a direita a que temos direito
As ditas «garantias dos trabalhadores» pressupõem uma visão marxista da sociedade e da empresa. Elas enjeitam a empresa como um centro privilegiado de cooperação e de livre colaboração entre indivíduos igualmente livres, tendo em vista resultados conjuntos, para a presumirem como o palco de um drama que é a luta de classes entre «opressores» e «oprimidos», com finalidades antagónicas. Nessa perspectiva, elas desvalorizam o status do trabalho dependente, fazendo dele o parceiro pobre do processo produtivo de que o «patrão explorador» abusa como bem quer e lhe apetece, como se dele não dependesse o sucesso da sua empresa. O salário mínimo, os contratos efectivos de trabalho por imposição legal, os despedimentos com justa causa, os condicionalismos à liberdade contratual no trabalho dependente transformados em direitos fundamentais com protecção constitucional, elegem o «patrão» à condição de perigoso explorador das fragilidades humanas, do mesmo modo que os direitos fundamentais de primeira geração denunciavam o perigo, esse sim, bem real, dos abusos e atropelos do estado às liberdades individuais.
Esta visão maniqueísta da sociedade é própria da esquerda e, por isso, é natural que ela se veja como protectora dos «desfavorecidos» e como castigadora dos «opressores». Infelizmente, em Portugal ela é também partilhada pela direita, que, por razões que vão da ignorância à cobardia, não consegue despegar-se dos dogmas fundacionais do socialismo. A questão deve ser, então, a seguinte: não tem a direita portuguesa nada de melhor para oferecer do que a luta de classes e uma sociedade de coitadinhos a implorarem a asa «protectora» do estado? Não poderá a direita portuguesa defender uma sociedade de homens livres e capazes, conscientes das suas aptidões e qualificações, responsáveis por si mesmos e com a ambição suficiente para conseguirem construir as suas vidas pelo mérito e pelo trabalho próprio, sem necessidade de falsos protectores?
A resposta, infelizmente comum, da esquerda e da direita, a estas questões é que Portugal é um país pobre, com um fraco tecido empresarial e que, portanto, os trabalhadores se vêem condicionados a aceitar o que lhes aparece. Mas, por acaso, não deverá a direita questionar as causas desse crónico atraso português e chegar a conclusões diferentes das que o fatalismo dualista da esquerda lhe impõe? Ou será que está obrigada à «tese» da inevitabilidade do nosso subdesenvolvimento, suportada na convicção de que os nossos empresários não prestam, que não gostam do risco e que vivem pendurados no estado? Será que nem para defender a classe empresarial e as empresas portuguesas, ou seja, a criação de trabalho, a nossa direita é útil?
Tem sido esta espantosa comunhão de valores políticos que fez da direita portuguesa uma réplica ordinária da nossa esquerda, de tal modo que, hoje, para o homem comum, elas não se distinguem a não ser pelos protagonistas de ocasião. Esta «identidade» política levou-nos a um caminho único, com alternância de figurões, mas sem alternativas políticas verdadeiras. Em Portugal, esquerda e direita no governo fazem invariavelmente o mesmo, porque, no fim de contas, partilham das mesmas convicções. E esta é que é verdadeiramente a origem da nossa desgraça.

É um problema de análise. Na minha prespectiva, v.exa tem uma visão socializante do ser humano. O que não deixa de ser curioso.
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O seu erro está em considerar que o ser humano é, inexoravelmente, de uma ideologia ou do seu contrário. Nada mais errado. O individuo é ele próprio e a sua experiencia e interação social distinta. Não nos podemos reger por cartilhas ideologicas. Não somos gado. Pensamos por nós próprios. Não pratico o roubo, nem mato por questões ideológicas de esquerda e direita. Não sou contra o aborto por ser de direita.
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Por outro lado, e não menos importante, está o facto de termos argúcia e ginastica mental, para intuír se determinados modelos, sociais ou economicos, embora com sucesso noutros paises, seriam aplicáveis ao nosso próprio país.
