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Estado de emergência – in memoriam

18 Março, 2026

Passam hoje seis anos desde que Portugal entrou no primeiro estado de emergência a pretexto da Covid 19. Tempo mais do que suficiente para exigir memória, verdade e, acima de tudo, juízo moral.

Aquilo a que chamaram “medidas covid” foi um colapso civilizacional em câmara lenta, uma experiência de poder, um teste de obediência.

Disseram-nos que era por duas semanas; era para achatar a curva; que era pela ciência.

E, no fim, tivemos confinamentos sem precedentes, escolas encerradas, idosos isolados, crianças mascaradas, negócios destruídos, culto da denúncia, censura social e uma grotesca divisão entre cidadãos obedientes e outros vistos como suspeitos e perigosos.

A grande mentira que nos contaram foi a de que toda a sociedade enfrentava o mesmo risco e, por isso, devia suportar a mesma amputação de liberdade. Não era verdade e nunca o foi. Desde cedo se sabia que o risco era fortemente desigual, concentrado sobretudo nos mais velhos e mais frágeis. Mas preferiu-se a propaganda da uniformidade ao dever da discriminação racional. Preferiu-se a histeria moral à prudência clínica. Preferiu-se o teatro político à proporcionalidade.

A grande ilusão foi outra: a de que o Estado, se tiver poder suficiente, pode abolir o risco da condição humana. E essa é a fantasia mais perigosa de todas. Porque quando uma sociedade entrega ao Estado a missão impossível de nos livrar de todo o perigo, acaba inevitavelmente por lhe entregar também o poder de vigiar, proibir, fechar, segregar e humilhar.

Foi isso que aconteceu.

Quem discordava era “negacionista”, “chalupa”, “inimigo do bem comum”. Quem recusava a liturgia sanitária era tratado como um herege. Houve um moralismo sádico, uma bufaria repugnante, um prazer obsceno em excluir, calar e punir.

A ciência virou dogma e a saúde pública traduziu-se na perseguição dos desalinhados.

Hoje o fracasso das intervenções compulsórias, o dano social dos confinamentos e o carácter autoritário dos mandatos e passaportes sanitários vão sendo percebidos e tornam-se cada vez mais evidentes. No entanto, em Portugal, quase ninguém pediu desculpa nem reconheceu a escala do abuso. Receio que se tenha normalizado consciente ou inconscientemente a suspensão liberdades em nome de um qualquer pânico colectivo.

O verdadeiro vírus daqueles anos foi o vírus do medo instrumentalizado pelo poder e da rapidez com que aceitámos viver manietados.

E essa epidemia só se derrota com coragem, memória e amor à liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

7 comentários leave one →
  1. balio's avatar
    balio permalink
    19 Março, 2026 09:48

    Muito bem. Concordo.

    Recentemente, por causa das tempestades, o proibicionismo regressou. Em Lisboa, encerraram-se jardins e cancelaram-se espetáculos, para incentivar as pessoas a ficar em casa. Como de costume, isso foi feito quando já não havia tempestade nenhuma que se visse, porque a principal já tinha passado.

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  2. freakonaleash's avatar
    freakonaleash permalink
    19 Março, 2026 17:06

    Outra vez arroz!

    Não há um Alcoólicos Anónimos para ressentidos das medidas sanitárias.

    Esta malta aquando da gripe espanhola devia ser bonito!

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    • balio's avatar
      balio permalink
      20 Março, 2026 11:27

      A gripe espanhola foi totalmente diferente da covid-19. A gripe espanhola foi uma doença que afetava toda a gente mas com especial incidência nas pessoas jovens, incluindo pesoas totalmente saudáveis. A covid-19 foi uma doença que afetava primordialmente pessoas muito idosas e com outras morbilidades.

      Ou seja, a gripe espanhola afetou o cerne produtivo (e reprodutivo) da sociedade. A covid-19 afetou aqueles que, de qualquer outra forma, já eram supostos morrer em breve.

      Faz toda a diferença.

      Eu tenho cancro. Da primeira vez que uma médica suspeitou disso e pediu, por telefone para outro setor do hospital, um exame para o confirmar, sabe o que lhe perguntaram desse setor? Perguntaram que idade é que eu tinha. Muito simplesmente, é assim: se é uma pessoa jovem tentamos já arranjar vaga para ela, se é uma pessoa muito idosa pode esperar e se morrer que morra. Isto é ética médica elementar: deixar para trás aqueles que de qualquer forma já estão mal.

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  3. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    19 Março, 2026 23:38

    Foi como diz Telmo “Operação de Comando e Controlo” dos actuais escravos da nova Alegoria da Caverna ( leia-se Europa) de Platão.

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    • balio's avatar
      balio permalink
      20 Março, 2026 11:32

      Alegoria da Caverna ( leia-se Europa)

      Eu diria que a Europa já não está numa caverna: está num poço.

      Os espertalhões que a governam acharam que era muito mau a Europa depender a 40% dos gás natural russo. Pois bem, agora vamos ter todos saudades, muitas saudades, do tempo em que os russos nos forneciam pelo menos 40% do gás de que necessitávamos.

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      • Mário Marques's avatar
        Mário Marques permalink
        20 Março, 2026 11:58

        Caro Balio, os espertalhões estão cumprindo ordens pensando que se obedecerem ao “mestre” vão escapar incólumes, mas irão ter o mesmo fim, a seguir a nós.

        E desengane-se quem pensa que esta queda no “poço” foi por “acidente” tudo o nosso trajecto está calculado, se “eles” aparentemente falharem, é apenas uma manobra de distração, o fim está escrito, por pode é demorar mais um pouco, nunca se perde quando somos todos donos dos “cavalos” da prova!.

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      • Mário Marques's avatar
        Mário Marques permalink
        20 Março, 2026 12:01

        Mais um reparo para o que disse mais atrás, quando eu disse “Europa” devia dizer COMUNIDADE OCIDENTAL.

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