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Sócrates e PS: quem aldrabou quem?

24 Abril, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre o porquê de Antóbio Costa se dizer aldrabado peo Sócrates e não considerar que o PS e ele mesmo se enganaram ao avaliar Sócrates: «Quando António Costa declara sobre José Sócrates “Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos [ao PS]” não está apenas a dizer que Sócrates aldrabou mas também e sobretudo que ele, Costa, não é responsável por nada pois ele, Costa, não passa de um aldrabado»

Algo de muito estranho está a acontecer no Kremlin

23 Abril, 2022

O estado-social faz mal à liberdade

20 Abril, 2022

Há dias na assembleia da república no seu discurso de estreia como deputado, o Carlos Guimarães Pinto disse que «o liberalismo faz falta ao estado social». Ora, se por efeito retórico «liberal» rima com «estado-social», do mesmo modo «estado-social» também faz verso com «imoral». Com a vantagem desta última concordância ser mais próxima da realidade e uma mais justa análise da questão.

Os liberais são normalmente catalogados de anarcas e egoístas. Atribuem-lhes a defesa do fim do estado e criticam-lhes o que dizem ser o seu desprezo pelos pobres e vulneráveis. É exactamente o contrário, mas já não tenho pachorra para contrariar as acusações de patuscos socialistas mal-informados e mal-intencionados.

Mas gostava de suscitar nos liberais a reflexão sobre se a promessa de um estado protector não contribui para a crescente perda de independência, autonomia e responsabilidade de cuidarmos de nós próprios e dos que nos são próximos. É que transferindo essa incumbência para o estado, acabamos nós por nos tornar escravos de um poder autoritário, deixando o estado de estar ao nosso serviço para passarmos nós a servir o estado.

Parece que muitas pessoas diabolizam e suspeitam de si próprias, mas surpreendentemente crêem na santidade e virtude dos políticos. E assim, é o estado que passa a definir o que é “justiça social” pela medida que for conveniente aos poderes públicos de cada momento. Mas pense bem: se não fosse obrigado a pagar as contribuições para a segurança social, escolheria o estado para administrar e dar destino às suas poupanças?

O estado não faz dos indivíduos boas pessoas porque a caridade e o amor ao próximo não se praticam com o dinheiro de terceiros. Ao obrigar coercivamente à solidariedade entre pessoas o estado não só reduz perigosamente os incentivos para a criação de riqueza (deixando-nos todos mais pobres), como também encoraja a que os beneficiários da ajuda se sintam no “direito” de ser ajudados, perpetuando a mendicidade.

A virtude e a moral só existem se forem uma escolha livre e autónoma dos indivíduos em praticar o bem. A chamada “justiça social” não é uma forma de justiça, mas apenas uma forma de corrupção moral.

Quando a responsabilidade individual é menosprezada, a liberdade das pessoas perde-se. Não se pretende nenhuma revolução, nem acabar com o estado social da noite para o dia. Mas se queremos uma sociedade mais digna a evolução deve ser no sentido de consistentemente diminuir o estado-social.

O liberalismo não faz falta ao estado-social.
O estado-social não faz falta ao liberalismo.
O estado-social faz mal à liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

DIgamos que é mais os dirigentes e élites africanas não prestam atenção às suas guerras

14 Abril, 2022

Mundo “não presta a mesma atenção às vidas de negros e brancos”, compara diretor da OMS. “Alguns são mais iguais do que outros”. Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde comparou a atenção dada à Ucrânia a conflitos noutros países, sobretudo na Etiópia.

Apoplexia de socialistas com socialista

13 Abril, 2022

Apesar do peso do estado na economia ser superior a 50%, um socialista destaca-se por querer ainda maior intervenção do Estado e por uma defesa intransigente de um estado social cada vez mais gordo e balofo.

Para financiar o seu lirismo, um socialista não se importa de endividar ainda mais o Estado e aumentar o déficit orçamental. Não hesitará em cobrar mais impostos, sobretudo aos mais abastados e às empresas. Em vez promover condições para o desenvolvimento, a obsessão socialista é com o modelo keynesiano doe pôr o Estado a gastar mais dinheiro e a redistribuir a riqueza criada por outros.

Um socialista dito moderno é muito crítico da globalização, dos modelos sociais anglo-saxónicos, e absolutamente contra o chamado neoliberalismo. Em vez de uma economia aberta, de livre-mercado e liberalizante, um socialista defende o proteccionismo, a intervenção estatal e a regulação central das actividades económicas. Daí que um socialista advogue um Estado musculado, taxas e barreiras às importações e alguns até a nacionalização de bancos.

Mas reconheça-se que a narrativa socialista é especialmente sedutora junto dos empregados por conta de outrem, dos operários e dos jovens. Alguns exemplos de medidas que apelam a esta sociologia do voto socialista são a proposta de aumento das pensões e de baixar a idade da reforma para os 60 anos, transportes públicos gratuitos e isenção de IRS para os jovens, a fixação de preços para combater os efeitos da inflação, a subida do salário mínimo para 1.000€, a criação de um imposto sobre o património financeiro, aumentar em 15% o salário dos professores, construir 100.000 habitações públicas por ano, investir mais 20 mil milhões de euros no sistema nacional de saúde, criar um ministério para a luta contra a fraude fiscal, apostar na reindustrialização do país ou a promessa de garantia de preços mínimos para os produtos dos agricultores nacionais.

Se a esta agenda económico se juntar a defesa da despenalização do aborto e da eutanásia e se o líder de um partido socialista for mulher e duplamente divorciada, preencherá os melhores cânones progressistas. Se, em criança, tiver sido sobrevivente a um atentado terrorista e, na sua adolescência, tiver ultrapassado o trauma do abandono da própria mãe, essa líder não poderá ser melhor escolha. Se essa socialista tiver condenado a invasão da Ucrânia pela Rússia e fôr apologista de porta aberta para acolher refugiados de guerra ucranianos, será ideal. Se esta mulher política tiver 53 anos e dedicar o seu carinho a seis gatos que tenha como animais domésticos, então trata-se mesmo de Marine Le Pen, a candidata que disputa a segunda volta das próximas eleições presidenciais em França.

Os insuportáveis wokes que em bom Português se diz «rematados choninhas» andam muito preocupados com o perigo que representa aquela que chamam candidata da extrema-direita. Em caso de vitória de Marine Le Pen sobre Macron, estou certo de que muitos destes totós acabarão por querer a expulsão da França da União Europeia.

Macron é um social-democrata elitista que despreza as mais elementares liberdades individuais e, por isso, se eu fosse Francês não lhe daria o voto. Mas, diverte-me a apoplexia que muitos sofrem com a possibilidade de vitória desta candidata socialista, a candidata do campo político da maior parte dos analistas e comentadores portugueses, não do meu.

