Debates
Caro JMF,
Debate? Só existe debate entre os jornalistas. Apanhados em contra-mão e à nora sem saber bem o que fazer, viram-se para o umbigo a discutir assuntos tão relevantes sobre o que é jornalismo, o que é investigação, fontes e … intenções. Chega a ser um bocadinho pueril essa questão da intenção. Imagine-se se tal novíssima preocupação fosse aplicada de cada vez que um Agente da PJ/Delegado do Ministério Público/Funcionário judicial passam peças de investigação criminal para os jornais. Seria certamente curioso que nessa altura se debatesse a intenção da passagem dessa informação e não a informação em si mesmo, não seria? Ou sobre a intenção de um deputado governamental que diz a jornalista saber qual o próximo ministro remodelável, etc., etc. Os jornais seriam páginas de debate de intenções. Os factos andariam por aí e teriam de ser tratados por outros.
Diz que não se espere que sejam revelados documentos sobre as malfeitorias da Rússia e do Irão. Pois não. O escrutínio e a transparência só fazem sentido e só são eficazes em sociedades abertas e livres. São mesmo parte integrante e vital dessas sociedades. Queria-se o quê? Um papelinho a provar que os governantes russos ou angolanos metem dinheiro do povo ao bolso? Oh, ninguém sabia….! Que um dirigente iraniano mandou deter um opositor? Olha a novidade! E consequências? Nenhuma. Nas sociedades livres é que o escrutínio tem efeito, faz sentido e é necessário.
Defende que Julian Assange «…manipula sem grandes escrúpulos enormes quantidades de informação e promove violações de comunicações secretas não em nome da transparência mas para tentar destruir o tipo de sociedade em que vivemos.» Manipula? Estão ali. Simplesmente para serem tratados porque saiba, queira, possa ou se interesse. «Violações de comunicações secretas«? Mas o que é guardado como segredo visa ser descoberto, não? E qual o problema ao certo? «…destruir o tipo de sociedade em que vivemos»? Não e não. Alguns dos factos reveleados e conhecidos é que podem eventualmente apontar nesse sentido. E certamente destruir o tipo de sociedade em que vivemos é a perseguição que a Wikileaks sofre nos últimos dias. Os meios usados contra ela é que violam e destroem a sociedade em que queremos (pelo menos eu), viver.
«É bom sabermos ao que andamos e de que lado estão os que defendem a liberdade, assim como os que a utilizam para melhor a destruírem.». Sim, é bom. Mas, e a menos que eu não tenha entendido de todo o sentido do seu texto, a ideia de que a utilização da liberdade a pode destruir, para além de ser ideia que nega que se viva em liberdade (sempre seria vigiada e limitada), é , infelizmente (e a história prova-o) o argumento usado mil vezes por aqueles que a querem limitar, seja em que regime político for.

Nem mais.
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caro gabriel silva
exelente e agradecido pela clareza e objectividade do texto.
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É nestas altura que as águas se separam e se percebe quem defende a liberdade.
Deixo apenas uma pergunta: entre os factos revelados pela Wikileaks qual deles não deveria ser publicado
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Muito bem, Gabriel.
Estive um bom pedaço de tempo a pensar no comentário a fazer ao post de jmf, mas a minha tia Nicolina chamou-me à cozinha para provar o arroz-doce e passou-me.
Chegado aqui leio o seu post.
Até lhe fui buscar um prato de arroz-doce.
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De acordo.
Se não estamos em guerra pela nossa sobrevivência, não podemos sobrepor nenhum interesse de estado que é duvidoso e discutível, aos interesses do que consideramos primordial que é a liberdade e a liberdade da informação.
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Gabriel, muitíssimos parabéns pelo seu texto!
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Viva a Liberdade!
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Gabriel,
Muito bem! Contra a desonestidade intelectual de alguns, nada melhor que a coerência e o apego à liberdade.
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Um texto que coloca as coisas no seu sítio.
Embora a maioria dos comentários ao post de JMFernandes já fosse no sentido de o repudiar, este texto de GabrielSilva clarifica os campos. É este tipo de contraditório (apesar de raro) que poder fazer do Blasfémias um Blog mais tolerante e menos faccioso.
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Grandioso e certeiro, o seu bilhete, Gabriel.
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é bom ver, aqui mesmo no blog onde JMF acabou de postar uma amálgama de preconceitos sobre intenções, pôr os pontos nos is quanto a tão sensível questão.
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obrigada.
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Modestamente, inclino-me mais para as ideias expostas no texto de Eduardo Cintra Torres e deste post de Gabriel Silva do que para a posição de José Manuel Fernandes. Tento explicar aqui porquê.
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Completamente!
Certeiro. Então,um jornalista toma posição contra a difusão da verdade?
Está mais que explicado porque temos a imprensa que conhecemos e que fornece respaldo a todas as malfeitorias contra os portugueses.
É a negação do jornalismo,a auto-censura.
