refugiados. Dizem que há no campo  2000 ou mais de ISIS que fugiram do Iraque e Síria porque foram derrubados nos seus países e atacam com facas ateus, cristãos, judeus, jazidis e curdos no acampamento. Chegam a pedir câmaras de vigilância às autoridades para os protegerem mas ninguém se importa com isso.

Estes “refugiados” têm o suporte do Departamento Europeu do Conselho dos Direitos Humanos da ONU que vão aos campos fazer entrevistas para rastreios. De 2015 a 2016,  dos 80% dos pedidos de asilo de sírios e 20% de outras nacionalidades,  só 3%  foram rejeitados.

A jornalista fez uma gravação de uma entrevista a  uma CEO da ONG “Advocates Abroad” que faz assessoria aos migrantes – Ariel Riker – onde ela explica que os ensina  a mentir aos guardas costeiros, como ajuda a criar um falso perfil fazendo-os  passar por cristãos, encenando uma narrativa credível junto dos representantes da ACNUR. A gravação saiu nos média. Você ouviu alguma coisa? Houve consequências? Pois.

Os repórteres também se infiltraram nos barcos das ONG e entrevistaram um comandante que afirmou que apenas “salva vidas” e que não lavou a quantia de dinheiro de que era acusado. “No máximo 500 mil, muito menos que outras ONG´s” – disse seu advogado. Provou-se que o que alimenta este “humanitarismo” são os milhões que o sustentam. Milhões! Nada mais. Consequências? Zero. A “missão” prossegue.

Esta imigração ilegal financiada custa cerca de 200 biliões de euros por ano aos 27 países da UE. Não é sustentável. Toda a imigração que vai além das necessidades de cada país, provoca sérias dificuldades económicas e muita pobreza não só aos nativos como aos que chegam. Mas isso não parece preocupar ninguém. Muito menos UE e ONU. Esquisito.

A jornalista quis saber o que era feito daqueles que se aventuraram a sair dos seus países e se tinha valido a pena. Em Paris um migrante do Mali, a viver debaixo de uma ponte, conta que foi um erro. Que esperava ser legalizado, trabalhar e mandar dinheiro para a família. Sente-se traído.

Foi saber de outros que entretanto conseguiram asilo na Irlanda. Uma refugiada política do Zimbabué por oposição a Mugabe, outra da África do Sul por perseguição à sua integridade física por suspeita de ser lésbica, explicam que são gratas ao povo que as recebeu e compreendem a animosidade dos irlandeses que não os vêem com agrado porque têm receios, compreensíveis,  pelo seu futuro.

Na verdade a Irlanda nem nos piores momentos económicos do país teve sem abrigos a viver na rua mas agora o cenário é devastador. Os escassos  recursos estão a sair para estrangeiros. Deixar entrar o 3º mundo, sem quotas,  para colocar os nativos em dificuldades, por dinheiro, é desumano e dão uma visão negativa da imigração. Não se pode ter fronteiras escancaradas  quando não se tem condições para cuidar do próprio povo que trabalhou e descontou para ter uma vida digna.   Mostrar insatisfação pela situação é considerado  “racismo e fascismo”, a arma de silenciamento preferida dos que  vivem à custa desta exploração da miséria   sem nenhuma preocupação com o destino que estes  têm depois de entrarem na Europa.

Não são todos invasores, assassinos,  nem tão pouco são todos fugitivos de guerra. São pessoas, a maioria migrantes económicos que venderam tudo o que tinham para pagar uma travessia onde lhes prometeram acesso fácil ao “paraíso social”.   Estas pessoas compraram uma mentira por muitos milhares de dólares. Um crime ironicamente “abençoado” pela UE e ONU. Porquê?

Veja aqui o documentário completo:

 

 

 

 

A praga dos Domingos Farinhos

2 Dezembro, 2019

De acordo com a ITV, vários académicos recorreram à ferramenta de piar para expressar o apoio às colegas Dr Amy Ludlow e Dr Ruth Armstrong, as duas cientistas sociais responsáveis pelo programa “Learning Together: being, belonging, becoming”, talvez traduzível por “aprendendo juntos: ser, pertencer, tornar-se (terrorista?)”.

