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vão ter de se chegar à frente

30 Março, 2020
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img_1200x676$2016_12_15_15_31_53_198591Não tenho opinião firmada sobre a questão dos «coronabonds», menos ainda sobre a «intransigência» alemã e holandesa em financiarem as falências dos estados mediterrânicos, nomeadamente de Itália, Espanha e Portugal. No plano teórico, fabricar dívida pública é mau, sobretudo no médio e longo prazo. No plano prático, se não entrar «cash» nos cofres desses estados, irá tudo de pantanas. Todavia, há uma coisa de que estou certo: se os grandes países europeus quiserem continuar a dar-se ao luxo de manter um mercado comum aberto de 500 milhões de consumidores, vão ter de gastar dinheiro nisso. Até porque, no nosso caso, foram todos coniventes com um governo que está há cinco anos sem fazer reformas e que não aproveitou o crescimento da economia mundial para reduzir seriamente a sua dívida. De tal modo, que nunca deixaram de aprovar os nossos orçamentos de estado e erigiram Mário Centeno à qualidade de «Ronaldo das Finanças» e presidente do Eurogrupo. Agora, amanhem-se com o resultado de tanto talento e vão puxando do livro de cheques

Título: Rendas suspensas. O IHRU vai garantir empréstimos. Realidade: Senhorios forçados a emprestar dinheiro das rendas aos inquilinos e ao pagamento de IMI

30 Março, 2020

«Estabelecimentos fechados só pagam rendas um mês depois do fim do estado de emergência». E os senhorios cujos inquilinos não pagam as rendas até ao fim do estado de emergência vivem a crédito? 

«Arrendatários particulares têm direito à suspensão de pagamento de renda se tiverem quebra de rendimento de 20% ou o esforço com habitação for acima de 35% do rendimento familiar. Quem estiver nestas condições tem de avisar por escrito o senhorio até cinco dias antes do vencimento da primeira renda “juntando a documentação comprovativa da situação» 

O Governo está a gozar não está? E está a gozar com inquilinos e senhorios. Como é que os inquilinos vão conseguir documentação que prove que «tiverem quebra de rendimento de 20% ou o esforço com habitação for acima de 35% do rendimento familiar»?  E admitindo que a conseguem que sentido faz entregá-la aos senhorios? Não anunciou o Governo que o «Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) irá garantir empréstimos sem juros, durante o estado de emergência, «para suportar a diferença entre o valor da renda mensal devida e o valor da renda que corresponda a uma taxa de esforço máxima de 35% do rendimento total do agregado familiar destinada ao pagamento da renda»? Se o IHRU vai emprestar dinheiro aos inquilinos é ao IHRU que essa documentação tem de ser entregue.

Resumindo o GOverno está

a) a trabalhar para os títulos;

b) transfere para os senhorios o ónus de aguentar por tempo indeterminado não receber as rendas;

c) anuncia empréstimos aos inquilinos que muitos não conseguirão receber porque não vão ter a documentação exigida mas entretanto já não pagaram a renda ao senhorio;

c) não suspende o IMI . Portanto os senhorios que não recebem as rendas vão ter de pagar o IMI

 

 

 

O seu orgasmo será televisionado

30 Março, 2020

Foi decidido pelas autoridades que as pessoas devem permanecer em casa. É compreensível que muitas não entendam a decisão, que a temam, assim como é compreensível que muitos a tentem furar saindo para passeios fora dos parâmetros estipulados para as vindas à rua. As considerações sobre o que considero de quem fura o isolamento deixo para mim próprio. O que não consigo deixar para mim próprio é o que penso das demonstrações de “virtude” que todo e qualquer um sente que deve impor aos seus “amigos” via esse cancro incurável que são as redes sociais.

Se não quereis ficar em casa, ide onde quiserdes, mas poupai-nos as considerações sobre a vossa imensa virtude de epidemiologista de internet. Já me basta que uma especialista em saúde pública com imensa responsabilidade política, a doutora Graça Freitas, apareça no início do mês de Março – com a crise italiana em plena aceleração – a dizer que devemos ir visitar os velhinhos ao lar, coisa que sinto que acabo por fazer todos os dias em que a doutora Graça Freitas nos aparece na televisão a demonstrar o conceito de pré-senilidade.

