O culto do especialista
9 Julho, 2008
– eu sou especialista em X
– tu não ès especialista em X, logo só fazes críticas ignorantes às quais eu nem sequer me vou dar ao trabalho de responder
– um especialistas em X só debate com outros especialista em X, embora não exista muito para debater porque normalmente estão todos de acordo (ver groupthink)
– só um especialista em X pode criticar outro especialista em X
– para se ser especialista em X é necessário aderir às ideias dos outros especialistas em X e passar pela aprovação de outros especialistas em X (o que explica o groupthink).
– X é muito importante para a sociedade, logo é um direito dos especialistas em X gastar os teus impostos.
73 comentários
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Muito bem observado. O João Miranda tem sido objecto de inúmeros insultos exactamente porque ousa pensar sobre as diversas questões da vida. Mas isso aos olhos de muita gente é um sacrilégio. Pobres de espírito!
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Boa posta. Parabéns.
Pena é que o governo seja assim para com o povo.
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Ui, isso em Portugal é um desporto mais popular que o futebol.E mais caro!
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E o mais curioso, é que já vi muitos experts aparecerem aqui com argumentos de autoridade, e depois, quando se passa ao debate de argumentos, abalam com o rabinho entre as pernas.
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Estão tanto de acordo, que depois Plutão deixa de ser planeta só porque meia dúzia se lembra; e outras coisas do género… Há demasiadas excepções, ao ponto de se questionar se isso pode ser regra.
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Ou seja, a partir deste momento o JM só passa a debater com outros especialistas, por definição aqueles que “know more and more about less and less”.
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Parece que temos aqui um grupo de especialistas em x
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Até que enfim que o LM começa a escrever coisas com sentido 8e ironia)… Continue. Pa chatear tome lá um link: http://psicanalises.blogspot.com/
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1 –
o problema n é Jm ousar pensar. O problema é JM aparecer frequentemente com “teorias cientifícas”, da mesma maneira que fazem esses tais especialistas com que ele agora se diverte. Todos sabemos que a produção de pseudo-ciência no campo das “ciências humanas” sempre foi um metier que rendeu e continua a render…
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Ser especialista é uma arte. É saber mais que os outros e saber que se sabe. É ter consciência da sua especialidade e da dificuldade dos outros em compreender a especificidade da dificuldade na explicação da sua especialidade. É igualmente a dificuldade de apresentação de lógicas complexas inerentes à especialidade no que diz respeito à especificidade da especialidade.
Ser especialista é falar de “aprendizagens”, teorizar sobre “competências” e complicar “inerências”. É saber mais sobre “conjecturas” e perceber as “estruturas”, entender as “dinâmicas” e facultar os “vectores” directores da “competência inerente ao vector da conjectura dinâmica”.
No fundo é ser parolo e ter adquirido um dicionário.
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10 –
brilhante, pá!
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A verdade é que muitas das vezes só as percepções e abordagens de observadores que estão bem distanciados dos groupthinks, são capazes de incutir novos impulsos e lançar as sementes geradoras de grandes progressos.
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Um dias destes o João Miranda começa a escrever em Inglês.
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10 –
estás transcrito aqui:
psicanalises.blogspot.com
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” A verdade é que muitas das vezes só as percepções e abordagens de observadores que estão bem distanciados dos groupthinks, são capazes de incutir novos impulsos e lançar as sementes geradoras de grandes progressos. ”
Claro. os especialistas normalmente são parte daquilo que investigam. veja-se o estudo do Freire colega da ministra da saia curta (veja-se, n é necessário ler, Expresso deste f de semana, que está gratuitamente à porta da sala universia – que está sempre fechada – da faculdade de direito em lx, e nas outras salas universia) do Iscte que esteve na base das políticas da educação: foi uma encomenda anterior à execução das mesmas para as validar “cientificamente”.
creio que esse estudo, ou partes dele, está algures por aqui:
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com
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12 –
evidentemente! Tb o trancrevi no psicanalises…
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Um especialista é alguém que sabe cada vez mais acerca de cada vez menos – até que sabe TUDO acerca de NADA.
(Por vezes, em vez de ‘especialista’ diz-se ‘perito’. Não confundir com ‘pêro pequenito’)
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“- X é muito importante para a sociedade, logo é um direito dos especialistas em X gastar os teus impostos.” …
…tanto mais que tu, quando votaste, delegaste a defesa dos teus interesses nos especialistas em X.