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O Pedro Arroja já intuíu essa grande verdade e busca um modelo que integre a realidade de Portugal, cultural e histórica, com uma teoria de desenvolvimento acertiva.
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Por exemplo. A questão do salário mínimo. Defendo a manutenção do salario minimo especificamente em Portugal. Mas já não o defendo na Irlanda. São realidades distintas, como distinto é o tecido empresarial irlandes e o nivel do salario minino daquele país comparativamente a Portugal.
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Se quer que lhe diga, talvez não fosse má ideia que o salario minímo em Portugal subisse ainda mais violentamente. Que subisse de forma a que a mão invisivel finalmente aja no sentido correcto, e transforme a nossa industria, assente em baixo valor acrescentado e salrios baixos, noutra mais desenvolvida. Enquanto os empresários continuarem a produzir concorrendo com paises de baixo valor acrescentado, portugal não se desenvolverá.
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Portanto, se quiser, defender a manutenção do salario minimo em Portugal, ou até aumenta-lo é um pensamento muito mais de direita do que o seu. Embora eu não veja a coisa desse modo dualista da realidade.
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Na minha prespectiva, o seu modelo, é um modelo que previligia empresas assentes numa competição que não nos interessa como país.
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RB
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Caro Rui A.
Não pode esquecer o pessimismo antropologico da direita.
Em vez de perder tempo com condenações o Rui A: poderia explicar na pratica (ja sabemos a teoria muito obrigado) como é que liberalizando os despedimentos e anulando o salario minimo se cria emprego em Portugal. Quais sao as industrias beneficiadas e porquê.
É logico que liberalizando o emprego e o salario minimo não vamos ter despedimentos em massa nem uma descida de salários acentuada – o nosso mercado laboral não é suficiente flexivel para provocar impactos significativos em termos de oferta e procura de trabalho. O que eu gostaria de saber é que vantagens as opções do Rui A. trazem para compensar o conflito social provocado. Infelizmente nao vivemos num livro de economia e há certos factos da sua retorica: empresarios habituados a viver do estado que nao gostam do risco, etc, etc que eu considero muitos mais graves e que compete à direita resolver. Em Gestão do Risco apreende-se: o risco a quem melhor o sabe gerir. A direita que se dedique a endireitar o Capital e assim ganhe moral para pedir à esquerda para resolver a sua parte.
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Sr. Rui A.,
O problema de Portugal é económico, ou seja é um problema de exportar mais e importar menos e é um problema de desemprego / pobreza.
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O que é que a direita liberal propõe para estas questões, ainda por cima estando no Euro ?
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O que fazer com 600 mil desempregados e mais os que vêm aí em 2011, quando o subsidio de desemprego acabar ?
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A criação de emprego nos sectores exportadores é muito reduzida e não colmata a perda de emprego nos outros sectores.
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A direita não tão liberal, já foi favorável ao “industrialismo” nos anos 50 e 60, em Portugal, no Brasil, na Espanha, na Alemanha. E agora já não é ?
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Mas agora a direita liberal espera que o mercado tudo resolva, mesmo se o desemprego e a pobreza atingirem niveis extremos.
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“Que subisse de forma a que a mão invisivel finalmente aja no sentido correcto, e transforme a nossa industria, assente em baixo valor acrescentado e salrios baixos, noutra mais desenvolvida.”
Não é subindo o salário artificialmente que Portugal vai ficar, magicamente, mais desenvolvido e competitivo. É preciso gerar riqueza antes. A subida do salário mínimo neste momento só geraria mais desemprego.
A “mão invisível” requer a NÃO interferência por parte do Estado, ou seja a inexistência de regulações como os salários mínimos. A própria existência de salários mínimos vai contra o desenvolvimento em pleno e liberto da economia.
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Direita é igual a liberal ou neo-liberal?
Não sabia…
Marcelo Caetano era de direita ou esquerda?
