Yellowstone: uma série contra o «progresso».
Tenho seguido a série Yellowstone numa plataforma de streaming. Kevin Costner protagoniza o papel principal. A série é especialmente interessante pela sua narrativa profundamente incómoda para a sensibilidade social hoje dominante, e o modo como grande parte da nossa actual sociedade vê o mundo e a vida.
John Dutton é o personagem central, patriarca de uma poderosa família de proprietários rurais no Montana, confrontada com pressões políticas, económicas e culturais sobre o seu vasto rancho num enquadramento de western contemporâneo.
No enredo de Yellowstone a família Dutton faz uma defesa crua e brutal dos valores da propriedade, família, autoridade e responsabilidade de cuidar do lar entre as gerações que os precederam e queles que lhes sobreviverão. A terra e o rancho são a identidade e o dever de cada elemento desta família.
Esta visão colide com a narrativa dita progressista e de modernidade globalista com que todos os dias somos martelados nos nossos empregos, no contacto social, nas universidades, nos jornais e televisões e até dentro das nossas próprias casas. Yellowstone dramatiza o desenraizamento de uma comunidade que rompe com a tradição. Em vez de mais liberdade, isso torna a sociedade um espaço onde ninguém pertence a nada e quem a governa não responde a ninguém. Ao invés, Yellowstone é um drama sobre responsabilidade, onde há conflito, hierarquia, culpa, lealdade e tragédia.
Yellowstone não é panfletária, mas recusa o registo woke da esmagadora maioria das séries e filmes recentes de linguagem politicamente correcta, sempre cheios de moralismos simplistas e personagens desenhadas para cumprir quotas de inclusividade.
Os protagonistas de Yellowstone estão longe de ser virtuosos, mas também não se escondem atrás de desculpas estruturais ou sistémicas. Os Dutton agem, falham e pagam o respectivo preço das suas opções. Isso dá-lhes dignidade, ao contrário do que acontece na nossa actual dominante cultura de vitimização, reflexo da decadência contemporânea.
A autoridade do protagonista John Dutton não é asséptica, nem perfeita, nem liberal no sentido moderno do termo. Ela existe por instinto de sobrevivência e por ser necessária porque a ordem continua a ser preferível ao caos legitimado em nome do progresso.
Talvez uma das ideias mais interessante de Yellowstone é a de que numa civilização que perde confiança nos seus próprios fundamentos e valores, nem o Estado nem o mercado podem substituir a cultura moral que sustenta uma sociedade livre.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