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Muito bom texto!
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“Um especialista é alguém que sabe cada vez mais acerca de cada vez menos – até que sabe TUDO acerca de NADA.”
É verdade. O que se tem vindo a assistir é que a excessiva parcialização e disciplinização do saber cientifico acaba por fazer do cientista um ignorante especializado.
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Ainda chegará o dia em que a brilhante massa crítica portuguesa concluirá que mais valia não ter havido Revolução Industrial.
Enquanto o JM referiu apenas que as “especialidades” de cada um não deveriam ser financiadas por todos rapidamente se concluí aqui que afinal os especialistas são uns inúteis.
Medicina – Informática – Construção civil – Biotecnologia – isso não interessa para nada.
Interessa é termos todos um bocadinho de terra para lavrar e fazermos umas cooperativas de vinho, isso é que era…”como antigamente”… não há gente como a da terra… o resto é tudo uma cambada de sanguessugas que não sabem o que é trabalhar.
Bons bons, são os polivalentes que sabem o suficiente de tudo para opinar, mas não o suficiente de tudo para mexerem uma palha.
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O apelo à autoridade de um especialista pode fazer bastante sentido.
Mas existem 3 casos em que é ridículo apelar à autoridade dos especialistas:
1 – O assunto em discussão não é o assunto no qual o indivíduo é especialista
(“Einstein afirmou que os seres humanos usam apenas 10% do seu cérebro”. Ele disse isso a gozar, mas se fosse a sério seria irrelevante)
2 – Os especialistas não estão de acordo sobre o assunto
(“João Maguejo diz que a velocidade da luz variou ao longo do tempo”. Até pode ser verdade, mas o debate a esse respeito ainda está vivo)
3 – Os especialistas são parte interessada na discussão
(“Todos os psicólogos consideram que a qualidade de vida das pessoas melhoraria significativamente se elas utilizassem os seus serviços com mais frequência”).
Claro que mesmo que nenhuma destas três condições se verifique, o argumento por apelo à autoridade pode não ser decisivo. Mas não deixa de ser um argumento forte.
Dependendo dos casos, a discussão pode realmente ser virtualmente impossível entre especialista e não-especialista.
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O login falhou novamente.
O 21. é o Akula
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x = biotecnologia.
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“eu sou especialista em X
– tu não ès especialista em X, logo só fazes críticas ignorantes às quais eu nem sequer me vou dar ao trabalho de responder”
Falta uma variação que desfaz o paradoxo:
eu sou especialista em limpar a casa.
Tu não és. Para criticares a limpeza da casa, deverias saber minimamente o que é preciso para tal. Se o fazes apenas porque não vês a casa limpa, deves procurar, em vez de criticar imediatamente, perceber a razão. Mas para perceberes essa razão, por vezes tens de estudar e marrar um pouco. Não basta teres a ideia que és inteligente e tudo te aparece evidente…
Assim, quando alguém se coloca com comentários como o do postal, a figura que faz é a do diletante que se julga um sabedor de tudo. As fábulas costumam dizer melhor do que eu, estas coisas.
É escolher, porque há muitas. Por essa razão é que estou sempre a dizer que não passo de um diletante. Até no Direito…
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Seguindo o exemplo do Mr.Hyde e fazendo x=biotecnologia:
Como a biotecnologia não serve para nada, porque estão a discutir coisas que nem se conseguem observar a olho nu (veja-se só!!!) o Estado não deveria financiar cursos de biotecnologia em Portugal. Claro está que, pensando a sociedade assim, os escoceses aproveitam e recrutam os nossos melhores engenheiros em biotecnologia para desenvolverem projectos interessantíssimos (a conversão de águas residuais em água utilizável é apenas um exemplo disso) e altamente rentáveis quando os vendem a países do terceiro mundo. Como Portugal. O país que mais água gasta em rega e que menos produz. Até de Israel tivémos de importar ESPECIALISTAS para virem ensinar os brutos a regar com eficiência.