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não fora o bpn e estaríamos remediados. quem f___ esta m__ foi o sistema bancário, mais as suas aves de rapina! mas os bancos são de esquerda….
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O bpn tem um burado de 6 ou 7 mil milhões. Acha que foi isso que f___esta m___ toda?
O que realmente f_____ esta m_____ toda foi a mentalidade que conduziu ao BPN.
Ou seja, o devorismo que surgiu após o comunismo encapotado das nacionalizações.
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Toda a teoria que desenvolve no post, cegamente “liberal” é, quando muito, válida para os trabalhadores qualificados e na força da vida produtiva. Tudo o resto fica de fora …e penso que é a maioria.
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«A “mão invisível” requer a NÃO interferência por parte do Estado, ou seja a inexistência de regulações como os salários mínimos.» anarca
Bem , uma ajudazinha para ajudar a mãozinha a fazer o seu serviçinho nunca fez mal a ninguém. eheh
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Regulação existiu, existe e existirá sempre. É utopico pensar-se o contrario. Os estados existem para alguma coisa. Como justifica que os bancos centrais fixem um taxa de juro? como justifica que as moedas possam ser valorizadas ou desvalorizadas pelos estados? como justifica que os estados possam emitir mais moeda do que a riqueza produzida?
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Quando tiver resposta para isto, vai ver que, logo na base, o mercado é regulado. E portanto é uma ficção querer-se um mercado livre do estado quando o mesmo (mercado) decorre de condições reguladas a priori por este (estado).
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RB
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“um centro privilegiado de cooperação e de livre colaboração entre indivíduos igualmente livres”
HAHAHAHAHA, que lindo! Rui A. eu estou numa empresa a recibo verde, ou a contrato a prazo de três meses, a ganhar 300 euros (pois é), que é todo o dinheiro que tenho para comer e para o resto. O patrão diz-me que este mês tenho de trabalhar até às dez da noite e ir buscar a mulher ao cabeleireiro ou não me renova o contrato. Onde está aí a minha liberdade de escolha? Como e calo, se quiser sobreviver. O patrão manda, meu caro, e se não obedeço, vou para a rua. Sempre foi assim. Esse seu post, parece aquelas sessões de motivação que agora estão na moda…. Ah, ainda se pode dizer “patrão”, ou tem de se dizer “colega de trabalho”? E já não sou empregado ou trabalhador, sou colaborador 😉
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existe um livro útil na análise da prática de banqueiros que tais que se chama ‘aves de rapina’ e versa sobre o ilustre mario conde!
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REFORMA
REFORMADOS ACTIVOS – SOMOS OS MELHORES
Ao menos num capítulo ninguém nos bate, seja na Europa, nas Américas ou na Oceânia: nas políticas sociais de integração e valorização dos reformados.
Nos últimos tempos, quase não passa dia sem que haja notícias animadoras a este respeito. E nós que não sabíamos!
Ora vejamos:
* O nosso Presidente da República é um reformado;
* O nosso candidato a Presidente da República é um reformado;
* O nosso ministro das Finanças é um reformado;
* O nosso anterior ministro das Finanças já era um reformado;
* O ex-Ministro das Finanças Ernâni Lopes que propõe que se cortem os vencimentos dos Funcionários Públicos em 25 % é Reformado da CGD desde os 47 anos de idade!
* O ministro das Obras Públicas é um reformado;
* Gestores activíssimos como o ex-ministro Mira Amaral são reformados;
* O novo presidente da Galp, Murteira Nabo, é um reformado;
* Entre os autarcas, “centenas, se não milhares” de reformados – garantiu-o o presidente da ANMP
* O presidente do Governo Regional da Madeira é um reformado .
E assim por diante…
Digam lá qual é o país da Europa que dá tanto e tão bom emprego a reformados?
Só o Sócrates não é reformado ….. porque, segundo parece, nem sequer é FORMADO !!!
E nisto tudo a chanceler alemã cria o nazismo economico provocando o holocausto de pobreza na europa,mas com muita culpa dos nossos governantes.
