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Um governo em que todos estão numa relação

12 Dezembro, 2017

O primeiro-ministro António Costa nomeou Rosa Matos Zorrinho para o cargo de secretária de Estado da Saúde. Rosa Matos Zorrinho é casada com o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho

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Do sentimento de impunidade

12 Dezembro, 2017
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Para encerrar um caso que envolveu acusações de Nepotismo, o governo de António Costa demite o secretário de estado da Saúde, substituindo-o pela mulher de um deputado do PS.

Para encerrar um caso que envolveu má gestão financeira, nomeia-se uma secretária de estado que enquanto presidente da ARS Alentejo declarou despesas no mínimo estranhas (nota: é possível, e desejável, que tenham sido apenas erros de digitação…):

(…)A Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo é a que revela compras de produtos a preços mais estranhos. Veja-se esta listagem: “Aquisição de 14 módulos de três cadeiras em viga e 10 módulos de duas cadeiras em viga” está apreçado por 375,6 mil euros. Outro exemplo. “Um armário persiana, duas mesas de computador, três cadeiras com rodízios, braços e costas altas” está para adjudicar por 97 560 euros.

Uma distracção com cifrões? Não é a primeira, nem a segunda… a mesma ARS terá mandado proceder a reparações de duas fotocopiadoras por 45,1 mil euros.(…)

A realidade é que o ciclo económico, as sondagens, o apoio incondicional do presidente e dos parceiros de coligação, deixou o PS com um sentimento de impunidade absoluto. Nem há um pequeno esforço para disfarçar. Nós sabemos onde isto acaba.

Governo anuncia a criação da Direcção Geral das Doenças Raras

12 Dezembro, 2017
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Janeiro de 2018

“Na sequência das suspeitas de fraude com a IPSS dedicada a doenças raras, o Ministério da Saúde resolveu retirar todo o apoio à Associação e devolver ao estado a responsabilidade de apoiar pessoas com doenças raras.”

Fevereiro de 2018

Governo anuncia por concurso público o novo director geral da Direcção Geral das Doenças Raras. Receberá salário de 2500€.

Março de 2018

– Senhor Ministro, é impossível gerir esta direcção geral sozinho. Tenho trabalhado mais de 35 horas todas as semanas. Ainda ontem quando saí do trabalho já passavam das 17.30
– Tem razão. Vamos abrir concurso público para a contratação de um subdirector geral.

Abril de 2018
Subdirector geral contratado por 2000€. Activistas feministas fazem notar que são dois homens na liderança e que está a ser dado um mau exemplo ao sector privado. É contratada uma subdirectora geral por 2000€. Primeiro subdirector geral contratado passa a tempo parcial na sequência da sua dedicação ao sindicato dos trabalhadores da saúde.

Setembro 2018

– O meu filho está com uma bronquite, que não dorme a noite toda. E só consegui consulta para daqui a umas semanas. Não estou a conseguir dormir. Acho que vou ter que tirar uns dias.
– Oh Fernanda, olhe que eu vou de férias para a semana e o Antunes agora passa a vida na CGTP. Não dá para apressar essa consulta.
– Pois, parece que não… A não ser que a categorizemos como doença rara e a enviemos pela Direcção Geral.
– Categorizar bronquite como doença rara? Bem, parece um pouco parvo, mas se me permite ir de férias descansado assim seja.

Dezembro de 2018

Espalha-se a palavra de que é possível antecipar consultas para a bronquite através da Direcção Geral das Doenças Raras, que é inundada de pedidos. São contratadas 3 novas secretárias e um subdirector geral para gerir todos os pedidos. Número de doentes tratados por doenças raras quadruplica. Nas redes sociais discute-se se bronquite é mesmo uma doença rara.

Janeiro 2019
Ministério da saúde ameaça director geral de despedimento. Ministro Lopes da Silva avisa Director Geral que se não tiver um parecer que justifique a inclusão de bronquite como doença rara, o irá despedir. Director Geral contrata parecer por 100 mil euros ao escritório de advocacia Morais Capitão e Lopes da Silva jr, lda. Parecer vem assinado pelo famoso advogado Salvador Morais Capitão e é aceite pelo ministro.

Março 2019
Pedidos referentes a doentes com bronquite continuam a encher a direcção geral das doenças raras que contrata 40 pessoas.