Em vídeo, aqui:

Há 215 anos a Ucrânia ficava em Portugal

10 Abril, 2022

Esta semana no Observador escrevo sobre a primeira invasão francesa. Tudo em Portugal em 1807 parece um eco daquilo que a Ucrânia está a viver: lá estão os massacres, a resistência popular sempre depreciada pelas acusações de reaccionarismo, a necessidade de salvaguardar a face do agressor derrotado… Mas razão desta minha viagem ao passado acontece também por uma questão de higiene. Que é como quem diz, vou ler o que puder sobre o “Jinot” e o Maneta para desse modo poupar-me a ver Rosa Coutinho ser agraciado no 25 de Abril com a Ordem da Liberdade…

E os periquitos e as begónias estarão a salvo de mais esse genocídio perpetrado pelos anti-comunistas primários?

8 Abril, 2022

Carmo Afonso, colunista do PÚBLICO: «Por cada vez que alguém compara o BE e o PCP à extrema-direita morre um passarinho silvestre, seca uma flor campestre. Ao ritmo a que vamos não sobrarão nenhuns nem nenhumas

E pronto, se não conseguirem perceber eu traduzo

8 Abril, 2022

El nuevo líder del PP, Alberto Núñez Feijóo, ha ofrecido este viernes una entrevista en la Cadena Ser en la que ha sido preguntado por el pacto de su partido con Vox en Castilla y León.

¿Pero qué me dice usted? Será una broma, ¿no?”, la respuesta de Feijóo cuando le preguntan por los pactos del PP con Vox. “Que el PSOE nos diga que hay que romper con Vox cuando está gobernando con Bildu en Navarra, con Podemos en el gobierno de España y con los apoyos de ERC y Bildu para sacar presupuestos y leyes. Supongo que el manual de coaliciones del PSOE es el manual de lo que no se puede utilizar”, zanja Feijóo.

A excomunhão da Hungria

6 Abril, 2022

Tal como Portugal, a Hungria apoiou e implementou as mais pesadas sanções de sempre aplicadas pela União europeia à Rússia no seguimento da criminosa e totalmente injustificada guerra na Ucrânia da responsabilidade do agressor Putin.

Ao contrário de Moçambique ou Angola, a Hungria votou favoravelmente a condenação da ONU à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ao contrário dos mesmos países, já em 2014 a Hungria tinha votado a favor da condenação da anexação da Crimeia.

A Hungria já acolheu cerca de 400 mil refugiados de guerra ucranianos, diferentemente de Portugal que recebeu 15 vezes menos pessoas.

Todavia, jornalistas portugueses e comentadores televisivos nacionais, assim como a habitual trupe de arrogantes que se passeiam no Facebook e no Twitter, têm a lata de afirmar que a vitória de Viktor Órban nas mais recentes eleições gerais do país (tal como António Costa, aliás, com maioria absoluta) é uma vitória de Vladimir Putin.

Para esta gente que se pavoneia nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social a exibir o seu ridículo auto-convencimento de que são os mais humanos dos seres humanos e os mais bondosos dos bons, tudo o que fique aquém de uma resposta militar directa e total da NATO e de Portugal contra a Rússia não é civilizado nem aceitável. Curioso é que nenhum destes patetas tenha deixado o conforto do seu lar ou a protecção do seu teclado de computador para integrar a legião estrangeira que defende o território da Ucrânia. Assim como não se ouviu destes pascácios nenhuma revolta contra as mais do que dúbias posições de países ditos irmãos como Angola ou Moçambique.

Porquê?

Simplesmente porque Viktor Órban é de Direita, nacionalista, conservadora cristã. Esta Direita não é a minha e o homem parece ter pulsões autoritárias e populistas que rejeito. Mas, ao contrário do que se omite na opinião púbica, Órban derrotou a esquerda, mas sobretudo ganhou contra um outro partido, esse sim, radicalmente à direita.

As florzinhas de cheiro do pensamento, zeladores do politicamente correcto não perdoam é a Órban ter proibido propaganda de natureza sexual nas escolas, ser contra a legalização do aborto e da eutanásia, crítico das agendas da ideologia de género e dos fatalismos e fanatismos das emergências climáticas. O euro-cepticismo de Órban e sobretudo a primazia que dá às leis nacionais sobre os regulamentos que uma comissão europeia não eleita popularmente quer impor ao país, não lhe granjeou simpatias junto das elites urbanas bem-pensantes em Portugal. Daí que várias luminárias “comentadeiras” queiram castigar a Hungria ou mesmo expulsá-la da União.

Durante os dois anos da agora esquecida covid, chamaram Órban de negacionista e chalupa. Agora, com crise na Ucrânia chamam-no de putinista e colaboracionista com o regime russo, numa tentativa de segregação e criação de um cordão sanitário entre a direita política que é domesticada e tolerada pela esquerda, e a direita de que os beatos progressistas e globalistas têm receio.

São reflexos da húbris umbiguista e a velha e miserável técnica dos fracos lançarem anátemas sobre quem pensa de forma diversa e tem um diferente entendimento do mundo. Ao excomungarem Órban, revelam a vergonha que realmente têm pela Democracia e sobretudo o medo que têm da liberdade.

Em vídeo, a minha crónica de hoje está aqui:

Joshua

5 Abril, 2022

Tenho pena do Will Smith, mas, além disso, um sentimento de gratidão pelo que fez na cerimónia dos Oscars. Com o estaladão, mostrou-nos o que acontece quando vivemos com o espírito “redes sociais”: reacções imediatas, sem pensar, seguindo o instinto que nos foi sendo incutido e moldado para ficarmos por cima na solidão da nossa própria certeza na razão.

Havia algum motivo para o estaladão? Não, não havia. Nem há motivo para os constantes retweets sardónicos, para a violência que exercemos em manada perante o que consideramos burrice dos outros, pela pontificação constante e pelo culto do eu-cheio-de-razão com que educamos uma geração para que viva na constante ironia de não-causas. Todo o palavreado modernaço no seu bafio das micro-causas de paridade, igualdade, salvação do planeta (de quê, das nossas acções para o salvar pela destruição?), fobias variadas e -ismos de vão de escada.

Não bastava que Deus tivesse morrido, tínhamos também que matar a lembrança Dele dentro de nós? As redes sociais, na aparente “voz dada aos indivíduos”, tornou-os em engrenagens de uma máquina de atenção permanente para publicidade pela goela abaixo, tanto consumidores como vendedores por consignação da sinfonia de caixas registadoras criadoras da maior desigualdade de sempre entre os ricos – big tech – e os pobres – os proles “produtores de conteúdos” e consumidores de rancor.

O estaladão do Will Smith corresponde a 5 minutos de Twitter, a 5 minutos de Facebook, a 2 minutos de Instagram… Hordas de pessoas entretidas a linchar outros, sem qualquer contemplação pela humanidade destes, pela sua humanidade. Agradeço ao Will Smith o acto de se desgraçar em directo na televisão, para que outros vejam nele o exemplo a não seguir.

