Sair do pântano – Exames nacionais anuais no ensino secundário.
Entre os problemas com os quais Portugal se confronta, um dos mais importantes diz respeito à educação, designadamente a nível do ensino secundário. Não vou perder nenhum tempo a discutir a necessidade da existência de uma avaliação dos conhecimentos dos alunos. Reconheço a importância dos métodos pedagógicos, mas creio que os mesmos são importantes, antes de tudo o resto, na medida em que permitem atingir resultados. Os resultados carecem de avaliação quantificada.
Em Portugal, como em todo o mundo, existem pessoas mais capazes do que outras. E existem pessoas mais sérias do que outras. Seria injusto permitir a cada escola proceder à sua própria avaliação dos alunos, sem que existisse uma forma de aferir os resultados, de forma comparativa, e de um modo minimamente isento. Os exames nacionais cumprem esse objectivo de forma satisfatória.
Defendo que os exames nacionais no ensino secundário deixem de ser realizados apenas num número muito limitado de vezes, e passem a ser realizados todos os anos, para todos os alunos. Na verdade, será de ponderar realizar exames nacionais não uma, mas duas vezes por ano (em Novembro e em Junho).
Fazer depender todo o resultado dos estudos correspondentes a um prolongado período de ensino de uma única avaliação pode ser causa de injustiças. De igual forma, terá que se aceitar que é muito pesada a carga psicológica imposta a uma avaliação desse tipo que tem lugar com intervalos de anos.
A solução não é impor o facilitismo, nem permitir a cada escola que favoreça os alunos aí inscritos através de exames “simpáticos” – exames que tenham alegadamente em conta o ambiente sócio-económico, as dificuldades específicas, e mais mil e uma desculpas. Pelo contrário, é necessário tirar peso psicológico aos exames nacionais, transformando-os numa mera rotina.
Rigor, disciplina e objectividade – tais são as receitas para um país com futuro. Exames nacionais anuais, ou, de preferência, duas vezes por ano – eis uma das soluções para sair do pântano.
José Pedro Lopes Nunes
(Tópico discutido na Tertúlia do Cafeína em 22 de Fevereiro de 2010)

Os comentários estão fechados.