Com uma imprensa como a nossa, que se recusa a investigar e a divulgar informação da maior relevância,crescem como cogumelos os corruptos e traficantes de influências.
Já não estamos na barbárie e os Estados devem actuar com ética.
Bob Woodward e Carl Bernstein deveriam ter questionado as motivações de Mark Felt e ocultar as suas revelações no caso Watergate?
Ridículo!
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Um texto que separa claramente as águas entre quem defende a liberdade de informação, nos seus fundamentos básicos, e quem, consciente ou inconscientemente, por formas mais ou menos enviesadas, acaba por pô-la em causa e justificar a censura. Infelizmente, têm-se visto muitos jornalistas e comentadores neste segundo grupo. Portam-se como iluminados, que se arrogam o direito de definir (não sei com que mandato ou autoridade) o que deve ou não ser tornado público, o que deve ou não ser publicado. Há umas décadas também havia um grupo de senhores assim. Chamava-se Comissão de Exame Prévio.
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Pobre J Assange, se a ver pelo vídeo acima, Wikileaks keeps on publishing…, alguém haveria de o tramar sempre, de raiva e despeito ferido, em consciência.
E só advogado de respeito poderá salvá-lo, na clarividência da verdade, inteligente, honesta, como é raro ver-se em simples texto assim dirigido à necessária resposta.
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Touché.
Tal como o João Miranda, aqui https://blasfemias.net/2010/12/08/wikileaks-e-liberdade-de-informacao/
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Bem deve dizer-se ‘interessado’ o ‘Espectador’ que assim explica e tal escreve, Eduardo F.
Gostei de ler. Porque disse, aqui está alguém sincero e inteligente, a provar que é livre, sem aranhas na cabeça.
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Mais um texto com algumas coisas acertadas e cegueira inexplicável e duvido que seja para levar a sério(ver o fim).
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“O escrutínio e a transparência só fazem sentido e só são eficazes em sociedades abertas e livres.”
Falso. Muitas sociedades não liberais mudaram porque segredos vieram a lume. Muitas vezes essas mudanças foram para outro tipo de sociedade fechada.
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“Mas o que é guardado como segredo visa ser descoberto, não?”
O que é que isto é suposto dizer? Os planos da bomba atómica devem estar acessíveis?
Deve-se informar todos dos alvos onde maiores danos são feitos ao País?
Se assim for terá de se investir muito mais em segurança, forças armadas.
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“a ideia de que a utilização da liberdade a pode destruir”
Esta é de bradar. Obviamente que pode. A informação não chega só aos amigos chega aos inimigos.
É só olhar para a História.
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Agora para se entender se isto é para levar a sério, e se não é só para parecer bem, porque é que não defende a inexistência de segredos de Estado? Com a correspondência de todo o estado incluíndo diplomática e militar colocada online pouco tempo depois de ter acontecido?
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Repare-se nesta barbaridade do Gabriel:
“O escrutínio e a transparência só fazem sentido e só são eficazes em sociedades abertas e livres. São mesmo parte integrante e vital dessas sociedades. Queria-se o quê? Um papelinho a provar que os governantes russos ou angolanos metem dinheiro do povo ao bolso? Oh, ninguém sabia….! Que um dirigente iraniano mandou deter um opositor? Olha a novidade! E consequências? Nenhuma. Nas sociedades livres é que o escrutínio tem efeito, faz sentido e é necessário.”
Por conseguinte, iranianos e russos e chineses e cubanos etc…etc..etc…continuem a levar com os tiranos assassinos no lombo porque o “escrutínio e a transparência só fazem sentido em sociedades abertas e livres”!!!
Lê-se e não se acredita que seja o blasfémias!!!
E parte de um princípio horroroso:
o de que já se sabe o que os russos, angolanos e iranianos fazem!!!
não é preciso papelinho…
Ou seja, nos Países onde o governo controla tudo…incluindo a informação…não é necessário wikileaks…porque já se sabe…”ninguém sabia”, diz ele.
Fantástico!
quer-nos convencer que os governos ditatoriais são mais abertos do que os democráticos!
não têm segredos:
quantos presos políticos há na China, Gabriel? No Vietname? no Irão?em Angola?
O que sofrem nas prisões?
Como vai o genocídio no Cáucaso? e no DARFUR? e no TIBETE?
O Gabriel sabe alguma coisa disto?
A Wikileaks não “é necessária” para revelar estas atrocidades?
Como vão as relações da Venezuela com Cuba as FARC, o tráfico de droga e os milhões destes crápulas depositados em bancos por esse mundo fora?
Não é assunto da Wikileaks…
Só nas sociedades livres é que o escrutínio faz sentido.
o povo sujeito a estes bandidos que aguente…não precisa de saber estes segredos…
Pois é Gabriel….essa cabeça anda muito mal arrumada…e do lado das bestas…
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Já se congelam comentários?
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Exemplo de comentário congelado.
O seu comentário está à espera de aprovação.
Gabriel,
Muito bem! Contra a desonestidade intelectual de alguns, nada melhor que a coerência e o apego à liberdade.