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José,
O Marcelo era um homem notavelmente inteligente e culto, mas nascido e criado sob uma mentalidade socialista e estatista, que a direita europeia adoptou de forma violenta no tempo que corresponde ao começo da sua formação intelectual. Nessa época, nada, ou quase nada, devia ser feito «fora do estado, para além do estado ou contra o estado» e foi nisso que o Marcelo começou por acreditar. Isto é ser de direita? Não o creio, sobretudo porque nada, ou quase nada, distingue isto do que é ser de esquerda, seja nos pressupostos seja nas consequências da acção política. Quando Marcelo compreendeu que havia outra realidade, que ele intuía mas em que não acreditava para Portugal (veja o que ele escreve, nas lições de Ciência Política, sobre a democracia «inglesa»), já era tarde para ele, que não sabia como voltar atrás e recomeçar, e para o país, que se viu entregue a uma revolução comunista pelo homem que a abominava.
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«Toda a teoria que desenvolve no post, cegamente “liberal” é, quando muito, válida para os trabalhadores qualificados e na força da vida produtiva. Tudo o resto fica de fora …e penso que é a maioria.»
Pois é. Uma sociedade que instiga o medo da concorrência e da competição tem como resultado a mediocridade e a desqualificação do trabalho, que se preocupa em garantir a subsistência, em vez de procurar a excelência.
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«em vez de procurar a excelência.» pois isso mesmo,quando trabalhei na recolha de lixo em almada procurei sempre sua excelência!
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Parabéns pela demagogia postada e por uma evidente falta de noção da realidade social.
Texto bem escrito, obra de ficção, muito bonito num Paìs das Maravilhas qualquer…Sem Alices.
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“Não poderá a direita portuguesa defender uma sociedade de homens livres e capazes… ?”
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Não, não pode. Tanto a direita como a esquerda estão aprisionadas numa trajectória ética perniciosa que favorece o laxismo, o comodismo, o enriquecimento fácil (o ouro do Brasil…) e despreza o empreendedorismo livre e independente.
Tanto a direita como a esquerda buscam um protetor, um paizinho, um benfeitor, um guia, um líder, que nos encaminhe para um futuro radioso e abundante que, afinal, nunca mais se alcança sem saberem porquê.
Não confiam na liberdade individual. São todos estatistas e tratam de se governar aí. O resto vai a caminho da servidão.
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Será que o senhor rui a. acredita mesmo no que escreve?
O modus de defesa das suas ideias mostra um fanatismo cego,pois ainda não reparei que conceda em certos pontos, o que revelaria lógica discursiva. Logo, acho que é impossível achar um locus communis para a viabilidade de diálogo.
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A Econmia é uma espécie de teoria elaborada com base em determinados pressupostos. Por exemplo, quando falamos de comercio internacional e da existencia de barreiras alfandegárias, a teoria económica aponta claramente para a inexistência das mesmas. A teoria aponta para um pressuposto… que em termos macro exista um equilibrio entre aquilo que se exporta e o que se importa. Na verdade, o comercio entre dois paises, só se pode efectuar permanetmente e a longo prazo se e só se um deles obtiver do outro divisas que permitam a troca.
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Posto isto, dir-se-ia que regular o comercio será anti-económico.
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Errado. A teoria encoómica não entra em linha de conta com os defeitos e virtudes do ser humano. O ser humano é ávido por dinheiro e sedento pelo poder. Neste sentido, vemos paises que exportam muitissimo mais do que aquilo que importam. E fazem-no desvirtuando a teoria económica… por um lado não tem em consideração o purismo do equilibro macro entre importacoes e exportações, olham os seus interesses de curto prazo… mas por outro lado contornam as vantagem comparativas entre paises através de variadissimas medidas.
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Nomedamente diferenciando-se dos outros através de subtilezas (in)civilizacionais. Dito de outra forma:
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O país A tem legislação laboral que inviabiliza trabalho em troca de comida, aboliu há muitos anos a escravatura.