– Oh Jorge António, estou a ver aqui a lista das contratações e está aqui uma Mariana Vicente Correia e um Tiago Vicente Correia. Não é a tua mulher e o teu filho. Não sei se posso assinar isso…
– Eh pá, depois da chatice que tive com a bronquite do teu filho, é o mínimo Fernanda! Além disso o meu filho é super qualificado: acabou um doutoramento em sociologia das andorinhas em meios rurais ibéricos. Podia encontrar um emprego em qualquer lado, mas eu gosto de tê-lo por perto!
– Não sei, não. É um grande risco para ti se descobrem. Bem, fazemos assim: para não seres só tu exposto, a minha filha também acabou um mestrado em Parapsicologia das organizações venatórias, pelo que encaixaria muito bem na gestão de fornecedores. O que dizes?
– Hummm… OK… Contratamos os 3 então. Por falar nisso, como está a autorização para o congresso das doenças raras nas Caraíbas?

Maio 2019

Para evitar problemas como a introdução arbitrária da bronquite no âmbito de trabalho das doenças raras, é feita uma lita oficial das doenças raras e instituído um processo para aprovação de qualquer nova doença rara.

Junho 2019

– Bom dia, como posso ajudá-la?
– Bom dia, era para registar a minha filha na Direcção Geral das Doenças Raras
– E qual é a doença da sua filha?
– Bloquitis Hipocritus Sapus Centenicus. Ela basicamente engole tudo o que lhe colocam à frente.
– Desculpe, mas a doença da sua filha não consta da nossa lista aprovada.
– Pois, é uma doença nova e rara. Mas ela precisa de cuidados urgentes.
– Lamento, mas se não consta na lista não a podemos ajudar.
– Pois, é uma doença rara, mas ela precisa mesmo de atenção especial.
– Lamento, em Janeiro do próximo ano haverá uma revisão da lista. Se a sua filha ainda for viva, pode submeter a sua doença rara nessa altura. Agora, faça o favor de sair que tem 10 pessoas atrás de si na fila a registar filhos com bronquite.

Setembro 2019

Em campanha eleitoral, primeiro-ministro preside a cerimónia da Direcção Geral de Doenças Raras. Anuncia que mais do que triplicaram os recursos dedicados a doenças raras, mas que mesmo assim o custo por doente baixou porque agora ajudam cinco vezes mais pessoas. À saída do almoço do lançamento da campanha presidencial de José Sócrates, João Galamba afirma que o sucesso da Direcção Geral das Doenças Raras demonstra que os organismos públicos são mais eficientes e resistentes à corrupção. “Acabam-se as IPSS, acaba-se a corrupção e a má gestão de fundos”.

Ministro da Segurança Social compromete-se a acabar de vez com todas as IPSS no próximo mandato e substituí-las por organismos públicos.

Não, não se deixaram instrumentalizar: estiveram ao lado dele e lá continuariam caso não tivesse sido preso

12 Dezembro, 2017

Ana Gomes declara «que o PS de António Costa já se devia ter demarcado de uma forma mais clara das ações de José Sócrates e que o partido devia refletir sobre como se deixou instrumentalizar por um homem “um projeto pessoal de poder e de enriquecimento“.» Não, o PS não se deixarou instrumentalizar: o PS esteve ao lado dele e lá continuaria caso Sócrates  não tivesse sido preso. Esse mesmo PS depois do paroxismo a que chegou com a prisão na manga do avião – ainda querem falar deste assunto? – fez a vida num inferno a António Jośe Seguro e está agora radiante com António Costa. Falta pouco tempo para virem dizer que foram instrumentalizados.

competências raríssimas

11 Dezembro, 2017
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Ministros e secretários de estado do PS, deputados do PSD e do PS, mais gente ligada à política que ainda estará por aparecer, todos, provavelmente, a receberem salários e/ou senhas de presença (ele há muitas maneiras de se ser remunerado…), enfim, era necessário um albergue espanhol para tratar de uma instituição de apoio médico a crianças gravemente doentes? Nunca nenhum destes cavalheiros se perguntou o que é que lá estava a fazer?