A strange game. The only winning move is not to play. — Joshua in War Games

CDS: O grupo dos amigos do noivo

4 Abril, 2022

No Observador escrevi sobre o congresso do CDS: Nas fotografias, qual grupo dos amigos do noivo, invariavelmente eles abraçam-se muito e riem ainda mais invariavelmente, com aquele ar de quem não só se acha o centro das atenções como está convencido que o mundo está suspenso à sua espera. O problema é que entretiveram-se tanto consigo mesmos que não perceberam que o evento que ali os levara já tinha acabado, que os demais protagonistas já tinham partido para as suas vidas e que noutros palcos outros cumpriam o papel que fora o seu. Não sei o que vai ser do CDS e muito menos o que vai ser o CDS. Mas acho que sei o que alguns esperam que o CDS ainda venha a ser: a comissão da candidatura presidencial de Paulo Portas. Politicamente falando, há formas de morte mais inglórias mas poucas tão cruéis.

“ton père est Portugais, ta mère est secrétaire”

3 Abril, 2022

Hoje o Figaro traz uma reportagem sobre Geoffrey Carvalhinho, apoiante e membro do staff da candidata Valérie Pécresse. Por cá ignoram-se as presidenciais francesas. Nem sequer o envolvimento de portugueses em diferentes candidaturas faz o qb para que se olhe para o que está a acontecer em França. Por sinal a campanha de Valérie Pécresse está a correr mal, muito mal mesmo. Mas o melhor será ler.

Todos em movimento…

3 Abril, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre a nova literatura de viagens, a que espelha o falhanço do país: Portas para Belém. Costa para a Europa. Rui Rio para a região Norte… E Portugal para onde vai? Para os últimos lugares da Europa.. Esta espécie de ficção sobre políticos sempre em trânsito não só nos distrai da realidade como se alimenta a si mesma. Afinal o país discute se António Costa vai ou não para a Europa, se Marcelo impediu Costa de ir para a Europa, se Costa vai ou não ignorar os avisos de Marcelo sobre a sua ida para a Europa… esquecendo o detalhe fundamental: não existe lugar algum à espera de António Costa na Europa!

O novo governo paritário

30 Março, 2022

O novo governo chefiado por António Costa toma posse hoje e é composto por 17 ministros e 38 secretários de Estado. Já sabemos, todavia, que é composto por um conjunto de personalidades que se notabilizam pela sua particular incompetência e especial bazófia.

A ignorância das matérias que tutelam não seria necessariamente uma má característica para um governante se fosse uma salvaguarda dos cidadãos de que o governo não se iria meter nas suas vidas. O problema é que a inabilidade dos socialistas que estão em posição de poder é de tal ordem que a desfaçatez com que tomam decisões tem invariavelmente empobrecido a maioria dos Portugueses e limitado paulatinamente as suas liberdades. Os poucos grandes grupos de interesses que têm beneficiado da governação de António Costa também sabem disto, mas tudo fazem para manter uma aparência de normalidade democrática.

Apesar disso, a composição deste governo de António Costa foi muito elogiada quer pelos comentadores arregimentados do costume, quer por várias pessoas da área política da suposta existente oposição. E o motivo deste louvor é ser o primeiro executivo paritário, com um número de mulheres ministras equivalente ao número de homens.

Se eu fosse progressista parecer-me-ia de uma arrogância ofensiva e até uma micro-agressão pressupor que fulano ministro ou sicrana ministra são seres cisgénero, ou seja, que assumem uma identidade de género idêntica ao sexo com que nasceram. Mas, passando por cima desta circunstância, confesso que veria com bons olhos este governo específico não ter uma única mulher. Isto pela simples razão de que, tendo mulheres, se demonstra que a falta de qualidade dos governantes não é exclusiva dos homens, que as más ideias socialistas também afectam as senhoras e que a inaptidão para o cargo é equivalente e aleatoriamente distribuída no partido socialista independentemente do sexo das pessoas.

Teria preferido ver uma bolsa de sanidade e decência entre as mulheres ao não aceitarem rebaixar-se e a equipararem-se a governantes como Costa, Pedro Nuno Santos, ou Fernando Medina. Sugerir que as mulheres podem ser tão estatistas e causar idênticos danos à vida dos Portugueses como estes homens é uma visão do mundo perturbadora porque duplica a probabilidade de escolha de maus governantes.

É que um governo socialista não é menos mau por ter mais mulheres ou maior diversidade de origem étnica ou religiosa dos seus membros. O que se deveria exigir a um governo moderno é que, independentemente da condição identitária e experiência de vida da sua equipa, administrasse a coisa pública sem a arrogância de pressupor que o executivo sabe melhor orientar a vida dos portugueses do que estes o fariam com a autonomia, responsabilidade e liberdade próprias das suas decisões individuais.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Fantástico

30 Março, 2022

Desculpem, mas perdi-me

28 Março, 2022

Aquela cena de pancada na cerimónia dos Oscars deve ser definida como “dois afro-americanos resolvem atraveś da violência heteropatriacal disputa machista em cerimónia concebida segundo a perspectiva de género e da diversidade”? Ou será melhor assim: “mulher de actor afro-americano assiste qual esposa branca passiva ao murro que o seu marido deu na cara de outro actor afro americano com o qual ela teria mantido relacionamento no âmbito do casamento aberto que ela e o agressor garantiam ter”?

Canadá dá lição ao Mundo de luta pela Liberdade

28 Março, 2022

A 22 de Janeiro deste ano iniciava-se uma grande marcha dos camionistas canadianos contra a imposição do passaporte de vacinação à covid para passar a fronteira canadiana. Numa manifestação de solidariedade nunca vista, os canadianos – vacinados e por vacinar – saíram todos à rua em apoio incondicional aos bravos motoristas que fizeram da sua luta uma guerra aberta, também, contra as restrições sanitárias que agonizavam o país há 2 anos consecutivos.

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Uma grande mentira e a grande ilusão

25 Março, 2022

No meu artigo de hoje na coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador, digo que «mesmo que já se tenham apercebido do mal infligido às pessoas (sobretudo os mais vulneráveis e desfavorecidos), obrigando à alteração de comportamentos e suspensão de projectos de vida com base em orientações e raciocínios enviesados que claudicaram ao medo e à pressão social, quase ninguém da classe dos especialistas, das hordas de zeladores de cumprimento da inédita etiqueta sanitária ou da catrefa de influenciadores twitteiros admite os erros grosseiros que cometeram e muito menos assume culpa da imoralidade de 24 meses de políticas e decisões que, ao contrário da narrativa prevalente, nunca foram baseadas na ciência.

Embora não se espere que venham a sentir vergonha na cara, esperemos, pelo menos, que o fracasso das suas teses já não possa ser encoberto e, se remorso de consciência não é algo que os pareça afectar, talvez a negação do perdão popular os faça ansiar pela indulgência divina.»