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… por outro lado, há os que se consideram especialistas em X, Y e Z, não sendo especialistas em nada. Em Portugal grassa uma espécie de “opinion makers”, como o João Miranda, que apesar de não dominarem o conceito teórico do que é um spin, querem discutir a supercondutividade com os físicos. O pior é que, por presunção, estes “fazedores de opinião” estão plenamente convencidos da sua sapiência, que, no caso dos temas foram da sua área de intervenção académica e profissional, não passam muitas vezes de distorções resultantes de um domínio superficial dos conceitos subjacentes. O efeito argumentativo é conseguido dando um contorno autoritário e pseudo-científico aos textos (organizar as ideias em listas, passar como certezas o que são probabilidades e vice-versa, extraír dados de um contexto amostral, manipulandoo seu significado, alterar o significado obliterando informação, citar fontes não científicas, como publicações de imprensa generalista, como se o fossem, etc,). E quando este facto fica exposto, basta desviar a discussão neste sentido, ou seja, colocar-se na posição do arguto, genial, heróico outsider ao establishment científico, que pretende combater o preconceito da autoridade em Ciência.
Um especialista é simplesmente isso: uma pessoa que se dedicou academicamente a estudar determinado assunto. A génese do “fenómeno das autoridades” na sociedade portuguesa reside no mesmo processo que deu origem ao geral desdém que no nosso país se dedica aos “especialistas”. Por isso, os melhores “especialistas” geralmente emigram, ficando os da casta de Joao Miranda. São reflexos antagónicos de um mesmo terceiro tique social, contraído durante o período do Estado Novo, durante o qual se promoveu uma intensa elitização das academias: a inveja e o medo do saber (e de quem sabe).
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Esta definição de Groupthink (Wikipedia):
Groupthink is a type of thought exhibited by group members who try to minimize conflict and reach consensus without critically testing, analyzing, and evaluating ideas. During groupthink, members of the group avoid promoting viewpoints outside the comfort zone of consensus thinking. A variety of motives for this may exist such as a desire to avoid being seen as foolish, or a desire to avoid embarrassing or angering other members of the group. Groupthink may cause groups to make hasty, irrational decisions, where individual doubts are set aside, for fear of upsetting the group’s balance. The term is frequently used pejoratively, with hindsight.
assenta qeu nem uma luva ao Governo do Grande Timoneiro.
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Especialistas notórios que escrevem em jornal:
António Barreto. José Pacheco Pereira. Vital Moreira. E o ícone desta espécie: Miguel Sousa Tavares. E ainda os pretendentes que são legião:
Helena Matos, Rui Tavares, os directores de jornal, todos, com destaque para José Manuel Fernandes e o lugar de canto, com orelhas de burro, para Pedro Tadeu.
Depois, os verdadeiros cronistas que não sendo especialistas, não enganam ninguém porque se movem pelo estilo e pela graça da escrita:
Ferreira Fernandes, Manuel Pina e Vasco Pulido Valente. Os melhores.
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Esqueci-me de colocar neste último grupo o Batista Bastos.
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E o mais cretino de todos, pretendente a sabicholas: Miguel Gaspar.
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Cientista Liberal-Conservador:
Perfeito!
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A minha especialidade é viver em Portugal.
NEM QUEIRAM SABER!!!
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JoaoMiranda 9 Julho, 2008 às 12:15 pm : 17 valores
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Este Uribe é um mãos largas!
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Just for beginners.
“Funciona mais ou menos assim:
– eu sou especialista em X
– tu não ès especialista em X, logo só fazes críticas ignorantes às quais eu nem sequer me vou dar ao trabalho de responder”
Há aqui vários fenómenos possíveis.
1) O especialista não tem qualidade nenhuma, sendo um burro carregado de livros, entre os quais o seu curricula. A sua opinião serve apenas como fonte bibliográfica de factos relativamente simples. É amigo de algum jornalista e é por isso que aparece. Nunca publicou nada de jeito e não é reconhecido interpares.
É claro que a besta se assusta se confrontado, passando ao ataque ad hominae para se proteger.
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Just for beginners.
2) O especialista é bom no seu campo mas tem uma linguagem que não passa com facilidade. Ou porque é demasiado técnica ou porque porque o sugeito é um mau comunicador ou porque vê a sua comunicação como uma intervenção profissional e não lhe intyeressa o que diz mas tão só o efeito que o que diz provoca (típico dos médicos que vão falar à televisão).
