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Um consolinho para aquela esquerda que está a lamber as feridas

24 Janeiro, 2011
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Para além do valor recorde da abstenção que, como é sabido e já foi oportunamente apontado por mui ilustres pensadores, tira toda e qualquer legitimidade a Cavaco, nesta eleição registou-se mais um triste máximo da III República: ao nível dos votos brancos e nulos, que atingiram a espantosa cifra de 6,2%, quase o score do camarada Lopes. A grande maioria destes votos e a quase totalidade dos conquistados pelo José “Tiririca” Coelho, foram o beijo de Judas de cavaquistas despeitados, a ansiarem perfidamente por uma crucificação no 2º round. Estamos a falar de quase 10% do eleitorado que virou costas a Cavaco. Se isto não é uma catastrófica débacle eleitoral, vou ali e já venho.

 

Mas se a malta que votou branco e nulo quis tramar Cavaco, deu um tiro no pé. Acontece que, por intrigantes razões que desconheço e ao contrário do que ocorre em todas as outras eleições, nas presidenciais estes votos não são considerados como validamente expressos para efeito de determinação da percentagem de cada candidatura. Assim o fossem como acontece por exemplo nas legislativas e lá teria Cavaco de ir à prova dos nove da 2ª volta. Não só nestas, mas também nas anteriores eleições. Com efeito, se fossem considerados os votos brancos e nulos, a % de Cavaco reduzir-se-ia para 49,6% em 2006 e 49,7% em 2011, sendo o único de todos os presidentes eleitos que, com a alteração do critério ficaria abaixo da linha dos 50%.

 

Como sabemos estas coisas não acontecem por acaso, são antes o resultado de perversas maquinações de poderosas forças ocultas. Ora isto quer dizer que tivemos e vamos ter um presidente fantoche, a fazer lembrar o saudoso George W, que estava sempre a jeito para arcar com os males do mundo. Só pode ser obra de alguma “mão invisível” dos especuladores, do Dias Loureiro ou dessa trupe insaciável do BPN. Garantidamente que estamos perante uma manipulação da lei eleitoral feita ainda durante o cavaquismo.

 

Vá camaradas louçãnicos, peguem lá nesta nova causa. Curem-se da ressaca e toca a chafurdar de novo.

17 comentários leave one →
  1. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    24 Janeiro, 2011 10:57

    diga isso e o contrário disso, que terá sempre razão. a cigana que lê as linhas da mão também tem sempre razão!

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  2. Eleitor's avatar
    Eleitor permalink
    24 Janeiro, 2011 11:47

    Os votos do Coelho e em branco não têm, necessariamente, que ser de cavaquistas ressentidos. Estou inclinado para acreditar que são de gente que pensa que é tudo a mesma m…, pelo que mais vale abandalhar (votar Coelho) ou protestar (votar em branco, que é como quem diz: nenhum presta).
    A abstenção (que ganhou as eleições), o Coelho e os votos em branco são o exemplo do nenhum respeito que merecem políticos (e comentadores do regime) para a maioria da população.

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  3. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    24 Janeiro, 2011 11:55

    Assim se prova que uma regra perversa, os votos brancos nas presidenciais não contarem, ao contrario do que acontece nas legislativas, acabar por ter resultados positivos.
    Os filosofos podem filosofar à vontade, porque no dia 9 de Março proximo quem vai estar no Parlamento a tomar posse é o Prof Anibal Cavaco Silva, e se foi eleito assim ou assado, já não conta para nada.
    O que conta é o que ele vai fazer, e se bem o conheço o Socrates vai agora aprender com quantas varas se faz uma camisa. Cavaco como bom catolico, tambem acha que Deus manda perdoar, mas não manda esquecer.

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  4. Lima's avatar
    Lima permalink
    24 Janeiro, 2011 11:56

    Acho engraçado agora, a esquerdalha, em jeito de azia pós eleitoral (aproveitem farmácias para o negócio), apresentar quase absolutamente, a falácia da vitória da abstenção! Até agora, em todas as outras eleições anteriores a abstenção tem ganho sempre, mas isso não tem sido um dado relevante.

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  5. Centrista's avatar
    Centrista permalink
    24 Janeiro, 2011 12:36

    “Mas se a malta que votou branco e nulo quis tramar Cavaco”.

    Não sei como conclui isto. Se queriam tramar Cavaco, votavam noutro qualquer. Quem vota em branco ou nulo está a manifestar que é politicamente activo (deu-se ao trabalho de ir votar), mas que não existe um único candidato em quem se reveja. Eu diria mais, que nenhum candidato chega a reunir as qualidades mínimas necessárias para o cargo.

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  6. fado alexandrino's avatar
    24 Janeiro, 2011 12:37

    Por favor reparem que o post é um exercício de ironia (muito bem feito aliás).
    Acrescento eu como explica Baptista-Bastos que quem ganhoi foi Mário Soares e assim arrecadou o prémio (uma casa nas Laranjeiras) de melhor comentário político da década.
    Mordam-se.

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  7. Carlos Dias's avatar
    Carlos Dias permalink
    24 Janeiro, 2011 12:46

    Como votantes inscritos são mais de 9.500.000 de portugueses ainda estou a fazer as contas.
    Até agora ainda estou a fazer contas aos 6.000.000 de benfiquistas.