A grande mentira e a grande ilusão digo quais são no resto do artigo que pode ser lido na íntegra aqui:

Emergência sanitária

24 Março, 2022

Ontem ficamos a saber que o governo decidiu prolongar o estado de “situação de alerta” até 18 de Abril e que se mantêm inalteradas as “medidas” atualmente em vigor (para quem as queira cumprir), nomeadamente a obrigatoriedade legal do uso de máscara em espaços interiores públicos, serviços de saúde e transportes e incluindo a sádica sujeição de crianças a esta norma infame dentro das escolas.

Deve ser para «salvar a Páscoa»…

Entretanto, na minha crónica de ontem falo da artimanha do Presidente da República combinada com o Governo e que é uma iniciativa desbragada e perigosa de criação de um salvo-conduto para suspender direitos fundamentais a eito, evitando controvérsia e escrutínio acerca da privação das liberdades.

Então… é isso

23 Março, 2022

Quero deixar a todos os leitores um sincero pedido de desculpa. Apercebi-me do risco — diminuto, eu sei — de ter, ao longo dos anos, escrito qualquer coisa que fizesse um de vós pensar. Pior que isso, há o risco de ter influenciado alguém, o que, por remota que seja tal hipótese, é uma perspectiva demasiado assustadora para ser encarada de ânimo leve. No entanto, acho difícil que alguém ligasse ao que alguma vez escrevi — eu não ligaria —, restando-me esse alento altamente provável de primum non nocere.

Os últimos dois anos têm sido muito duros, com o aumento acentuado da submissão europeia à irrelevância no mundo e com a transformação definitiva de Portugal numa cleptocracia de pseudo-artistocratas falidos do partido único (eu sei que há vários, até mais que antes, mas salvo o PCP são todos iguais em… essencialmente tudo). Ideias peregrinas como a democracia têm sido moldadas até à total ostracização dos marginais da nova religião jacobina, aquela que é propagada diariamente na RTP, na SIC, na TVI, na CMTV, no Jornal de Notícias, no Público e n’O Observador.

Com os média a fazerem o pleno da viragem do apocalipse por covid para o apocalipse por russos, testemunhei que nós, os poucos que mantêm uma certa calma na confiança da desgraça que é (e sempre foi) a condição humana, perdemos qualquer lugar no mundo. Às tantas, nunca o tivemos. A populaça está de forquilhas na mão a exigir uma coisa qualquer — prostrar-se perante Biden, a Oprah e qualquer ideia de “ocidente” baseada em humanos como produtos comerciais através de redes sociais que nos impinjam mais merdas inúteis made in China (but “designed” in California!).

É para ir para a guerra pelo “ocidente” e pela “auto-determinação”. É, mas eu estou fora. Sei que tenho que escolher, e fiz a minha escolha: o meu lado é aquele em que vocês não estiverem. Quereis acreditar que o mal é o Putin e não um Putin, que o mal é o Hitler e não um Hitler, be my guests, escolham o vosso veneno. Eu escolhi o meu: onde vocês não estiverem, é onde eu estarei. Nada muda porque nada é suposto mudar: o mal somos nós e a salvação é individual. Assim me confesso: perdoai se influenciei um único de vós.

Agora vou mas é para a praia, enquanto há praia. Boa sorte para vós, mas, sobretudo, boa sorte para mim.

Resumo definitivo da guerra, Ageu, Zacarias e Malaquias e provérbios chineses

23 Março, 2022

As más companhias são como um mercado de peixe; acabamos por nos habituar ao mau cheiro.

Ao lado das vítimas

21 Março, 2022

Não sou entendida em guerras e por isso não estava nos meus planos escrever sobre a invasão da Rússia à Ucrânia. Mas a irracionalidade de alguns fundamentalistas à direita, não me deixou alternativa em defesa dos meus princípios e valores, depois de me dirigirem violentos ataques nas redes, numa tentativa de linchamento de carácter que não admito.

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Bandalheira socialista: dois exemplos

16 Março, 2022

A Ryanair anunciou o cancelamento de 19 rotas durante o verão no aeroporto de Lisboa entre as quais ligações a Madrid, Birmingham, Palermo ou Cracóvia.

Tudo isto porque o Governo em vez de libertar alguns dos chamados slots naquele aeroporto que a TAP não usa, prefere fazer birra mantendo esses slots “inutilizados” sem serventia para ninguém. A brincadeira vai implicar a perda de 150 postos de trabalho de aviação bem pagos, cerca de 900.000 passageiros deixam de transitar por estas bandas e abdicamos de 250 milhões de euros em receitas turísticas para Lisboa.

O governo e o radical esquerdista ministro da tutela não disseram nada sobre o tema mas mandaram o amestrado presidente do instituto público Turismo de Portugal dizer que não estava nada preocupado com a decisão da companhia aérea irlandesa porque no entender de Luís Araújo, “a maior parte dos mercados cancelados servem mais para levar mais portugueses para lá para fora do que para trazer estrangeiros para cá”.

Curioso é que quando a TAP abriu o ano passado as rotas para Agadir, Ibiza, Cancun ou Punta Cana, não se tenha levantado a questão de estarmos a beneficiar Marrocos, Espanha, o México ou a República Dominicana em vez de Portugal

Não sei se a razão de Luís Araújo dizer disparates deste calibre se fica a dever à sua condição de ex-aluno de Marcelo Rebelo de Sousa, ou de não se poder esperar algo diferente de alguém agradecido a Pedro Nuno Santos por lhe manter emprego. A verdade é que representando a TAP apenas cerca de 25% do turismo recetor no aeroporto de Lisboa, a vantagem de permitir à Ryanair operar voos para passageiros de alguns dos principais mercados emissores de turistas para o nosso país é evidente.

A histeria pateta com a covid e a guerra na Ucrânia têm enchido os noticiários e absorvido a atenção dos portugueses quase por completo. Porém, nalguns pequenos intervalos o governo precisa de colocar peões a divulgar as narrativas convenientes a António Costa para esconder a desgraça e total incompetência da sua governação.

O caso do cancelamento dos voos da Ryanair é apenas um exemplo, mas ilustro a bandalheira socialista também com a notícia de que os pagamentos em atraso do Estado a fornecedores disparam para 408,8 milhões de euros em Janeiro, mais 107 milhões do que no mês anterior. As faturas do Estado que estão há mais de 90 dias por liquidar aumentaram 35%. Isto apesar de no mesmo período se ter verificado um crescimento muito mais acelerado no valor dos impostos cobrados do que da despesa pública.
O Estado não é pessoa de bem. É caloteiro, invejoso e incompetente. Os governantes e os dirigentes da administração pública que alinham nesta pouca-vergonha atiram mais areia para os olhos dos Portugueses do que a tempestade Célia traz do deserto do Saara para os céus das nossas cidades por estes dias.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Blasfémia

16 Março, 2022

É preciso ter uma opinião, afinal está em risco a nossa própria sobrevivência como danos colaterais de uma explosão nuclear. A nova ordem religiosa assim o exige, que toda a “sociedade” – uma construção social – determine e publicite a sua posição acerca do conflito entre dois estranhos. Sendo a forma de publicitar a publicação nos meios de difusão de uma das partes, fica óbvio saber qual a doutrina a apoiar e consequentemente a papaguear. Redes sociais funcionam como a versão rasca da Mocidade Portuguesa.