Alguém por ele tratará de desmerecer os leigos críticos ou será destroçado no paple comunicacional antes de haver debate verdadeiro.
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Aliás, foi o senso comum que construiu a Internet.
Os motores de busca e os blogues apareceram por geração espontânea.
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Vejam o mal que fazem os especialistas.
O meu porteiro (sr Augusto especialista em tudo o que é necessário arranjar cá no prédio)sai de carro com a família, sem combustível.Lê o JM dizer que há concorrência no mercado de combustíveis (até explicou á mulher que a procura está a subir e a oferta nem por isso,o que levou a D.Maria a um profundo”ladrões”!) e que por isso (haver concorrência) vai procurar ao longo da estrada pelo melhor preço e pelo melhor produto!Depois de passar por várias bombas verifica que o produto é o mesmo e o preço igual (o que leva a D. Maria a um profundo “ladrões”)e acaba a ler ( e já sem combustível) que a próxima bomba fica a 40 Kms!
O Sr. Augusto jura que vai passar a fazer o que sempre fez.Meter combustível na bomba que fica logo aqui a 500 metros seja qual for a evolução da oferta e da procura!
Malditos especialistas,resmunga!
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Just for beginners.
3) O especialista é bom mas é exposto a opiniões demasiado estúpidas para ser eficaz rebatê-las.
O debate não pode ocorrer entre o cão e o dono dada a extensão da diferença.
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Aparentemente, um especialista em banha de cobra, está apto a ser “especialista” no que quer que seja.
É uma sub-cultura muito característica do “desenrascanço” portuga. Bons em tudo.
Quando aparecem os mesmo bons, têm de emigrar porque não há espaço.
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Boa tarde João Miranda,
Constato que este post tem implícita uma sua autocrítica ao que sobre mim escreveu, nomeadamente por eu ser informático e discutir política. Parabéns…
Saudações comunistas
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O Aquecimento Global também foi uma obra do acaso. Foram dois ecologistas que iam a passar no Pólo Norte em roupas feitas da espiga to trigo e diz um para o outro: “Eh pá. Não tens calor? Tou cheio de calor!” vai o outro “Péra lá! Tu queres ver que o planeta está a aquecer?”
Os especialistas são uns oportunistas. Cambada.
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4) O especialista provém de uma área (tipicamente o Direito ou a Psicologia) que tem dificuldade em ser aceite pelo valor facil do que contribui, pela proximidade com o bom senso. Aí é particularmente vulnerável à necessidade de diminuir o leigo crítico esforçando-se mais por ridicularizá-lo do que em contrapôr argumentos. Quando opta por argumentos tenta exprimi-los da forma mais obtusa possível (por exemplo usando citações em excesso ou linguagem que se afaste o mais possível do português padrão).
Acontece mais em portugal do que no rseto da europa.
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digo “valor facial do que contribui)
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A não ser que o cão esteja a guardar o dono que guarda a fábrica!
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5) O especialista é confrontado com uma opinião que apesar de valor diminuto está suportada noutros conceitos “indiscutíveis”, tipo “politicamrnte correcto sobre assunto de importância ou conotação vital” e teme ser considerado um extremista, pelo que se afasta.
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Uribe diz:
4) O especialista provém de uma área (tipicamente o Direito ou a Psicologia) que tem dificuldade em ser aceite pelo valor facial do que contribui, pela proximidade com o bom senso.
Não fazia ideia que essas eram as áreas típicas de origem dos especialistas.
Mais! O que diz a seguir só pode ser extrapolado para as ciências humanas e mal. Porque assim que entra nas ciências exactas..caput.
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Just for beginners.
6) O especialista é bom tecnicamente mas particularmente pouco experiente ou pouco culto pelo que não consegue distinguir a parte meramente técnica do seu conhecimento, da parte filosófica ou política (muitas vezes presente mas inaparente).
Frequente em todo o lado.
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««Constato que este post tem implícita uma sua autocrítica ao que sobre mim escreveu, nomeadamente por eu ser informático e discutir política.»»
Caro António Vilarigues,
nunca fiz essa crítica. A minha crítica (que nem chegou a ser bem crítica, era mais uma menção irónica sem grande importância) era relativa ao facto de o António Vilarigues ter outros atributos (mais relevantes num artigo de opinião) que não eram revelados nessa designação. Creio que o JCD já tinha explicado isso.