Quereis ir à praia? Ide. Se vos julgais melhores que os outros, ide, força, fight the system e toda essa treta de adolescente tardio. Contudo, fazei-o com a descrição que o individualismo egoísta de Rand defende. Anunciar ao mundo inteiro que se vai à praia é que é em tudo semelhante a televisionar o orgasmo e eu gosto de escolher a pornografia que consumo.

Não é uma questão de queda. É sim de encosto: só sobrevive quem está encostado ao poder

29 Março, 2020

SOL: «Quarta-feira, horas antes da transmissão do seu programa de investigação, Ana Leal anunciara no Facebook que a reportagem desta semana, dedicada à pandemia da covid-19, iria “revelar falhas graves na resposta do Serviço Nacional de Saúde”. Mas, à semelhança do que havia acontecido com uma outra investigação recente que implicava membros do atual Governo angolano, que foi adiada, o programa desta quarta-feira não foi para o ar.
Já nesta quinta-feira, sem adiantar a razão que terá levado à não transmissão da reportagem, a jornalista da TVI deixou uma nota no Facebook: “Perante as muitas perguntas que têm sido colocadas por seguidores da página do Programa Ana Leal desde ontem à noite, dizer que, não é da minha responsabilidade a não emissão da reportagem que estava anunciada”. 
O post foi partilhado tanto na página de Facebook pessoal da jornalista como na do programa. E se na página pessoal o esclarecimento se mantém, da página oficial do programa a nota desapareceu. A imagem do post foi, no entanto, guardada pela revista TV 7 Dias, à qual a jornalista preferiu não prestar esclarecimentos adicionais aos que havia dado já por escrito nas redes sociais. A revista cita ainda fonte oficial da TVI, que explica que a peça em questão caiu como “todos os dias caem peças”. “Às vezes caem umas, outras vezes caem outras”.»

Alguém tem andado a brincar com os portugueses e com Portugal. E não, não foi o governo da Holanda.

29 Março, 2020

Quem declarou que no SNS “até agora não faltou nada” não foi o governo da Holanda mas sim o primeiro-ministro de Portugal. Aliás esta patética polémica com a Holanda e consequente arrobo patriótico cumprem o papel  de fazer esquecer as declarações infelizes do primeiro-ministro português.

Quem durante anos cativou as verbas indispensáveis ao SNS português e o fez chegar a este Março de 2020 em condições de acentuada degradação não foi o governo da Holanda.

Quem entreteve Portugal em Fevereiro – repito em Fevereiro, quando o avanço da epidemia já era mais que óbvio – impondo uma discussão grotesca e fútil sobre a eutanásia não foi o governo da Holanda. (A propósito de discussões inadiáveis: o que aconteceu à regionalização que tinha fatal e rapidamente de avançar este ano para desbloquear o país?)

Quem nos últimos dois anos cortou o orçamento da portuguesa Linha Saúde 24 não foi o governo da Holanda.

Questões inadiáveis que ocupavam os nossos políticos há um mês

28 Março, 2020

Nação auto-suficiente

27 Março, 2020

Num texto que escrevi para a Oficina da Liberdade refiro o seguinte:

O receio de não haver equipamentos e materiais em quantidade suficiente no mercado para que o SNS possa acudir à procura acrescida de cuidados relacionados com a covid19 confirmou para muitos a urgente necessidade de Portugal não ficar dependente do comércio internacional para aceder a esses produtos, e a obrigação imprescindível de o país de ter produção própria de ventiladores, máscaras, kits de teste e outros bens. Quando grande parte destas provisões têm tido origem na China, país onde a epidemia começou, a necessidade de fabricar localmente é ainda mais evidente, diz-se.

E tento explicar por que razão isto é um disparate e não passa de um sentimento nacionalista bacoco. O texto completo aqui.

Mas o Governo anda empenhadíssimo em esconder a incompetência do Estado e a falta de capacidade de planeamento e previsão dos seus responsáveis pela gestão de stocks de equipamentos e materiais críticos para a prestação de cuidados de saúde durante a epidemia covid19. E uma das formas como o faz é promovendo, do alto da sua omnisciência governativa, o ajustamento da indústria nacional.

Vai dar asneira!

MadeInPortugal-ok