A haver conflito nuclear, a culpa é da NATO, consequentemente da administração americana e da quantidade de países que agarrados ao hubris de terem o melhor modelo de cleptocracia. A ideia peregrina de criar uma Europa-América excluindo a Rússia, assente na superioridade do modelo de criação de riqueza para as elites e consequente distribuição de migalhas aos parolos vingaria também na Rússia quando “o ocidente” lhes mostrasse que pessoas bem posicionadas poderiam obter riquezas incríveis. Sim, os EUA criaram os agora chamados oligarcas russos, quando impingiram Yeltsin, o bêbado, de forma a distribuírem as nacionalizadas indústrias da URSS por “bons selvagens” que se renderiam ao modelo democrático ocidental. Leia-se: o modelo em que a ilusão da democracia existe nos eleitores pela escolha entre dois candidatos financiados pelos mesmos grupos de investimento (há gajos que ganham sempre às eleições, seja qual for o resultado; é extraordinário).

Desde Clinton que a Rússia tem servido para bombo da festa. Após a derrota económica, “o ocidente” (leia-se Estados Unidos) não parou de tentar avançar sobre a ferida Rússia, primeiro forçando a cedência de resistência à integridade territorial da união, depois incluindo estas novas repúblicas na sua esfera de influência sem qualquer benefício para estas excepto expô-las à condição de passíveis de invasão. Sim, é suposto a NATO proteger estados membros da Rússia, mas a inclusão de estados indefensáveis – é imaginar por onde entram exércitos em território lituano – tem um único propósito: humilhar o urso ferido.

Não há nenhum ângulo possível para a culpa de um conflito nuclear não ser atribuída à NATO excepto o do delírio ocidental de estes serem os maiores da cantareira, como qualquer aristocracia falida tende a mostrar. Há condições para uma Ucrânia independente – o que quer que isso seja, pois se Washington mandar até os pobres portugueses vão dar tiros com chumbinhos a zonas onde nem conhecem o inimigo –, mas não há lugar para uma Ucrânia que controle o acesso russo ao mar nem para uma Ucrânia integrante de bloco de ameaça à zona de influência russa. Porque quereriam as populações da Ucrânia tal coisa é algo que não lembraria à horda de idiotas que se limitam a papaguear kumbayas nas televisões embevecidas com o comediante de T-shirt entretido a armar civis para a morte santificada pelos Trudeaus deste planeta. Mas isso não interessa nada para o sentimento de indignação europeu, o território menos relevante do mundo que se sujeita e contenta a ser tratado como o velho duque demente que ainda pensa mandar em alguma coisa. “É a democracia!” Pobres tolos que vivem na sombra dos gigantes do passado, dedicados que estão a destruir a cultura que lhes foi dada como herança e que, como acontece normalmente com os netos do empresário, rebentam com todo o espólio no niilismo azeiteiro de hubris.

Sob qualquer prisma daqueles básicos que as pessoas gostam agora, com opinião de papa regurgitada – digamos antes “pré-mastigada” – a culpa é dos EUA: se a Rússia é a terra dos bárbaros maus e sanguinários, não se provoque os bárbaros; se a Rússia é o paraíso na Terra, não se queime o paraíso.

O que sobra é que, havendo conflito nuclear, só se perde o passado. O presente não vale mesmo nadinha. Se formos poupados ao conflito nuclear, ao menos que tenhamos o neurónio funcional para agradecer a Putin a cortesia, porque aos outros não falta a comichão de dedo para carregar no botão.

Nota: compreendo que esta posição seja demasiado ofensiva para o estado de toxicodependência moderno por esoterismo humanista, pelo que se quiserem não ser mais incomodados com posições blasfemas perante a religião das “democracias liberais” que não são nem uma nem outra, é só dizer.

Marginalidade

15 Março, 2022

Durante vinte anos, toda a gente, do neto à avó, foi preencher a pele com desenhos. O motivo principal apontado para isso pelos fãs de tatuagens é “expressar a minha individualidade”. Não me levem a mal: qualquer pessoa tem o direito de inscrever o que quiser no corpo; o que considero interessante não é que alguém goste ou não de tatuagens e sim o facto de que símbolos de marginalização§ passem para o mainstream. Outra coisa que passou para o mainstream foi a desgraça intelectual de que o Bem e o Mal podem ser definidos por regras redigidas pelos homens, para todos os efeitos ultrapassando qualquer noção de ética, decorrendo apenas da moral vigente. A máquina de tatuagem desta última é a televisão e as redes sociais e, ao contrário das tatuagens reais, não há laser que as remova.

Inscreve-se na moral vigente que a cleptocracia cronyista-capitalista é o Céu na Terra e qualquer acção terá que decorrer daí. É o próprio conceito de Bem Comum, definido pelos preceitos temporais da geração dominante. Vai daí, a total unanimidade de que a invasão da Ucrânia é moralmente censurável. Contudo, essa noção sobreviveria a um escrutínio ético independente do contexto temporal assimilado como o “fim da história”? Não creio. A história da Europa (e da Ásia) é a de conquistas e reconquistas, com uns a celebrarem as primeiras e outros a lamentarem as perdas. Portanto, sem um contexto histórico, e à luz da moral contemporânea, até D. Afonso Henriques pode levar o bigodinho de Hitler por maltratar os pobres do mouros que aqui viviam pacificamente numa “democracia estabelecida”.

Que se tome o partido de uma das partes no conflito entre Rússia e Ucrânia, até nem acho mal. Que se coloque a questão ao nível da moral só vos torna em pascácios de um tempo extremamente limitado que se recusa a aceitar a condição humana por sobrevalorização de uma papelada legalista, como se as leis fossem a transposição da ética — mas não são, são meramente da moral vigente — para o domínio dos übermensch. Seria possível defender o sistema americano sem enaltecer a visão imperialista de donos do mundo; seria possível defender a união comercial de países da Europa sem enaltecer a visão horripilante de um bloco afegão que serve para guerras por procuração. Tornar a UE numa Nicaragua deveria fazer tremer qualquer um, no entanto, moralmente, tudo o que nos interessa é alguém que nos pague os desmames nem que isso se repercuta em obrigações éticas inexistentes.

Para mim. é totalmente indiferente se a Ucrânia existe ou se é parte da Federação Russa. Também me é totalmente indiferente ser português, galego ou suevo. O que eu queria era paz e prosperidade para a minha geração e para a dos meus filhos, mas parece que vocês têm outras ideias. E tal como com as tatuagens, como não tenho nenhuma, agora sou eu quem se tornou no marginal por dizer o óbvio.

