Fantochada no Dia do Trabalhador
No 1º de Maio, tivemos o estafado folclore ideológico a pretexto das comemorações do Dia do Trabalhador, que representa hoje apenas uma narrativa profundamente desfasada da realidade económica contemporânea.
A visão marxista de uma oposição estrutural entre trabalhador e empregador é totalmente desmentida pelos factos históricos. As sociedades prosperam e criam riqueza através da cooperação entre capital, trabalho, conhecimento e iniciativa empresarial, num ambiente de instituições livres. O desenvolvimento não vem do conflito permanente entre classes.
Mas a retórica sindical insiste no imaginário de que aquilo que o empresário ganha é retirado ao trabalhador e aquilo que o trabalhador conquista só pode ser arrancado ao capital. O empresário é visto como suspeito moral e um explorador malicioso. Ora, a pantomina discursiva desta gente poderia ser apenas intelectualmente preguiçosa, mas infelizmente é economicamente destrutiva, favorece ressentimentos e fomenta antagonismo político organizado.
A narrativa da opressão dos trabalhadores oferece um culpado fácil, simplifica relações complexas e alimenta uma cultura de reivindicação contínua. Mas em vez de promover responsabilidade, autonomia e criação de valor, incentiva uma mentalidade de dependência moral e política que serve apenas o propósito de tentar justificar a existência de estruturas sindicais, que além de não serem representativas dos trabalhadores, parecem fósseis do tempo da revolução industrial.
Todavia o mundo mudou. A abstracção ideológica do proletariado contra o patronato já não consegue esconder o facto de salários reais sustentáveis não surgirem de slogans, manifestações ou decretos políticos, mas de produtividade, investimento, acumulação de capital e inovação.
Por isso, o teatro e encenação das comemorações do 1º de Maio mobilizam mais activistas políticos do que trabalhadores propriamente ditos. É um circo inteiramente legítimo, mas tem um enredo intelectualmente débil que a realidade da vida concreta das pessoas teima em desmentir.
A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:


O ideólogo de esquerda vê-se em cargo público para a vida, com poder e sem grande esforço.
Ao assalariado induz-lhe conceito equivalente: emprego para vida acomodada e sem grande esforço.
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Exactamente o “delírio burocrático dos portugueses”, como diagnosticado por um fulano que os topava à distância.
(os googles andam lobotomizados, debitam inanidades confabuladas e não encontram uma citação simples; tive ir buscar uma nota : http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2014/01/os-cursos-superiores-sao-inuteis.html?showComment=1389918999982#c2833168118380653095 )
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O ideólogo de esquerda vê-se em cargo público para a vida, com poder e sem grande esforço.
Ao assalariado induz-lhe conceito equivalente: emprego para vida acomodada e sem grande esforço.
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Caro Senhor
Retratou perfeitamente o posicionamento dos participantes no mercado de trabalho (para alguns). Receio que tenha regredido muito, encontrando-se ao nível do relacionamento que existis há mais de um século atrás, com bombas e revoluções a serem usadas como forma de “negociação” de trabalhadores.
Mas agora está em regressão: é pior.
Cumprimentos
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