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“Boa tarde João Miranda,
Constato que este post tem implícita uma sua autocrítica ao que sobre mim escreveu, nomeadamente por eu ser informático e discutir política. Parabéns” António Vilarigues
Isto é verdade? Mesmo que seja, em nada diminui o post. Nunca vi o JMiranda usar argumentos de autoridade. Aliás, nesse dominio JMiranda é um excelente e raro exemplo. Mas ninguém é perfeito.
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Só agora vi a resposta de JMiranda. Sorry.
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“- um especialistas em X só debate com outros especialista em X, embora não exista muito para debater porque normalmente estão todos de acordo (ver groupthink)”
Aqui a coisa complica-se.
Há um fenómeno, que simplifico como residual, que tem a ver com a dificuldade dos peritos aceitarem pensamentos verdadeiramente originais quando estes contrariam o pensamento mainstream em ciencia.
Aí trata-se do especialista que recusa valorizar uma opinião doutro especialista. É verdadeiramente raro um leigo conseguir formular esse pensamento original de forma estruturada.
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“- um especialistas em X só debate com outros especialista em X, embora não exista muito para debater porque normalmente estão todos de acordo (ver groupthink)”
1)Pode contudo acontecer que nalgumas àreas o fenómeno unanimista tenha grande fulgor, mas o que eu vejo noutras àreas é exactamente o contrário com a proliferação de debates PRO / CON
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2) Em Portugal, aí sim, existe uma pulsão atávica pelo consenso, pelo “entendam-se lá todos”, pelo “no meio é que está a virtude”. Isto é de facto mais notório nos meios mais elaborados e especializados, sendo evidente o constrangimento que a discordância frontal e desabrida suscita em muitos ambientes científicos.
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3) Esta pulsão pelo consenso faz com por vezes os especialistas evitem o confronto público pois julgam que a populaça pensa logo “epá se cada um diz a sua coisa é porque afinal não sabem nada. Sabem tão puco que nem se entendem”.
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Just for beginners.
4) Mas, e principalmente, quem é chamado ao debate entre especialistas são pessoas que já concordam. Quem organiza esses debates procura que se chegue a um consenso, a uma qualquer conclusão. Não vão chamar ( e se chamarem a malta balda-se) pessoas de pensamento abertamente contraditório. Preferem tipos que digam : concordo com o que acaba de afirmar o Sr. Prof. e diria ainda mais que…”
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Just for beginners.
5)Outros fenómenos existirão que favorecem o pensamento único ( veja-se o pensamento único dos economistas reformados de vice-governadores do Banco de Portugal – esse é que é o grande negócio . O governador dá nas vistas, agora os vices vão-se sucedendo, saiem com as suas reformazinhas e são demasiado amigos uns dos outros.
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“- só um especialista em X pode criticar outro especialista em X”
Bom aí tem em grande parte razão.
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Just for beginners.
“- para se ser especialista em X é necessário aderir às ideias dos outros especialistas em X e passar pela aprovação de outros especialistas em X (o que explica o groupthink).”
Nas grandes metrópoles da ciencia não, não é assim. Nas capelinhas é verdade. Mas o especialista pode vir duma metrópole (por exemplo “ser matemático”) e não necessariamente duma capela (“ser catedrático de matemática”). Ou pode fazer uma travessia do deserto para entrar para a capela e, depois de lá chegar partir a loiça toda – olha o Magueijo)
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“- X é muito importante para a sociedade, logo é um direito dos especialistas em X gastar os teus impostos.”
É claro.
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Há profissões em que na mesma área há especialistas. Como na Medicina.A evolução da profissão fez-se nesse sentido. Com vantagens para quem os procura. E a tendência é dentro da especialidade as subespecialidades.
Há ortopedistas subespecialistas em joelho, mão, coluna, tornozelo (como o que operou o CR7).
Há oftalmologistas subespecialistas em cirurgia de miopia, cirurgia de cataratas, retina, córnea, oftalmologia pediátrica.
Geralmente, o que eles fazem é agruparem-se em equipa, sendo que assim têm uma maior competência no tratamento de cada patologia que seria impossível se fossem generalistas. Por outro lado um subespecialista não sobrevive sózinho.