O pais B não tem legislação nesse sentido.
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Que tipo de relacionamento comercial podem ter estes países?
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O primeiro (A) vende produtos com custos laborais que derivam da civilidade conquistada. O segundo (B) vende produtos com custos laborais baixissimos.
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No comercio entre os dois paises, com produtos iguais, o país B ‘arrumará’ facilmente o país A. Se não houver barreiras, B incrementará as vendas e A diminuirá as vendas.
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Pois bem, para manter o status quo do comercio livre, o pais A terá de mudar qualquer coisa. Não podendo erguer barreiras, a sua industria (em produtos iguais aos de B) encerrará a prazo, gerando desemprego etc etc.
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Continuar a alimentar essa industria, através de reduções salariais, não chegará… será necessário reduzir nas condições gerais; na verdade será necessário prescindir da civilidade consquistada.
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A não ser que, possamos tomar medidas tendentes a incentivar outro tipo de industria. Uma industria com maior valor acrescentado, diferenciada na qualidade etc etc… e que actue num mercado de produtos distintos do país B.
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Essa reconversão demora o seu tempo, não produz resultados do dia-para-a-noite, mas tem de ser feita. E portanto, para evitar falências em massa no seu próprio país, deve ser acompanhada, com equilibrio, com medidas alfandegárias, embora temporarias.
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RB
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Ricciardi
Esse seu comentário sugere que seria bom, por exemplo, criar barreiras alfandegárias entre o Alentejo e Lisboa.
Por outro lado, se um país pobre (B) arruma num instante com um país rico (A), então o rico deixa de ser rico e o pobre deixa de ter a quem vender. Há aí um nó cego que torna impossível compreender como e que os EUA continuaram a enriquecer, como é que a Dinamarca sobrevive e como é que os chineses vão continuar a ter alguém a quem vender o que produzem.
Depois há por aí alguns erros. Os custos laborais não dependem da civilidade conquistada. A civilidade é que depende do desenvolvimento económico. Por exemplo, no escritório onde trabalho, não contando com directores, estão cerca de 20 pessoas que ganham entre 800 e 2000 euros. Estes custos laborais não são impostos por ninguém – o salário mínimo é muito inferior. Dependem da busca de profissionais de qualidade e do actual preço de mercado deste nível de profissionais. Dependem do mercado – da procura e da oferta.
A civilidade conquistada, pelo contrário, obriga a empresa a oferecer uma série de regalias a todas estas pessoas – que, a não existirem, seriam adicionadas naturalmente ao seu salário, uma vez que todo o mercado se teria ajustado a uma situação em que essas “regalias” estariam da parte dos empregados e não dos empregadores.
Note que se o desenvolvimento económico não permitisse pagar estes salários, as empresas não o fariam. Se houver menos riqueza, menos actividade económica, os salários diminuiriam, porque haveria menos empresas no mercado em luta pelas mesmas pessoas. Não é por o estado dizer que as empresas têm que pagar ‘a’, ‘b’ e ‘c’ em nome da civilidade que se paga.
O mesmo acontece com as alcavalas impostas por lei. Custam dinheiro. Se as empresas conseguirem tirar do salário que estão dispostas a pagar o custo das alcavalas e mesmo assim conseguirem pagar um salário que o trabalhador aceite, então temos essa civilidade.
De outro modo, é riqueza por decreto. Não existe.
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O neo-liberalismo não é um sistema económico viável a longo prazo, pois não é capaz de manter o nivel da procura anterior. E porquê :
a) O sector privado tem tendência a poupar quanto maior for o seu rendimento e mais ainda em recessão, agravando as recessões e caindo num ciclo vicioso;
b) O sector privado tem tendência a aumentar as desigualdades de rendimento, porque quem tem mais dinheiro tem mais oportunidades de ganhar mais dinheiro, quer pela via do investimento quer pela via de ter acesso a melhor educação, saude, podendo passar parte da riqueza acumulada entre gerações;
c) A Procura é que vem primeiro, seta de causalidade é fundamental.