Incrivelmente, nenhum jornal nacional pegou na notícia que consiste em enaltecer o meritório trabalho de umas senhoras que foram à selva buscar o King Kong e o levaram para o circo da auto-ajuda que faz académicos sentirem-se profetas da virtude de reabilitação de bichos para a civilização — trabalho este devidamente recompensado com uma das criaturas a matar desgraçados numa ponte no mesmo dia em que se exibe como reabilitado à turba de idiotas universitários (quem sabe se os mesmos que se ajoelham perante a Santa Gretinha, como certos e determinados políticos oportunisticamente azeiteiros).

Tal como sucede com mais que conhecidas fraudes académicas — por exemplo, o senhor professor doutor Domingos Farinho, que admitindo a fraude de escrita de tese para outrem foi, no ano passado, devidamente recompensado com a integração no quadro com o título de professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa), a doutora Amy Ludlow e a doutora Ruth Armstrong não têm culpa de nada. Decerto continuarão no lugar, contribuindo com mais experiências de grande valor social (sugiro agora um estudo comportamental de alguns crocodilos espalhados numa creche) e continuarão a progredir na promissora carreira de beatificar gente boa que nos livre de ímpios aleatórios. Como na historieta do sapo e do escorpião, é uma questão de natureza do ser.

Viver no mundo moderno ocidental é muito mais excitante do que antes. A malta sai à rua e nem sabe se regressa a casa após a experiência científica-social dos cientistas. Nem sabe ele, nem sabem os outros, porque, naturalmente, não foi para noticiar as coisas que se fizeram os jornais.

«Regionalização. Como Costa quer ajudar Rio e os dinossauros autárquicos»

2 Dezembro, 2019

Luís Rosa: Esta regio­nalização encapotada que beneficiará os ‘manuéis machados’ do poder autárquico não pode, obviamente, merecer qualquer apoio ou cumplicidade de Marcelo Rebelo de Sousa. É verdade que a coerência para António Costa é descartável — como Marques Mendes recordou este domingo na SIC, Costa revogou a eleição dos presidentes da CCDR quando era ministro da Administração Interna de José Sócrates — mas não pode ser para o Presidente. (…) Marcelo Rebelo de Sousa já cometeu um erro de capital ao aceitar a substituição da dinâmica procuradora-geral Joana Marques Vidal pela silenciosa Lucília Gago com o argumento falacioso do mandato único que não está explícito em lado algum da lei. Os resultados estão à vista: o enfraquecimento do Ministério Público que agora nem sequer convoca Marcelo e António Costa para testemunhas de um processo relevante como o de Tancos para não serem incomodados nas suas “altas funções”. Aparentemente, Marcelo não quis entrar em conflito com Costa no caso do dossiê da renovação do mandato da procuradora-geral da República. Fez mal, muito mal.

Convém que agora não cometa um segundo erro capital. É que um ainda se pode aceitar, mas dois já são demais.

O meu cão

1 Dezembro, 2019

Apesar de toda a gente me ter dito que o husky siberiano já tinha morto dois bebés, achei que era um fofo, pelo que tinha mesmo que o ter. Os cães, já se sabe, precisam de treino para não cometerem algumas excentricidades desagradáveis. Agora, ainda por cima que estaria mais por casa com o nascimento da minha filha, seria particularmente agradável contar com a companhia de um animal simpático a quem também pudesse chamar de filho. “Deodora, tens aqui um maninho” — exclamei quando mo trouxeram.

