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Corina Machado vs Luis Montenegro

22 Abril, 2026

A visita de María Corina Machado a Lisboa não é um episódio diplomático banal.

Em Espanha María Corina Machado recusou, de forma clara e deliberada, encontrar-se com o primeiro-ministro Pedro Sánchez. Esta recusa resulta de um juízo político severo acerca do dirigente espanhol, mas também de grande parte das lideranças internacionais que se transformaram numa elite confortável e politicamente ambígua, indulgente com o autoritarismo quando este surge revestido de afinidade ideológica, e perigosamente disposta a diluir os princípios do Estado de direito em nome de conveniências tácticas.

Pedro Sánchez e Luiz Inácio Lula da Silva são hoje símbolos de uma profunda degradação dos critérios que sustentam a democracia liberal. Politizam as instituições, instrumentalizam da lei e governam para além dos limites constitucionais. Têm uma escandalosa complacência perante regimes autoritários, ditaduras brutais e sistemas políticos que assentam na repressão, na fraude e na violência. E, pior ainda, contemporizam e apoiam de forma mal disfarçada actores do universo do extremismo violento e do terrorismo.

É por isso que María Corina Machado escolhe com quem fala. E, mais importante, escolhe com quem se recusa a falar. Há da parte dela dignidade e clareza políticas. Aqui, o contraste no modo como a União Europeia e também Portugal encaram a política e a defesa dos princípios éticos e morais das nossas sociedades torna-se evidente e desconfortável para os dirigentes portugueses.

Ainda ontem assistimos a uma receção calorosa a Lula da Silva, tratado como um parceiro fraternal e quase um modelo de virtude. Recentemente vimos também o secretário geral do Partido Socialista integrar com entusiasmo circuitos políticos internacionais onde a retórica da democracia e da liberdade convive, sem pudor, com a tolerância face a regimes que as negam.

Quem como Maria Coria Machado viveu sob um regime autoritário reconhece os sinais e antecipa as consequências devastadoras de uma linguagem política que encobre tiranetes e das alianças internacionais que corroem a dignidade humana.

A presença de María Corina Machado em Lisboa é um espelho implacável. De um lado, uma líder que recusa legitimar aquilo que considera politicamente corrupto e moralmente inaceitável. Do outro, aqueles que confundem diplomacia com condescendência, e pragmatismo com abdicação de princípios.

As sociedades não colapsam de um dia para o outro. Deslizam de cedência em cedência até ao desastre. Portugal está longe de ser um regime autoritário. Mais do que palavras de circunstância ou declarações políticas vazias de apoio à figura da resistência e oposição da Venezuela, Luis Montenegro, José Luís Carneiro e em geral a classe política nacional deveria aprender com o exemplo de Maria Corina Machado.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

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