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  8. Carlos Dias's avatar
    Carlos Dias permalink
    24 Janeiro, 2011 12:48

    “A grande maioria destes votos e a quase totalidade dos conquistados pelo José “Tiririca” Coelho, foram o beijo de Judas de cavaquistas despeitados”
    Obrigado pela dica LR, isso vai ser a minha próxima tese de doutoramento.
    Totalidade ou mais ou menos 86,743%.

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  9. oscar maximo's avatar
    oscar maximo permalink
    24 Janeiro, 2011 12:49

    No meu entender, quem não retira confiança a Lima e a Loureiro também gosta de chafurdice.

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  10. Gonçalo's avatar
    24 Janeiro, 2011 13:27

    Estamos, claramente no final de um ciclo.
    O ciclo do 25 de Abril.
    Manuel Alegre representava esse ciclo fracassado. O 25 de Abril falhou.
    Não pelo que fez acabar (o fascismo, a falta de liberdade).
    Mas pelo que não conseguiu criar.
    O 25 de Abril prometeu uma sociedade melhor. O fim e o caminho era o socialismo.
    O falhanço do socialismo não é de estranhar. Falhou em todo o lado. É um modelo que se auto-reduz gradualmente até à implosão.

    O problema é que nos conduziu ao precipício e a uma situação extrema que apenas dá força a quem defende alternativas na direcção errada…

    A geração do 25 de Abril (dos nascidos entre 1945 e 1960), que nos tem dirigido politicamente, tratou de si e pouco mais. Foi uma geração egoísta que empobreceu o País. Que nos levou à rotura.
    Foi distribuindo sempre, para além do que tínhamos. À custa do sector produtivo (que fomos perdendo). À custa de apoios externos que fomos aceitando sem avaliar consequências. À custa de gestões deficitárias que fizeram crescer as nossas dívidas.

    E agora, o que fazer?
    Precisamos de uma gestão apolítica. Pragmática. Sóbria. De mercearia simples…
    Mas como?
    Numa altura em que tudo chegou tão baixo?
    Em que qualquer proposta na direcção correcta será liminarmente eliminada na “fogueira” da democracia eleitoral em que quem manda é o “povo”? Que pedirá sempre e cada vez mais apoios e subsídios?

    Será o fim da democracia?
    Será que o 25 de Abril abriu caminho para o fim da democracia?
    Estou convicto que sim. A geração que fez o 25 de Abril pensou em si e levou o País aonde estamos.

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  11. Trinta e três's avatar
    24 Janeiro, 2011 14:00

    Não sei de onde vem o regozijo do LR. Na verdade, o grande vencedor destas eleições (logo a seguir à abstenção), foi o Sócrates. Conseguiu o presidente que queria e eliminou, de vez, o Alegre. Ultrapassada a euforia dos desesperados, convém fazer melhor as contas.

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  12. J.J Pereira's avatar
    J.J Pereira permalink
    24 Janeiro, 2011 14:00

    A esquerdalhada arranja sempre justificações para a portuguesíssima ” dôr de corno”…

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  13. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    24 Janeiro, 2011 14:11

    Gonçalo,
    Na mosca. Os que refere, nem todos, comeram e continuam a comer a carne. Uns do lombo, outros, a maioria, do lado da aba. Mas os mais novos só vão ter ossos para roer e dividas para pagar.
    O que se passou ontem, para além da costumada incompetencia do ministro Pereira, devia pôr muito boa gente a pensar. Por muitas razões a Democracia portuguesa está doente, como noutras paragens aliás, mas o que me preocupa verdadeiramente, é não ver ninguem a pensar na cura. Já o disse e repito: passei quase metade da minha vida debaixo de uma ditadura, e não gostava. O caminho por onde vai a democracia em Portugal, não augura nada de bom.
    PS Com um governo a serio dirigido por um 1º ministro a serio, Rui Pereira hoje estaria a arrumar os papelinhos que deve ter em cima da secretaria lá no MAI. Até agora este gravìssimo assunto, tem sido falado à boca pequena, ignorado até pela maioria dos media. São estas e outras que estão a matar a nossa democracia: a desresponsabilização é total, sendo Socrates o primeiro a dar o (mau) exemplo.

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  14. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    24 Janeiro, 2011 14:14

    Realmente estamos no fim dum ciclo.
    Coube e caberá a Cavaco Silva fechar a porta a este sistema podre, poluido e corrupto.
    Oxalá que feche a porta o mais depressa possível!

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  15. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    24 Janeiro, 2011 16:18

    o regozijo de LR só pode vir daquela falta de honestidade política do candidato Cavaco ao ligar uma 2ª volta ao aumento dos juros …

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  16. L.Rego's avatar
    L.Rego permalink
    25 Janeiro, 2011 11:39

    Se quse 80% dos eleitores ou não votaram ou votaram nulo ou contra Cavaco, numa clara atitude condenatória e de insatisfação, o que precisa mais este regime para se sentir a mais? A imensa cabala maçónica que consegue sempre impor o seu candidato não permite alterações à constituição. Estamos então cercados por todos lados? Não apertem mais ou vão ter uma surpresa!

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