A chegada do Genghis Khan foi uma alegria. A forma como primeiro desfez as cortinas evidenciava uma alma doce aprisionada num turbilhão emocional de hormonas rebeldes na ânsia de, através do amor e empatia que lhe daríamos, preencher os nossos corações com júbilo. Quando comecei a educar o Genghis, e fora aquele incidente em que esventrou a gatinha Chuchu e a sua ninhada de doze, revelou ser um aluno capaz, empenhado e, sobretudo, plenamente integrado com a família. A forma como nos lambia era mais eloquente que qualquer latido emitido entre o tempo passado a rosnar de dentes cerrados como um vulgar fascista da direita a olhar para a ordem de pagamento do IMI.

Após pouco mais de duas semanas, Genghis Khan estava plenamente integrado na pastoral vida que levo a observar a natureza e a recitar Emily Dickinson aos pássaros que se alimentam da velha figueira.

Nisto, eis que um dia vem a minha irmã visitar-nos sem grande aviso, só um telefonema uma semana antes. Nesse dia, feito burra, entrou pelo portão sem tocar só porque estava aberto. O idiota do seu filho (não me lembro o nome), já com quase três anos de idade (acho), bem que escusava de ter entrado a correr por ali fora como se fosse uma bailarina travesti, mas aquilo é gente sem grande educação. Grande palerma. Bem, o Genghis Kahn, que estava ali tranquilo, a roer a carcaça de um bisonte em plena paz, assustou-se com o meu sobrinho rabeta e — como, aliás, qualquer animal normal faria — saltou sobressaltado arrancando-lhe metade da cara com uma só dentada.

A minha irmã desatou a gritar, a estúpida, enquanto me dirigi a ela com um passo ligeiramente mais acelerado que o normal para a reprimir. Entretanto, Genghis lá arranca a primeira perna ao moço. Ainda lhe disse: “calma, Genghis, olha que estragas o teu apetite assim a comer gorduras antes do jantar”, mas o animal já tinha começado o processo de terminar com o suplício ao pequeno Rui (ou é Jorge?).

Bem, para tornar uma história longa em curta, o Estado agora quer executar o Genghis Kahn por o considerar — e passo a citar — “perigoso”. Ando eu a reabilitar um cão, dando-lhe amor e felicidade, algo que nunca teve lá no canil, e vem agora o Estado opressor através de agentes criminosos anunciar a extinção desta vida tão promissora. Ainda por cima, foi por queixa da minha irmã, essa vaca. Vamos ver como é que o caso vai correr em tribunal, mas tenho a plena convicção que o Genghis se safará. É que, no fundo, se pensarmos bem, aquilo que o Genghis fez ao seboso do meu sobrinho foi um favor à minha irmã. A grande estúpida.

Para quem quiser seguir o resto do caso, aqui e aqui há mais.

1º de Dezembro: os descendentes de Miguel de Vasconcelos andam por aí

1 Dezembro, 2019

O processo de aprovação na secretaria da mesma regionalização que o povo chumbou em referendo em 1998 está em marcha desde Julho deste ano: nesse mês, João Cravinho, na condição de presidente da Comissão Independente para a Descentralização (uma comissão tão independente mas tão independente que todos os os seus membros são favoráveis à regionalização) apresentou um relatório cujo eixo de trabalho se pode resumir na seguinte máxima: truques para evitar que a regionalização seja de novo chumbada e para que à oligarquia dos partidos e seus descendentes não faltem cargos nas próximas décadas. Já de si é escandaloso que a João Cravinho, que assinou por baixo alguns dos maiores descalabros da nossa democracia, seja dada credibilidade para apresentar o que quer seja além de festas de Natal. O pior é que a regionalização, ao contrário das anteriores propostas de João Cravinho, não contribui apenas para falir o país, a regionalização compromete o futuro do país. Portugal, cuja área é semelhante à de algumas das comunidades de Espanha (Andaluzia e Castela-Leão), tem as fronteiras mais antigas da Europa e desconhece as tensões regionais e linguísticas. A História de Portugal é também a desta unidade. O que ganham Portugal e os portugueses com a atomização do país em regiões além de uma nova camada na máquina politico-administrativa? Nada.