§ Marginal não é um indivíduo mau: até há pouco tempo o marginal seria alguém que não encaixa num perfil mediano, que tanto poderia ser o de poeta como o do bêbado anarquista. Aliás, a utilização do termo “marginal” para bandido decorre directamente da visão de Rousseau, a de que todos são lindos e fofos, sendo o mundo que os leva a ser ovelhas tresmalhadas.

Constatações

14 Março, 2022

Quando os bons tiveram que dizimar Hiroshima e Nagasaki, nós compreendemos. Felizmente, até hoje, nenhum dos maus teve a maldade de usar bombas nucleares. A serem usadas, que seja sempre pelos bons.

O socialismo assistido

13 Março, 2022

Hoje no Observador trato do socialismo assistido. Aquele que não trata das expectativas num futuro melhor mas sim de que ideologicamente sedados suportemos a degradação da nossa vida. «O Autovoucher é mais um produto na montra do socialismo assistido. Em 2016, o Governo de António Costa resolveu anunciar o fim da austeridade. Esse final passava, entre outras coisas, pelo fim da taxa extraordinária de IRS. Ora como o Governo não abdicava da receita fiscal tinha de ir buscar o dinheiro a algum lado. Onde? Às bombas de combustível que é o mesmo que dizer ao Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP). E assim, no meio da celebração do fim da austeridade e envolto na patetice beata do discurso da descarbonização que levou a que se olhasse para a tributação dos combustíveis como se se estivesse a falar de impostos sobre o tabaco ou o jogo (como se deixar de usar combustíveis fosse uma opção como deixar de fumar!) todos os portugueses — até aqueles cujos baixos rendimentos os tinham isentado de pagar sobretaxa de IRS! — começaram a pagar mais impostos. Simplesmente isso acontecia de forma indirecta quando abasteciam o automóvel. »

Palavra do dia

11 Março, 2022

oligarquia n. f. 1. Sistema de governo em que há a preponderância de uma família ou de um grupo restrito de pessoas. 2. Poder exercido por um pequeno grupo de pessoas que age em seu próprio benefício. 3. Grupo restrito de pessoas que tem essa preponderância ou esse poder.

in https://dicionario.priberam.org/oligarquia


O engodo estatal da habitação acessível

9 Março, 2022

O Estado é proprietário de um vastíssimo parque de terrenos e edifícios que estão devolutos ou abandonados, alguns há várias décadas. Em 2019 o governo, finalmente, lá decidiu tentar arranjar uma solução para rentabilização destes imóveis que, pelo menos em parte, passaria pela sua venda.

O Estado é um péssimo senhorio e esta iniciativa seria apenas uma forma minimamente decente de acabar com a delapidação do património, uma tentativa de indemnizar os contribuintes pela perda de valor dos activos e uma forma de terminar com o empate de dinheiro de impostos retirados aos portugueses em coisas sem qualquer utilidade.

Mas logo veio o Bloco de Esquerda, partido que se notabiliza por ser frequentado por políticos intelectualmente desonestos e manipuladores mal-intencionados, e convenceu facilmente o ministro Pedro Nuno Santos (uma espécie de infiltrado bloquista no governo) a reverter essa decisão. Por isso, em vésperas das últimas eleições autárquicas o Conselho de Ministros mudou de opinião e decidiu afinal atribuir a um instituto público a tarefa de desenvolver o que chamou de “soluções habitacionais” em vários destes imóveis.

É assim que por exemplo no Porto, com surpreendente apoio da autarquia local (supostamente não-socialista) mais dinheiro dos contribuintes vai ser enterrado em vários edifícios militares há muito sem uso para, dizem, criar habitação acessível.

Ora, sabemos que o ministro Pedro Nuno é contra a redução da carga fiscal no imobiliário porque acha que isso não é solução para aumentar a oferta ou permitir preços das casas mais baixos e diz que os malvados dos promotores privados só constroem empreendimentos de luxo porque é o segmento de mercado onde há procura. Acrescenta também o radical governante que a razão do atraso do país no sector da habitação é a falta de mais Estado.

Os portugueses que acreditam nestas teorias delirantes parecem sofrer de dissonância cognitiva ao atribuírem culpas aos agentes errados e quererem resolver os problemas com a sua causa. Assim é por exemplo quando o povo se queixa do elevado preço das casas e da falta de habitação acessível. Num apartamento que se venda por 170.000€ o Estado abarbata ao longo de toda a cadeia de valor da promoção imobiliária mais de 70.000€. Ou seja, o Estado mete nos seus cofres 40% do valor de venda das casas, mas muita gente atribui esta roubalheira à ganância dos promotores imobiliários.

A acessibilidade do preço da habitação não se decreta por lei nem os custos de construção baixam através de varinhas mágicas, como julgam os líricos ou ignorantes governantes e autarcas. Enquanto o Estado não abdicar da brutal carga de impostos que faz incidir sobre um sector onde necessariamente há grande volume de investimento (e por isso apetitoso para cobradores de impostos), os promotores privados apenas conseguem ter um mínimo de rentabilidade vendendo casas a gente rica ou a estrangeiros.

A enorme carga fiscal, a gigante burocracia e regulamentação e a incerteza jurídica e legal no sector, são um enorme travão ao investimento em habitação para a classe média e baixa porque tornam o custo final da construção superior ao preço de venda que os cidadãos podem pagar, embora haja (ao contrário do que diz o ministro) muita procura para este segmento residencial.

Sucede que enquanto o Estado continuar a distorcer o mercado, desalinhando a oferta da procura com sucessivos incentivos e desincentivos artificiais o tema da habitação serve para o debate político, mas não dá casa aos portugueses.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Ide mas é meter gasóleo 25 cêntimos abaixo do preço daqui a 15 dias em vez de lerem isto

9 Março, 2022

Às vezes pergunto-me porque escrevo coisas, seja nas redes sociais, seja neste espaço, seja para ficar na gaveta. Algumas pessoas têm uma resposta bastante prática, se bem que pueril, para esta questão: porque se sentem particularmente vocacionados para educar os outros; para mim, a resposta foi sempre uma: para deixar aos meus filhos um registo daquilo que pensei, para que concluam, num futuro após a minha passagem, que o pai pensava como uma besta ou como um tipo fixe. Admito perfeitamente que seja a primeira opção, mas estou certo que, sendo qualquer uma delas ou suas variantes, será sempre acompanhada da referência “nem parecia um homem do seu tempo”, mesmo que isso indique que o meu tempo por eles percepcionado seja o de Cro-Magnon.

Os custos de escrever coisas fora da caixa começam a acumular. Nunca se sentiu tanto o desejo da turba em ser amada pelo maior número de pessoas possível. Dos emojis aos beijinhos a despropósito em emails, somos uma sociedade que precisa mostrar que pensa em barda como se fosse uma única mente unificada. Porventura, pensar aquilo que lhe é dito ser o correcto, seja pela “ciência” (que agora designa tudo que seja hubris), seja pela televisão onde a consomem.