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PMP
Parece-me que já se esqueceu ou não intuiu convenientemente a relação entre poupança e investimento.
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É irrelevante. O “Terceiro Mundo” está-se lixar para a Europa com as suas nóias e problemas psicológicos que tem com o dinheiro, com quem tem dinheiro e com as empresas.
Eles não sofrem desta doença.
Esta gente só vai acordar quando estiver atrás do “terceiro mundo” porque não há quem queira formar empresas. Ou seja vão ter de reconstruir uma sociedade.
Em Portugal por exemplo o Empregadedorismo é levado ao limite. Todos querem ser empregados.
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Os salários e o desemprego em Portugal é o resultado de quase todos quererem ser empregados.
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JCD,
As empresas só podem fazer novo investimento se houver mais Procura.
Essa é a seta da causalidade.
De onde vem mais Procura se a poupança tem tendência a aumentar ?
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Mas, afinal, qual é a legislação laboral neste mundo que não é, segundo essa óptica, marxista?
http://viasfacto.blogspot.com/2010/12/direita-cavernicola-que-temos-direito.html
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Aliás, do meu ponto de vista, a razão de fundo para que a Alemanha tivesse adoptado o EURO por substituição do MARCO, tem a ver com aquilo que acima referi.
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A Alemanha com o MARCO não poderia ser superavitária de forma tão evidente e prolongada como é. Necessitaria a breve prazo de, tambem ela, injectar MARCOS nos paises de destino, importando produtos dali, para continuar a poder exportar.
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Tendo adoptado o EURO a coisa não é bem assim. Sendo uma moeda global a Alemanha não sente necessidade em injectar EUROS nesses paises, e portanto não necessita de importar dos mesmo, pois esta moeda já faz parte do cabaz de moedas eleitas desses mesmos paises. Na pratica é uma moeda de referencia.
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Neste sentido, o EURO para a Alemanha significa uma capacidade maior em exportar; capacidade essa que o MARCO não poderia sustentar a médio-prazo.
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Por este motivo, embora hajam outros menores, é que acredito que a Alemanha nunca sairá do EURO.
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RB
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Ricciardi:
Os países podem ter moedas diferentes. Para isso, existem os mercados de câmbios.
Não são os países que importam: são as empresas e os cidadãos.
O facto de Portugal agora ter euros, não quer dizer que possa comprar mais coisas que antes à Alemanha. Só o poderá fazer se as empresas portuguesas tiverem dinheiro ou financiamento para importar o que desejam. Se estiverem falidas não compram nada, nem em marcos nem em euros.
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Rui A.:
Não concordo com o que escreve por esta razão: a única vez em que Portugal teve menos Estado na Economia, foi exactamente nesse tempo. No de Marcelo, particularmente.
Marcelo era assumidamente de Direita, como todos concordarão, incluindo naturalmente a Esquerda. Mas uma Direita atípica que não enjeitava a social-democracia do assistencialismo social, pelo mesmo Estado, aos pobres que eram muitos e se não fosse isso seriam miseráveis de modo inenarrável.
O sistema incipiente de Segurança Social alargado a todos começou com Marcelo, como muito bem sabem os rurais ( uma parte substancial da população portuguesa de então) que não tendo descontado para a “Caixa” o começaram então a fazer por montantes mínimos e que lhes garantia médico e assistência nas Casas do Povo. É isso a social-democracia em que acredito e Marcelo era assim.
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“Não concordo com o que escreve por esta razão: a única vez em que Portugal teve menos Estado na Economia, foi exactamente nesse tempo. No de Marcelo, particularmente.”
Esta frase é confusa. Portugal teve sempre menos estado na economia que hoje, porque o estado nunca parou de crescer (exceptuando flutuações de curto prazo), pelo menos desde o início do século.
