Abril: caso do início da 2ª semana
A candidatura de Fernando Nobre. Sobre este caso o texto do Pedro Lomba “Pecados capitais” (PÚBLICO) resume o essencial: «O discurso de Fernando Nobre nas eleições presidenciais foi (vacuamente) anti-sistema. Mas não foi também o de Manuel Alegre em 2006? Fernando Nobre é ou parece ser populista. Mas não foi Manuel Alegre, em 2006 e em 2011, fartamente populista, cheio de invectivas contra as agências de rating, os mercados e tudo o que instigasse o bom povo a espumar de raiva contra alguns e a inocentar todos os outros responsáveis? Fernando Nobre, sabendo do seu feito eleitoral, prometeu um movimento, uma “esperança”, um caminho redentor e obscuro. Mas não foi Alegre que depois de obter um milhão de votos deixou o PS em suspenso com a vaga ameaça de criação de um movimento cívico que acabou por deixar cair? Fernando Nobre usou a retórica costumeira da democracia participativa e do ‘há mais vida para além dos partidos’. Mas não são Alegre e os seus apoiantes do Bloco que há anos vêm apelando para a força dos movimentos sociais e espontâneos, sempre sob o argumento de que a democracia não se esgota nos partidos? Fernando Nobre foi o candidato do voto-protesto. Mas Alegre foi diferente e o Bloco costuma ser diferente?
Sim, Nobre tomou o lugar de Alegre nas últimas presidenciais. Nobre “secou” Alegre servindo-se em parte do espaço disponível para o populismo e aproveitando os nós tácticos com que o adversário se atou. Não é mais nem menos consistente do que o poeta de Águeda. Então, se assim é, como se explica este cerco moralista, este tom pudico, com que inúmeras pessoas, no círculo de Alegre, no PS, nas esquerdas bloquistas, estão a reagir à entrada de Fernando Nobre nas listas de Passos Coelho?
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Esclareço desde já que não tenho qualquer simpatia política por Fernando Nobre. Pelo contrário. Não é só política, mas ego. Nobre faz lembrar aqueles beneméritos que oferecem à paróquia e correm logo para a Igreja a tempo de ouvir o nome deles na missa seguinte. E é demasiadas coisas ao mesmo tempo ou em rápida sucessão, o que em política nunca dá bom resultado.
E, no entanto, não foi isso ou sobretudo isso que chocou as virgens ofendidas. Uns reagiram porque o ex-candidato, ao decidir juntar-se ao PSD nesta eleição, alegadamente traiu quem votou nele. O que os incomodou foi que um ex-candidato, que usou um discurso vazio e utópico muito caro à esquerda, surja agora aliado ao centro-direita. Esse costuma ser um pecado capital.
E é por isso que o cerco escandalizado a que Nobre é de uma absurda desproporção. Pretender que Nobre traiu o seu eleitorado por ceder a um partido político – facto que a mim não me interessa – significa presumir que se conhece esse eleitorado e os seus motivos; significa presumir que se é dono desse eleitorado. E é também achar que Nobre, nas últimas presidenciais, captou votos que não lhe pertenciam, mas sim ao Bloco e mesmo a Manel Alegre. No fundo, o que os incomodou foi que Nobre, um extra-terrestre, um impreparado, tivesse entrado num território que as esquerdas reclamam delas.
Com ou sem mérito, Nobre explorou a seu-favor um dos mitos da cultura política do regime: o populismo participativo, a crítica aos políticos e por aí fora. Está por provar que esta escolha táctica do PSD tenha sido a melhor. Mas é uma escolha. Como a que fez o PS em 2009 quando sondou e convidou figuras do Bloco de Esquerda como Joana Amaral Dias e acabou incluir nas listas gente da esquerda libertária, como o antropólogo Miguel Vale de Almeida? Na altura, tirando algumas vozes, não se fez disso um caso. A fútil desproporção com que o assunto tem sido tratado mostra que o cerco sobre Nobre é o começo do cerco, não tanto sobre Passos Coelho, mas sobre o regresso do centro-direita ao poder. O mais pequeno pretexto conta. »

Pelo que percebi do início deste artigo, parece que Nobre é, em quase tudo, igual a Manuel Alegre? Pergunta então o autor de onde vem tanta indignação. Bem, eu diria que se agora o Manuel Alegre aparecesse como cabeça de lista do PSD e candidato indigitado a Presidente da Assembleia da República pelo PSD muita gente se indignaria e acusaria Manuel Alegre, e com razão, de ser um troca tintas e de trair em quem nele tinha votado. Ou seja, parece-me que Pedro Lomba explicou muito bem a indignação que sente quem votou em Fernando Nobre. Já agora, faço notar, que a maioria dos votantes em Fernando Nobre tinha votado em Alegre 5 anos antes.
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A intenção de indigitar Nobre é escolher fazer diferente…sacudir as velhas ratazanas do costume.
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O Pedro Lomba “resume o essencial” a tal ponto que o essencial nem aparece no seu texto.
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Fernando Nobre defende mais Estado e mais despeza. Ou seja, defende que, para curar o doente, se lhe administre dose reforçada do que o pôs doente.
Ter alguém assim como cabeça de lista na capital ofende os militantes do PSD. Ofende-me a mim.
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Não apenas não tem qualquer experiência parlamentar como, na campanha para as presidenciais, Fernando Nobre demonstrou que nem sequer conhece a Constituição da República Portuguesa.
Propô-lo para Presidente da Assembleia da República reduz a importância desse cargo e ofende os eleitores. Ofende-me a mim.
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Ainda antes de começar a fazer campanha, Fernando Nobre dizer que só fica no Parlamento se fôr eleito Presidente da Assembleia da República. Ofende quem, no círculo de Lisboa, vote no PSD.
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É (também) por isto que, nestas eleições, não vou votar no PSD.
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O PSD continua a tentar desculpar o indesculpável. Sem vergonha.
Ainda vão a tempo de contactar Otelo para cabeça de Lista ou Deputado.
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A indigitação do tal Nobre foi um erro.
Ceder à chantagem (só se for indigitado presidente da A.R ) uma vergonha.
E NÃO HÁ QUE TENTAR DESCULPAR O SUCEDIDO. . .
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Não vale a pena branquear as posições e declarações do Fernando Nobre.
O homem é orgulhoso, pretensioso e preconceituoso.
Em politica, é um ZERO À ESQUERDA!
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Esta tropa não enxerga que foi precisamente a malta com experiência parlamentar e zeros à direita que nos trouxe até aqui…chiça!
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José Pinto Basto,
Foram também adultos com cursos superiores que nos “trouxeram aqui”. Vamos experimentar um Governo constituído exclusivamente por crianças que não saibam ler nem escrever?
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Joaquim Amado Lopes,
Consta que o PSD, ao saber que não terá o seu voto – com que absolutamente contava, a crer nos comentários que V. aqui costuma vomitar -, pondera desistir das eleições…
O desgosto nas hostes da social-democracia é enorme.
Olhe, trate-se mas é depressa, que ainda talvez vá a tempo…
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Sim, realmente, o “da-se” é a pessoa indicada para dizer aos outros para se tratarem. O que se passa? Já não há esperança para si?
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