A Roubalheira das Ratazanas

11 Dezembro, 2017

ratos sem saida3

E não é que rebenta mais um escândalo com roubalheira descarada, desta vez  na Associação de Solidariedade Social Raríssimas? Não entendo como podem ficar surpreendidos com esta “descoberta”. A mim o que realmente me surpreende e deixa completamente atónita é  a passividade do Estado na sua função fiscalizadora não só a estas Instituições como a TUDO em que ele está metido com entrega de fundos. Juro que não entendo ou melhor, se calhar até entendo muito bem o porquê…

Não faz de todo sentido que um Estado que persegue o contribuinte e até o penhora por meia dúzia de euros – ou cêntimos – , que não lhe perdoa 1 euro mesmo que esteja justificado por pobreza, desemprego ou falência sem dolo, que deixe correr a actividade das Instituições que financia, livres como passarinhos, sem as incomodar com auditorias surpresa para fiscalizar e assegurar assim a boa aplicação desses subsídios e donativos. Algo de muito errado se passa aqui.

E a prova está à vista de todos: não era só a Presidente da Raríssimas que usufruía desta gestão generosa. Também havia senhoras deputadas, senhores ministros e secretários de estado da saúde… Ora, como poderiam estas almas denunciar se estavam a beneficiar do banquete? Esta é a triste realidade.

Por isso a senhora Presidente da Raríssimas não se preocupava em esconder que levava 3000€ de salário a que juntava 1300€ de ajudas de custo isentas mais 1500€ de viagens de casa para o trabalho, um PPR de 800€, ainda um leasing de um BMW topo de gama de 900€, despesas em vestidos de 200€, gambas por 230 e tantas outras. Ou seja, tudo extra -salário pago com o subsídio do Estado e donativos entregues à Associação! Muito bem. Não fosse a denúncia destes bravos tesoureiros que não quiseram compactuar com esta gestão ilícita e a senhora Presidente iria continuar tranquilamente a enriquecer à conta da solidariedade. 

Não estou a dizer que a culpa é dela. Não é. A oportunidade faz o ladrão. E o Estado ajuda ladrões porque ele próprio o é. É a cultura da roubalheira descarada avalizada pelo Estado que dura desde o 25 Abril de 74. Porque o Estado quando quer sabe ser implacável com aquilo que lhe devem. Experimentem caros cidadãos anónimos atrasar ou deixar de pagar impostos que logo verão comprovada esta teoria.

Só assim se entende como Vieira da Silva ignorou todas as cartas do ex-tesoureiro Jorge Nunes. A primeira em 9 Agosto a pedir inspecção profunda àquela Instituição; a segunda em 15 Setembro onde volta a pedir intervenção da Segurança Social; em 21 Setembro mais um pedido urgente de fiscalização. Tudo sem resposta. Até a TVI denunciar o caso em reportagem…

Não faltaram reacções  que já conhecemos aquando Predrógão, Tancos e Incêndios de Outubro do estilo ” Governo vai avaliar situação e agir em conformidade” ou ” Marcelo quer apuramento dos factos” blá blá blá. Tudo a “encher pneus” para entreter enquanto se pensa num spin que possa distrair a malta deste escândalo. Mas a verdade é que se não for o Ministério Público a tratar deste assunto rapidamente, a máquina do sistema conseguirá abafar o caso enquanto se desmarca e desresponsabiliza esta gente sem escrúpulos que deveria conhecer a porta da rua para depois sentar no banco dos réus.

Mas nós comuns cidadãos já sabemos o que a casa gasta: 85% dos crimes de colarinho branco por cá são arquivados. Vai-se lá saber porquê, não é?

Obviamente que o caso Raríssimas não é único no país. Mas também não representa a realidade total. Há de facto muitas Instituições bem geridas e que desempenham suas funções com transparência e responsabilidade. E precisamente porque fazem falta e são extremamente úteis no seu papel social, que deve em nome da boa reputação dessas, haver um Estado que cumpra sua função fiscalizadora para que estas ratazanas e outras, não contaminem um trabalho que muitos executam com seriedade.

Ora, o problema é quando o próprio Estado estimula a roubalheira descarada protagonizando-a a toda a hora. Sem a limpeza  desse tipo de gente no Parlamento, a “ratazanagem” continuará e jamais conseguiremos uma sociedade séria que respeite o erário público. 

É por aí que devemos começar.

 

 

Há algo que me escapa

11 Dezembro, 2017

nesta fúria contra a senhora das Raríssimas.

Ganhava muito? Sim, mas se estivesse à frente de uma comissão para lutar contra as raríssimas ganharia menos?

Empregava o marido e o filho? Sim mas querem mesmo ir por aí? Podemos começar pelo governo e acabar nas autarquias? As empresas estatais também contam?