Fact-checkers: inventores de narrativas que criam factos e zeladores que invalidam os factos criados pelos concorrentes assim como da própria realidade

Em “Infinite Jest”, David Foster Wallace mencionou um filme que entretem tanto que é viciante, tão viciante que faz pessoas perderem interesse em tudo o resto, levando inevitavelmente à morte. Kurt Cobain escreveu uma linha que poderia ser o seu epitáfio: “here we are now, entertain us”. A Brigid Delaney, no Guardian (sim, sim, uma vergonha, o Cunha lê merdas da esquerda e depois vira comunista a apoiar o Putin com amor e fervor em vez de amar o bailarino-comediante testa-de-ferro que está a conduzir ucranianos ao martírio enquanto clama pela guerra mundial), elabora sobre o tema de forma bem superior à que eu seria capaz: David Foster Wallace was right – even in paradise we need the internet.

Hoje, com o mundo todo a fingir-se de virgem ofendida com a invasão da Ucrânia, tratando ucranianos como todas as outras coisas com se tem vindo a fingir de virgem ofendida — “é o racismo!”, “é o dia da mulher§”, “é igual casar com uma mulher ou com um pelotão de infantaria, para não dizer com logo com três caniches e um elefante” — é virtualmente impossível encontrar tipos como eu, que não adaptam o que pensam ao que nos dizem que fica bem pensar. Inamovível desde o início, mas não imune ao vício de pontificar como diluição entre entretenimento e uma bizarra moral, vou ficando sozinho no meu cantinho sem a necessidade do amor de estranhos.

Whoever you are, I have always depended on the kindness of strangers. — Blanche DuBois

Quando comecei nestas vidas, metade das pessoas era contra o casamento gay; números tão elevados como 2/3 seriam contra a adopção por casais do mesmo sexo. Hoje toda a gente, do Papa ao seu marionetista, é a favor da eutanásia, a começar, aparentemente, pela dos russos. Presos a noções tão desfasadas no tempo como socialismo ou liberalismo, caminham alegremente para um feudalismo teocrático que tem como bispos indivíduos como Elon Musk, Zuckerberg ou Bezos. As sanções ridículas de outrora são agora abraçadas num deathwish que Wallace e Cobain já ilustraram e apenas olhando para televisão, num tempo em que a internet era quase inexistente. Tivessem durado o suficiente para conhecer a internet de 2022 – que é tudo, incluindo qualquer transacção bancária – e suicidar-se-iam com a certeza do absurdo.

Deus morreu no ocidente, sem qualquer dúvida. Mas as religiões, essas nunca foram tão dominantes como agora, principalmente a do mundo jacobino, ainda sem nome. Provavelmente sem nome durante o tempo que durar: se não tem nome é porque não existe, dirão. Pelo contrário, a ausência de nome é garantia da aceitação da doutrina sem reservas.

Tudo isto para dizer que pouca diferença faz se esta é a IIIª Guerra Mundial ou se é a próxima. Se sobrevivermos agora estamos condenados a destruir-nos com entretenimento. O mesmo que nos cola à televisão agitando bandeiras amarelas e azuis nos perfis que o Zuckerberg nos concedeu para que alimentemos o vício que temos pela antecipação da nossa morte.

§ O dia da mulher é das coisas mais abjectas que nos lembramos celebrar, ao nível do “mês da cultura negra” ou de qualquer outra treta que nos tente formatar de forma subliminar que, sem a sua celebração, seria perpetuada a menoridade do celebrado; no mundo moderno até levanta a questão do que é ser uma mulher pela horda de chanfrados que subsistem, graças aos avanços tecnológicos, como membros da espécie desafiando Darwin.

É sempre o messias errado

8 Março, 2022

Tão cegos com o palhacito armado em Rambo, respondendo a perguntas tão bacocas como se vale a pena morrer pelo país – qual? Este, que compra gasolina em marcos? –, o tuga segue alegremente o lema de que uns traços num mapa valem mais do que a vida das pessoas. Ninguém quis saber da Ucrânia, entregue a um conflito interno há quase uma década, para mencionar apenas o último, até que as milícias das suásticas lhes venderam a ideia bizarra de que autodeterminação de um povo está relacionada com pertença a um clube de burocratas e ao exercício de humilhação ao maior país do mundo.

A primeira obrigação do vencedor de uma guerra é assegurar que o perdedor não sai humilhado. Isso dá-se no 9º ano. E se não dá, devia ser dado, mas isso diz mais sobre a falta de qualidade do ensino do que sobre a tendência em emprenhar pelo ouvido qualquer palermice avançada nas televisões, que é só uma consequência da primeira.

A primeira função de um governante é assegurar a segurança dos governados. Zelensky está a arrastar os seus para uma carnificina. Pouca diferença faz se uma pessoa morre convencida de que tem razão ou se morre obrigado com uma arma estrangeira na mão. Apoiantes do indivíduo em questão, em terras longínquas como a nossa, seriam, como sempre, os primeiros a apresentarem-se perante o pelotão de fuzilamento caso a estratégia de aniquilação do povo ucraniano funcionasse. Mas mal seria se alguém aprendesse alguma coisa neste mundo desprovido de Deus.

Deixo os comentários abertos aos diferentes Rambos de sofá que têm o Braveheart como filme preferido.

24 de Fevereiro de 2022

7 Março, 2022

A Rússia invadiu a Ucrânia. À tarde, natação.

Brinco, claro, 

plágio kafkiano atrevido e bem sonoro,

piadinha sem graça temperada com cloro.


As partes, por cá, parecem bem delimitadas:

meia dúzia de literatos distraídos,

sem dúvida pertencentes ao luso escol,

estão pelo Império Russo que veneram,

a pátria de Turgueniev e de Gogol.

Outras saudosistas personagens, 

encurraladas numa ideologia caquéctica,

importaram do ecrã o “Adeus, Lenine!” 

e apoiam a Moscovo soviética.

O terceiro grupo, gigantesco, é o dos guerrilheiros de sofá:

forte, corajoso e suportado por um infalível plano, 

está disposto a lutar contra a Rússia até ao último ucraniano.

Ucrânia e dissidência de opinião

2 Março, 2022

A invasão ilegal e criminosa da Ucrânia por parte de Putin revelou não só a coragem do Presidente Zelensky, como agregou grande parte do mundo em torno da única posição que uma pessoa decente pode tomar em relação a este conflito, que é a de condenação absoluta da agressão perpetrada pelo presidente da oligarquia russa e de solidariedade total para com o povo ucraniano.

A partir daqui a gestão política da crise, e em especial as respostas que os países da NATO devem dar à situação, não é evidente, nem trivial, nem isenta de discussão ou crítica.

Todavia, dos decisores políticos e em grande parte da opinião pública nacional, parece haver tendência para cometer de novo um dos principais erros cometidos durante a agora temporariamente defunta pandemia de covid, que é o de considerar imoral qualquer opinião divergente, desonesto propor acções alternativas ou escandalosa qualquer dúvida ou cepticismo que se possa ter em relação às narrativas do governo ou discurso dos inúmeros especialistas que dão opinião nas televisões e redes sociais com o mesmo tipo de certezas e bazófia dos epidemiologistas da DGS.

