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Mais orçamento, mais imposto.

29 Abril, 2026

O Parlamento Europeu aprovou por larga maioria pressionar os países-membros a aumentar o orçamento comunitário em 10%, com mais despesa efetiva, recusando cortes nas políticas tradicionais de coesão e agricultura, e exigindo mais financiamento.

O comportamento dos eurodeputados portugueses é particularmente esclarecedor. Votaram a favor o Partido Socialista, o Partido Social Democrata e o CDS. Votaram contra o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.  PS e PSD não só aceitam como promovem activamente mais despesa, mais intervenção estatal e maior carga fiscal. Os partidos mais à esquerda destes queriam ainda mais forrobodó à custa do contribuinte.

Já as abstenções do Iniciativa Liberal e do Chega revelam a tentativa destes partidos em fugir a tomar uma posição clara sobre a matéria. São um exercício clássico de evasão política, suficientemente críticos no discurso para agradar ao eleitorado, mas suficientemente neutros para não assumir o custo de um voto contra.

Evidentemente o aumento do orçamento da União Europeia vai traduzir-se em novos impostos europeus que não serão assumidos como tal e que serão apresentados como inevitabilidades técnicas e virtuosas, desde taxas digitais, a contribuições sobre jogos online, passando por mecanismos de ajustamento carbónico, e outras singularidades do género, tudo embrulhado numa narrativa de modernidade e sustentabilidade.

Este verdadeiro saque fiscal diluído em “taxas e taxinhas” europeias, cuidadosamente desenhadas para serem pouco visíveis, pouco compreensíveis e, sobretudo, pouco contestáveis, não resultam de um mandato democrático direto nos Estados-membros. Não foram sufragados em eleições nacionais, não foram debatidos de forma clara perante os eleitores e não resultam de uma escolha livre e consciente dos contribuintes de cada país.

No Parlamento Europeu, a instituição que deveria representar directamente os cidadãos, Sebastião Bugalho e Marta Temido são os rostos do PSD e PS que patrocinam às claras a dissonância democrática e a perversão do projecto europeu. Mas Cotrim de Figueiredo e Tânger Correia surgem na fotografia como os rostos da cobardia e hipocrisia política, criticando apenas retoricamente a expansão de Bruxelas, mas permitindo na prática a crescente invasão do Estado e das organizações supranacionais na esfera privada das pessoas concretas.

A pouca-vergonha dos políticos e burocratas privilegiados acontece sempre à custa de quem paga as contas. Não é isto extremismo e uma sociedade iliberal?

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

5 comentários leave one →
  1. silvares1945's avatar
    silvares1945 permalink
    30 Abril, 2026 06:15

    Bravo.

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  2. balio's avatar
    balio permalink
    30 Abril, 2026 09:07

    Muito bem.

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  3. Iletrado's avatar
    Iletrado permalink
    30 Abril, 2026 20:11

    Bravo.

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  4. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    1 Maio, 2026 11:52

    Bem visto!. Mas desde que se tenha um cravo na lapela (não interessa a cor) a malta não contesta, pois é para o bem comum (repetir este último mantra a cada hora, caso não o faça é porque é de extrema-direita+).

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  5. passante's avatar
    passante permalink
    4 Maio, 2026 18:27

    Têm inteiramente o que merecem. A CRP proibe liminarmente a censura, a UE caga um regulamento a impor censura, ninguem tem nada a dizer.

    A partir daí, repara-se que estão a gozar com o gado, e borrifa-se …

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