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A prevalência do Estado no tempo de Marcelo tinha outra conotação: o regime precisava do Estado para se manter. E por isso havia Censura, embora de um modo um pouco mais severo do que a que existia ( e continua a existir) nos países europeus. Era uma Censura que proibia livros comunistas e vigiava os costumes, mas cada vez menos.
E por isso havia limitação das liberdades públicas, com restrição de partidos políticos ao arco que o regime tolerava. No tempo de Marcelo a CDE, e a SEDES e os da Ala Liberal que fundaram o PPD, depois.
O regime só se aguentava porque havia polícia política que reprimia a oposição comunista. Que era forte e principalmente com grande poder de influência nos media. A esquerda portuguesa medrou nos media, antes do 25 de Abril e foi por isso que depois houve uma lavagem cerebral geral.
Uma geraldina que agora todos pagamos.
Mas na Economia o regime era liberal e deixava à iniciativa privada o primado da produção de riquesa, que é o mais importante para um país. Mesmo com condicionamento industrial ( e onde é que não há disso, mesmo hoje em dia?)
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A frase é confusa mas resolve-se já, rapidamente a confusão:
Em 1974 as grandes empresas portuguesas eram estas.
Isso quanto a mim, prova que no tempo de Marcelo o Estado tinha muito pouco peso na economia real. E era isso que pretendia dizer.
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“O sistema incipiente de Segurança Social alargado a todos , …”
A ordem dos factores não é gratuita.
Primeiro cria-se uma organização económica geradora de riqueza, que o Estado tributa, de forma justa.
Depois, sim, o Estado poderá agir como S. Social, e de forma justa.
A experiência global demonstra a vantagem, incontestável, do sistema do “capitalismo privado” como a melhor forma, indispensável, de criar riqueza tributável. Aqui o socialismo mostrou ser um desastre.
Por outro lado não é função “social” do Estado enriquecer, com benesses variadas, os boys, com prejuízo dos realmente mais carentes..
Mas aí actuará o sistem Judicial … ou não.
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“Será que nem para defender a classe empresarial e as empresas portuguesas, ou seja, a criação de trabalho, a nossa direita é útil?”
Para defender alguma coisa, convém que ela exista. Caso contrário, arriscamo-nos a reforçar o erro!
Mas, por este andar, não tardará muito que o “Blasfémias” anuncie que a notícia da morte de Marx, foi manifestamente exagerada…
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“Mas aí actuará o sistem Judicial … ou não.”
Não irá actuar enquanto se mantiverem nos lugares as pessoas que estão.
E digo isto porque as provas do facto estão à vista no caso Freeport e no Face Oculta. Há uma mentalidade de prtecção objectiva ao poder ou pelo menos de desvalorização de indícios que impliquem responsabilidade penal grave para os detentores do poder político ao mais algo grau.
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Nem a direita nem a esquerda podem fugir à forma como funciona uma economia capitalista monetária com crédito, só podem tocar em pouco parâmetros, senão o sistema não é estável a longo prazo.
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Para uma economia capitalista monetária ser estável a longo prazo implica que cresça continuamente em termos de PIB, devido à existência do crédito, da tendencia para a poupança e da tendencia para o aumento da produtividade.
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Para crescer em termos de PIB, a procura tem de crescer. Para a procura crescer globalmente acima do aumento da poupança e da produtividade, têm de existir deficits publicos.
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Os casos da Suécia e da Dinamarca são um forte exemplo do funcionamento deste modelo que hoje é universal.
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Países que não tenham este modelo estável vão empobrecendo, acabando por alterar o seu rumo, e por fim seguindo o modelo (o melhor que é possivel ter )
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Aleluia, Aleluia!! Graças a Deus há iluminados que nos guiarão no caminho da Redenção. O que seria de nós sem o Rui A. para nos guiar pelas largas avenidas da felicidade e abundância por onde jorram torrentes de leite e mel. ALELUIA!
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A ler opiniões como estas é que vou percebendo como se chegou a este ponto…
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