Um recente sinal da continuação desta mentalidade tacanha e fascistoide foi o anúncio feito pela presidente da comissão europeia de que os governos irão proibir o acesso na Europa aos meios de comunicação social controlados pelo Estado russo e que os governos europeus vão desenvolver ferramentas para banir aquilo que considerem desinformação e propaganda russas.

Ora: não há puros nem santos, nem na Rússia nem na Ucrânia. E, que eu saiba, a comissão europeia não recebeu a graça da unção divina de ser zelador e definidor do que é a Verdade, una e completa.
A barbaridade desumana de Putin não isenta as populações e a opinião pública em geral da responsabilidade de analisar criticamente as opções e decisões políticas que afectam ou podem afectar directa ou indirectamente os países e, em particular, as suas famílias. Como aliás não autoriza a comissão europeia nem nenhum governo a tratar os seus cidadãos como burros, crianças ou incapazes.

Os nossos interesses e sobretudo os nossos valores civilizacionais, especialmente em cenários de confronto envolvendo potências nucleares e líderes sem escrúpulos, não se defendem nem compadecem com reacções epidérmicas sinalizadoras de virtude, manifestações de suposta superioridade moral e muito menos com exibição de valentias expondo terceiros aos seus riscos.

Ponderar as consequências das acções e ter humildade de reconhecer que nem tudo se pode antecipar não é tibieza, mas apenas poderá fortalecer e tornar mais robustas as decisões que se venham a tomar. É respeitar quem está a morrer e quem pode ser vítima.

Se nos insurgimos contra uma clara violação do direito internacional e da democracia com a invasão russa da Ucrânia, não é esquecendo os princípios de tolerância democrática e convivência com a pluralidade e dissidência de opinião no nosso país que ganharemos a guerra.

O meu vídeo de hoje, aqui:

O síndroma do bicho da seda

27 Fevereiro, 2022

Hoje no Observador escrevo sobre a nossa civilização casulo:” Podemos agora amaldiçoar Putin mas ele apenas se aproveitou das fragilidades a que nós mesmos nos conduzimos. Durante décadas construímos uma civilização-casulo. Ou seja um mundo suficientemente rico para pagar a outros para que não o ataquem. Mesmo agora em 2022, se Putin se tivesse “limitado” a apoiar militarmente a criação das repúblicas de Donetsk e Lugansk, seria muito provavelmente o convidado de honra da cerimónia de inauguração do Nord Stream 2. Tanta imprevidência nesta Europa foi possível porque as reputações constroem-se a partir de discursos sobre as intenções e não sobre os factos. “

Até quando?

26 Fevereiro, 2022

80 anos depois a URSS em construção

25 Fevereiro, 2022

Capa da revista URSS EM CONSTRUÇÃO, 1940: Ucrânia e Bielorrúsia

Mas tudo passa, já dizia o Nelson Ned, que ele próprio já passou

25 Fevereiro, 2022

Agora somos todos Ucrânia. Não falta quem não sinta no seu âmago a mais profunda identificação com os oprimidos longínquos, conjugando a dor pelos outros com a condição de aceitação de que entidades como a DGS emitem normas para cumprir. Às vezes pergunto se somos todos Portugal. Rapidamente constato que sim: ser Portugal é sentir as dores dos outros, porque sentir as nossas próprias poderia ser demasiado perturbador.

Isto é para rir ou para chorar?

24 Fevereiro, 2022

“O PCP sublinha, ao mesmo tempo, as declarações de Putin que, refletindo a posição da Rússia como país capitalista, desferem um ataque à União Soviética e à notável solução que esta encontrou para a questão das nacionalidades dos povos e suas culturas”

Tensão na Ucrânia e orgulho para Portugal

23 Fevereiro, 2022

Apesar de tudo, os Portugueses ainda vão tendo motivos de orgulho e o mundo não seria o mesmo se não tivéssemos um conterrâneo a liderar as Nações Unidas. António Guterres é um secretário geral da ONU “excecional” e representa “tudo aquilo que prestigia Portugal no mundo”, pelo menos é esta a opinião do Presidente da República, um septuagenário que se notabilizou por dar frequentes entrevistas semi-nu para a televisão enquanto seca a água das nádegas depois de mergulhos no mar.

Depois da sua assolapada paixão nacional pela educação, Guterres dedicou-se às melhores causas internacionais, próprias das miss-mundo urbano-beatas: do feminismo e anti-racismo, às alterações climáticas que nas palavras do nosso ex primeiro-ministro era a “mais importante e imediata ameaça à vida humana”. Isto até aparecer a covid 19. Aí Guterres passou a achar que o clima podia afinal esperar e que a Humanidade deveria passar a ter “apenas uma luta”: o “combate” à covid 19, numa espécie de fantasia quixotesca para sinalizar virtude e enganar simplórios. Chegou até a recrutar 110.000 “influencers” para espalhar nas redes sociais aquilo que considerava ser a sua verdade, certa e conveniente, sobre o vírus e a doença.

António Guterres nunca foi bom a aritmética nem em contabilidade pelo que o que pagou a esta rapaziada não lhe perturbou o sono. Assim como continua a dormir tranquilamente acumulando a pensão vitalícia superior a 4.000€ mensais paga pelos contribuintes portugueses ao seu salário anual de 200.000 euros de alto-dirigente da ONU, organização que por sinal sofre de seríssimas dificuldades financeiras.

Mas o que gostaria mesmo de destacar nesta crónica é que nas últimas semanas e dias ficou cristalino o papel absolutamente fundamental de Guterres e da ONU para garantir a paz na Ucrânia. Como se viu, nenhum líder político mundial deu algum passo ou fez alguma diligência sem consultar previamente Guterres. Os chefes de estado estiveram todo este tempo expectantes acerca do que António teria a dizer ao planeta. E Guterres não desiludiu: declarou-se “profundamente preocupado” com os acontecimentos.

Esta tensão entre a Rússia e a Ucrânia é mais um episódio que avoluma o número de pessoas que se questiona sobre se a ONU serve hoje algum propósito relevante e práctico no mundo das relações internacionais. Mas pelo menos ficamos com certezas acerca da utilidade de Guterres.

A minha crónica de hoje, aqui:

O PCP não apoia Putin, está muito para lá de Putin

23 Fevereiro, 2022

Sessenta anos depois Estalinegrado vive. Onde? No Avante. José Diogo Quintela leu o Avante e descobriu que A nostalgia de Putin pela União Soviética só tem par na saudade que o PCP sente desses tempos gloriosos. Saudade que, apesar de tudo, ainda vai sendo mitigada através das viagens que organiza e anuncia no Avante!, como descobri no exemplar que comprei. Por exemplo, em Maio prepara-se uma excursão a Leninegrado e, em Novembro, a Estalinegrado. Note-se que Leninegrado não se chama assim desde 1991 e Estalinegrado desde 1961.