Quando a Ideologia faz de Polícia.
Tivemos nos últimos dias novidades acerca de um homicídio em que um membro de uma comunidade religiosa fundada entre a Índia e o Paquistão, assassinou à facada um jovem estudante branco de 18 anos.
A tragédia é ainda mais inquietante porque o assassino acusou a vítima de racismo e a polícia aceitou imediatamente esta narrativa. Em vez de prender o criminoso os agentes algemaram a vítima que se encontrava esfaqueada prostrada no chão e ignoraram os seus pedidos de socorro.
O caso Henry Nowak aconteceu no Reino Unido, mas a forma como as instituições reagiram aos acontecimentos traz também lições relevantes para Portugal.
O dever de qualquer polícia é distinguir o agressor da vítima através da evidência disponível naquele momento, e não através de narrativas previamente interiorizadas sobre grupos sociais. Mas os agentes em vez de observarem primeiro os factos concretos e usarem de elementar bom-senso, actuaram com base em interpretações sociológicas sobre suposto racismo estrutural, discriminação sistémica e discurso de ódio.
Em Portugal este fenómeno observa-se, por exemplo, nas escolas, em que directores e professores se sentem condicionados por receio de exposição mediática, queixas formais ou polémicas nas redes sociais. Perante conflitos disciplinares, problemas de integração ou questões culturais sensíveis, adoptam procedimentos padronizados que minimizam o risco de críticas, em vez de procurar encontrar a melhor solução para cada caso concreto.
Também as universidades passaram a fazer uma gestão preventiva de sensibilidades, elaborando códigos de conduta e protocolos de linguagem em vez de serem a casa do confronto livre de ideias e opiniões. Ou ainda situações em que diversas entidades optam por cancelar eventos, reformular programas ou emitir comunicados preventivos porque receiam a controvérsia perante questões identitárias, culturais ou políticas.
Numa sociedade livre, a justiça depende da capacidade de olhar primeiro para a realidade e apenas depois para teorias e narrativas ideológicas. O dever das instituições é avaliar cada pessoa como indivíduo e não condicionar a sua actuação a grelhas identitárias e categorias abstractas colectivas que distorcem e subvertem a realidade da vida em sociedade.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