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revolta popular,
Acha que notícia é “cão morde em homem”? Claro que não é notícia falar de atentados à liberdade em países que não são democráticos, isso está na natureza deles. Mas se quiser desculpar a falta de estatura intelectual do JMF e a sua tendência para fazer fretes…faça favor.
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A Wikileaks abriu uma caixa que ninguem sabe fechar. Ninguem sabe qual vai ser o resultado da maior divulgação alguma vez feita de documentos confidenciais e secretos de um país.
Há quem ache em nome da liberdade de expressão que tudo deve ser divulgado, mesmo pondo em causa, pelo menos a prazo a segurança dos E.U. e aliados; e há quem ache que situações que ponham em causa a segurança dos mesmos, não deve ser divulgada.
A minha opinião não é relevante para o caso, mas o meu maior receio, é que no afã de defender a divulgação de certos documentos em nome da liberdade de expressão, isso leve a limita-la e nalguns casos até a suprimi-la num futuro proximo.
Até agora a imprensa dos paises democraticos ia funcionando, e os media noticiavam muita coisa ou atraves de investigação jornalistica, ou sobretudo atraves de fontes, muitas vezes colocadas em lugares de responsabilidade. E se essas fontes secarem, como se calhar já está a acontecer, poderemos vir a ter uma informação com base apenas nas fontes oficiais. E aí ficamos todos a perder.
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A C da Silveira
Estamos perante a obrigação de não exercer a nossa liberdade, sob o risco de amanhã, acabarem com a mesma liberdade que hoje evocamos, com o argumento que a liberdade tem que ser defendida. Brilhante. O PC Chinês não adiantaria melhor justificação.
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«a posição de José Manuel Fernandes»
Que tão entusiasticamente acolheu a justificação da cúpula USA (Bush)
para a conquista do Iraque.
Com o Iraque submetido ao que qq observador mediano sabia:
a) Bloqueio económico acentuado;
b) Vigilância aérea e bombardeamentos aéreos frequentes.
c) Uma economia e universidades, pouco compatíveis com tal processo – energia nuclear.
Eram as armas de “destruição maciça” que tantos viram.
E que JMF também deve ter visto.
Aí esteve uma boa razão, para a manipulação de documentos “classificados”.
Poder tratar de negócios de petróleo, sob a capa de direitos humanos.
Com JMF a bater palmas.
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… nem um ano ainda passou…
http://lishbuna.blogspot.com/2010/12/recordar-e-viver-xxii-hilaria-during.html
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JB devia informar-se em vez de fazer de ignorante.
Armas de destruição em massa foram fabricadas na primeira guerra mundial. É só preciso vontade ,competência e recursos. O Regime de Saddam tinha as três.
Tinha uma quarta: era imprevisível.
Isto também foi o Bush?
http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/1189182.stm
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Gabriel :
Posso deduzir do teu texto que em Democracia nenhum segredo faz sentido?
Eu creio que, por vezes, em meios muito diferentes, se abusa do segredo… mas creio também que não podemos destruir toda e qualquer possibilidade do segredo e que ele tem, em algumas ocasiões, um papel importante.
Nunca ninguém divulga toda a informação que tem… divulgar ou não divulgar são sempre opções motivados por juízos de valor e tanto uma com outra opção podem ser legítimas
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Muito bem, excelente texto, separador de águas.
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«Tinha uma quarta: era imprevisível»
«Vontade», ainda vá lá,
agora «competência» e «recursos»,
a chegada do exército de Bush, a forma como se dirigiu e tomou conta de Bagdad, comprovou-o perfeitamente.
Parabéns, pelos seus elevados conhecimentos: de história, ciência e geo-estratégia.
GoodLuck, que Alá é grande
e a ignorância o seu Profeta.
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A liberdade está a passar pela wikileaks
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“agora «competência» e «recursos»”
O Iraque não fabricou as suas armas químicas ?
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@lucklucky por acaso até foi, pergunte aos Curdos http://www.historycommons.org/searchResults.jsp?searchtext=kurds&events=on&entities=on&articles=on&topics=on&timelines=on&projects=on&titles=on&descriptions=on&dosearch=on&search=Go que pode ser que eles lhe digam mais qualquer coisa sobre o assunto e já agora também ao Iranianos.
pode começar talvez por perguntar ao criminoso Rumsfeld que aqui tem a conversar alegremente com Saddam Hussein… http://www.youtube.com/watch?v=zaP7ZrmkcuU
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O melhor texto que já li sobre o assunto. Sem espinhas.
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Caro Gabriel (bem vindo seja após tão longa ausÊncia),
Duas margens dum rio.
É nesta margem (a sua) que encontro ainda algum conforto, alguma humanidade, alguma isenção e dignidade.
O texto é excelente, na falta de um melhor adjectivo, é digno.
Infelizmente (não por si mas pelos demais) V. continua a ser dos poucos autores que neste blog convêm ler e comentar.
Fique bem Gabriel S.
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