Um caso paradigmático é o da Ortopedia do Hospital CufDescobertas, que é considerado exemplar para toda a classe médica.
Por isso nem sempre é mau ser subespecialista.
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Akula diz “Não fazia ideia que essas eram as áreas típicas de origem dos especialistas.”
Ei! Ei! Ei! Aguenta lá os cavalos.
Estou a fatiar as afirmações do nosso Miranda. O exemplo do jurista é um exemplo do fenómeno 4. Tão só.
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Ordralfabeletix, ninguém diz que é mau ser-se especialista ou sub-especialista ou sub-sub-especialista.m A questão do Mirandinha é saber porque raio dos céus é que um não sub-sub-sub-especialista não poderá questionar/criticar a opinião do sub. Por exemplo porque é que um oftalmologista não pode discordar de um oftalmologista sub especializado em cirurgia das cataratas do olho direito de benfiquistas?
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Desculpem meus senhores, eu, como engenheiro, socialista, cristão, blá, blá, jeová, adventista e anarquista, não posso estar em maior desacordo, pois um expert… É UM EXPERT, os que não são é que só têm inveja!
Malditos sejam.
Cultivem-se!
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Pois isso é verdade. Mas também há o culto do treinador de bancada que funciona mais ou menos assim:
“Isso é uma questão de bom senso”
“Eu tenho imenso bom senso por isso posso opinar”
“É preciso alguma cultura cientifica”
“Disso também tenho aos montes portanto estou bem”
“Dá jeito saber um bocado de economia”
“No problem”
“Convém pelo menos saber distinguir um quadro de uma peça de teatro”
“Também sou capaz de fazer isso”.
Ok nesse caso estás a habilitado a ser comentador de televisão, cronista em qualquer jornal, sobre qualquer tema que te apareça á frente. sem problemas.
Afinal estamos num país de treinadores de bancada.
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O Joao, es tu que andas a gastar os meus impostos a fazer pesquisa sobre coisas importantes para a sociedade?
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Eu sou o bastonário da Ordem dos Comentários.
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Não é por nada, mas parece que o Cientista Liberal-Consevador do post 28, com dois crochets e um uppercut, deu um KO técnico no JoãoMiranda.
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Curiosamente, penso que grande parte das pessoas que leram o post, não perceberam o sentido do post de JMiranda.
Alguns, que o criticam, de certeza que se consideram (com ou sem razão) especialistas em alguma matéria.
As criticas resultantes, demonstram que não conseguem passar do plano pessoal, para um plano geral. Sentiram-se “tocados” nas matérias a que se dedicam, e sentiram-se lesados.
Certamente, que JMiranda não estava a falar de Médicos , Matemáticos ou outras profissões. (embora também possa falar).
JMiranda estava a falar de certas “ciências” que por aí aparecem, e nota-se isso perfeitamente no post. E na sequência mais abaixo.
Por exemplo, os “peritos em eduquês”, ou por exemplo, alguns dos(as) peritas que tem abordado o caso Esmeralda , com alarvidades que impressionam qualquer pessoa.
E não faltaram aqui precisamente no Blasfémias, quem fosse contra esses(as) especialistas do Caso Esmeralda.
De qualquer maneira, um verdadeiro especialista não tem “receio” nem esconde, nem utiliza argumentos de autoridade e outros como o que o texto de JMiranda tão bem analisa.
Tal como um médico “normal”, dá as radiografias, explica, e por aí, qualquer diagnóstico feito. Ou qualquer engenheiro mostra o seu trabalho e não diz frases como “isto é assim porque é assim”. Ou qualquer matemático.
Mas em alguns campos, como os citados em cima, são esses pseudo-argumentos que se utiliza.
Em resumo, excelente post de JMiranda.
E quem for especialista em alguma matéria e não se revir no resto do post de JMiranda, nada tem a temer.
Curiosamente, só tem é a ganhar, se pensarem melhor.
Um especialista, debate, explica, não esconde o seu trabalho.
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“Um especialista, debate, explica, não esconde o seu trabalho.”
Claro que sim. Tal como disse antes:
“O que não significa que o subespecialista não possa ser questionado. Pelo contrário como disse antes o subespecialista só sobrevive em equipa, numa rede de referenciação. E para evoluir na sua área tem muito para discutir e aprender com os outros. Sózinho morre.”
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